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19/10 - Engenheiro do ITA, joseense dirige mapeamento em 3D inédito da Terra
Alberto Moreira estudou na escola João Cursino, fez a graduação no ITA e depois conseguiu uma bolsa de mestrado na Europa. Lá, trabalho chamou atenção da Agência Espacial da Alemanha. Alberto se formou na década de 1980 no ITA em São José Arquivo pessoal Durante um vôo solitário, em um planador, o joseense Alberto Moreira, de 56 anos, sonhou alto - fazer um mapa em três dimensões do planeta Terra. Mas na época, em 1986, o recém-formado engenheiro do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, não tinha recursos para isso. A saída foi estudar ainda mais e obter uma bolsa pra um curso de mestrado na Alemanha. Se mudou pra lá com a esposa e o sonho começou a se tornar real. Alberto ingressou n Agência Espacial da Alemanha. Logo integrou a equipe do instituto e o conhecimento do brasileiro chamou a atenção dos alemães. Em pouco tempo ele se tornou diretor do centro de radares da agência. Esse foi o primeiro passo do projeto TanDEM-X. Basicamente, dois radares fazem o mapeamento do planeta. Eles estão em órbita a 500 quilômetros de altura, um ao lado do outro. "Esses satélites têm um radar em cada um deles. Os dois transmitem ondas de microondas e a gente recebe o eco. É igual ao morcego. O morcego dá um berro e recebe o eco e com as duas orelhas ele consegue localizar o inseto com precisão de milímetros. E os radares funcionam do mesmo jeito", explica o engenheiro. Esse mapeamento revelou detalhes do desmatamento na Amazônia Boliviana e também a comprovação em três dimensões do derretimento das geleiras. Desmatamento da Amazônia mapeado pelos radares DLR Derretimento das geleiras DLR Trajetória Antes de ingressar no ITA, Alberto estudou na escola estadual João Cursino, em São José dos Campos. E, sempre que pode, ele procura voltar pra cidade, durante as férias. "Eu amo o Brasil. É o meu lugar preferido pra visitar durante as férias", afirmou. E o sonho do joseense é poder ver melhor a cidade que serviu de inspiração pra esse sonho de ver o planeta em três dimensões. "Ainda vou tirar uma imagem de três dimensões de São José dos Campos e ver se eu acho alguma coisa especial. E eu tenho certeza que quando eu ver essas imagens do TanDEM-X em 3d dimensões eu vou ficar apaixonado", concluiu. O mapa mostra variações de altitude na superfície terrestre ao longo de mais de 148 milhões de km² DLR/BBC Cientista de São José chefiou projeto de mapeamento em 3D do planeta Terra
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19/10 - ONG italiana mostra a crueldade da indústria no abate de peixes confinados
Abandonar completamente o consumo de proteína animal é uma decisão que vem sendo adiada por mim porque tenho medo de que meu organismo sinta falta. Mas não vai demorar muito. Há uma década não como carne vermelha, evito bastante a de porco. Galinha e peixe ainda entram no meu cardápio, mas não é um consumo diário. Sinto-me bem com isso, fisicamente, e melhor ainda quando penso que, dessa forma, não estou colaborando para aumentar os abusos que a humanidade comete contra os animais, pelo simples fato de julgá-los seres inferiores. Esta última reflexão não é minha, mas de Yuval Noah Harari, historiador que escreveu “Sapiens – Uma breve história da humanidade” (já encontrado até em versão pocket editada pela L&PM), uma obra que merece ser revisitada sempre. Ontem de manhã eu o tirei da estante, quando li, no “The Guardian” , a notícia de que uma ONG italiana, a Essere Animali, fez uma visita a uma fazenda de piscicultura intensiva e gravou um vídeo mostrando imagens chocantes de maus-tratos a peixes. Antes que você, caro leitor, torça o nariz a me julgar uma radical a defender animais marinhos, quero lembrar que as últimas evidências científicas mostram que os peixes sentem dor e sofrimento. Aquela cena bucólica, de pescadores com linhas e anzóis trazendo peixes para a orla em barcos de madeira já se torna “coisa do passado” em muitas regiões. A demanda por peixes, que em 2012 já era de 62 milhões de toneladas/ano, segundo o World Resources Institute, deverá chegar a 140 milhões em 2050. Isto quer dizer o seguinte, caros leitores: não há mais peixes selvagens nos mares e rios em quantidade suficiente para alimentar a população humana. Daí, com inteligência e tecnologia, armas que os peixes não têm, os humanos foram criando formas de confiná-los e forçar a reprodução aos montes. Como acontece com os bois, as galinhas e os porcos. Até aí, a notícia pode parecer até alvissareira, levando em conta que muitos de nós – e eu ainda me incluo nesta lista – ainda nos sentimos dependentes, organicamente, da proteína dos peixes. Só que dois ingredientes são acrescentados a esta “receita de sucesso”: a ganância e a crueldade. Sem se importar com ciclo de vida, muitos humanos estão forçando a criação de peixes de maneira a provocar neles um sofrimento real antes de morrer. “O vídeo mostra gaiolas enormes separadas de sargos, robalos e trutas sendo retirados de redes apertadas, antes de serem despejados em recipientes plásticos, e deixados lentamente para asfixiar. Muitos passam seus últimos momentos se batendo no chão. Alguns dos peixes que sobrevivem sofrem uma sufocação que aparentemente pode durar até uma hora em lajes ou recipientes cheios de lama e gelo no matadouro. A filmagem mostra que alguns são eventualmente mortos com golpes na cabeça de bastões de metal. Ele também mostra ovas de peixe sendo espremidas manualmente de alguns peixes. Ativistas acreditam que isso seria estressante para os animais”, descreve a reportagem do Guardian. Yuval conta que, ao todo, dezenas de bilhões de animais de criação vivem hoje como parte de uma linha de montagem mecanizada, e cerca de 50 bilhões são abatidos anualmente. Esses métodos industriais de criação de animais levaram a um nítido aumento na produção agrícola e nas reservas de alimento dos humanos. Ao mesmo tempo, conta ele, “um número cada vez menor de agricultores é necessário para alimentar um número crescente de pessoas. Hoje, nos Estados Unidos, apenas 2% da população vivem da agricultura”. Apesar de marcar sempre, com letras fortes, o impacto que a industrialização tem causado ao meio ambiente, o historiador põe em evidência que o homo sapiens foi e ainda é “a espécie mais mortífera nos anais da biologia”. É uma honra duvidosa, conclui ele. Concordamos. A questão da Essere Animali é tentar mostrar, com o vídeo que traz imagens horríveis, a necessidade que se tem de criar leis ou regulamentos para proteger os peixes. Manifestos serão ouvidos e uma campanha nacional de petições será lançada com este objetivo. A ONG não descarta, inclusive, protestos de rua: “Os cientistas - e até mesmo a UE - descobriram que os peixes sentem dor. A maioria dos cidadãos europeus concorda conosco, que é hora de dar a eles pelo menos os direitos básicos que os animais terrestres têm", disse Claudio Pomo, co-fundador da Essere Animali , à reportagem do “The Guardian”. Foi em 2009 que a União Europeia descobriu que os peixes sofrem. E, num relatório publicado no início deste ano, está escrito: “Os animais devem ser poupados de qualquer dor, angústia ou sofrimento evitáveis durante o abate e operações conexas ". Você, caro leitor, pode estar se perguntando: mas como é que se evita dor ao matar um animal? A tecnologia, esta invenção humana, dá conta de responder a esta pergunta. É possível aplicar algum “método de atordoamento” antes de abater o bicho, coisa necessária para evitar que ele perceba a morte. Mas, acima de tudo, é preciso acabar com algumas práticas criadas pela indústria para facilitar seu próprio lucro sem prestar atenção à vida de quem vai morrer para nos alimentar. Tem que cuidar, por exemplo, da qualidade da água em que esses peixes ficam. Tem que evitar fazer o bombeamento, o que quer dizer ligar bombas que fazem um barulho terrível enquanto eles estão lá, num tanque, sem condições de fugir para canto nenhum. Outra prática, a asfixia no gelo, é usada em grande parte na Grécia, Espanha e Itália. E é de uma crueldade sem limites, assim como o método de espremer o peixe ainda vivo para tirar dele as ovas. As estimativas do número de peixes mortos globalmente em fazendas comerciais a cada ano variam de 37 a 120 bilhões, com até 2,7 trilhões de peixes capturados na natureza. Estes números bastam para que se reflita um pouco a respeito dos métodos de abate desses seres vivos. Diz Yuval Noah Harari: “Ao contrário de seus equivalentes terrestres, os grandes animais marinhos sofreram relativamente pouco com a Revolução Cognitiva e a Revolução Agrícola. Mas hoje muitos deles estão prestes a se extinguirem em consequência da poluição industrial e do uso excessivo por parte dos humanos. Se as coisas prosseguirem no ritmo atual, é provável que baleias, tubarões, atuns e golfinhos sigam os diprotodontes, as preguiças-gigantes e os mamutes rumo ao desaparecimento”. E nós com isso? O resultado direto é a inviabilização da vida humana no planeta, já que dependemos de todas as espécies para estarmos por aqui. E o que podemos fazer? Refrear o consumo, neste caso específico, de carne de peixe, uma forma de forçar a indústria a ser mais cuidadosa e consciente. É possível, e vou começar hoje mesmo. Amélia Gonzalez Arte/G1
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19/10 - Mergulhador ganha abraço de foca em arquipélago na Inglaterra; veja vídeo
Ben Burnville estava nas Ilhas Farne, situadas na costa Leste de Northumberland. Ele diz que ficou 'amigo' de um grande número desses animais. Mergulhador britânico ganha abraço de foca nas Ilhas Farne Existe uma razão pela qual as focas são chamadas de "cachorros do oceano". Basta ver o vídeo acima feito pelo mergulhador britânico Ben Burnville, e divulgado pela NBC, para entender. Ben mergulhou nas Ilhas Farne, situadas no Mar do Norte na costa Leste de Northumberland, na Inglaterra. Ele contou que se tornou "amigo" de um grande número de focas. Uma delas, inclusive, foi gravada dando "um abraço" e interagindo de forma muito próxima. E o carinho não é só com os humanos. Em 2013, o G1 mostrou uma foto feita pelo fotógrafo da agência Reuters Nigel Roddis. Nela, duas focas dão um "abraço submarino" nas mesmas ilhas inglesas. Veja abaixo: Focas-cinzas brincam e dão 'abraço submarino' próximo às Ilhas Farne, na Inglaterra Nigel Roddis/Reuters
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18/10 - Como reinventar uma usina gigante movida a carvão para produzir energia verde?
O Reino Unido planeja acabar com a eletricidade a carvão até 2025. O que acontecerá com as enormes fábricas deixadas para trás? Uma instalação é pioneira na conversão para a energia verde. A conversão da usina de energia Drax - de carvão em biomassa - custou R$ 3,8 bilhões Chris Baraniuk No trem em direção a um dos últimos locais do Reino Unido que ainda queimam carvão para produzir energia, passo por três fazendas solares. Também passo pela usina de carvão de Eggborough, que parou suas operações. Não há fumaça saindo de suas gigantes torres de resfriamento. Ela será fechada em setembro. Mas a usina que vou visitar é diferente. Seu nome é Drax, por causa de um vilarejo de mesmo nome, e trata-se da maior usina de energia da Europa Ocidental. Em 2023, seus donos vão parar completamente de queimar carvão. Eles esperam que, em vez disto, a instalação consumirá apenas gás natural e biomassa – no caso, aglomerados de madeira triturados. A União Europeia tem metas para reduzir a poluição nas próximas décadas e há a previsão de se fechar as usinas de energia a carvão em vários países para cumprir os objetivos. No Reino Unido, o governo planeja interromper a geração de eletricidade por carvão até 2025. Uma história parecida ocorre em vários lugares no mundo. Muitas nações, incluindo os Estados Unidos, estão se afastando da energia a carvão à medida que outras fontes de energia se tornam mais baratas e as regulações ambientais esfriam o mercado de combustíveis fósseis. Mas isso deixa uma grande questão: o que fazer com todas as antigas usinas? No último século, essas unidades tiveram grande importância para o mercado global de energia. As usinas têm conexões caras a redes nacionais – e simplesmente derrubá-las pode não ser a medida mais inteligente. Muitas pessoas, incluindo os administradores da Drax, insistem que há outras saídas. A dimensão da Drax é imponente. De cada lado das enormes construções que abrigam suas caldeiras e turbinas, estão seis torres de resfriamento. Um vapor branco segue em direção ao céu. No centro da instalação, está uma chaminé de 259 metros. E nos fundos, uma enorme pilha de carvão - o volume do depósito, no entanto, já é menor do que em tempos passados, segundo a equipe da usina. O carvão é deixado ali até que seja levado para a estação de energia em correias transportadoras. Depois, é moído e queimado em altíssimas temperaturas. O forno aquece a água, transformando-a em vapor, que passa por um complexo sistema de tubulações e gira as turbinas a uma velocidade constante de 3.000 rotações por minuto. É uma maneira fácil de produzir eletricidade. Mas é uma maneira suja. Mudança energética Os dias do carvão na geração de eletricidade estão contados. Em abril, o Reino Unido ficou mais de três dias seguidos sem nenhuma energia produzida por carvão - uma redução que aconteceu muito mais rápido do que o esperado. Essa tendência significa que desde o início de 2018, o país tem conseguido um total de 1.000 horas sem energia a carvão, ultrapassando o nível do ano passado. "Em 2012, a geração de energia por carvão foi de 45% do total da matriz energética", disse Matthew Gray, do think tank Carbon Tracker. "Hoje, a quantidade é muito baixa". Da perspectiva de um operador da usina, no entanto, substituir o carvão não é fácil. Isso porque a biomassa é mais complexa de se manusear, explica o CEO Andy Koss. "Ela entope as coisas", diz Koss, lembrando de como as primeiras tentativas de mover a biomassa em transportadoras de carvão resultou em pedaços de madeira se desintegrando e virando poeira. A biomassa também precisa ser mantida seca o tempo todo, diferentemente do carvão. O material também pode explodir à medida que se oxida, por isso, as pilhas devem ser constantemente verificadas quanto ao aumento de temperatura. A Drax gastou £700 milhões (R$ 3,8 bilhões) para garantir que a biomassa pudesse ser transportada por trajetos protegidos da chuva na usina. E a estação de energia já investiu em quatro cúpulas, cada uma com 50 metros de altura, para depositar a biomassa. Todos os dias, 16 trens chegam lotados e depositam novos pedaços de madeira para garantir que o abastecimento da instalação permaneça no nível máximo. Os vagões passam por galpões que se abrem automaticamente por meio de um mecanismo magnético. Os aglomerados de madeira passam por uma grade e são jogados em um depósito antes de serem levados para as cúpulas para o armazenamento temporário. Em termos de operações de biomassa, "eu diria que é a maior do mundo", afirma Koss. Na minha visita, a Drax tinha capacidade de produção de 2 gigawatts tanto com carvão quanto com biomassa. Ela agora completou sua quarta unidade de geração de energia por biomassa. As duas restantes vão, ao fim da adaptação, queimar gás. A Drax tenta se apresentar como uma alternativa do que pode ser feito com as velhas usinas de carvão - nos lugares onde houver muita vontade e, de fato, dinheiro para pagar pelas conversões. Muitas unidades pequenas de carvão nos EUA recentemente se converteram para queimar gás - uma forma mais barata de transição do que para a biomassa. E a Drax quer construir grandes baterias no local para estocar eletricidade. Há outros projetos semelhantes ao redor do mundo. Uma empresa canadense, a Hydrostor, desenvolveu projetos para transformar as antigas usinas de carvão em baterias de compressão de ar. O ar pode ser liberado para forçar a turbina da usina a se mover quando a eletricidade for necessária. Há muitas outras ideias para reinventar antigas unidades de carvão. Em 2016, a China anunciou seus planos de converter algumas de suas instalações em estações de energia nuclear - embora não existam muitas notícias sobre o desenrolar das propostas desde então. Na Dinamarca, a usina de carvão de Copenhagen será transformada em uma unidade 100% de biomassa. E no telhado de um incinerador, está sendo construída uma área de lazer com uma pista de esqui artificial. Nem todas as conversões de usinas de carvão estão servindo à produção de energia. O Google está transformando uma unidade antiga no Alabama, nos EUA, em um centro de dados. Rei do carvão Também é verdade que, em alguns lugares, o carvão ainda se mantém forte. Embora tenha abandonado mais de cem usinas de carvão, a China ainda se baseia fortemente nos combustíveis fósseis como fonte de energia. E a Alemanha, que decidiu fechar todas as estações de energia nuclear, atualmente produz mais de um quinto de sua energia a partir do carvão, incluindo o lignito – um tipo de carvão ainda mais poluente. Um mapa interativo das estações de carvão no mundo do site ambiental CarbonBrief revela grandes usinas fechando nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, mas muitas novas em construção na Ásia. Enquanto isso, alguns mercados questionaram o carvão e depois retornaram a ele. Em 2015, o governo de New South Wales, na Austrália, vendeu grandes instalações de carvão. Ao mesmo tempo, políticos acreditaram que a unidade seria fechada em dez anos, mas os preços da eletricidade na região escalaram. A usina está agora avaliada em cerca de R$ 2,1 bilhões e seus novos donos não têm planos de fechá-la tão cedo. No entanto, a fé depositada no carvão pode nem sempre ser recompensada. Na Polônia, a gigante da energia PGE tem investido pesado em infraestrutura de carvão, na esperança de continuar lucrando ainda por muitos anos com o mineral. Mas isso custa centenas de milhões de dólares num momento em que as energias renováveis, principalmente eólica e solar, estão rapidamente barateando. Também é preciso se questionar o quão verde é, de fato, a conversão de algumas usinas de carvão. É o caso da biomassa. Embora os pedaços de madeira liberem carbono quando são queimados, a biomassa é promovida como "verde" porque as árvores cortadas podem ser substituídas ao longo do tempo, posteriormente sequestrando o carbono da atmosfera. Mas nem todos concordam que isso realmente a torne uma fonte de energia neutra em carbono. Até mesmo a página 33 do relatório anual da Drax revela que a biomassa libera mais CO2 por unidade de eletricidade gerada do que o carvão. Repetindo os principais argumentos a favor da biomassa, um diretor da Drax afirma que isso é compensado pela reposição das florestas que forneceram a biomassa. Diz ainda que, depois de contabilizar as florestas reabastecidas e as emissões da cadeia de suprimentos, o uso de biomassa representa 80% menos CO2 emitido na comparação com o que seria liberado se o carvão tivesse sido usado. Mas leva décadas até as árvores crescerem. Além disso, em escala global, as florestas estão se reduzindo em tamanho total. A capacidade das florestas mundiais de reabsorver o CO2 atmosférico está cada vez menor, e não maior. "Concordo que isso seja ruim", diz Koss. Mas com relação ao desmatamento, ele insiste, isso "está ocorrendo fora de nossas áreas de abastecimento. Não estamos relacionados a nada disso". Mas isso não é suficiente para convencer alguns ambientalistas. Especialistas ressaltam que precisamos cortar as emissões já, e não nas próximas décadas quando as árvores crescerem. A Drax espera mitigar suas emissões de outra forma: com uma tecnologia de um piloto de armazenamento de captura de carbono de bioenergia (BECCS). Nesse caso, gases da queima de biomassa na usina irão, se tudo seguir como previsto, passar por um solvente que reage com o CO2, capturando-o antes que ele entre na atmosfera. Esse CO2 pode, então, ser restaurado para que o solvente possa ser usado na captura repetidas vezes. Pode haver claramente vida após o carvão. Mas se quisermos aproveitar ao máximo essas velhas instalações, precisamos ser competentes, ter uma mentalidade verde e estar preparados para pagar antecipadamente por resultados importantes. O carvão produziu energia por muitas décadas no mundo. Foi um símbolo da Revolução Industrial. Em vez de simplesmente varrê-lo para longe, poderíamos nos beneficiar do uso inovador das estruturas que a grande indústria está deixando para trás.
