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25/05 - Governo estuda usar Fundo Amazônia para indenizar desapropriações de terra
Fundo tem cerca de R$ 3,4 bilhões e foi criado em 2008 para receber doações destinadas a medidas de conservação. Para entidade, ação pode aumentar desmatamento. Governo quer usar fundo da Amazônia para indenizar desapropriações O governo federal quer usar o Fundo Amazônia, criado com doações da Noruega e da Alemanha, para pagar indenizações por desapropriações de terra em áreas protegidas. O Fundo Amazônia foi criado em 2008 para receber doações destinadas a ações de conservação e combate ao desmatamento na floresta. É formado por dinheiro doado pela Noruega, principal financiador, e pela Alemanha. O fundo tem R$ 3,4 bilhões e é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", o governo quer usar o dinheiro do Fundo Amazônia para indenizar desapropriações. Segundo a reportagem, o governo trabalha na edição de um novo decreto para alterar as normas do fundo e permitir que os recursos possam ser usados, por exemplo, para pagar indenizações a donos de propriedades privadas que viviam em áreas de unidades de conservação. Desmatamento em áreas protegidas da Amazônia aumenta em maio Em entrevista à TV Globo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou essa intenção. Ele disse que quer escolher algumas regiões onde o índice de desmatamento é alto, como o sul do Pará, e fazer projetos-piloto com uma série de ações de monitoramento e fiscalização. Nesses casos, segundo o ministro, o dinheiro do fundo seria usado para regularizar a posse da terra. "Nos casos onde houver necessidade de regularização fundiária pra diminuir o conflito entre a unidade de conservação e aqueles que estão lá dentro, nós vamos desenvolver, então, os mecanismos pra resolver esse problema de regularização fundiária. Então, não é pra usar todo o recurso do Fundo Amazônia pra isso, mas apenas dar suporte a essas áreas de projeto-piloto que nós queremos fazer", declarou Salles. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Marcelo Camargo/Agência Brasil As regras do fundo, no entanto, não permitem o uso do dinheiro para o "pagamento de indenização por desapropriação". As decisões são monitoradas pelos doadores, que exigem compromissos, como a redução do desmatamento. Organizações ligadas à conservação da natureza demonstraram preocupação com a proposta do ministro do Meio Ambiente. O diretor de políticas públicas do WWF, Raul Valle, diz que já existe um fundo de compensação por obras públicas, com R$ 1 bilhão, para ser usado prioritariamente em regularização fundiária. E que a mudança proposta pelo ministro pode levar a um aumento do desmatamento. "Não tem uma estratégia de combate ao desmatamento publicada por esse governo. Então, a gente não sabe como vai ser eficaz essa proposta e tem que ser muito bem feito isso porque existe muita invasão de terra pública em unidade de conservação na Amazônia e, se mal usado esse recurso, pode justamente beneficiar quem tá invadindo terra pública; e gerar uma corrida ao desmatamento", disse Raul Valle. O ministro também quer aumentar o número de representantes do governo no fundo, com o argumento de que isso levaria a uma gestão mais eficiente, o que também é alvo de críticas das organizações que participam do conselho. BNDES afasta chefe do departamento responsável por gerir recursos do Fundo Amazônia O ministro do Meio Ambiente vai apresentar essas sugestões na próxima segunda-feira (27) ao presidente do BNDES e aos embaixadores da Noruega e da Alemanha. Esta semana, depois que o ministro criticou a gestão do fundo, que é administrado pelo BNDES, e a gestora Daniela Baccas foi afastada, a Embaixada da Alemanha informou que está disposta a ouvir as propostas do governo brasileiro, mas afirmou que ainda não concorda com mudanças no Fundo Amazônia. Em nota, a Embaixada da Noruega declarou estar "satisfeita com a robusta estrutura" de governança do Fundo Amazônia e com os resultados obtidos nos últimos 10 anos. E que não recebeu nenhuma proposta das autoridades brasileiras para mudar a estrutura e os critérios de aplicação de recursos do fundo. Neste sábado (26), a TV Globo procurou mais uma vez as embaixadas da Noruega e da Alemanha, mas não conseguiu contato. Vista aérea da Floresta Amazônica AFP
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25/05 - Como nosso cérebro atrapalha o combate às mudanças climáticas
O que garantiu a sobrevivência de nossa espécie agora dificulta a solução de desafios de longo prazo que ameaçam nossa existência. Mas isso também pode nos ajudar. Garota segura cartaz que diz "vamos parar as mudanças climáticas" em um protesto pelo clima nesta sexta-feira (24) em Bogotá, Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters Sabemos que o aquecimento global está acontecendo. É consenso também que as mudanças climáticas são resultado do aumento das emissões de carbono pelas atividades humanas, como a degradação da terra e a queima de combustíveis fósseis. Por fim, sabemos que precisamos de uma solução urgente. Um recente relatório internacional de especialistas em clima alerta que a Terra deve registrar um aquecimento médio de 1,5°C nos próximos 11 anos. Quando isso finalmente ocorrer, podemos esperar um "aumento dos riscos para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água, segurança humana e crescimento econômico". Os mesmos especialistas também descobriram que o aumento da temperatura já alterou os sistemas humanos e naturais de maneira profunda, resultando em condições meteorológicas mais extremas, o derretimento de calotas polares, a elevação do nível do mar, secas, enchentes e a perda crescente de biodiversidade. Apesar de sabermos disso tudo, não mudamos até agora nossos comportamentos em uma escala grande o suficiente para impedir as mudanças climáticas. Por quê? A resposta pode estar em nossa própria evolução. Os mesmos comportamentos que nos ajudaram a sobreviver estão hoje atuando contra nós. Mas é importante lembrar-se de uma coisa. De fato, nenhuma outra espécie evoluiu de modo a criar um problema tão grande - mas nenhuma outra espécie evoluiu com uma capacidade tão extraordinária de resolvê-lo. Vieses cerebrais A dificuldade de trabalharmos em conjunto para pôr fim ao aquecimento global se deve à forma como nossos cérebros evoluíram nos últimos 2 milhões de anos. Pixabay A dificuldade de trabalharmos em conjunto para pôr fim ao aquecimento global se deve à forma como nossos cérebros evoluíram nos últimos 2 milhões de anos. "Os seres humanos são muito ruins em entender as tendências estatísticas e as mudanças de longo prazo", diz o psicólogo político Conor Seyle, diretor de pesquisa da One Earth Future Foundation, uma incubadora de programas que foca na promoção da paz a longo prazo sediada no Colorado, nos Estados Unidos. "Evoluímos para prestar atenção às ameaças imediatas. Superestimamos ameaças que são menos prováveis, mas mais fáceis de lembrar, como o terrorismo. Por outro lado, subestimamos ameaças mais complexas, como as mudanças climáticas", explica. Nas fases iniciais da existência humana, enfrentamos uma série de desafios diários à nossa sobrevivência e à nossa capacidade de reprodução - de predadores a desastres naturais. Muita informação pode confundir nossos cérebros, levando-nos à inação ou a escolhas erradas que podem nos colocar em perigo. Como resultado, nossos cérebros evoluíram para filtrar informações rapidamente e se concentrar no que é imediatamente essencial para nossa sobrevivência e reprodução. Também evoluímos para lembrar tanto das ameaças, para que fossem evitadas no futuro, quanto das oportunidades, para que pudéssemos lembrar encontrar fontes de alimento e abrigo. Greve pelo Clima em Portugal: garota segura cartaz em manifestação contra as mudanças climáticas em Lisboa nesta sexta (24). Armando Franca/AP Essas evoluções biológicas garantiram nossa capacidade de nos reproduzir e sobreviver ao fazer com que nossos cérebros economizassem tempo e energia para lidar com grandes quantidades de informações. No entanto, essas mesmas funções são menos úteis em nossa realidade moderna e provocam erros quando temos que tomar decisões racionais. São os chamados vieses cognitivos. "Vieses cognitivos que garantiram nossa sobrevivência inicial dificultam o enfrentamento de desafios complexos e de longo prazo que agora ameaçam nossa existência, como as mudanças climáticas", diz Seyle. Os psicólogos identificaram mais de 150 vieses cognitivos que todos compartilhamos. Desses, alguns são especialmente importantes para explicar nossa inação sobre as mudanças climáticas. Entenda alguns deles. Desconto hiperbólico: Damos mais valor ao presente do que ao futuro. Durante a maior parte de nossa evolução, foi mais vantajoso nos concentrarmos no que pode nos matar ou nos devorar agora, não mais tarde. Esse viés agora impede nossa capacidade de agir para enfrentar desafios mais distantes, lentos e complexos. Nossa falta de preocupação com as futuras gerações: A teoria evolucionista sugere que nos preocupamos mais com apenas algumas gerações de nossas famílias. Em outras palavras: dos nossos bisavós aos nossos bisnetos. Sendo assim, apesar de sabermos o que precisa ser feito para lidar com as mudanças climáticas, temos dificuldade em observar por que devemos nos sacrificar para as gerações futuras. A teoria evolucionista sugere que nos preocupamos mais com apenas algumas gerações de nossas famílias. Unsplash O efeito espectador: Tendemos a acreditar que sempre haverá alguém que vai lidar com uma crise por nós. Desenvolvemos essa característica ao longo de nossa evolução. Se um animal selvagem ameaçador está pronto para atacar nosso grupo, seria um desperdício de esforço se cada membro entrasse em ação - sem mencionar que isso colocaria desnecessariamente mais pessoas em perigo. Em grupos menores, era claro quem agiria contra essas ameaças, então, essa tática funcionava. Mas, hoje em dia, esse pensamento nos leva a supor (muitas vezes erroneamente) que nossos líderes devem estar fazendo algo sobre o aquecimento global. E, quanto maior o grupo, mais forte esse viés se torna. A ativista pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos, fala durante a Marcha do Clima neste sábado (25) em Copenhague, na Dinamarca. Ritzau Scanpix/Claus Bech via Reuters A falácia do custo irrecuperável: Somos inclinados a manter o mesmo curso mesmo diante de resultados negativos. Quanto mais tempo, energia ou recursos investimos nesse curso, maior a probabilidade de continuarmos com ele - mesmo que não seja o mais ideal. Isso ajuda a explicar, por exemplo, nossa dependência contínua de combustíveis fósseis como fonte primária de energia apesar de décadas de evidência de que podemos - e devemos - fazer a transição para energia limpa e um futuro sem carbono. Esses vieses cognitivos evoluíram por um bom motivo. Mas agora estão prejudicando nossa capacidade de responder ao que poderia ser a maior crise que a humanidade já criou ou teve que enfrentar. Ascendente Evolutivo A boa notícia é que nossa evolução biológica não nos impediu de enfrentar o desafio do aquecimento global. Unsplash A boa notícia é que nossa evolução biológica não nos impediu de enfrentar o desafio do aquecimento global. Também nos deu as ferramentas para solucioná-lo. Leve em consideração nossa capacidade de "viajar no tempo" mentalmente. Em comparação com outros animais, somos os únicos capazes de recordar eventos passados e antecipar cenários futuros. Podemos imaginar e prever resultados múltiplos e complexos, além de identificar ações necessárias no presente para alcançar os resultados desejados no futuro. E, individualmente, muitas vezes nos provamos capazes de agir de acordo com esses planos. Guardamos dinheiro para nossas aposentadorias e compramos seguros, por exemplo, como formas de compensar nossos interesses de curto prazo no longo prazo. Infelizmente, essa capacidade de planejamento para assegurar um resultado futuro diminui quando é necessária uma ação coletiva em larga escala - como é o caso das mudanças climáticas. Como indivíduos, sabemos o que podemos fazer em relação ao aquecimento global. Mas abordar a questão também requer ação coletiva em uma escala que excede nossas capacidades evolutivas. Quanto maior o grupo, mais desafiador fica. Você se lembra do efeito espectador? Mas, em pequenos grupos, a história é diferente. Limites para relações estáveis Experiências antropológicas nos mostram que, em média, um indivíduo pode manter relações estáveis com outras 150 pessoas. Unsplash Como primatas, evoluímos de forma a cooperar para defender o território e colher alimentos e recursos de forma sustentável para o grupo, garantindo diversidade genética suficiente para procriar. Experiências antropológicas nos mostram que, em média, um indivíduo pode manter relações estáveis com outras 150 pessoas - um fenômeno conhecido como "número de Dunbar". Mais do que isso, as relações sociais começam a desmoronar, minando a capacidade do indivíduo de confiar e depender das ações dos outros para alcançar objetivos coletivos de longo prazo. Reconhecendo o poder de pequenos grupos, a Exposure Labs, empresa cinematográfica por trás dos premiados documentários Chasing Ice e Chasing Coral, vem usando seus filmes para incentivar comunidades a tomar ações locais sobre o aquecimento global. Jovens seguram cartazes em ato sobre mudanças climáticas na Cidade do México nesta sexta-feira (24). Edgard Garrido/Reuters Por exemplo, na Carolina do Sul, um Estado americano repleto de líderes que negam as mudanças climáticas, a Exposure Labs exibe um filme para iniciar um debate, convidando pessoas de vários grupos de interesse - como os setores agrícola, pesqueiro e turístico - para falar sobre como as mudanças climáticas os afeta pessoalmente. Eles então trabalham com esses pequenos grupos para identificar ações práticas que podem ser tomadas imediatamente a nível local de forma a causar um impacto - algo que ajuda a gerar a pressão política necessária para obrigar os parlamentares a aprovar legislações locais ou estaduais relevantes. Quando as comunidades locais moldam a narrativa em torno dos interesses individuais, as pessoas são menos propensas a sucumbir ao efeito de espectador e mais propensas a se engajarem. Jovens seguram faixa que diz "declarem a emergência do clima" durante ato em Mumbai, na Índia, nesta sexta-feira (24). Francis Mascarenhas/Reuters Essas abordagens também usam algumas outras estratégias psicológicas. Primeiro, quando pequenos grupos estão envolvidos em propor soluções, eles experimentam o efeito de doação: quando possuímos algo (até mesmo uma ideia), tendemos a valorizá-lo mais. Em segundo lugar, comparação social: costumamos nos avaliar observando os outros. Se estamos cercados por outras pessoas em um grupo que estão agindo contra as mudanças climáticas, é mais provável que façamos o mesmo. Essa é também a mesma essência por trás de programas como a comparação do consumo de energia de uma família com outra em um bairro. Pesquisas mostram que quando as pessoas comparam seu uso de energia com os de seus vizinhos por meio de informes em suas contas de energia, é mais provável que elas acabem reduzindo seu consumo. De todos os nossos vieses cognitivos, no entanto, o efeito de enquadramento é um dos que mais afetam nossos processos de tomada de decisão. Os seres humanos são mais propensos a mudar o comportamento quando os desafios são enquadrados de forma positiva, em vez de negativamente. Em outras palavras, como nos comunicamos sobre as mudanças climáticas influencia a forma como reagimos. As pessoas são mais propensas a agir em relação a um quadro positivo ("um futuro de energia limpa salvará X número de vidas") versus uma declaração negativa ("vamos nos extinguir devido às mudanças climáticas"). "A maioria das pessoas acredita no aquecimento global, mas se sente impotente para fazer algo a respeito, pois os resultados não são tão imediatos e muitas vezes sentidos longe de suas casas", diz a diretora-executiva da Exposure Labs, Samantha Wright. "Para que as pessoas saiam da inércia, precisamos fazer com que a questão pareça direta e pessoal abordando o problema localmente, apontando tanto para impactos quanto soluções locais: como gerar 100% de energia renovável." Da mesma forma, a mudança de comportamento também deve ser incentivada a nível local. Um país que lidera nesse sentido é a Costa Rica, que, em 1997, implementou um imposto inovador sobre combustíveis fósseis. Para aproximar os contribuintes dos benefícios práticos que essa taxa traz para a comunidade, parte da receita arrecadada se destina a agricultores e comunidades indígenas. Esses grupos, então, usam o dinheiro para proteger e reflorestar as matas nativas do país. O sistema da Costa Rica "agora gera US$ 33 milhões anualmente para esses grupos e ajudou o país a reverter seu desmatamento enquanto crescia e transformava sua economia", diz Carlos Manuel Rodríguez, ministro de Meio Ambiente e Energia da Costa Rica. Em 2018, 98% da eletricidade utilizada no país (cujo território é um pouco maior do que o Estado do Rio de Janeiro) veio de fontes de energia renováveis. Naquele mesmo ano, o Brasil divulgava ter uma fatia renovável em torno de 80%. Cartaz de manifestante em ato pelas mudanças climáticas nesta sexta-feira (24) em Bogotá, na Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters Rodríguez diz que o país está indo ainda mais longe: a Costa Rica anunciou uma meta de neutralizar suas emissões de carbono até 2050. Para isso, pretende elevar a parcela dos ônibus elétricos para 70% de toda a frota até 2035 e reduzir o número de carros usados nas cidades pela metade até 2040. A chave tem sido um esforço organizado em larga escala - mas apoiado e assimilado por centenas de grupos e comunidades menores. Em maior escala, o Acordo de Paris e o plano de neutralidade de carbono para 2050 da União Europeia desempenham um papel semelhante, criando um quadro de ação comum sobre mudanças climáticas para países, cidades, vilarejos e setor privado. "O plano de carbono da UE para 2050 é o que é necessário a nível global para gerar impulso, conscientização e ação, e, mais importante, é um exemplo que pode ser imitado e replicado por outros", diz Patricia Zurita, CEO da BirdLife International, uma parceria global de organizações de conservação de aves. Acima de tudo, a característica mais útil que desenvolvemos ao longo de nossa evolução é nossa capacidade de inovar. No passado, usamos essa habilidade para descobrir o fogo, inventar a roda ou plantar os primeiros campos. Hoje, ela se traduz em painéis solares, parques eólicos, veículos elétricos e precificação do carbono. Junto com a inovação, evoluímos para que a comunicação e a tecnologia passem por essas inovações, permitindo que uma única ideia ou invenção se espalhe muito além de nossa própria família ou cidade. Evoluímos para sermos capazes de impedir a mudança climática induzida pelo homem. Agora é o momento de agir.
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25/05 - Líder indígena Raoni pede apoio à Amazônia em Cannes
Em viagem pela Europa para denunciar o desmatamento da floresta, líder kayapó participa de festival de cinema ao lado do diretor belga Jean-Pierre Dutilleux. Líder indígena brasileiro Raoni Metuktire e o diretor de cinema belga Jean-Pierre Dutilleux em Cannes Stephane Mahe/Reuters Em visita à Europa, o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire participou nesta sexta-feira (24) do Festival de Cannes. A presença de cacique kayapó no evento faz parte de sua turnê pelo continente europeu em busca de apoio para a defesa da Amazônia. O cacique kayapó caminhou pelo tapete vermelho ao lado do diretor belga Jean-Pierre Dutilleux, que dirigiu o documentário "Raoni" sobre o líder indígena. O filme foi selecionado para o Festival de Cannes em 1977 e chegou a concorrer ao Oscar em 1979. Em Cannes, Raoni acompanhou a exibição do longa "Sibyl", da diretora francesa Justine Triet. No sábado, ele participará de uma coletiva de imprensa para falar de sua viagem pela Europa. Macron recebe Raoni e assegura apoio da França Cacique Raoni vai à Europa em defesa da floresta Turnê europeia O cacique kayapó, ao lado de outros três líderes indígenas que vivem no Xingu, iniciou em 13 de maio uma turnê de três semanas por países europeus, para promover sua luta contra o desmatamento da Amazônia e proteger o Parque Nacional Indígena do Xingu – reserva onde vivem vários povos indígenas – de madeireiros e do agronegócio. Raoni tenta arrecadar 1 milhão de euros, que devem ser usados para sinalizar melhor os limites da reserva do Xingu e comprar drones e equipamentos para vigiar a região e protegê-la contra incêndios, segundo a Foret Vierge, organização que o cacique preside de forma honorária. Líder da etnia kayapó, o cacique de 87 anos ganhou visibilidade internacional nas últimas décadas em sua luta pela preservação dos povos indígenas e da Amazônia. Durante a viagem, Raoni já passou por Paris, onde se reuniu com o presidente francês, Emmanuel Macron, Bruxelas e Luxemburgo. De Cannes, o líder seguirá para Itália e Vaticano, onde será recebido pelo Papa Francisco. A viagem de Raoni ocorre num momento de apreensão para os povos indígenas no Brasil devido a medidas adotadas ou anunciadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Em abril, Bolsonaro afirmou que propôs a seu homólogo americano, Donald Trump, a abertura da exploração da região amazônica em parceria com os Estados Unidos. O presidente criticou também o que chama de "indústria" de demarcação de terras indígenas, que inviabilizaria projetos de desenvolvimento da Amazônia, e afirmou que pretende rever demarcações. O governo também defendeu a possibilidade de ampliar atividades de mineração e agropecuária em terras indígenas A turnê na Europa recebeu o apoio de figuras como o cantor Sting, que há 30 anos realizou uma turnê ao lado do cacique por 17 países e o ajudou a ganhar notoriedade internacional na luta pela proteção dos povos do Xingu.
