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12/08 - Vazamento de óleo nas Ilhas Maurício ameaça biodiversidade; governo quer responsabilizar donos de navio
Quase 1 mil toneladas de combustível foram derramadas no mar, perto de locais importantes de conservação. Governo do país quer que donos da embarcação japonesa arquem com custos. Imagem registrada pelo Exército Francês na terça-feira (11) mostra o vazamento de óleo do navio MV Wakashio nas Ilhas Maurício Gwendoline Defente, EMAE via AP As Ilhas Maurício ainda trabalham para retirar quase 1 tonelada de óleo que vazou de um navio japonês encalhado há quase um mês. Embora o governo local tenha dito que o derramamento está contido, a substância ainda ameaça vastas áreas úmidas protegidas, repletas de manguezais, corais e peixes. Por isso, nesta quarta-feira (12), autoridades do país localizado no Oceano Índico anunciaram que pretendem responsabilizar os donos do navio MV Wakashio, operado pela empresa Mitsui OSK Lines, que encalhou em um recife em 25 de julho. Para prevenir novos vazamentos, o primeiro-ministro das Ilhas Maurício, Pravind Jugnauth, anunciou nesta quarta que as 3,8 mil toneladas de combustível transportadas pelo navio foram totalmente bombeadas de seus tanques. Vazamento nas ilhas Mauricio foi contido, diz governo No entanto, segundo a agência France Presse, a situação ainda preocupa porque o óleo vazou em área muito próxima a importantes locais incluídos na Convenção Internacional sobre a Conservação de Zonas Úmidas nas Ilhas Maurício. Sunil Dowarkasing, um ex-colaborador do Greenpeace e que participa das operações de limpeza, disse à AFP que esses dois locais de preservação — Blue Bay e Pointe d'Esny — ainda parecem poupados de danos. Porém, os riscos continuam. Veja um resumo dos problemas. Imagem de satélite desta quarta (12) mostra extensão dos danos ao mar perto de Pointe d'Esny, nas Ilhas Maurício, após derramamento de óleo HANDOUT / SATELLITE IMAGE ©2020 MAXAR TECHNOLOGIES / AFP Blue Bay Pequenas quantidades de óleo combustível já foram observadas no parque marinho de Blue Bay, um local de 353 hectares que abriga 38 variedades de coral, incluindo o "coral cérebro" esférico com mais de cem anos. O combustível foi "imediatamente contido" pelas operações de limpeza, disse Dowarkasing. O local fica ao lado da praia de Blue Bay, popular entre os turistas. "Se o parque marinho de Blue Bay for poluído, perderemos uma joia das Ilhas Maurício", disse Dowarkasing. Manguezais, tapetes de ervas marinhas e algas gigantes "contribuem para o equilíbrio geral do ambiente marinho" e fornecem habitat "para cerca de 72 espécies de peixes e tartarugas verdes ameaçadas de extinção", afirma a convenção Ramsar em seu site. Pointe d'Esny As águas salobras e rasas dos 22 hectares do local de Pointe d'Esny são o lar de manguezais, lodaçais, plantas ameaçadas e borboletas endêmicas de Maurício. O local é mais protegido do que Blue Bay, pois é separado da lagoa por uma estrada costeira e habitações. Mas as raízes dos manguezais têm a capacidade de armazenar óleo combustível, de acordo com Dowarkasing, o que torna o local de Pointe d'Esny vulnerável. As Ilhas Maurício têm um terceiro sítio, o santuário de pássaros do estuário Rivulet Terre Rouge. Esta reserva está localizada no lado oposto da ilha, não muito longe da capital Port-Louis, e não está ameaçada pela poluição do MV Wakashio. Cilindro de cabelos e folhas Imagem aérea de vazamento de óleo nas Ilhas Maurício, em 6 de agosto de 2020 Stringer/AFP Os moradores das Ilhas Maurício estão usando cilindros permeáveis de cabelo e folhas para tentar limpar o óleo que vazou de um navio japonês encalhado em uma praia do arquipélago no Oceano Índico. As Ilhas Maurício declararam estado de emergência. Segundo o grupo ambientalista Greenpeace, essa pode ser uma grande crise ecológica. Reprodução de um vídeo feito por drone mostra tentativa de limpar mar das Ilhas Maurício, em 8 de agosto de 2020 Reuben Pillay /Virtual Tour of Mauritius/via Reuters Romina Tello, 30, fundadora da agência de ecoturismo Mauritius Conscious, passou o fim de semana ajudando a limpar a lama negra dos manguezais. Ela disse que os mauricianos estavam fazendo os cilindros para flutuar no mar com folhas de cana-de-açúcar, garrafas plásticas e cabelos que as pessoas cortavam voluntariamente. A ideia é que esse material absorva e retenha o óleo, que é viscoso, nas águas. "O cabelo absorve óleo, mas não água, e há uma grande campanha em torno da ilha para conseguir o cabelo", disse Tello. Vídeos online mostram voluntários costurando folhas e cabelos em redes para flutuar na superfície e encurralar o óleo até que ele possa ser sugado por mangueiras. Escolas de mergulho, pescadores e outros se juntaram ao esforço de limpeza, com alguns fornecendo sanduíches, pousadas que oferecem acomodação gratuita para voluntários e cabeleireiros que oferecem descontos para aqueles que doam cabelo, disse Tello. Ilhas Maurício declara emergência ambiental após derramamento de óleo no mar
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12/08 - Número de indígenas mortos pela Covid-19 sobe para 15 em RO
Estado também contabiliza 682 casos positivos casos da doença. Dados foram levantados pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. 13 povos foram atingidos pela Covid-19 em Rondônia Reprodução/Rede Amazônica Quinze indígenas morreram pela Covid-19 em Rondônia, segundo dados levantados pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coaib), até a última segunda-feira (10). O vírus já infectou indígenas de 13 povos no estado e fez vítimas em sete deles. Os dados da Coordenação também apontam que o estado contabiliza 682 casos positivos do novo coronavírus, além de 51 com suspeita da doença. Os povos atingidos pelos vírus, segundo a Coiab, são: Arara Karo; Cinta Larga; Karitiana; Kanoê; Kassupa; Mura; Oro War; Puruborá; Paiter Suruí; Sakirabiat; Tupari; Wajuru; Zoro. Os Cinta-Larga são o povo com o maior número de óbitos no estado (4), a frente dos Karitiana (2), Arara (1), Mura (1), Puruborá (1), Sakirabiat (1) e Wajuru (1). Quatro indígenas ainda não tiveram a tribo identificada. Entidades temem avanço de grileiros em terras indígenas e disseminação de coronavírus Povos atingidos pela Covid-19 na Amazônia Legal Coiab/Divulgação Ainda segundo a Coiab, são contabilizadas 564 mortes entre 90 povos indígenas pela Covid-19 em toda a Amazônia Legal, sendo o Amazonas o estado com o maior número de vítimas: 186. O maior número de casos se encontra no Pará, com 4.265 infecções confirmadas entre 24 etnias. O levantamento da Coiab é feito com base em boletins informativos e notas de falecimento emitidas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, além de relatos de lideranças indígenas, profissionais da saúde indígena e organizações que fazem parte da rede da organização. Demarcação de terras indígenas reduziu o desmatamento na Amazônia, diz estudo Integram a Amazônia Legal os estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Dados do DSEI e Sesau Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) de Porto Velho e Vilhena registraram até a última terça-feira (11) 679 casos de Covid-19 entre os povos em Rondônia, sendo 93 ainda ativos, e 14 óbitos. Enquanto a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) contabilizou no mesmo dia 693 casos entre indígenas, sendo 285 só na região de Guajará-Mirim, e 12 óbitos. Initial plugin text
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12/08 - Novo dinossauro 'primo' do Tiranossauro Rex é descoberto em ilha britânica
Quatro ossos encontrados em uma praia na Ilha de Wight, no Reino Unido, pertenciam a uma nova espécie de dinossauro terópode, segundo um estudo. Uma imagem gerada por computador foi criada de uma impressão dos momentos finais do Vectaerovenator inopinatus. Trudie Wilson Paleontologistas da Universidade de Southampton acreditam que quatro ossos encontrados no ano passado na Ilha de Wight, na costa sul da Inglaterra, pertencem a uma nova espécie de dinossauro terópode. Os ossos foram descobertos em uma praia chamada Shanklin. O dinossauro viveu no período Cretáceo, 115 milhões de anos atrás, e estima-se que tivesse até 4 metros de comprimento. Foi denominado Vectaerovenator inopinatus e pertence ao grupo de dinossauros que inclui o Tyrannosaurus rex e os pássaros modernos. Brasileiro descreve novo dinossauro que é 'primo' do Tiranossauro rex Descoberta de 'primo' do T-rex revela mistério de evolução da espécie O nome se refere aos grandes espaços de ar encontrados em alguns dos ossos — do pescoço, costas e cauda da criatura — que é uma das características que ajudaram os cientistas a identificarem suas origens terópodes. Esses sacos de ar, também vistos em pássaros modernos, eram extensões do pulmão, e é provável que "ajudassem a alimentar um sistema respiratório eficiente, ao mesmo tempo que tornavam o esqueleto mais leve", segundo a Universidade de Southampton. Uma silhueta de um terópode indicando de onde eram os ossos. Darren Naish Os fósseis foram encontrados em três descobertas distintas em 2019 e entregues ao Museu dos Dinossauros na ilha, em Sandown, onde estão sendo exibidos. Robin Ward, um "caçador" de fósseis de Stratford-upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu, estava visitando a Ilha de Wight com sua família quando fizeram a descoberta. "A alegria de encontrar os ossos foi absolutamente fantástica", disse ele. James Lockyer, de Spalding, Lincolnshire, no leste da Inglaterra, também estava visitando a ilha quando encontrou outro osso. "Parecia diferente das vértebras de répteis marinhos que encontrei no passado", disse ele. Dinossauros como o T-Rex tinham tipo único de dente serrilhado "Eu estava procurando em um lugar em Shanklin onde me haviam dito - e eu havia lido - que não encontraria muito lá." "No entanto, sempre procuro as áreas onde os outros não procuram e, nesta ocasião, valeu a pena." Paul Farrell, de Ryde, cidade da própria Ilha de Wight, também encontrou um osso: "Eu estava caminhando na praia, chutando pedras e me deparei com o que parecia um osso de um dinossauro". "Fiquei realmente chocado ao descobrir que poderia ser uma nova espécie." 'Esqueleto delicado' Chris Barker, que liderou o estudo da Universidade de Southampton, disse que os cientistas ficaram "impressionados com o quão 'vazio' este animal era". "Ele era repleto de espaços aéreos." 'Quem vive ali?' visita brasileiros que moram isolados em ilha no litoral de SP "Partes de seu esqueleto devem ter sido bastante delicadas." "O registro de dinossauros terópodes do período 'médio' do Cretáceo na Europa não é tão bom, então tem sido realmente emocionante ser capaz de aumentar nossa compreensão da diversidade das espécies de dinossauros dessa época." "Você não costuma encontrar dinossauros nos depósitos de Shanklin, pois eles foram depositados em um habitat marinho. É muito mais provável que você encontre ostras fósseis ou madeira, então este é um achado raro." É provável que o Vectaerovenator vivesse em uma área logo ao norte de onde seus restos foram encontrados, com a carcaça tendo sido levada para o mar raso próximo. As descobertas da universidade devem ser publicadas na revista Papers in Palaeontology, com os que acharam os fósseis como coautores.
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12/08 - Cobra píton de 3 metros assusta moradores e é resgatada do telhado de casa em Fortaleza
Corpo de Bombeiros do Ceará foi acionado e capturou a cobra. Animal é nativo do sudeste e sudoeste asiático e pode atingir até oito metros de comprimento. Agentes da 2ª Companhia do Batalhão de Busca e Salvamento (BBS) resgataram a cobra píton do telhado de uma casa no Jangurussu, em Fortaleza. Corpo de Bombeiros/ Divulgação Uma cobra píton birmanesa, nativa do sudeste e sudoeste asiático, foi apreendida pelos bombeiros no telhado de uma casa em Fortaleza nesta terça-feira (11). A espécie exótica, uma das 5 maiores do mundo, só pode ser criada no Brasil com autorização do Ibama. De acordo com o Corpo de Bombeiros, há suspeita que o animal tenha fugido ou sido solto por algum criador ilegal. Apesar disso, nenhum responsável pela cobra foi encontrado pelos agentes. Conforme os bombeiros, os agentes da 2ª Companhia do Batalhão de Busca e Salvamento (BBS) foram acionados pelos moradores da casa, localizada no Bairro Jangurussu, que ficaram assustados com o animal de coloração amarelada preso no telhado. Ninguém foi picado pelo animal. Após o resgate, a cobra píton foi entregue ao Zoológico Sargento Prata. Por não fazer parte da fauna cearense, ela não pode ser solta na natureza. A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) foi informada sobre o caso e deve apurar o ocorrido. Bombeiros foram acionados e localizaram o animal Divulgação Espécie exótica Os bombeiros informaram que a espécie exótica é uma cinco das maiores cobras do mundo. O animal pode atingir até oito metros de comprimento. A píton só é encontrada no Brasil quando criada em cativeiro, isso porque sua origem é asiática e só pode pertencer a alguém sob autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A espécie, que não é venenosa, também pode ser encontrada em regiões pantanosas da Europa. Criação irregular de animais silvestres No dia 7 de julho, um estudante de medicina veterinária, morador do Distrito Federal, foi picado por uma cobra da espécie naja, considerada uma das mais venenosas do mundo. Assim como a píton, a naja é uma espécie exótica e não pertence à fauna brasileira. Cobra naja que picou um estudante no DF vai ganhar novo lar A cobra é considerada uma das mais venenosas do mundo e não havia soro antiofídico da espécie no Distrito Federal. O animal que picou estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck Lehmkuhl, de 22 anos, foi transferida para o Instituto Butantan, em São Paulo.
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12/08 - Demarcação de terras indígenas reduziu o desmatamento na Amazônia, diz estudo
Levantamento feito por universidade norte-americana apontou que entre 1982 e 2016, houve menos desmate dentro das áreas demarcadas que fora delas. Maloca de indígenas em isolamento voluntário na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira. Gleilson Miranda/Funai Houve menos desmatamento dentro de territórios indígenas que em áreas não demarcadas da floresta Amazônica, aponta um estudo publicado nesta terça-feira (11) pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences". Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram imagens feitas por satélites durante mais de 30 anos. Segundo o artigo "Collective property rights reduce deforestation in the Brazilian Amazon", áreas não demarcadas foram as que mais sofreram com o desmate. Alertas de desmatamento na Amazônia sobem 34,5% em 12 meses Queimadas e desmatamento estão relacionados na Amazônia; entenda "Nossa pesquisa mostra que os direitos de propriedade têm implicações para a capacidade dos povos indígenas de conter o desmatamento em seus territórios", escreveu Kathryn Baragwanath, uma das autoras. Entre 1982 e 2016, os cientistas registraram uma "diminuição significativa" nas taxas de floresta derrubada nas propriedades indígenas. Territórios demarcados tiveram uma redução de 66%, em média, no desmatamento. Imagem mostra territórios indígenas e índice de desmatamento na Amazônia em 1985, 1995, 2005 e 2015. Kathryn Baragwanath/UC San Diego/PNAS Nesta comparação (veja a imagem acima), em vermelho estão destacadas as áreas desmatadas em 1985, 1995, 2005 e 2015. Quando mais escuro, maior a porcentagem de floresta derrubada. Já em amarelo, estão as reservas indígenas com "plenos direitos". Os pesquisadores defenderam que a demarcação de terras pode ser uma estratégia viável para o combate ao desmatamento ilegal. Além disso, eles opinaram que a preservação da floresta pelos povos originários pode ter "um impacto positivo" na mitigação das mudanças climáticas. “Os territórios indígenas não cumprem só um papel de direitos humanos, mas são uma forma econômica de governos preservarem suas áreas florestais e atingirem as metas climáticas" – Baragwanath, pesquisadora da Universidade da Califórnia. Aumento do desmate O estudo, no entanto, avaliou a floresta até 2016. Na semana passada, outro levantamento feito pelo Instituto Socioambiental concluiu que a destruição da floresta em terras indígenas na Amazônia aumentou vertiginosamente em 2019. Aumenta o desmatamento em terras indígenas, diz estudo O desmatamento atingiu 115 terras indígenas em 2019. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram destruídos 42.679 hectares em 2019, quase duas vezes o tamanho da cidade do Recife, 80% a mais na comparação com o ano anterior. A situação é ainda pior quando se analisa as terras com registros dos chamados povos isolados – estudo destaca que, nessas áreas, o desmatamento em 2019 mais que dobrou em relação a 2018.
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11/08 - Parte de reserva é incendiada após operação para retirar invasores de terra, em RO
Operação de desocupação da área foi feita pela Sedam, em Machadinho. Segundo coordenador de UC's, invasores derrubaram cerca de 90% da mata nos últimos anos. Área de reserva destruída por fogo, em Machadinho WhatsApp/Reprodução Parte da vegetação de uma Unidade de Conservação (UC) foi destruída por um incêndio em Machadinho D'Oeste (RO), a 300 quilômetros de Porto Velho. A queimada foi feita logo depois de uma operação que retirou invasores da área. A ação de desocupação teria ocorrido no dia 7 de agosto, através de agentes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e apoio da Polícia Militar Ambiental (PMA). Um oficial de justiça também acompanhou o trabalho de desintrusão. Porém, depois dos invasores serem retirados houve uma queimada em parte da vegetação da reserva. Segundo um invasor que procurou a Polícia Civil para fazer um boletim de ocorrência, a queimada na área teria sido provocada pela equipe de fiscalização da Sedam. Ele afirma que os fiscais jogaram gasolina nos imóveis, atearam fogo e, com isso, as chamas se espalharam pela vegetação. Ao G1, a Sedam negou a denúncia feita pelo invasor no boletim de ocorrência. De acordo com Denison Trindade, coordenador de unidades de conservação, no dia da desocupação a equipe apenas inutilizou as construções do local — como casa e curral — por meio de uma motosserra. Abaixo, veja o vídeo da inutilização da construção: Sedam destrói casas de invasores em reserva ambiental de RO "Logo em seguida da nossa ação, criminosamente foram lá e atearam fogo em uma parte da vegetação da reserva. Nós voltamos depois e controlamos o incêndio. Isso é uma prática comum de invasores de áreas públicos. Quando a gente faz a destruição, com autorização da justiça, eles sempre fazem isso [de atear fogo]", afirma. Ainda de acordo com Trindade, a Unidade de Conservação invadida teve 90% de sua floresta derrubada. "Foram vários anos os invasores derrubando. Nós impetramos as ações de desintrusão e tivemos êxito em obtê-la. Tiramos mais de 15 pessoas da área e agora não tem mais ninguém dentro da Unidade de Conservação, pois essa casa derrubada no dia 7 de agosto foi a última", afirma. Com a retirada dos invasores, a Sedam está desenvolvendo um projeto de recuperação da UC, incluindo o reflorestamento.