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18/10 - Saiba mais sobre as propostas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad para o meio ambiente
Candidatos concordam com a incorporação de energias renováveis, mas divergem na condução da política ambiental. As propostas dos presidenciáveis para o meio ambiente Alexandre Mauro/G1 Os dois candidatos à Presidência da República que disputarão o segundo turno da eleição, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), têm propostas muito diferentes para o meio ambiente. Bolsonaro disse que acabará com o Ministério do Meio Ambiente e o incorporará à pasta da Agricultura. Ele pretende ainda facilitar as licenças ambientais e limitar as multas sobre propriedades privadas. O candidato também disse que pode reavaliar a adesão do Brasil ao Acordo de Paris em nome da soberania nacional. Já Fernando Haddad assumiu uma postura de controle do desmatamento, com proposta de zerá-lo até 2022 e de cobrança de imposto sobre especulação da terra. O candidato também se propõe a investir parte das reservas cambiais do governo em fontes de energias alternativas e oferecer isenção fiscal para investimentos verdes. Ambos convergem em um aspecto: diversificar a matriz energética brasileira e incorporar energias renováveis, como solar e eólica. Veja, abaixo, as propostas dos candidatos apresentadas nos programas de governo em declarações públicas. Jair Bolsonaro (PSL) Bolsonaro durante ato de campanha no Rio de Janeiro, em 11 de outubro REUTERS/Ricardo Moraes Durante um evento com empresários no Rio de Janeiro no começo de setembro, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris, assinado por 195 países em 2015, segundo o qual os países devem manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. Segundo ele, as premissas previstas afetam a soberania nacional e, para atender às exigências do acordo, o Brasil teria que “pagar um preço caro”. "O que está em jogo é a soberania nacional, porque são 136 milhões de hectares que perdemos ingerência sobre eles", declarou. “Eu saio do Acordo de Paris se isso continuar sendo objeto. Se nossa parte for para entregar 136 milhões de hectares da Amazônia, estou fora sim”. No entanto, a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), documento que detalha a contribuição do Brasil para atingir as metas do acordo, não fala sobre os 136 milhões de hectares citados por Bolsonaro. A única referência sobre a floresta brasileira é a seguinte: "Fortalecer políticas e medidas com vistas a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa (GEEs) provenientes da supressão legal da vegetação até 2030". A menção aos 136 milhões de hectares aparece, na realidade, em sites na internet como o que seria a área de uma proposta de corredor ecológico internacional que ligaria os Andes ao Atlântico, chamado de "Triplo A" --Bolsonaro já citou esse corredor na campanha. Para sair do Acordo de Paris, o presidente precisaria da aprovação do Congresso. Caso aprovado, o país deve comunicar a decisão por escrito à ONU apenas em 4 de novembro de 2019, segundo estipulada pelo acordo. A saída definitiva acontece após um ano da notificação. A data mais próxima para que isso aconteça é 4 de novembro de 2020. Em entrevista ao G1, Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de GEEs da organização Observatório do Clima, o impacto da saída do Brasil do Acordo de Paris é global. Além de ser o sexto maior emissor de gases do efeito estufa, o país é um grande captador de carbono da atmosfera, por conta das florestas. Assim, a saída se converteria em mais emissão e menos captação.  Segundo o pesquisador, a medida ocasionaria perda dos recursos do fundo de financiamento internacional Fundo Clima. O Brasil também enfrentaria dificuldade em conseguir acesso às reservas do Fundo Mundial para o Meio Ambiente e poderia perder patrocínios importantes para o Fundo Amazônia, hoje financiado sobetudo por Alemanha e Noruega, ambos signatários do acordo. O candidato do PSL pretende fundir os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, conforme revelou em vídeo postado no Facebook. Para ele, as leis ambientais interferem diretamente na atividade agropecuária e, por haver duas pastas diferentes, ocorrem embates. Em seu plano de governo, o candidato defende que haja união de "instituições ligadas ao setor" para "facilitar que o agricultor e suas famílias sejam os gestores do espaço rural". Para compor o que ele chama de "nova estrutura federal agropecuária", ele inclui a gestão de recursos naturais e meio ambiente. "Ter um superministério para a área [agronegócio], que seria a fusão do Ministério da Agricultura com o do Meio Ambiente. Não haveria mais brigas. Esse ministro, uma pessoa competente, indicada pelo setor produtivo do campo, e aí agronegócio e agricultura familiar, será uma pessoa que facilite a vida de quem produz no campo", disse. Fiscalização ambiental Para o candidato, as multas ambientais sobre as propriedades rurais são aplicadas "sem critério" por órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Todos nós queremos preservar o meio ambiente, mas não aceitamos esse tipo de multa que visa perseguir as pessoas que produzem no Brasil. Multagem nas estradas, pode ter certeza, isso vai mudar. Não vai estar nas mãos de políticos mais não, ok?", declarou durante evento no interior de São Paulo no fim de agosto. Em entrevista à "Folha de S.Paulo", a presidente do órgão, Suely Araújo, afirmou que todas as operações de fiscalização realizadas pelo Ibama estão previstas no Plano Anual de Proteção Ambiental. E que as multas aplicadas pelos fiscais estão de acordo com a legislação em vigor. "Essas operações têm assegurado a proteção da Amazônia e de outros biomas e combatido a degradação ambiental causada por atividades ilícitas. Os recursos não se destinam ao Ibama e, na verdade, poucos pagam", afirmou. No plano de governo do candidato também consta a redução do prazo de licenciamento ambiental de obras para o máximo de três meses. Hoje, o prazo máximo para obtenção da licença é de seis meses. Quando houver necessidade de estudo e relatório de impacto ambiental ou realização de audiência pública, ele se estende para 12 meses, segundo resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Energia Em seu plano de governo, o candidato do PSL demonstra a intenção de diversificar a matriz energética brasileira para além do uso de combustíveis fósseis. Bolsonaro, no entanto, não revela como vai viabilizar a diversificação, e não apresenta metas ou propostas. Apesar de deixar claro que o gás natural "exercerá papel fundamental", ele cita uma matriz combinada com energias renováveis. "Com sol, vento e mão de obra, o Nordeste pode se tornar a base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática. O gás natural exercerá papel fundamental na matriz elétrica e energética nacional, propiciando a qualidade e segurança energética para a expansão de forma combinada com as energias fotovoltaica [solar] e eólica", diz o plano. Fernando Haddad (PT) O candidato Fernando Haddad durante a votação do 1º turno em São Paulo Marcelo Brandt/G1 O candidato Fernando Haddad propõe que o governo assuma o compromisso de zerar o desmatamento até 2022. Para isso, defendeu, durante evento no início de outubro, punição e cobrança de imposto para especuladores de terra. Haddad quer estipular um prazo para reflorestamento das áreas desmatadas, sob a pena de perda da posse. "Desmatou, terá prazo para reflorestar. Se não reflorestar, vai perder a terra. É preciso criar imposto para reduzir o conflito agrário, tanto de desmatamento, quanto de assentamento", disse durante ato de campanha no Pará, no final de setembro. O candidato também tem proposta para aumentar a produtividade de terras cultivadas e se comprometeu a investir parte das reservas cambiais em energias renováveis. "Vamos aumentar a produtividade alterando uma tabela que é de 1975, que precisa ser alterada, que é de produtividade por hectare, dependendo da cultura que é plantada. E vamos investir pesado 10% das reservas cambiais em energia alternativa: biocombustível, energia eólica e energia solar". Financiamento ambiental O financiamento ambiental será feito por meio do que ele chamou de “reforma fiscal verde”. Em seu plano de governo, ele propõe, basicamente, que se “aumente o custo da poluição” e “premie investimentos e inovação de baixo carbono”, por meio de desoneração do IPI, dedução de tributos embutidos em bens de capital e recuperação imediata de ICMS e PIS/COFINS. Como parte da reforma, há ainda o “financiamento não-reembolsável” para projetos de empresas em parceria com universidades, institutos e centros de pesquisa. Energia O candidato do PT também defende a diversificação da matriz energética brasileira. Para viabilizá-la, ele propõe investimento na expansão de energias solar, eólica e biomassa. Em seu plano de governo, o candidato estabelece a meta de instalar kits fotovoltaicos (placas que convertem raios solares em energia) em 500 mil residências por ano. Para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas afetadas pelas obras de hidrelétricas, o plano de Fernando Haddad prevê, além da compensação pelo dano ambiental, que seus membros possam se tornar sócios dos empreendimentos e recebam royalties. Ensino ambiental O presidenciável pretende, ainda, implementar a educação ambiental em escolas, instituições e territórios sustentáveis, com programa de formação de educadores ambientais. Desmatamento e poluição O desmatamento na Amazônia atingiu quase 4 mil quilômetros quadrados entre agosto de 2017 e julho deste ano , segundo dados do Imazon, instituto quefaz um monitoramento independente do oficial. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, ele aumentou 39% em relação ao período anterior, segundo a instituição. A destruição é maior em áreas privadas, seguidas por assentamentos e unidades de conservação. Dentre as atividades que mais contribuem com o desmatamento, a pecuária foi a maior responsável, 60%. O país também amarga altos índices de poluição. Além de ser o sétimo maior emissor de gases do efeito estufa, o Brasil registrou, em novembro de 2017, o maior nível de GEE desde 2008. O avanço da agropecuária sobre áreas de floresta é a principal causa do aumento. Em 7 de outubro, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) divulgou relatório no qual afirma que são necessárias "mudanças sem precedentes" para limitar o aumento de temperatura global a 1,5ºC, estabelecido pelo acordo de Paris, por meio de transformação principalmente no consumo de energia e no planejamento urbano e territorial. O Acordo de Paris criou metas para que os países consigam manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. Os países ricos devem garantir um financiamento de US$ 100 bilhões por ano, e os compromissos deverão ser revistos a cada 5 anos. Uma das metas assumidas pelo país ao ratificar o acordo é atingir 45% de energias renováveis na matriz energética. A adoção de fontes renováveis de energia é uma das principais estratégias para o combate às mudanças climáticas. Fiscalização ambiental Hoje, quem lidera a fiscalização ambiental no Brasil é o Ibama, que ganhou atribuição de polícia ambiental em 1989. Estados, municípios e distrito federal, integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), também têm dever de fiscalizar. As áreas de atuação dos órgãos se dividem em sete: atividades poluentes e contaminantes, empreendimentos e atividades licenciadas, fauna, flora, organismos geneticamente modificados (OGM), patrimônio genético e pesca. Quando ocorre uma infração ambiental, abre-se um processo administrativo para apurar a ação. Após a autuação, o infrator tem 20 dias para pagar a multa aplicada ou apresentar defesa. A multa, no entanto, não é a única penalidade para quem comete crime ambiental. Dependendo do grau da infração, pode haver advertência, prestação de serviços comunitários, apreensão de animais ou produtos e reparação dos danos causados ao meio ambiente. Initial plugin text
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17/10 - Filhotes de onça-parda e jacaré são capturados em Pereira Barreto
Onça foi encontrada no canavial de uma usina e o jacaré visto por moradores enquanto andava pelas ruas da cidade. Ambos serão encaminhados ao zoológico de Ilha Solteira (SP). Filhote de onça foi encontrada por trabalhadores rurais Reprodução/TV TEM Um filhote de onça-parda foi encontrado por funcionários de uma usina de cana-de-açúcar e álcool, na área rural de Pereira Barreto (SP), enquanto faziam a colheita na tarde desta terça-feira (16). Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o animal foi visto andando no canavial perto das colheitadeiras e levado pelos trabalhadores para a base dos bombeiros. Filhotes de onça-parda e jacaré são capturados em Pereira Barreto Jacaré Outro animal silvestre também foi encontrado na região. Moradores do bairro Colinas em Pereira Barreto também flagraram um filhote de jacaré andando pelas ruas, na manhã desta quarta-feira (17). Os bombeiros foram acionados e compareceram até o local para capturar o bicho, conforme informado. A suspeita é de que o animal tenha vindo do Rio Tietê, que fica a dois quilômetros do bairro onde ele foi encontrado. Ambos os filhotes serão encaminhados ao zoológico de Ilha Solteira (SP) pela Polícia Ambiental. Jacaré também foi encontrado em Pereira Barreto Reprodução/TV TEM Veja mais notícias da região no G1 Rio Preto e Araçatuba
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17/10 - Vigilância Ambiental confirma caso de raiva em morcego encontrado em Botucatu
Registro é o sexto na cidade desde janeiro deste ano. Em caso de contato com o animal, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes. Vigilância ambiental de Botucatu confirma caso de raiva em morcego encontrado na cidade A Vigilância Ambiental de Botucatu (SP) confirmou mais um caso de raiva em um morcego encontrado na cidade nesta terça-feira (16). O animal estava caído no quintal de uma casa, que fica no Jardim Bom Pastor. De acordo com a vigilância, este já é o sexto morcego diagnosticado com raiva na cidade em 2018. Sendo que, cinco deles são insetívoros (se alimentam de insetos) e um é frugívoro (alimentação baseada em frutas). De acordo com Valdinei Campanucci, supervisor de serviços da Saúde Ambiental e Animal, estes animais se abrigam nos forros das casas. "Eles ficam principalmente nos forros. E, além disso, a iluminação pública atrai muitos insetos, o que atrai muitos dos insetívoros", explica. A raiva é uma doença que atinge o sistema nervoso central do ser humano e pode causar a morte. Segundo o infectologista Alexandre Barbosa, ela pode ser transmitida por meio de mordidas ou arranhões. Em 2018, já foram registrados seis casos de morcegos contaminados pelo vírus da raiva em Botucatu Adapec/Divulgação "Qualquer tipo de acidente entre o morcego e um animal doméstico, como cães, gatos e até cavalos, faz com que eles se tornem aptos a disseminar o vírus da raiva", diz. Por isso, a orientação é para que a população entre em contato com a Secretaria Municipal de Saúde assim que encontrar um morcego caído ou em locais não habituais, pois o animal pode estar doente. "É importante não ter contato com o animal e também não deixar que animais domésticos cheguem perto. A vigilância pode ser acionada através do telefone (14) 3813-5055", orienta Valdinei Campanucci. Ainda, de acordo com a Vigilância Epidomiológica, de outubro a fevereiro é o período de reprodução dos morcegos e, nessa época, as ocorrências relacionadas a esses animais cresces em até 60%. Por isso, é importante que a vacinação dos animais domésticos esteja em dia. E, em caso de contato com o morcego, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes. Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília
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17/10 - Arara cai de árvore após ser atingida com estilingue, quebra asa e morador é detido em MT
Ave despencou de uma altura de aproximadamente sete metros. Mesmo ferida, a ave escalou na árvore e permaneceu no alto até que foi socorrida pelos bombeiros e levada para uma ONG. Arara caiu de árvore após ser atingida com estilingue em Lucas do Rio Verde e quebrou a asa direita ONG Amibem Uma arara foi socorrida depois de ser atingida com um estilingue nessa terça-feira (16) em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Militar, Cláudio Cruz de Sousa Andrade, de 41 anos, foi detido pelo crime de maus-tratos aos animais. Ele lançou uma pedra na ave, que se alimentava em uma árvore quando foi ferida. A situação ocorreu na Praça da Igreja Matriz, por volta de 15h30. Testemunhas chamaram a polícia depois que viram que Cláudio usava um estilingue para acertar a arara que estava no alto de uma árvore. A ave, uma arara Canindé, comia pequi da árvore quando foi atacada pelo morador. A arara teve a asa direita atingida e despencou de uma altura de aproximadamente sete metros. Mesmo ferida, a ave escalou na árvore novamente e permaneceu no alto. Asa direita da arara foi quebrada e ela está sendo cuidada por uma ONG em Lucas do Rio Verde ONG Amibem O Corpo de Bombeiros foi chamado e resgatou a arara ferida na árvore. A ave teve a asa direita quebrada e foi encaminhada para a ONG Amibem, que reabilita animais vítimas de maus-tratos, auxilia em tratamentos e faz o acompanhamento necessário. Cláudio foi detido pela PM e confessou que atirou na ave. Ele foi levado à delegacia da Polícia Civil. A presidente da ONG, Roseana Spindler, disse ao G1 que a ave está se recuperando. “Ela está sendo medicada, mas está muito estressada. A asa direita foi quebrada. Ainda come pouco e deve comer mais a partir de amanhã. Não sei se terá condições de ser devolvida à natureza”, declarou por telefone ao G1.