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24/05 - O cientista que percorre milhares de quilômetros para salvar uma das águias mais misteriosas da América do Sul
José Sarasola foi premiado por seu trabalho em defesa da águia-cinzenta, que corre risco de extinção, uma missão que começou depois de deparar por acaso com uma destas aves morta em seu caminho. José Sarasola desafiou crenças populares para proteger a águia-cinzenta, uma das das mais ameaçadas da América do Sul Arquivo pessoal Um encontro com uma águia morta mudou a vida do cientista argentino José Sarasola. Ele havia acabado de se formar na universidade e começava seus trabalhos de conservação ambiental na província de La Pampa, no centro do país, quando viu a ave caída perto de uma cerca. "Era uma águia-cinzenta jovem que havia sido abatida com arma de fogo, e foi meu primeiro encontro com uma destas aves", relata. "Ela foi propositalmente colocada ali, porque existe uma crença, não só nesta região mas também na Patagônia, e em relação a outras espécies consideradas prejudiciais para o gado, como raposas e pumas, que expor os indivíduos abatidos dessa maneira mantém outros animais longe." O pesquisador diz que o encontro foi marcante para seu futuro na conservação ambiental. Sarasola decidiu a partir dali se dedicar a proteger a água-cinzenta (Buteogallus coronatus), uma das mais ameaçadas de extinção na América do Sul. Em sua missão de protegê-la, Sarasola desafia crenças e percorre milhares de quilômetros para levar sua mensagem aos povoados locais e escolas remotas. E seu trabalho lhe rendeu neste mês um dos maiores reconhecimentos na área, o prêmio Whitney, entregue anualmente pela fundação de mesmo nome sediada na Inglaterra. A espécie corre risco de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza Arquivo pessoal Espécie era quase desconhecida A águia-cinzenta pode ser encontrada no Sul do Brasil, no Paraguai, na Bolívia e na Argentina, até o norte da Patagônia. A União Internacional pela Conservação da Natureza, uma organização sediada na Suíça, diz que a espécie corre risco de extinção e estima sua população global em menos mil indivíduos reprodutores. Estas águias vivem principalmente em habitats áridos ou semiáridos formados por arbustos, pastagens e bosques, onde se alimenta dos animais que vivem nestes locais, principalmente tatus e serpentes, explica Sarasola. O cientista fundou em 2001 o Centro de Estudo e Conservação das Aves de Rapina da Argentina (Cecara) na Universidade Nacional de La Pampa, por meio do qual começou a estudar a ecologia da águia-cinzenta. "A espécie era quase desconhecida, não só para a população local, mas também para a ciência, já que o último registro de aninhamento havia sido feito há mais de 25 anos no noroeste argentino", destaca Sarasola. Águias eram perseguidas e morriam afogadas e eletrocutadas A primeira ameaça identificada pelo Cecara foi a perseguição de águias por humanos pela crença de que "comem as ovelhas". Sarasola também registrou casos de águias que morreram afogadas acidentalmente nos reservatórios de água para gado nestas regiões secas. Outro grande perigo foi identificado quando o biólogo colaborou com o Centro de Biologia e Conservação do Estado de Virginia, nos Estados Unidos, para colocar rastreadores por satélite nas aves. "Descobrimos que elas morriam eletrocutadas nos fios elétricos. É um problema que afeta especialmente as grandes aves, como as águias, porque ocorre quando o animal faz contato com dois cabos condutores ao mesmo tempo, algo que só aves maiores conseguem fazer ao voar a partir ou para os postes que sustentam a fiação", diz Sarasola. Rampas e pontes Para evitar os afogamentos, Sarasola e seus colegas criaram o que chamam de "rampas de resgate", uma estrutura feita com uma tela de arame para ligar a borda do tanque ao fundo. Assim, os pássaros e outros animais selvagens conseguem sair dos reservatórios e podem beber água com segurança. Isso fez a mortalidade da fauna silvestre nos tanques equipados com rampas cair pela metade, e nenhuma águia-cinzenta foi encontrada afogada em um deles. Quanto às mortes por eletrocutamento, o monitoramento das linhas de energia permitiu detectar os postes mais perigosos que, apesar de serem apenas 1% do total na área, eram responsáveis por quase 20% das mortes das aves. "A característica que os torna tão perigosos é que são construídos em concreto (que são condutores de eletricidade por serem construídos com aço por dentro) e têm uma alça do cabo elétrico acima deles. As aves podem ser eletrocutadas ao estar empoleiradas no poste e, ao mesmo tempo, tocar na alça suspensa." De acordo com Sarasola, a solução foi simplesmente colocar essas alças abaixo do topo do pilar. Uma solução para as mortes por eletrocutamento foi mudar a posição de uma alça nos postes de energia Arquivo pessoal Mudando crenças Para combater a perseguição das águias pelos moradores locais, os cientistas monitoraram e filmaram as presas das águias. "Analisamos mais de 600 presas e nenhuma delas era de gado doméstico, então, o motivo do conflito não era real." Os biólogos mostraram as filmagens e fotos de águias levando para seus ninhos presas de espécies silvestres como tatus, roedores e serpentes. E explicaram a importância destas aves como predadores no topo da cadeia alimentar daquele ecossistema, ao se alimentarem de um grande número de serpentes venenosas e cobras. Hoje, o conhecimento da espécie é muito maior. "Um exemplo disso é que, em dezembro de 2016, um artista local fez uma escultura de uma águia que logo foi colocada na praça principal da cidade de Santa Rosa, capital da província de La Pampa", diz o cientista. A águia que chora Sarasola percorreu milhares de quilômetros no oeste dos pampas argentino, uma zona árida de pouca densidade populacional, para levar sua mensagem às crianças. Os biólogos foram a escolas rurais para apresentar um documentário feito por Sarasola com o jornalista Matías Sapegno. O filme "A Águia que Chora" conta a história verídica de um adolescente da região que descobre a espécie e seu ninho e participa com pesquisadores do estudo e monitoramento de uma águia-cinzenta jovem. As crianças e suas famílias têm sido fundamentais nestes esforços, porque têm informações importantes sobre a localização dos ninhos e casais de águias. "É impossível reunir essas informações por conta própria em uma região tão vasta", diz Sarasola. As escolas visitadas pelos cientistas ficam em locais muito remotos e distantes de centros urbanos. Os alunos vivem nas escolas e voltam para suas casas a cada 15 ou 20 dias. "Perguntamos nas conversas se eles conhecem alguma espécie que corre risco de extinção, e as referências deles são de outras espécies emblemáticas e conhecidas mundialmente, mas não vinculadas à sua realidade, como tigres e pandas", diz Sarasola. "O que primeiro chama sua atenção é saber que vivem muito próximo de uma espécie nesta condição e que podem observá-la, com um pouco de sorte, no próprio pátio da escola ou em suas casas."
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24/05 - Desmatamento em MT ameaça maior águia do mundo e grupo de proteção à espécie oferece R$ 500 para quem encontrar ninho
Existem apenas 25 ninhos de harpia em todo o estado e casa casal tem um filhote a cada três anos. Professor da Unemat desenvolve estudo e aponta que maior águia do mundo já perdeu 40% do habitat devido ao desmatamento. A Harpia é a maior águia do mundo e chega a pesar 9 kg e a medir 2,2 m de envergadura Divulgação Um estudo de um professor de engenharia florestal da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, mostra a perda de habitat das harpias, aves também conhecidas no Brasil como gavião-real devido ao desmatamento. Everton Miranda apontou que as aves já perderam mais de 40% do território mundial. No norte do estado, onde é encontrada a espécie, a perda foi causada pelo desmatamento para a produção agrícola e pecuária. No estado foram desmatados 41 mil hectares nos últimos 15 anos, o que representa uma perda entre 12 e 24 ninhos de harpia. Em Mato Grosso, existe apenas 25 ninhos da espécie, segundo o professor. Cada ninho possui um casal. “Eles produzem um filhote a cada três anos, a reprodução é baixa e isso preocupa o desenvolvimento da espécie”, explicou. A harpia é a maior águia do mundo e pode pesar até 9 kg e medir 2,2 metros de envergadura. A ave é carnívora e a alimentação é baseada em preguiças, macacos, cachorro-do-mato, ouriços, quatis, filhotes de veado, mutuns, araras, seriemas, gambás, roedores, lagartos, cobras. Everton contou ao G1 que a pesquisa começou em 2015, após observar a ausência da espécie em algumas regiões no norte do estado e perceber que não existiam estudos exatos sobre a extensão e distribuição da espécie. Foi então que ele acionou cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e instituições de Israel, Inglaterra e Estados Unidos. O estudo foi finalizado no dia 13 de maio deste ano e publicado na revista internacional 'Plos One'. “Concluímos que essa espécie é mais encontrada na Amazônia e a menor parte dela em outras regiões, como na América Central, alguns enclaves florestais no Cerrado, e a Mata Atlântica. Se nada for feito pela conservação, daqui alguns anos só a encontraremos na Amazônia”, pontuou. A ameaça aos habitats da espécie também se deve ao corte de madeiras, que derruba as grandes árvores onde a harpia usa para construir seus ninhos, e à captura delas em terras indígenas, que cobrem 27% da região. As harpias são capturadas e mortas para o uso de suas penas. Professor diz que recompensa para quem encontrar ninho é uma forma de preservar o local onde a ave está vivendo Arquivo pessoal Preservação e turismo O professor contou que ele e outros profissionais realizam a conservação e monitoramento das harpias no estado. Além disso, grandes torres de observação foram instaladas próximas aos ninhos para a prática do turismo. “A maioria dos turistas que recebemos são pessoas que vieram ao estado para ver as onças e acabaram estendendo o passeio para a observação dos pássaros”, disse. Everton disse ainda que é oferecido R$ 500 a quem encontrar e indicar a localização de um ninho de harpia, além de uma porcentagem do valor do turismo ao dono da terra. “É uma forma de preservar a espécie. Quando um ninho é encontrado, pagamos a pessoa que encontrou e fechamos um contrato com o dono da terra e ele é pago para conservar o local onde as harpias estão vivendo”, explicou.
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24/05 - Protestos sobre o clima: pesquisa mostra preocupação de crianças e jovens com o meio ambiente
Greve pelo Clima: manifestante empunha um sinalizador durante protesto em Londres nesta sexta (24). Aaron Chown/PA via AP Mais uma vez os jovens estão nas ruas do mundo todo em protesto contra o desrespeito que os adultos estão demonstrando às mudanças climáticas. Querem que os governantes envolvam em suas plataformas e em suas políticas públicas o drama de muitos que já estão sofrendo na pele, por causa de secas, tempestades e furacões, o abuso que a humanidade está cometendo, indo além do que a natureza pode nos dar, extraindo mais do que é possível de seus bens. Querem, legitimamente, que os que hoje estão no poder considerem fazer mudanças em prol de sua qualidade de vida. Aqui no Brasil, há protestos marcados para acontecer no Rio de Janeiro, em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. No Reino Unido, que nesta sexta-feira (24) enfrenta questões no cenário político, com a renúncia anunciada da primeira-ministra Theresa May, a estudantada já está nas ruas. E terá, por parte do partido dos trabalhistas, apoio de peso, no sentido de propor que o tema mudanças climáticas seja inserido no currículo escolar, sob o título “Emergência climática global”. É com uma indisfarçável inveja que anuncio isto, enquanto no meu país o que se discute é a possibilidade de dar armas para crianças. Voltemos aos protestos. Por coincidência, recebi do instituto de pesquisa Market Analysis uma pesquisa feita em parceria com a WIN Américas, entre novembro do ano passado e janeiro deste ano no Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos, México e Peru, sobre o real interesse de crianças sobre questões do meio ambiente. Para checar o que vai pela cabecinha de pessoas com idades entre 3 e 13 anos, os pesquisadores foram ouvir as mães. Foram entrevistadas 4.929 mães cujas respostas deixaram concluir que a infância nas Américas está “visivelmente ambientalizada”. Como é de se imaginar, os jovens adolescentes estão mais familiarizados do que os pequeninos. O Brasil segue a tendência regional. O que há de melhor no resultado é que uma em cada sete crianças, segundo as mães, “lembram e policiam os pais sobre proteção ao meio ambiente”. E mais: em quatro de cada dez lares as crianças compartilham com seus pais a responsabilidade por “lembrar no âmbito doméstico sobre a importância de proteger o planeta”. Está mais do que na hora, portanto, de os adultos responderem a esta preocupação com o respeito que a geração de seus filhos merece. Naomi Klein, jornalista canadense que se tornou uma enérgica ativista ambiental, em artigo publicado hoje no britânico “The Guardian” convoca uma greve geral para o dia 20 de setembro, “a pedido dos jovens que realizam (hoje) greve em todo o mundo”, uma espécie de “paralisação climática”. “Esperamos que os outros se juntem a nós: que as pessoas deixem seus escritórios, suas fazendas, suas fábricas; que os candidatos saiam da trilha da campanha e as estrelas do futebol deixem o campo; que os atores de filmes tirem a maquiagem e os professores abaixem o giz; que os cozinheiros fechem seus restaurantes e levem as refeições aos protestos; que os aposentados também quebrem suas rotinas diárias e se unam para enviar a única mensagem para nossos líderes: este jeito comum de fazer negócio está destruindo a chance de um futuro saudável e seguro em nosso planeta”, escreve Klein. E quais serão as maneiras diferentes de conduzir o desenvolvimento de forma a não acabar com nossa biodiversidade; a não acidificar nossos oceanos; a não desmatar todas as florestas que nos restam; a não poluir o ar a ponto de torná-lo irrespirável para a humanidade? Com investimento em estudo, em tecnologia que não seja letal, mas voltada para a saúde. Sabe-se, por exemplo, que na última década o preço mundial dos painéis solares despencou 90%; que aqui no Brasil a energia eólica já está em segundo lugar em relevância nas matrizes elétricas. Temos vento, temos sol, temos inteligência para obter desses dois bens naturais – estes sim, infinitos – a energia que precisamos para mover o mundo. Por que não? A resposta a esta pergunta talvez seja mais sintética do que se imagina: não fazemos esta mudança com a necessária rapidez porque estamos presos ao hábito do desenvolvimentismo. Há a proposta, lembra Klein, de um “Green New Deal”, lançada pela congressista norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez, que engloba o combate à desigualdade social e o enfrentamento às mudanças climáticas numa único programa. Talvez seja ambicioso demais, e há críticas, até mesmo de ambientalistas, que sentem faltam de referências claras sobre o papel que a energia nuclear ou os combustíveis fósseis com captura de carbono desempenhariam neste novo projeto. De qualquer forma, é um começo, e pode ser considerado, sobretudo se for aberto a modificações e sugestões da sociedade. O que não pode é continuarmos com o mesmo modelo, fechando os olhos aos alertas feitos pelos cientistas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que desde 1988 se debruçam em estudos sobre o aquecimento global. No último relatório, lançado em outubro do ano passado, a mensagem era clara: se o mundo continuar a aquecer nos níveis atuais, as temperaturas globais devem chegar a 1,5º C entre 2030 (ou seja, daqui a doze anos) e 2052. Portanto, não é de se espantar que a geração que será adulta quando alcançarmos esta espécie de patamar-limite do aquecimento esteja hoje nas ruas a pedir mudanças. As greves estão acontecendo em mais de 1.400 cidades em mais de 110 países e a expectativa é que o evento de hoje supere o que aconteceu em março e ponha nas ruas mais do que os 1,4 milhão de pessoas que se manifestaram então. Para se ter uma ideia de que tipo de mudanças se está falando, hoje foi publicada uma pesquisa, do Instituto Autonomy, um espaço de reflexões sobre a nova economia, concluindo que os trabalhadores no Reino Unido precisariam passar a trabalhar nove horas por semana, no lugar das 40 atuais, para tentar evitar mais de 2º C em 2100. Reduções semelhantes foram consideradas necessárias na Suécia e na Alemanha. É disso que se está falando. Mudanças que exigem comprometimento de todos no sentido de se buscar melhor qualidade de vida para a geração que hoje está nas ruas exigindo, legitimamente, que a humanidade passe a considerar isto a sério.
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24/05 - Cientistas apontam China como emissora de gás proibido que destrói camada de ozônio
Monitoramento de ar por estações na Coreia do Sul e Japão captou aumento em presença de CFC-11 na poluição vinda do leste da China; produção de gás foi banida por Protocolo de Montreal para ajudar a fechar 'buraco' na que nos protege de raios ultravioleta. Cientistas detectaram a volta na produção do gás CFC-11, cuja produção é banida Pixabay Um estudo de pesquisadores do Reino Unido identificou as principais fontes de um misterioso aumento recente de uma substância química que causa danos à camada de ozônio. A substância CFC-11 foi usada principalmente em espumas para o isolamento de residências, mas a produção global deveria ter sido eliminada até 2010. No entanto, cientistas notaram uma aguda desaceleração na redução dos níveis da substância no meio ambiente nos últimos seis anos. Este novo estudo, publicado pelo periódico Nature, diz que o fenômeno é causado principalmente pela nova produção do gás em províncias do leste da China. O CFC-11, também é conhecido como tricloromonofluormetano, é um dos vários compostos químicos do clorofluorcarboneto (CFC), desenvolvido na década de 1930. Foram necessárias muitas décadas para os cientistas descobrirem que, quando os CFCs se decompõem na atmosfera, liberam átomos de cloro capazes de destruir rapidamente a camada de ozônio, responsável por nos proteger de luz ultravioleta. Um buraco na camada de ozônio em cima a Antártida foi descoberto em meados da década de 1980. Em 1987, um acordo global, o Protocolo de Montreal, foi assinado para proteger a camada de ozônio. Nele, os países signatários se comprometiam a reduzir a produção e a comercialização de substâncias consideradas responsáveis pelo dano - entre elas os CFCs, incluindo o CFC-11. A produção do CFC-11 é duplamente nociva: além de aumentar o buraco na camada que nos protege dos raios UV-B, ela contribuiu para o aquecimento global. Pesquisas recentes sugerem que o buraco no Hemisfério Norte poderia ser totalmente fechado na década de 2030. O da Antártida se recuperaria na década de 2060. Produto feito com CFC-11 é usado para isolar casas Pixabay Quando o problema com CFC foi descoberto? O CFC-11 já foi o segundo clorofluorcarboneto mais abundante na atmosfera. Inicialmente, a pribição estava diminuindo a quantidade da substância no meio ambiente, conforme o esperado. No entanto, em 2018, uma equipe de pesquisadores que monitoram a atmosfera descobriu que a taxa de declínio do CFC-11 tinha diminuído em cerca de 50% após 2012. O motivo era uma nova produção do gás vinda do leste asiático. Os autores do artigo argumentam que, se as fontes da nova produção não forem encerradas, a "cura" da camada de ozônio poderá ser atrasada em uma década. O que os pesquisadores encontraram? Outras pesquisas feitas pela ONG internacional Agência de Investigação Ambiental em 2018 pareciam indicar que a China era de fato a fonte das emissões. A instituição descobriu que o produto químico ilegal era usado em espumas de isolamentos de poliuretano produzidas por várias empresas contatadas. Um comerciante do CFC-11 estimou que 70% dos produtos domésticos da China usavam o gás ilegal. O motivo foi bastante simples: o CFC-11 é de melhor qualidade e muito mais barato que as alternativas. Então, o que este último estudo mostra? Este novo documento parece confirmar, além de qualquer dúvida razoável, que entre 40 e 60% do aumento das emissões vêm de províncias do leste da China. Por meio de dados de estações de monitoramentos do ar na Coreia do Sul e no Japão, os pesquisadores conseguiram mostrar que o CFC-11 aumentou na região desde 2012. Eles calcularam que houve uma alta de 110% nas emissões nessa área do país entre 2014 e 2017 em comparação com o período entre 2008 e 2012. "Este novo estudo é baseado em picos de poluição nas medições do ar que vem da China", disse à BBC o autor do estudo, Matt Rigby, da Universidade de Bristol. "Usando simulações de computador para medir o movimento desses gases pela atmosfera, colocamos números sobre as emissões de diferentes regiões. Foi então que chegamos a este número de cerca de 7 mil toneladas de emissões extras de CFC-11 provenientes da China em comparação com o período anterior", disse. "Mas a partir dos dados, tudo o que vemos são os últimos lançamentos para a atmosfera, não temos nenhuma informação sobre como esse CFC-11 foi usado ou onde foi produzido. É inteiramente possível que ele tenha sido fabricado em alguma outra região, alguma outra parte da China ou até mesmo em outro país. Ele pode ter sido transportado para o local onde as espumas isolantes são produzidas." De onde vem o resto das emissões registradas? Os pesquisadores não têm certeza. É possível que as emissões estejam vindo de outras partes da China, já que as estações de monitoramento não conseguem captá-las. Elas também poderiam vir da Índia, da África ou da América do Sul, já que, de novo, há muito pouco monitoramento nessas regiões. Isso tem implicações para as mudanças climáticas? Sim. Os autores do estudo dizem que esses CFCs são gases de efeito estufa muito potentes. Uma tonelada de CFC-11 é equivalente a cerca de 5 mil toneladas de dióxido de carbono, o CO2. "Se olharmos para essas emissões extras que identificamos do leste da China, isso equivale a cerca de 35 milhões de toneladas de CO2 emitidas na atmosfera todos os anos. São cerca de 10% das emissões do Reino Unido", diz Matt Rigby, da Universidade de Bristol. A China vai restringir a produção? Os chineses dizem que já começaram a coibir a produção, feita pelo que chamaram de "fabricantes desonestos". Em novembro passado, vários suspeitos foram presos na província de Henan - eles tinham 30 toneladas de CFC-11. Clare Perry, da Agência de Investigações Ambientais, disse que as denúncias reafirmam a necessidade de eliminar a produção de CFC-11. "Eu acho que com este estudo, é indubitável que a China seja a fonte dessas emissões. Esperamos que o país descubra quem está produzindo o CFC-11", diz.
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24/05 - Fim de semana será sem chuva e com temperaturas baixas em SP, diz CGE
No sábado, termômetros devem variar entre 10°C e 21°C. No domingo, temperaturas ficam entre 10°C e 24°C. Fim de semana em SP terá predomínio de sol, mas sensação de frio, diz CGE Reprodução/TV Globo O final de semana promete ser sem chuva na cidade de São Paulo, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Os termômetros devem registrar baixas temperaturas, mas com predomínio de sol. De acordo com o CGE, no sábado (25), “a sensação geral deve ser de frio”, com temperaturas variando entre 10°C e 21°C. Não há previsão de chuva na Grande São Paulo. Já no domingo (26), a temperatura máxima deve ser elevada a 24°C, mas a temperatura mínima deve se manter em 10°C.
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24/05 - Campo de gelo na Patagônia chilena é rompido por mudanças climáticas, dizem cientistas
O gelo se soltou em março e tem cerca de 208 quilômetros quadrados. Gelo se rompeu na Patagônia chilena devido aos efeitos da mudança climática, dizem cientistas Ricardo Jana/Cortesia do Instituto Antártico Chileno (INACH)/Reuters O campo de gelo de 12 mil quilômetros quadrados no sul da Patagônia chilena se partiu em dois e provavelmente deverá continuar a se rachar com as mudanças climáticas, de acordo com uma equipe de cientistas do Chile que esteve na região em março.  Gino Casassa, diretor da Divisão de Neve e Geleiras na DGA, autoridade de Águas do Chile, disse à Reuters que o aumento de temperaturas ao longo da Cordilheira dos Andes no sul do Chile e da Argentina resultaram em menos neve e gelo para reabastecer as abundantes geleiras da região.  "O que ocorreu foi uma fratura por que o gelo retraiu", disse Casassa.  O pedaço de gelo que se soltou tem cerca de 208 quilômetros quadrados. Isso representa uma parte relativamente pequena do campo de gelo, mas Casassa alerta que pode ser um sinal do que virá pela frente.  O campo de gelo, disse, está agora "partido em dois, e provavelmente descobriremos novas rachaduras ao sul", disse.  Os icebergs se soltaram da Geleira Cinza no sul do Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, aumentando os temores de que tais rupturas possam estar se tornando mais e mais frequentes.