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11/08 - Brasil recebe críticas por desmatamento porque é 'potência no agronegócio', diz Bolsonaro
Em videoconferência com presidentes de países amazônicos sobre a preservação da floresta, Bolsonaro disse que ' história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira'. Bolsonaro diz que Brasil tem política de ‘tolerância zero’ para crimes ambientais O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (11) que o Brasil recebe críticas de outros países por desmatamento na Amazônia porque é "potência no agronegócio". Segundo Bolsonaro, o Brasil é ameaçado o tempo inteiro e "alguns poucos brasileiros" trabalham contra o governo nesse tema. Ele deu essa declaração durante uma videoconferência com presidentes de países cujos territórios são cobertos pela floresta amazônica. Organizado por Colômbia e Peru, o encontro virtual foi realizado quase um ano após a assinatura pelos países da região do Pacto de Leticia, que estabeleceu medidas para preservar a Amazônia. Bolsonaro participa de reunião com representantes de sete países que integram a Amazônia Além de Bolsonaro, participaram da videoconferência os presidentes Iván Duque (Colômbia), Martín Vizcarra (Peru), Jeanine Áñez (Bolívia) e Lenín Moreno (Equador). Os embaixadores da Guiana e Suriname no Brasil também participaram. “Os senhores podem ver: em julho deste ano, levando-se em conta julho do ano passado, nós registramos uma diminuição de 28% no desmatamento ou queimadas na região, mas, mesmo assim, somos criticados. Afinal de contas, o Brasil é uma potência no agronegócio, ameaças existem sobre nós o tempo todo e, lamentavelmente, alguns poucos brasileiros trabalham contra nós nesta questão”, disse Bolsonaro. O Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, divulgou na última sexta-feira (7) essa queda de 28% nos alertas de desmatamento em julho, comparado com o mesmo período do ano passado _mês que registrou o maior número de alertas em 2019. E, se comparado o período de um ano, as áreas com alerta de desmatamento na Amazônia aumentaram 34,5%. Em relação a queimadas, no último dia 2, o Inpe apontou que os focos de incêndios na Amazônia aumentaram 28% em julho, em relação ao mesmo período de 2019, ano considerado pela agência espacial norte-americana Nasa como o mais devastador em relação a queimadas na região. Bolsonaro disse que, em reuniões com embaixadores, tem feito convites para que sobrevoem, por exemplo, as regiões entre Boa Vista (RR) e Manaus (AM). E afirmou: "Aproximadamente 600 km, vocês não acharão, eles não acharão, nenhum foco de incêndio, nenhum quarto de hectare desmatado. Porque essa floresta é preservada por si só, até mesmo pela sua pujança, bem como por ser floresta úmida, como em grande em parte é a dos senhores, não pega fogo." Alertas de desmatamento na Amazônia sobem 34% em um ano De agosto de 2019 até o dia 31 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 9.205 km² de área da floresta, uma área mais que seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, esse número tinha ficado em 6.844 km². De acordo com o presidente, a maior parte da floresta amazônica permanece intacta. Segundo ele, isso é prova de que os países da região são “perfeitamente capazes de cuidar desse patrimônio”. "Essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira. E nós devemos combater isso com números verdadeiros. É o que estamos fazendo aqui no Brasil", disse Bolsonaro. Resistência O presidente disse ainda que os países amazônicos são muito criticados de forma injusta por outras nações e que devem resistir. “Aos poucos estamos mostrando ao mundo a realidade da Amazônia, e essa realidade é bem diferente daquela que a imprensa, e até alguns governos estrangeiros, apresentam”, declarou o presidente. A reunião entre os presidentes não foi transmitida ao vivo pelo governo brasileiro. A transmissão em tempo real ocorreu nas plataformas do governo colombiano. Após o final da videoconferência, a Secretária Especial de Comunicação (Secom) divulgou o vídeo da fala do presidente Jair Bolsonaro no evento.
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11/08 - Mourão diz que setor privado será 'protagonista do desenvolvimento sustentável’ na Amazônia
Vice-presidente afirma que Estado não terá o papel central no processo. Ele participou de painel com representantes de países que abrigam a floresta amazônica. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, declarou nesta terça-feira (11) que o setor privado será o “protagonista do desenvolvimento sustentável” da Amazônia. Esse protagonismo não caberá ao poder público, na opinião de Mourão, que chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal. Mourão participou de uma videoconferência com representantes de países que abrigam a floresta amazônica, como Colômbia, Peru e Bolívia. Também nesta terça ocorrerá um encontro, por vídeo, com os presidentes dos países amazônicos. Em seu discurso, lido em espanhol, Mourão destacou a importância de incentivar a bioeconomia como forma de desenvolver e preservar a floresta. Para ele, as empresas serão protagonistas nesse processo que exige criatividade e inovação, características "próprias do espírito empreendedor do setor privado". "O protagonista do desenvolvimento sustentável na Amazônia será o setor privado, não o Estado", disse Mourão. O vice-presidente afirmou que o Brasil trabalhará com o apoio de empresas e da sociedade civil para a bioeconomia ser a "nova fronteira da expansão da atividade humana na selva amazônica". Mourão defendeu que, além de combater crimes ambientais, é preciso desenvolver a região. Ele citou como eixos estratégicos dessa bioeconomia uma infraestrutura sustentável e o mapeamento de cadeias globais de valor compatíveis com os produtos da selva. O vice citou a necessidade de usar os rios da região para escoar produtos, a partir de pequenos portos em povos existentes na Amazônia. Ele ainda sugeriu que bancos financiem esses empreendidos, liderados pelo setor privado. "Para que tudo isso funcione, é necessário que se coloque dinheiro. Então, o financiamento por parte de bancos privados e bancos de desenvolvimento é fundamental", argumentou. Desmatamento Mourão voltou a citar que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam alta no desmatamento desde 2012, com um salto no último ano, o primeiro da gestão do presidente Jair Bolsonaro. O vice reconheceu que o Brasil é cobrado pela preservação da floresta e explicou que o governo deflagrou em maio a Operação Verde Brasil 2. A ação é executada por militares das Forças Armadas para combater crimes ambientais na Amazônia. Sem citar países ou políticos estrangeiros, Mourão voltou a dizer que há “desinformação” sobre a realidade da Amazônia e a criticar a postura “de alguns que se aproveitaram da crise para avançar em interesses protecionistas e renovar atitudes colonialistas". Em 2019, o governo brasileiro teve de enfrentar uma crise diplomática com o governo francês em razão da preservação da Amazônia, quando os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Emmanuel Macron (França) trocaram críticas em discursos e entrevistas. Na oportunidade, Bolsonaro e militares que atuam no governo, entre os quais o próprio Mourão – general da reserva da Exército, reafirmaram a soberania do Brasil em seu território amazônico. Bolsonaro diz que Macron terá de retirar 'insultos' antes de o Brasil aceitar dinheiro
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11/08 - Pantanal tem 100 mil hectares destruídos por queimadas que começaram há 10 dias em MT
Deste total, 35 mil são na área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a maior do país, com 108 mil hectares. Pantanal tem 100 mil hectares destruídos por queimadas que começaram há 10 dias em Mato Grosso Jeferson Prado Cerca de 100 mil hectares já foram queimados no Pantanal mato-grossense por um incêndio que começou há mais de 10 dias na região do município de Poconé, a 104 km de Cuiabá. Deste total, 35 mil são na área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a maior do país, com 108 mil hectares. Ao todo, 600 focos foram registrados nesta segunda-feira (10), que incluem a Aldeia Indígena Perigara e a Transpantaneira. Pantanal tem 100 mil hectares destruídos por queimadas que começaram há 10 dias em MT; aeronaves são usadas no combate Jeferson Prado A RPPN Sesc Pantanal foi a primeira atingida nas divisas norte e sul. Os dois focos de calor avançaram e se juntaram, devastando a unidade de conservação. No Hotel Sesc Porto, a ameaça começou no dia 5 de agosto, com um foco no entorno. Ele cresceu, se espalhou, atravessou a rodovia e atingiu o Parque Sesc Baía das Pedras, também unidade do Sesc Pantanal. O Hotel Sesc Porto Cercado também ficou bastante ameaçado. O fogo está sob controle, mas depende de como vai se comportar o vento e o calor. O fogo é controlado por militares, Forças Armadas, brigadistas e Ibama. A Justiça de Mato Grosso autorizou que 10 presos do complexo penitenciário de Várzea Grande reforcem a operação de combate aos incêndios no Pantanal por 10 dias. Eles serão monitorados com tornozeleiras e supervisionados por dois policiais penais.
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10/08 - VÍDEO: bombeiros usam avião para combater incêndio em área da Marinha, no DF
Militares estão no local desde 10h desta segunda-feira (10). Brasília está há 77 dias sem chuva. Bombeiros usam aeronave para combater incêndio de grandes proporções no DF Um incêndio de grandes proporções atingiu, nesta segunda-feira (10), uma área da Marinha, na região de Santa Maria, no Distrito Federal. De acordo com Corpo de Bombeiros, foi necessário acionar um avião da corporação para controlar as chamas (veja vídeo acima). Veja aqui a previsão do tempo completa Entenda como o Inpe mede as queimadas no país e o que representam os dados Os militares estão local, conhecido como Área Alfa Marinha, desde às 10h . Até às 18h30, o incêndio não havia sido controlado e a extensão da área queimada não tinha sido divulgada. O DF está há 77 dias sem chuva. O último registro foi no dia 25 de maio, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Bombeiros usam avião para combater incêndio em área da Marinha, no DF Corpo de Bombeiros do DF/Divulgação A seca agrava as queimadas no Cerrado. No dia 31 de julho, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou um estudo onde mostra que o bioma teve 5.663 focos de queimadas em julho, o que representa um aumento de quase 6% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as queimadas no Cerrado, neste ano, tiveram um aumento de 5,92% em relação a julho de 2019. Veja abaixo incêndios por bioma: Queimadas por bioma no Brasil Amazônia: 6.804 Cerrado: 5663 Pantanal: 1.684 Mata Atlântica: 1.323 Caatinga: 265 Pampa: 67 Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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10/08 - Baleias-brancas ganham a liberdade após passar 10 anos presas em um aquário da China
Little Grey e Little White passaram por um abrigo temporário antes de poder voltar a nadar no mar da Islândia. Vídeo mostra o momento em que elas são soltas. Baleias beluga são soltas no primeiro santuário de mar aberto do mundo Duas baleias-brancas, também conhecidas por belugas, ganharam enfim sua liberdade após viver por 10 anos em um aquário na China. Little Grey e Little White são, desde sexta-feira (7), as novas moradoras do primeiro santuário de mar aberto do mundo, que fica na Islândia. O transporte das duas foi quase uma missão impossível. Cada uma delas foi levada ao santuário com a ajuda de um guindaste feito especialmente para as belugas – com uma proteção acolchoada que abraça a mais de uma tonelada que elas podem chegar a pesar. Beluga encontrada na Noruega reforça tese de que seria treinada ao devolver celular que caiu no mar Navio sueco recupera 'canto' de belugas em gravações perdidas no Oceano Ártico "Little White e Little Grey são as primeiras, mas certamente não serão as últimas belugas que esperamos ter aqui em Klettsvik", disse à agência Reuters, Audrey Padgett, responsável pelo santuário marinho. As baleias-brancas vieram da China no ano passado, mas antes de poder nadar no mar, precisaram passar algum tempo sob o acompanhamento de especialistas para se adaptar a esta nova vida nadando em piscinas cobertas. As belugas Little Gray e Little White registradas em um abrigo temporário antes de ser liberadas no mar da Islândia Reprodução/Facebook/SEALIFETrust As duas baleias também tiveram que se aclimatar para o retorno a um habitat mais natural. Isso incluiu até ganhar peso e engrossar a capa de gordura que as protege das águas frias do oceano ártico. Além disso, aprenderam a reconhecer as diferentes flora e fauna do novo lar. "Podemos abrigar mais oito baleias beluga aqui, então essas meninas são as embaixadoras deste projeto", disse Padgett, da Sea Life Trust, sediada no Reino Unido. Mas ainda não acabou. As duas passam por um processo de adaptação em uma piscina natural na Baía de Klettsvik, onde fica o santuário, perto da ilha Heimaey. Toda a área destinada às baleias-brancas mede aproximadamente 32 mil metros quadrados e tem uma profundidade de até 10 metros.
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10/08 - Ministério Público pede ao TCU que analise gastos do Ibama com controle de incêndios florestais
Segundo reportagem de 'O Globo', instituto gastou até 30 de julho 19% dos recursos orçamentários deste ano previstos para prevenção e controle de incêndios florestais. Amazônia lidera o número de queimadas em 2020 O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu aos ministros da corte de contas que analisem a execução orçamentária do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No pedido, o subprocurador-geral Lucas Furtado, cita reportagem do jornal "O Globo", segundo a qual, até 30 de julho, o Ibama gastou 19% dos recursos previstos para prevenção e controle de incêndios florestais. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a ocorrência de incêndios florestais na Amazônia no mês passado foi 28% maior que a de julho de 2019. Número de queimadas na Amazônia aumentou 30% em julho “O gasto de apenas 19%, pelo Ibama, dos recursos previstos para a contenção e prevenção de incêndios florestais se, per si, não beira o descaso, é no mínimo, um indício de que o governo tem negligenciado um assunto de tamanha importância para o Brasil e para o mundo”, afirmou o subprocurador-geral. Segundo o jornal, a lei orçamentária de 2020 destinou R$ 35,5 milhões para que o instituto tomasse iniciativas a fim de conter o avanço do fogo em ecossistemas, mas, de acordo com a reportagem, somente R$ 6,8 milhões foram investidos nos primeiros sete meses do ano. Na representação Furtado afirma que no momento em que o mundo discute "acaloradamente" as questões ambientais, “o Brasil, na contramão da história, deixou de executar parcela considerável dos recursos orçados para o Ministério do Meio Ambiente, em especial, recursos previstos para o Ibama visando a preservação e o controle de incêndios florestais”. Em janeiro, Furtado já havia pedido que o TCU analisasse a execução orçamentária por parte do Ministério do Meio Ambiente no ano de 2019, também considerada baixa pelo subprocurador.
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10/08 - Onça-preta rara é flagrada tomando banho em rio de Rondônia
Flagrante foi feito por administrador no encontro dos rios Candeias e Jamari. Biólogo diz que onça-preta costuma viver em mata primária e super preservada. Onça-preta rara é flagrada em rio na região de Porto Velho Santiago Pereira/Arquivo Pessoal Uma onça-preta foi flagrada tomando banho no encontro dos rios Candeias e Jamari, zona rural da região de Porto Velho, durante o último fim de semana. A panthera onca de cor preta é considerada rara na natureza. O clique raro da onça foi feito pelo administrador Santiago Pereira, de 28 anos. Ele conta que no fim de semana foi ao rio com um amigo, para pescar, quando em determinado momento eles perceberam o felino na margem. "A gente estava no barco e ela apareceu bem próxima, tomando banho no rio. Deu somente para tirar essa foto, pois ela foi muito rápida e ,ao ver a gente, saiu correndo da água e entrou na mata bem na hora que eu iria fazer aquela selfie", brinca Santiago. Ao G1, o administrador afirma ter sido a primeira vez que ele viu pessoalmente uma onça e ficou mais encantado por ela ser preta. "Eu achei super interessante, pois onça-preta em Rondônia é coisa rara. Se eu pudesse preservá-la, com certeza preservaria", diz. Depois do flagrante, Santiago falou com moradores vizinhos e descobriu que a onça-preta já foi vista outras vezes na região. "A onça já é muito conhecida pelos moradores locais, no entanto, alegam que ela é mansa", afirma. Santiago durante visita ao rio no fim de semana, na região de Porto Velho Arquivo Pessoal Segundo o administrador, ele e o amigo só ficaram receosos na volta para casa, depois do aparecimento do felino. "O receio era dela vir acompanhando a gente na volta (já de noite), pois teríamos que atravessar uma pequena mata para chegar onde estava nossa moto", conta. Espécie rara A panthera onca de cor preta é considerada super rara na natureza, de acordo com o biólogo Flávio Terassini. "Eu confesso que até hoje, em 20 anos de pesquisa na Amazônia, eu já vi mais de dez onças-pintadas e vi apenas uma onça-preta na floresta. Uma onça dessa é algo que não se vê todos os dia", revela. Terassini explicou ainda que a onça-preta, na verdade, é uma onça-pintada com uma disfunção genética (falta de melanina). "Aí a pigmentação do pelo fica preta, mas se a gente olhar a onça contra o sol dá pra ver as pintas dela. As pintas na verdade são pretas, ou seja, aquela plumagem que seria amarela também é preta. Por isso a gente chama de onça-preta. A espécie dela é a panthera onca. Um bicho bem raro de se ver e muito bonito por sinal", explica o biólogo. Flávio Terassini também explicou que as onças-pretas só são vistas em área de floresta primária e bem preservada. "Significa que aquela área do baixo Madeira em Porto Velho está extremamente preservada, uma área com muita oferta de alimento para a onça-preta. Isso é muito legal, saber dessa preservação", diz.