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17/10 - Museu de História Natural de Londres anuncia fotos vencedoras em concurso de natureza
A premiação teve mais de 45 mil inscritos e 18 vencedores em várias categorias. 'The Golden Couple', do fotógrafo Marsel van Oosten, vencedora do prêmio principal do concurso Wildlife Photographer of the Year 2018 Marsel van Oosten O Museu de História Natural de Londres anunciou os vencedores do concurso de fotos de natureza 'Wildlife Photographer of the Year'. A premiação teve mais de 45 mil inscritos e 18 vencedores em várias categorias. O holandês Marsel van Oosten levou o prêmio na categoria principal com a foto entitulada 'The Golden Couple' ('O casal dourado', tem tradução livre), que retrata um casal de macacos-dourados nas montanhas Qinling, na China. Os animais, um macho e uma fêmea, observavam uma briga entre dois machos quando Oosten tirou a foto. O fotógrafo passou vários dias acompanhando a espécie durante a primavera. Assim como vários primatas, esta espécie de macacos corre o risco de desaparecer. O número de indivíduos está em declínio constante nas últimas décadas e agora existem menos de 4 mil em todo o mundo. 'Lounging Leopard', de Skye Meaker, foto vencedora na categoria Young Wildlife Photographer of the Year 2018 Skye Meaker O prêmio de jovem fotógrafo do ano, categoria entre 15 e 17 anos, foi para o sul-africano Skye Meaker pela foto 'Louging Leopard'. A foto retrata Mathoja, uma conhecida leopardo fêmea de uma reserva em Botswana. "Nós esperamos algumas horas para tirar esta foto. Eu queria que os olhos de Mathoja estivessem abertos, e isso aconteceu por apenas alguns minutos. Ela olhou direto para nós", diz Meaker. Outras fotos vencedoras do Wildlife Photographer of the Year 2018: 'Mud-rolling mud-dauber', de Georgina Steytler, vencedora na categoria 'Comportamento: Invertebrados' Georgina Steytler 'Hellbent', de David Herasimtschuk, premiada na categoria 'Comportamento: anfíbios e répteis'. Uma salamandra gigante segura uma cobra d'água pela mandíbula. David disse que a cobra eventualmente conseguiu escapar após lutar com a maior salamandra aquática da américa do norte David Herasimtschuk 'Night flight', premiada na categoria 'Embaixo d'água'. Este é um paixe voador capturado pelo americano Michael Patrick O'Neill durante um mergulho noturno em Palm Beach, na Flórida. Esses animais são bastante tímidos durante o dia, mas de fácil contato durante a noite. Michael utilizou várias configurações de luz e câmera para chegar neste resultado Michael Patrick O'Neill 'Bed of seals', premiada na categoria 'Animais em seu ambiente'. O espanhol Cristobal Serrano tirou essa foto de focas marinhas descansando em uma placa de gelo na península da Antártida. As focas tem uma relação íntima com o gelo marinho por ser o habitat que fornece proteção e alimentos para os Krills, pequenos crustácios que são a base da alimentação das focas Cristobal Serrano
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17/10 - Índice mostra o que os países têm feito para diminuir a desigualdade social
Assumir compromissos, metas, acordos a nível mundial é algo que deve ser levado a sério pelos governos que se autorizam a isto. Os holofotes da imprensa internacional, sempre presentes quando tais eventos se tornam público, podem acabar atrapalhando um pouco a visão de compromisso, mas ele existe. E a sociedade civil, mais do que nunca, tem tido muito trabalho para manter tais acordos, metas, tratados, sobretudo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu questionar a eficácia do Acordo de Paris. É preciso estar atento e forte... para que Trump não provoque uma tsunami de debandadas, pondo em risco tudo o que já foi combinado até agora. Um exemplo do que estou dizendo é quando a ONU decidiu ampliar os Objetivos do Milênio. Eles foram assumidos no ano 2000, tiverem 2015 como prazo e se transformaram, então, em Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são 17 e têm que ser cumpridos até 2030. São um Protocolo Internacional, onde 193 países assumiram compromissos. Mas nem todos estão levando a sério o que prometeram. Neste texto, meu foco é o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável número 10, que evoca a necessidade de os países das Nações Unidas reduzirem a desigualdade dentro dos países, e entre eles, até 2030. Dito assim, pode parecer retórica inútil, mas há subdivisões, pelo menos dez, nesta meta, que pincelam com cores sérias aquilo do que se trata. Diferentemente de algumas metas que podem exigir também dos cidadãos comuns uma participação ativa para mudar o cenário, este ODS de número 10 exige a ação responsável direta dos governos. Foi esta a principal conclusão do Índice “Compromisso com a Redução das Desigualdades” que duas organizações não governamentais – a Oxfam e a Development Finance International (DFI) – acabam de divulgar. O trabalho foi feito com dados de 157 países em suas políticas de gastos sociais, impostos e direitos trabalhistas e o índice foi divulgado na mesma semana em que ministros de finanças, governadores de bancos centrais e outros líderes econômicos estavam reunidos em Bali, na Indonésia, para o encontro anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. É, como eu disse, a sociedade civil cumprindo seu papel de pesquisar, colher dados e cobrar. Reproduzo aqui algumas informações importantes do índice. Segundo este estudo, os governos da Nigéria e de Cingapura são aqueles que estão alimentando a desigualdade entre pessoas. Por outro lado, os pesquisadores apontam, com louvores, os líderes da Coreia do Sul, Indonésia e Geórgia, como aqueles que estão adotando medidas positivas para reduzir o fosso entre ricos e pobres. Vale a pena registrar que Cingapura, apesar de estar entre os dez que menos colaboram para diminuir a desigualdade, aparece na lista entre os países mais ricos do mundos. É interessante também notar os movimentos que o líder sul-coreano fez visando a atingir a meta do ODS10. Aumentou o salário mínimo em 16,4%, elevou os impostos sobre pessoas e corporações ricas e expandiu os investimentos em projetos sociais. Com isso, conseguiu também botar em votação leis que, simplesmente, tornem as pessoas mais felizes . Algo semelhante ao Bem-Viver, movimento que já fez parte até da Constituição do Equador e que vem se espalhando entre outras nações, como já mencionei aqui no blog. É bem verdade que a Coreia do Sul tem uma carga absurda de horas de trabalho, o que tem aumentado a quantidade de suicídios no país. Mas, pelo menos aparentemente, o dirigente está olhando para isso com vontade de mudar o cenário! Outros países que, segundo o Índice, estão fazendo progresso, incluem a Geórgia, que aumentou os gastos em educação em quase 6% em 2017 - mais do que em qualquer outro país - e a Indonésia, que aumentou seu salário mínimo em quase 9% no ano passado. Quem encabeça o Índice, ou seja, que tem feito mais para diminuir a desigualdade no país e entre países, é a Dinamarca, o que não é uma surpresa. Aquele país, segundo o estudo, tem uma longa história de políticas que proporcionaram alta e progressiva tributação, generosos gastos sociais e algumas das melhores proteções para trabalhadores no mundo. Mas uma luz de alerta vermelho se acendeu: os recentes governos dinamarqueses estão revertendo muitas dessas políticas e a desigualdade aumentou rapidamente. Países como Argentina e Brasil também pontuam bem por causa das ações tomadas pelas administrações anteriores. No entanto, um congelamento de gastos sociais de 20 anos no Brasil e medidas de austeridade na Argentina estão colocando esse progresso em risco. A China gasta mais que o dobro de seu orçamento em saúde do que a Índia, e quase quatro vezes mais em gastos sociais, demonstrando um compromisso muito maior para lidar com a diferença entre ricos e pobres. O olhar para o humano é, sem dúvida, o grande diferencial deste estudo. E fica aparente em todos os dados colhidos pelos pesquisadores das duas organizações, que a desigualdade só desacelera o crescimento econômico, prejudica a luta pela pobreza e aumenta as tensões sociais. Com foco no viés econômico, o índice que foi divulgado em Bali, no dia 11 de outubro, durante a reunião do Banco Mundial, também chama a atenção para a necessidade de se investir em pessoas. Chamada Índice de Capital Humano, a pesquisa do Banco Mundial mostra que “56% das crianças nascidas hoje em todo o mundo perderão mais da metade de seus ganhos potenciais por toda a vida porque os governos não estão fazendo investimentos efetivos em seus população saudável, educada e resiliente pronta para o local de trabalho do futuro”. O índice traça uma linha direta entre a melhoria dos resultados em saúde e educação, produtividade e crescimento econômico. Estão disponíveis dados que mostram, por exemplo, que em países como o Azerbaijão, o Equador, o México e a Tailândia, as crianças nascidas hoje seriam 40% mais produtivas como trabalhadoras no futuro se desfrutassem de educação completa e saúde plena. Em países como Marrocos, El Salvador, Tunísia e Quênia, 50% a mais. De uma forma ou de outra, o que se estampa nos dois estudos é que os líderes de nações têm que fazer seu papel, além de assinar tratados, protocolos e acordos internacionais. Governar é, também, mais do que fazer tudo para se perpetuar no poder. Amélia Gonzalez Arte/G1
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16/10 - O mapa em 3D que mostra com precisão os pontos altos e baixos da superfície da Terra
Representação gráfica, divulgada pela agência espacial alemã, exibe as variações de altitude ao longo de mais de 148 milhões de km². O mapa mostra variações de altitude na superfície terrestre ao longo de mais de 148 milhões de km² DLR/BBC A DLR, agência espacial alemã, acaba de divulgar um mapa em 3D que mostra a superfície da Terra de forma inédita. A representação gráfica foi elaborada a partir de imagens captadas por dois satélites de monitoramento, que traçaram as variações topográficas ao longo de mais de 148 milhões de km². A agência disponibilizou o mapa gratuitamente para qualquer cientista que queira utilizá-lo. Suas aplicações são diversas: da previsão do curso da água durante enchentes ao planejamento de grandes projetos de infraestrutura. Como o mapa foi criado? Os satélites usados no projeto se chamam TerraSAR-X e TanDEM-X. Como todos os satélites de monitoramento, eles enviam impulsos de micro-ondas para a superfície do planeta e medem o tempo que leva para esses sinais retornarem ao satélite. Quanto menor o intervalo, maior a altitude do terreno. Os satélites orbitam quase lado a lado a cerca de 500 quilômetros da superfície da Terra DLR/BBC O TerraSAR-X e o TanDEM-X orbitam praticamente lado a lado e às vezes se encontram a apenas 200 metros de distância. O trabalho conjunto requer uma coordenação complexa, mas significa que ambos os satélites têm uma "visão estereoscópica". Isso quer dizer que eles operam de forma interferométrica - um funciona como um transmissor/receptor e o outro como um segundo receptor. Tibet, na cordilheira dos Himalaias. As cores do mapa representam as elevações: vermelho (mais alto) e azul (mais baixo) DLR/BBC Quão preciso é o mapa? A resolução do Modelo Digital de Elevação (DEM, na sigla em inglês) é de 90 metros. Em outras palavras, a superfície da terra foi dividida em quadrados com lados de 90 metros. Nestes quadrados, a precisão absoluta da dimensão vertical é de um metro, o que torna o DEM um poderoso mecanismo para representar variações de terreno. Existem modelos com resolução maior para representações em escala regional, mas o novo mapa supera todos os outros mapas globais de acesso gratuito disponíveis. Deserto do Saara, onde se vê parte da província de Tamanrasset, na região central da Argélia DLR/BBC Quais são os próximos passos? A agência espacial alemã tem outras versões do mapa com resoluções de 30 e 12 metros, mas por enquanto há restrições comerciais. Enquanto isso, os satélites TerraSAR-X e TanDEM-X continuam sua missão de mapeamento. Ter um DEM estático é um grande avanço, mas a superfície da Terra muda constantemente e isso também deve ser capturado. Os dois satélites são muito antigos. O TerraSAR-X foi lançado em 2007 e o TanDEM-X, em 2010. A DLR espera que os satélites continuem em operação por vários anos, mas os planos para substituí-los estão avançados. Os Apalaches, no estado da Pensilvânia, nos EUA DLR/BBC 'Vamos penetrar nas florestas' A futura missão será diferente da atual porque os instrumentos de radar não vão operar na banda X, mas na banda L, faixa de frequência com um comprimento de onda maior. Isso facilitará diferentes tipos de aplicações. "Nas florestas, por exemplo, com a banda X só é possível capturar as copas das árvores", explica à BBC Manfred Zink, do Instituto de Micro-ondas e Radares da agência espacial alemã. "Você não consegue penetrar nessa copa e ver debaixo das folhas. Mas, na banda L, vamos penetrar nas florestas até chegarmos ao solo. E isso nos permitirá ver o volume da vegetação em 3D e realizar uma 'tomografia'." "Vamos conseguir ver a estrutura vertical completa da floresta, que é fundamental para uma estimativa precisa da biomassa", completa. Glaciares às margens do Mar de Weddell na península da Antártida DLR/BBC A quantidade exata de carbono armazenado nas florestas do mundo não é conhecida, mas sabemos que é vital para os estudos sobre mudança climática. Outra aplicação das observações na banda L é calcular melhor as deformações do solo durante um terremoto. Os cientistas já estimam essas mudanças com satélites de monitoramento que funcionam em outros comprimentos de onda, mas suas observações podem ser difíceis de interpretar quando há muita vegetação. O novo sistema, que vai se chamar TanDEM-L, tentará superar essas dificuldades.
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16/10 - Casal de pinguins machos incuba ovo em aquário na Austrália
Não é a primeira vez que casais de pinguins do mesmo sexo são vistos em zoológicos pelo mundo. Casal de pinguins machos no aquário de Sydney Sea Life Sydney Aquarium via REUTERS Dois pinguins machos que construíram um ninho juntos no aquário Sea Life, em Sydney, na Austrália, estão agora cuidando de um ovo que receberam de funcionários que suspeitaram que eles eram mais do que amigos. Os pinguins-gentoo, Magic e Sphen, criaram um vínculo antes da temporada de reprodução de 2018 e passaram a reunir pedrinhas de gelo para formar um ninho, noticiou a emissora estatal ABC. Em seguida, funcionários do aquário deram um ovo de mentira ao par que, após demonstrar grande capacidade de cuidado, ganhou um ovo de verdade, segundo a ABC. "Nós íamos até lá e Magic e Sphen estavam se curvando um para o outro", disse Tish Hannan, supervisora do departamento de pinguins do aquário, à emissora. Após receberem o ovo de mentira, acrescentou Tish, "eles souberam imediatamente o que era e começaram a incubá-lo". Os pinguins-gentoo dividem igualmente as tarefas de criar e alimentar filhotes, por isso existem poucas diferenças entre a criação por casais compostos por animais de sexos opostos ou do mesmo sexo, disse Tish. Esse exemplo não é o primeiro em zoológicos pelo mundo. Um livro infantil, "And Tango Makes Three", baseado na história real de dois pinguins do Zoológico do Central Park de Nova York que criaram seu próprio filhote, foi elogiado por muitos por retratar estruturas familiares não-tradicionais.  
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16/10 - Audi pagará 800 milhões de euros de multa na Alemanha no caso dos motores a diesel manipulados
Caso conhecido como "Dieselgate" custou mais de 27 bilhões de euros em recalls e processos judiciais ao grupo Volkswagen. Software adulterava emissões de poluentes dos carros. Veículo com motor a diesel da Audi é visto em lava-rápido nesta terça-feira (16), em Hanau, na Alemanha Kai Pfaffenbach/Reuters A montadora Audi, filial do grupo alemão Volkswagen, pagará uma multa de 800 milhões de euros pelo caso dos motores a diesel manipulados, anunciou a empresa, nesta terça-feira (16). "A Audi aceitou a multa", afirma um comunicado, que também explica que o pagamento terá um impacto negativo no resultado de 2018 do grupo. Até agora, o "Dieselgate" custou ao grupo mais de 27 bilhões de euros em recalls e processos judiciais. O valor inclui uma multa de mais de um bilhão anunciada em junho pelo Ministério Público de Brunswick e que já foi contabilizada no resultado do segundo trimestre. A Procuradoria de Munique indicou que "ficaram evidenciadas violações na supervisão" dentro da empresa "a respeito da homologação de carros a diesel, que não respeitam a regulamentação". "A multa não tem impacto nas investigações da Procuradoria de Munique, direcionada a pessoas no âmbito do caso diesel", informa um comunicado. Histórico do caso O caso dos motores a diesel manipulados foi revelado em setembro de 2015, quando a Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA) dos Estados Unidos denunciou a Volkswagen. A EPA acusou a montadora de ter instalado em 11 milhões de veículos a diesel - 600.000 deles vendidos nos Estados Unidos - um software que manipulava os resultados dos testes de poluição e ocultava as emissões reais, até 40 vezes superiores às permitidas.
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15/10 - Obstáculos, patrulha, adestramento musical: o treinamento duro dos cães que trabalham na polícia do Chile
Cerca de 20 filhotes compõem a 'Turma 2018' da escola de treinamento no país. Animais começam treinamento com apenas 1 dia de vida Martin Bernetti/AFP Com apenas um dia de vida, os filhotes começam seu treinamento e, um ano depois, passarão a fazer parte da polícia chilena, atuando em tarefas como a luta contra o crime, a detecção de drogas e explosivos, a proteção de fronteiras e o resgate em catástrofes. Filhotes de outros cães policiais, cerca de vinte cachorrinhos, formam a "Turma 2018" da Escola de Treinamento Canino dos Carabineros do Chile. Uma melodia de Mozart toca para os bebês na maternidade da escola, onde os filhotes descansam sob a supervisão de suas mães até que chega o primeiro cabo Eduardo Parra. Depois da recepção efusiva dada ao instrutor, os filhotes da raça Golden Retriever, que agora têm quase dois meses de idade, iniciam seu treinamento diário: correm atrás do policial e passam pelos obstáculos em um circuito especialmente preparado para eles. "Nós estimulamos os filhotes desde a infância", explica Parra, que é o responsável pelo cuidado, alimentação e treinamento dos filhotes. Filhotes da raça Golden Retriever em treinamento no Chile Martin Bernetti/AFP Os filhotes foram a grande atração da solene parada militar de 19 de setembro, quando desfilaram nos braços das oficiais como se fossem um dos 9 mil soldados. Dentro de vistosas mochilas amarelas – já que, sendo muito pequenos e ainda não vacinados, não podiam pisar no chão –, eles resistiram aos barulhos, aos aplausos e à música da banda marcial sem demonstrar o menor incômodo e fizeram a alegria do público militar e civil. Adestramento musical A música desempenha um papel fundamental no treinamento desses futuros cães policiais. "Estimulamos seus bio-sensores com música, fazemos carinho no peito deles, porque eles são tão pequenos que não entendem o que está acontecendo, mas isso no futuro vai ser muito bom", explica seu treinador. A estimulação musical busca a dessensibilização auditiva dos filhotes para que, quando saírem às ruas, percam o medo do barulho nos diferentes locais a que estão destinados a atuar, como estações de metrô, aeroportos ou postos de fronteira, acrescenta Parra. O policial chileno Eduardo Parra segura filhores de Golden Retriever com 50 dias de vida Martin Bernetti/AFP A técnica inclui, além da música clássica, melodias celtas e marchas militares. Dois meses depois, eles são designados para um policial – ou um estudante da academia – que será seu guia e responsável por seus cuidados pelo resto de suas vidas. Dessa forma, os dois consolidam uma estreita relação que tem um papel fundamental no treinamento do cachorro. Ao sair da escola, a dupla prestará serviços juntos por cerca de dez anos. Cumprido esse prazo, o animal se aposenta e viverá na casa de seu companheiro até a morte. "Quanto mais amor e mais brincadeira, quanto mais divertido o treinamento, maior será o vínculo", diz a subtenente Ingrid Cerón, uma estudante da escola que tem como parceiro Chopper, um pastor alemão de 6 anos de idade. Cães infalíveis É o desenvolvimento de seu olfato que é a principal qualidade que torna indispensável para a polícia chilena ter cães entre suas fileiras. Pastores também passam por treinamento no Chile Martin Bernetti/AFP "Os cães têm características olfativas superiores aos humanos, que permitem discriminar e classificar os odores, o que os torna fundamentais para tarefas como detecção de drogas e busca de pessoas", explicou o capitão Matías Soto, comandante da escola. "Não há fórmula para enganar um cachorro", acrescentou o agente. Dentro de suas tarefas diárias está a defesa do palácio presidencial de La Moneda. Um de seus trabalhos dentro da sede do governo chileno é o de verificar diariamente a correspondência do presidente. No total, cerca de 200 cães – de raças como Pastor Alemão, Pastor Belga, Labrador, Golden Retriever e Pastor Suíço – são treinados na Escola de Treinamento que abrange cerca de 60 hectares localizados no Morro San Cristobal, um pulmão verde aninhado no centro de Santiago. Como verdadeiro policial, no cumprimento de suas tarefas, cerca de vinte oficiais caninos perderam a vida ao longo dos 60 anos de existência da Escola de Treinamento Canino dos Carabineros do Chile.