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24/05 - Estudantes vão às ruas para o segundo protesto global contra a mudança climática
O movimento 'Fridays For Future' ganhou força com a ativista adolescente Greta Thunberg, que uma vez por semana falta às aulas em Estocolmo para protestar em frente ao parlamento pedindo leis que protejam o meio ambiente. Greve pelo Clima na Inglaterra: manifestantes seguram cartazes com frases em prol do meio ambiente nesta sexta (24). Kirsty Wigglesworth/AP Estudantes de diversas partes do mundo fazem nesta sexta-feira (24) a segunda greve global pelo clima, cobrando das autoridades ações mais efetivas contra as mudanças climáticas. O movimento "Fridays For Future" (Sextas-feiras pelo futuro) ganhou força com a ativista adolescente Greta Thunberg, que uma vez por semana falta às aulas em sua escola, em Estocolmo, para se sentar em uma praça em frente ao Parlamento da Suécia e pedir medidas concretas contra o aquecimento global. A primeira manifestação global aconteceu em 15 de março. Nos países da União Europeia, os protestos ocorrem em meio ao período de eleição para o Parlamento Europeu, que vai de quinta (23) a domingo (26). Greve pelo Clima: A ativista Greta Trunberg fala para manifestantes durante protesto em Estocolmo nesta sexta-feira (24). Janerik Henriksson/TT News Agency via AP De acordo com a agência AFP, uma pesquisa do Eurobarômetro mostra que a mudança climática é uma das principais preocupações dos eleitores da União Europeia, ao lado das questões econômicas e preocupações com a migração. Na Suécia, houve manifestação em Estocolmo. Na Alemanha, um grupo de jovens se reuniu em Muenster, no noroeste do país. Na Inglaterra, o protesto ocorreu em Londres. Na Itália, a manifestação aconteceu em Roma. Na Noruega, manifestantes bloquearam a entrada do Banco Central do país pedindo que o fundo de investimentos pare de financiar empresas que queimam carvão, de acordo com a agência Reuters. Em Portugal, os manifestantes se reuniram em frente ao parlamento em Lisboa. Greve pelo Clima: Em Muenster, na Alemanha, um estudante levanta um globo inflável para protestar contra as mudanças climáticas Guido Kirchner / dpa / AFP Greve pelo Clima em Portugal: garota segura cartaz em manifestação contra as mudanças climáticas em Lisboa nesta sexta (24). Armando Franca/AP Greve pelo Clima em Estocolmo, na Suécia, nesta sexta-feira (24). Jonathan Nackstrand / AFP Greve pelo Clima em Londres, na Inglaterra: manifestante empunha um sinalizador durante protesto nesta sexta (24). Aaron Chown/PA via AP Greve pelo Clima na Alemanha: manifestante usa fantasia de sol para protestar contra o aquecimento global nesta sexta (24). Oliver Berg/dpa via AP Greve pelo Clima na Itália: manifestantes fazem protesto contra a mudança climática próximos a monumento em Roma nesta sexta (24). Maurizio Brambatti/ANSA via A Greve pelo Clima no Rio: Estudantes protestam em frente à Alerj nesta sexta (24) Renata Moraes/Arquivo Pessoal
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23/05 - Estação ecológica que Bolsonaro quer transformar em 'Cancún brasileira' é refúgio de espécies ameaçadas
Presidente disse que Estação Ecológica de Tamoios 'não preserva absolutamente nada' e falou em fazer um decreto para alterá-la. No entanto, a Constituição só permite mudanças em unidade de conservação por meio de leis. Em 2012, Bolsonaro foi multado por pescar em área preservada. Ilha de Araçatiba de Fora, que integra a Estação Ecológica de Tamoios Adriana Gomes/ICMBIO/Acervo Ambientalistas se mobilizam em defesa da Estação Ecológica de Tamoios A Estação Ecológica de Tamoios (Esec Tamoios), que o presidente Jair Bolsonaro quer transformar em uma "Cancún brasileira", ocupa menos de 6% da baía de Angra dos Reis (RJ) e abriga espécies ameaçadas de extinção. O conjunto de ilhas também serve como refúgio para animais marinhos e como laboratório natural, que já foi usado em mais de 130 pesquisas nos últimos 11 anos. Em visita ao Rio de Janeiro, em 8 de maio, o presidente afirmou que a estação ecológica "está demais. Não preserva absolutamente nada". Para ele, o turismo poderia trazer bilhões de reais por ano à região. Cancún, a cidade mexicana usada como referência, tem resorts de luxo e recebe milhões de visitantes todo ano, mas enfrenta desafios ambientais, como ocupação desordenada e redução significativa do recife de corais. Ambientalistas e comerciantes de Angra criticam ideia da 'nova Cancún' Rochedo na Esec de Tamoios, na Baía de Angra dos Reis Adriana Gomes/ICMBIO/Acervo Em 2012, Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ao ser flagrado pescando num barco em uma área que integra a Esec Tamoios. Em dezembro do ano passado, a multa foi anulada e, em 2019, o servidor responsável pela fiscalização foi exonerado (saiba mais abaixo). Atualmente, não é permitido visitar, pescar, mergulhar, construir ou ancorar barcos dentro da estação ecológica. A intenção é preservar as espécies ameaçadas, como a garoupa, o cavalo-marinho, o boto cinza, o mero e o peixe-anjo, além de garantir a circulação de animais migratórios pela região, como pinguins. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mais de 200 espécies de peixes vivem ali. Além da fauna marinha, o instituto registra ainda a presença de aves e plantas raras, como alguns tipos de orquídeas e bromélias. Esec Tamoios abriga espécies ameaçadas e pesquisas científicas Rodrigo Sanches/G1 Histórico A Estação Ecológica de Tamoios é uma unidade de conservação federal criada em 1990 para o monitoramento dos impactos das usinas nucleares de Angras dos Reis na região. Administrada pelo ICMBio, a área é formada por 29 ilhas, lajes e rochedos, incluindo seu entorno marinho no raio de 1 quilômetro. A unidade de conservação abrange os municípios de Angra dos Reis e Paraty. Entre as instituições que realizam estudos ali estão a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Nacional. Mariana Batha Alonso, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é uma das pesquisadoras que usa o local como laboratório. “Trata-se de um refúgio para espécies marinhas que encontram ali um espaço para se reproduzir, se alimentar e descansar”, explica a professora, que tem mais de 15 anos de experiência no estudo de mamíferos marinhos. Ilha do Pingo d'água Adriana Gomes/ICMBIO/Acervo “No mundo inteiro, a gente tem visto a importância de ter algumas áreas restritas à pesca perto da costa. É muito importante para os mamíferos marinhos terem esse tipo de espaço como a Esec Tamoios, porque ele acaba se tornando um berçário, um lugar para alimentação, para a socialização”, afirma. Para a professora, não é necessário que toda a costa seja protegida, mas que existam “respiros” para as espécies marinhas mais vulneráveis. “A região da Esec Tamoios é uma área muito única, é o encontro da Serra do Mar com um litoral bem recortado. Você tem ali um ecossistema que, se não for preservado, não vamos encontrar em outros lugares.” A baía de Angra dos Reis tem mais de 160 ilhas. As áreas protegidas pela Esec Tamoios somam cerca de 5,96% da área total da baía, segundo o ICMBio. “O mar não tem limites, mas os animais que vivem na região já sabem que encontram ali na reserva um espaço seguro, já estão familiarizados”, avalia a pesquisadora da UFRJ. “A área de conservação representa um pedaço muito pequeno da baía. Se a gente tirar esse pouco a gente vai expor muitas espécies a graves ameaças”, diz. Ilha de Jurubaiba Adriana Gomes/ICMBIO/Acervo Constituição protege áreas de conservação No evento no Rio, Bolsonaro disse que o estado "merece ter uma Cancún. E nós poderemos tê-la. E estamos trabalhando para a região de Angra. Depende de um decreto presidencial". Apesar da declaração, qualquer mudança nos limites de uma unidade de conservação federal precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. “A Constituição Federal protege essas unidades para impedir que elas sejam revogadas a cada mudança de governo", explica Erika Bechara, professora de direito ambiental da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Uma unidade de conservação federal como essa de Angra dos Reis só pode ser extinta ou ter seus limites alterados por uma lei federal, aprovada no Congresso Nacional.” O artigo 225 da Constituição diz que é dever do poder público "definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção" (parágrafo 1º, inciso 3º). Em abril de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os limites das unidades de conservação também não podem ser alterados por meio de Medida Provisória (MP). A corte julgou uma ação de inconstitucionalidade que questionava um ato da presidente Dilma Rousseff. Em 2012, Dilma alterou os limites de áreas de preservação na Amazônia por meio de MP. No ano passado, o STF determinou que essa alteração deve seguir o processo legislativo. Assim como ocorreu com a MP de Dilma Rousseff, um decreto presidencial que extingue ou altera unidades de conservação também pode ser questionado judicialmente – e declarado inconstitucional. “Se houver a revogação de uma unidade de conservação por decreto, a Justiça pode declarar esse decreto nulo ou inconstitucional. O Poder Judiciário tem justamente o papel de controlar a legalidade dos atos feitos pelo Executivo”, explica Erika Bechara. Boto cinza na região da estação ecológica Adriana Gomes/ICMBio/Acervo Multa por pesca ilegal Em 2013, um ano após ser multado por pesca ilegal em Angra, Bolsonaro entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal, para obter autorização para a prática de pesca amadora na área ecológica, com o pretexto de apoiar pescadores da região da Costa Verde. Na época, ele era deputado federal. Em dezembro de 2018, a superintendência do Ibama no Rio anulou a multa com base em recomendação da Advocacia-Geral da União (AGU), que alega que os argumentos da defesa de Bolsonaro não teriam sido ouvidos durante o processo administrativo. Mais tarde, em março de 2019, o servidor José Augusto Morelli, responsável pela fiscalização que multou Bolsonaro em 2012, foi exonerado de seu cargo. Em 6 de fevereiro, a Procuradoria da República em Angra dos Reis abriu um inquérito para investigar possíveis atos de improbidade administrativa cometidos pelos servidores do Ibama que anularam a multa em 2018. O responsável pelo Ibama no Rio de Janeiro em fevereiro, João Eustáquio Nacif Xavier, foi notificado sobre a abertura da investigação. O procurador Igor Miranda da Silva deu 30 dias para que Xavier se manifestasse sobre os questionamentos do MPF. Em entrevista ao G1, Miranda da Silva disse que, por estar de férias e afastado da análise do processo, ainda não leu a resposta enviada por Xavier. O procurador disse também que o caso ainda está em tramitação no seu gabinete e não pode ser comentado.
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23/05 - Desmatamento em áreas protegidas da Amazônia aumenta em maio, diz Inpe
Nas duas primeiras semanas do mês, a área desmatada já soma mais da metade de tudo que foi derrubado nos nove meses anteriores. Desmatamento em áreas protegidas da Amazônia avança O desmatamento nas áreas protegidas da Amazônia avançou. Nas duas primeiras semanas de maio, a área desmatada já soma mais da metade de tudo que foi derrubado nos nove meses anteriores. Áreas da Amazônia que deveriam ter 'desmatamento zero' perdem 6 cidades de SP em três décadas Amazônia perdeu 18% da área de floresta em três décadas, mostra análise de imagens de satélite A cada hora, a Amazônia perde uma área verde do tamanho de 20 campos de futebol. Esse tem sido o ritmo da devastação da floresta em maio nas Unidades de Conservação federais — que são áreas protegidas por lei. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre os dias 1º e 15 deste mês foram desmatados 6,84 mil hectares nessas regiões de grande biodiversidade. Em somente 15 dias, o número já está bem próximo dos 9,31 mil hectares derrubados de agosto de 2018 a abril de 2019. Além disso, esses 6,84 mil hectares são uma área 47% maior do que a porção desmatada em todo o mês de maio no ano passado. De 1 a 31 maio de 2018, foram desmatados 4,64 mil hectares. Segundo o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Outros Biomas do Inpe, Claudio Almeida, neste início de 2019 foi observada uma quantidade maior do chamado "corte raso", que é a derrubada completa das árvores, ou "supressão total da vegetação". "Quando isso acontece numa região de preservação, naquela área que já foi previamente definida como uma área importante de conservação, é óbvio que isso tem um impacto muito mais preocupante" - Claudio Almeida, do Inpe. Impacto local Entre as 10 unidades de conservação mais desmatadas na Amazônia, oito ficam no Pará. São parques e florestas nacionais onde só são permitidas atividades educacionais, de pesquisa e turismo. Apenas em alguns casos, populações tradicionais da região têm o direito de permanecer - e só podem explorar os recursos da floresta de forma sustentável. Segundo ambientalistas, grileiros têm invadido essas áreas pra retirar madeira e expandir suas terras. A Floresta Nacional do Jamanxim, no Sudoeste do Pará, é a que mais sofre com as derrubadas, segundo os dados do Inpe. Em apenas duas semanas, perdeu mais de 3 mil hectares de vegetação nativa. A floresta é cortada pela BR 163, que está numa região de fronteira agrícola e é um importante corredor de grãos entre as regiões Centro-Oeste e Norte. Um projeto de lei em tramitação no Congresso há dois anos prevê a redução da floresta do Jamanxim, transformando parte dela em Área de Proteção Ambiental, onde as regras de ocupação são mais flexíveis. Dados para fiscalização O Ministério do Meio Ambiente informou que o sistema do Inpe gera alertas de desmatamento para orientar as fiscalizações do Ibama e do Instituto Chico Mendes, e que não deve ser utilizado para fins estatísticos de desmatamento. Ainda segundo o ministério, a elaboração dos alertas pode ser prejudicada pela presença de nuvens. A pasta pretende implementar uma nova metodologia, considerada mais precisa. O ministério também afirmou que planeja operações de fiscalização nas terras indígenas e em Unidades de Conservação no Sudoeste do Pará para prevenir e reprimir desmatamentos e garimpos.
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23/05 - Temporada de furacões no Atlântico deve ficar dentro da média, dizem meteorologistas dos EUA
O El Niño e o Atlântico mais quente que a média ajudam a moldar a intensidade desta temporada, diz entidade americana responsável pela previsão do tempo. Mais de 80 milhões de americanos moram em áreas vulneráveis a furacões. Imagem de satélite da Noaa mostrando a tempestade tropical Florence, em setembro de 2018. Noaa via AP A temporada de furacões do Oceano Atlântico, que começa no dia 1º de junho, deve ficar dentro da média, de acordo com a previsão divulgada nesta quinta-feira (23) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. (Noaa, na sigla em inglês). Para 2019, a Noaa prevê que haja entre 9 e 15 tempestades "nomeadas" – costumam receber nomes aquelas com ventos de cerca 63km/h ou mais. Dessas, entre 2 e 4 podem se tornar grandes furacões – atingindo velocidades de 179km/h. Casa na qual a queda de uma árvore causou a morte de uma mulher e um bebê durante a passagem do furacão Florence em Wilmington, na Carolina do Norte, na sexta-feira (14) Andrew Caballero-Reynolds/AFP Qual a diferença entre furacões, tufões e ciclones? Uma temporada típica de furacões produz 12 tempestades nomeadas, das quais 6 se tornam furacões, incluindo 3 grandes furacões. Bernard Sutton, de 64 anos, é visto em frente aos escombros de sua casa, destruída pela passagem do furacão Michael, em Fountain, na Flórida. Reuters/Terray Sylvester "No ano passado, a temporada de furacões no Atlântico causou tempestades devastadoras, com a chegada de Florence e Michael. Só essas duas tempestades causaram um prejuízo de quase 50 bilhões de dólares – e mais de 100 vidas foram perdidas", afirmou Gerry Bell, meteorologista da Nooa. "Mais de 80 milhões de pessoas nos Estados Unidos moram em áreas que poderiam sofrer impactos de furacões", disse Bell, no anúncio desta quinta (23). Imagem aérea mostra destruíção em Mexico Beach, na Flórida, após passagem do furacão Michael Reuters/Dronebase A previsão é de que o El Niño que está ocorrendo continue e diminua a intensidade desta temporada de furacões. Em contrapartida, temperaturas acima da média no Oceano Atlântico e no Mar do Caribe – assim como um aumento nas monções da África Ocidental – favorecem o aumento deles. Nomes A Noaa também divulgou a lista de nomes que os furacões desta temporada – que vai até 30 de novembro – devem receber. Veja abaixo: Nomes dos ciclones tropicais do Atlântico deste ano, segundo a Noaa. Reprodução/Noaa Pacífico Além da previsão da temporada de furacões no Atlântico, a Noaa também emitiu perspectivas de furacões sazonais para as bacias do leste e centro do Pacífico. No leste, há uma probabilidade grande de 15 a 22 tempestades nomeadas, incluindo de 4 a 8 grandes furacões. No centro, há grandes chances de 5 a 8 ciclones tropicais – que inclui depressões e tempestades tropicais e furacões.
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23/05 - Mata Atlântica tem o menor desmatamento em três décadas
Dados monitorados sob coordenação do Inpe apontam redução de 9,3%. Ainda assim, 113 quilômetros quadrados do bioma foram destruídos entre 2017 e 2018. De toda a sua área original, restam 12,4% de Mata Atlântica nativa distribuída em "manchas" pelo Brasil Pixabay Historicamente a floresta mais devastada do país, a Mata Atlântica atingiu a menor taxa de desmatamento dos últimos 30 anos. Entre 2017 e 2018, foram destruídos 113 quilômetros quadrados do bioma, uma queda de 9,3% em comparação com o período anterior. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (23) pela Fundação SOS Mata Atlântica, são resultado do programa de monitoramento feito há três décadas em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Quando foi iniciado, um campo de futebol de floresta era perdido a cada quatro minutos. Monitoramento mostra que diminuiu o ritmo de destruição da Mata Atlântica "Conseguimos esse resultado atual no controle do desmatamento porque a sociedade se envolveu", comenta Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação. De toda a sua área original, restam 12,4% de Mata Atlântica nativa distribuída em "manchas" pelo país – a maior parte delas, 80%, em propriedades privadas. São cerca de 160 mil quilômetros quadrados de floresta remanescente. Dos 17 estados brasileiros que abrigam o bioma, nove chegaram ao nível "zero" de desmatamento: Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, São Paulo e Sergipe. Por outro lado, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Bahia e Santa Catarina apresentaram taxas consideradas inaceitáveis pela SOS Mata Atlântica. "Em Minas houve muitas áreas de florestas que foram derrubadas para transformar a madeira em combustível para fornos de siderurgia", comenta Mantovani. Com uma situação considerada "apaziguada", a Mata Atlântica conta desde 2006 com uma lei federal que detalha quais tipos de atividades são permitidos no bioma e como sua proteção deve ser feita. Divulgado inicialmente a cada cinco anos, os dados sobre desmatamento no bioma passaram a ser conhecidos anualmente desde 2010. "É uma ferramenta importante, que dá respostas para a sociedade acompanhar a cobertura florestal e cobrar providências", comenta Ieda Del'Arco Sanches, coordenadora técnica do programa no Inpe. "Com a evolução da tecnologia, as imagens que analisamos não deixam dúvidas sobre o desmatamento observado pelo satélite", complementa. Nem tudo são flores Por outro lado, a Medida Provisória 867, que deve ser votada no Congresso até a semana que vem, pode colocar os resultados das últimas décadas em risco, segundo Mantovani. A MP, escrita originalmente para adiar o prazo para adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) pelo proprietário inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR), conforme o Código Florestal, recebeu emendas que podem levar ao aumento do desmatamento. Das mudanças mais críticas apontadas por diversas organizações, a MP flexibiliza a obrigatoriedade de reflorestamento para aqueles que desmataram ilegalmente e dispensa a recomposição de Reserva Legal. "Isso significa uma anistia ampla, geral e irrestrita do desmatamento ilegal que aconteceu na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica", critica Mantovani. Segundo especialistas, a MP pode comprometer ainda a meta de reflorestamento que o Brasil estipulou no Acordo de Paris, em que assumiu o compromisso de recompor 12 milhões de hectares de florestas, o equivalente à metade da área do estado de São Paulo. Um relatório recente publicado pela ONG Global Forest Watch apontou o Brasil com líder na destruição de florestas primárias no mundo em 2018. Embora a área perdida, de 1,3 milhão de hectares, tenha sido menor que a do ano anterior, os autores do estudo, que contou com instituições como World Resources Initiative e Universidade de Maryland, apontaram que a tendência observada nos últimos anos é de aumento. Na Amazônia, a última medição anual divulgada pelo Inpe, em 2018, revelou aumento de 13,7% no corte da floresta, o pior resultado dos últimos dez anos. Por enquanto, os registros feitos em 2019 não apontam tendência de baixa, afirma Cláudio Almeida, pesquisador que coordena o sistema de monitoramento da Amazônia no Inpe. "O desmatamento que observarmos nos próximos meses, que são de seca, serão decisivos para o balanço do dado anual", comenta.