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10/08 - 'Precisamos deixar de ser os parasitas em relação à Amazônia', diz Fachin
Ministro do STF também afirmou em videoconferência que 'não basta dizer que outros povos não fizeram seu dever de casa'. Alertas de desmatamento aumentaram 34,5%, segundo Inpe. O ministro Edson Fachin, do STF Rosinei Coutinho/STF O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (10) que o Brasil pode ser "maior do que é" sem "agredir as florestas" nem "dizimar os povos nativos". Fachin também acrescentou: "Nós precisamos de deixar de ser os parasitas em relação à Amazônia". Fachin deu as declarações ao participar de uma videoconferência, promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil. Na semana passada, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, informou que os alertas de desmatamento na Amazônia aumentaram 34,5% nos últimos 12 meses. "O Brasil tem condições de ser maior do que é, de ter um ambiente de negócios sadio e recheado de desenvolvimento, que faça a sua dimensão de socioambientalidade necessária na sua base de sustentação, sem agredir agredir as florestas, sem dizimar os povos nativos, sem depauperar as condições dos cursos d'águas. [...] Nós precisamos deixar de ser os parasitas em relação à Amazônia", disse Fachin. Na última sexta-feira (7), o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservar as próprias florestas. Um dia antes, na quinta (6), o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu a estrangeiros que sejam "gentis" com o Brasil, uma vez que, na opinião do ministro, destruíram as próprias florestas. Na videoconferência desta segunda-feira, Fachin declarou: "Eu diria que a Amazônia tem na Constituição a sua carta de proteção. Aplicá-la seria preservar, permitir seu desenvolvimento e garantir um exemplo a outros povos. Não basta dizer que outros povos não fizeram seu dever de casa, podemos ser exemplo. Não atirar pedras, mas ser um exemplo." Abuso de autoridade religiosa Em outro trecho da videoconferência, Fachin também comentou a proposta de incluir o abuso de autoridade religiosa entre as categorias de abuso de poder (atualmente definidas em político ou econômico). A proposta prevê punição, que pode chegar à cassação de mandato, para candidatos que se utilizem da religião para influenciar o voto de fiéis. “Tudo que implica em autoridade em uso, precisa ter o seu abuso sancionado. É disso que trata meu voto”, disse o ministro durante a live. O tema está em discussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode julgar a proposta nesta quinta-feira (13). “Tive um diálogo proveitoso com a bancada evangélica da Câmara dos Deputados, que tem uma posição diversa daquela que eu defendi no meu voto. Todo diálogo é importante”, afirmou Edson Fachin. A proposta de Fachin surgiu no caso que envolve a vereadora Valdirene Tavares (Republicanos), de Luziânia (GO), do qual o ministro relator. Ela é suspeita de usar a posição como pastora para promover a própria candidatura, influenciando o voto de fiéis. Fachin votou por absolver Valdirene por falta de provas, mas propôs a punição por abuso de autoridade religiosa. Initial plugin text
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10/08 - Crimes ambientais geram campanhas difamatórias e barreiras comerciais, diz Mourão
Vice-presidente disse que as irregularidades tornam o país vulnerável a campanhas difamatórias. Governo tem sido pressionado a mudar políticas ambientais. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (10) que crimes ambientais deixam o Brasil “vulnerável a campanhas difamatórias” que abrem espaço para barreiras comerciais “injustificáveis” contra o agronegócio do país. Mourão deu a declaração durante uma videoconferência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para discutir a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. O vice-presidente comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal. Desde maio, o órgão coordena, por meio da Operação Verde Brasil 2, a atuação das Forças Armadas no combate a crimes ambientais, como queimadas e desmatamento. Mourão declarou que o Brasil é "uma potência agroambiental" e que o sucesso das exportações está na confiança dos mercados internacionais nos “elevados padrões socioambientais” do agronegócio. Por isso, diz, a importância de combater crimes ambientais. “Como se não bastasse o prejuízo ao patrimônio brasileiro, os crimes ambientais deixam nosso país vulnerável a campanhas difamatórias, abrindo caminho para que interesses protecionistas levantem barreiras comerciais injustificáveis contra as exportações do agronegócio”, disse o vice-presidente. O governo do presidente Jair Bolsonaro tem recebido cobranças de investidores nacionais e estrangeiros por mudanças na política ambiental. Mourão já realizou conversas com empresários e investidores para tentar conter o desagaste da imagem do país. Hamilton Mourão faz encontro com investidores e promete ações de preservação na Amazônia Em julho, um estudo divulgado pela revista Science afirmou que até 22% da soja e pelo menos 17% da carne bovina produzidas na Amazônia e no Cerrado e exportadas para a União Europeia podem ter rastros de desmatamento ilegal. Fiscalização Mourão voltou a defender a recomposição dos quadros de servidores de órgãos de fiscalização e declarou que o poder público tenta punir com rigor quem comete ilícitos ambientais. Se necessário, afirmou, há planejamento para manter a operação de garantia da lei e da ordem (GLO) na Amazônia até o final de 2022. Na semana passada, o Ministério da Defesa suspendeu e retomou no dia seguinte ações de combate a crimes ambientais na terra indígena Munduruku, no Pará. A interrupção foi anunciada na quinta (6), um dia após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ter visitado a região e ter sido alvo de protestos. O grupo que fez o ato chegou a impedir a decolagem de um avião e um helicóptero. 'Vilão' ambiental Mais tarde, Mourão foi questionado sobre exemplos de campanhas difamatórias. Sem citar nomes de empresas, instituições ou países, o vice-presidente citou que o Brasil sofre pressões de pessoas "bem intencionadas" e preocupadas com a preservação, mas também de quem tem interesses "econômico-comerciais" no agronegócio. O vice-presidente reconheceu haver erros no Brasil, mas disse que não aceita ser considerado um "vilão" na área ambiental, já que outros países também cometem erros. "A gente tem que fazer a nossa parte, mas também não pode aceitar ser qualificado como vilão em um mundo onde grande parte do hemisfério norte queima petróleo e carvão e quer nos culpar pela poluição atmosférica. Não é assim que funciona. Temos erros? Temos. Mas os outros também têm", afirmou. Guedes Na semana passada, Mourão defendeu o ministro da Economia, Paulo Guedes, que em uma videoconferência promovida por um instituto de Chicago (EUA), pediu aos estrangeiros que sejam "gentis" com o Brasil porque eles "destruíram" as próprias florestas. O vice-presidente declarou que a frase não atrapalhava o esforço do governo para melhorar a imagem do país perante investidores. Para Mourão, o Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservação das próprias florestas. Desmatamento Mourão afirmou na videoconferência que o governo federal não esconde informações sobre desmatamento, divulgadas pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), porém não aceitas narrativas simplistas. "Não negamos, nem escondemos informação sobre a gravidade da situação, mas também não aceitamos narrativas simplistas e enviesadas", afirmou, sem citar exemplos. Segundo o Inpe, os alertas na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano. Os dados comparativos entre julho de 2020 e julho de 2020 mostram redução nos alertas. "Os números ainda são preliminares e insuficientes, mas sinalizam para uma importante reversão de tendência, fruto da ampliação das ações de comando e controle", declarou Mourão ao se referir aos dados de julho. Alertas de desmatamento na Amazônia sobem 34% em um ano
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10/08 - O Assunto #249: Garimpos - o avanço ilegal em terras indígenas
O governo suspendeu uma operação de combate a garimpos ilegais na Terra Indígena dos Munduruku, no Pará, depois voltou atrás, mas já era tarde. Renata Lo Prete conversa com Fabiano Villela, repórter da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará, e com Luísa Pontes Molina, antropóloga que trabalha com a etnia Muduruku, para discutir a política ambiental do governo. Você pode ouvir O Assunto no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer ou no aplicativo de sua preferência. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. O governo suspendeu uma operação de combate a garimpos ilegais na Terra Indígena dos Munduruku, no Pará - e disse que o fez a pedido dos indígenas. Depois, voltou atrás e permitiu a ação. Mas era tarde: ela foi abortada e servidores se queixam de ameaças de morte pelos garimpeiros. O que este vai-e-vem diz sobre a política ambiental do governo? Para encontrar as respostas, Renata Lo Prete conversa com Fabiano Villela, repórter da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará, e com Luísa Pontes Molina, antropóloga que trabalha com a etnia Muduruku. Fabiano explica o que diz a Constituição sobre garimpos em Terras Indígenas e relata seus perigos para os índios e para a floresta. Luísa rebate o argumento de que a atividade favorece os indígenas e conta como eles se organizam para impedir o avanço de garimpos ilegais. O que você precisa saber: Governo anuncia retomada de ações contra crimes ambientais em terra indígena no PA Operação da PF queima máquinas de garimpos ilegais em terras indígenas, no Pará Ministro do Meio Ambiente é cercado por indígenas e garimpeiros em Jacareacanga O podcast O Assunto é produzido por: Isabel Seta, Gessyca Rocha, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski, Giovanni Reginato, Mônica Mariotti e Renata Bitar. Apresentação: Renata Lo Prete. Comunicação/Globo O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia... Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça - e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado.
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08/08 - Parque Nacional de Jericoacoara recebe pouca movimentação em primeiro dia de reabertura no Ceará
Chegada de turistas ainda é discreta. Estabelecimentos na Vila de Jericoacoara devem retornar apenas na próxima semana. Jericoacoara voltou a receber visitantes a partir de sábado (8) Fábio Arruda / Colaboração Liberado para visitantes a partir deste sábado (8), o Parque Nacional de Jericoacoara, no litoral Norte do Ceará, recebeu poucos turistas. O retorno foi permitido na última sexta (7) após portaria publicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade no Diário Oficial da União. Entre as medidas para o retorno no Parque, estão o uso de A área estava fechada para visitação desde 17 de março. Apesar da permissão, parte do comércio local não abriu. Oswaldo Leal, presidente do Conselho de Empresários de Jericoacoara (CEJ), indica o retorno antecipado como um dos motivo para o fechamento já que alguns estabelecimentos se preparam para voltar somente na próxima semana. “Foram todos pegos de surpresa. Empresas estavam com compras e entregas programadas para abrir em 14 de agosto. Poucos vão voltar hoje”, conta Oswaldo. Sônia Vieira é dona de um dos restaurantes da região e optou por abrir as portas somente na próxima semana. “Como só estava planejando abrir só no dia 14, ainda falta algumas coisas. Alguns resolveram voltar hoje, então, quem está podendo voltar hoje, volta” explica. Em alguns casos, a volta pode demorar mais. “Tem estabelecimento que volta só em setembro, quando estiver melhor. Abrir custa caro e o turismo por enquanto não tá tão movimentado”, completa a empresária. Pousadas e hotéis de Jericoacoara reabrem com protocolos de segurança Retorno seguro Para garantir que os ambientes estejam seguros para retorno, o ICMBio indicou medidas sanitárias para a volta. Além das precauções como uso obrigatório de máscara de proteção facial, higienização das mãos álcool em gel 70% e sabão e uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), é recomendado que os estabelecimentos mantenham ambientes ventilados, com janelas e portas abertas, não disponibilizam jornais, revistas, panfletos e livros em locais de comum acesso, e optem pelas vendas virtuais. Para os pagamentos presenciais, o indicado é que, em caso de cartão, as máquinas de débito e crédito estejam fixas ou envelopadas com filme plástico. Fazer a desinfecção após cada uso também é um dos cuidados indicados pelo Instituto. Nos restaurantes, é preciso manter o distanciamento mínimo entre as mesas (2 metros) e cadeiras (1 metro). A retomada gradual das atividades na Vila de Jericoacoara inicia também neste sábado, após decisão da Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara, oficializada no dia 1°. Restaurantes e barracas de praia funcionam com horário reduzido e público limitado a 50% da capacidade local. A expectativa da Secretaria de Turismo é de que o movimento retorne com 20% da taxa de ocupação até o final do mês. O esperado no mês de agosto é ocupação de 80%. “É um momento que todo mundo aqui esperava. Nosso Município foi o primeiro a fechar as portas para o turismo e agora, depois de quase cinco meses, estamos reabrindo. É um momento de muita felicidade e muita cautela”, ressalta Ricardo Wagner, secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Meio ambiente do Município. Mais de 600 pessoas estão em treinamento para reforçar aos protocolos sanitários. “Esperamos que essa ação de cautela e prevenção seja feita por todos: moradores, turistas e empresários”, ressalta Ricardo. “O turismo ainda deve demorar um pouco para alcançar aquele volume de antes da pandemia, mas já é uma alegria e injeção na economia”. Initial plugin text
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08/08 - Após geoglifos serem aterrados no AC, paleontólogo diz que donos de propriedades precisam aprender sobre educação patrimonial
Paleontólogo Alceu Ranzi foi um dos primeiros a estudar os sítios arqueológicos encontrados no Acre. Antes e depois dos geoglifos serem aterrados Arte G1 O paleontólogo Alceu Ranzi, um dos primeiros a estudar os geoglifos no Acre, disse que o aterro dos sítios arqueológicos localizados na Fazenda Crixa II, na cidade de Capixaba, interior do Acre, é muito grave e traz preocupação para a paleontologia. A propriedade pertence ao presidente da Federação da Agricultura do Acre, Assuero Veronez. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acionou o Ministério Público Federal e a Justiça Federal do Acre após descobrir que os sítios foram aterrados durante o processo de plantio de grãos. Os geoglifos são estruturas milenares escavadas no chão com formas geométricas que surpreendem pela precisão e são protegidos por lei federal. Apenas no Acre já foram descobertos mais de 800 sítios arqueológicos. O estado é o que tem mais número de geoglifos no país. Imagens de satélites divulgadas pelo Iphan mostram a área antes e depois do plantio, com os geoglifos aterrados. “A destruição desse monumento é muito grave e, ao mesmo tempo, nos indica a necessidade de muita educação patrimonial para que os proprietários tomem conhecimento de que em suas áreas existem esses monumentos e a necessidade de preservá-los para o futuro”, explicou à Rede Amazônica Acre o paleontólogo. Paleontólogo Alceu Ranzi fala sobre geoglifos aterrados em fazenda; dono se defende O estudioso disse ainda que as imagens de satélites que mostram a destruição alertam também para a necessidade de conscientizar a população sobre a importância dos sítios arqueológicos. “A importância dos geoglifos do Acre foi reconhecida pelo governo brasileiro ao ponto de serem indicados para Unesco para reconhecimento de patrimônio da humanidade. O registro obtido pelo satélite da destruição desses monumentos nos traz preocupação e temos que trabalhar imensamente para conscientização da manutenção desses monumentos, desses legados que foram deixados para nossas gerações pelos que nos antecederam, os habitantes da Amazônia, e temos que levar para o futuro”, frisou. Na sexta (7), o Iphan fez uma fiscalização na fazenda para avaliar os danos. O dono da propriedade, Assuero Veronez, voltou a dizer que está à disposição das autoridades para ajudar a remediar os danos causados. “Estou à disposição da autoridade competente para que analise a questão e passe toda orientação técnica que tentaremos reparar os danos ou mitigar de forma ainda a preservar o sitio histórico. Acho que para efeito de pesquisa arqueológica não há tanto prejuízo, porque houve o aterramento de uma vala, mas está preservado ali, pode fazer as escavações em busca de algum elemento histórico. Mas, para efeito de turismo ou de beleza cênica temos um prejuízo, mas acho que não é o caso de tanta relevância, é de relevância para a arqueologia”, destacou. Geoglifos foram aterrados para plantio em fazenda no Acre Reprodução
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08/08 - Museu da Borracha doa fósseis de animais pré-históricos da Amazônia a laboratório da Ufac
Universidade trabalha no tombamento do material. Doação foi feita em dezembro do ano passado. Museu da Borracha doa coleção de paleontologia com fragmentos de três animais diferentes para laboratório da Ufac Jonas Filho/arquivo pessoal O Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) recebeu a doação uma pequena coleção de paleontologia com fragmentos de três animais diferentes, um jacaré, uma preguiça gigante e a mandíbula de um mastodonte que é uma espécie de elefante do museu da Borracha Governador Geraldo Mesquita. O paleontólogo doutor Jonas Filho, coordenador do Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da Ufac recebeu a doação e disse que agora estão em processo de tombamento para que o material não seja registrado duas vezes. “Eles resolveram, e não sei por quais razões, doar uma pequena coleção de paleontologia para a Ufac. A doação chegou à universidade e são três peças fragmentadas de três animais diferentes”, contou. Filho disse que nesse momento é necessário fazer uma pequena investigação que é importante no processo de tombamento que deve conter informações como quem coletou o material, a região onde foi encontrado e em que ano. “Como ele já veio de um museu, têm alguns números que não sei se são datas, mas a gente precisa fazer isso para não dar uma outra certidão de nascimento, vamos dizer assim. É o que estamos fazendo nesse momento, estamos discutindo essas questões. O material tem importância científica para efeito de coleção” explica o paleontólogo. Museu da Borracha doa coleção de paleontologia com fragmentos de três animais diferentes para laboratório da Ufac Jonas Filho/arquivo pessoal Filho ressalta que o material, como a mandíbula de mastodonte, por exemplo, é uma importante fonte de estudos, teses, dissertação, e que vai ser muito bem utilizada dentro do universo de pesquisas da Ufac. “Estamos acolhendo com muita gratidão o remanejamento que foi feito para a universidade. É sempre de bom grado receber essas doações mesmo porque a doação partiu de um museu onde tem pessoas que conhecem a relevância científica do material e, provavelmente, entendeu que melhor estaria guardado essa material na universidade do que no próprio museu que tem uma outra característica”, acrescentou. A doação, de acordo com o professor, foi foi feita ainda em dezembro do ano passado, mas, devido o recesso, e em seguida a crise de pandemia do novo coronavírus, o material ainda não teve os devidos encaminhamentos, mas já está sob a guarda da Laboratório de Paleontologia da Ufac. Fósseis de animais pré-históricos são doados a laboratório da Ufac Ao G1, a Fundação Elias Mansour (FEM) informou que está sendo feita uma mudança no acervo de arqueologia e desde 2009 eles tinham a concessão desse material, e o acervo estava junto com o material arqueológico. Com a reforma entregue em 2018, o Museu da Borracha teve uma mudança para informações digitais e, para o material não ficar guardado em arquivo, foi decidido pela doação para que possa ser utilizado pela universidade. O museu da Borracha chegou a ficar cinco anos fechado, após reforma foi entregue em 2018. Na nova estrutura, apresentou uma exposição tecnológica sobre a história da borracha, azulejos e escadaria com os detalhes originais reestruturados, entre outros aspectos do tempo da borracha mantidos originalmente. Além disso, a FEM informou que devido à pandemia do novo coronavírus, o espaço está com a visitação limitada, mas não está fechado. Peças ainda precisam ser catalogadas no Laboratório de Palenotologia da Ufac Jonas Filho/arquivo pessoal
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08/08 - Pará lidera desmatamento na Amazônia nos últimos 12 meses; especialistas analisam tendências
Estado teve aumento de 62% no desmatamento no período. Somente em Altamira foram 540 km² de floresta derrubados, segundo dados do Imazon. Povos indígenas de Rondônia em meio à floresta amazônica. Reprodução/Rede Amazônica Entre os nove estados que compreendem a Amazônia Legal, o Pará ocupa o topo do ranking do desmatamento nos últimos 12 meses, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento, desenvolvido pelo Imazon. Somente no estado, foram derrubados 2.909 km² de floresta no período, uma área quase o dobro da cidade de São Paulo. "O Pará teve um aumento de 62% no desmatamento e lidera a lista dos estados responsáveis pela destruição durante os últimos doze meses. Ao todo, foram 2.909 km² de floresta derrubados apenas em território paraense", informa a nota do Imazon. Em toda a Amazônia, segundo a organização, 6.536 km² de floresta nativa foram derrubados, um aumento de 29% em comparação com o ano anterior. A análise compreende os meses entre agosto de 2019 e julho de 2020. O que mais chama atenção da entidade são as áreas que concentram grandes taxas de desmatamento: dos dez municípios que mais desmataram a Amazônia nos últimos 12 meses, seis ficam no estado. Na devastação registrada em julho na Amazônia, 59% ocorreu em áreas privadas. Brasil entrará em temporada de queimadas sem plano para a Amazônia O avanço do desmatamento em Terras Indígenas é outro ponto que preocupa. "A Terra Indígena Apyterewa, localizada em São Félix do Xingu, sudeste do Pará, foi o principal alvo dos desmatadores. As TIs Cachoeira Seca do Iriri e Ituna/Itatá, ambas também no Pará, estão na lista das que mais perderam floresta dentro de seus territórios", aponta o Imazon. Na quinta-feira (6), o governo federal decidiu interromper as ações de combate a crimes ambientais em terra indígena no Pará, um dia após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ter visitado a região e ter sido alvo de protestos. O grupo que fez o ato chegou a impedir a decolagem de um avião e um helicóptero. Nesta sexta (7), o governo voltou atrás e decidiu manter as ações. A cidade que mais desmatou a floresta amazônica no período foi Altamira, no sudeste do Pará. Em um ano, foram destruídos 540 km² de área verde do município. São as 10 cidades que mais desmataram a Amazônia de acordo com o Imazon: Altamira (PA) Lábrea (AM) São Félix do Xingu (PA) Porto Velho (RO) Itaituba (PA) Feijó (AC) Novo Progresso (PA) Portel (PA) Pacajá (PA) Boca do Acre (AM) O Imazon destacou a participação do governo federal no avanço do desmatamento na Amazônia. “Será difícil conter o desmatamento se o governo continuar a intenção de alterar a legislação fundiária para legalizar áreas desmatadas e invadidas ilegalmente. A grilagem de terras públicas é um vetor do desmatamento, que é estimulado com a expectativa de anistia e legalização”, afirmou Brenda Brito, pesquisadora-associada do Imazon. O climatologista Carlos Nobre lembra que governos que investiram em ações de combate ao crime ambiental conseguiram diminuir o desmatamento na região em mais de 30%, em comparação com os dados atuais. "Efetivas ações de fiscalização e combate ao crime ambiental fizeram os desmatamentos chegarem a cerca de 4,5 mil km² em 2012. Estamos muito longe deste cenário", compara Nobre. Alertas de desmatamento em alta Alertas de desmatamento na Amazônia caem em julho, mas no ano dados são alarmantes Ainda nesta sexta-feira (7), o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, divulgou que de agosto de 2019 até o dia 31 de julho deste ano houve alertas de desmatamento em 9.205 km² da floresta, um aumento de 34,5% no período de um ano. Se comparados apenas os dados dos meses de julho de 2020 e 2019, houve queda neste mês: em 2020, os dados apontam 1.654 km² de áreas com alertas de desmate. No ano passado, o total foi de 2,2 mil km². Para o vice-presidente Hamilton Mourão, o dado de julho aponta uma "reversão de tendência". "Ainda é começo, a gente tem que prosseguir até chegar nas metas que nós temos que é colocar o desmatamento dentro do mínimo aceitável", disse Mourão. Para Nobre, ainda é cedo para falar em tendência de inversão. "Há que se aguardar os próximos meses para verificar se isso reflete uma tendência mais permanente e que possa ser ligada a medidas de fiscalização na região. Os desmatamentos de 2019 e 2020 continuam muito mais altos do que em anos anteriores", diz. Desmatamento ilegal Dados mostram que situação da Amazônia está 'fora de controle', diz Marcio Astrini Em nota, o Greenpeace Brasil apontou que, assim como demonstrou o Imazon, o desmatamento se concentra em determinadas áreas e municípios. "Chama muito a atenção o número de grandes polígonos de alertas de desmatamento, com áreas de 3 mil, 4 mil e até 5 mil hectares derrubadas nos últimos 12 meses”, afirma Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil. A organização explica que esses polígonos de áreas desmatadas indica que o desmatamento da Amazônia é um crime articulado. "Trata-se de esquema organizado, patrocinado por grandes proprietários e grileiros de terra que sentem-se protegidos pelo derretimento das políticas de proteção ambiental e combate ao desmatamento", diz a nota do Greenpeace Brasil. O desmatamento ilegal na Amazônia não é exclusividade do governo atual, mas, para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, Jair Bolsonaro é o primeiro presidente que encoraja a ação de invasores por meio de atos e edição de medidas. 71% das queimadas em imóveis rurais neste ano na Amazônia ocorreram para manejo agropecuário, diz IPAM "O governo federal é o maior promotor do desmatamento ilegal no Brasil hoje. O governo Bolsonaro é o maior inimigo da floresta amazônica", diz Astrini. Como exemplo, Astrini cita a Instrução Normativa publicada pela Funai em abril que permite a invasão, exploração e até comercialização de terras indígenas ainda não homologadas pela presidência. Além de ser um problema ambiental, o aumento no desmatamento também afeta a economia do país. "O aumento descontrolado do desmatamento já vem causando problemas comerciais ao Brasil, destroçando a imagem do país no exterior. Empresas estrangeiras já deixam de comprar produtos agropecuários e investidores retiram recursos de companhias que compram produtos de áreas abertas irregularmente", comentou o WWF Brasil em nota. Initial plugin text
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07/08 - Animais do zoológico de Londres recebem 'sorvete de carne' para enfrentar calor
Calor chegou a 36ºC em Londres. O zoológico da cidade reabriu em junho após ficar três meses fechado por causa das medidas contra o coronavírus. Leões do Zoológico de Londres ganham petiscos congelados para enfrentar calor Animais do Zoológico de Londres receberam nesta sexta-feira (7) guloseimas geladas para enfrentar o calor na cidade, que chegou a 36ºC. O primeiro a correr em busca dos "sorvetes de carne" foi o grupo dos leões asiáticos (veja no vídeo acima). As peças congeladas foram penduradas em árvores para incentivar as leoas Heidi, Indi e Rubi a usar suas habilidades naturais de caça, pulando e puxando para baixo os alimentos. Seguindo medidas de isolamento social, o Zoológico de Londres reabriu em junho. Ele ficou três meses por causa das medidas contra o coronavírus.