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15/10 - China apresenta três novos filhotes de tigre-de-bengala branco; veja fotos
Existem apenas 2,5 mil animais da espécie livres no mundo, a maioria deles na Índia. No zoológico chinês de Kunming, há 41 felinos desta cor. Três filhotes de tigre-bengala branco foram apresentados na China Fred Dufour/AFP Três filhotes sapecas de tigre-de-bengala brancos, que devoram suas mamadeiras como qualquer bebê, encantaram a China desde sua primeira aparição em público. Nascidos há três meses em um zoológico de Kunming (província de Yunnan, no sul do país), os tigrinhos de olhos azuis são exemplares excepcionais de tigre com a pelagem branca com rajados pretas. "O maior é muito safado e tem muito apetite. Realmente, é muito travesso. A mais nova é como um bebê, é muito boazinha. Ela nunca ganha quando brigam pela comida", conta seu cuidador, Hao Li. Filhotes nasceram a cerca de três meses no zoológico de Kunming Fred Dufour/AFP A cor dos tigres se deve a uma variação genética da pele normal do tigre-de-bengala, uma mutação rara na natureza. Mas no zoológico de Kunming há 41 felinos desta cor. Segundo a ONG WWF, existem apenas 2,5 mil tigres-de-bengala livres no mundo, a maioria deles na Índia. Mãe tigre-bengala estava desajeitada, e cuidadores passaram a amamentar os filhotes Fred Dudour/AFP A jovem mãe dos tigrinhos estava um pouco desajeita com os bebês e, por isso, os cuidadores assumiram a mamadeira e passaram a monitorá-los. Na China, onde o tigre é um dos 12 animais do zodíaco, foi lançado um concurso nacional para escolher o nome dos felinos. Eles serão batizados no fim deste mês. Concurso foi lançado para escolher o nome dos felinos na China Fred Dufour/AFP
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15/10 - Como o aquecimento global pode levar à falta de cerveja no mundo
O problema, diz pesquisa, é que as secas e ondas de calor concomitantes - que andam agravadas pelo aquecimento global provocado pelo homem - devem levar a declínios bruscos no rendimento das colheitas de cevada. O problema, conforme apontam os pesquisadores, é que as secas e ondas de calor concomitante devem levar a declínios bruscos no rendimento das colheitas de cevada, gramínea cerealífera que é o principal ingrediente da apreciada bebida ORSE Não é que os cientistas estejam botando água no seu chope. Nem é que o aquecimento global vá terminar esquentando também seu copo. Na realidade, conforme mostra estudo publicado nesta segunda-feira, os fenômenos climáticos contemporâneos podem acabar com os estoques globais de cerveja. A conclusão, publicada no periódico Nature Plants, é que as secas e ondas de calor concomitantes - que andam agravadas pelo aquecimento global provocado pelo homem - devem levar a declínios bruscos no rendimento das colheitas de cevada, gramínea cerealífera que é o principal ingrediente da apreciada bebida. Principalmente se os níveis de emissão de carbono continuarem como estão hoje. A perda de produtividade nas colheitas de cevada pode chegar a 17%, o que deve fazer o preço da cerveja dobrar ou até mesmo triplicar em alguns lugares do mundo. "Embora esse não seja o impacto futuro mais preocupante da mudança climática, extremos climáticos relacionados a isso podem ameaçar a oferta e a acessibilidade econômica da cerveja", diz o estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia, da Universidade Chinesa de Pequim, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, do Centro Internacional Mexicano para Melhorias do Milho e do Trigo e da Universidade de East Anglia (Inglaterra). A primeira consequência dessa queda de produção, segundo os modelos matemáticos do estudo, será um intenso aumento nos preços da bebida. A pesquisa avaliou a situação de 34 regiões produtoras de cevada, antes e depois do ano de 2050. A primeira consequência, segundo os modelos matemáticos do estudo, será um intenso aumento nos preços da bebida Pixabay "Chegamos a essa conclusão integrando em nossa pesquisa as informações das mudanças climáticas, das safras de cevada, do comércio internacional e de condições socioeconômicas", explicou à BBC News Brasil o economista Dabo Guan, professor de Economia das Mudanças Climáticas da Universidade de East Anglia. "Com todos esses dados juntos, pudemos estimar o impacto que o cenário terá na cerveja, um produto essencial para uma quantidade significativa de pessoas no mundo." "Nosso estudo não quer dizer que as pessoas vão beber mais cerveja hoje do que amanhã, tampouco que precisaremos nos adaptar para um novo consumo de cerveja", prossegue Guan. "Na realidade, pretendemos alertar as pessoas, especialmente nos países desenvolvidos, que a segurança alimentar é importante - e que a mudança climática vai afetar seu dia a dia e sua qualidade de vida." Ele lembra que, no cenário de aquecimento global, todas as culturas serão afetadas. "Mas neste estudo, utilizamos a cevada para ilustrar esse problema". O que priorizar? Pelas projeções dos cientistas, o cenário considerou como estará o planeta no futuro próximo considerando os níveis atuais de queima de combustíveis fósseis e emissões de dióxido de carbono. Na pior das hipóteses, as regiões do mundo onde mais se cultiva cevada - como pradarias canadenses, regiões da Europa e da Austrália, e a estepe asiática - devem experimentar secas e ondas de calor cada vez mais frequentes. É importante lembrar que apenas 17% da cevada produzida no mundo é usada para a fabricação da cerveja. O restante é colhido e se torna alimento para gado. Os pesquisadores se perguntam como será o conflito no futuro, diante da escassez da cevada: os produtores deverão priorizar animais com fome ou humanos com sede? Aplicando o modelo matemático que considera sazonais produções históricas um pouco mais baixas, a conclusão dos cientistas foi que, sim, nessa queda de braço quem costuma ganhar é o gado, e não o homem. Os produtores tendem a privilegiar a cadeia estabelecida do negócio bovino, em vez de destinar os grãos para a cerveja. Plantação em Qinghai, a 3,000 metros acima do nível do mar Martin Jones, Universidade de Cambridge O mesmo modelo ainda aponta como diferentes regiões do mundo devem reagir a seu modo diante da redução da produtividade de cerveja. Países mais ricos e amantes da bebida, como Bélgica, Dinamarca, Polônia e Canadá, por exemplo, devem resolver a equação subindo o preço final. Nesse cenário, um pacote de seis cervejas comuns pode chegar a custar o equivalente a US$ 20 (R$ 75, na cotação atual), conforme estima o estudo - mesmo assim, populações de nações desenvolvidas talvez conseguissem absorver tal custo. Na média, conforme aponta o estudo, o preço da cerveja deve dobrar. A pesquisa considera que em casos de queda de 4% da produção de cevada, a bebida acaba custando 15% a mais. Por outro lado, em países de população mais pobre, como a China e o Brasil, o consumo de cerveja tende a cair. As projeções indicam que o fornecimento de cerveja em todo o mundo deve cair cerca de 16%. Segundo os pesquisadores, isso equivaleria a todo o consumo de cerveja dos Estados Unidos. O que fazer a respeito? A cerveja é considerada a terceira bebida mais consumida no mundo - e a primeira entre as alcoólicas -, só perdendo para a água e para o café. São 182 bilhões de litros por ano. Se na média global, a produção de cerveja responde por 17% das lavouras de cevada, essa parcela varia muito conforme a região. No Brasil, por exemplo, onde não é comum alimentar gado com cevada, 83% do cereal cultivado é destinado para a produção da bebida. Na Austrália, esse número é de apenas 9%. As projeções sindicam que o fornecimento de cerveja em todo o mundo deve reduzir em cerca de 16%. Segundo os pesquisadores, isto equivaleria a todo o consumo de cerveja dos Estados Unidos Free-Photos/Creative Commons "Nosso estudo se concentrou na cevada, que é o principal ingrediente da cerveja. Analisamos a frequência com que vemos condições precárias para cultivar cevada em todo o mundo - anos com calor extremo e seca severa. Esses eventos extremos são muito mais difíceis para os agricultores se adaptarem do que as mudanças médias no clima", disse à BBC News Brasil o pesquisador Nathan Mueller, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade da Califórnia. "Descobrimos que a incidência e a gravidade dos eventos extremos aumentam substancialmente à medida que as temperaturas médias globais sobem. Combinando um modelo de safra e um modelo da economia global de alimentos, podemos estimar as mudanças nos preços e no consumo de cerveja em todo o mundo resultantes desses eventos extremos." Mueller dá uma solução para que a estiagem não chegue aos nossos pobres copos: conscientização ambiental. "Se conseguirmos diminuir nossas emissões de gases de efeito estufa e limitar a magnitude geral das mudanças climáticas, ajudaremos a evitar os piores cenários que simulamos nesta análise", vislumbra. "Note que, enquanto os aumentos de preço em uma garrafa de cerveja são modestos em uma perspectiva de baixas emissões de carbono, eles realmente aumentam substancialmente em um mundo de alta emissão."
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15/10 - 25 anos depois, a voz de Betinho soa mais atual do que nunca
Betinho Reprodução/GlboNews O domingo foi tempo de mexer em lembranças, ativadas pela foto de Marcia Foletto publicada no jornal “O Globo” sobre o início da 25ª edição da campanha contra a fome realizada pela ONG Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida . Tirei da estante o livro “O Brasil de Betinho – A vez da Cidadania” realizado pelo Ibase em 2012. A publicação foi uma homenagem, para lembrar os quinze anos de morte do sociólogo contando sua história como grande ativador social. Era um país muito diferente, o país em que Betinho conseguiu arregimentar cidadãos comuns, empresários e governo para conseguir progressos no nível socioambiental. O primeiro presidente eleito pelo voto direto (Fernando Collor) acabara de ser expulso do cargo que conseguira com falsas promessas, de caçar os marajás, lembram-se? E os brasileiros, recém-saídos de um regime ditatorial, começavam a aprender que a sociedade civil, quando quer, sabe muito bem conseguir mudanças. Naquele tempo, era preciso ainda explicar o significado de ONG, e assim definiu Betinho: “ONGs se definem pelo que não são. Não são governo, não são empresas, não são partidos, nem igrejas, nem sindicatos. São seres políticos diferentes, fazem política de forma diferente. São autônomos e independentes”. Os brasileiros aprenderam rápido, e a década de 90 teve um boom de criação de ONGs. A característica da campanha contra a fome pensada por Betinho era a pressa em resolver um problema que colocava milhões de pessoas nos “limites insuportáveis da fome e do desespero”, como lembrou a carta assinada pelo Movimento pela Ética na Política, também encabeçado por ele: “Não se pode viver em paz em situação de guerra. Não se pode comer tranquilo em meio à fome generalizada. Não se pode ser feliz num país onde milhões se batem no desespero do desemprego, da falta das condições mais elementares de saúde, educação, habitação e saneamento. Não se pode fechar a porta à consciência, bem tapar os ouvidos ao clamor que se levanta de todos os lados”, dizia a carta. Deu certo. Uma pesquisa realizada pelo Ibope à época mostrou que a campanha era apoiada por nada menos do que 90% da população. A ideia era bem inovadora para a ocasião: o movimento não tinha comitê central, mas vários comitês que se espalhavam pelo país recolhendo e doando os alimentos. Betinho lançou mão da internet, que na época engatinhava no Brasil, para unir as pessoas. Os corredores palacianos também se mobilizaram: seguindo a sugestão do então metalúrgico e sindicalista Lula, foi criado o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), presidido por Dom Mauro Morelli, um órgão bipartite: metade sociedade civil e metade governo. O presidente era Itamar Franco, que colaborou no combate à fome. Os empresários também foram chamados a fazer parte da campanha. Num artigo que foi publicado nos principais jornais, Betinho conclamou-os usando a linguagem típica do “business as usual”: “Experimente emprestar toda a sua experiência para o seu país, fazendo dele seu próximo ‘case’ de sucesso. Ele precisa de sua visão ‘just in time’ para reduzir o desemprego”. O programa não era assistencialista. Seu objetivo era mexer com o orgulho da nação, desvelando o lado pobre e miserável de um Brasil que queria ser visto, internacionalmente, como um celeiro para investidores. Instigava cada vez mais a se pensar em democracia que, para ele, tinha cinco princípios: “liberdade, participação, diversidade, solidariedade e igualdade”. Nesses 25 anos, houve uma pausa na distribuição de alimentos. Em 2006, a ONG passou a distribuir livros porque o governo Lula havia criado programas e políticas visando à erradicação da fome, e conseguiu. “Natal sem Fome” passou a se chamar “Natal sem Fome dos Sonhos”. Até o ano passado, quando o Brasil entrou na iminência de estar de novo no Mapa da Fome mundial. As políticas que haviam dado certo foram, aos poucos, sendo destruídas. Mas, se a fome recrudescia, o agronegócio crescia. E muito. O Brasil já é o maior exportador de soja. Dados da Conab indicam que, entre as safras 1990/1991 e 2016/2017, a produção brasileira de grãos aumentou 310%, com expressiva elevação média anual de 5,37%, atingindo recorde histórico de 237,7 milhões de toneladas na última safra. Em 2017, o PIB Brasileiro (IBGE) cresceu 1%, enquanto o PIB-volume do Agronegócio, calculado pelo Cepea/CNA, aumentou 7,2% – impulsionado pela produção recorde “dentro da porteira”, pela importante recuperação agroindustrial e pelo consequente “transbordamento” desses crescimentos sobre o setor de serviços. Uma prova viva de que o progresso, o desenvolvimento, não estão ligados ao bem viver das pessoas. Dados divulgados no ano passado pela FAO e um grupo de agências da ONU revelam que o combate à fome no Brasil se estagnou. Vamos aos números: em 1999, 20,9 milhões de brasileiros eram considerados desnutridos. Em 2004, com os programas sociais de governo, este volume já havia sido reduzido para 12,6 milhões e, em 2007, era de 7,4 milhões. Em termos porcentuais, entretanto, a FAO aponta que a taxa continua estável e inferior a 2,5% desde 2008. No ano passado, os pesquisadores registraram que cerca de 5 milhões de brasileiros passam o dia sem ingerir quantidade suficiente de calorias necessária para a sobrevivência. Haverá público, portanto, para a Campanha contra a Fome que começou ontem, com uma tradicional mesa de café da manhã de um quilômetro montada para a população. Este ano, ela tem duas parcerias importantes: a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e PMA – Programa Mundial de Alimentos e pretende arrecadar duas mil toneladas em todo o Brasil, até o dia 20 de dezembro, para depois poder fazer chegar aos mais necessitados as mercadorias. Quem agora coordena o movimento é Kiko Afonso, diretor executivo da Ação da Cidadania. Vale lembrar que, além do Aterro, as doações poderão ser feitas, até o dia 20 de dezembro, na sede da organização, localizada na Rua Barão de Tefé, sob o nº 75, na rede de Supermercados Guanabara e nos diferentes postos de arrecadação espalhados pelo país. E, em dinheiro, por meio do site da campanha. Os alimentos arrecadados serão entregues nos dias 21, 22 e 23 de dezembro, em todos os estados participantes. Estamos vivendo tempos difíceis aqui no Brasil, de muita polarização, enfrentamentos etc. Mas, certamente, a campanha contará com a solidariedade de muitos. Um passo à frente e já não se está mais no mesmo lugar. Portanto, apesar de considerar a história um elemento importantíssimo para nosso dia a dia, gosto da ideia de olhar para o que tem sido feito e projetado agora com o objetivo de melhorar a vida dos cidadãos. Neste sentido, uma notícia que chega do Banco Mundial me pareceu ideal para terminar este texto e me deixou feliz. Há uma reflexão por parte dos mandatários do Banco, no sentido de perceber – antes agora do que nunca – que o crescimento econômico vem trazendo “riscos intensificados”. Para ajudar os países a fazerem investimento mais eficaz nas pessoas, o grupo lançou um novo índice – de Capital Humano. São boas falas. Vou olhar o relatório deste ano do Banco e trarei mais notícias no próximo texto. Por ora, fico com a delicada sensação de que vamos, aqui no Brasil, passar por este turbilhão que estamos atravessando e aceitar o convite do Banco, para lançar um olhar sobre as pessoas, priorizando-as aos lucros. O país de Betinho merece. Boa semana a todos. Amélia Gonzalez Arte/G1
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15/10 - Fêmeas preferem gorilas que se dedicam aos filhotes, aponta estudo
Machos de espécie encontrada em Ruanda dedicam bastante tempo cuidando dos filhotes da comunidade, sendo eles de sua prole ou não. Os mais aplicados costumam ser mais escolhidos pelas fêmeas. Machos de espécie encontrada em Ruanda dedicam bastante tempo cuidando dos filhotes da comunidade, sendo eles de sua prole ou não TIERRA SMILEY EVANS/UC DAVIS/BBC Há um consenso no mundo científico de que, no mundo animal, o cuidado parental por parte de machos é raro entre mamíferos. Eles até podem se preocupar com alimentação ou mesmo, como é o caso dos leões, proteção - mas é um comportamento que já teriam mesmo se não houvesse filhotes no grupo. Uma exceção que salta aos olhos dos pesquisadores é o caso dos gorilas. Estudos anteriores realizados com os da espécie montanhesa que vive em Ruanda, na África, já havia constatado que os machos dedicam bastante tempo em funções de cuidado com filhotes da comunidade, sendo eles seus filhos ou de outros. Isto faz deles os únicos grandes símios em que machos desenvolvem fortes laços com os filhotes, conforme ressaltam autores de um estudo publicado nesta segunda-feira pela Universidade Northwestern, em Illinois, Estados Unidos. O artigo, que está na mais recente edição do periódico Scientific Reports, procura entender os motivos deste comportamento. E a resposta está no sexo - e na reprodução. Os gorilas machos que gastaram maiores porcentagens de seu tempo com filhotes - ainda que não os seus - tiveram maior prole TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC O método Conforme explicou à BBC News Brasil a antropóloga e psicóloga Stacy Rosenbaum, pesquisadora do Departamento de Antropologia da universidade e principal autora da pesquisa, os cientistas utilizaram 100 horas de observação do comportamento de um grupo de gorilas-da-montanha. "Então, calculamos a porcentagem do tempo que cada macho passou cuidando, tratando, ensinando filhotes e descansando com eles", explica a pesquisadora. Em seguida, esses dados foram analisados em comparação com o número total de descendentes que cada macho havia produzido em sua vida. "(E a conclusão foi que) os gorilas machos que gastaram maiores porcentagens de seu tempo envolvidos em tais comportamentos geraram maior prole do que os outros, que se dedicaram menos", diz Rosenbaum, enfatizando que, para o estudo, ajustes de controle foram feitos para que o grau de dominância do membro do grupo, a idade e a longevidade não interferissem no resultado final da amostra. Os dados mostram um cenário um pouco diferente do que o imaginário padrão sugere quando se pensa em um grupo de gorilas. Sai a ideia de que a reprodução, no grupo, é dominada por um macho-alfa. E entra o poder de escolha feminino. Conforme ressalta o antropólogo Christopher Kuzawa, coautor do trabalho e professor do Instituto de Pesquisa Política da mesma universidade, uma interpretação provável é que "as fêmeas optam por se acasalar com machos com base nessas interações", ou seja, os machos que "passam muito tempo com grupos de filhotes, que cuidam e descansam com eles, são os que têm mais oportunidades reprodutivas". Rosenbaum lembra que há muito tempo se sabe que os gorilas-das-montanhas competem entre si, dentro do grupo, para ter "acesso às fêmeas" e conseguirem boas "oportunidades de acasalamento". "Mas esses novos dados sugerem uma estratégia mais diversificada", comenta. "Os machos que cuidam dos filhotes são muito mais bem-sucedidos." O estudo dá algumas pistas de como foi que os comportamentos paternos podem ter evoluído Alice C. Gray/BBC De onde viemos O estudo dá algumas pistas de como os comportamentos paternos podem ter evoluído, inclusive no caso dos seres humanos. A antropóloga lembra que, tradicionalmente, os cientistas relacionam o cuidado parental masculino, de forma geral, a uma estrutura social específica - a monogamia -, "que ajudaria a garantir que os machos cuidassem de seus próprios filhos". "Mas esta pesquisa (em que o comportamento foi observado entre animais não monogâmicos) sugere que há um caminho alternativo pelo qual a evolução pode ter gerado este comportamento, em situações de grupo em que os machos podem não saber quais filhotes são seus", comenta. A ilação, portanto, é: será que não foi assim também entre os ancestrais humanos? O próximo passo dos pesquisadores é analisar se há hormônios específicos que auxiliam este comportamento - e provoca essa relação de causa e consequência. Estudos anteriores do qual o antropólogo Kuzawa fez parte mostraram que, em humanos, a testosterona diminui à medida que os homens se tornam pais. "E acredita-se que isto ajude a concentrar a atenção nas necessidades do recém-nascido", pontua. No caso dos gorilas, os pesquisadores não sabem se algo semelhante ocorre. Há dúvidas para ambos os cenários. Se os gorilas que estão envolvidos particularmente em interação infantil experimentam declínios de testosterona e isso impediria sua capacidade de competir com outros machos, o nível baixo do hormônio poderia funcionar como algum atrativo para as fêmeas? Ou, como eles são bem-sucedidos na atividade sexual, no caso dos gorilas, altos níveis de testosterona e o comportamento de paternidade ativa não são excludentes? Estas novas questões ainda precisam ser estudadas. Rosenbaum adianta que a ideia agora é justamente esta: caracterizar os perfis hormonais dos machos ao longo do tempo. Os cientistas acreditam que as fêmeas optam por se acasalar com machos com base nessas interações TERENCE FUH NEBA, WWF CENTRAL AFRICAN REPUBLIC/BBC Poder feminino Se ainda não se sabe ao certo qual é o mecanismo biológico que norteia o comportamento dos gorilas machos, o que os cientistas já cravam com segurança é que, nas comunidades desses animais, o papel feminino é fundamental na hora de escolher quais genes serão passados adiante. "Não sabemos ainda qual é o mecanismo que impulsiona tal correlação encontrada, mas a explicação mais plausível é que as fêmeas preferem machos que cuidam da prole", define Rosenbaum. "Isso sugere que a escolha feminina pode ser um fator muito mais importante do que supúnhamos anteriormente na condução da trajetória evolutiva dos gorilas." Ela enfatiza que, com base na pesquisa, pode-se dizer que as gorilas fêmeas "não são apenas observadoras passivas que acasalam com qualquer macho que vença as lutas". "Elas têm preferências e as expressam. E suas escolhas têm importantes consequências evolutivas", diz. E, enquanto estuda o mundo dos gorilas, a psicóloga não deixa de pensar nos seres humanos. "Um dos mistérios da evolução humana é como foi que formas muito intensas de cuidados masculinos começaram, ainda entre nossos ancestrais já extintos. Nossa pesquisa sugere um caminho que a seleção natural pode ter tomado para obter formas rudimentares desse comportamento zeloso", aponta.