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23/05 - Animais traumatizados pela guerra se recuperam na Jordânia
Resgatados de áreas de conflito na Síria, no Iraque ou em Gaza, ursos, leões e tigres podem recuperar saúde e se curar de traumas numa reserva. Leões recebem entre sete e 15 quilos de carne, três vezes por semana, na reserva Khalil Mazraawi/AFP Meses depois de seu resgate, Loz e Sokkar ainda tentam se esconder toda vez que ouvem aviões no ar. Traumatizados pela guerra, esses dois ursos-negros da Ásia foram resgatados em 2017 de um zoológico em Aleppo, na Síria, e se recuperam lentamente numa reserva na Jordânia. Foi a organização Four Paws (quatro patas), que ajuda animais em dificuldades em todo o mundo, que os resgatou através da Turquia, em 2017, seis anos após o início da guerra civil na Síria. Os dois ursos, que têm 9 anos de idade, vivem com outros 24 animais selvagens traumatizados no santuário de natureza e vida selvagem Al Ma'wa, em Jerash, cerca de 50 km ao norte de Amã, capital da Jordânia. Leoas descansam em reserva na Jordânia Khalil Mazraawi/AFP A reserva de 140 hectares foi criada graças a uma parceria entre a Four Paws e a Princess Alia Foundation. Quando chegaram, Loz e Sokkar ficavam "aterrorizados toda vez que ouviam aviões", diz Jaled Ayasra, funcionário do santuário. Enquanto brinca com Sokkar, Ayasra lembra que, por mais de um ano, os ursos se escondiam na cabine fechada do recinto toda vez que ouviam um avião. Ao todo, nos últimos cinco anos, a Four Paws resgatou cem animais de zonas de guerra, como Gaza, Síria e Iraque, que foram acolhidos por vários centros da Jordânia, de acordo com o porta-voz da organização, Martin Bauer. "A maioria sofre de desnutrição, falta de acompanhamento médico, perda de peso e estava com dentes num estado lastimável", diz Bauer. Após o resgate, os animais são levados para o Centro New Hope, uma clínica veterinária ligada à reserva, onde recebem atendimento médico e passam por reabilitação. Depois, alguns retornam a seus países de origem, outros são soltos na natureza ou levados ao santuário para começar uma nova vida. "Em nossas reservas, os animais têm a possibilidade de se reabilitarem, além de recuperarem também seus instintos naturais, depois de certo tempo", explica Bauer, acrescentando que alimentação e cuidados médicos são fatores vitais, mas que os animais também devem adquirir confiança. Sokkar e Loz melhoraram muito desde a chegada. "Eles estão mais felizes, gostam de brincar e ficam alegres ao ver os visitantes", diz Ayasra. Ursos-negros ficavam nervosos quando ouviam aviões Khalil Mazraawi/AFP Na reserva, são utilizados vários métodos para ajudar os animais na recuperação, como dieta balanceada, brincadeiras para estimulá-los e até mesmo aromaterapia, por exemplo, colocando um grande balde com ervas ou condimentos odoríferos, como canela ou camomila, explica Ayasra. Na opinião dele, porém, o mais importante é a comida. Os ursos recebem 16 quilos de frutas e verduras por dia, e os leões, entre sete e 15 quilos de carne, três vezes por semana. A reserva abriga quatro ursos, oito leões, 12 leoas e dois tigres de bengala, a maioria vindos de áreas de conflito na Síria e no território palestino de Gaza. Apenas o urso Lula foi retirado do Iraque. O leão Sultão e a leoa Sabrine chegaram em 2014, por via terrestre, de um zoológico de Gaza, em meio ao conflito com Israel. "Sultão estava muito nervoso, muito inquieto, às vezes destruía tudo em seu recinto", diz Ayasra. "Mas, agora, ele está calmo, assim como Sabrine", acrescenta. O leão Sultão está entre os animais que foram resgatados de zonas de guerra Khalil Mazraawi/AFP O responsável pela reserva, Marek Trela, explica que o objetivo do lugar é dar uma vida melhor aos animais que sofreram com a guerra ou com o comércio ilegal ou que estiveram em condições muito ruins num zoológico. O local não é considerado um zoo, embora seja aberto ao público, com um ingresso de 5 dinares jordanianos (cerca de 7 dólares). Segundo Trela, o santuário se parece muito com o habitat natural, o que ajuda os animais a se desenvolverem plenamente. "Se eles querem ver as pessoas, podem fazer isso", enfatiza. "Mas, se não estiverem com vontade, podem desaparecer pela floresta", explica.
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23/05 - Movelaria, extração de óleo, produção de mudas: os bons exemplos de interação com a Amazônia; FOTOS
G1 visitou duas Unidades de Conservação no Pará e encontrou projetos que preservam a floresta e garantem renda local. Móveis produzidos a partir dos galhos de árvores em movelaria sustentável na Floresta Nacional do Tapajós, na Amazônia Marcelo Brandt/G1 Produção de móveis dentro da Floresta Nacional do Tapajós reaproveita galhos de árvores Marcelo Brandt/G1 Objetos de madeira produzidos em movelaria sustentável na Floresta Nacional do Tapajós, na região de Santarém (PA) Marcelo Brandt/G1 Funcionário trabalha na produção de móveis em movelaria sustentável na Floresta Nacional do Tapajós, na Amazônia Marcelo Brandt/G1 Máquinas são vistas em uma Unidade de Conservação Sustentável, na Floresta Nacional do Tapajós, na Amazônia, onde uma cooperativa realiza o manejo florestal comunitário Marcelo Brandt/G1 Estrada por dentro da Floresta Nacional do Tapajós Marcelo Brandt/G1 Equipe se prepara antes de entrar na mata da Floresta Nacional do Tapajós, na Amazônia, para a extração do óleo de copaíba Marcelo Brandt/G1 Trilha pela mata fechada até as árvores de onde é possível extrair o óleo de copaíba Marcelo Brandt/G1 Funcionários da cooperativa antes de iniciar o processo de extração do óleo de copaíba Marcelo Brandt/G1 A extração é feita de forma manual, utilizando uma ferramenta que fura a árvore através de movimentos circulares realizados pelo operador Marcelo Brandt/G1 Funcionário durante o processo de extração do óleo Marcelo Brandt/G1 Floresta Nacional do Tapajós Marcelo Brandt/G1 Marcelo Brandt/G1 Funcionários da cooperativa que realiza a extração do óleo de copaíba caminham pela Floresta Nacional do Tapajós Marcelo Brandt/G1 Chegada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na Amazônia Marcelo Brandt/G1 O engenheiro florestal Steve Mcqueen mostra a produção no viveiro de mudas para reflorestamento na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns Marcelo Brandt/G1 Agricultor caminha em plantação na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na Amazônia. Projeto da ONG Saúde e Alegria ensina pequenos agricultores a plantar uma variedade de alimentos ao mesmo tempo e fazer com que a produção seja mais duradoura Marcelo Brandt/G1
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23/05 - Movelaria, extração de óleo, produção de mudas: os bons exemplos de interação com a Amazônia
G1 visitou duas Unidades de Conservação no Pará e encontrou projetos que preservam a floresta e garantem renda local. Desafio Natureza: as formas positivas de interação com a Amazônia A produção de alimentos e a extração de madeira e de outros produtos da Amazônia pode seguir regras e não afetar o equilíbrio da floresta. Com a autorização necessária e a ajuda de especialistas, cooperativas, organizações e comunidades conseguem gerar renda sem destruir a vegetação original. Áreas da Amazônia que deveriam ter 'desmatamento zero' perdem 6 cidades de SP em três décadas Conquista estratégica ou risco para a floresta? Projetos para a bacia do Rio Tapajós geram debate Na Floresta Nacional do Tapajós (uma Unidade de Conservação Sustentável localizada próxima à cidade de Santarém), uma cooperativa conseguiu o direito junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para fazer o manejo florestal comunitário. A Cooperativa Mista da Flona Tapajós (Coomflona) faz a retirada das árvores com um plano elaborado por um engenheiro florestal. Em uma determinada região da floresta, a retirada da madeira é feita para aproveitar ao máximo todas as partes da árvore. Depois, a região não poderá mais ser mexida até a regeneração - cerca de 5 anos. Produção de móveis dentro da Floresta Nacional do Tapajós reaproveita galhos de árvores Marcelo Brandt/G1 Em um projeto recente para garantir esse maior aproveitamento da madeira, os cooperados da Coomflona criaram uma movelaria no meio da Amazônia. Os móveis têm madeira original e aproveitam os galhos grandes das árvores, que geralmente são descartados. FOTOS: os bons exemplos de interação com a Amazônia "A gente acabou percebendo que acabavam ficando na floresta os galhos, que são hoje aproveitados na movelaria", conta o coordenador do projeto, Arlan Alves. "Muitas pessoas pensam que é um galho fino, mas são pedaços de árvore que a gente usa para fazer uma mesa, uma cômoda, qualquer móvel". Extração do óleo de copaíba é feita de forma manual na Flona do Tapajós Marcelo Brandt/G1 Extração de óleo A mesma cooperativa faz a extração do óleo de copaíba, que serve para a produção de medicamentos, cosméticos e na fabricação do biodiesel. A retirada é um trabalho manual e de muita paciência: o G1 caminhou com a equipe dentro da Flona do Tapajós para tentar achar uma copaibeira com óleo dentro do caule. Foram cinco tentativas, com proteção nas pernas contra as cobras, até encontrá-la. Extração do óleo de Copaíba Wagner Magalhães/G1 Do outro lado do Rio Tapajós, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, a ONG Saúde e Alegria trabalha junto à comunidade para evitar a queima da floresta. A ideia é que os moradores consigam plantar sem desmatar longas áreas e, para isso, criam uma estratégia de enriquecimento contínuo do solo. "É uma atividade que vem se desenvolvendo de pai para filho, de filho para neto. Então, nosso curso é justamente para evitar essa atividade de derruba e queima", explica Alaílson Souza Rêgo, engenheiro agrônomo. "A gente plantou a macaxeira, o milho, o feijão de porco, que é uma leguminosa, que é justamente para incorporar matéria orgânica e fazer o trabalho de adubação, fixar nitrogênio no solo". O projeto ensina os pequenos agricultores da Resex Tapajós-Arapiuns a plantar uma maior variedade de alimentos ao mesmo tempo e fazer com que a produção seja mais duradoura na mesma área, evitando assim novos focos de desmatamento. Projeto ensina a produzir e manter a área própria para plantação por mais tempo Marcelo Brandt/G1 Além disso, a ONG Saúde e Alegria também tem um projeto para criação de mudas de reflorestamento. O engenheiro florestal Steve Mcqueen coordena a produção do viveiro: "A gente mostra que na floresta não existe só a madeira. Tem animais, produtos florestais não madeireiros, e é nesse intuito que a gente vem para reforçar o poder que a floresta tem. Daí vem a importância da criação desse viveiro, é um viveiro que pode alimentar, pode gerar renda e dar oportunidade", explica. Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns Marcelo Brandt/G1 Initial plugin text
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22/05 - Após cinco anos de proibição, Botsuana volta a permitir caça de elefantes
País tem a maior população de elefantes da África, com mais de 135 mil exemplares. Governo agora entende que o animal prejudica agricultura. Elefantes africanos Pixabay Botsuana retirou nesta quarta-feira (22) a proibição à caça de elefantes. Prevaleceu o argumento de que as populações do animal aumentaram demais. Além disso, alega-se que os meios de subsistência dos agricultores estão sendo afetados. A proibição da caça de elefantes foi estabelecida no país do sul da África em 2014 pelo então presidente conservacionista Ian Khama. Mas os deputados do Partido Democrático de Botsuana (PDB), atualmente no poder, pressionaram para que a proibição fosse revogada, argumentando que as populações se tornaram incontroláveis em algumas áreas. O presidente Mokgweetsi Masisi assumiu o cargo após Khama, em abril do ano passado. O novo presidente se distanciou das políticas de defesa da fauna selvagem iniciadas por seu predecessor e, cinco meses depois, foi iniciada uma revisão pública da medida. "Botsuana tomou a decisão de revogar a suspensão da caça", disse o Ministério do Meio Ambiente do país sul-africano, em comunicado. Botsuana tem a maior população de elefantes da África, com mais de 135 mil animais em liberdade, em seus parques e amplos espaços abertos, mas especialistas estimam que a população pode chegar a 160 mil animais. Como óleo de palma, estradas e hidrelétricas podem levar espécie de elefante e orangotangos à extinção O número de paquidermes no país, famoso destino de safáris de luxo, quase triplicou nos últimos 30 anos. Agricultores lutam para manter os elefantes fora de seus campos, onde comem produtos agrícolas e, às vezes, podem colocar as pessoas em risco. Segundo o governo, uma revisão do comitê do gabinete revelou que "o conflito entre humanos e elefantes aumentou em número e intensidade e estes animais afetam cada vez mais os meios de subsistência [da população]". "O consenso geral [...] foi que a proibição da caça devia ser retirada", acrescentou o ministério, prometendo que a prática seria restabelecida "de um modo ordenado e ético".
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22/05 - Tempestades e tornados causam estragos e deixam mortos nos EUA
Veículos de imprensa norte-americanos registraram mais de 130 tornados em uma semana. Ao menos 3 morreram. Casas no Oklahoma correm risco de desabar por causa de cheias após tempestades nos EUA KOCO-5 via AP Tempestades e dezenas de tornados atingem o centro e o sul dos Estados Unidos desde o fim de semana passado. Ao menos três pessoas morreram até esta quarta-feira (22), e as autoridades norte-americanas de meteorologia alertam para mais riscos de inundação. No Iowa, tornado destruiu casa; EUA contaram mais de 100 tornados em uma semana Kelsey Kremer/The Des Moines Register via AP Tornado é flagrado no Oklahoma, nos Estados Unidos Clint Lively via Reuters Tornado destruiu estabelecimento comercial no estado norte-americano do Missouri Missouri State Highway Patrol via AP O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS, na sigla em inglês) detectou mais de 30 tornados no Texas, Oklahoma, Missouri e Iowa. Entretanto, veículos de imprensa norte-americanos relataram mais de 130 fenômenos do tipo em uma semana. Segundo a agência Associated Press, autoridades norte-americanas reforçam o pedido para que as pessoas deixem as áreas de risco. Houve deslizamentos em encostas, e algumas casas foram completamente destruídas pela erosão. Mais chuvas Chuvas inundaram propriedade rural no Oklahoma (Estados Unidos) Sue Ogrocki/AP Photo Na quarta-feira, as tempestades se deslocaram rumo ao norte do país, na região dos Grandes Lagos. Mesmo assim, o meteorologista Brian Hurley, da NWS, disse à agência Reuters que a região atingida pelos fortes ventos nesta semana ainda terão tempo ruim. "As Grandes Planícies não vão ter folga", disse Hurley. "Mais tempestades vão se formar durante a noite até a manhã de quinta-feira." A previsão é que chova cerca de 5 centímetros ao longo do Kansas e de Oklahoma, e a oeste do Missouri, com certas áreas chegando a 12,7 centímetros.
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22/05 - Presidente filipino ordena envio de toneladas de lixo ao Canadá
Duterte decide arcar com custos do retorno de 69 contêineres de lixo enviados há anos por empresa canadense às Filipinas, motivo de tensão entre os países. Se Ottawa recusar, entulho será despejado no mar, ameaça. Manifestante protesta diante da embaixada canadense nas Filipinas por causa do caso dos contêineres de lixo exportados AP/Aaron Favila O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ordenou que sejam mandadas de volta para o Canadá toneladas de lixo que o governo filipino alega terem sido enviadas ilegalmente pelo país norte-americano ao seu território, anos atrás. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22) pelo porta-voz da presidência filipina, Salvador Panelo. Segundo ele, se Ottawa se recusar a receber o lixo, ele será despejado em águas canadenses. "O posicionamento do presidente é fundamentado em princípios e inflexível: as Filipinas, como uma nação soberana independente, não podem ser tratadas como lixo por outra nação estrangeira", afirmou Panelo. O porta-voz disse que Duterte ordenou seu governo a contratar uma empresa de transporte privada para transportar ao Canadá um total de 69 contêineres contendo cerca de 2 mil toneladas de lixo. As Filipinas vão arcar com os custos do envio, afirmou. Segundo ele, a empresa contratada se chama Bollore Logistics Canada e levará "com segurança o lixo de volta ao Canadá o mais rapidamente possível". O transporte deve ser concluído até o final de junho, calculou o porta-voz. Esses contêineres foram enviados ao país asiático entre 2013 e 2014 por uma empresa canadense, supostamente para que o lixo fosse reciclado. As remessas foram rotuladas como plásticos, mas continham também resíduos como fraldas, jornais e garrafas de água. Há anos o debate sobre o que fazer com esse material é acirrado. Ottawa afirma que o envio do lixo às Filipinas foi uma transação comercial realizada sem o consentimento do governo canadense. Ainda assim, o Canadá já havia concordado em transportar o lixo de volta, e os dois países estavam no processo de organizar esse envio. Contudo, o governo canadense perdeu um prazo definido pelas Filipinas para retirar os contêineres, até 15 de maio, o que irritou o governo em Manila. Como represália, Duterte mandou chamar seus diplomatas em Ottawa na semana passada. "Obviamente, o Canadá não está levando a sério esse assunto ou nosso país. O povo filipino está gravemente insultado por o Canadá tratar nosso país como um local de despejo", disse Panelo. Na semana passada, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou que seu governo estava trabalhando com as autoridades filipinas e que esperava chegar a uma solução para o lixo em breve, mas não especificou um novo prazo. Nesta quarta-feira, a ministra canadense do Exterior, Chrystia Freeland, afirmou que Ottawa está "comprometida em resolver essa questão o mais rapidamente possível". A declaração foi dada após ele conversar com o ministro filipino do Exterior, Teodoro Locsin, sobre a polêmica. A questão, contudo, não é a única a elevar tensões entre os dois países. Os laços diplomáticos já haviam sido testados quando Trudeau questionou, logo após assumir o cargo, em 2015, a guerra contra as drogas conduzida por Duterte nas Filipinas. O presidente filipino rechaça ferozmente qualquer crítica internacional à sua política contra o tráfico, que desde 2016 já levou a polícia a matar mais de 5.300 supostos usuários e traficantes de drogas. Em 2018, Duterte ordenou que as Forças Armadas cancelassem um contrato de 233 milhões de dólares para a compra de 16 helicópteros do Canadá, depois de Ottawa ter expressado preocupação de que eles poderiam ser usados para ações que ferem os direitos humanos. Em um discurso em abril, Duterte ameaçou declarar guerra ao Canadá por conta das toneladas de lixo paradas nos portos de seu país. "Vamos lutar contra o Canadá, vou declarar guerra contra eles."