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07/08 - PF prevê uso de satélite para monitoramento diário contra crimes ambientais
Nova ferramenta foi anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza. PF diz que sistema será superior ao do INPE e pode ser usado para acompanhar obras públicas. O diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, disse nesta quinta-feira (06) que pretende implementar um sistema de monitoramento diário via satélite contra crimes ambientais no país. "Nós vamos ter em breve imagens de todo território nacional de 'menos um'. O que quero dizer com isso: sempre vou ter imagem do dia anterior. Então, eu tenho imagens de qualquer lugar do Brasil de ontem. Eu consigo fazer inclusive a regressiva, pegar imagens dia-a-dia de meses, anos atrás", disse Souza, durante participação no 3º Simpósio Internacional de Segurança, realizado pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal. "Pra que vai servir isso: controle de desmatamento. Vai servir bastante para acompanhar o incremento ou crescimento em determinada região, a questão do garimpo, até a questão de corrupção vai facilitar, no momento em que eu consigo ter imagens e acompanhamento de obras via satélite", afirmou. O diretor-geral da Polícia Federal, Rolando de Souza, ao lado do presidente Jair Bolsonaro Isac Nóbrega/PR Nesta sexta (7), a PF informou que o novo sistema terá qualidade cerca de 10 vezes superior ao usado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no monitoramento do desmatamento e de queimadas no país. Mais cedo nesta sexta, o INPE divulgou que as áreas com alerta de desmatamento na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano. De agosto de 2019 até o dia 31 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 9.205 km² de área da floresta, uma área mais que seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, esse número tinha ficado em 6.844 km². Dados do Inpe mostram que áreas com alerta de desmatamento cresceram 34,5% em um ano PF prevê utilizar a ferramenta para investigações criminais, na apuração de desmatamento e queimadas criminosos e de garimpos ilegais, por exemplo. Ainda de acordo com a Polícia Federal, o sistema vai permitir o acompanhamento de obras executadas com recursos federais. Rolando também afirmou que irá unificar a biometria em todo o país. "Em breve nós teremos a unificação da biometria de todo o país e isso não vai servir apenas para a questão criminal. O Ministério da Economia já nós procurou para fazer uso dessa biometria, hoje tem pessoas que recebem 10, 15 benefícios sociais, por que tem 15 CPFs. Então com a questão da biometria isso vai auxiliar e facilitar bastante", afirmou. O Conselho Gestor do Fundo Nacional de Segurança Pública já aprovou cerca de R$ 145 milhões para a implementação dos dois projetos. O programa de monitoramento de crimes ambientais foi batizado de Brasil M.A.I.S (Meio Ambiente Integrado e Seguro) e o de identificação de ABIS (Sistema Automatizado de Identificação Biométrica, em tradução). Novo concurso Na última sexta-feira (31), o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, afirmou que está em preparação um concurso para abrir 2.000 vagas para Polícia Federal. Durante o simpósio, Rolando confirmou a intenção de abertura do novo concurso. "Encaminhamos para o MJ (Ministério da Justiça) um novo pedido para mais 2.000 mil vagas. Com essas 2.000 mil vagas nós vamos atingir o maior quantitativo histórico da Polícia Federal", afirmou.
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07/08 - Uso de fogo para limpeza em fazenda danifica vegetação nativa e resulta em multas de R$ 30,4 mil
Fiscalização da Polícia Ambiental compareceu à propriedade rural, em Regente Feijó, para verificar um foco de incêndio apontado por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Queimada para limpeza em fazenda em Regente Feijó danificou vegetação nativa Polícia Militar Ambiental A Polícia Militar Ambiental aplicou nesta sexta-feira (7) multas que totalizaram mais de R$ 30 mil contra o responsável por uma fazenda em Regente Feijó (SP) na qual a prática de queimada causou danos à vegetação nativa. A fiscalização compareceu à propriedade rural para verificar um foco de incêndio apontado por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e constatou, durante a vistoria, que o homem de 65 anos, responsável pelo local, havia usado fogo para a limpeza de uma área correspondente a 5,69 hectares e, consequentemente, as chamas danificaram 55 árvores nativas de diferentes espécies. Queimada para limpeza em fazenda em Regente Feijó danificou vegetação nativa Polícia Militar Ambiental Os policiais elaboraram dois autos de infração ambiental em desfavor do envolvido: um no valor de R$ 5.690,00 por uso de fogo em área agropastoril e outro no valor de R$ 24.750,00 por danificar árvores com uso de fogo. Ao todo, as autuações chegaram a R$ 30.440,00. Fiscalização compareceu ao local para verificar foco de incêndio apontado por satélite Polícia Militar Ambiental Fiscalização compareceu ao local para verificar foco de incêndio apontado por satélite Polícia Militar Ambiental Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região.
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07/08 - Governo anuncia retomada de ações contra crimes ambientais em terra indígena no Pará
Interrupção foi anunciada nesta quinta e, segundo a Defesa, atendeu a pedido dos indígenas da etnia Munduruku. Na quarta, Ricardo Salles (Meio Ambiente) visitou região e foi alvo de protestos. O Ministério da Defesa anunciou nesta sexta-feira (7) a retomada das ações de combate a crimes ambientais na terra indígena Munduruku, no Pará. A interrupção foi anunciada nesta quinta (6), um dia após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ter visitado a região e ter sido alvo de protestos. O grupo que fez o ato chegou a impedir a decolagem de um avião e um helicóptero. Na nota divulgada nesta sexta, o Ministério da Defesa informou que a suspensão das operações por um dia atendeu a pedidos dos próprios indígenas da região. "O Ministério da Defesa (MD) informa que já foi autorizado, nesta sexta-feira (7/8), o reinício das operações nas terras indígenas Munduruku, no âmbito da Operação Verde Brasil 2. As operações haviam sido temporariamente suspensas, por um dia, na quinta-feira (6/8), atendendo à solicitação dos indígenas, para permitir avaliação de resultados e a realização de encontro de representantes dos indígenas com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília", informou a pasta. Ainda de acordo com o ministério, representantes dos indígenas Munduruku estiveram em Brasília e foram recebidos no Ministério do Meio Ambiente, onde "apresentaram seus pleitos e preocupações". Ministério da Defesa suspende ações de combate aos garimpos ilegais em terra indígena Explorar a riqueza da terra Mais cedo, nesta sexta, o vice-presidente Hamilton Mourão comentou a suspensão da operação. Disse que "não adianta tapar o Sol com a peneira" porque os indígenas têm o "direito de explorar a riqueza que tem na terra". "Eles sabem que tem ouro lá. Nós temos que parar de tapar o sol com a peneira e entender que o indígena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação. A partir daí, ele terá acesso às benfeitorias, ao progresso material da humanidade", afirmou Mourão. Depois do anúncio da retomada, Mourão voltou a comentar a operação. "A operação foi suspensa exatamente por causa que os indígenas. Eles fizeram um protesto lá. Vieram aqui para conversar com o ministro. E, a partir do momento que conversaram com o ministro, ela [operação] foi liberada para prosseguir. Ela foi suspensa no dia de ontem, só", declarou o vice-presidente. Íntegra Leia a íntegra da nota do Ministério da Defesa: NOTA À IMPRENSA O Ministério da Defesa (MD) informa que já foi autorizado, nesta sexta-feira (7/8), o reinício das operações nas terras indígenas Munduruku, no âmbito da Operação Verde Brasil 2. As operações haviam sido temporariamente suspensas, por um dia, na quinta-feira (6/8), atendendo à solicitação dos indígenas, para permitir avaliação de resultados e a realização de encontro de representantes dos indígenas com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília. Ainda na quinta-feira (6/8), representantes dos indígenas Mundurukus foram transportados para Brasília, em aeronave C-95 da Força Aérea Brasileira. Eles foram recebidos no MMA e apresentaram seus pleitos e preocupações. Nesta sexta-feira (7/8), os representantes dos indígenas regressaram às suas terras, também em aeronave da Força Aérea Brasileira. Ressalta-se que a Operação Verde Brasil 2 permanece ativa e atuante em toda Amazônia Legal. Todas as ações referentes à Amazônia são coordenadas no âmbito do Conselho Nacional da Amazônia Legal, presidido pelo Vice-Presidente da República.
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07/08 - Jericoacoara tem autorização para abertura de parque nacional neste sábado (8)
Portaria foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (7). Desde março as visitas estava suspensas por conta da pandemia Visitantes devem seguir protocolos para visitar os pontos turísticos de Jericoacoara Divulgação Após quase cinco meses fechado por conta da pandemia da Covid-19, o Parque Nacional de Jericoacoara foi autorizado a receber visitantes a partir deste sábado (8). Os visitantes devem seguir protocolos de segurança sanitária para evitar o contágio pelo coronavírus. A reabertura foi autorizada por portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (7) e assinada pelo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Homero de Giorge Cerqueira. Segundo o documento, os visitantes, agências de turismo e prestadores de serviço devem respeitar as medidas de prevenção na unidade de conservação. Entre os pontos estão a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção facial “durante todo o período que estiver no interior do parque” e a garantia do distanciamento mínimo de dois metros entre “sofás, mesas, cadeiras e bancos dos espaços comuns" de empreendimentos comerciais. Os estabelecimentos devem seguir as seguintes exigências: Uso obrigatório de máscara de proteção facial; Disponibilidade de álcool em gel 70% ou produto de higienização para as mãos nas estruturas abertas à visitação e nos transportes terrestres e aquaviários; Para atrativos que necessitam de algum equipamento de proteção individual, estes não poderão ser compartilhados sem antes proceder a higienização e desinfecção dos equipamentos; Manter ambientes bem ventilados, com janelas e portas abertas; Limpeza e desinfecção dos ambientes, pisos, corrimãos, lixeiras, balcões, maçanetas, tomadas, torneiras e banheiros, além de outros objetos de uso coletivo, como cadeiras, sofás e bancos. Remover jornais, revistas, panfletos e livros dos locais de comum acesso; Priorizar a venda on-line de ingressos, serviços ou agendamentos; Organizar o atendimento em filas para evitar aglomerações, considerando a marcação no piso com distanciamento de 2 metros; Máquinas de débito e crédito devem estar fixas ou envelopadas com filme plástico e desinfetadas após cada uso; Para restaurantes, manter o distanciamento mínimo entre as mesas (2 metros) e cadeiras (1 metro), como também nos ambientes de espera e filas de caixas, com demarcação no piso; Higienização e desinfecção de objetos (inclusive cardápios) e superfícies comuns, como as mesas e cadeiras após cada utilização. Vila de Jericoacoara se prepara para receber turistas Redução da capacidade A Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara também autorizou, em decreto publicado no último sábado (1º), a retomada gradual das atividades na Vila de Jericoacoara, a partir deste sábado. O documento autoriza reservas em hotéis, pousadas e meios de hospedagem, desde que os protocolos sanitários sejam seguidos. Restaurantes e barracas de praia e lagoa funcionarão com horário reduzido e público limitado a 50% da capacidade local. “É um momento que todo mundo aqui esperava. Nosso município foi o primeiro a fechar as portas para o turismo e agora depois de quase cinco meses estamos reabrindo. É um momento de muita felicidade e muita cautela”, ressalta Ricardo Wagner, secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Meio ambiente do Município. “Esperamos que este turista comece a retornar amanhã a partir da liberação do Parque Nacional e também do decreto municipal” Segundo ele, mais de 600 pessoas estão sendo treinada para reforçar os protocolos sanitários neste retorno. “Esperamos que essa ação de cautela e prevenção seja feita por todos: moradores, turistas e empresários”, ressalta. “O turismo ainda deve demorar um pouco para alcançar aquele volume de antes da pandemia, mas já é uma alegria e injeção na economia”. O município está na primeira semana da fase 2 de retomada da economia, segundo decreto estadual de 1º de agosto. Situação Jijoca de Jericoacoara soma 622 casos confirmados do novo coronavírus e nove óbitos, a Secretaria da Saúde do Ceará. Um total de 615 pessoas já se recuperaram da doença no Município. Segundo o IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará, o município tem uma taxa de letalidade de 1,44, índice que aponta para a gravidade da doença. A média do estado é de 4,27. O valor é apontado como uma das justificativas para o retorno gradativo das atividades econômicas. Initial plugin text
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07/08 - Mourão defende Guedes e diz que Brasil sofre pressão de países que não preservaram florestas
Ministro disse a estrangeiros que eles 'destruíram' as próprias florestas. Segundo Inpe, alertas de desmatamento aumentaram nos últimos 12 meses; Mourão vê 'inversão de tendência'. Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservação, diz Mourão O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (7) que o Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservação das próprias florestas e que a declaração do ministro Paulo Guedes (Economia) a estrangeiros sobre o tema "não atrapalha". Mourão deu as declarações ao ser questionado sobre a participação de Paulo Guedes, nesta quinta (6), em uma videoconferência promovida por um instituto de Chicago (EUA). Na transmissão ao vivo, o ministro da Economia, pediu aos estrangeiros que sejam "gentis" com o Brasil porque eles "destruíram" as próprias florestas. Guedes afirmou: "Eu só peço que vocês sejam gentis, pois nós somos muito gentis. Nós entendemos sua preocupação. Tendo vivido tudo o que vocês viveram, vocês querem nos poupar de destruir nossas florestas, como vocês destruíram as de vocês. Vocês querem nos poupar de perseguir índios, nativos. Nós entendemos isso." Questionado nesta sexta se a declaração do ministro da Economia atrapalha o diálogo com investidores estrangeiros, Mourão respondeu: "Não é questão de que é o jeito mais adequado. É que as vezes a gente sofre determinadas pressões oriundas de países que não fizeram o trabalho deles em outro período da história. [...] Não atrapalha, o Guedes ele só ajuda." Mourão chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal e tem se reunido com investidores brasileiros e estrangeiros para discutir a proteção do meio ambiente. 'Vocês desmataram seus países', diz Paulo Guedes a estrangeiros Para o vice Hamilton Mourão, a exploração da Amazônia deve seguir os "parâmetros atuais" da sociedade. "Haveria aquela corrida do ouro na Califórnia e no Alasca, que ocorreu no século 19, em pleno século 21 com aquelas características? Não haveria. É a mesma coisa que acontece na Amazônia. A exploração da Amazônia tem que se dar dentro dos parâmetros que são da humanidade de hoje, e não de dois séculos atrás", disse. Segundo Mourão, o investidor procura locais com respeito ao meio ambiente, à questões sociais e com boa governança. "Isso faz parte do diálogo, isso não é problema [a fala de Guedes]. O investidor ele vem aonde ele vai ganhar dinheiro. Hoje o investidor por pressão, vamos dizer assim, daqueles que colocam dinheiros nos fundos de investimento, ele busca lugares onde haja respeito ao meio-ambiente, respeito a questão social e que haja governança, que o dinheiro dele dê lucro", disse. Alertas de desmatamento na Amazônia caem em julho, mas no ano dados são alarmantes Desmatamento Mourão também comentou números de alertas de desmatamento divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Segundo o Inpe, os alertas na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano. Os dados comparativos entre julho de 2020 e julho de 2020 mostram redução nos alertas. "Houve uma inversão da tendência, tínhamos há mais de um ano uma tendência de aumento do desmatamento e, pela primeira vez, a gente tem a inversão da tendência", disse Mourão nesta sexta. O vice-presidente disse que o governo trabalha para "colocar o desmatamento dentro do mínimo aceitável", mas não especificou um número. Perguntado sobre a estratégia para manter a tendência de queda registrada em julho, defendeu a repressão aos crimes ambientais. "É pressão em termos de repressão enquanto a gente não conseguir avançar, no que considero que é a busca da solução melhor, que é a regularização fundiária", disse. Ministério da Defesa suspende ações de combate aos garimpos ilegais em terra indígena Terra indígena Munduruku Nesta quinta-feira, o Ministério da Defesa suspendeu uma operação de combate a garimpos ilegais na terra indígena Munduruku, no Pará. A decisão foi anunciada um dia depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se encontrar com garimpeiros e indígenas favoráveis ao garimpo, que pediram que a operação fosse suspensa. Nesta sexta-feira (7), Mourão afirmou que todos os garimpeiros que estavam atuando na terra Munduruku eram indígenas. Mourão defendeu também que os índios possam explorar as terras demarcadas dentro da legislação ambiental vigente no país. "Eles sabem que tem ouro lá. Nós temos que parar de tapar o sol com a peneira e entender que o indígena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação. A partir daí, ele terá acesso às benfeitorias, ao progresso material da humanidade", disse Mourão.