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15/10 - Filhote de urso com balde preso na cabeça é salvo nos EUA
Caso ocorreu no estado de Maryland. Um filhote de urso que ficou com a cabeça presa em um balde foi salvo neste sábado (13) em McHenry, no estado americano de Maryland. Os resgatistas seguiram o ursinho durante três dias até conseguirem sedá-lo e remover o balde. Filhote de urso com balde preso na cabeça é salvo nos EUA Maryland Department of Natural Resources via AP
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13/10 - Espanha e Portugal se preparam para a chegada do furacão Leslie, o mais forte em 76 anos
Tempestade chega à Europa dias depois de enchentes deixarem mortos no Mediterrâneo. Salva-vidas na costa de Portugal assiste às ondas fortes antes de chegada do furacão Leslie Reuters/Rafael Marchante O furacão Leslie deve atingir a Península Ibérica, onde estão Espanha e Portugal, na noite deste sábado (13) – o mais poderoso a atingir a região desde 1942, segundo autoridades locais. A tempestade carrega fortes ventos e chuvas dias depois de enchentes mortais na ilha espanhola de Mallorca. O furacão deve chegar às proximidades da capital portuguesa, Lisboa, antes de se locomover pela península, com ventos de até 100 km/h, disse o serviço estatal de clima da Espanha. Há, porém, a possibilidade de os ventos ultrapassarem a máxima histórica de 190km/h. Antes, Leslie passou pela ilha da Madeira, no Atlântico. Em Portugal, 13 dos 18 distritos estão em alerta vermelho, o mais intenso da escala. Por isso, as autoridades pediram que a população se afastasse das zonas costeiras e que evitasse sair de casas. Na Espanha, os serviços de emergência alertaram para a possibilidade de enchentes instantâneas e pediram para que os motoristas fiquem vigilantes em casos de fortes ventos. Tempestades separadas no norte e no leste da Espanha significam que fortes chuvas são esperadas ao redor de boa parte do país no domingo. Depressão pós-tropical Ainda um furacão categoria 1, Leslie deve enfraquecer levemente à medida que se move para o leste neste sábado, disse o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC). Há a expectativa de que a tempestade passe a ser classificada como depressão pós-tropical já ao atingir a costa europeia. Até segunda-feira, Leslie deve se dissipar. Initial plugin text
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12/10 - A dieta da moda que pretende ajudar no combate ao aquecimento global
Estudo mostra que se o mundo quiser limitar as mudanças climáticas, a escassez de água e a poluição o caminho é adotar uma dieta "flexitariana", que prevê a redução do consumo de carne e uma alimentação rica em produtos à base de plantas. Uma dieta baseada em produtos de origem vegetal é apontada como chave para ajudar a reverter impactos no meio ambiente e no clima Divulgação Novas evidências científicas indicam que as mudanças climáticas estão se acentuando e estamos ficando sem tempo para arrumar uma solução e evitar uma catástrofe. Mas não se desespere ainda - podemos limitar o impacto do aquecimento global, da escassez de água e da poluição mudando nossos modelos de produção e consumo de alimentos e nos tornando "flexitarianos", de acordo com um novo estudo. Para reverter o impacto negativo e alcançar um futuro sustentável, o desperdício de alimentos precisará ser reduzido, até 2050, pela metade, e as práticas agrícolas terão de melhorar, assim como a nossa alimentação. Adotar uma dieta flexitariana também é um passo fundamental para alcançar esse objetivo, sugerem os cientistas. Mas o que é uma dieta flexitariana? Um flexitariano não depende de carne ou peixe, mas ainda come ocasionalmente esses produtos Pixabay/Divulgação Ser flexitariano significa comer principalmente alimentos de origem vegetal - como frutas, verduras, legumes, grãos, nozes e produtos de soja - mas não exclusivamente isso. Carnes podem ser consumidas ocasionalmente - é por isso que o flexitarianismo também tem sido chamado de "vegetarianismo casual", e está se tornando cada vez mais popular - mas isso significa uma grande redução em relação ao que entra no prato atualmente. De acordo com os pesquisadores, no caso da carne bovina é preciso haver uma redução de consumo da ordem de 73%. Para a carne de porco, seriam quase 90% a menos. Isso reduziria pela metade as emissões de gases de efeito-estufa da pecuária - e uma melhor gestão das fezes desses animais permitiria uma diminuição ainda maior. Impactos Dieta 'flexitariana' pode salvar o mundo, de acordo com estudo BBC O estudo mostra uma lista com 25 produtos e, desse total, 12 têm a ampliação do consumo recomendada. Além de feijão, nozes e sementes, há, por exemplo, mais soja, óleos vegetais, frutas e peixes. Por outro lado, prevê grandes reduções nos volumes também de ovos, arroz, açúcar, trigo, raízes, milho, azeite de oliva, leite e aves. A ideia é reduzir o impacto de sistemas de produção que geram maiores danos ambientais - porque emitem mais gases de efeito-estufa (como a pecuária, que fornece carne, leite e ovos), desmatamento ou escassez de água (em culturas agrícolas) - por outros menos "ambientalmente intensivos". Os pesquisadores descobriram que uma mudança global para esse tipo de dieta é necessária para manter a mudança climática abaixo de 2ºC, se não de 1,5ºC - que é a meta atualmente estabelecida Além disso, segundo os cientistas, ser flexitariano pode melhorar a saúde e ajudar a economizar dinheiro. Que benefícios essa dieta flexitariana traz à saúde? Proteínas não vêm apenas de produtos de origem animal Depositphotos Essa dieta defende a adição de uma maior variedade de alimentos às refeições, o que pode ser extremamente benéfico para a saúde. A nutricionista britânica Emer Delaney aconselha a escolha de alimentos de origem vegetal que sejam boas fontes de proteína, como lentilhas, feijões, ervilhas, nozes e sementes. A fibra solúvel encontrada em lentilhas e feijões também ajuda a combater o colesterol alto. Nozes e sementes - como linhaça, pinhões, sementes de gergelim e sementes de girassol - são ricos em gorduras poliinsaturadas, que ajudam a manter os níveis de colesterol saudáveis ​​e fornecem ácidos graxos essenciais. Além disso, a pesquisa mostrou que a combinação de atividade física regular com uma dieta flexível pode promover um estilo de vida de acordo com as recomendações para reduzir os riscos de câncer de mama e de próstata. Quais são as carnes mais saudáveis ​​para incluir? Carnes magras de boa qualidade, como frango, são mais saudáveis para a dieta depositphotos Carnes magras de boa qualidade, como frango ou peru, são melhores para a dieta. Carnes processadas - como bacon, salsichas, salame, presunto e patês - devem ser consumidas esporadicamente, pois são ricas em gordura saturada e sal, e fornecem poucas vitaminas e minerais. De acordo com pesquisa da Organização Mundial de Saúde, comer 50g de carne processada todos os dias pode aumentar o risco de câncer colorretal, aquele que acomete um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Como saber se a dieta fornece todos os nutrientes necessários? Legumes e verduras de cor verde escura são ricos em vitamina C Divulgação A recomendação de especialistas é incluir alimentos à base de plantas em todas as refeições - pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia e alimentos integrais. Como o consumo de carne vermelha está sendo reduzido, é preciso assegurar que você vá ingerir ferro o suficiente. Boas fontes alternativas são cereais matinais enriquecidos com ferro e vegetais verde-escuros - como espinafre, repolho, couve e brócolis. Vale a pena saber que a vitamina C aumenta a absorção de ferro, por isso é recomendável também comer pimentões, alface e tomate, ou tentar beber um copo pequeno (150ml) de suco de frutas. Por que os cientistas estão tão preocupados? O impacto da agricultura no meio ambiente precisa ser examinado e resolvido, de acordo com especialistas Roberto Samora/Reuters Os autores do estudo dizem que se quisermos parar de prejudicar o planeta e ter uma fonte sustentável de alimentos para o futuro, é urgente mudar. O desperdício de alimentos tem de ser cortado pela metade e as práticas agrícolas precisam melhorar e se tornar mais eficientes. A forma como os alimentos são produzidos atualmente tem uma série de impactos ambientais significativos. Ela se tornou um impulsionador das mudanças climáticas, esgotando a água doce e contribuindo para a poluição por meio do uso excessivo de nitrogênio e fósforo. O estudo diz que, levando em conta o crescimento da população e da renda esperado entre 2010 e 2050, esses impactos podem aumentar entre 50% e 90%. Isso poderia pressionar o planeta além de seu limite, que os autores dizem representar um "espaço operacional seguro para a humanidade em um sistema estável da Terra". Por que você deveria levar isso em consideração? O tempo para acabar o aquecimento global está acabando, segundo especialistas Pixabay Esse estudo vem a público poucos dias depois do impressionante relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), quando os cientistas disseram que era a última chance de salvar o mundo de uma "catástrofe climática". Foi o alerta mais abrangente já feito sobre os riscos de aumento das temperaturas globais - indicando que o mundo está agora totalmente fora do rumo da meta desejada de limitar a elevação das temperaturas globais a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. A menos que haja uma mudança no comportamento humano, os cientistas dizem que, em vez disso, caminharemos para um aumento de 3°C. Ainda há uma janela de oportunidade para reverter a tendência e salvar o planeta, mas isso exigirá mudanças radicais e será extremamente caro.
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12/10 - Cientistas alertam: é preciso reduzir o uso de carnes na dieta
Barcos no lago Poopo, na Bolívia, região afetada pelas mudanças climáticas Reuters/David Mercado Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) não é apenas um conjunto de dados frios que vêm sendo publicados periodicamente para alertar o mundo sobre os efeitos do aquecimento global. Mais do que isso, a publicação deste estudo, feito por cientistas que trabalham voluntariamente, consegue inaugurar uma espécie de onda de reflexões a respeito do clima, o que é sempre muito bem-vindo. Instituições e pessoas físicas que ainda resistem a conectar o plano de desenvolvimento sob o qual estamos imersos aos eventos extremos que têm causado mortes e danos materiais, sempre que o IPCC lança seu relatório, começam a coçar a cabeça e a perceber que algo precisa ser feito, de verdade. Começamos a semana com o lançamento do último relatório do IPCC que, infelizmente, aqui no Brasil, teve uma repercussão abaixo do que eu esperava. Entende-se: estamos imersos em outras reflexões, vivendo um clima eleitoral que já tem esquentado as discussões. Mas, mundo afora, os estudos dos cientistas foram parar, por exemplo, na mesa de reunião da União Nacional dos Agricultores da Grã-Bretanha. Responsável por pelo menos 20% das emissões de carbono, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a agricultura agora percebe que ela também pode ser impactada. As safras deste ano no Reino Unido foram severamente atingidas pelo frio mais severo e a pior seca do verão desde 1976. Assim sendo, e diante da situação iminente de que os consumidores passem a diminuir o uso da carne vermelha (vou falar mais abaixo sobre isto), a ideia dos agricultores é de se organizarem para lançar mão de tecnologias que possibilitem a redução da pegada de carbono da agricultura. Criariam uma espécie de "vaca diet". Mais parece aquele aluno que não fez os deveres nem estudou o ano todo e, no dia anterior à prova, corre para tentar recuperar tudo em 24 horas. Bem, mas segundo o "The Guardian", entre as possíveis correções tecnológicas mencionadas pelos agricultores, estão os maiores usos de satélites e robótica para aumentar a quantidade de matéria orgânica absorvente de carbono no solo e, assim, ajudar a criar novos rebanhos que emitem menos metano. É incrível imaginar isso mas, sim, há vacas cujos gases que emitem são menos perigosos do que outras. Se as vacas que – desculpem o termo, leitores, mas não me resta outro – soltam puns menos letais forem criadas umas com as outras, acreditam os agricultores, o problema estaria resolvido. Pesquisadores de outros países também estão ajudando, segundo ainda a reportagem do jornal britânico. Eles estariam criando uma ração diferente para dar menos gases no gado. De novo: tais iniciativas podem ser consideradas por ambientalistas mais radicais como "mudar para continuar tudo do jeito que está". O problema é maior do que os metanos produzidos pelas vacas, e é só dedicar um tempo maior na leitura do relatório para se perceber isto. O vice-presidente na União dos Agricultores, Guy Smith, está se adiantando ao Relatório do Uso da Terra que vai ser lançado no ano que vem pelo IPCC, e que poderá trazer notícias mais preocupantes para os cidadãos comuns e para o setor que ele ajuda a organizar. Mas não, ele não quer saber de reduzir terras produtivas na Grã-Bretanha e usa, para isso, o exemplo do Brasil e da Argentina, "onde as safras e a carne bovina são produzidas em condições bem mais destrutivas do ponto de vista ambiental, o que leva a uma pegada de carbono muito maior". Desta forma, deixou de focar no tema principal do relatório do IPCC deste ano, que imprime uma urgência em mudanças radicais na produção e no consumo. Pensando, de fato, em propor mudanças, outra equipe de pesquisadores se dedicou a estudar o consumo da carne pelos cidadãos comuns e divulgou o resultado de seu relatório na revista "Nature". Sob o animador título: "Opções para manter o sistema alimentar dentro dos limites do meio ambiente", mais de 20 estudiosos se debruçaram sobre dados e concluíram, de cara, que o consumo de carne bovina precisa cair 90% e ser substituído por mais grãos e leguminosas. "Alimentar uma população mundial de 10 bilhões de pessoas é possível, mas apenas se mudarmos a maneira como comemos e a maneira como produzimos alimentos". As opções são duas, segundo disse o professor Johan Rockström, do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático na Alemanha, que fez parte da equipe de pesquisa, à reportagem do "The Guardian": "Esverdear o setor de alimentos ou comer o nosso planeta." Rockström ficou verdadeiramente impactado com o resultado dos estudos dos quais participou e que apontam para uma necessidade de que as pessoas – aquelas que estão foram dos 860 milhões de famintos do mundo, é preciso dizer – mudem completamente suas dietas básicas. Saem carnes e ovos, entram outros produtos que causam menos impacto ao meio ambiente. E ele também acredita que soluções tecnológicas mágicas (como imagina Guy, da agricultura do Reino Unido) não vão resolver o problema. Já que nosso país foi citado, sinto-me à vontade para sugerir que entrem em contato com o Atlas do Agronegócio feito por estudiosos de duas Fundações internacionais (a Heinrich Boll e a Rosa Luxemburgo) e lançado aqui no Brasil há um mês. Além de terem levantando sérias questões sobre o uso abusivo e pouco respeitoso das terras para plantar alimentos, eles também levantam alternativas bem viáveis, longe da necessidade de se empregar mais dinheiro em máquinas, que podem ajudar na questão. De quebra, levaram Bela Gil para o debate no dia do lançamento do Atlas. E a chef de cozinha, como sabemos nós, que acompanhamos sua produção em livros e na televisão, sabe indicar alternativas bem viáveis para o uso da carne no dia a dia. Vai dar mais trabalho, porque sair do hábito exige sempre mais energia. Mas também há de ser mais saudável e prazeroso. Mundo afora há outras pessoas dedicadas a tornar menos impactante nosso ato de comer. Como eu disse no início deste texto, os relatórios do IPCC são sempre bem-vindos porque provocam uma boa tsunami de debates e reflexões. Pena que o Brasil está em dias de se dedicar a outros pensamentos. Mas não seria demais sonhar com a possibilidade de que este tema, tão crucial para a sobrevivência da humanidade no planeta, estivesse à frente. Que se cobrasse dos candidatos a ocupar a cadeira de presidente nos próximos quatro anos um plano vigoroso para encabeçarmos – eu disse que era sonho – uma mudança radical em hábitos de produção e consumo que pudesse vir a ser exemplo mundial, seguido por várias nações. Sonhar não custa nada. Um bom feriado a todos.