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22/05 - Crédito de carbono pode ser 'pior do que não fazer nada' contra desmatamento, aponta ProPublica
Reportagem investigativa nos EUA afirma que, na prática, poluidores receberam 'passe livre' para emitir CO2, sem que créditos para tal estejam sendo de fato revertidos em preservação florestal. Crédito de carbono pode ser 'pior do que não fazer nada' contra desmatamento, aponta ProPublica Fernando Martinho/ProPublica Embora o mercado do crédito de carbono tenha gerado muito entusiasmo recentemente, inclusive nos Estados Unidos, há cada vez mais evidências de que eles não renderam, e não vão render, o benefício climático desejado. É o que mostra uma reportagem publicada na quarta-feira, 22, pela ProPublica, organização americana de jornalismo investigativo independente. O crédito de carbono funciona assim: uma entidade paga a outra pelo direito de emitir gases que provocam o efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2). O recebedor desse dinheiro, em tese, o investe em fontes de energia renováveis e deixa de desmatar. Cada crédito é equivalente ao aquecimento global causado por uma tonelada métrica de CO2. O Brasil, que concentra um terço da área de floresta tropical do mundo, é um dos maiores receptores de recursos do crédito de carbono. O mercado dos créditos é atraente para indústrias altamente poluentes, como companhias aéreas, e países industrializados que assinaram o acordo climático de Paris, porque as compensações podem servir como uma alternativa mais barata do que reduzir de fato o uso de combustíveis fósseis. No entanto, de acordo com a publicação, a empolgação com tais planos tem deixado muitos de seus defensores cegos para o fato de que, cada vez mais, surgem evidências de que tais sistemas não trouxeram - e tampouco trarão no futuro - o benefício climático desejado. A jornalista Lisa Song, especializada na cobertura de meio ambiente, energia e mudanças climáticas e que assina a reportagem com colaboração de Paula Moura, analisou os projetos realizados em diversos países nas últimas duas décadas, pesquisou estudos e relatórios governamentais publicados ao redor do mundo e até contratou uma análise de satélite independente para avaliar o quanto restava de um projeto de preservação florestal que começou a vender créditos de carbono em 2013. Quatro anos depois, só havia florestas em metade da área do projeto de preservação. A conclusão da ProPublica é que os créditos de carbono não compensaram a quantidade de poluição que se esperava, ou trouxeram ganhos que foram rapidamente revertidos ou que não podiam ser comprovados e medidos. "Em última análise, os poluidores receberam um passe livre para continuar emitindo CO2 sem culpa, mas a preservação da floresta não chegou a acontecer, ou não durou", escreve ela. Ou seja, a medida pode ser ainda pior do que simplesmente não fazer nada sobre a questão. O Brasil, que concentra um terço da área de floresta tropical do mundo, é um dos maiores receptores de recursos do crédito de carbono Fernando Martinho/ProPublica Histórico de fracassos A reportagem cita dois grandes programas globais e explica seus problemas. O maior deles, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, nasceu a partir do Protocolo de Kyoto, de 1997, quando dezenas de nações fizeram um pacto para reduzir os gases do efeito estufa. "Os líderes europeus queriam forçar a indústria a emitir menos. Os americanos queriam flexibilidade. Países em desenvolvimento como o Brasil queriam dinheiro para lidar com a mudança climática. Uma abordagem sobre a qual todos concordaram foi a compensação de carbono", escreve ela. A ideia era boa: se uma usina elétrica no Canadá precisasse reduzir em 10% suas emissões, mas não quisesse pagar por uma tecnologia mais cara, poderia comprar compensações de carbono em projetos em países em desenvolvimento. Investidores que quisessem construir uma usina de carvão na Índia poderiam, em vez disso, construir uma usina de energia solar, usando o dinheiro da venda antecipada de créditos de carbono para cobrir os custos mais altos do empreendimento. A diferença entre emissões da usina de carvão hipotética e a fazenda solar real seria convertida em compensações. O programa subsidiou milhares de projetos, incluindo hidrelétricas, parques de energia eólica e até mesmo usinas de carvão que pediam os créditos por serem mais limpas do que poderiam ter sido. Logo emergiram escândalos técnicos e de direitos humanos ligados a esses projetos, e a União Europeia parou de aceitar a maioria dos créditos. Um relatório de 2016 descobriu que 85% das compensações tinham uma "baixa probabilidade" de resultar em impactos reais. Algo parecido ocorreu com outro programa global, chamado Implementação Conjunta. Um estudo de 2015 concluiu que 75% dos créditos emitidos provavelmente não representariam reduções significativas. Ele dizia também que, se os países tivessem cortado a poluição, em vez de fazer compensações, as emissões globais de CO2 naquele período teriam sido 600 milhões de toneladas mais baixas. Conclusão da reportagem é que os créditos de carbono não compensaram a quantidade de poluição Fernando Martinho/ProPublica Em comum, quase todos os projetos deixavam de atender a um padrão exigido de qualquer programa de compensação de carbono que dê resultados efetivos, a chamada "adicionalidade". Isso quer dizer que os ganhos ambientais só são efetivos se as usinas solares ou moinhos de vento construídos com os créditos jamais pudessem ter sido erguidas sem os créditos. Eles também raramente tinham um sistema de créditos para a preservação de florestas. Nesse sistema, um poluidor paga um proprietário de terras para reduzir o desmatamento. Seria difícil, diziam, saber quais árvores foram salvas por causa de tais projetos e quais teriam sobrevivido sem elas. Ainda assim, a ideia continuou sendo promovida. A Organização das Nações Unidas chamou-a de REDD, sigla para Redução de Emissão de Desmatamento e Degradação Florestal. Segundo a reportagem, não há uma autoridade central para lidar com os programas que já existem e nunca foi feita uma avaliação abrangente de seus resultados. A ProPublica localizou os estudos que existem sobre o tema. Um deles concluiu que 37% deles foram implementados em terras que já são protegidas, como parques nacionais. Ela também encontrou um documento preocupante do governo da Noruega, país que exporta grandes quantidades de petróleo e gás natural e é um dos maiores defensores desses programas - os recursos noruegueses representam quase metade de todo o financiamento para eles. O relatório dizia que, após uma década de trabalho e US$ 3 bilhões investidos, os resultados estavam "atrasados e não eram certos". A ciência de medir carbono estava sendo empregada apenas parcialmente e havia um risco "considerável" do que é chamado de "vazamento" - quando proteger um pedaço de terra leva a desmatamento em outro lugar. Esse problema, por si só, gera "considerável incerteza sobre o impacto climático", concluiu a análise. Crédito de carbono: agora vai? Um argumento repetido pelos defensores dos sistemas de crédito de carbono é de que as tentativas feitas até agora não tinham dado a eles uma chance real de funcionar. Isso porque muitos projetos venderam créditos em um mercado voluntário para empresas que queriam ter uma imagem pública mais "verde" ou atrair consumidores que se preocupam com o meio ambiente. Isso não permitiu que eles gerassem dinheiro suficiente para dar certo. Daí a empolgação com a entrada da Califórnia e outros gigantes no mercado: finalmente haveria um volume significativo de recursos sendo injetados no sistema. O que ocorreria, por exemplo, se uma grande petroleira pudesse compensar parte de danos ambientais pagando ao Brasil para não derrubar árvores? A Califórnia já tem um programa de cap and trade (quando os limites de emissão de um setor podem ser negociados entre as empresas, criando créditos de carbono para aquelas que reduzirem as suas emissões). Ele permite que as empresas compensem uma pequena porcentagem de sua emissão com projetos de preservação florestal na América do Norte. A novidade é que, neste ano, um conselho estadual pode aprovar o chamado Tropical Forest Standard (Padrão de Floresta Tropical, em tradução livre), um modelo que definirá como as compensações de carbono poderão ser concedidas também para programas intercontinentais. Especialistas dizem que esse modelo pode e provavelmente será adotado por outros países. Em abril, seis membros do Parlamento Europeu pediram que a Califórnia rejeitasse o Tropical Forest Standard, citando preocupações com a mudança do cenário político do Brasil (o governo de Jair Bolsonaro incentiva o agronegócio contra o que ele define como "ativistas fanáticos" ambientalistas) e lembrando que a União Europeia não permitiu créditos florestais em seu programa de cap and trade "devido a preocupações ambientais". Cientistas ouvidos pela reportagem tenderam a concordar com a jornalista quando confrontrados com os problemas. No entanto, eles discordam da tese de que esses programas estejam fracassando. Muitos dizem que o modelo não teve, de fato, recursos o bastante para florescer. A reportagem ouviu o geoquímico americano Foster Brown, da Universidade Federal do Acre, que estuda a Floresta Amazônica e é um defensor do modelo de crédito de carbono. "A busca pela perfeição pode atrapalhar a realização", disse Brown à repórter. "Há um monte de problemas (na implementação do programa). Mas qual é a alternativa?", questionou ele. Barbara Haya, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley, que estuda o mercado de carbono, disse que é ilusão acharmos que esses programas florestais serão capazes de quantificar com precisão - e, portanto, compensar - a quantidade de poluição emitida, mesmo sob o novo padrão. O melhor que podemos esperar é um programa que ajude o clima de alguma maneira incomensurável, opinou ela. O caso do Acre O Estado do Acre tem sido usado como referência e tem despertado o interesse dos californianos. Por isso, a reportagem foi até lá para avaliar como ele estava funcionando na prática. A jornalista afirma que viu "largas extensões de pasto onde antigamente moradores locais tiravam borracha das árvores". A publicação cita ainda que funcionários do governo falam em preservação, mas políticos cortaram o financiamento e planejam expandir o agronegócio. "Vários funcionários públicos do Acre me disseram que sua prioridade é obter recursos externos para proteger as florestas - a validade das compensações de carbono fica em segundo plano", afirma a jornalista na reportagem. Como comprovar a compensação? Um dos problemas é que, para que o sistema de compensações funcione, é preciso que haja uma contabilidade muito bem feita. É preciso estabelecer uma base, um cálculo de quanto desmatamento haveria sem compensações. É fácil manipular o sistema inflando esses números. O Brasil é um dos maiores beneficiários desses programas no mundo. O país, diz a matéria, estabelece bases diferentes para o cálculo. Além disso, há problemas de monitoramento, sugere a reportagem. O Brasil usa um programa de satélite que rastreia a perda de árvores em grande escala, começando com áreas do tamanho de cerca de 10 quarteirões de uma cidade. Mas há sinais de que os proprietários de terras estão desmatando áreas menores para escapar da detecção. O sistema não leva em conta outros fatores importantes, como a degradação, o desgaste de árvores por causa de incêndios e a extração de madeira. A reportagem questionou como o governo do Acre pode ter certeza de que os créditos vendidos são válidos. Vera Reis, diretora executiva da agência ambiental estadual do Acre, disse que a credibilidade é "primordial" e que o país tem, sim, sistemas de monitoramento precisos, que detectam áreas menores. A reportagem retrata também um problema de mercado, ao citar uma fracassada tentativa de implementação de uma indústria de cacau no Estado. A matéria cita Fluvio Mascarenhas, analista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo ele, o governo tentou fazer com que as pessoas valorizassem produtos florestais brasileiros, como castanha e borracha, mas o mercado não acompanhou. "O mundo está nos dizendo que temos que preservar", disse ele, "mas ninguém está nos mostrando como fazer isso." Esse tipo de problema é recorrente em projetos de compensação florestal em todo o mundo, explica a reportagem. Eles em geral têm como alvo moradores de zonas rurais que cortam árvores árvores para obter combustível ou para a agricultura, e que deixariam, em tese, de fazê-lo, mas isso só funciona se as vendas de crédito de carbono forem uma alternativa viável. Elas raramente são, diz a matéria. A borracha da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, é vendida por cerca de 2 reais o quilo, o suficiente apenas para uma xícara de café, enquanto uma vaca vale 800 reais. "O Brasil tem muito orgulho de ter produzido uma queda acentuada no desmatamento da Amazônia desde 2004. No entanto, é impossível dizer qual foi benefício adicional de financiadores estrangeiros. A queda coincidiu com um enorme programa federal de preservação. Quando o país afrouxou as restrições e a fiscalização em 2012, o desmatamento começou a aumentar", escreve a repórter. A matéria cita uma pesquisa recente sobre as contribuições da Noruega para o Fundo Amazônia que observou que "ainda precisa ser comprovado com rigor analítico um elo causal para diminuir as taxas de desmatamento no Brasil". No caso da reserva Chico Mendes, a reportagem explica que a cobertura florestal está mantida em 94%, mas, mesmo assim, o desmatamento aumentou 60% entre 2000 e 2016, de acordo com dados do pesquisador Mascarenhas. A reportagem explica como a situação política pode influenciar o problema. O desmatamento já vinha crescendo. Agora, há incerteza diante do fato de que o governo do Acre está alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, que apoia o agronegócio. O dilema dos 100 anos A reportagem explica que o dióxido de carbono permanece na atmosfera por cerca de 100 anos. Sendo assim, as compensações florestais só funcionam se as árvores permanecerem intactas por um século. Só que isso não acontece. Por exemplo, há o caso de créditos comprados pela Fifa como parte de um compromisso de sustentabilidade que a entidade fez antes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A ideia original era cessar o desmatamento em áreas altamente exploradas ao longo das fronteiras do território da tribo indígena Paiter-Suruí, em Rondônia. Mas alguns membros do grupo, desiludidos com a quantidade de dinheiro que estava sendo destinada a grupos internacionais para gestão de logística, se juntaram a madeireiros e ativistas contrários aos programas de compensação de carbono para sabotar o projeto. O projeto vendeu 250.000 créditos. Enquanto isso, um líder tribal documentava a destruição. "Todos os dias, 300 caminhões deixam nosso território repletos de madeira", escreveu ele em uma carta pública em 2016. O projeto foi suspenso no ano passado, depois que os madeireiros destruíram mais árvores do que todos os créditos vendidos. Os cientistas e especialistas em florestas com quem a repórter conversou dizem que, "se a Amazônia perder muitas árvores, ela atingirá um ponto de inflexão, deixará de ser um ecossistema exuberante e se transformará numa savana semiárida. As consequências seriam globais. E os países ricos não são generosos o suficiente para financiar a preservação das florestas tropicais sem receber algo em troca".
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22/05 - Brasil não assina acordo global para limitar o uso do plástico
Baleia cachalote encontrada morte na Sícília, região da Itália, tinha plástico no estômago. Reprodução/Facebook/Greenpeace A julgar pela disposição demonstrada nos primeiros cem dias do governo de Jair Bolsonaro, dando prioridade ao combate ao lixo marinho ao criar o Plano de Ação Nacional de Combate ao Lixo no Mar - para o qual seriam investidos R$ 40 milhões - os ambientalistas acharam uma contradição a decisão de o país não assinar um acordo, proposto pela ONU no dia 10 deste mês, para tentar conter o problema dos plásticos na natureza. Conversei na terça-feira (21) com Anna Carolina Lobo, gerente do Programa Marinho e Mata Atlântica do WWF Brasil, que me confirmou que o Brasil, ao lado dos Estados Unidos e de outros cinco países, optou por abrir mão de estar no grupo dos 187 que apoiaram a resolução da ONU para diminuir a produção do plástico de uso único, para fomentar pesquisas no sentido de descobrir alternativas e fazer estudos científicos para a reciclagem. Aqui, vale um parênteses para lembrar que o Brasil e os Estados Unidos estão entre os cinco países que mais produzem lixo plástico, além da China, Índia e Indonésia. E que, segundo a ONU, “a poluição proveniente do lixo plástico atingiu proporções epidêmicas com uma estimativa de 100 milhões de toneladas de plástico encontradas atualmente nos oceanos”. Fecha o parênteses. Uma semana depois do lançamento do Plano Nacional, em março, na cidade de Santos, veio a primeira surpresa desagradável para os ambientalistas: numa reunião de meio ambiente da ONU em Nairóbi, no Quênia, o Brasil se posicionou fortemente ao lado dos Estados Unidos, país que vem sendo contra acordos globais de meio ambiente. Depois disso, há dez dias, o Brasil se posicionou oficialmente contrário ao “Planeta Limpo, Pessoas Saudáveis: Boa Gestão de Produtos Químicos e Resíduos”, título dado ao acordo conseguido em Genebra. Um dos fatos que impressiona os ambientalistas na decisão tomada por Brasil e dos Estados Unidos é que os dois países não são os maiores produtores de plástico do mundo, posição ocupada por algumas nações da Ásia, como Singapura. Uso do plástico é problema global Reprodução/ TV Gazeta “É inacreditável, uma grande contradição. Foi uma surpresa para nós, porque no início do governo havia uma determinação em cuidar do tema lixo marinho. O Brasil fez um movimento de aproximação dos Estados Unidos por conta da OCDE, que agora anuncia que vai priorizar a entrada da Argentina e da Rússia”, diz Anna Carolina Lobo. Haverá ainda uma chance, em setembro, numa nova reunião da ONU, para tentar reverter a postura do Brasil. Para isso, já está circulando na internet uma petição dirigida aos líderes mundiais para que eles estabeleçam metas rigorosas para acabar com o despejo de plástico nos oceanos até 2030. Neste caso, a importância da opinião pública é grande, porque o número de assinaturas pode ajudar a pressionar os líderes mundiais. Neste sentido, há uma certa esperança por parte dos ambientalistas. “Desde 2015, quando foi descoberta uma tartaruga cujo corpo ficou com forma de ampulheta porque ficou presa a um plástico do tipo usado em latas de cerveja as pessoas começaram a ter sua atenção voltada para o problema. Na verdade, todo mundo que consome frutos do mar, por exemplo, está consumindo plástico", diz Anna Carolina Lobo. "O plástico é o lixo número um encontrado no Oceano Atlântico aqui no Brasil. Baleias, golfinhos e tartarugas morrem aos montes, todos os anos. Eles nadam até a praia para morrer e, quando se abre o estômago deles, está coberto de plástico. Sem contar que isso não ajuda o turismo. Em São Paulo, já existe legislação contra as sacolas plásticas em supermercados, por isso fica mais difícil entender a posição do Brasil no Acordo conseguido em Genebra”, acrescenta. A ambientalista lembra que hoje o plástico já é um problema global, não está mais circunscrito às zonas exclusivas de cada país. “Oitenta por cento dos plásticos que estão nos oceanos são produzidos em terra, mas depois, pelas correntes marinhas, eles acabam chegando em todos os cantos do mundo. Na semana que passou, anunciaram que foi encontrado plástico na parte mais funda do oceano, e há um tempo encontraram plástico na Antártida. O plástico chegou em todos os cantos do planeta. Por isso, para se conseguir solucionar o problema, é preciso ter um acordo global, não adianta um país fazer e todos os outros não fazerem nada”, diz Lobo. O acordo sobre resíduos plásticos, conseguido em Genebra na reunião que durou duas semanas, foi uma emenda à Convenção de Basileia (1989), sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito. E os países que assinaram concordaram também em restringir os embarques, para os países mais pobres, de resíduos plásticos difíceis de reciclar. Trata-se de uma estrutura juridicamente vinculante, ou seja, passível de multa. A preocupação surgiu porque, desde que a China parou de aceitar a reciclagem dos Estados Unidos, segundo reportagem do “The Guardian” houve um acúmulo de resíduos plásticos enviados para os países em desenvolvimento. A Aliança Global para Alternativas à Incineração (Gaia, na sigla em inglês), que apoia o acordo, diz ter encontrado aldeias na Indonésia, Tailândia e Malásia que “se transformaram em lixões ao longo de um ano”. “Países exportadores - incluindo os Estados Unidos - terão agora de obter o consentimento de nações que recebam resíduos plásticos contaminados, mistos ou não recicláveis. Atualmente, os Estados Unidos e outros países podem enviar resíduos plásticos de baixa qualidade para entidades privadas em países em desenvolvimento sem obter a aprovação de seus governos”, diz a reportagem. Os Estados Unidos, como não fazem parte da Convenção de Basileia, não votaram nesta decisão. Rolph Payet, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnud), que esteve coordenando a reunião em Genebra, comemorou o resultado, classificando-o de “histórico”. “As negociações foram muito além do esperado. Agora os países terão que monitorar para onde os resíduos de plástico vão quando saem de suas fronteiras”, disse ele. Para dar certo, no entanto, é preciso que as empresas também estejam alinhadas com o propósito, no mínimo para investir em pesquisas que levem à produção de alternativas ao plástico de uso único, como são as sacolas e muitas embalagens. O ideal, porém, é mesmo eliminar totalmente o uso de plástico. Mas basta olhar em volta, sobretudo em supermercados e grandes magazines, para se perceber que este é um objetivo ainda muito difícil de ser alcançado.
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22/05 - Pesquisa aponta que 93% são contra liberação de caça, diz Ibope
O levantamento foi encomendado pela ONG WWF-Brasil para saber o que o brasileiro pensa sobre as áreas protegidas e o meio ambiente. Uma pesquisa feita pelo Ibope aponta que 93% dos entrevistados são contra a liberação da caça no país. O levantamento foi encomendado pela ONG WWF-Brasil para saber o que o brasileiro pensa sobre as áreas protegidas e o meio ambiente. Os entrevistados foram ouvidos de 21 e 26 de julho de 2018. A rejeição à liberação da caça é de 95% entre mulheres e de 90% entre os homens. Nos grandes centros urbanos (capitais e periferias), a rejeição é de 95%, enquanto nas cidades do interior, 91%. Governo publica novo decreto sobre armas O recorte por região aponta que 94% dos moradores do Sudeste são contra a medida, seguidos por Sul (93%), Norte e Centro-Oeste (92%), e Nordeste (91%). “A pesquisa do Ibope mostra que praticamente a totalidade da população brasileira é contra a ideia da liberação da caça no Brasil. Só isso já seria motivo suficiente para sepultar de vez qualquer tentativa nesse sentido”, resume o coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Michel Santos. “Se somarmos a facilitação da caça com a tentativa de fragilização do Código Florestal, que vai diminuir as áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas nas propriedades rurais, temos um cenário muito negativo para a fauna brasileira. Não podemos deixar isso acontecer e temos que agir agora, começando por derrubar a MP 867, que mexe na lei florestal e vai ser votada até semana que vem". O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios.
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22/05 - Conquista estratégica ou risco para a floresta? Projetos para a bacia do Rio Tapajós geram debate
Setor do agronegócio é um dos que mais crescem no país. Região de Santarém pode concentrar novo polo para exportação de grãos para a China. Projetos de infraestrutura são criados para exportar a soja na Amazônia A instalação de hidrelétricas, um complexo de portos e três ferrovias na região da bacia do Tapajós, no Pará, colocam em lados opostos os argumentos daqueles que apostam em conquistas econômicas para o Brasil e de outros que temem que as estruturas sejam vetores de desmatamento na floresta amazônica. Áreas da Amazônia que deveriam ter 'desmatamento zero' perdem 6 cidades de SP em três décadas Amazônia perdeu 18% da floresta em 3 décadas, mostra análise de satélite A região é apontada como uma saída para escoar a produção de grãos para a China. Tanto os que chegam das colheitas de outros estados quanto os que são do próprio Pará. O diretor do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan), Sérgio Schwade, explica que a expansão da infraestrutura é necessária para a garantir um aumento da produção local. “O agronegócio representa 33% do PIB aqui da região" - Sérgio Schwade, diretor do Sindicato Rural de Santarém Schwade diz que a região deve atingir, no próximo ano, uma produção de soja e milho dentro da média nacional. Por hectare, a previsão é de 80 sacas de soja e de 80 a 100 sacas de milho. Ele defende que o agricultor que infringir as leis ambientais seja multado, mas que é preciso dar condições para que a produção ocorra dentro das regras e para que a exportação ocorra. "Os produtos in natura são colhidos hoje e precisam ser consumidos amanhã. Como fazer isso? Manaus não absorve tudo, Macapá não absorve tudo. Aqui nós estamos em um canal de exportação. O produto não é verticalizado para todo o Brasil porque existe uma troca entre países, um intercâmbio. Ele é feito assim: vai o grão e volta outra coisa, volta fertilizante, outros produtos, outros derivados", afirma o diretor do sindicato rural. O secretário municipal de Agricultura e Pesca de Santarém, Bruno Costa, também não vê um embate entre a abertura de infraestrutura na região e a preservação. Segundo ele, o "município se posiciona, respeita e acompanha dentro da competência todos os estudos de impacto das instalações". Abertura de infraestrutura na bacia do Tapajós Rodrigo Sanches/G1 Impacto global Caetano Scannavino, morador da região há 30 anos e coordenador da ONG Saúde e Alegria, diz que não é contra a expansão do agronegócio, mas defende um estudo global sobre o impacto da instalação de um complexo de hidrelétricas, portos e ferrovias. "Uma coisa é a gente pensar em infraestrutura para a Amazônia. Outra coisa é a gente pensar em infraestrutura na Amazônia para o Sudeste", comenta Scannavino. Segundo ele, projetos como o fim do asfaltamento da BR-163 e a criação de ferrovias, como a Ferrogrão, não são exatamente pensados para a região. "Historicamente, colocaram a hidrelétrica de Tucuruí e só depois de 10 anos as comunidades que vivem em volta foram eletrificadas". Em fevereiro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, esteve no Pará e afirmou que o plano é concluir o asfaltamento da BR-163 até o fim do ano e que há estudos para a concessão da rodovia. Santarém é um dos centros para saída da soja no Pará Marcelo Brandt/G1 A promotora de Justiça Ione Nakamura, do Ministério Público do Estado do Pará, avalia que a bacia do Tapajós foi transformada em área de interesse para diferentes atividades econômicas. “É uma área de expansão agrícola, minerária, projetos de infraestrutura e de logística", afirma a promotora. Para ela, um ponto a ser considerado na avaliação do conjunto de obras é o possível aumento desenfreado da população na região e o impacto que ela pode causar. Ela defende a busca do equilíbrio. "Imagina o que é multiplicar a população? Nós vamos estar automaticamente poluindo o rio que muitas pessoas usam para subsistência. Esta preocupação nós precisamos ter: criar infraestrutura para atender demandas sem comprometer o meio ambiente." - Ione Nakamura, promotora de Justiça Rio Tapajós tem intenso fluxo de barcos no Pará Marcelo Brandt/G1 O ambientalista Danicley Aguiar, porta-voz do Greenpeace, afirma que a ONG acompanhou a instalação de hidrelétricas, mas também não tem uma análise “macro” do impacto dos projetos de infraestrutura, e que isso não está previsto na legislação brasileira. "Infelizmente, isso não é uma prática no Brasil. Você vai colocando uma estrada aqui, uma hidrelétrica ali, e aí você não traz para o debate da sociedade o que pode acontecer com o conjunto de obras", afirma. Desmatamento na Amazônia: mais da metade da floresta está em Unidade de Conservação Initial plugin text
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21/05 - Especialistas estimam aumento de até 2 metros no nível dos oceanos até 2100
Previsão mais otimista é de que o nível dos mares suba entre 69 e 111 centímetros, segundo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Aquecimento global pode estar contribuindo para a elevação do nível dos oceanos mais rápido do que se imaginava Unsplash É extremamente difícil prever quanto os oceanos vão aumentar devido ao aquecimento global até o final do século, mas, em um estudo divulgado esta semana, 22 especialistas fazem suas estimativas e algumas são piores do que o atual consenso científico. A estimativa de base mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) de 2014 estimava que o pior cenário era de quase um metro de elevação do nível dos oceanos no final do século XXI, em comparação com o período 1986-2005. O estudo publicado na segunda-feira pela Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS) não contradiz este cenário possível, mas adverte que há uma possibilidade que não pode ser descartada de que o aumento seja ainda maior: sua previsão média em um esquema otimista é de 69 cm e de 111 cm se as condições atuais continuarem. O cenário otimista prevê um aquecimento global de 2°C em relação à era pré-industrial (final do século XIX): esse é o objetivo mínimo do acordo de Paris, assinado em 2015. A Terra já aqueceu cerca de 1°C desde essa época. O cenário pessimista, por sua vez, aponta um aquecimento de 5°C, o que corresponde a manter a trajetória atual das emissões de gases do efeito estufa pelas atividades humanas. Mas a margem de elevação dos oceanos, segundo os especialistas envolvidos no estudo, é muito maior: embora o aumento da temperatura global possa ser limitado a 2°C, o aumento no nível do mar pode variar entre 36 e 126 cm; e no caso de um aumento de 5°C existe um risco de 5% que o aumento dos oceanos passe dos 238 cm. O estudo combina as estimativas de 22 especialistas nas calotas polares da Groenlândia e da Antártida. O derretimento dessas áreas é um dos fatores de risco fundamentais para o aumento do nível das águas, juntamente com os glaciares e o aumento do volume de água quente nos oceanos, embora seja também o mais imprevisível. "Constatamos que é plausível que o aumento no nível dos mares possa ultrapassar dois metros até 2100 num cenário de altas temperaturas", escreveram os autores. Isso resultaria na perda de 1,79 milhão de quilômetros quadrados de terras e no deslocamento de até 187 milhões de pessoas, de acordo com os especialistas. "Um aumento dessa magnitude teria consequências profundas para a humanidade", disse Jonathan Bamber, professor da Universidade de Bristol.