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07/08 - Com 1.654 km² de áreas em risco em julho, alertas de desmatamento na Amazônia sobem 34,5% no período de um ano
Satélites do governo alertam para mais de 9 mil km² devastados entre agosto de 2019 e julho de 2020, o equivalente a 1.195.454 campos de futebol. Especialistas preveem que temporada terá o maior desmatamento da floresta em mais de uma década. Dados do Inpe mostram que áreas com alerta de desmatamento cresceram 34,5% em um ano As áreas com alerta de desmatamento na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. De agosto de 2019 até o dia 31 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 9.205 km² de área da floresta, uma área mais que seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, esse número tinha ficado em 6.844 km². Se comparados apenas os dados dos meses de julho de 2020 e 2019, houve queda neste mês do ano: em 2020, os dados apontam 1.654 km² de áreas com alertas de desmate. No ano passado, o total foi de 2,2 mil km². Em nota, o Greenpeace Brasil apontou que os mais de 9,2 mil km² em alerta de desmatamento é equivalente a 1.195.454 campos de futebol, e o que mais chama atenção é o modo como o desmatamento se concentra em determinadas áreas. Incêndio é visto na Floresta Amazônica no distrito de Janaucá, em Careiro Castanho, a 113 km de Manaus, no dia 4 de agosto. Chico Batata/AFP "Chama muito a atenção o número de grandes polígonos de alertas de desmatamento, com áreas de 3 mil, 4 mil e até 5 mil hectares derrubadas nos últimos 12 meses”, afirma Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, explicando que o fato mostra que a devastação amazônica é um esquema organizado, e não "Os dados do Inpe indicam que o Brasil fracassou no cumprimento de sua lei de clima, cuja meta para 2020 era limitar o desmatamento na Amazônia a no máximo 3.925 km2. Isso também nos desvia da rota do Acordo de Paris, o que criará uma série de dificuldades comerciais para o Brasil no período crítico de recuperação econômica no pós-pandemia", analisa o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. (ATUALIZAÇÃO: Após esta reportagem ser publicada, o Inpe acrescentou o dia 31 de julho em seu balanço, aumentando os dados de julho. Os números foram alterados no título e no texto às 10h20, horário de Brasília). Alertas do Deter x Taxa do Prodes Os dados de áreas sob alerta de desmatamento são fornecidos em registros diários pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora a região por meio de imagem de satélites. Ele não aponta o consolidado do desmate, mas sim áreas com marcas de devastação que precisam ser fiscalizadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). Entenda como o Inpe monitora e gera taxas de desmatamento da Amazônia Queimadas e desmatamento estão relacionados na Amazônia; entenda Já a taxa oficial anual de desmatamento na Amazônia é calculada considerando todo o período de seca, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Desta forma, é possível detectar o acumulado de destruição da floresta levando em conta os ciclos de chuva e seca, desmatamento e queimadas. Ela é apresentada em relatório do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe. Os dados são divulgados na metade do segundo semestre de cada ano. Temporada de recorde e tendências Para o vice-presidente Hamilton Mourão, o dado de julho aponta uma "reversão de tendência". "Ainda é começo, a gente tem que prosseguir até chegar nas metas que nós temos que é colocar o desmatamento dentro do mínimo aceitável", disse Mourão. Já os especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que não é possível celebrar avanços. "Claramente o desmatamento está fora de controle no Brasil. Desde o início do governo Bolsonaro, temos um aumento de cerca de 30% nos alertas de desmatamento todo mês. E isso se dá devido à prevalência do crime ambiental na Amazônia", diz Márcio Astrini. 'Governo não tem plano no combate ao desmatamento', diz Marcio Astrini Os ambientalistas avisam que, historicamente, os dados do Deter não apenas são confirmados, mas também ampliados quando a taxa do Prodes é divulgada. Ou seja, os 9 mil km² são indício de um número ainda maior. "Olhando os alertas do Deter nos últimos meses, estimamos que o desmatamento da Amazônia neste período (agosto de 2019 e julho de 2020) poderá atingir a casa do 13 mil km². Isso é assustador", afirma Astrini. Se confirmada a previsão de mais de 13 mil km² de devastação amazônica, André Guimarães, diretor-executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), alerta que a temporada deste ano poderá ser a maior em mais de 10 anos, já que o último recorde da taxa oficial de desmatamento foi registrado em 2008. Na época, segundo o Prodes, a taxa de desmatamento oficial foi de 12.911 km². "Como o Deter subestima os dados do Prodes em cerca de 50%, estimamos que o número real ultrapasse o do último anos e atinja uma taxa que não é vista há mais de uma década", explica Guimarães. RELEMBRE: Taxa oficial de desmatamento divulgada em 2019 foi 42% maior do que apontava sistema de alertas do Inpe Desmatamento na Amazônia tem tendência de alta no ano; veja 10 motivos de alerta sobre o tema Na temporada passada, de 2018/2019, o sistema de alertas detectou mais de 6 mil km² com sinais de devastação – a taxa oficial de desmatamento para aquela temporada fechou em 10.129 km² de desmatamento. É a maior área desde 2008. "É uma situação inédita no Brasil ter dois períodos consecutivos de aumento do desmatamento na Amazônia. E que explica a situação é apenas um fator: as ações do governo federal. Bolsonaro é o primeiro presidente, desde a redemocratização do país, a promover o desmatamento da Amazônia e a invasão a terras indígenas", explica Astrini. Dados mostram que situação da Amazônia está 'fora de controle', diz Marcio Astrini Tanto os alertas de desmatamento em maio quanto em junho do Deter registraram recordes em toda a série história, que começou em 2015. Enquanto em maio o alerta de desmatamento amazônico registrou 829 km², em junho foram 1.034,4 km². "O aumento descontrolado do desmatamento já vem causando problemas comerciais ao Brasil, destroçando a imagem do país no exterior. Empresas estrangeiras já deixam de comprar produtos agropecuários e investidores retiram recursos de companhias que compram produtos de áreas abertas irregularmente", comentou o WWF Brasil em nota. 'Vocês destruíram as de vocês', diz Guedes a estrangeiros sobre florestas O projeto que ameaça criar 'deserto verde' na Amazônia e agravar mudança climática "Quem lucra com isso [aumento do desmatamento] é o desmatador ilegal, o grileiro, o investidor no garimpo sem controle que explora trabalho escravo. Se quisesse controlar o desmatamento, e essa realmente não parece ser a intenção, o governo retomaria o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia e reforçaria a atuação do Ibama e outros órgãos ambientais, no lugar de gastar dinheiro com a atuação teatral das Forças Armadas”, afirmou em nota Suely Araújo, especialista-sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima. Os alertas servem para informar aos fiscais do Ibama onde há sinais de devastação, que podem ou não ser comprovados posteriormente. Moratória e bloqueio de bens Astrini explica que falar em desmatamento na Amazônia é falar em desmatamento ilegal. "Acabar com o desmatamento na Amazônia seria acabar, principalmente, com a ilegalidade", diz. "O desmatamento ilegal é um crime que vem sendo há muito tempo anistiado no país. Com isso, este crime tem se tornado cada vez mais organizado", explica o secretário-executivo do Observatório do Clima. Por isso, na quinta-feira (6), um grupo de 62 organizações da sociedade civil enviou uma carta ao Parlamento Europeu e ao Congresso propondo uma moratória de 5 anos de desmatamento para conter a devastação da Amazônia. A carta também propõe o bloqueio de bens dos cem maiores desmatadores da Amazônia, o endurecimento das penas para crimes ambientais na Amazônia, a criação de 10 milhões de hectares em unidades de conservação, entre outros. "As ações de comando e controle lançadas nos últimos dois anos não foram suficientes para diminuir o desmatamento na Amazônia, então é preciso entrar com estratégias de choque para controlar esse aumento", explica Guimarães, que assinou a carta. "É preciso investir na recuperação e no bom uso das áreas já desmatadas para evitar o avanço sobre a floresta; consolidar as áreas protegidas; tirar do papel o pagamento por serviços ambientais para estimular a manutenção dos ativos florestais; e combater com firmeza a grilagem em florestas públicas não-destinadas, pois 30% do desmatamento acontece ali", diz o diretor-executivo do IPAM. O crime ambiental na Amazônia não é exclusividade do governo Bolsonaro, mas, para Astrini, este é o primeiro presidente que encoraja a ação de invasores por meio de atos e edição de medidas. Como exemplo, ele cita a Instrução Normativa publicada pela Funai em abril que permite a invasão, exploração e até comercialização de terras indígenas ainda não homologadas pela presidência. Governo interrompe ações de combate a crimes ambientais em terra indígena no Pará "O governo federal é o maior promotor do desmatamento ilegal no Brasil hoje. O governo Bolsonaro é o maior inimigo da floresta amazônica", diz Astrini. Em carta, entidades listaram ações contra o desmatamento que devem ser adotadas Desmatamento e coronavírus Para os especialistas, tanto desmatamento acontecendo no meio de uma pandemia é duplamente preocupante. "Essas árvores derrubadas uma hora serão queimadas, o que gera muita fumaça na região, apenas esperando o período seco chegar para ser queimada. Quanto mais fumaça no ar, mais problemas respiratórios são registrados entre a população da Amazônia. Se precisam de atendimento hospitalar, ficam ainda mais expostas ao coronavírus. É uma sobreposição de problemas que poderia ser evitada", explica Guimarães. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia "Muitas capitais da região do Norte no ano passado decretaram situação de calamidade pública por causa da fumaça vinda das queimadas na floresta. A fumaça ataca as vias respiratórias da população. Imagina se essa situação se repetir este ano, e com a pandemia do coronavírus", alerta Astrini. O problema é principalmente preocupante para as populações indígenas da região amazônica, que também estão mais expostas ao coronavírus e à falta de atendimento. "A população indígena é a mais ameaçada hoje no Brasil: enquanto o governo avança sobre as áreas indígenas, incentivando a invasão, os invasores levam o coronavírus aos indígenas", diz Astrini. Initial plugin text
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07/08 - Redução das emissões de gases estufa durante a pandemia será 'insignificante' para mudanças climáticas, diz estudo
Reduções devem levar a uma redução máxima de apenas 0,01ºC na temperatura do planeta, segundo os cientistas. A pesquisa foi publicada em revista do grupo 'Nature', um dos mais importantes do mundo. Pessoas usam máscaras como proteção contra a Covid-19 enquanto caminham ao longo do rio Vistula, em Varsóvia, na Polônia, no dia 10 de maio. Wojtek Radwanski / AFP A redução nas emissões globais de gases estufa e de poluentes por causa da pandemia de Covid-19 será "insignificante" para alterar o rumo das mudanças climáticas na Terra, aponta estudo publicado nesta sexta-feira (7) na revista "Nature Climate Change", do grupo "Nature", um dos mais importantes do mundo. De acordo com os cientistas de várias universidades e centros de pesquisa do Reino Unido, da Alemanha e dos Estados Unidos, a queda nas emissões ligadas a atividades econômicas devem levar a uma redução de 0,005ºC a 0,01ºC na temperatura do planeta. Os pesquisadores contrapõem, entretanto, que, se uma "recuperação verde" for buscada, o aquecimento global poderia ser mantido abaixo dos 1,5ºC até 2050. Esse aumento é a meta proposta por especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para que os piores efeitos das mudanças climáticas sejam evitados. CONTRAMÃO: Brasil deve aumentar emissões de gases do efeito estufa mesmo na pandemia, diz estudo ALERTA: Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia No estudo, os cientistas analisaram dados de mobilidade de 123 países, responsáveis por mais de 99% das emissões de gás carbônico no mundo, entre fevereiro e junho. Com as informações, eles estimaram as mudanças na emissão de gases estufa e poluentes e sugeriram que o pico das reduções foi em abril. Brasil deve aumentar emissões de gases do efeito estufa mesmo na pandemia, diz estudo Os efeitos das mudanças a curto prazo, entretanto, terminam em 2025. Para avaliar os impactos a longo prazo, eles modelaram cinco cenários possíveis no futuro, depois da pandemia, em relação à emissão de gases e poluentes: O primeiro é o cenário normal (sem restrições pela Covid-19), usado como referência, no qual os países continuam com as emissões conforme previsto nas contribuições determinadas por cada nação (as Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDCs, na sigla em inglês) para conter as mudanças climáticas. No segundo cenário, há um pequeno "desvio", de dois anos, da tendência normal. Nessa hipótese, 66% das restrições ligadas ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) impostas em junho continuariam até o fim de 2021. Nesse caso, as emissões retornariam, linearmente, ao nível "normal" até o fim de 2022. Este cenário também prevê a necessidade de "lockdowns parciais" até o fim de 2023 por causa da Covid-19. No terceiro cenário, de uma recuperação baseada em combustíveis fósseis e sem estímulo a outras alternativas, as emissões em 2030 passam a ser 10% maiores que no cenário normal – com tendência a continuar assim depois desse ano. No quarto cenário, de "estímulo verde moderado", há o mesmo "desvio" de dois anos da tendência normal de emissões que, depois, volta a crescer, mas nunca alcança os níveis do cenário de referência. Como resultado, há uma queda de 35% na emissão de gases estufa até 2030, e a emissão de CO2 é zerada globalmente até 2060. No quinto cenário, de um "forte estímulo verde", há uma queda de cerca de 50% na emissão de gases estufa até 2030. Essa tendência continua, e a emissão de CO2 é zerada globalmente até 2050. "Esses resultados destacam que, sem a descarbonização das economias a longo prazo em todo o sistema, mesmo mudanças maciças de comportamento [adotadas durante a pandemia] levam apenas a reduções modestas na taxa de aquecimento", frisam os autores. Eles destacam que as opções de investimento econômico para a recuperação pós-pandemia afetarão fortemente a trajetória de aquecimento em meados do século. "Buscar uma recuperação com estímulo verde para sair da crise econômica depois da Covid-19 pode colocar o mundo no caminho certo para manter à vista a meta de longo prazo do Acordo de Paris", dizem. COP 25: Em fim 'frustrante' da Cúpula do Clima, países prometem apresentar metas mais ambiciosas sobre emissões em 2020 O trato internacional, assinado em 2015, prevê uma série de mecanismos para a cooperação internacional e visa à redução das emissões de gases do efeito estufa. Quarentena provoca redução de poluição e de raios no Brasil Brasil deve aumentar emissões de gases do efeito estufa mesmo na pandemia, diz estudo
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06/08 - Governo suspende ações contra garimpos ilegais em terra indígena no Pará após visita de ministro
A suspensão foi anunciada um dia depois do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se encontrar com garimpeiros e indígenas favoráveis ao garimpo, que pediram que a operação fosse suspensa. Ministério da Defesa suspende ações de combate aos garimpos ilegais em terra indígena O Ministério da Defesa suspendeu, nesta quinta-feira (6) uma operação de combate a garimpos ilegais na terra indígena Munduruku, no Pará. A suspensão foi anunciada um dia depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se encontrar com garimpeiros e indígenas favoráveis ao garimpo, que pediram que a operação fosse suspensa. ONGs pedem bloqueio de bens de desmatadores e moratória de 5 anos de desmatamento para conter destruição da Amazônia Salles recua de proposta para reduzir meta oficial de preservação da Amazônia Fiscais do Ibama gravaram a operação no oeste do Pará. Imagens mostram a devastação provocada pelo garimpo na floresta, que avança por uma grande área e deixa para trás piscinas de água barrenta contaminada. Na operação, os fiscais atearam fogo a equipamentos como pás-carregadeiras, chamadas de PC pelos garimpeiros, que chegam a custar R$ 500 mil cada. O clima ficou tenso. Em áudios obtidos pelo Jornal Nacional, garimpeiros falam em derrubar o helicóptero usado na operação. “Pois é, amigo. isso aí era para ter reunido a moçada tudinho. Aí o cara prefere perder uma PC, quatro, cinco PCs do que... Moço, mete bala para cima, meu amigo, e joga um helicóptero desse no chão, moço. Joga um helicóptero desse no chão. É mil ‘vez’, aí eles ‘vai’ pensar duas vezes de encostar num garimpeiro”, afirma um homem no áudio. PC é uma forma de referir às máquinas pesadas usadas no garimpo. Garimpeiros e indígenas que trabalham com eles chegaram a invadir, nesta quarta (5), a pista do aeroporto de Jacareacanga para protestar contra a operação, e impediram a decolagem de um avião que dava apoio à operação. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que estava em viagem nesta quarta à região, conversou antes com o grupo, que pediu que a operação fosse interrompida. Ricardo Salles defendeu uma negociação com eles. O Brasil vive esse dilema, de reconhecer, afinal de contas, depois de tanto tempo, que os indígenas têm o direito de escolher como querem viver. Têm o direito de escolher que atividade econômica querem fazer. Pare de fazer de conta que essa história de que os indígenas não querem garimpar ou não querem produzir lavoura ou não querem, em certos casos, ter atividades ligadas ao setor madeireiro florestal, como se isso fosse uma verdade absoluta”, afirmou Salles. Depois da conversa de Ricardo Salles com os garimpeiros, a operação de fiscalização foi suspensa, os helicópteros do Ibama não decolaram nesta quinta, e uma comitiva de representantes da região que defendem o garimpo em terra indígena embarcou para Brasília para se reunir com autoridades do governo. Em nota, o Ministério da Defesa disse que “reitera que a Operação Verde Brasil 2, de combate a delitos ambientais na Amazônia Legal, continua em andamento. Contudo, as ações na terra indígena Munduruku, no estado do Pará, foram interrompidas para reavaliação”. Mas não deu mais detalhes do motivo que levou à suspensão da fiscalização contra o garimpo. O Ministério do Meio Ambiente disse, em nota, que não houve “nenhuma reunião com garimpeiros, mas protesto dos indígenas inconformados com a fiscalização sobre o garimpo que eles mesmos realizam.” A coordenadora do Instituto Socioambiental disse que o debate sobre o garimpo em terras indígenas tem que acontecer no Congresso Nacional, e que, até lá, essa atividade tem que ser coibida porque é ilegal. Entidades ambientais divulgam carta aberta com crítica à política ambiental do governo Initial plugin text
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06/08 - 'Vocês destruíram as de vocês', diz Guedes a estrangeiros sobre florestas. E pede: 'Sejam gentis'
Ministro da Economia participou de videoconferência promovida por instituto de Chicago (EUA). Ele declarou que o Brasil vai preservar floresta amazônica. O ministro da Economia, Paulo Guedes Jornal Nacional/ Reprodução O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu nesta quinta-feira (6), em videoconferência promovida por um instituto de Chicago (EUA), que os estrangeiros sejam "gentis" com o Brasil porque eles, afirmou, destruíram as próprias florestas. Guedes respondia a uma pergunta sobre a preservação da Amazônia, motivada pela preocupação de investidores estrangeiros com a preservação da floresta nativa brasileira. "Eu só peço que vocês sejam gentis, pois nós somos muito gentis. Nós entendemos sua preocupação. Tendo vivido tudo o que vocês viveram, vocês querem nos poupar de destruir nossas florestas, como vocês destruíram as de vocês. Vocês querem nos poupar de perseguir índios, nativos. Nós entendemos isso", declarou. A videoconferência foi promovida pelo Aspen Institute, um "think tank" (instituição destinada ao debate de ideias) internacional fundado em 1949. Nesta semana, o Ministério do Meio Ambiente propôs, em ofício enviado para o Ministério da Economia, a redução da meta oficial de preservação da Amazônia. Depois, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recuou (veja vídeo abaixo). Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento na região cresceu quase 30%. Salles recua de proposta para reduzir meta oficial de preservação da Amazônia O ministro da Economia afirmou que a Amazônia é território brasileiro e que as florestas serão preservadas. "Nós estamos estamos no acordo de Paris, temos crédito de carbono. Vamos taxar o carbono no Brasil, vamos preservar nossas florestas. Não precisamos ir à Amazônia para produzir bens agrícolas. Isso não vai acontecer", disse. Ele afirmou que os militares brasileiros amam a Amazônia, fazem treinamentos na região durante o período de formação e não atacam índios. Nesse momento, ele citou o general norte-americano George Armstrong Custer, que morreu enfrentando índios nativos nos Estados Unidos. "Isso não aconteceu aqui. Grandes histórias sobre como matamos nossos índios são fake", declarou. Guedes disse ainda que, com exceção de Canadá e Rússia, o Brasil é o país com a maior parte de sua região natural preservada. "Não há caso de extinção com guerras, extermínios, como aconteceu em vários países e nos Estados Unidos. Nós sabemos da história dos Estados Unidos, sabemos que vocês tiveram guerra civil, escravidão", disse. Entidades ambientais se unem para apresentar proposta de combate ao desmatamento Combate à corrupção Questionado durante a videoconferência se a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça não prejudicava o combate à corrupção, Guedes afirmou que era um grande admirador do ex-ministro. E creditou a saída de Moro a um "problema de interpretação" com o presidente Bolsonaro, assim como aconteceu, segundo afirmou, com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. “Em um regime democrático, um ministro, como eu, como o Moro, é removível. Se tem um desentendimento com o presidente, você é removido”, disse. Guedes disse que convidou Moro para participar do governo Bolsonaro uma semana antes do segundo turno das eleições, quando o encontrou. O ministro afirmou que sempre foi um admirador da Operação Lava Jato – que apurou desvios de recursos da Petrobras no governo petista. “A base do nosso problema é: vamos desestatizar a economia. Esse é um velho problema. Sabemos onde temos que ir. Moro era um lutador contra a corrupção que o sistema econômico doente causou ao Brasil, degenerando a nossa democracia e estagnando nossa economia”, disse o ministro. Ele disse, ainda, que havia “combatentes” de Moro, que estavam “em todos os lugares”. “Não era o Bolsonaro contra o Moro, havia combatentes contra Moro. Ele era uma ameaça. Eu acredito que o presidente Bolsonaro está lutando contra a corrupção, e eu acredito que seu julgamento”, concluiu.