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12/10 - Sucuri de 6 metros é capturada por bombeiros após ser vista rastejando em avenida em Sorriso (MT)
Pessoas que passavam pelo local ligaram no telefone de emergência e avisaram os militares. Sucuri está saudável, foi levada para o quartel dos bombeiros dentro de uma caixa e posteriormente será solta em uma área de mata. Moradores encontram sucuri de 6 metros e bombeiros foram chamados em Sorriso Corpo de Bombeiros de Sorriso/Divulgação Uma sucuri com aproximadamente seis metros foi capturada nessa quinta-feira (11) depois de ser encontrada por moradores em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. O Corpo de Bombeiros foi chamado e fez a captura do animal em segurança. A cobra estava rastejando pela Avenida Blumenau, entre os Bairros Jardim Amazônia e Rota do Sol. Pessoas que passavam pelo local ligaram no telefone de emergência e avisaram os militares. Sucuri foi capturada e será solta em área de mata em Sorriso Corpo de Bombeiros de Sorriso/Divulgação A sucuri está saudável, foi levada para o quartel dos bombeiros dentro de uma caixa e posteriormente será solta em uma área de mata. Os bombeiros orientam as pessoas que ao encontrar um animal selvagem não tente fazer a captura. “Um biólogo vai avaliar esse animal antes de ser solto em uma área de reserva ambiental. Orientamos que, ao identificar um animal silvestre, o morador isole o local e peça ajuda”, disse o sargento dos bombeiros, Thalmir Ferreira Rodrigues. A soltura do animal deve ser feita nesta sexta-feira (12).
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12/10 - Por que podemos estar agravando a poluição por plástico nos oceanos ao lavar roupa
Lavar a roupa pode ser prejudicial ao meio ambiente: estudos mostram que, a depender do tipo de tecido, podemos estar agravando a poluição dos oceanos com a liberação de microfibras dos tecidos. Os maiores vilões para os oceanos são poliéster, acrílico e nylon Pixabay/Divulgação Lavar a roupa pode agravar a poluição por plástico no meio ambiente - a depender do tipo de tecido, a tarefa doméstica contribuiria para a contaminação dos oceanos, apontam estudos. A questão foi levantada no início deste mês em reunião do Comitê de Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns do Reino Unido, quando membros do Parlamento discutiram pesquisas que concluem que fibras de tecidos sintéticos que se soltam da roupa durante a lavagem acabam chegando aos oceanos e sendo comidas por peixes e outras criaturas aquáticas. O principal tema da discussão foi a enorme indústria de fast fashion britânica, que estimularia o descarte de toneladas de roupas em boas condições todos os anos. Quando lavadas, roupas feitas com tecidos sintéticos soltam pequenos fios que acabam se misturando à água - cerca de 700 mil fibras com menos de um milímetro de comprimento, em média, em uma única lavagem doméstica. Os maiores vilões são poliéster, acrílico e náilon. Um casaco de lã de poliéster libera 1 milhão de fibras, enquanto um par de meias de náilon é responsável por 136 mil fibras a cada lavagem, aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Manchester. Cientistas descobriram que essas fibras estão cobrindo leitos de rios em todo o Reino Unido. No início do ano, pesquisadores também encontraram fibras, incluindo fios de roupas íntimas, em todas as amostras de mexilhões testadas em mares britânicos ou compradas em supermercados do Reino Unido. Outro estudo, da Universidade de Exeter, identificou microfibras no ambiente alterando o comportamento dos animais. O que podemos fazer Lave a roupa a baixa temperatura. Temperaturas mais altas resultam em mais fibras sendo liberadas. Encha a sua máquina com roupas sujas. Lavar uma carga completa resulta em menos fibras sendo liberadas, pois há menos atrito. Prefira lavagens mais curtas - mais uma vez, isso reduz o atrito entre os tecidos. Use sabão líquido em vez de sabão em pó. Os grãos do pó podem resultar no afrouxamento das fibras. Opte por velocidades menores de centrifugação para reduzir as chances de soltar as fibras. Evite usar detergentes com alto pH e agentes oxidantes. Alguns amaciantes também ajudam a reduzir o atrito. Há sempre a opção de lavar roupa com menos frequência, o que pode ser uma boa desculpa para quem sempre odiou essa tarefa doméstica. Isso teria um grande impacto positivo, na avaliação de Jeroen Dagevos, integrante de um projeto de conservação dos oceanos. Ele sugere ainda que comprar menos roupas sintéticas também ajuda. Preferir tecidos como lã, algodão, seda e caxemira também ajuda. Outra opção, recomendada pelo Instituto de Engenheiros Mecânicos que, em um novo relatório, diz que o uso de sacolas de roupas de malha para reter os fios. Assim, em vez de irem direto para os oceanos, as fibras podem ser colocadas no lixo. Também foram desenvolvidos filtros para tubos de descarte de máquinas de lavar roupa, que podem capturar pelo menos 80% das fibras antes que elas desapareçam pelo ralo. Há ainda bolas à venda mercado, que afirmam "atrair" fibras para prendê-las, em vez de sair da máquina de lavar jogar fora a água suja. Peças de roupas, como casacos de poliéster, podem liberar um milhão de fibras por lavagem Pixabay/Divulgação O que a indústria pode fazer mais? De acordo com Jeroen Dagevos, a indústria pode fazer muito mais para proteger os oceanos. Para ele, só agora estão percebendo o tamanho do problema. "É muito mais complexo de lidar", diz, citando a questão das microbreads. Os chamados microbreads são micropartículas encontradas em produtos como esfoliantes faciais, cremes dentais e gel de banho e já foram proibidos em países como o Reino Unido. Aurelie Hulse, especialista no assunto, diz que os tecidos deveriam ser projetados para não soltarem microfibras quando fossem lavados. A Ocean Clean Wash, uma campanha iniciada pela Plastic Soup Foundation, descobriu que mudar o design das fibras, como comprimento e densidade, pode afetar o número de lançamentos nos oceanos. Jeroen Dagevos diz que criar novas regulamentações para os fabricantes poderia ajudar, forçando as empresas a colocar mais recursos na busca por soluções.
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11/10 - Zoo de Bauru trata de ouriço que ficou órfão após mãe ser atropelada em estrada
Filhote ainda precisa ser alimentado por mamadeira e objetivo é recuperá-lo para ser devolvido à natureza. Zoo de Bauru trata de ouriço que ficou órfão após mãe ser atropelada em estrada O zoológico de Bauru (SP) recebeu esta semana um filhote de um ouriço cacheiro que foi resgatado pela Polícia Ambiental após a mãe do animal ter sido atropelada em uma rodovia da região. O jovem órfão ainda não come por conta própria e, por isso, precisa ser alimentado pelos cuidadores do parque através de mamadeiras (assista no vídeo acima). Segundo o zootecnista Luiz Pires, diretor do zoo de Bauru, o objetivo é que o animal seja cuidado pela equipe do parque até ter condições de voltar ao seu habitat natural. Zoo de Bauru trata de ouriço que ficou órfão após mãe ser atropelada em estrada Zoológico de Bauru/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília
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11/10 - Guardas resgatam filhotes de gambá após mãe ser atropelada em Catanduva
Fêmea estava com filhotes dentro da bolsa, próximo a uma linha férrea, e pode ter sido atropelada por uma locomotiva. Filhotes se recuperam com veterinário em Catanduva Divulgação/GCM Uma gambá foi encontrada ferida por uma equipe da Guarda Municipal de Catanduva (SP), próximo à linha férrea na cidade. A fêmea, que estava com ferimentos no corpo e partes da cauda e patas mutiladas, carregava vários filhotes dentro da bolsa que foram resgatados. A mãe não sobreviveu. Segundo informações da Guarda, o caso foi no último fim de demana, quando a equipe que estava de plantão encontrou a fêmea desacordada. A suspeita é que ela tenha sido atropelada por uma locomotiva. Gambás estão recebendo tratamento veterinário para voltar à natureza Divulgação/GCM “A fêmea estava ofegante e a barriga mexia muito, até que, num determinado momento, um filhote caiu. Foi aí que deduzimos que ela estava grávida”, disse o guarda Cláudio Pereira, que chamou um médico veterinário. Apesar dos cuidados, a mãe morreu pouco tempo depois. De acordo com o veterinário Júnior Ferreira, especialista em animais silvestres, os sete filhotes estavam na bolsa materna, que fica no ventre do animal, porque tinham nascido há pouco tempo. Os recém-nascidos estão sob cuidados médicos, que estão sendo custeados pelo guarda que encontrou os animais. Eles recebem alimentação e tratamento. A expectativa é que os filhotes sejam reintroduzidos na natureza quando estiverem preparados. Ao todo, sete gambás foram resgatados em Catanduva Divulgação/GCM Veja mais notíciais da região em G1 Rio Preto e Araçatuba
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10/10 - Cerrado, 'berço das águas' do Brasil, está sendo destruído
Aos 33 anos, o historiador e técnico agrícola Samuel Leite Caetano declarou para a plateia do Museu do Amanhã que nunca tinha estado num lugar tão bonito. Aos 66, Maria do Socorro preferiu falar em pé, do alto de seu par de sandálias douradas, para lembrar que vem de um lugar, o Cerrado, que é considerado o berço das águas: "Se eu preservo minha fonte eu vou preservar a água das cidades", declarou, olhando em volta. Fátima Barros, nascida em 72, trouxe a emoção na voz para falar sobre as ameaças que o Cerrado está sofrendo, sobretudo por parte do agronegócio. Uma emoção que lhe dá coragem e vontade de partir para o enfrentamento: "Não temos medo da tempestade porque nós somos a tempestade". Já Maria Emilia Pacheco, que é mineira mas mora no Rio, e que já presidiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) lembrou como é distante, não só fisicamente, do carioca e do Sudeste, a região do Cerrado. Mas não devia ser assim: "Estamos falando de uma questão nacional, a vida no Brasil depende muito do Cerrado". Dediquei parte da minha manhã de ontem (9) a ouvir histórias do Cerrado no Museu do Amanhã, no evento "O Cerrado em toda parte" organizado em parceria pelas ONGs ActionAid e Rede Cerrado. Katia Favilla, secretária executiva da Rede, lembra que parte deste distanciamento das questões de uma região tão importante para o Brasil foi porque houve um tempo "em que os povos e comunidades tradicionais lutaram para ficar invisíveis", já que isso era uma garantia de sobrevivência e de permanência em seus territórios. Hoje não é mais assim. A luta é pela visibilidade, para mostrar aos povos de todas as regiões do Brasil que existe um lugar, que ocupa um quinto do território do Brasil e se estende por 12 estados, considerado a savana mais rica em biodiversidade do mundo, que está sendo dia a dia desmatado, espoliado, para dar lugar a pasto e plantações de monoculturas. "Falar sobre o Cerrado e sobre seus povos no Museu do Amanhã é trazer a discussão para as grandes cidades, é expor a um público já acostumado a falar de Amazônia, as riquezas de outro bioma extremamente importante para o país", diz Karia Favilla. A sociedade civil está fazendo a sua parte, mostrando que não é preciso tanta destruição para alimentar as pessoas, como bem lembrou Maria Emilia Pacheco. "Os portugueses quando chegaram ao Brasil encontraram o roçado dos indígenas, com alimentos que eles haviam descoberto, e destruíram tudo. Nós aqui da cidade estamos nos esquecendo de que os alimentos que temos hoje na mesa vem do trabalho que continua sendo feito pelas comunidades tradicionais", disse ela. Por comunidades tradicionais entendem-se pessoas que vivem no mesmo lugar há muito tempo e criam com ele uma relação de afeto, não de negócio. É esta a maior diferença, como explica Maria de Fátima: "A relação do agronegócio com o Cerrado é um negócio e a nossa relação é de vida, de amor, de afetividade. Não há limites para o capital. Temos feito a resistência. Minha família está na Ilha de São Vicente (no Tocantins) há 130 anos e ainda assim enfrentou um processo jurídico que nos expulsou em 2010, por um fazendeiro que conseguiu retirar de lá a comunidade. Conseguimos retornar, enfrentamos um processo para comprovar nossa ancestralidade, o que é uma violência para os povos quilombolas. Precisei de papel de cartório para dizer que sou quem sou. Lutamos contra tudo isso de pé". A violência contra os povos que lá estão há tanto tempo, por si só, já é um absurdo. O descaso com o meio ambiente aumenta a sensação de que não se está percebendo o tamanho da tragédia. Os números, divulgados ontem no evento que durou o dia inteiro, apoiado pelo Museu, dão conta de como é preciso que o poder público lance um olhar para a região. Vejam só: Só entre 2016 e 2017, o Cerrado perdeu o equivalente a mais de 1 milhão de campos de futebol, segundo dados do próprio Ministério do Meio Ambiente. Hoje, a cobertura florestal do bioma ocupa menos da metade de sua área original; O Matopiba (nome da região composta pelos estados do Maranhã, Tocantins, Piauí e Bahia) é a última grande remanescente de Cerrado contínuo e repleto de comunidades tradicionais e agricultores familiares. O Plano de Desenvolvimento Agrário, no entanto, vem promovendo a substituição de mata nativa por grandes extensões de monoculturas. Hoje, 36% de todo o gado e 63% de toda a soja plantada no país estão no Cerrado. E 30% da área virou pasto. Dá para imaginar tanto desmatamento num terreno onde brotam as principais fontes de água doce do país? Um terreno que contribui com oito das 12 regiões hidrográficas, entre elas as bacias dos rios Araguaia/Tocantins, do Rio São Francisco e do Rio Paraná e abriga três aquíferos está sendo desmatado, segundo informações da Rede Cerrado, por projetos que desde os anos 70 estimulam a "limpeza" da vegetação para a produção. Esta é a questão. As soluções são várias e não precisam de caras tecnologias para serem implantadas, o melhor é isso. A agroecologia, um conceito que pressupõe a prática da agricultura de maneira cuidadosa não só com o meio ambiente como levando em conta as pessoas, a cultura de cada povo, ensina muita coisa. Há cerca de um mês, as Fundação Boll e Rosa Luxemburgo lançaram no Rio o Atlas do Agronegócio, que aponta a agroecologia como uma alternativa. Ela já é utilizada em cultivos de arroz no mundo inteiro. "A agroecologia promove a agricultura em pequena escala, em sintonia com os ecossistemas. Não é apenas um conjunto de técnicas agronômicas; é um processo político, social e transformador. Oferece ferramentas que dão às pessoas o direito de definir seus próprios sistemas de alimentação, agricultura, pecuária, pesca e as políticas que impactam estes sistemas como parte de um movimento internacional. A agroecologia não procura melhorar a agricultura industrial, mas substituí-la", diz o relatório. É de transformação, portanto, que estamos falando. Uma transformação que dê passos para a frente, que ouça atentamente o que cientistas do mundo todo estão falando sobre as respostas que a natureza dá aos impactos que vem sofrendo. Isto, sim, nos colocará em posição de respeito na comunidade internacional de maneira sustentável. Amelia Gonzalez Arte/G1
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09/10 - Ave ganha prótese feita com impressora 3D após perder parte do bico
O calau Jary teve um tumor removido e usará a prótese até que seu bico se recupere. Graças a novas tecnologias, o calau Jary ganhou um novo 'capacete' Wildlife Reserves Singapore Jary, um calau que é mantido em cativeiro em Singapura, rebeu uma prótese após ter parte de seu bico destruída por um tumor e removida cirugicamente. Em julho, funcionários do Jurong Bird Park notaram um rasgo de 8cm no bico do calau bicórnio macho e suspeitaram que ele poderia ter câncer. O tumor estava atacando uma parte do bico chamada de "capacete". Grande parte do tecido sob o capacete de Jary havia sido destruído pela doença. Prótese foi fabricada usando uma impressora 3D Wildlife Reserves Singapore As perspectivas eram sombrias: dois calaus já haviam tido câncer no mesmo parque - um deles morreu após fazer quimioterapia, e, no segundo caso, o câncer já estava em estágio avançado demais para qualquer tipo de tratamento. Graças a novas tecnologias, o calau Jary ganhou um novo 'capacete' Wildlife Reserves Singapore Jary foi submetido a exames... ... e foi feita uma biópsia do tecido afetado. Uma análise confirmou que era câncer, e cirurgiões veterinários decidiram remover o tumor. Uma prótese do capacete para Jary foi fabricada com uma impressora 3D. O capacete comprometido foi removido. Depois, resina dental foi aplicada ao novo capacete para selar quaisquer aberturas. O calau recebeu o nome Jary porque significa "guerreiro de capacete" no idioma nórdico antigo. Jary recebeu alta em setembro. Ele usará a prótese até que seu capacete natural cresça novamente. As perspectivas para Jary eram ruins, porque outros calaus já tinham morrido por causa de tumores Wildlife Reserves Singapore
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09/10 - Coca, Pepsi e Nestlé são maiores produtoras de lixo plástico, diz Greenpeace
ONG organizou 239 coletas de plástico em 42 países por todo o mundo, que resultaram na análise de 187 mil peças de lixo plástico. Garrafas de Coca-Cola em prateleira de supermercado: marca é a maior produtora de lixo plástico, diz Greenpeace. Reuters/Regis Duvignau As empresas de bebida Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé são as maiores produtoras de lixo plástico do mundo, revelou relatório do grupo ambientalista Greenpeace nesta terça-feira (9). Trabalhando com o movimento Break Free From Plastic, o Greenpeace disse ter organizado 239 coletas de plástico em 42 países por todo o mundo, que resultaram na análise de 187 mil peças de lixo plástico. O objetivo era ter uma ideia de como grandes corporações contribuem para o problema da poluição. A Coca-Cola, maior produtora de refrigerantes do mundo, foi também a maior produtora de lixo, disse o Greenpeace, que encontrou lixo plástico com a marca da Coca em 40 dos 42 países analisados. "Essa auditoria de marcas oferece provas inegáveis do papel que corporações desempenham na perpetuação da crise global de poluição plástica", disse Von Hernandez, coordenador global da Break Free From Plastic. No geral, o tipo mais comum de plástico encontrado foi o poliestireno, que é utilizado em embalagens e copos de café, seguido pelo PET, usado em garrafas e recipientes. "Nós compartilhamos o objetivo do Greenpeace de eliminar a poluição do oceano e estamos preparados para fazer nossa parte para ajudar a lidar com esse importante desafio", disse um porta-voz da Coca-Cola em comunicado. A empresa se comprometeu a coletar e reciclar uma garrafa ou lata para cada uma que vender até 2030. Todas as três companhias assumiram compromissos sobre suas embalagens para 2025. A Coca disse que todas as suas embalagens serão recicláveis, a Nestlé disse que as suas serão recicláveis ou reutilizáveis e a PepsiCo disse que suas embalagens serão recicláveis, compostáveis e biodegradáveis. A Nestlé, maior produtora de comidas e água do mundo, disse que reconhece o problema e está trabalhando duro para eliminar a utilização de plástico não-reciclável. A PepsiCo não estava disponível de imediato para comentar.