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21/05 - Amazon se aproxima de vitória em briga com países da Amazônia por domínio na internet
Varejista trava disputa com 8 países da América Latina que têm território na Amazônia e disputam o uso do domínio ".amazon" junto aos órgãos de registro digital. Países da região amazônica travam disputa em órgão de registro com a varejista Amazon pelo direito do domínio ".Amazon" Peter van der Sleen/Nature A Amazon está próxima de vencer uma batalha de 7 anos contra 8 países da América Latina pelo domínio ".amazon". Os países argumentam que esse domínio deveria ser usado para designações na internet sobre a Amazônia — eles argumentam que o termo se refere à região geográfica e não deve ser o monopólio de uma empresa. A empresa busca ter o direito sobre o domínio desde 2012. A Corporação Global da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann), que supervisiona endereços na internet, disse nesta segunda-feira (20) que decidiu prosseguir com o pedido da Amazon, após o fim de um período para que as partes interessadas chegassem a um acordo. Esse prazo vence no mês passado e as oito nações que dividem a maior floresta tropical do mundo e a empresa de tecnologia não conseguiram chegar a um meio termo. Agora, segundo o Icann, o processo, da forma como foi proposto pela Amazon, ficará sujeito a consulta pública por mais 30 dias. Brasil lamenta O Brasil se pronunciou nesta segunda, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmando que o Icann deveria ter optado pela governança compartilhada do domínio. "Preocupa que uma decisão daquela entidade [Icann] deixe de considerar adequadamente o interesse público identificado por oito governos, em particular a necessidade de defender o patrimônio natural, cultural e simbólico dos países e povos da região amazônica", disse o Itaramaty, em nota. O que diz a Amazon Ao G1, a Amazon afirmou que está disposta a trabalhar com os governos para "proteger a cultura e herança dos povos da região amazônica". “Nós reconhecemos e levamos a sério as preocupações dos governos regionais da Amazônia relacionados ao uso do domínio. A Amazon está ansiosa para trabalhar com esses governos para implementar nosso Compromisso de Interesse Público, conforme propusemos, para proteger a cultura e herança dos povos da região amazônica, ao mesmo tempo em que nos permite o uso do domínio de primeiro nível para apoiar nossa marca mundialmente reconhecida e continuar a surpreender e encantar nossos clientes”, disse a empresa.
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21/05 - Projeto analisa dados de satélite desde 1985 para detalhar situação dos biomas; entenda como funciona
Números do Mapbiomas usam como base as imagens de satélite da classe Landsat, mesma utilizada pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). GIF mostra a mudança da terra desde 85 na Amazônia Igor Estrella/G1 Para detalhar os dados sobre o desmatamento no Brasil, o G1 usou informações disponibilizadas e coletadas pelo projeto Mapbiomas, uma parceria entre universidades, ONGs, institutos nacionais e o Google (plataforma Google Earth Engine). Os dados foram gerados com a ajuda de imagens de satélite da classe Landsat. Amazônia perdeu 18% da área de floresta em três décadas, mostra análise de imagens de satélite O projeto, criado em 2015, está em constante atualização. Os pesquisadores implementaram uma metodologia com mapas anuais que monitoram o uso do solo do Brasil desde 1985. É uma plataforma aberta e com uma base de algoritmos livres para a utilização em outros países. Como são os mapas: Cada ponto no mapa (pixel) representa uma área de 30 x 30 metros no território brasileiro. O Brasil tem 9 bilhões de pixels Cada imagem é uma soma de 105 camadas de informações coletadas ao longo de todo um ano Mais de 120 cientistas participam do projeto. A coordenação é feita por Tasso Azevedo, engenheiro florestal, e por Carlos Souza Jr., do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os satélites Landsat A série de satélites começou na metade da década de 60, a partir de um projeto da agência espacial americana (Nasa). Desde então, foram lançados oito satélites. As imagens dos pontos da Terra são refeitas a cada 16 dias. Diferença do Prodes O Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é a principal ferramenta de monitoramento da Amazônia Legal no Brasil. O último dado disponível, divulgado em novembro de 2018, apontou uma alta de 13,7% entre os anos de 2017 e 2018 - maior taxa em dez anos. Uma das diferenças entre o Prodes e o Mapbiomas é a quantidade de informações e filtros disponíveis para o público. Na plataforma aberta do Mapbiomas é possível fazer recortes específicos sobre o território do Brasil com a mesma base de dados. Além disso, o projeto disponibilizou um novo levantamento exclusivo para o G1 sobre as Unidades de Conservação, terras indígenas e quilombolas que não está disponível no site. No Mapbiomas, é possível fazer comparação entre biomas, entre territórios (indígenas, quilombolas, Unidades de Conservação, infraestrutura urbana), estados do Brasil e até municípios. Tudo desde o ano de 1985. Já o Prodes é a base de dados utilizada pelo governo, que também foi criada com base em imagens de satálite que registram e quantificam áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O foco está na Amazônia Legal. O Mapbiomas avalia todo o território brasileiro. Alguns dos órgãos parceiros e envolvidos no projeto Mapbiomas: Imazon Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Associação Plantas do Nordeste (APNE) Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) Fundação SOS Mata Atlântica e ArcPlan Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Instituto SOS Pantanal e ArcPlan Universidade Federal de Goiás (LAPIG/UFG) Agrosatélite Instituto Tecnológico Vale / Solved Terras WRI Brasil Fundação AVINA The Nature Conservancy (TNC) Coalisão Clima, Floresta e Agricultura WWF Brasil Children's Investment Fund Foundation (CIFF) Instituto Humanize Instituto Clima e Sociedade (ICS) Good Energies Foundation Climate and Land Use Alliance (CLUA) Instituto Arapyaú Gordon & Betty Moore Foundation Iniciativa Internacional de Clima e Florestas da Noruega (NICFI) Initial plugin text
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21/05 - Governo federal aprova registro de mais 31 agrotóxicos, somando 169 no ano
Número de produtos autorizados vem crescendo há 3 anos. No ano passado, foram registrados 450 agrotóxicos Agência Brasil O Ministério da Agricultura formalizou nesta terça-feira (21) o registro de mais 31 agrotóxicos. No ano todo, já são 169 produtos autorizados. O número de defensivos aprovados no Brasil vem crescendo significativamente nos últimos três anos, fato que preocupa ambientalistas e profissionais da saúde. Em 2015, foram 139. Em 2018, 450. O registro de um agrotóxico é feito pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que verifica a eficiência no combate a pragas e doenças no campo. Mas o registro só é concedido quando o produto também é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os riscos à saúde, e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa os perigos ambientais. Sem o aval dos três órgãos, ele não é liberado. Segundo o Ministério da Agricultura, o aumento da velocidade dos registros se deve a ganhos de eficiência possibilitados por "medidas desburocratizantes" implementadas nos três órgãos nos últimos anos, em especial na Anvisa. A agência confirma esforços para diminuir a fila de produtos em análise. A lista dos 169 produtos não é homogênea. Ela contém desde um novo princípio ativo (produto técnico) e suas "cópias" quando caem as patentes (produto técnico equivalente) até o composto que chega ao agricultor (produto formulado) e os "genéricos" desse composto (produto formulado equivalente). Em 2019, nenhum princípio ativo novo foi aprovado. O último registrado foi o sulfoxaflor, no fim do ano passado. Ainda não foram liberados produtos formulados à base dessa substância e, portanto, ela ainda não chegou ao mercado para o agricultor. Esse princípio ativo é associado à redução do número de abelhas em estudos feitos fora do país. Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas Cópias de glifosato liberadas Dos 31 agrotóxicos registrados nesta terça-feira, 29 são produtos técnicos equivalentes, ou seja, reproduções de princípios ativos já autorizados no Brasil. Três deles são do polêmico glifosato, associado a um tipo de câncer em processos bilionários nos Estados Unidos. Os outros dois são produtos finais: Compass e Troia, à base de ametrina e mancozebe, respectivamente. Essas substâncias já estão presentes na composição de outros venenos. Somados todos os atos publicados pelo Ministério da Agricultura em 2019, o número de agrotóxicos autorizados chega a 197. Isso acontece porque os registros de 28 produtos concedidos no ano passado foram formalizados em janeiro deste ano.
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21/05 - Áreas da Amazônia que deveriam ter 'desmatamento zero' perdem 6 cidades de SP em três décadas
Em 1985, elas representavam 47% da área de floresta natural do bioma; hoje, o índice chega a 53%. No Pará, entorno da Floresta Nacional do Tapajós vive pressão da soja e pecuária. Desmatamento na Amazônia: mais da metade da floresta está em Unidade de Conservação Áreas protegidas na Amazônia perderam o equivalente a seis cidades de São Paulo em vegetação em três décadas. Foram 953 mil hectares desmatados em unidades de Conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e quilombolas que deveriam ter permanecido integralmente preservados. Cercadas por territórios com taxas ainda maiores de desmatamento, essas áreas não passaram ilesas às pressões crescentes sobre o bioma, mas ganharam importância: hoje são responsáveis por preservar mais da metade da floresta. Amazônia perdeu 18% da floresta em 3 décadas, mostra análise de satélites Em 1985, elas representavam 47% da área de floresta natural da Amazônia; hoje, o índice chega a 53%, de acordo com monitoramento de satélite. Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre o desmatamento no bioma, o impacto da criação de infraestrutura e bons exemplos de interação com a floresta. Floresta Nacional do Tapajós e o Rio Tapajós ao fundo Marcelo Brandt/G1 Os dados foram compilados a partir de imagens de satélite pelo projeto Mapbiomas (entenda o projeto) e analisados pelo G1. Para mostrar o cenário de desmatamento em áreas protegidas e não-protegidas, a equipe de reportagem viajou até a região de Santarém, no Pará. Em um território pressionado pelo agronegócio e cortado pela BR-163 estão uma floresta nacional e uma reserva extrativista. Unidades de Conservação próximas a Santarém Rodrigo Sanches/G1 Desmatamento: Belterra 10% x Flona 0,1% Na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós vivem mais de mil famílias que podem caçar, plantar e extrair recursos naturais apenas para consumo. Nas imediações da Flona, o território ao lado da unidade de conservação é usado para o cultivo de grãos. O contraste vai além dos tons de verde no cenário demarcado pelo asfalto da rodovia federal e aparece também nos percentuais de desmatamento: a cidade de Belterra - que abriga em seu território parte da Flona Tapajós - teve 10% de sua floresta desmatada em três décadas. Se for considerado apenas o percentual dentro da unidade, a taxa de desmatamento foi de 0,1%. Na prática, os efeitos do desmatamento são sentidos por moradores como João Batista Ferreira, de 58 anos, um ex-produtor de mel. Ele mora em uma área de 400 metros quadrados fora da Flona do Tapajós. João Batista Ferreira, mais conhecido como João do Mel, em seu terreno em Belterra, no Pará Marcelo Brandt/G1 A propriedade está cercada por plantações. O ex-produtor diz que não consegue mais recolher mel e alega que o extermínio das abelhas está relacionado aos agrotóxicos carregados pelo vento, assim como verificado no Sul do país. "Infelizmente não dá mais para manter a criação de abelhas. Eu aconselho que ninguém crie mais aqui, porque não dá mais certo". Do outro lado do rio, Joelma Lopes, de 45 anos, mora na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e vive realidade bem diferente em uma área um pouco mais isolada e protegida onde a taxa de desmatamento fica perto dos 0,5% desde 1985. Joelma empreende produzindo mel e licor com as frutas da estação – na época da visita do G1, taperebá e murici. "Aqui não temos essa preocupação", diz com relação ao impacto do uso de agrotóxicos usados no cultivo da soja. Joelma Lopes em frente à produção de mel na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará Marcelo Brandt/G1 BR-163 e o ciclo do desmatamento O contraste entre as áreas protegidas e as demais na região começou a se intensificar nos anos 1970. A BR-163, que liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, foi inaugurada no início daquela década pelo governo militar. Quase junto à criação da rodovia foi demarcada a Flona do Tapajós, em fevereiro de 1974. À época, havia um plano de povoar a região do Pará. Famílias de diferentes regiões do Brasil subiram em busca de terras. Ao longo dos anos, o perfil da ocupação mudou. As famílias passaram a formar pequenas comunidades, e depois a maior parte das terras desmatadas foi transformada em pastagem, para depois a pastagem ser substituída por agricultura. Esse é o ciclo de desmatamento da Amazônia, que ainda se repete no contexto atual. Caminho da mudança da terra na Amazônia Rodrigo Sanches/G1 'Caos fundiário' A promotora de Justiça Ione Nakamura, que trabalha para regularizar as terras da região, explica que é preciso entender o "caos fundiário" que se arrasta ao longo de todos esses anos para entender o desmatamento na Amazônia. O problema está na ocupação desregrada de terras da União. A promotora explica que, por falta do registro de quem ocupa as áreas, não é simples encontrar o responsável pelo corte de árvores ou qualquer outra exploração irregular dos recursos naturais. Se uma propriedade rural é privada, ela deve respeitar a regra de proteger 80% da floresta se está situada na Amazônia Legal. Uma das entradas da Floresta Nacional do Tapajós; visitantes precisam pedir autorização ao ICMBio Marcelo Brandt/G1 Em uma tentativa de tentar resolver o problema, o governo federal criou em 2012 o Cadastro Ambiental Rural (CAR). A ferramenta é autodeclaratória: a pessoa diz que é dona da terra e informa dados ambientais. Depois, a confirmação deve ser feita junto ao governo. O "caos fundiário" aparece também na sobreposição de registros do CAR – quando duas ou mais pessoas alegam ter propriedade das terras. Em levantamento feito pelo G1 em 2017, foram verificadas mais de 11 mil declarações sobrepostas em terras indígenas homologadas no Brasil. "Ocupa-se a área pública, e é feito o desmatamento como forma para valorizar a terra e vender. Se uma área tem aptidão para agricultura, ela vai valer mais", diz Tasso Azevedo, coordenador-técnico do Observatório do Clima e coordenador-geral do MapBiomas. A mudança do uso da terra é a principal causa das emissões de dióxido de carbono no Brasil. Os biomas Amazônia e Cerrado respondem por 54% delas entre 1990 e 2015. Marcelo Brandt/G1 Produzir sem desmatar? Fora das áreas protegidas, a Amazônia perdeu 39,8 milhões de hectares em três décadas, o que representa 19% sobre todas a floresta natural não demarcada que existia em 1985, uma perda equivalente ao tamanho de 262 cidades de São Paulo. Nas áreas protegidas, a perda acumulada foi de 0,5%. A análise dos dados de satélite mostra que, não só na Amazônia, mas em todos os biomas brasileiros, o território de floresta muda para ser área do agronegócio. Pastagem e agricultura representam 84% do que se tornou a Amazônia nos últimos 33 anos. Do outro lado da cena, naquilo que não necessariamente precisa ser um embate, está um dos setores mais relevantes para a economia do Brasil. Valor da produção agropecuária no Brasil Rodrigo Cunha/G1 Para Caetano Scannavino, morador da região de Santarém há mais de 30 anos e coordenador da ONG Saúde e Alegria, não é possível dissociar a preservação do meio ambiente da manutenção do regime de chuvas da região e, por isso, do sucesso das lavouras. "Se você não tem água, você não tem agricultura. Então, eu não sou contra o agronegócio, eu sou contra desmatar a floresta para botar soja ou gado", afirma. Além do "caos fundiário" e das pressões econômicas já presentes, ambientalistas alertam para o risco de que o percentual de 80% de preservação da floresta dentro das propriedades rurais na Amazônia seja alterado. O projeto de lei 2.362/2019, apresentado por Flávio Bolsonaro (PSL) e Marcio Bittar (MDB), quer eliminar a obrigatoriedade de manter a reserva legal prevista na Código Florestal, lei 12.651, de 2012. GIF mostra a mudança da terra desde 85 na Amazônia Igor Estrella/G1 Mas, afinal, é possível produzir e exportar mais sem aumentar o tamanho do terreno onde está a lavoura? De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Eduardo Assad, não só é possível como é o modelo que vai garantir mais lucro no futuro. Ele defende o uso de terras que já foram desmatadas. Ele cita como base o estudo mais recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentado em 2014, o TerraClass. O balanço traz os números de terras que poderiam ser aproveitadas na Amazônia sem destruir mais floresta primária ("original"). "São 17 milhões de hectares desmatados na Amazônia em regeneração. O dado é de 2014, mas de lá para cá piorou. Além disso, são mais 10 milhões de hectares de pastos degradados só no bioma. No Brasil, são 70 milhões de hectares de pastos com baixa produtividade", diz. Assad faz a soma e diz que 87 milhões de hectares podem ser ocupados sem a necessidade de alterar qualquer parte do Código Florestal em vigência. Segundo o pesquisador, isso permite, em uma estimativa conservadora, mais 240 milhões de toneladas de grãos sem a necessidade de desmatar. "A maior biodiversidade do planeta está nas nossas mãos. Então, além de um privilégio, também é uma grande responsabilidade em tempos de mudanças climáticas. A Amazônia gera benefícios globais, mesmo que os custos muitas vezes sejam locais", afirma Caetano Scannavino. Floresta Nacional do Tapajós, em Santarém e Belterra, cidades no Pará Marcelo Brandt/G1 Initial plugin text
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20/05 - Luxemburgo vai doar 100 mil euros para proteger o Xingu
País europeu anunciou doação durante visita de líder indígena brasileiro. Líder indígena Raoni está em viagem pela Europa para alertar líderes sobre desmatamento na Amazônia Emmanuel Dunand/AFP Luxemburgo anunciou nesta segunda-feira (20), durante a visita do líder indígena brasileiro Raoni, uma contribuição de € 100.000 (R$ 456.620,00) para proteger a Floresta Amazônica, de acordo com um comunicado oficial. "Meu governo deseja propor uma contribuição financeira de € 100.000 à Associação Floresta Virgem", disse o primeiro-ministro Xavier Bettel. Esta contribuição será disponibilizada através de um fundo gerido pelo Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Climático e Sustentável do Luxemburgo, afirma o governo. Em sua viagem pela Europa este mês, Raoni quer alertar sobre o desmatamento na Amazônia e está tentando arrecadar 1 milhão de euros para a proteção da Reserva do Xingu no Brasil, ameaçada pela silvicultura e pela indústria de alimentos. Depois de visitar Paris e Bruxelas na semana passada, Raoni fez uma escala nesta segunda-feira (20) no Grão-Ducado do Luxemburgo, um país destacado pela importância do setor financeiro em sua economia. Em Paris, Raoni foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. O presidente francês postou um vídeo da visita em seu Twitter e teve o maior número de cliques (185.000) e compartilhamentos da semana.   Desenvolvimento sustentável na Bolsa Desde 2015, o Luxemburgo tem acentuado a sua posição em relação ao financiamento do desenvolvimento sustentável. Neste contexto, ele ocupa o primeiro lugar no mundo em termos de títulos verdes listados na Bolsa, graças à primeira plataforma de ações dedicadas aos valores sustentáveis, ecológicos e sociais, o Luxemburgo Green Exchange (LGX). O país também reivindica 39% da participação no mercado europeu de fundos de investimento responsável, de acordo com a agência que promove o seu mercado financeiro, Luxemburgo para Finanças.