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06/08 - Governo interrompe ações de combate a crimes ambientais em terra indígena no Pará
Nota do Ministério da Defesa não explica motivo da interrupção. Anúncio é feito um dia após ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) ter visitado região e ter sido alvo de protestos. Ministério da Defesa suspende ações de combate aos garimpos ilegais em terra indígena O Ministério da Defesa informou nesta quinta-feira (6) que o governo federal decidiu interromper as ações de combate a crimes ambientais na terra indígena Munduruku, no Pará. Na nota, o ministério não informa o motivo da interrupção das ações. A pasta diz somente que fará "reavaliação". As ações na região fazem parte da Operação Verde Brasil, criada para fazer ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais na Amazônia Legal. A operação foi prorrogada até novembro deste ano. "O Ministério da Defesa reitera que a Operação Verde Brasil 2, de combate a delitos ambientais na Amazônia Legal, continua em andamento. Contudo, as ações na terra indígena Munduruku, no estado do Pará, foram interrompidas para reavaliação", informou o ministério. Nesta quarta, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou a região e foi alvo de protestos por parte de indígenas na etnia Munduruku e garimpeiros. O grupo chegou a impedir a decolagem de um avião e um helicóptero. Segundo o Ministério da Defesa, representantes da região se reunirão com autoridades do governo federal em Brasília para discutir a situação local. Íntegra Leia a íntegra da nota do Ministério da Defesa: O Ministério da Defesa reitera que a Operação Verde Brasil 2, de combate a delitos ambientais na Amazônia Legal, continua em andamento. Contudo, as ações na terra indígena Munduruku, no estado do Pará, foram interrompidas para reavaliação. Nesta quinta-feira (6), uma delegação de representantes da região está a caminho de Brasília, em uma aeronave da Força Aérea Brasileira, para reuniões com autoridades do Governo Federal. Mais informações poderão ser divulgadas oportunamente. Informações sobre a agenda do Ministro Ricardo Salles devem ser encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente. Atenciosamente, Assessoria de Comunicação Ministério da Defesa
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06/08 - O projeto que ameaça criar 'deserto verde' na Amazônia e agravar mudança climática
Projetos para a BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho, em plena floresta amazônica, não tiveram estudos ambientais, segundo o Ministério Público. Estudos demonstram os efeitos prejudiciais da construção de rodovias para os ecossistemas cortados por elas DNIT/Divulgação Uma rodovia federal de 885 quilômetros construída entre 1968 e 1973, abandonada em 1988, está no centro de uma polêmica ambiental. Trata-se da BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho, em plena floresta amazônica. Em junho, o Diário Oficial da União publicou o edital para a pavimentação de um primeiro trecho previsto pelo governo para recuperar a via. O Ministério Público Federal questionou a legalidade, argumentando a falta de estudos ambientais. Nesta quinta, a revista Science traz uma carta assinada por dois cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) denunciando a situação para a comunidade internacional. Em conversa com a BBC News Brasil, o biólogo e ecólogo Lucas Ferrante, um dos autores do texto, ressaltou que um estudo de modelagem realizado pelo INPA indica que o desmatamento na região entre os rios Madeira e Purus, justamente por onde passa a trajeto, aumentaria em 1.200% — em relação aos dados de 2011 — com a obra de recuperação da pista. "Temos plena compreensão do que essa estrada vai gerar nessa área", comenta. "E os impactos são perturbadores. O carbono emitido por conta do desmatamento e das queimadas [no trajeto e no entorno] tem capacidade para alterar ainda mais o clima global." Ferrante argumenta que a região é "um dos blocos mais conservados de floresta amazônica". E a estrada traria acesso para "desmatadores e madeireiros", "algo muito preocupante em uma área que hoje é conservada". Procurados pela reportagem, outros cientistas ligados ao meio ambiente também demonstraram preocupação com a situação. "Quando você constrói e asfalta, sem planejamento e estudos de impacto, você permite a proliferação de todo um ambiente deletério e serviços de baixíssimo valor agregado. Construir estrada não é desenvolvimento. Há diversos casos assim no Brasil", diz o pesquisador Tiago Reis, que estuda ações de combate ao desmatamento na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Populações indígenas da região relataram preocupações com a estrada Lucas Ferrante "Projetos de infraestrutura são grandes vetores de desmatamento e destruição na Amazônia", completa Reis. "A construção de uma rodovia viabiliza que madeireiros ilegais e grileiros cheguem a porções da floresta a que antes eles não chegariam." O biólogo Filipe França, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Rede Amazônia Sustentável, lembra que há diversos estudos anteriores que demonstram os efeitos prejudiciais da construção de rodovias para os ecossistemas cortados por elas. "Se olharmos o histórico da Amazônia, a situação se repete: sempre depois da estrada, chegam os distúrbios", aponta. "A facilitação do acesso aumenta a ação de madeireiros, favorece a instalação de população, há a introdução de pastagens, mais desmatamento… E tudo isso resulta em perdas para a biodiversidade." Conforme estudo publicado em 2014 pelo periódico "Biological Conservation", 95% do desmatamento da Amazônia ocorre dentro de um raio de 5,5 quilômetros de estradas ou em um raio de 1 quilômetro de um rio. O mesmo artigo também demonstra que no entorno de cada via oficial surge uma malha de estradinhas não oficiais — o que, evidentemente, aumenta o estrago ambiental. Estudos ambientais De acordo com Ferrante, o principal argumento do governo federal para não realizar novos estudos de impacto é que "como a rodovia já foi pavimentada na década de 1970", uma nova análise "não seria necessária". "Só que esses estudos precisam ser refeitos. A via deixou de ser trafegável, basicamente ficou fechada e sem manutenção. As dinâmicas populacionais e as perturbações ambientais mudaram de escala nesse período", diz o biólogo. "Hoje a capacidade de causar desmatamento na área é muito maior, os processos de degradação são maiores…" Havia uma determinação do Ministério Público Federal nesse sentido mas, em 24 de junho o Ministério da Infraestrutura e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicaram o edital de licitação para a contratação da empresa a ser encarregada da obra. Na primeira fase, a previsão é asfaltar 52 quilômetros, entre os quilômetros 198 e 250 da rodovia. Em comunicado divulgado na data pela assessoria de imprensa, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas ressaltou que a ação era um compromisso do "governo do presidente Jair Bolsonaro" e que representava "um marco para o desenvolvimento destes dois estados [Amazonas e Rondônia]". À Agência Brasil, o ministro declarou na ocasião que nutria a expectativa de que as obras começassem o mais rapidamente possível. "Esperamos que a contratação esteja concluída ainda em 2020", disse. No dia 1º de julho, o Ministério Público Federal protocolou a impugnação do edital, ressaltando que não havia sido apresentado o estudo de impacto ambiental e que a interpretação do governo federal era "eivada de má-fé" e "não deve ser admitida pelo juízo da execução, sob pena de grave afronta e desprezo à autoridade das decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região". De acordo com outro comunicado à imprensa divulgado no mês passado pelo Ministério da Infraestrutura, as obras de manutenção e conservação da pista foram retomados em 3 de julho — indicando uma preparação para a pavimentação. A nota relatava que houve um pedido de suspensão de tutela provisória feito pela Procuradoria Federal Especializada ao Tribunal Regional Federal, possibilitando o reinício dos trabalhos. "O Ministério Público agiu com base em relatório do Ibama, entendendo que o DNIT estava executando obras, e não apenas serviços de manutenção/conservação licenciados. O entendimento foi contestado pelo superintendente regional do DNIT", informou o órgão. A BBC News Brasil pediu esclarecimentos ao Ministério da Infraestrutura. Em nota, o órgão enfatizou que as obras que estão sendo realizados não são de "reconstrução", mas sim de "manutenção". "Os serviços [em andamento] não contemplam a reconstrução da rodovia, mas apenas da manutenção do revestimento primário da pista, não asfaltado, substituição de bueiros e reformas de pontes de madeira, garantindo mais segurança aos usuários da BR-319", argumenta a pasta. "Em relação à reconstrução da BR-319, é importante esclarecer que o que está em processo licitatório pelo DNIT é a contratação de projeto e obra relativa exclusivamente ao trecho de 52 quilômetros denominado Lote C, entre os Km 198 e 250. Tal medida foi tomada após autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a partir de Termo de Acordo e Compromisso, viabilizando o devido licenciamento ambiental para o segmento", prossegue a nota. A reportagem solicitou um posicionamento do Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Mudanças na lei Um fator complicador desse imbróglio está no fato de que a rodovia original é anterior à legislação ambiental brasileira. "É importante notar que a rodovia BR-319 se diferencia de outros licenciamentos, pois quando ela foi construída, na década de 70, o governo federal ainda não tinha instituído a Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981", ressalta, em artigo publicado em seu informativo do mês de julho, o Observatório BR-319, grupo que congrega diversas ONGs ambientais que atuam na região. O mesmo texto lembra que mesma as exigências de estudos de impacto ambiental são de resolução de 1986. "É importante lembrar que tais estudos ambientais são obrigatórios por lei", cobra Ferrante. "O governo está passando por cima da legislação brasileira. É arbitrário tentar fazer a estrada dessa forma." Trechos da BR-319 vêm recebendo obras de manutenção desde 2014. A bióloga e ecóloga Adriane Esquivel Muelbert, pesquisadora na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, esteve coletando dados no entorno da BR por seis meses, em 2015 e 2016. "Já era possível notar o aumento do tráfego de carros e caminhões mesmo com trechos muito ruins", conta ela. "Com a pavimentação, aumentaria o fluxo e, consequentemente, o desmatamento ilegal." Segundo Ferrante, a região é um reconhecido "polo de exploração de madeira ilegal" e isso é um dos fatores mais preocupantes. "Está se falando em levar acessibilidade para áreas onde a principal atividade econômica é o desmatamento ilegal. Isso vai acelerar a destruição desse bloco [de floresta] e [aumenta] as emissões de carbono a partir do desmatamento da Amazônia." Estrada atrai "invasores" e prejudica suas comunidades, dizem indígenas Lucas Ferrante Muelbert relata que, durante seu trabalho de pesquisa lá há cinco anos, presenciou árvores centenárias sendo extraídas em reserva florestal. "É terra sem lei. Ficamos com medo e decidimos sair porque nos sentimos ameaçados", diz. O autor da carta publicada pela Science também conta que populações indígenas da região relataram a ele preocupações com a estrada. Eles argumentam que a estrada atrai "invasores" e prejudica suas comunidades. Os locais gostariam de ser consultados sobre a viabilidade da obra. França, que pesquisa besouros na região amazônica, ressalta que rodovias costumam ser problemas para a fauna da região — seja para os grandes animais, seja para os insetos. "O atropelamento é o impacto direto que mais chama a atenção", diz. "Mas existem também os impactos por perda de habitat." Ele explica que a implementação de uma rodovia, além de retirar a cobertura de vegetação original do trecho, ainda causa a chamada fragmentação, ou seja, um ecossistema único é dividido em vários pedaços. "Há estudos na Europa que mostram como a presença de estradas está associada à redução de diversidade genética de besouros, o que aumenta a chamada endogamia e, consequentemente, o risco de extinção", conta ele. O biólogo também lembra que são muitos os efeitos indiretos. "Os produtos químicos que são transportados ou utilizados na construção de estradas, levados pela chuva, afetam ecossistemas aquáticos", exemplifica. "Ou seja, a construção da rodovia vai muito além da floresta." "A nova pavimentação da BR-319 é uma notícia muito triste. Acredito que será uma das principais portas de entrada para o desmatamento no que resta da Amazônia brasileira", define Muelbert. Para a bióloga, a região é "completamente um deserto verde", com potencial para pesquisas científicas e descoberta de muitas espécies ainda desconhecidas. "Se o desmatamento avançar, vamos perder espécies sem nem mesmo as termos conhecido e estudado", lamenta. Repercussão Com a publicação na Science, Ferrante busca chamar a atenção da comunidade internacional para a questão. "Espero que cobrem do Brasil que a legislação seja seguida à risca, já que o país tem demonstrado graves sinais de não respeitar as normas ambientais e não estar comprometido com o desmatamento", afirma. "Que os estudos sejam realizados para evitar um dano ainda maior do que a rodovia pode gerar."
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06/08 - ONGs pedem bloqueio de bens de desmatadores e moratória de 5 anos de desmatamento para conter destruição da Amazônia
Os pedidos foram feitos em carta assinada por 62 organizações, que será enviada ao Congresso, ao Parlamento Europeu e investidores. Documento também pede reestruturação do Ibama. Desmatamento na Amazônia bateu novo recorde nos alertas de desmatamento em junho de 2020 Reuters Um grupo de 62 organizações da sociedade civil divulgaram uma carta nesta quinta-feira (6) pedindo a reestruturação dos órgãos ambientais do governo federal e propondo uma moratória de 5 anos de desmatamento para conter a devastação da Amazônia. Salles recua de proposta para reduzir meta oficial de preservação da Amazônia A carta, que será enviada ao Congresso, ao Parlamento Europeu, além de investidores e entidades internacionais, apresenta cinco propostas emergenciais para conter a destruição da Amazônia no Brasil. São elas: Moratória de 5 anos de desmatamento ilegal na Amazônia Reestruturação do Ibama, ICMBio e Funai Endurecimento das penas aos crimes ambientais como grilagem, desmatamento ilegal, roubo de madeira, garimpo, pecuária e mineração ilegal Bloqueio de bens dos cem maiores desmatadores da Amazônia Demarcação de terras indígenas Titulação dos territórios quilombolas Criação de 10 milhões de hectares em unidades de conservação Retomada imediata do PPCDAm – Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, desmontado no governo atual “Todas as medidas elencadas na carta são factíveis. Algumas delas são inclusive obrigações constitucionais, que o governo não está cumprindo”, explicou o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, afirmando que alguns destes pedidos "já constavam no plano de prevenção e controle do desmatamento enterrado pelo governo Bolsonaro". Sobre a proposta da moratória de 5 anos de desmatamento, o documento propõe a proibição de qualquer desmatamento na Amazônia por no 5 mínimo anos, mas "com exceções para ações de subsistência e de populações tradicionais, agricultura familiar, planos de manejo, obras de utilidade pública e de segurança nacional". Entidades temem risco de genocídio entre indígenas isolados com avanço da Covid-19 e grileiros 71% das queimadas em imóveis rurais neste ano na Amazônia ocorreram para manejo agropecuário, diz IPAM As organizações afirmam no documento que a devastação neste primeiro semestre de 2020 já é a maior desde o início da série de alertas do sistema de monitoramento feito pelo Inpe, e pode vir a ser a maior desde 2006. A carta ressalta as práticas de explosão do corte raso e as ações do governo Bolsonaro contra os povos indígenas. Além do Observatório do Clima, também assinam a carta o Instituto Socioambiental (ISA), WWF Brasil, SOS Amazonas, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Amazon Watch, Rede de Mulheres Ambientalistas da América Latina, Greenpeace Brasil, Movimento SOS Cerrado, entre outras organizações. Salles recua da proposta de abandonar meta de diminuir desmatamento Ambientalistas e entidades haviam demonstrado preocupação após o Ministério do Meio Ambiente encaminhar um ofício em julho com proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal até 2023 por meta de proteger apenas parte da Amazônia. Na quarta (5), Ricardo Salles recuou da proposta e garantiu manter a meta atual de preservação dos biomas e redução de 90% do desmatamento ilegal, que faz parte do Plano Plurianual (PPA) aprovado pelo Congresso em 2019. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia
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05/08 - Herbívoros correm risco maior de extinção que predadores, aponta estudo
Descoberta contradiz a ideia que predadores são os mais vulneráveis por viverem em áreas mais amplas e terem um crescimento populacional mais lento. Herbívoros grandes, como os elefantes, são uma das espécies ameaçadas Suziane Fonseca/Zoo BH Animais herbívoros correm um risco maior de extinção que predadores, sejam eles mamíferos, pássaros ou répteis. É o que revelou um extenso estudo feito com 24,5 mil espécies vivas e extintas, divulgado nesta quarta-feira (5). A pesquisa, publicada na revista "Science Advances", indica que herbívoros sofreram taxas de extinção mais altas nos últimos 50 mil anos, em comparação a outras partes da teia alimentar, e até hoje a tendência continua. A descoberta contradiz a ideia, baseada em evidências anedóticas, de que predadores são os mais vulneráveis por viverem em áreas mais amplas e terem um crescimento populacional mais lento. Segundo os pesquisadores, a ameaça é ainda maior para répteis herbívoros, como tartarugas, e herbívoros grandes, como elefantes. "Há tantos dados por aí e às vezes você só precisa de alguém para organizá-los", disse Trisha Atwood, uma ecologista da Utah State University e primeira autora do estudo. A anta é o maior mamífero herbívoro do Brasil Jeanne Martins/VC no TG Os cientistas primeiro observaram os padrões modernos de risco de extinção entre herbívoros, onívoros e predadores em mamíferos, pássaros e répteis de diferentes níveis da teia alimentar. Eles então realizaram a mesma análise em espécies do final do Pleistoceno, começando 11 mil anos atrás na África, América do Norte e América do Sul e há 50 mil anos na Austrália. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia Sexta extinção em massa está em andamento e ameaça civilização, diz estudo Arara considerada extinta volta à caatinga ao lado de onças e outras espécies ameaçadas Por fim, examinaram como o tamanho do corpo e a posição na teia alimentar afetavam o status de ameaça entre 22.166 espécies. De acordo com os autores, embora existam provavelmente várias razões para a tendência, certas intervenções humanas parecem afetar mais os herbívoros do que outros. "Vertebrados invasores (como ratos), insetos (como formigas-de-fogo) e plantas (como figueiras) foram todos implicados no declínio e até na extinção de diversos répteis", escreveram. Além disso, espécies invasoras, poluição e alteração de habitat parecem impactar desproporcionalmente pequenas aves herbívoras. Existem, no entanto, exceções: os predadores que vivem em habitats marinhos enfrentaram um risco de extinção elevado, o que sugere que eles tinham que lidar com mais ameaças à sobrevivência do que seus colegas da terra.
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05/08 - 'Olho do Dragão' se forma em lago japonês
Fenômeno natural forma atração que dura apenas algumas semanas entre o final de maio e o começo de junho. Foto tirada por um drone mostra o 'Dragon Eye' formado no lago Kagami-Numa, no norte do Japão, em junho de 2020 Ryohei Moriya/The Yomiuri Shimbun via AFP O lago Kagami-Numa (pântano espelhado, em tradução livre), fica no topo do monte Hachimantai, entre as cidades de Iwate e Akita, no norte do Japão. Durante a maior parte do ano, o ele tem um visual comum, mas com a chegada da primavera os raios do sol começam a derreter parte da neve acumulada durante o inverno criando um desenho único. No fenômeno natural, a neve derrete mais rapidamente no meio e ao redor do pântano, criando o distinto visual chamado de 'Dragon Eye' (Olho do Dragão). O termo foi cunhado em 2016 por um turista de Taiwan que visitou o local e postou uma foto nas redes sociais. Pessoas do mundo inteiro visitam o local, mas é preciso sorte para presenciar o fenômeno. Ele dura apenas algumas semanas entre o final de maio e o começo de junho e, em alguns anos, o 'olho' não se forma corretamente ou a neve se quebra assim que o anel é criado. Foto tirada por um drone mostra o 'Dragon Eye' formado no lago Kagami-Numa, no norte do Japão, em junho de 2020 Ryohei Moriya/The Yomiuri Shimbun via AFP Cerejeiras florescem no Japão, mas não podem ser vistas por causa da pandemia
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05/08 - Devastação ambiental em área preparada para o cultivo de mandioca rende multas de quase R$ 100 mil a sitiante
Policiais militares compareceram à propriedade rural, em Mirante do Paranapanema, nesta quarta-feira (5), após imagens de satélite indicarem degradações no local. Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental A Polícia Militar Ambiental aplicou nesta quarta-feira (5) multas que totalizaram quase R$ 100 mil contra o dono de uma propriedade rural, em Mirante do Paranapanema (SP), onde foram constatadas degradações na vegetação nativa causadas por queimada, além da derrubada de árvores, em uma área que está sendo preparada para o cultivo de mandioca. Durante a Operação Corta Fogo, uma equipe da Polícia Militar Ambiental compareceu ao sítio munida de imagens de satélite que indicavam degradações ambientais e efetuou a fiscalização na propriedade rural. No local, foi feito contato com o proprietário, um homem de 32 anos, e, durante a vistoria, os policiais constataram a queima de 84,477 hectares em área agropastoril. Os militares também verificaram que 13 árvores nativas haviam sido danificadas pelo fogo e que outras 32 árvores, das espécies palmeira-guariroba, leiteiro, ipê e angico, tinham sido suprimidas. De acordo com a corporação, a área em questão está sendo preparada para o cultivo de mandioca. Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental A fiscalização resultou na aplicação de três autos de infração ambiental contra o sitiante: um por fazer uso de fogo em área de 84,477 hectares, com multa no valor de R$ 84.477,00, conforme o artigo 58, da Resolução SMA 48/2014; um por danificar 13 árvores com uso de fogo, no valor de R$ 5.850,00, conforme o artigo 53, da Resolução SMA 48/2014; e um por supressão de 32 árvores isoladas, no valor de R$ 9.600,00, conforme o artigo 53, da Resolução SMA 48/2014. No total, as multas somadas chegaram a R$ 99.927,00. Ainda foram apreendidos 10 metros cúbicos de lenha, que permaneceram sob a guarda do sitiante, como depositário fiel. Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental Degradação ambiental foi constatada em sítio em Mirante do Paranapanema Polícia Militar Ambiental Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região.