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08/10 - Por que diferença de temperatura entre o Atlântico e o Pacífico aumentou inundações extremas do rio Amazonas
Um novo estudo desvendou as razões pelas quais a frequência das enchentes do rio mais caudaloso do planeta quintuplicou em apenas duas décadas. No início do século 20, cheias extremas do Amazonas ocorriam a cada 20 anos; hoje, acontecem a cada quatro Jochen Schongart/INPA Algo preocupante está acontecendo no rio Amazonas, segundo um novo estudo. As inundações extremas causadas pelas enchentes do rio quintuplicaram nas últimas duas décadas. E a explicação para este fenômeno está em uma importante diferença entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico, na altura da linha do Equador, segundo os cientistas. Os pesquisadores primeiro analisaram os registros dos níveis do rio Negro em seu encontro com o Amazonas, que foram computados em Manaus durante mais de um século. "Em 1902, uma régua foi colocada no leito do rio Negro e se começou a medir seu nível diariamente, já que isso é representativo do braço principal do Amazonas", explicou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o especialista em clima Jonathan Barichivich, da Universidade Austral do Chile, líder do estudo. "Esse registro se manteve até o presente e é o registro mais longo dos rios da Amazônia." Os registros detalhados permitiram constatar que a frequências das inundações extremas havia aumentado de forma dramática. Na primeira parte do século 20, esses eventos aconteciam aproximadamente uma vez a cada duas décadas. Mas, segundo Barichivich e seus colegas do Brasil, da Inglaterra, da França e do Peru, as inundações extremas do Amazonas ocorrem agora pelo menos uma vez a cada quatro anos. O estudo foi divulgado na revista Science Advances. A régua de Manaus De acordo com o pesquisador, o Amazonas tem, todos os anos, uma variação em seu nível porque há uma estação chuvosa e outra seca. "Ou seja, todos os anos o rio sobe e há inundações. Isso é normal", explica. 'Quando o rio ultrapassa o nível de 29 metros na régua, Manaus começa a inundar, e é aí que se declara o estado de emergência', diz o pesquisador chileno Jonathan Barichivich Jochen Schongart/INPA No entanto, "quando o rio ultrapassa um nível de 29 metros na régua, a cidade de Manaus começa a inundar, e é aí que se declara o estado de emergência". "Por isso dizemos que, se o rio ultrapassa esse nível, a inundação é extrema", disse. Por outro lado, os pesquisadores já sabiam que o ciclo hidrológico da bacia do Amazonas estava se intensificando - a estação seca está se tornando mais seca e a estação chuvosa, mais chuvosa. Mas por quê? Temperaturas diferentes "Encontrar a causa foi o que nos tomou mais tempo", admitiu Barichivich. "É preciso entender como funciona o sistema climático da bacia do Amazonas. E o que está acontecendo é que, no contexto do clima tropical, houve uma mudança forte desde 1998: o Pacífico tropical esfriou muito rápido, enquanto que o Atlântico tropical esquentou muito rápido." Os pesquisadores até agora não tinham uma visão clara de como essa mudança nas temperaturas do oceanos estavam afetando o ciclo de chuvas e inundações nos trópicos. Mas o estudo conclui que o aumento das chuvas que causam as enchentes se deve à aceleração de uma corrente atmosférica chamada "circulação de Walker", que conecta ambos os oceanos "como uma ponte atmosférica". "A circulação de Walker é uma corrente atmosférica (composta de ar e vapor d'água) tropical que vai de leste a oeste e se movimenta por causa das diferenças de temperatura e de pressão entre os oceanos", explica. "O Pacífico estava esfriando muito rapidamente e o Atlântico, esquentando muito rapidamente. Como há uma diferença maior de temperatura entre os dois oceanos, a circulação e o transporte do vapor de água entre eles ficam mais acelerados." "Na Amazônia, há uma zona onde este ar ascende e, como a circulação de ar se acelera, há mais convecção - ou seja, há mais chuva durante a estação chuvosa e os níveis dos rios sobem mais rápido", afirma. Para Manuel Gloor, professor do Departamento de Geografia da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e outro dos autores do estudo, o efeito desta aceleração da circulação de Walker é "aproximadamente o oposto do que ocorre durante um evento de El Niño". "Em vez de causar secas, há mais chuvas intensas na parte norte e na parte central da bacia amazônica", disse à BBC News Mundo. A 'força extra' do Atlântico O oceano Pacífico tem oscilações naturais, com uma fase quente e outra fria que duram várias décadas. Atualmente estamos saindo de uma fase fria. No entanto, os cientistas também descobriram um fenômeno surpreendente nesta complexa cadeia de eventos oceânicos e atmosféricos. Agora se sabe também que o Atlântico desempenhou um papel crucial no rápido esfriamento do Pacífico. "Sabemos que o Atlântico teve esse papel central porque os modelos de clima indicam que ele fez com que o Pacífico esfriasse mais do que deveria apenas pela variabilidade natural", diz Barichivich. "É como uma força extra, e grande parte desse esfriamento do Pacífico se deve ao aquecimento do Atlântico." Por isso, outra das perguntas-chave para os climatologistas é: a que se deve o rápido aumento de temperatura no Atlântico? Em parte, esse aumento se explica porque o oceano Atlântico "está em uma fase quente natural de várias décadas", segundo o pesquisador chileno. Além disso, diz ele, o Atlântico "recebe o impacto do aquecimento global". Aquecimento global e gases estufa têm efeitos diretos e indiretos sobre as chuvas amazônicas, que incluem até um 'portal entre os oceanos Atlântico e Índico' Jochen Schongart/INPA Por um lado, a mudança climática impacta no Atlântico de forma direta, devido ao aumento da temperatura do oceano por efeito dos gases do efeito estufa. Mas há também um impacto indireto da mudança climática. "Acreditamos que parte do aquecimento do Atlântico se deve à passagem das águas do oceano Índico, que também esquentou muito rapidamente." De acordo com Manuel Gloor, essa passagem se dá através de redemoinhos da corrente oceânica Agulhas, que transporta água quente do oceano Índico na direção sul até o extremo sul da África. Quando eles alcançam o oceano Atlântico, podem ser transportados até o Atlântico tropical. "Mas esta chegada ao Atlântico só foi possível recentemente, porque os cinturões de vento do hemisfério Sul se moveram mais para o sul, possivelmente por causa do aquecimento global e do buraco na camada de Ozônio", afirma. "Esta mudança nos ventos abriu uma comporta do oceano Índico para o Atlântico." A possibilidade de prever as inundações na Amazônia Para Barichivich, a mensagem do estudo é que "o que acontece com o Atlântico tropical tem um papel muito importante para a Amazônia, tanto para secas como para inundações extremas". Mas é importante para comunidades e autoridades saberem que "o contraste de temperaturas entre o Pacífico e o Atlântico tropical pode ser previsto com até três anos de antecedência nos modelos de previsão climática". O contraste das temperaturas do Pacífico e do Atlântico tropical pode ser previsto até três anos antes, o que permite melhorar a preparação para as cheias extremas Jochen Schongart/INPA Para efeitos de comparação, o fenômeno El Niño no Pacífico tropical só pode ser previsto cerca de um ano antes. Para o climatologista chileno, a possibilidade de antecipar a diferença de temperatura entre os oceanos "nos dá uma oportunidade de melhorar a previsão das inundações extremas". No momento, o que está em jogo com estas previsões é a segurança de milhares de pessoas. "O impacto das inundações é desastroso para as cidades e comunidades ribeirinhas. Pensem que a Amazônia foi povoada através de rios que são como estradas", diz Barichivich. "Um dos maiores problemas, pelo menos em Manaus, é que o rio pode ficar acima de 29 metros durante 60 dias ou mais. Nesse período, as pessoas sequer conseguem voltar para suas casas. E isso acontece com cada vez mais frequência."
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08/10 - ANÁLISE: A bomba-relógio que explode em 12 anos
ONU e Nobel alertam sobre a curta janela para frear o aquecimento global, enquanto Trump ironiza seus efeitos. Afetado pelas mudanças climáticas, o lago Poopó, na Bolívia, virou um deserto Reuters/David Mercado O crescimento sustentável é possível, mas temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global. Este é o resumo de duas poderosas mensagens sobre o futuro de nosso planeta, emitidas nesta segunda-feira (8) pela ONU e pelo Prêmio Nobel. E o futuro é daqui a pouco, em 2030, prazo final para a implementação de mudanças sem precedentes na infraestrutura energética, de acordo com o alerta dramático do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Das duas, uma: ou os países tomam medidas concretas para limitar em 1,5º C o aumento da temperatura global, restringindo também as emissões de gases do efeito estufa, ou arcarão com o ônus de mais mortes e danos materiais. O início da temporada de furacões e o tsunami da Indonésia, que já contabilizou mais de duas mil vítimas, ilustram o teor da advertência do IPCC, que se baseia em seis mil publicações científicas. Um estudo recente aponta que os tsunamis podem se intensificar devido à mudança do clima e a consequente subida do nível do mar. A meta de 1,5ºC é mais rigorosa do que a estipulada pelo Acordo de Paris, que prevê, no mesmo período, a limitação do aumento da temperatura em 2º C. Assim, segundo o painel, serão preservadas mais 10 milhões de vidas. Ao mesmo tempo em que digerimos o relatório de 700 páginas, o Nobel de Economia é consagrado a dois cientistas americanos, William Nordhaus e Paul Romer. A dupla provou ser possível combinar crescimento com sustentabilidade e assegurar uma economia de mercado lado a lado com a preservação da natureza. William D. Nordhaus e Paul Romer, que ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2018 CNW/BBVA Foundation Award to William Nordhaus/NYU Stern School of Business/Handouts via REUTERS São dois recados que vão na contramão do governo Trump: em estado de negação e de obstrução das políticas climáticas de seu antecessor, o presidente americano retirou os EUA do Acordo de Paris -- que o relatório do IPCC agora demonstrou ter metas obsoletas. Frequentemente, o presidente desdenha os alertas sobre o aquecimento global e, com ironia, chegou a defendê-lo em dias frios do inverno passado. Atribui as mudanças climáticas a uma suposta fraude chinesa e minimiza a taxa de mortalidade decorrente de seus efeitos. De acordo com o IPCC, nos próximos 12 anos, as emissões globais de CO2 precisam diminuir 45% em relação aos níveis de 2010. Mas Trump relaxa regras de regulação e caminha na direção dos interesses das empresas de combustíveis fósseis. Esta miopia avassaladora estreita ainda mais a curta janela de oportunidade aberta pelo relatório da ONU. Sandra Cohen Arte/G1
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08/10 - Um pouco de história sobre o relatório que alerta para o risco das mudanças climáticas
O ano era 1988 e o mundo ainda estava dividido entre o capitalismo e o socialismo. O Muro de Berlim, construído em 1961, com mais de 60 quilômetros de grade metálica, partia ao meio a Alemanha, separando também amigos, famílias. Neste contexto conturbado, em reuniões especializadas e longe dos debates políticos, cientistas se debruçavam sobre um assunto que já preocupava especialistas desde meados do século XIX: a Terra estava aquecendo mais do que a situação polarizada que se estava enfrentando. E a culpa deste fenômeno era do homem. James Hansen, então diretor da Nasa, levou o assunto para o Congresso dos Estados Unidos, e foi ouvido por políticos que suavam camisas num junho especialmente quente em Washington. Só depois deste discurso é que o aquecimento global começou a ser tema também entre as cabeças que tomavam decisões sobre políticas públicas na nação mais rica. E, é claro, quando Estados Unidos passaram a atentar para os eventos que poderiam vir como resultado de oceanos mais quentes, terras mais secas, tempestades e furacões, o mundo todo passou a olhar para isso também. Em novembro de 1988, ainda sob a Guerra Fria, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês) das Nações Unidas lançava seu primeiro relatório. Era o primeiro órgão científico estruturado para aconselhar governos nesta questão. As previsões deste primeiro estudo não eram muito consistentes para o Hemisfério Sul e trópicos. Mas as centenas de cientistas de 25 países, que voluntariamente se debruçaram sobre dados antigos que demonstravam o movimento da natureza desde que a atmosfera começou a ser torpedeada com toneladas de gases poluentes, foram firmes em detalhar os efeitos disso. O principal deles, à época, era o aumento de temperatura no Sul da Europa e na América do Norte: "As temperaturas terão um aumento maior do que a média global, e serão acompanhadas por precipitações de verão e solo úmido", escreveram os cientistas. Os dados do estudo ainda continham uma informação bastante alarmante para quem mora em regiões costeiras e para os países-ilha do Pacífico: “um aumento do nível do mar de cerca de seis centímetros a cada década, ao longo do próximo século, devido à expansão térmica dos oceanos e ao derretimento de gelo terrestre, que vai ter como resultado 20 cm a mais no nível médio do mar até o fim do próximo século”. Três décadas se passaram, e hoje o IPCC lançou, na cidade de Incheon, na Coreia do Sul, mais um relatório. A mídia internacional, como sempre, cobre o evento com pompa e circunstância, como deve ser, divulgando os estudos feitos agora por centenas de cientistas de 190 países. Escrevo este texto na noite de domingo (7), enquanto na outra tela do meu computador eu sigo os resultados das nossas eleições. Não têm sido tempos fáceis para ninguém, mas seja qual for o eleito, e sejam quais forem os detalhes do relatório do IPCC, certo é que será preciso rever hábitos de produção e de consumo. E que isto não vai depender só de nós. O estudo atual perturbou bastante a Arábia Saudita, país que acabou de se comprometer a aumentar a produção de petróleo do país, após receber um pedido do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. É bom lembrar que Trump se autointitula um cético do clima. Segundo apurou a agência France Presse, a Arábia Saudita tentou bloquear o relatório, os representantes do país que ajudam a montar o estudo não responderam as últimas mensagens eletrônicas. O que o país do petróleo quer é que a parte do texto referente à produção do combustível fóssil seja reformulada. Um participante das reuniões resumiu bem a questão para a agência de notícias que o entrevistou: "Isso se tornou uma batalha entre a Arábia Saudita, um rico produtor de petróleo, e pequenos Estados insulares ameaçados de extinção", disse, preferindo ficar no anonimato. De acordo com as regras de consenso do IPCC, todos os países devem assinar o texto de um resumo de 20 páginas para formuladores de políticas, criado para fornecer aos líderes informações objetivas e baseadas na ciência. A passagem que desagradou à Arábia Saudita é a que afirma que compromissos nacionais voluntários para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, anexados ao tratado climático de Paris de 2015, não conseguirão limitar o aquecimento a 1,5ºC. Tais promessas, segundo os cientistas, na melhor das hipóteses, produziriam um aquecimento de 3 graus no fim do século, muito acima do limite de 2 graus estabelecido no Acordo de Paris ratificado pelos países. Se houver impasse, os presidentes de uma reunião do IPCC podem anular o comentário de um ou de alguns países, registrando a objeção em uma nota de rodapé. É raro um país querer ter seu nome num asterisco de rodapé, mas parece que a Arábia Saudita não está se importando muito com isso. Acordei cedo para acompanhar a divulgação do relatório minuto a minuto feita pelo "The Guardian", e as diretrizes que os cientistas sugerem seguir não estão longe das expectativas. Vai ser necessário, na visão de Jo House, pesquisador de Ciência e Política Ambiental no Instituto Cabot da Universidade de Bristol, um dos cientistas que ajudou no relatório, "substituir rapidamente as emissões de combustíveis fósseis por tecnologias de energia renovável de baixo custo que já estão amplamente disponíveis". E o imbróglio é tão difícil que será necessário, ao mesmo tempo, proteger as florestas, já que elas serão fonte direta da bioenergia. Por isso, o IPCC já está preparando – e lançará no ano que vem – um Relatório Especial sobre Mudança Climática e Terra. As ameaças são grandes demais e não podem ser enfrentadas sem que haja uma coalizão entre os líderes empresariais e de governo. Como escreveu George Monbiot, colunista de meio ambiente do "The Guardian", o consumo consciente, a redução das sacolas plásticas, ou qualquer outra ação voluntária dos cidadãos são importantes, mas o meio eficaz, verdadeiro, de promover uma mudança, será a ação política. O assunto clima precisa entrar na agenda, mesmo tendo um opositor forte, como o presidente Donald Trump, que já anda arregimentando outros personagens de alto escalão da política mundial. Hoje o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, também se colocou nesta categoria de "cético", classificando de "bobagens" as conferências internacionais sobre o clima. Enquanto isso, no Brasil, estamos vivendo uma oportunidade de espremer de cada um dos dois candidatos que se enfrentam para ocupar a cadeira presidencial por quatro anos, algum compromisso em relação ao relatório do IPCC. É preciso fazer valer os esforços mundiais para conter a degradação que virá, e não está longe de chegar. O estudo diz que se o mundo continuar a aquecer nos níveis atuais, as temperaturas globais devem chegar a 1,5º C entre 2030 (ou seja, daqui a doze anos) e 2052. Vou continuar acompanhando e, como sempre, trarei novas informações para vocês sobre o tema.
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08/10 - Novo relatório climático do IPCC diz que 'mudanças sem precedentes' são necessárias para limitar aquecimento a 1,5ºC
Relatório foi aprovado pela comunidade internacional apesar de forte oposição saudita. Barcos no lago Poopo, na Bolívia, região afetada pelas mudanças climáticas Reuters/David Mercado Limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5 grau Celsius exige "mudanças sem precedentes" em nível global, alerta o novo relatório apresentado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) neste domingo (7). O documento afirma que restringir o "aquecimento global a 1,5 ºC", uma barreira que se acredita que pode ser superada entre 2030 e 2052, "exigiria mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade", do consumo de energia ao planejamento urbano e territorial, com muito mais reduções de emissões de gases estufa. O relatório, aprovado em Incheon, na Coreia do Sul, examina maneiras de limitar o aquecimento a 1,5ºC em vez de 2ºC, como estabelecido no Acordo Climático de Paris, e adverte que os efeitos para os ecossistemas e a vida no planeta será muito menos catastrófica se esta barreira mais ambiciosa for mantida. A aprovação do relatório pela comunidade internacional veio apesar da resistência saudita. A reunião a portas fechadas do IPCC, que começou na segunda-feira em Incheon (Coreia do Sul), se estendeu um dia a mais que o previsto e, nas últimas horas, se concentrou em resolver a oposição de Riad, segundo relataram vários participantes. No relatório, cujo resumo de 20 páginas foi aprovado por consenso, os cientistas descrevem com base em 6.000 estudos a grande diferença dos impactos entre um aumento de temperaturas de +1,5ºC e de +2ºC. E eles listam as diferentes alternativas, que primeiro passam por uma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa (atualmente fruto em três quartos dos combustíveis fósseis). Arábia Saudita é maior exportadora de petróleo do mundo AP Oposição saudita A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, se opôs, segundo vários participantes, a um capítulo que lembra a insuficiência geral de compromissos de redução de emissões acordados em Paris para manter o aumento de temperatura a 1,5ºC. Antes de "finalmente levantar o bloqueio", disse um observador que pediu anonimato. No passado, Riad muitas vezes se opôs à ação da ONU contra o aquecimento global, seja em relatórios do IPCC ou em negociações para chegar a um acordo sobre reduções de emissões. E embora no final de 2015 o reino tenha adotado o Acordo de Paris, que visa colocar o planeta "bem abaixo de 2°C", ele se opôs ao 1,5°C solicitado pelos Estados mais vulneráveis.