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20/05 - O pequeno arquipélago que lidera a corrida global para usar hidrogênio como combustível
As Ilhas Orkney, na Escócia, produzem mais energia limpa do que seus habitantes podem usar e quer fabricar hidrogênio e reduzir ainda mais sua dependência de combustíveis fósseis; entenda o que o resto do mundo pode aprender com a experiência. Na ilha de Eday, o Centro Europeu de Energia Marinha testa novas turbinas de maré em meio às águas agitadas Alamy Eu já vi milhares de bombas de gasolina na minha vida, mas este é meu primeiro encontro com uma estação de reabastecimento de hidrogênio. Ele fica na beira de uma estrada nas Ilhas Orkney, um arquipélago na costa nordeste da Escócia, onde os moradores querem que seus carros, balsas e caldeiras funcionem com este tipo de combustível. Quando nos aproximamos da estação, ela parece ser impressionantemente normal. Não há atendentes com trajes de proteção que cobrem o corpo inteiro, ruídos dignos de ficção científica ou sinais de néon para alerta. Apenas uma bomba comum à espera de ser usada. Mas Adele Lidderdale, uma oficial do projeto de hidrogênio da prefeitura das ilhas Orkney, está um pouco nervosa: um dos sensores de sua van tem apresentado defeito ultimamente, diz ela, e pode não aceitar a mangueira de combustível. Ela conecta o bocal em sua van e volta a olhar a tela na outra extremidade. Parece ficar aliviada quando vê a indicação de que o processo de abastecimento começou. Três minutos depois, o tanque está cheio, e nós partimos - tudo isso sem usar uma única gota de gasolina. As Ilhas Orkney têm cinco caminhonetes movidas a hidrogênio, combustível que não emite gases de efeito estufa nem poluição Pixabay Desde que as Ilhas Orkney começaram a planejar sua economia baseada em hidrogênio, em 2016, nem sempre tudo correu tão tranquilamente. Quando cinco vans, incluindo esta, chegaram, em 2017, o arquipélago não tinha hidrogênio para abastecê-las, já que a produção ainda não estava em andamento. Depois de conseguir carregar os tanques de abastecimento, os responsáveis encontraram outro problema: quem poderia consertar um veículo a hidrogênio quebrado em uma comunidade de 21 mil pessoas? Em resposta aos desafios, os moradores contrataram um especialista para treinar um mecânico local, criaram novos programas educacionais para operadores de balsas e elaboraram regulamentos para atualizar a lei marítima para permitir o uso de hidrogênio em embarcações. E não para por aí. Se tudo correr conforme o planejado, até 2021, estas ilhas terão a primeira balsa para carros e passageiros do mundo movida apenas por hidrogênio. O arquipélago pode parecer um lugar improvável para tais aspirações de vanguarda. Mas, se conseguir fazer isso, pode inspirar outras comunidades a também dependerem menos de combustíveis fósseis. "Se podemos sonhar com dirigir um navio a hidrogênio, não há razão para que outros não sigam pelo mesmo caminho", diz Lidderdale. Uma fonte de energia limpa Ao contrário da gasolina ou do diesel marítimo, a queima de hidrogênio não produz, por si só, quaisquer subprodutos prejudiciais ao meio ambiente. Agora, enquanto dirigimos pela capital de Orkney, Kirkwall, o hidrogênio se combina com o oxigênio dentro da van para produzir uma reação elétrica que aciona o motor. A única emissão é água pura. Em outras palavras, não há poluição do ar nem emissões de gases de efeito estufa (como o dióxido de carbono), que contribuem para o aquecimento global. Além dos carros, o hidrogênio poderia ser usado para aquecer edifícios, alimentar instalações elétricas, mover trens, balsas e navios de carga e em processos industriais. Outro benefício é que se você produz muito hidrogênio, pode armazená-lo e transportá-lo em grande escala com relativa facilidade. Como um consultor do instituto de pesquisa Bloomberg New Energy Finance escreveu em uma coluna publicada no ano passado, o hidrogênio "é uma das formas mais promissoras de se lidar com armazenamento de energia a longo prazo, muito além dos minutos, horas ou dias de autonomia que poderiam ser fornecidos por baterias". Mas produzir hidrogênio é complicado. Embora seja a substância química mais abundante no Universo, muito pouco dela está disponível como gás. Em vez disso, forma fortes ligações com outros elementos, como por exemplo, com o oxigênio, para criar água. Você precisa quebrar essas ligações para "liberá-lo" para ser usado. Esse processo requer uma grande quantidade de eletricidade, que pode não vir de fontes "limpas" em si e que poderia estar sendo usada para outros propósitos, como em veículos elétricos. Uma maneira mais barata de produzir hidrogênio envolve a captura e armazenamento de metano e carbono. Alguns especialistas argumentam que isso pode fazer mais sentido em larga escala, mas pode não ser tão simples. No entanto, uma pesquisa publicada em fevereiro de 2019 na revista Nature aponta que o hidrogênio produzido usando eletricidade renovável pode ser competitivo em termos de custo em relação a metano e carbono em uma década. Mas, para as Ilhas Orkney, o hidrogênio via eletricidade funciona bem. O arquipélago já possui uma das maiores frotas de veículos elétricos do Reino Unido. E, mais importante, graças a fontes como energia das marés e das ondas, as Ilhas Orkney geram mais eletricidade limpa do que seus habitantes precisam. Mesmo depois de exportar o excedente para a rede nacional britânica, os ventos, ondas e marés das ilhas geram cerca de 130% da eletricidade de que sua população necessita. Como é difícil armazenar eletricidade em grande escala - ainda não há baterias gigantescas para comunidades inteiras -, algumas turbinas eólicas precisam ser desligadas em certas ocasiões para evitar danos às linhas de energia do continente, que não podem ser modernizadas a um baixo custo. Este corte irrita os moradores das ilhas, e também sai caro para as comunidades que investem em energia limpa. Eles preferem manter as turbinas em movimento ou, alternativamente, encontrar uma forma de usá-las. Então, os moradores tiveram uma ideia: e se usarmos energia limpa excedente para produzir hidrogênio? Produzindo hidrogênio O hidrogênio que Lidderdale bombeava para dentro do tanque de sua van vem da ilha de Eday, onde vivem cerca de 130 pessoas. Eday tinha muita energia limpa e nenhuma maneira de usá-la A população havia investido em uma turbina eólica, na esperança de vender eletricidade à rede nacional do Reino Unido e lucrar com a revolução da energia verde. Mas, no final daquele ano, a empresa operadora da rede anunciou que muitas novas turbinas haviam surgido no norte da Escócia e que não poderia absorver toda a energia limpa produzida, diz o prefeito das Ilhas Orkney, James Stockan. A ilha também é o local onde o Centro Europeu de Energia Marinha (EMEC, na sigla em inglês), a principal instituição global de energia de marés, testa novas turbinas do tipo nas águas escocesas. Com duas fontes confiáveis de energia limpa, a ilha se tornou um lugar ideal para começar a fabricar hidrogênio. Mas, antes de mais nada, os moradores do arquipélago queriam saber se poderiam produzí-lo em primeiro lugar. Em setembro de 2017, uma pesquisa apoiada pelo governo escocês deu a resposta. Dentro de um contêiner verde do tamanho de um trailer, os cientistas passaram eletricidade através da água para dividir suas moléculas em hidrogênio e oxigênio em um processo chamado eletrólise. O oxigênio foi liberado de volta à atmosfera. O hidrogênio foi cuidadosamente comprimido e armazenado em cilindros, usados primeiramente para uma aplicação bastante modesta: seu conteúdo foi convertido em eletricidade por meio de uma célula de combustível no porto de Kirkwall, para acender luzes em alguns dos navios do porto, bem como aquecer um salão frequentado por marinheiros. Foi a prova de que se você tem muito vento em uma sexta-feira, pode criar hidrogênio com ele e usá-lo para ligar as luzes, aquecer um quarto ou ligar seu carro no domingo. Depois disso, novos projetos começaram a surgir rapidamente. Uma segunda estação de eletrólise foi instalada na ilha de Shapinsay, bem como uma caldeira para uma escola e plantas para criar uma balsa híbrida. Enquanto isso, havia várias estações de recarga e cinco caminhões adaptados a hidrogênio. Mas havia metas ainda mais ambiciosas à frente. Tecnologia pode 'limpar' uma indústria poluidora Quando nossa balsa saiu do porto, o motor movido a diesel e pistões fez barulho, mas ninguém a bordo parecia se importar. Os cerca de uma dúzia de passageiros permaneceram conversando entre si ou navegando em seus telefones. A ausência de incômodo diante desse ruído metálico toda vez que um motor é acionado significa que normalizamos a poluição sonora? Inicialmente, vim às Ilhas Orkney por causa deste navio. Empresas e governos em todo o mundo estão pesquisando como usar o hidrogênio para limpar a poluidora indústria de transporte marítimo, que é responsável por mais de 2% de todas as emissões globais de dióxido de carbono. Quando perguntei a um especialista da Fundação Europeia do Clima, uma organização sem fins lucrativos dedicada a políticas ambientais no continente, sobre a fronteira da navegação limpa, ele me disse para visitar o arquipélago. Como um arquipélago de ilhas dispersas, Orkney depende do sistema de balsas. Médicos, bens, professores e membros de famílias viajam diariamente entre os portos, permitindo que exista um senso de comunidade. Mas as balsas também consomem cerca de um terço dos combustíveis fósseis das Ilhas Orkney, dificultando sua ambição de se tornar um lugar mais verde. "Se você está procurando como livrar o setor marítimo do carbono, esta é uma ótima forma de fazê-lo", diz John Clipsham, gerente para hidrogênio da EMEC. A ilha de Shapinsay, para onde estamos indo, abriga pouco mais de 300 habitantes entre costas e colinas impressionantes. Ao lado do píer, Steve Bews, o presidente do Fundo Comunitário de Desenvolvimento de Shapinsay, espera por mim em uma van branca movida a gasolina. Seguimos através do campo montanhoso até a turbina eólica que fica no topo de uma encosta. Construída em 2012, a turbina da comunidade criou renda suficiente para fornecer subsídios educacionais, comprar um táxi elétrico para serviços comunitários (não há táxis na ilha) e fundos para uma viagem extra da balsa para Kirkwall todas as noites. Mas seu funcionamento é restringido, assim como sua lucratividade, porque Bews diz que, de outra forma, 36% de seu potencial seria desperdiçado. Quando várias organizações se aproximaram há alguns anos atrás, procurando excedente de eletricidade para produzir hidrogênio em Shapinsay, o fundo concordou. "Temos muita eletricidade de fonte limpa, e isso faz sentido", diz Bews. A estação de eletrólise estava em construção em dezembro de 2018 e deve ficar pronta em 2019. Será capaz de produzir 500 kg de hidrogênio por dia, aproximadamente a demanda diária do serviço de balsa de Kirkwall para Shapinsay, caso ele se torne operacional. As pessoas em Shapinsay conseguem vender o excedente de eletricidade e recebem um aquecimento mais barato para seus filhos: uma caldeira de hidrogênio ao lado da escola local aquece suas salas de aula. Um tempo depois, Bews me deixa novamente no cais. Uma vez a bordo, a balsa sai de Shapinsay com seu ruído metálico do transporte do século 20. Eu me pergunto se seus dias são contados. A jornada à frente Mesmo que os dias de diesel marítimo tenham um prazo de validade, não prenda sua respiração esperando por isso. O plano de Orkney é um protótipo. O resto do mundo levará anos ou décadas para seguir pelo mesmo caminho. Ainda assim, os primeiros passos são promissores. O trabalho no projeto de balsa já está em andamento em Port Glasgow, onde fica o estaleiro parceiro Ferguson Marine. Enquanto isso, um projeto californiano chamado Water-Go-Round promete ter uma balsa de hidrogênio funcionando ainda este ano. Um programa conjunto sueco-norueguês está explorando como a tecnologia de célula combustível pode mover embarcações maiores, e uma gigante japonesa anunciou planos de ter um navio de 200 metros de comprimento com emissões zero até 2050. No nível político, a Organização Marítima Internacional (OMI) concordou, em abril de 2018, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor. Os países reunidos na sede da OMI em Londres prometeram fazer cortes de 50%, até 2050, em comparação com os níveis de 2008. É uma grande mudança para qualquer comunidade fazer. Da casa em que fiquei em Stromness, a segunda cidade mais populosa das Ilhas Orkney, pude ver Flotta, uma pequena ilha conhecida por seu terminal de petróleo. A certa altura, foi o segundo maior a atender o Mar do Norte britânico. Comparado ao otimismo da ilha em relação à energia limpa, o terminal é uma presença sinistra - tanto uma relíquia do passado quanto uma lembrança de como os combustíveis fósseis estão entrelaçados no tecido social atual. Caron Oag, diretora de marketing para hidrogênio da EMEC, contou que seu pai trabalhou no terminal de petróleo durante anos. É uma história ouvida em todas as ilhas. "Muitas pessoas da minha geração cresceram em lares onde a renda vinha da indústria de petróleo", disse Oag. Como muitos jovens do arquipélago, ela sentiu que sua terra natal oferecia poucos caminhos profissionais e se mudou para o exterior para trabalhar e estudar. Mas isso mudou. A indústria de energia limpa está agora dando aos jovens das Ilhas Orkney novas opções profissionais além da agricultura e dos combustíveis fósseis. "Meu trabalho é um bom exemplo de como estamos criando novas oportunidades", diz Lidderdale, que trabalhou para o EMEC entre 2012 e 2016. Muitas pessoas das Ilhas Orkney parecem orgulhosas da sofisticação de suas tecnologias. Mas parecem ter ainda mais orgulho da capacidade de fornecer empregos de qualidade para seus jovens profissionais. O potencial da indústria até mesmo está atraindo pessoas de fora dali. Talvez as Ilhas Orkney possam fornecer um rumo para outras pequenas comunidades que estão vagamente conectadas a capitais nacionais ou regionais. Talvez a transição para longe dos combustíveis fósseis abra uma janela de oportunidade para estas regiões. "Existem milhares de ilhas no mundo", diz o prefeito Stockan. Ele sonha com um mundo livre de carbono, onde as ilhas assumam a dianteira, em vez de ser um reflexo tardio de novas políticas. "Temos uma commodity exportável (com o hidrogênio) que podemos compartilhar com elas para que não sejam as últimas - mas as primeiras - a conseguir fazer isso."
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20/05 - Baleia é encontrada morta na Itália com plástico no estômago, diz Greenpeace
De acordo com a ONG, não é possível afirmar se a baleia morreu por causa do plástico. Outras cinco baleias da mesma espécie foram encontradas encalhadas na região nos últimos cinco meses. Uma baleia foi encontrada morta com plástico no estômago em uma praia da Itália, de acordo com a organização não-governamental Greenpeace. Reprodução/Facebook/Greenpeace Uma baleia foi encontrada morta com plástico no estômago na praia de Cefalu, na Sicília, região da Itália. A informação foi divulgada pela organização não-governamental Greenpeace. De acordo com a organização, não é possível afirmar se a baleia morreu por causa do plástico. O animal foi encontrado durante um projeto de pesquisa e monitoramento do litoral italiano, feito em conjunto com o Blue Dream Project. De acordo com o Greenpeace, a carcaça achada é de uma baleia cachalote macho de cerca de 6 anos. Outras cinco baleias da mesma espécie foram encontradas encalhadas na região nos últimos cinco meses. "O que você vê nas fotos é um jovem cachalote de apenas 6 anos encontrado morto na praia de Cefalu ontem. Um monte de plástico foi encontrado em seu estômago. Não sabemos se ele morreu por isso, mas não podemos fingir que nada está acontecendo: há 5 cachalotes encalhados nos últimos 5 meses, o mar está nos mandando um grito de alarme, um SOS desesperado", escreveu a organização em uma publicação nas redes sociais. O Greenpeace e o Blue Dream Project vão monitorar os níveis de poluição do plástico no mar durante três semanas. A expedição deve terminar em Toscana no dia 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos. Em abril, outra baleia foi encontrada morta com 22 kg de plástico no estômago. De acordo com o Greenpeace, ela estava grávida. Em março, outra baleia havia sido encontrada morta nas Filipinas, com 40 quilos de plástico no estômago. A informação foi divulgada pelos cientistas do grupo D'Bone Collector Museum, organização que visa educar as pessoas sobre a preservação do meio ambiente.
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20/05 - FAO pede proteção das abelhas, 'aliadas-chave' na luta contra a fome
No 'Dia Mundial da Abelha', órgão diz que nais de 75% das culturas que alimentam o mundo dependem de alguma forma da polinização de insetos e outros animais Dia Mundial das Abelhas é celebrado nesta segunda-feira (20) Prakash Singh/AFP A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) pediu nesta segunda-feira (20) às autoridades e governos de todos os países do mundo para proteger as abelhas, "aliadas-chave na luta contra a fome". Fantástico: Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas Por ocasião do Dia Mundial da Abelha, a FAO pediu, de sua sede em Roma, "redobrar os esforços" em face do preocupante declínio mundial das populações de abelhas. "É uma ameaça para uma grande variedade de plantas", alertou a entidade. Mais de 75% das culturas que alimentam o mundo dependem de alguma forma da polinização de insetos e outros animais, por isso sua ausência pode terminar com café, maçãs, amêndoas, tomates e cacau, explicou a FAO. Segundo os especialistas da agência especializada das Nações Unidas, a quantidade de abelhas e outros polinizadores "está sendo reduzida em muitas partes do mundo devido, em grande parte, a práticas agrícolas intensivas, monocultura, uso excessivo de produtos químicos agrícolas e temperaturas mais altas associadas às mudanças climáticas". Segundo a FAO, o desaparecimento de frutas, nozes e muitos vegetais é temido porque eles são substituídos por culturas básicas, como arroz, milho e batata, o que poderia levar a uma dieta desequilibrada. Para sensibilizar as autoridades de todos os continentes, a entidade organizou nesta semana uma conferência em Roma sobre o tema e criou em 2017 o Dia Mundial da Abelha.
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20/05 - Palhaço encena vida e obra de Paulo Freire em ruas e teatros Brasil afora
Richard Riguetti encena vida e obra de Paulo Freire Divulgação Cerca de oito anos atrás, Richard Riguetti e Luiz Antonio Rocha se reuniram em torno de um plano: levar a vida e obra do educador Paulo Freire para os palcos. Com agendas cheias, engavetaram o projeto. No ano passado, já com possibilidade de fazer virar realidade, visitaram Anita Freire, viúva do filósofo, morto em 1997, que adorou a ideia. Este foi o início de “Paulo Freire, o andarilho da Utopia”, em cartaz até 26 de maio no Teatro das Ruínas, no bairro carioca de Santa Teresa. É, portanto, uma tremenda coincidência o fato de a peça estar sendo encenada no momento em que Paulo Freire virou persona non grata do atual governo de Jair Bolsonaro, consequentemente sendo lembrado por professores e estudantes que sempre o apoiaram como patrono da educação brasileira. Este é apenas um dos fatos que me aguçou a curiosidade. Outro ponto interessante é que Richard Riguetti, que encena sozinho a peça, é um palhaço, fundador do grupo Off Sina de circo teatro e que tem trinta anos dedicados ao teatro de rua. Por que um artista com esta trajetória, se interessa pelo educador? “São várias respostas para esta pergunta. A minha é que o palhaço é a menor distância entre duas pessoas e que a nossa grande arte, grande poética, é reconstituir o tecido emocional da população”, conta-me Richard. Como sabem os que me acompanham aqui neste espaço, gosto da ideia de compartilhar com os leitores as descobertas que faço. Perceber um artista tão antenado com o espaço público é uma chance de trazer reflexões que dialogam, diretamente, com o que entendo por desenvolvimento local. Abaixo, a íntegra de nossa conversa: Por que Paulo Freire? Richard Riguetti – Este projeto começou há oito anos, numa conversa com Luiz Antonio Rocha, que faz a encenação da peça (a dramaturgia é de Junio Santos). Mas naquela época não tivemos agenda para tocá-lo para frente. No ano passado, já com uma configuração diferente (separei-me da companheira com quem eu tinha o projeto Off Sina), pude vislumbrar a possibilidade de ter um projeto individual. E achei que o Paulo Freire seria o momento adequado para eu poder comemorar meus 40 anos de profissão. Naquele momento o país começou a passar por um processo de modificação e o Paulo Freire parece que tem muito para lidar com uma situação como esta em que estamos vivendo, para a melhoria da qualidade de vida da população. O que pode parecer hoje, que se trata de uma peça oportuna, para lembrar ao público a importância de um homem que tem sido menosprezado pelo atual governo, então, é apenas uma coincidência? Richard Riguetti - Sim, foi uma coincidência, mas acho que o meu tipo de trabalho está ligado a estas questões políticas da atualidade. A peça já foi encenada em outros estados? Na rua? Richard Riguetti - Nós fizemos esta peça para ser encenada em todos os lugares: no palco do Theatro Municipal ou em cima de um caixote na rua. Nossa estreia foi em Vitória, dentro de um teatro na antiga Casa Legislativa. Um professor nos disse que estávamos fazendo uma limpeza naquele espaço, onde o povo nunca tinha entrado. De Vitória vocês foram para outros estados? Richard Riguetti - Fomos para o Rio Grande do Norte, e encenamos em várias cidades, sempre com recursos próprios. Inclusive em Angicos, onde Paulo Freire, em 1963, alfabetizou 350 camponeses em 40 horas. Fomos também a Janduís, onde encenamos na rua, numa espécie de teatro de pedras. Fomos avisados, pelos próprios artistas do local, para observar uma série de códigos, inclusive andar sempre em grupo. Quando chegamos ao local onde iríamos encenar tinha mais de 90 sapos: tiramos todos eles e ali nós constituímos a primeira experiência do Paulo Freire na rua, para a rua, com a rua. E para moradores de uma cidade de cinco mil habitantes acostumados a um teor de violência muito grande, a peça foi extremamente bem sucedida, aceita, aplaudida. Nós fizemos um debate, como sempre fazemos, que durou duas horas e meia, as pessoas participando diretamente. O que as pessoas costumam perguntar nesses debates pós peça? Richard Riguetti - Há perguntas recorrentes sobre dramaturgia e produção. A outra pergunta recorrente é como a arte de rua foi para o palco: por que um palhaço de rua está encenando Paulo Freire? Então responde para nós... Richard Riguetti - São várias respostas. A minha é que o palhaço é a menor distância entre duas pessoas e que a nossa grande arte é reconstituir o tecido emocional da população. Paulo Freire ficou nos olhos do palhaço porque o palhaço olha o mundo como se fosse pela primeira vez, com curiosidade, com encantamento, e não olha com julgamento. Ontem (18) fizeram esta pergunta e nosso preparador de corpo, o Michel Rubin, disse: “A função do palhaço é resgatar o poder. O poder ser habilidoso, o poder ser bobo, o poder ser genial, o poder ser desajeitado, o poder ser esperto, o poder ser enganado, o poder não saber, o poder ser virtuoso, o poder tropeçar, o poder ser confuso. Enfim, o poder ser humano, com todos esses atributos e matizes, Paulo Freire propõe essa inclusão e reverência do humano.... Essa montagem propõe trazer essa alegria à sociedade. O encantamento permanece, com todos os apesares e revezes da vida. Isso é Paulo Freire”. Como é ser artista de público, de rua, num tecido social tão esgarçado? Richard Riguetti – Ser artista público é algo que não se vende e não se compra, é algo que se constitui como um viés de cuidar do que é público. Fiz dez anos de teatro burguês, do tipo que se cobra bilheteria. Minha estreia foi em “Rasga Coração”, de Oduvaldo Vianna Filho, em 1979: o teatro era um espaço de discussão dos velhos temas da sociedade brasileira. Depois veio a Anistia, a quebra da censura, nossa democracia, nossa formatação, e o teatro começou a ser um espaço onde a burguesia vai para consolidar seus valores. Acho pertinente trabalhar para pessoas que ainda estão num processo de transformação, necessitando que o teatro seja um local de debate para que eles possam ser vistos. Quando vou para a rua é para dar chance ao homem comum, que não tem recursos pra frequentar o teatro, para que ele possa se ver em cena. Não opero na cultura da violência, por isso embora eu ocupe esse território e dialogue com ele, é muito fácil remover essa cultura e chegar à cultura do encantamento, da alegria. Qual o momento da peça sobre Paulo Freire que você mais gosta? Richard Riguetti - É o de hoje, é o desafio, é o de chegar, olhar para as pessoas e dizer: “Caramba, é agora!”. Mas tenho oportunidades de dizer frases como Paulo Freire que eu reflito também como Richard. Dá um exemplo. Richard Riguetti – Tem uma hora que ele diz assim: “Eu gosto de ser gente precisamente pela minha responsabilidade ética e política em face do mundo e dos outros. Eu não posso ser se os outros não são. Eu não posso ser, principalmente, se eu proíbo que os outros sejam”. Então, quando eu falo isso, eu penso: como eu estou vivendo isso no meu dia a dia? E ao mesmo tempo, o que eu estou trazendo isso pra mim?