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05/08 - Por que o Pantanal vive 'maior tragédia ambiental' em décadas
Bioma passa pela maior seca da história recente, sofre com o frequente desmatamento e enfrenta o pior período de queimadas das últimas décadas. Com período de extrema seca, Pantanal viu o fogo tomar conta de parte de sua área nos últimos meses. POLÍCIA MILITAR AMBIENTAL/MS O Pantanal passa pela sua fase mais crítica das últimas décadas. O bioma enfrenta uma de suas maiores secas da história recente, sofre com o desmatamento e tem o pior período de queimadas desde o fim dos anos 90. A atual situação do Pantanal, maior área úmida continental do planeta, preocupa ambientalistas. Nos primeiros sete meses deste ano, o principal rio do Pantanal atingiu o menor nível em quase cinco décadas. A chuva foi escassa. O desmatamento cresceu. Os focos de queimada atingiram os maiores níveis desde 1998. E a fiscalização por parte do poder público, segundo entidades que atuam na preservação da área, diminuiu. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que os primeiros sete meses de 2020 foram os que registraram mais queimadas em comparativo ao mesmo período de anos anteriores, ao menos desde o fim do anos 90 — período em que o Inpe desenvolveu a plataforma que se tornou referência para monitorar focos de calor no Brasil. Proposta de Salles é 'desvio de atenção' para acabar com meta de redução de desmatamento, dizem especialistas O mês passado, por exemplo, foi o julho em que o Pantanal mais pegou fogo nos últimos 22 anos. Conforme o Inpe, foram registrados 1.684 focos de queimadas. No mesmo mês, no ano passado, foram 494 focos. O recorde de queimadas em julho, até então, havia sido em 2005, com 1259 registros. Pesquisadores apontam que a situação no bioma, localizado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP), deve permanecer difícil pelos próximos meses. Em julho, algumas cidades de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, Estados que abrigam o Pantanal, sentiram as consequências de um dos períodos ambientais mais difíceis do bioma. Essas regiões chegaram a ficar encobertas por fumaças vindas dos incêndios no Pantanal. A situação piora os problemas respiratórios de moradores da região e se torna ainda mais perigosa no atual contexto da pandemia de coronavírus, principalmente para as pessoas que integram o grupo de risco, como idosos e pacientes com doenças pré-existentes. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil consideram que não há dúvidas: o Pantanal vive atualmente a sua maior tragédia ambiental das últimas décadas. "Esse cenário de redução de chuvas no primeiro semestre do ano, o menor nível do rio (em período recente) e, principalmente, os incêndios de grandes proporções indicam isso", diz o engenheiro florestal Vinícius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do Instituto Centro de Vida (ICV). "E o receio é que isso seja um 'novo normal', como consequência das mudanças acumuladas causadas pelo homem, que alteram o ciclo de chuvas, seca e das inundações naturais do Pantanal", acrescenta o geógrafo Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, iniciativa que monitora a situação dos biomas brasileiros. Período de seca O nível das águas do rio Paraguai, principal formador do Pantanal, chegou a 2,10 metros em junho, de acordo com a Marinha do Brasil. É o mês que costuma marcar o pico do rio ao longo do ano. Foi a menor marca dos últimos 47 anos, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Vegetação de aldeia é destruída pelo fogo e fumaça atinge cidade em MT Incêndio em estrada para Chapada dos Guimarães (MT) deixa 5 barracões destruídos Há 120 anos, esse dado é medido no trecho do rio Paraguai que passa no município de Ladário (MS). “Em casos raros e excepcionais, essa cheia passou de 6,5 metros”, diz o biólogo Carlos Roberto Padovani, pesquisador da Embrapa. Os pesquisadores consideram que a média da cheia é em torno de 5,6 metros. Com os níveis baixos do rio, a quantidade de água que chega ao Pantanal também reduz e pouco da planície é inundado. Nos próximos dois meses, a situação deve piorar. “Agosto e setembro são os períodos mais secos. As chuvas costumam começar em outubro, mas neste ano pode demorar ainda mais”, afirma Padovani. Dados da Embrapa apontam que o volume de chuvas na Bacia Pantaneira de outubro passado a março de 2020 — considerado período chuvoso — foi 40% menor que a média de anos anteriores. No passado, como nos anos 60, o Pantanal já viveu período de seca intensa. Na década seguinte, o bioma voltou a registrar índices melhores de inundação. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil acreditam que a situação atual também deve melhorar futuramente, porém não descartam que leve alguns anos para que a região volte a alagar como antes. Pesquisadores ainda avaliam as causas da pouca quantidade de chuva no bioma desde o começo de 2020. “Precisaríamos de mais dois ou três anos para dizer se é um período seco ou de mudanças climáticas, que até então estão previstas para 2050 ou 2100. Se analisarmos os últimos 120 anos da região, veremos que esses períodos mais secos ocorrem isoladamente, como pode ser o caso atual”, diz Padovani. “Além disso, a Organização Mundial de Meteorologia divulgou, recentemente, um relatório que prevê chuvas abaixo da média para algumas regiões até 2024. Muitas áreas na América do Sul estão passando por uma estiagem severa”, acrescenta. Um dos fatores associados à falta de chuva no Pantanal e em outros biomas brasileiros é a degradação da Amazônia. "Com a aceleração do desmatamento da Amazônia, ao longo dos anos, o período de chuvas tem encurtado e as secas se tornaram mais severas na região central e sudeste do país", explica Vinícius Silgueiro, do Instituto Centro de Vida. No primeiro semestre de 2020, foram registrados 3.069,57 km² de áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia, maior número no período nos últimos cinco anos. Os dados são do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, do Inpe. Incêndios na Amazônia aumentaram 28% em julho em comparação ao ano passado, mostram dados do Inpe O crescente desmatamento da Amazônia afeta duramente o fenômeno conhecido como "rios voadores", no qual a corrente de umidade que surge na floresta origina uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar a vastas regiões da América do Sul. "A Amazônia dá vida a, praticamente, todos os biomas do continente, incluindo o Pantanal. À medida que a floresta vai diminuindo e perdendo suas funções ecológicas, esse 'serviço ambiental' que ela presta também vai sendo alterado e se perdendo", explica Silgueiro. A atual situação do Pantanal pode piorar ainda mais com o fenômeno climático La Niña, que provoca o resfriamento das temperaturas médias Oceano Pacífico e é responsável por invernos pesados e grandes secas ao redor do mundo. O La Niña, segundo levantamentos meteorológicos, tem mais de 50% de chances de ocorrer, principalmente de setembro deste ano a janeiro de 2021. “Os pesquisadores veem que, caso ocorra, o La Niña terá efeito neutro ou moderado. É um complicador a mais para o Pantanal e pode atrasar ainda mais a chuva, que costuma começar em outubro. Mas não há certeza de que ele irá ocorrer”, declara Padovani. Expansão do desmatamento A realidade da seca no Pantanal se torna ainda mais complicada devido a uma situação recorrente na região: a expansão do desmatamento no bioma e em seu entorno. De acordo com o Inpe, até o ano passado foram desmatados 24.915 km² do Pantanal, correspondente a 16,5% do bioma. O número equivale, por exemplo, a pouco mais de quatro vezes a área de Brasília. Um levantamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontou que cerca de 40% do desmatamento na área do Pantanal do Estado podem ter ocorrido de forma ilegal, pois não foram identificadas autorizações ambientais. “Para as áreas desmatadas e consideradas 'possivelmente ilegais', nas quais não encontramos autorização de desmate, é emitido um relatório e encaminhado para a Polícia Ambiental, para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e para o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Conforme o caso, vão a campo (para apurar)”, explica o promotor de Justiça Luciano Furtado Loubet, diretor do Núcleo Ambiental do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Caso as autoridades constatem que se trata de desmatamento ilegal, os responsáveis pela ação recebem uma multa administrativa, podem ser alvos de investigação policial e podem responder pelo ato na Justiça. De acordo com o MapBiomas — parceria entre universidades, ONGs, institutos de territórios amazônicos e empresas de tecnologia —, os alertas de desmatamento no Pantanal mais que quadruplicaram em um ano. Entre janeiro e maio de 2019, foram 64 alertas validados, que corresponderam ao desmatamento de 2.393 hectares do bioma. Neste ano, no mesmo período, foram 61 alertas, correspondentes a 11 mil hectares desmatados. Segundo o MapBiomas, apenas um alerta em cada ano é ligado a desmatamento que teve permissão do Ibama. O projeto não possui informações sobre quantas dessas ações foram permitidas por autoridades regionais. As autorizações para o “desmatamento legal” são concedidas a propriedades com considerável cobertura vegetal. Além das dificuldades dentro do próprio bioma, o Pantanal também é prejudicado duramente pelo desmatamento no Cerrado, que predomina na Bacia do Paraguai, que envolve todos os afluentes do Rio Paraguai. “Os rios que correm para o Pantanal nascem no Cerrado. Quando desmatam alguma Área de Preservação Ambiental (APP) nessa região, para qualquer plantio, a chuva vai levar o sedimento para dentro do rio, porque não há mais florestas para proteger a borda. E esse sedimento corre para o Pantanal e começa a assorear a região, deixa os rios mais rasos e muda todo o ciclo hídrico da área”, explica o geógrafo Marcos Reis Rosa. Nos últimos anos, Pantanal vem enfrentando dificuldades como a expansão do agronegócio e a redução gradual das inundações do bioma. DIVULGAÇÃO/SOS PANTANAL via BBC O agronegócio A principal causa da expansão do desmatamento no Pantanal, segundo especialistas, é o crescimento do agronegócio na região. Há décadas, o bioma convive com a produção extensiva de gado. Um levantamento do Instituto SOS Pantanal aponta que cerca de 15% da área do Pantanal foi convertida em pastagem. Um monitoramento do MapBiomas revelou que o uso da área do Pantanal como pasto se tornou um grande problema em decorrência de novos métodos usados por produtores locais. “O campo do Pantanal é ‘pastejável’, então há o uso de pastagem como método tradicional. Quando há período de seca, levam bois para pastejar e retiram na época de chuva. O problema é que nos últimos anos, com muitas mudanças no processo de inundação, o pessoal tem aproveitado que as áreas deixam de inundar para plantar pastagens exóticas”, comenta o geógrafo Marcos Rosa. Segundo o especialista, o desmatamento de determinadas áreas do Pantanal para a plantação de capins exóticos — especialmente do gênero braquiária — para a pastagem se tornou comum nos últimos anos, em decorrência da queda gradativa da inundação do bioma. A medida preocupa pesquisadores, pois ameaça a vegetação do Pantanal e prejudica a biodiversidade do bioma. Outra situação que se tornou comum recentemente e tem preocupado especialistas é o aumento das plantações de grãos. “Nos últimos anos, houve mudança na cultura do Pantanal. Muitas terras foram substituídas por áreas de grãos. Há bastante plantação de soja na região. Com isso, temos observado muitas áreas desmatadas”, diz o biólogo André Luiz Siqueira, diretor da ONG ECOA - Ecologia & Ação. “Denunciamos, há muito tempo, que existe uma frente de desmatamento muito grande no Pantanal nos últimos anos. Muitas dessas queimadas estão ligadas à prática agrícola do uso do fogo, que, infelizmente, é cultural em nossa região. É uma situação que tem se expandido, porque o Governo Federal fortalece a sensação de impunidade”, acrescenta Siqueira. Siqueira afirma que falta fiscalização no bioma, que antes era feita pelo Ibama e por iniciativas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “As unidades de conservação nos Estados do Pantanal estão completamente desaparelhadas. Nós, do terceiro setor, estamos tendo que ajudar as brigadas de incêndio, o Prevfogo (serviço de combate às queimadas) e os Bombeiros da região no combate aos incêndios”, comenta o biólogo. Desde o ano passado, o governo Bolsonaro deu início a um desmonte a órgãos de fiscalização ambiental. O fato prejudicou o combate às queimadas em todos os biomas. A reportagem procurou o ICMBio e o Ibama para comentarem sobre a atual situação do Pantanal. No entanto, nenhum dos dois órgãos emitiu respostas sobre o tema. O Ministério do Meio Ambiente também foi questionado sobre a atual situação do bioma, mas não comentou sobre o assunto e limitou-se a informar que o Ministério da Defesa está cuidando dos incêndios na região. Recorde de queimadas De janeiro a julho deste ano, foram registrados 4.218 focos de incêndio em todo o Pantanal. Nos mesmos meses em 2019, foram 1.475 registros. Os dados são do Inpe. Até então, o maior registro no período, desde o início da série histórica do instituto, havia sido em 2009, quando o monitoramento localizou 2.527 focos. Pantanal tem o mês de julho com mais focos de incêndio desde início das medições feitas pelo Inpe Do primeiro dia deste ano até terça-feira (4/08), 1.100.000 hectares do Pantanal foram atingidos pelo fogo na área pertencente a Mato Grosso do Sul — que abriga cerca de 65% do bioma no país. No mesmo período do ano passado, foram 290 mil hectares na mesma região. Os dados são do Prevfogo e, segundo os responsáveis pelo levantamento, podem incluir áreas atingidas mais de uma vez. Na parte de Mato Grosso, que corresponde a cerca de 35% da área brasileira do Pantanal, foram consumidos 120 mil hectares do bioma de janeiro a agosto deste ano, segundo o Corpo de Bombeiros do Estado. A entidade não repassou dados sobre a extensão do fogo no bioma no ano passado durante o mesmo período, porém informou que os registros de focos de calor aumentaram mais de oito vezes em comparação a 2019. Os incêndios também atingem as áreas do Pantanal na Bolívia e no Paraguai. A reportagem, porém, não obteve dados específicos referentes às queimadas nos países vizinhos que também abrigam o bioma. Para especialistas, o ano de 2020 pode se tornar o período com mais registros de fogo no Pantanal desde o início da série histórica do Inpe, em 98. Isso porque os meses de agosto, setembro e outubro têm histórico de aumento de queimadas, por serem os períodos secos. “Já tivemos um primeiro semestre ruim e agora chegamos aos meses mais críticos. Com a baixa umidade do ar, muito calor e poucas chuvas, as expectativas não são nada animadoras. A situação vai piorar ainda mais. É o período mais complicado das últimas décadas”, relata o analista ambiental Alexandre de Matos, que integra o Prevfogo de Mato Grosso do Sul. Há algumas características que prejudicam o combate aos incêndios no Pantanal. Uma delas é a dificuldade de acesso a muitas regiões do bioma. Há locais em que é possível chegar somente por meio de barcos ou helicópteros. “Com o baixo nível do rio Paraguai, fica complicado navegar. Por isso, é importante usar um helicóptero, para deslocar os brigadistas mais rapidamente”, relata Matos. Até o fim de julho, não havia nenhuma aeronave no combate às chamas no Pantanal. Outra característica dos incêndios no Pantanal é que nem todo fogo é perceptível, por conta da vegetação. “Nos períodos de cheia, a biomassa vegetal permanece acumulada ali. Quando há fogo, a chama permeia substratos e queima por muitos dias embaixo da vegetação. Muitas vezes, o fogo é apagado, é feito rescaldo da parte superficial, mas lá embaixo ainda tem muito calor. E um tempo depois, nesse período da seca, o fogo pode reacender. Isso é um agravante em comparação a outros biomas”, detalha o analista ambiental. Fogo causado pelo homem Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a imensa maioria dos incêndios que têm ocorrido no Pantanal — alguns acreditam que a totalidade deles — são causados pelo homem. “Quem põe fogo no Pantanal é o homem. O fogo natural acontece por causa de raios, sempre associado ao período de chuvas. Como não tem chovido, então é claro que o homem é o grande causador disso”, afirma o biólogo André Luiz Siqueira. O diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, Felipe Augusto Dias, avalia que muitos dos incêndios causados no bioma não costumam ser criminosos. “É aquela história, uma pessoa vai pescar, faz uma fogueira, mas não apaga direito. Como estamos num período seco, sem inundação, o fogo pode propagar mais rápido, por uma área maior. Há também o uso cultural do fogo, que muitas pessoas utilizam até para espantar mosquitos. As chamas podem ser controladas superficialmente, mas podem correr embaixo e, depois, surgem longe daquele local. São vários fatores que, somados, levam à atual situação de queimadas”, afirma Dias. O uso do fogo para a renovação de pasto também é citado pelos especialistas entre as motivações para os incêndios no Pantanal. Uma das dificuldades para punir os responsáveis pelo início do fogo, segundo as autoridades, é descobrir a origem das chamas. “O principal problema para localizar quem, de fato, põe fogo é a dimensão da área do Pantanal. Aliado a isso, há a falta de estrutura dos órgãos ambientais fiscalizadores, dos quais o Ministério Público depende para eventual responsabilização civil ou criminal”, diz a promotora Ana Rachel Borges de Figueiredo Nina, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O combate aos incêndios Em meio à temporada histórica de queimadas no Pantanal, os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul criaram comitês com especialistas para atuar no combate ao fogo no bioma. Em julho, brigadistas do Prevfogo, vinculado ao Ibama, começaram a atuar no combate ao incêndio no Pantanal. Especialistas consideram que a iniciativa começou atrasada e deveria ter sido iniciada anteriormente, diante do cenário de queimadas que havia acentuado desde o início do ano. Em virtude da pandemia do novo coronavírus, indígenas, que tradicionalmente auxiliam no combate ao fogo, não estão participando das operações para evitar situações de risco nas quais podem contrair a covid-19 e levar para suas aldeias. Em 25 de julho, o Ministério da Defesa deu início à Operação Pantanal. A pasta enviou militares e as primeiras aeronaves para combater os incêndios no bioma: quatro helicópteros e um avião cargueiro, com capacidade para despejar até 12 mil litros de água em cada sobrevoo. Os veículos são usados para identificar incêndios e combater o fogo. O secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, considera que o apoio do governo federal é importante para poder controlar os incêndios, por envolver diversas áreas remotas. “Se não tivéssemos apoio da Marinha e do Ministério da Defesa para levar uma tropa, não conseguiríamos combater o fogo”, afirma à BBC News Brasil. “Cada um dos órgãos assume os seus custos”, diz Verruk. Segundo o secretário, o Governo Federal arca com as ações do Ministério da Defesa, enquanto o Estado auxilia com equipes do Corpo de Bombeiros. No fim de julho, o governo de Mato Grosso do Sul suspendeu por 180 dias as autorizações de queimadas controladas no Pantanal. Em meados do mês passado, o governo federal havia publicado um decreto também para proibir queimadas em todo o território nacional por 120 dias. Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que os decretos estadual e federal podem não reduzir a quantidade de incêndios, caso não haja fiscalização. “São decretos necessários, mas é difícil prever se serão suficientes. É preciso que estejam acompanhados de outras ações, como o aumento da fiscalização, melhoria da estrutura de combate aos incêndios e uma mensagem clara e inequívoca do governo de combate às ações ilegais”, pontua o geógrafo Marcos Rosa. O secretário Verruk afirma que a fiscalização no Pantanal foi intensificada nas últimas semanas, para evitar novos focos de queimadas. “Mas fazer isso à distância é difícil. O importante é conseguir conscientizar a população, principalmente os ribeirinhos”, diz. Ambientalistas ressaltam que é importante que as autoridades estejam atentas ao Pantanal de modo permanente. Eles ressaltam que a incerteza sobre o futuro do bioma, que pode continuar sofrendo com seca e queimadas intensas nos próximos anos, é preocupante. “Daqui a 10 ou 15 dias, a região pode ficar verde de novo. O tronco da árvore pode ser queimado, mas logo as folhas voltam a brotar. O processo de regeneração da vegetação é relativamente rápido. O que se perde mesmo, nessa situação, é a fauna. Animais menos velozes, como tatus e cobras, acabam sendo queimados”, diz Felipe Dias, do Instituto SOS Pantanal. “Se essa tendência de queda da inundação permanecer, pode levar até à falta de água na região. O Pantanal pode deixar de ser o que é hoje. Ele pode se tornar um outro cenário, que não sabemos qual pode ser. Mas, com certeza, a continuidade dessa situação complicada será um indicativo de grandes perdas econômicas e ambientais para todo o mundo”, acrescenta Dias. Queimadas no Pantanal seguem avançando e também ameaçam a vida animal
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05/08 - Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia
Em entrevista à GloboNews, o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa Gonçalo Vecina alertou para o desmatamento na floresta, onde a quantidade de vírus existentes pode levar a outras epidemias. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia O médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa Gonçalo Vecina afirmou, em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (5), que o desmatamento na Amazônia pode levar a outras epidemias, como a da Covid-19, pelo fato de a floresta abrigar muitos outros vírus. "Nós estamos agredindo a Amazônia. Na Amazônia, tem uma quantidade de vírus imensa. A próxima epidemia, com o nível de agressão que nós estamos fazendo ao meio ambiente, já está a caminho", afirmou Vecina. "Nós temos que estar cuidando disso desde agora. E cuidar disso significa identificar esses agentes o mais cedo possível e desenvolver remédios e vacinas o mais cedo possível", acrescentou o médico. "Portanto, investimento em ciência continuamente – ciência básica e ciência aplicada – será fundamental. Espero que os nossos próximos governantes – porque desse já não falo mais – tenham essa consciência e façam esse investimento, para que nós estejamos preparados para a próxima crise, que virá", completou Vecina. As declarações do médico foram feitas depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recuou da proposta de diminuir a meta de preservação da Amazônia. Em maio, o ministro defendeu "passar a boiada" e "aproveitar o momento" em que o foco da sociedade e da mídia está voltado para o coronavírus para mudar regras de proteção ambiental. Febre hemorrágica brasileira Febre hemorrágica reaparece no Brasil após 20 anos "Alguns [vírus] nós já conhecemos", lembrou Vecina. "Tem um vírus lá [na Amazônia], chamado sabiá, que é um vírus mortal terrível", lembrou Vecina. O vírus sabiá é o causador da febre hemorrágica brasileira, uma doença rara e de alta letalidade. Ele reapareceu no Brasil em janeiro deste ano, em São Paulo, o primeiro caso depois de 20 anos. (Veja vídeo acima). O sabiá pertence à mesma família do vírus causador da febre de Lassa, que é endêmica em alguns países do oeste africano, como Benin, Gana, Guiné, Libéria, Mali, Serra Leoa, Togo e Nigéria.
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05/08 - Salles recua de proposta para reduzir meta oficial de preservação da Amazônia
Desistência se deu a pedido de área técnica do Ministério da Economia. Especialistas explicam que a proposta da pasta não significa diminuir a meta de reduzir em 90% o desmatamento e queimadas, mas sim o de abandoná-la e substituí-la por outra meta. Ricardo Salles recua e mantém meta de reduzir em 90% o desmatamento O ministro Ricardo Salles recuou da proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal em 90% até 2023 pela meta de proteger uma área de 390 mil hectares de floresta amazônica. O recuo do Ministério do Meio Ambiente foi motivado pela área técnica do Ministério da Economia. A informação é do jornal "O Globo". Preocupação Ambientalistas e entidades haviam demonstrado preocupação após o Ministério do Meio Ambiente encaminhar um ofício com proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal. Segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, a proposta, na verdade, é uma tentativa do Ministério do Meio Ambiente de abandonar a meta de preservação. Ministério do Meio Ambiente quer reduzir meta oficial de preservação da Amazônia "O objetivo de proteger áreas, seja ele qual e como for - coisa que o ministro [Ricardo Salles] não explica no ofício como será feito - não é equivalente e não pode substituir o objetivo de diminuir desmatamento e queimada ilegal. São coisas diferentes. O que o ministro fez foi tentar abandonar a meta de redução de 90% do desmatamento", explica o secretário-executivo do Observatório do Clima. Quanto ao tamanho da área proposta a ser protegida no ofício, de 390 mil hectares, ou 3,9 mil km², Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas, comenta que a extensão é insuficiente diante do tamanho de áreas que necessitam de proteção. "390 mil hectares de área protegida não é nada, é uma fraçãozinha muito pequena. A Amazônia tem mil vezes essa área, isso é 0,1% da floresta", comenta o ambientalista Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas. Além de ser uma parcela minúscula da Amazônia, a área de proteção sugerida representa apenas cerca de um terço da área que foi desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019, quando o desmatamento na Amazônia foi de 10,1 mil km². Pantanal registra maior incêndio em 14 anos Em termos comparativos, a sugestão da pasta significa que, enquanto um território mais de seis vezes maior que a cidade de São Paulo foi devastado na Amazônia em apenas um ano, o governo quer se comprometer a proteger somente uma área 2,5 vezes maior que a capital paulista nos próximos três anos. Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, diz Inpe A pedido do G1, ainda em termos de comparação de territórios, Astrini fez uma projeção da área que poderá ser protegida em termos de desmatamento até 2023 se for mantida a meta atual. "Se considerarmos o número do último desmatamento, que foi 10 mil km², e projetá-lo para quatro anos, teremos 40 mil km² (de desmatamento). Portanto, a gente teria cerca de 36 mil km² de área preservada segundo a metal em vigor (de reduzir o desmatamento em 90%)", calcula Astrini. Desmatamento na Amazônia bateu novo recorde nos alertas de desmatamento em junho de 2020 Reuters Proteger x reduzir Astrini ressalta, contudo, que o cálculo não corresponde à realidade proposta pelo ministério, reforçando que proteger áreas não é o mesmo que reduzir desmatamento e queimadas. "Uma coisa é você diminuir o desmatamento que aconteceria nessas áreas, outra coisa é proteger essas áreas. Aliás, grande parte de áreas protegidas que já temos há décadas na Amazônia também são desmatadas", diz o secretário-executivo. Mais que uma substituição de metas, Azevedo afirma que a proposta da nova meta é um "desvio de atenção do governo", uma estratégia para acabar com a meta de redução do desmatamento e queimadas. "É só um desvio de atenção: querem eliminar uma meta e criar outra que não tem nada a ver com a anterior", diz Azevedo. "A meta de evitar o desmatamento é independente do que você conserva. A meta de evitar o desmatamento é: deixar de perder cobertura vegetal. Governo simplesmente está abandonando essa meta", completa o ambientalista. A informação de que o Ministério do Meio Ambiente propôs, em ofício enviado para o Ministério da Economia em julho, a redução da meta oficial de preservação da Amazônia foi publicada nesta terça-feira (4) pelo jornal "O Estado de S. Paulo" . O G1 teve acesso ao ofício em questão. O G1 pediu que o Ministério do Meio Ambiente explicasse os indicadores considerados para calcular a área proposta específica de 390 mil hectares, mas não obteve retorno da pasta. Ricardo Salles: objetivo final é acabar com desmatamento até 2030 'Nivelar por baixo' A meta atual de preservação dos biomas e redução de 90% do desmatamento ilegal até 2023 faz parte do Plano Plurianual (PPA) aprovado pelo Congresso em 2019. Em nota divulgada à imprensa, o Ministério do Meio Ambiente disse que a alteração do PPA é um ajuste para o período, mas não muda o objetivo final da meta, que é de o Brasil acabar 100% com o desmatamento ilegal até 2030. “O Brasil já tem meta de redução de 100% do desmatamento ilegal até 2030, a qual está mantida. As metas intermediárias devem indicar os programas que serão utilizados ao longo dos próximos 10 anos para alcançar a meta total e é isso que está sendo ajustado no PPA”, afirmou o ministério na nota. Apesar da meta ter até 2030 para ser concluída, Azevedo lembra que a ela está vigente já há dez anos, e este ano sofrerá um retrocesso. “Reduzir o desmatamento é uma meta que o Brasil tem já há 10 anos e que tinha que cair em 80% este ano, ou seja, um desmatamento menor que 3.900 km², mas que vai ser o triplo disso em 2020”, diz o ambientalista. Amazônia bate novo recorde nos alertas de desmatamento em junho; sinais de devastação atingem mais de 3 mil km² no semestre, aumento de 25% Em nota, o Greenpeace avaliou que a proposta de reduzir a meta de combate ao desmatamento ilegal é 'nivelar por baixo' a questão ambiental no Brasil. "Nivelar por baixo a meta de redução de desmatamento prejudica as florestas e o clima global e, fatalmente, gera ainda mais constrangimentos internacionais num momento que investidores, empresas e outros países querem manter distância do Brasil, o que traz mais prejuízos para a população e a economia brasileira", afirmou o Greenpeace. Ministro do Meio Ambiente quer mudar meta de redução de desmatamento na Amazônia Justificativas Antes do recuo, o ofício do Meio Ambiente foi assinado pelo secretário-executivo da pasta, Luís Biagioni, abaixo só do ministro Ricardo Salles na hierarquia do ministério. Uma nota técnica anexada ao documento justificou que o ministério não conseguiria atingir a meta do PPA, porque ainda é preciso implantar ações em parceria com órgão de governos estaduais e do governo federal. "Considerando todo o contexto que abarcou também a elaboração do Planejamento Estratégico do MMA verificou-se que a meta disposta no PPA 2020/2023 não poderia ser alcançada, no período proposto, dada a necessidade de implementação de todos os eixos do novo Plano, em especial, em razão da demanda da participação de tantos outros envolvidos no âmbito federal e estadual", alegou o ministério na nota. Sobre o fato de excluir os outros biomas da nova meta proposta, a pasta afirmou que não há dados suficientes para monitorar o desmatamento nessas áreas. "Cabe ressaltar que até o presente momento não existem indicadores disponíveis para mensurar o atingimento da meta mencionada acima, isto é, os dados anuais e oficiais de monitoramento do desmatamento existem somente para os biomas Amazônia e Cerrado. Não obstante, a qualificação do desmatamento entre ilegal e legal, todavia não encontra-se disponível", completou o ministério. Quanto à qualificação de ilegal ou legal, Astrini explica que o dado tem pouca relevância para a questão, já que "a grande maioria do desmatamento na Amazônia é ilegal", diz. De acordo com a reportagem do "Estado de S. Paulo", o Ministério da Economia rejeitou a proposta do Meio Ambiente de redução da meta prevista no PPA. Retirada de comissão Na segunda-feira, o Ministério do Meio Ambiente oficializou a retirada de representante da sociedade civil da Comissão Executiva para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg). A medida foi publicada no "Diário Oficial da União". O jornal "Folha de S.Paulo" noticiou a portaria, assinada por Salles, na segunda-feira (3). O ministro estabeleceu que os membros da comissão serão apenas representantes do governo que, de acordo com o texto, poderão convidar a sociedade civil para reuniões específicas. Integrantes de fora do grupo não terão direito a voto. "Poderão convidar, para reuniões específicas e sem direito a voto, especialistas, representantes de órgãos e entidades públicas, do setor privado e da sociedade civil", diz o texto da portaria.
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05/08 - Proposta de Salles é 'desvio de atenção' para acabar com meta de redução de desmatamento, dizem especialistas
Especialistas explicam que a proposta da pasta não significa diminuir a meta de reduzir em 90% o desmatamento e queimadas, mas sim o de abandoná-la e substituí-la por outra meta. Ambientalistas e entidades demonstraram preocupação após o Ministério do Meio Ambiente encaminhar um ofício com proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal em 90% até 2023 pela meta de proteger uma área de 390 mil hectares de floresta amazônica. Segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, a proposta, na verdade, é uma tentativa do Ministério do Meio Ambiente de abandonar a meta de preservação. Ministério do Meio Ambiente quer reduzir meta oficial de preservação da Amazônia "O objetivo de proteger áreas, seja ele qual e como for - coisa que o ministro [Ricardo Salles] não explica no ofício como será feito - não é equivalente e não pode substituir o objetivo de diminuir desmatamento e queimada ilegal. São coisas diferentes. O que o ministro fez foi tentar abandonar a meta de redução de 90% do desmatamento", explica o secretário-executivo do Observatório do Clima. Quanto ao tamanho da área proposta a ser protegida no ofício, de 390 mil hectares, ou 3,9 mil km², Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas, comenta que a extensão é insuficiente diante do tamanho de áreas que necessitam de proteção. "390 mil hectares de área protegida não é nada, é uma fraçãozinha muito pequena. A Amazônia tem mil vezes essa área, isso é 0,1% da floresta", comenta o ambientalista Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas. Além de ser uma parcela minúscula da Amazônia, a área de proteção sugerida representa apenas cerca de um terço da área que foi desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019, quando o desmatamento na Amazônia foi de 10,1 mil km². Em termos comparativos, a sugestão da pasta significa que, enquanto um território mais de seis vezes maior que a cidade de São Paulo foi devastado na Amazônia em apenas um ano, o governo quer se comprometer a proteger somente uma área 2,5 vezes maior que a capital paulista nos próximos três anos. Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, diz Inpe A pedido do G1, ainda em termos de comparação de territórios, Astrini fez uma projeção da área que poderá ser protegida em termos de desmatamento até 2023 se for mantida a meta atual. "Se considerarmos o número do último desmatamento, que foi 10 mil km², e projetá-lo para quatro anos, teremos 40 mil km² (de desmatamento). Portanto, a gente teria cerca de 36 mil km² de área preservada segundo a metal em vigor (de reduzir o desmatamento em 90%)", calcula Astrini. Desmatamento na Amazônia bateu novo recorde nos alertas de desmatamento em junho de 2020 Reuters Proteger x reduzir Astrini ressalta, contudo, que o cálculo não corresponde à realidade proposta pelo ministério, reforçando que proteger áreas não é o mesmo que reduzir desmatamento e queimadas. "Uma coisa é você diminuir o desmatamento que aconteceria nessas áreas, outra coisa é proteger essas áreas. Aliás, grande parte de áreas protegidas que já temos há décadas na Amazônia também são desmatadas", diz o secretário-executivo. Mais que uma substituição de metas, Azevedo afirma que a proposta da nova meta é um "desvio de atenção do governo", uma estratégia para acabar com a meta de redução do desmatamento e queimadas. "É só um desvio de atenção: querem eliminar uma meta e criar outra que não tem nada a ver com a anterior", diz Azevedo. "A meta de evitar o desmatamento é independente do que você conserva. A meta de evitar o desmatamento é: deixar de perder cobertura vegetal. Governo simplesmente está abandonando essa meta", completa o ambientalista. A informação de que o Ministério do Meio Ambiente propôs, em ofício enviado para o Ministério da Economia em julho, a redução da meta oficial de preservação da Amazônia foi publicada nesta terça-feira (4) pelo jornal "O Estado de S. Paulo" . O G1 teve acesso ao ofício em questão. O G1 pediu que o Ministério do Meio Ambiente explicasse os indicadores considerados para calcular a área proposta específica de 390 mil hectares, mas não obteve retorno da pasta. Ricardo Salles: objetivo final é acabar com desmatamento até 2030 'Nivelar por baixo' A meta atual de preservação dos biomas e redução de 90% do desmatamento ilegal até 2023 faz parte do Plano Plurianual (PPA) aprovado pelo Congresso em 2019. Em nota divulgada à imprensa, o Ministério do Meio Ambiente disse que a alteração do PPA é um ajuste para o período, mas não muda o objetivo final da meta, que é de o Brasil acabar 100% com o desmatamento ilegal até 2030. “O Brasil já tem meta de redução de 100% do desmatamento ilegal até 2030, a qual está mantida. As metas intermediárias devem indicar os programas que serão utilizados ao longo dos próximos 10 anos para alcançar a meta total e é isso que está sendo ajustado no PPA”, afirmou o ministério na nota. Apesar da meta ter até 2030 para ser concluída, Azevedo lembra que a ela está vigente já há dez anos, e este ano sofrerá um retrocesso. “Reduzir o desmatamento é uma meta que o Brasil tem já há 10 anos e que tinha que cair em 80% este ano, ou seja, um desmatamento menor que 3.900 km², mas que vai ser o triplo disso em 2020”, diz o ambientalista. Amazônia bate novo recorde nos alertas de desmatamento em junho; sinais de devastação atingem mais de 3 mil km² no semestre, aumento de 25% Em nota, o Greenpeace avaliou que a proposta de reduzir a meta de combate ao desmatamento ilegal é 'nivelar por baixo' a questão ambiental no Brasil. "Nivelar por baixo a meta de redução de desmatamento prejudica as florestas e o clima global e, fatalmente, gera ainda mais constrangimentos internacionais num momento que investidores, empresas e outros países querem manter distância do Brasil, o que traz mais prejuízos para a população e a economia brasileira", afirmou o Greenpeace. Ministro do Meio Ambiente quer mudar meta de redução de desmatamento na Amazônia Justificativas O ofício do Meio Ambiente foi assinado pelo secretário-executivo da pasta, Luís Biagioni, abaixo só do ministro Ricardo Salles na hierarquia do ministério. Uma nota técnica anexada ao documento justificou que o ministério não conseguiria atingir a meta do PPA, porque ainda é preciso implantar ações em parceria com órgão de governos estaduais e do governo federal. "Considerando todo o contexto que abarcou também a elaboração do Planejamento Estratégico do MMA verificou-se que a meta disposta no PPA 2020/2023 não poderia ser alcançada, no período proposto, dada a necessidade de implementação de todos os eixos do novo Plano, em especial, em razão da demanda da participação de tantos outros envolvidos no âmbito federal e estadual", alegou o ministério na nota. Sobre o fato de excluir os outros biomas da nova meta proposta, a pasta afirmou que não há dados suficientes para monitorar o desmatamento nessas áreas. "Cabe ressaltar que até o presente momento não existem indicadores disponíveis para mensurar o atingimento da meta mencionada acima, isto é, os dados anuais e oficiais de monitoramento do desmatamento existem somente para os biomas Amazônia e Cerrado. Não obstante, a qualificação do desmatamento entre ilegal e legal, todavia não encontra-se disponível", completou o ministério. Quanto à qualificação de ilegal ou legal, Astrini explica que o dado tem pouca relevância para a questão, já que "a grande maioria do desmatamento na Amazônia é ilegal", diz. De acordo com a reportagem do "Estado de S. Paulo", o Ministério da Economia rejeitou a proposta do Meio Ambiente de redução da meta prevista no PPA. Retirada de comissão Na segunda-feira, o Ministério do Meio Ambiente oficializou a retirada de representante da sociedade civil da Comissão Executiva para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg). A medida foi publicada no "Diário Oficial da União". O jornal "Folha de S.Paulo" noticiou a portaria, assinada por Salles, na segunda-feira (3). O ministro estabeleceu que os membros da comissão serão apenas representantes do governo que, de acordo com o texto, poderão convidar a sociedade civil para reuniões específicas. Integrantes de fora do grupo não terão direito a voto. "Poderão convidar, para reuniões específicas e sem direito a voto, especialistas, representantes de órgãos e entidades públicas, do setor privado e da sociedade civil", diz o texto da portaria.
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