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20/05 - Pressionado, BNDES muda chefe do Fundo Amazônia antes de investigação do TCU e CGU; entenda os bastidores
Sede do BNDES no centro do Rio de Janeiro REUTERS/Sergio Moraes A expectativa não se confirmou. A entrevista coletiva convocada na última sexta-feira (17) pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre o Fundo Amazônia (criado em 2008 para promover projetos de combate ao desmatamento e uso sustentável da floresta na Amazônia Legal) não revelou nenhuma irregularidade - ao contrário do que ele havia dado a entender dias antes - limitando-se a mencionar vagas “inconsistências”, sem o aval de nenhum órgão de controle ou fiscalização do governo. Para piorar a situação do ministro, após a coletiva, os principais financiadores do Fundo Amazônia (Noruega e Alemanha) manifestaram apoio à gestão do projeto, e a Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou nota se eximindo de qualquer responsabilidade pelas críticas feitas por Salles. O BNDES não aguardou, porém, o resultado da coletiva para agir. O blog apurou que a Diretoria de Governo e Infraestrutura do BNDES nem esperou o que ministro do Meio Ambiente iria dizer para exonerar o mais importante quadro técnico do projeto. Na véspera da anunciada coletiva (quinta-feira à noite), a chefe do Departamento de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia foi formalmente comunicada de seu afastamento. Desde então, Daniela Baccas está incomunicável. Fontes ligadas ao blog informaram que, internamente, a justificativa para a exoneração foi a de que “haveria uma coletiva do ministro no dia seguinte sobre irregularidades no Fundo”. Apenas isso. Nenhum relatório, nenhuma denúncia, nenhuma informação consistente que pudesse justificar o afastamento. Em nota divulgada no sábado, o BNDES informou que “a decisão da diretoria de Governo e Infraestrutura de afastar a chefe do Departamento de Meio Ambiente da função comissionada que exercia reflete prática natural enquanto se esclarecem as questões levantadas, não representando qualquer suspeita específica sobre a conduta dos funcionários do banco”. BNDES afasta chefe do departamento responsável por gerir recursos do Fundo Amazônia A equipe do BNDES que participa da gestão do Fundo reagiu com perplexidade à exoneração de Daniela, quadro técnico aprovado em 1º lugar no concurso realizado pelo BNDES em 2004, e que vinha se destacando internamente com atribuições cada vez mais importantes. Em 2009, Daniela assumiu a chefia do Departamento Jurídico da instituição e participou do primeiro grupo de trabalho que constituiu o Fundo Amazônia. Em 2017, se afastou do Fundo para assumir a Chefia do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, retomando no ano seguinte a gestão do projeto. Não se sabe ainda quem ocupará o cargo de Daniela. Fontes ligadas ao site informaram que nesta segunda-feira, conforme protocolo do BNDES, ela deverá saber seu destino no banco. O mais provável é que retorne ao Departamento Jurídico. Joaquim Levy pressionado Como explicar que a presidência do BNDES tenha permitido a exoneração de um quadro técnico qualificado sem que houvesse algo consistente, mensurável ou digno de registro? A surpresa é ainda maior em se tratando do atual ocupante do cargo. Entrevistei Joaquim Levy em 2016 quando era ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e aceitou participar de um Fórum sobre Mudanças Climáticas em São Paulo (evento preparatório do Brasil para a COP-21) juntamente com a então ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Infelizmente, no Brasil, ministros da Fazenda (ou da Economia, como queiram) não costumam dar entrevistas para falar de assuntos ambientais, salvo raras exceções. Joaquim Levy era uma dessas exceções. Quando era ministro, o atual presidente do BNDES se mostrou interessado no posicionamento claro do Brasil na questão climática: “Eu acho que esse trabalho integrado de todas as áreas do governo é muito importante porque a gente deve entender que o Brasil hoje é a sétima economia do mundo, e é óbvio que o posicionamento do país em relação ao clima tem repercussões, eu diria até, globais”. Levy também me disse na época que “no âmbito do Ibama houve uma grande evolução comparado com 10 ou 15 anos atrás. A questão das licenças ambientais já está melhor e eu acho que um tratamento equilibrado desse tema, do ponto de vista legislativo, pode trazer segurança aos investidores e ter um impacto extremamente positivo na economia.” Bem informado sobre os assuntos da Amazônia, Levy afirmou ainda que “uma das coisas que o Brasil conseguiu avançar bastante foi o papel do reflorestamento na redução das emissões (de gases estufa) líquidas do Brasil". E acrescentou: " E eu acho que nos próximos anos esse papel vai ser importante". A inexplicável exoneração de Daniela Baccas, gestora do Fundo Amazônia, não contribui em nada para que o Brasil avance nessa agenda.
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20/05 - Projeto Refauna libera cutias no Parque Nacional da Tijuca, no Rio
Esta é a quarta geração de animais nativos reintroduzidos na floresta urbana. Desmatamento e reflorestamento acabaram por extinguir fauna local. Projeto Refauna vai reintroduzir 14 cutias no Parque Nacional da Tijuca Refauna/Divulgação O Projeto Refauna vai liberar 14 cutias no Parque Nacional da Tijuca durante a manhã desta segunda (20) e de terça-feira (21). A ação faz parte de uma parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) com o RioZoo e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para repovoar o ambiente com animas nativos. Segundo o diretor Institucional e de Sustentabilidade do Grupo Cataratas e do Instituto Conhecer para Conservar, Fernando Souza, a Floresta da Tijuca passou por um processo de desmatamento e depois foi reflorestada, mas com poucos animais em seu interior. O objetivo do Refauna é reintroduzir espécies nos locais onde elas tinham sido extintas. As 14 cutias foram criadas convivendo com visitantes no Campo de Santana, no Centro do Rio e depois passaram por uma quarentena no RioZoo, em São Cristóvão, na Zona Norte. Os animais foram monitorados pelas equipes de veterinários e biólogos, que realizaram exames para atestar a sua saúde. As cutias têm papel fundamental na dispersão de sementes e ajudam a manter a floresta de pé, segundo a bióloga Catharina Kreischer, do Refauna. Após a soltura, elas serão acompanhadas por radiotelemetria e, futuramente, poderão ganhar a companhia de outros animais, como bugios, jabutis e araras. Em 2018, graças à parceria, foram liberadas oito cutias no parque, na área da Serra da Carioca. Esta é a quarta geração de cutias nascida na floresta e pode-se dizer que tem uma população estabelecida, ocupando uma área de mais de 130 hectares no entorno da área de soltura.
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20/05 - Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas
Nos últimos meses, milhões de abelhas foram encontradas mortas em estados brasileiros. Situação ameaça equilíbrio das áreas de cultivo. Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas Nesta segunda-feira (20) é o Dia Mundial das Abelhas. Como seria o mundo sem elas? Não seria só um mundo menos doce, sem mel... Mas também sem maçãs, peras, abacates, abóboras, melões, melancias, cerejas, pimentas, chocolate, café. A maior parte dos alimentos cultivados depende da polinização. Só que alguns agrotóxicos usados em lavouras estão matando as abelhas e ameaçando o equilíbrio tão importante para todos nós.
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19/05 - Ministério do Meio Ambiente volta atrás e anuncia participação na Semana do Clima em Salvador
Ricardo Salles havia anunciado cancelamento do evento no Brasil com a justificativa de que o país não irá mais sediar a conferência sobre mudanças climáticas da ONU O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa de reunião da Comissão de Meio Ambiente do Senado em março Renato Costa/Framephoto/Estadão Conteúdo O Ministério do Meio Ambiente voltou atrás, e anunciou neste domingo (19) que participará da Semana do Clima da América Latina e do Caribe, em Salvador. Na última semana, o titular da pasta, Ricardo Salles, havia cancelado a realização do evento no Brasil. Em nota, o ministério informou que decidiu formular uma proposta para ser discutida no evento, que contará com a participação da pasta e do Itamaraty. Leia a nota aqui. Na última terça-feira (14), Ricardo Salles havia afirmado, em entrevista exclusiva ao blog da Andréia Sadi, que o governo Bolsonaro decidiu cancelar a semana do clima pois o Brasil já havia desistido de sediar a Conferência do Clima da ONU, a COP 25, que ocorre em dezembro, no Chile. O Brasil, entretanto, deve participar da COP. "Vou manter um encontro que vai preparar um outro, que não vai acontecer mais no Brasil, por quê? Não faz o menor sentido, vai para o Chile! Vou fazer uma reunião para a turma ter oportunidade de fazer turismo em Salvador? Comer acarajé?", afirmou Salles, na semana passada. Após o ministro anunciar o cancelamento, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), afirmou que buscaria representantes da ONU para tentar manter o evento na cidade. "A realização desta Conferência em Salvador é muito importante para a economia da cidade e para mostrarmos os programas que estamos desenvolvendo dentro da agenda climática", afirmou o prefeito em uma rede social. Governo federal volta atrás e confirma evento em Salvador sobre meio ambiente Verba mudança climática atrasada O orçamento de 2019, aprovado pelo Congresso em dezembro e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2018, prevê investimento de R$ 437 milhões para o país se adaptar aos efeitos da mudança climática. Mas, como o G1 mostrou, a utilização de 82% desse total, R$ 357 milhões foi afetada pois o Ministério do Meio ambiente descumpriu o prazo para apresentação do plano de aplicação dos recursos – a legislação estabelece que isso deveria ter sido feito até 17 de março, o que não ocorreu. Esses recursos fazem parte do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, criado em 2009 para apoiar projetos para reduzir a emissão de gases que causam efeito estufa e para adaptação do país para os efeitos da mudança climática, com falta de água em regiões do semiárido. Até este domingo, o governo ainda não havia executado nenhum centavo do orçamento do fundo. Veja a íntegra da nota divulgada neste domingo pelo Ministério do Meio Ambiente O Ministério do Meio Ambiente, através de entendimentos mantidos nesses últimos dias com o Prefeito de Salvador, o Ministro das Relações Exteriores e o novo Secretário-Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, decidiu formular proposta com ênfase na Agenda de Qualidade Ambiental Urbana e no Pagamento por Serviços Ambientais, através de instrumentos financeiros que visem dar efetividade econômica às atuais e futuras ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Brasil, a serem discutidas e apoiadas na Climate Week, em Salvador, bem como nos eventos subsequentes até a COP25, no Chile, os quais deverão contar com a participação deste Ministério do Meio Ambiente e do Ministério das Relações Exteriores.
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18/05 - BNDES afasta chefe do departamento responsável por gerir recursos do Fundo Amazônia
Decisão foi tomada depois de o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) apontar indícios de irregularidades e 'inconsistências' em contratos do fundo, que financia projetos ambientais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que afastou temporariamente a chefe do departamento responsável pelo Fundo Amazônia na instituição, Daniela Baccas. A decisão foi tomada depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciar nesta sexta-feira (17) que a pasta encontrou indícios de irregularidades e “inconsistências” em contratos de projetos que recebem apoio do fundo. Financiadores internacionais desaprovam anúncio de ministro sobre 'irregularidades' no Fundo Amazônia O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES e tem R$ 1,9 bilhão em projetos sobre redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal. O fundo tem contratos com ONGs e entes governamentais, como estados e municípios. Procurado pelo G1, o BNDES confirmou por meio da assessoria o afastamento de Baccas e explicou que a medida visa preservar a funcionária, enquanto são analisados os fatos apontados pelo Ministério do Meio Ambiente. O banco informou que a medida é praxe em casos como esse, mas não informou quem substituirá a funcionária durante o período de afastamento. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao anunciar indícios de irregularidades na gestão de recursos do Fundo Amazônia Patrícia Figueiredo/G1 TCU e CGU O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, informou na sexta-feira (18) que a pasta analisou cerca de um quarto dos 103 projetos apoiados pelo fundo, dos quais, cerca de 30 contratos foram verificados "a fundo". Não foi divulgado o teor dos contratos que suscitaram suspeitas. A pasta também não informou a proporção exata de contratos de ONGs e de entes governamentais nem os critérios para a seleção dos contratos verificados. De acordo com Salles, entre os indícios de irregularidades encontrados, estão casos de contratos com ONGs nos quais até 70% dos recursos teriam sido empregados no pagamento de funcionários próprios da organização ou terceirizados. Em média, de 40% a 60% das verbas teriam sido gastas no pagamento de pessoal. A análise preliminar feita pelo ministério será enviada ao BNDES, responsável pela execução dos contratos do Fundo Amazônia, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria Geral da União (CGU). Anualmente, o fundo passa por dois processos de auditoria, feitos por empresas privadas. A primeira analisa o aspecto contábil enquanto a segunda auditoria verifica o cumprimento de exigências contratuais. Em 2018, as auditorias não encontraram irregularidades. Fundo Amazônia Criado em 2008, o Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Considerado o principal mecanismo internacional de pagamentos por resultados de REDD+ (redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal), o fundo tem em carteira 103 projetos, no valor total de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. O fundo recebeu doações voluntárias do governo da Noruega, principal doador, do banco de desenvolvimento da Alemanha (KfW) e da Petrobras. Em junho de 2017, no governo de Michel Temer, a Noruega anunciou o corte de 50% dos repasses ao Fundo Amazônia a partir de 2018. A medida foi motivada pelo aumento nos índices de desmatamento registrados no Brasil.
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17/05 - Cidades enfrentam o desafio do planejamento
Chicago está entre as cidades que já começam a levar em conta o zoneamento integrado Pixabay A caminho do local onde eu tinha marcado para encontrar Ilan Cuperstein, vice-diretor regional da organização de cidades C40, um mega condomínio está acabando de ficar pronto. Chamou minha atenção porque é bonito, e pela quantidade de apartamentos que possui. Eu estava a pé e fiquei imaginando: quando tudo estiver habitado, quantas pessoas a mais estarão circulando por aquela rua de Botafogo, já tão superlotada? Quantos carros a mais? E a rede de esgoto, terá capacidade? Haverá coleta consciente dos resíduos? Toquei nesse assunto durante a entrevista com Ilan e fiquei sabendo, por ele, que já existem cidades no mundo com um zoneamento integrado. É o que seria preciso para que uma estrutura daquela envergadura não causasse tanto impacto negativo numa região já tão populosa. Portland, Chicago, Cidade do Cabo, Buenos Aires, já começam a levar em conta este planejamento, necessário para que o espaço urbano não expulse as pessoas mais do que as agregue. O Rio de Janeiro, infelizmente, não tem isso. E vamos continuar a lidar com os excessos – de carros, de prédios, de poluição, de resíduos, de caos no trânsito – até que a questão do ambiente em torno passe a ter peso; que a especulação imobiliária encontre limites em políticas públicas, como já acontece em outras cidades. Não se trata de limitar o número de habitantes em cada cidade, mas de organizar a região urbana para que se tenha qualidade de vida. Seguimos conversando sobre este e outros tantos aspectos deste imenso desafio que são as cidades, onde mais da metade da população mundial decidiu morar, não por acaso. O C40 é uma organização híbrida que recebe doações de instituições filantrópicas. “É uma rede de cidades para cidades”, explica-me Cuperstein. Seu maior desafio, e o maior ganho para as cidades que dela fazem parte – hoje são 94, e o Rio de Janeiro está entre elas – é possibilitar aos prefeitos que troquem informações, aprendam uns com os outros. Abaixo, a íntegra de nossa conversa: O que são as cidades C40? Ilan Cuperstein – A ideia é que elas sejam líderes na luta contra as mudanças climáticas ou a favor de ações climáticas, tanto na mitigação quanto na adaptação. É uma rede que tanto apoia o intercâmbio de informações entre elas quanto, hoje, também oferece apoio técnico para alguns projetos. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, atual presidente da C40, fez uma série de ações ambiciosas, entre elas tornar o centro da cidade livre de combustível a diesel. Em tudo isso, o C40 ajuda. O Rio de Janeiro faz parte da C40, o ex-prefeito Eduardo Paes chegou a ser presidente até 2017. A cidade pode ser líder em mitigação ou preservação? Ilan Cuperstein – O Rio fechou, em 2012, o maior aterro sanitário da América Latina, em Jardim Gramacho e construiu o de Seropédica, que é um centro de referência (houve um entrave da atual prefeitura para levar adiante o projeto. As ciclovias também foram uma boa ação: hoje o Rio está entre as cinco cidades da América Latina com maior rede de ciclovias. Os BRTs desafogaram o trânsito e estão permitindo que muitos moradores da Zona Oeste tenham duas horas a mais do dia, antes perdidas em trânsito. Isto é inclusão social. Na questão das chuvas, sim, o Rio precisa avançar e muito, na adaptação. Mas, em termos de resposta, a cidade já melhorou bastante, com a equipe do Centro de Operações do Rio (estou falando das sirenes espalhadas nas comunidades e da quantidade de dados). O Rio de Janeiro faz parte da C40 Pixabay Isto ainda é difícil, né? Há uma distância – e aí já estou falando em termos mundiais também – entre tudo o que se resolve sobre o meio ambiente em encontros, fóruns, reuniões e o que verdadeiramente é feito para melhorar a vida dos cidadãos nas cidades. Ilan Cuperstein – Ainda tem muitos que consideram a questão ambiental como um entrave ao desenvolvimento. Mas, na verdade, se não se cuidar do meio ambiente a região não vai se desenvolver. E as cidades, neste sentido, têm desempenhado um papel de liderança. Quem está na ponta são os prefeitos, eles são cobrados. Fazemos pesquisas com o que chamamos de "cobenefícios", ou seja, como as ações climáticas devem caminhar junto com os benefícios sociais. Por exemplo: se você muda os motores de ônibus numa cidade, quantos atendimentos deixa de fazer nos hospitais, com pessoas que chegam lá por causa de doenças provocadas pela má qualidade do ar? O que é uma cidade sustentável? Ilan Cuperstein – A C40 não trabalha com esta definição. Pensamos sempre em qual o grande projeto que pode colocar as cidades numa posição ambiciosa? Existe, por exemplo, um Compromisso Prazo 2020, que foi assinado por prefeitos de 72 cidades comprometendo-se a fazer um plano de ação climática, que depois vai ser implementado, para botar as cidades numa rota para zero emissões líquidas até 2050. Até 2020 tem que ter o plano, e a gente na verdade verifica se os planos de fato levam à neutralidade em emissões. Por exemplo: mudar a rota de desenvolvimento urbano, eletrificar todo o transporte, ou diminuir o resíduo que vai para o aterro a zero. O Rio assinou este Compromisso? E já entregou o Plano? Ilan Cuperstein - Sim, assinou em 2017, mas ainda não entregou o plano. Quando eu vinha caminhando para cá vi um condomínio imenso que está quase pronto. Vai complicar muito a vida de uma região já bastante populosa. Como evitar isso? Ilan Cuperstein – Há cidades que têm um zoneamento integrado, ou seja, quando vão construir um prédio cruzam três níveis de informação pra ver se ali é lugar pra construir. Tudo é levado em conta: o que significa para a infraestrutura, o projeto de coleta de resíduo, de água. É necessário muita capacidade e muito recurso porque tem que ter todas as informações, tem que ter pessoal capacitado para isso. Para um planejamento orientado de transporte, o prédio tem que ser mais próximo de um corredor de transportes. Curitiba é um modelo disso. Em São Francisco, nos Estados Unidos, toda nova construção precisa ter uma proporção em habitação social Pixabay Nessas cidades, as construtoras já sabem que terão que cumprir regras para este planejamento? Ilan Cuperstein – Sim, e há uma espécie de prêmio: aquelas que constroem perto do corredor de transporte vão poder construir um prédio de 15 andares, por exemplo. Mas se quiser se distanciar, já vai ter que diminuir isto. Várias cidades já fazem assim: Portland, Chicago, Cidade do Cabo, Buenos Aires... Em São Francisco, por exemplo, toda nova construção precisa ter uma proporção em habitação social, e há uma exigência para que se construa infraestrutura urbana para aquelas pessoas. Na hora de construir, precisa saber o impacto, e a construtora tem que entrar nessa equação porque ela está criando uma demanda e tem que arcar com esse custo, porque senão o custo é pago pela sociedade. Ela lucra construindo um condomínio num local valorizado, mas tem que participar. Além disso, a população tem que entender também que talvez exista uma demanda por moradia, mas que não vai ser ali que vai poder subir um prédio de dez andares. Você tocou num ponto importante: a participação dos cidadãos. Acha que as cidades estão muito cheias? Gosta da ideia de se limitar número de habitantes? Ilan Cuperstein – Gente também pode ser solução. As cidades agregam muitos recursos. Os problemas passam pelas cidades, mas os grandes centros de pesquisa estão nas cidades, as grandes empresas que também têm que fazer parte das soluções, as grandes universidades, as mobilizações sociais.
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