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06/10 - Aguapé, a 'praga verde' brasileira que é promessa de solução para rios poluídos e produção de combustíveis
Poderes despoluentes de planta amazônica são conhecidos há décadas e, após vários fracassos, cientistas dizem ter técnica para colocar planta invasiva a serviço do homem. Natural da bacia amazônica, a aguapé é capaz de retirar toxinas da água Natural Resources Wales Seria a trama perfeita para um filme de ficção científica: planta que habita rio cercado de florestas impenetráveis em país longínquo é levada por explorador para adornar lagos em seu país. No entanto, a planta exótica era na verdade um ser alienígena que agora ameaça a vida no mundo civilizado. Bem, na vida real, plantas podem sim causar estragos quando inseridas em habitats diferentes dos seus. O aguapé da Amazônia, apelidado de "praga verde", é uma delas. Mas cientistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que, no caso do aguapé, a trama pode ter final feliz. Essa planta pode ser a solução para despoluir rios mundo afora e ainda produzir etanol e materiais plásticos, dizem eles. "Na Flórida, ela é considerada uma espécie invasiva sem controle. No Brasil, para se ter uma ideia, várias represas de São Paulo estão tendo problemas de navegação e geração de energia, turbinas estão sendo paradas, especialmente no rio Tietê", disse Alcides Lopes Leão, pesquisador da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "É a planta que cresce mais rapidamente de todo o mundo. Por causa das mudanças climáticas, ela pode se tornar um problema global, pode vir parar aqui no nosso quintal (no Reino Unido). Não deveríamos lutar contra ela, mas achar formas de conviver com ela e torná-la útil", disse Parvez Haris, professor da Escola de Ciências Aliadas da Saúde na Universidade Montfort, na Inglaterra. Poderes despoluentes A Eichhornia crassipes, ou aguapé, é uma bonita planta aquática flutuante, com grandes folhas redondas. Quando floresce, produz flores azul-arroxeadas. Natural da bacia amazônica, até recentemente era vendida como planta ornamental em lojas de jardinagem europeias, mas foi banida no continente por seu potencial nocivo ao meio ambiente. Sabe-se há muito tempo de sua capacidade de retirar toxinas da água. No entanto, tentativas anteriores de utilização da planta para despoluir rios tiveram resultados desastrosos: experimentos fugiram do controle de cientistas, e a planta passou a se proliferar de forma desenfreada nos locais onde foram feitos os estudos. O resultado disso foram rios entupidos, onde não se pode pescar, cheios de moscas e impossíveis de navegar. Pesquisadores britânicos e brasileiros estudam como usar o aguapé a serviço da conservação ambiental Natural Resources Wales Décadas mais tarde, uma parceria entre pesquisadores britânicos e brasileiros pode, finalmente, vir a reverter o impacto negativo do aguapé - e colocá-lo a serviço da humanidade. Estudo Britânico: biorremediação Recentemente, a revista científica Nature publicou um artigo detalhando os excelentes resultados de um experimento com o aguapé feito em um trecho do rio Nant-y-Fendrod, em Swansea, no País de Gales, no Reino Unido. Durante 240 anos, entre 1720 e 1960, a região foi um centro mundial na produção de cobre. Uma grande quantidade de dejetos resultantes da atividade - 7 toneladas de material tóxico - foi abandonada no Vale de Swansea e acabou indo parar no rio, explicou Haris, coautor do estudo. "Isso teve impacto na ecologia do rio, peixes e vegetação da área foram afetados." Entre as substâncias presentes na água estão zinco, níquel e cádmio. "Desde 1961, as autoridades locais tentam remover os dejetos, mas a água continua contaminada", disse o cientista. Sob orientação de Haris, o estudante de PhD Jonathan Jones, que trabalha para o órgão ambiental Natural Resources Wales, propôs fazer um experimento usando biorremediação para despoluir o rio. Biorremediação é o processo no qual se empregam organismos vivos (micro-organismos ou plantas, geralmente) para recuperar áreas poluídas. Nesse caso, o "remédio" usado seria o aguapé brasileiro. Contando com recursos e tecnologias de ponta, os cientistas conseguiram acertar onde, no passado, seus colegas falharam. Para impedir a contaminação do ambiente pela espécie elienígena, a planta ficou contida em gaiolas e tanques. Instrumentos de medição de última geração foram usados para avaliar a composição da água. Experimento em três estágios O experimento foi feito em três estágios. O primeiro, no laboratório, usou água sintética onde havia sido adicionado o metal tóxico zinco em concentração de 4,5 miligramas por litro. Após sete horas na água, o aguapé removeu 50% do zinco. Após três semanas, a planta absorveu 90% do metal. Para impedir a contaminação do ambiente pela espécie, a planta ficou contida em gaiolas e tanques Natural Resources Wales No segundo estágio, a equipe repetiu o experimento em laboratório, porém usando água retirada do rio Nant-y-Fendrod, contendo não só zinco, mas também outros metais. Após sete horas, entre 20% e 30% do zinco havia sido removido. Após três semanas, quase 100% da substância havia sido removida (na água do rio a concentração do metal era cerca de 2 miligramas por litro). O terceiro estágio foi feito no próprio rio. Aqui, foram utilizados dois métodos. "Colocamos a planta dentro de gaiolas na água e permitimos que a água fluísse para dentro das jaulas. A água entrava e saía." Aqui, após apenas alguns segundos de contato com a planta, foram removidos 10% do zinco e 15% do cádmio presentes no rio. "Isso demonstra remoção quase instantânea" do metal tóxico, ressaltou o pesquisador Jonathan Jones à BBC News Brasil. No experimento final, a equipe usou uma técnica que permite o monitoramento ainda mais preciso do comportamento do aguapé na natureza. "A água foi transferida do rio, por meio de canos, para tanques contendo aguapés. Nòs monitorávamos a água antes de entrar no tanque e depois, ao sair. Essa técnica tem potencial para uso na vida real, fora do laboratório", disse Parvez Haris. Em segundos de exposição ao aguapé dentro do tanque, cerca de 4% do zinco e 5% do cádmio haviam sido removidos da água. O mesmo ocorreu com vários outros metais, entre eles, manganês, arsênico e chumbo. A equipe explica, no entanto, que essa fase do experimento - embora tenha acontecido no verão britânico - foi feita sob temperatura ambiente muito baixa, o que afetou o desempenho do aguapé (longe das condições em seu habitat natural, os trópicos). Eles ressaltam que esse, obviamente, não seria o caso no Brasil, onde a quantidade de poluentes removida deverá ser maior. Além disso, explicam, quando aplicada na natureza, a técnica envolveria o represamento temporário da água para dar tempo ao aguapé de agir. Um estudo diferente dos anteriores Segundo Haris, o experimento britânico foi único em alguns aspectos. Primeiro, porque o potencial despoluidor do aguapé nunca havia sido testado em países de clima frio, disse. Parceria com pesquisadores do Brasil pode viabilizar teste da técnica em grande escala em rios do país Natural Resources Wales Segundo, por investigar com máxima precisão o comportamento do aguapé em vários ambientes e situações, do laboratório ao rio. "Este estudo, de pequena escala, visou demonstrar um conceito, de que a ideia funciona. Feito isso, você pode repetí-la em grande escala", disse Haris. E é aqui que entram em cena pesquisadores brasileiros. Parvez Haris está buscando formar uma parceria com pesquisadores do Brasil para testar a técnica em grande escala em rios do país. "No Brasil, essa planta é considerada um grande problema. Várias usinas de energia (hidrelétrica) em rios brasileiros tiveram de ser fechadas por causa dela", disse o cientista. "Estou em discussões com um pesquisador de São Paulo." Parceria entre Reino Unido e Brasil "Estamos nos namorando", disse o pesquisador em questão, Alcides Lopes Leão, da Unesp. "Ele caminhou de um lado, e eu, de outro, estamos fechando os caminhos." Como parte da parceria, explicou Leão, o experimento de Haris seria replicado em larga escala no Brasil. Primeira fase "Ele fará a biorremediação, ou seja, usará a planta para remediar poluição. Após esse processo, é preciso dar um uso a essa planta. Eu e a minha colega Ivana Cesarino, aqui da Unesp, entraríamos nessa fase do projeto." Segundo os pesquisadores, cerca de 80% dos metais tóxicos absorvidos pelo aguapé ficam armazenados na raiz da planta. E agora? O que fazer com o aguapé contaminado? "Queimar não pode, porque você vai liberar aquele material tóxico de volta na atmosfera", diz Leão. Segunda fase O plano dos paulistas é o seguinte: a equipe da Unesp receberia o aguapé contaminado. Sob os cuidados de Ivana Cesarino, a planta sofreria um processo de fermentação. "A fermentação vai produzir o álcool, o etanol 2G, de segunda geração", disse Leão. Desse processo, sobraria o bagaço do aguapé. Quem pega o bastão agora é o próprio Leão. Terceira fase "Esse bagaço restante eu uso para gerar produtos plásticos, como o conduit, que você usa por exemplo para encapar fio que vai dentro das paredes. Ou seja, vamos imobilizar os metais tóxicos dentro desse material, que não tem contato com a espécie humana." A ideia é evitar a contaminação do meio ambiente com essas toxinas. "Assim fecha-se o ciclo", concluiu o pesquisador. Futuros clientes Da represa de Americana, atualmente tomada por aguapés, até o rio Tietê, poluído por níquel, cromo e vários outros metais pesados, não faltam oportunidades para experimentos com a nova técnica no Brasil, disse Alcides Leão. "Estamos buscando financiamento para uma proposta conjunta", disse. Uma vez feito o experimento, o próximo passo seria oferecer a técnica a empresas brasileiras. "A própria Sabesp poderia ser um cliente", disse Leão.
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06/10 - Cães podem ser uma das maiores ameaças à vida selvagem
Conforme cresce a população humana, aumenta junto a população de cachorros domésticos; eles já são 1 bilhão e estiveram envolvidos na extinção de ao menos 11 espécies, revelou um estudo. Estudo revelou que cães estão envolvidos na extinção de ao menos 11 espécies Kalyan Varma A cientista Julie Young dedicou meses a ensinar seu cão, ZZ Bottom, a parar de perseguir os perus selvagens que eles os dois encontravam durante trilhas pela natureza. "O mais difícil é impedir que ele vá atrás dos esquilos, mas eu o treino e digo para ele 'senta' ou 'fica', e ele faz isso", conta ela. Young é uma pesquisadora de ecologia comportamental do Departamento de Agricultura do Centro Nacional de Pesquisa de Vida Selvagem no Estado de Utah, nos Estados Unidos. Ela estuda o impacto de cachorros sobre a fauna local. A cientista começou esse trabalho há uma década, na Mongólia, na Ásia, onde estudava bezerros de antílopes saiga, uma espécie ameaçada de extinção. "Eles já estavam ameaçados, e nosso trabalho de campo mostrou que cães de rua estavam perseguindo esses animais", diz ela. "Eles fugiam dos cachorros e gastavam mais energia por causa disso, o que é crítico, especialmente durante a época em que havia muitos bezerros, porque eles podiam acabar se separando de sua prole." Young pesquisou sobre como cães domésticos se tornaram uma ameaça a antílopes Julie Young Pesquisas ao redor do mundo apresentam cenários semelhantes - cães sem dono que perseguem animais selvagens e se tornam uma ameaça a espécies que correm risco de extinção. Conforme cresce a população humana, também aumenta a população destes que talvez sejam nossos maiores companheiros do mundo animal, o que significa que os cães estão invadindo territórios que costumava ser um santuário para a vida selvagem. Estima-se que hoje existam 1 bilhão de cachorros domésticos no mundo. "Haverá mais conflitos entre cães (e animais selvagens)", afirma Young. Invasores ou animais de estimação? Um estudo de 2017 em que foram analisados números sobre a ameaça representada por cães revelou que eles estiveram envolvidos na extinção de ao menos 11 espécies, entre elas a Porzana sandwichensis, uma ave do Havaí, e do Tachygyia microlepis, um lagarto de Tonga. "Cachorros também são uma ameaça conhecida ou em potencial a 188 espécies que correm risco de extinção", explicaram os autores da pesquisa. Coiotes selvagens foram apontados como culpados pela morte de animais de fazendeiros nos EUA Science Photo Library "Isso inclui 30 espécies criticamente ameaçadas, das quais duas são classificadas como 'possivelmente extintas'". Isso coloca os cães na terceira posição, atrás de gatos e roedores, como os mamíferos predadores invasores que mais causam danos à vida selvagem. Jogando a culpa no lobos e coiotes O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos voltou sua atenção recentemente a casos em que cães sem dono atacavam criações de animais e nos quais a culpa tinha sido antes atribuída a lobos e coiotes. "Na Califórnia, esses bandos de cães vêm provavelmente de fazendas ilegais de maconha que possivelmente usam esses animais para proteger seus cultivos e que, ao fim da temporada de colheita, os libertam", diz Young. "Esse tipo de cachorro é muito agressivo. Nunca usou uma coleira ou teve um dono." O comportamento desses cães de guarda de maconha não é, no entanto, a única ameaça. Eles também podem carregar e transmitir doenças letais para outros animais. "Esses cães usados para proteger criações de animais são o principal vetor de doenças que afetam tanto animais selvagens quanto humanos", diz Claudio Sillero, cientista-chefe da Fundação Born Free, uma organização voltada para a defesa da vida selvagem, e fundador do Projeto Lobo da Etiópia, dedicado à preservação dessa espécie. "Vacinar e controlar a ocorrência de raiva em cães domésticos reduz o impacto sobre a vida selvagem, mas também beneficia o homem, porque é uma doença letal que pode ter consequências terríveis para pessoas que são mordidas por cães vadios. E as criações de animais são suscetíveis a raiva, então, isso gera um custo para uma comunidade rural." A equipe de Sillero conseguiu imunizar os lobos da Etiópia por meio de vacinas orais colocadas em iscas. "A maior vantagem dessa abordagem é que ela se torna uma estratégia proativa de vacinação. É menos estressante para o animais sem ter um risco de gerar um distúrbio para sua estrutura social." Bom comportamento Mas, além de medidas assim, o que pode ser feito para que donos de cães os impeçam de ser uma ameaça à vida selvagem? "São necessárias mais pesquisas para quantificar melhor (os ataques de cães a animais selvagens) e entender por que e como isso está ocorrendo e o que podemos fazer para acabar com isso", afirma Young. "Não acho que exista uma solução única, mas podemos fazer um trabalho melhor em educação e conscientização." Julie Young conta ter sido trabalhoso ensinar seu cão a não perseguir animais selvagens Julie Young "Se as pessoas estiverem mais cientes das consequências, quando um cão começar a perseguir um animal selvagem ou animais de criadores, seus donos podem treiná-lo e controlá-lo." Sillero acrescenta que é "essencial que as pessoas assumam sua responsabilidade pela forma como criam e cuidam de seus cães". "Cada vez mais, cães domésticos são abandonados e, como eles são criaturas resilientes e adaptáveis, eles conseguem viver na natureza", afirma o pesquisador. "Eles formam bandos e procuram comida, que muitas vezes está no lixo ou entre restos deixados por humanos, o que os atraem para vilarejos e cidades. Precisamos de políticas de saúde pública para reduzir um problema sério de saúde e segurança." Enquanto isso, Young e seu cachorro continuam a fazer trilhas pela natureza em Utah - sem mais incomodar os perus selvagens. "Não existe cão ruim, existe dono ruim - cães são companheiros do homem, então, nós somos responsáveis pelo comportamento do cachorro." Justyna Kulczyk-Malecka é cientista de materiais da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido. * Com reportagem de Victoria Gill.
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05/10 - Justiça suspense derrubada de floresta milenar alemã
Ação impetrada por ambientalistas paralisa temporariamente expansão de mina de carvão na Floresta de Hambach, de 12 mil anos de idade. Local foi ocupado durante anos por ativistas para impedir devastação. Um ativista ambiental é detido por policiais alemães depois de ser removido de uma casa na floresta "Hambacher Wald" perto de Kerpen-Buir próximo a Colônia, Alemanha, 28 de setembro de 2018, onde os manifestantes construíram um acampamento com tendas e casas na árvore para parar a limpeza da floresta para uma mineração de carvão a céu aberto nas proximidades da concessionária e fornecedora de energia alemã RWE REUTERS/Wolfgang Rattay Um tribunal do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália ordenou nesta sexta-feira (05) a suspensão temporária da exploração de carvão na Floresta de Hambach, onde há poucos dias as autoridades concluíram uma enorme operação para desfazer acampamento de ambientalistas que protestavam contra a expansão de uma mina de no local. A decisão da corte na cidade de Münster, em resposta a uma ação movida pela Federação Alemã do Meio Ambiente e Proteção da Natureza (BUND), é o mais recente capítulo na batalha que opõe a poderosa empresa de energia RWE – que ainda pretende ganhar muito dinheiro com uma das maiores minas de carvão a céu aberto do país – e as organizações ambientalistas. A RWE já se preparava para fazer a limpeza do terreno para possibilitar o início das atividades de extração. A suspensão das atividades da empresa deverá permanecer até a decisão final dos juízes sobre a ação movida pelo BUND contra os planos operacionais da RWE para o período de 2018 a 2010 referentes à de exploração de linhito, tipo de carvão considerado um dos combustíveis fósseis mais poluentes. Jornalista morre ao cair de 14 metros de altura durante protesto na Alemanha A empresa poderá continuar suas atividades na região, contanto que nenhuma área de floresta seja afetada. O BUND afirma que a região da floresta se enquadraria no Diretivo de Habitats da União Europeia (UE), mecanismo que tem como objetivo conservar as espécies de animais e plantas ameaçadas na Europa, em razão da população de morcegos Bechstein que habita o local. A Floresta de Hambach tem 12 mil anos, é rica em biodiversidade e lar de mais de 140 espécies de plantas e animais, mas apenas 10% de sua mata ainda estão de pé. Ativistas se reúnem na floresta alemã Hambach REUTERS/Thilo Schmuelgen
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05/10 - Usina solar é inaugurada em Chernobyl três décadas após desastre nuclear
Mais de 3 mil painéis produzem energia suficiente para dois mil apartamentos. Um novo Arco de Confinamento Seguro que cobre o quarto reator danificado da usina nuclear de Chernobyl é visto perto de uma usina solar recém-construída em Chernobyl, Ucrânia REUTERS/Gleb Garanich A Ucrânia inaugurou uma usina solar em Chernobyl nesta sexta-feira, bem diante de onde uma usina elétrica, hoje envolta por um sarcófago gigante, causou o pior desastre nuclear da história três décadas atrás. Construída em uma área contaminada, que continua em grande parte inabitável e onde visitantes são acompanhados por guias munidos de medidores de radiação, 3.800 painéis produzem energia suficiente para dois mil apartamentos. Em abril de 1986 um teste mal-sucedido no reator número 4 da usina soviética lançou nuvens de material nuclear por toda a Europa e obrigou dezenas de milhares de pessoas a se retirarem. Trinta e um funcionários da usina e bombeiros morreram na esteira do acidente, a maioria devido a doenças agudas causadas pela radiação. Mais tarde outras milhares sucumbiram a doenças relacionadas à radiação, como o câncer, mas o saldo total de mortes e os efeitos de longo prazo na saúde continuam causando um debate intenso. "Não é só mais uma usina de energia solar", disse Evhen Variagin, executivo-chefe da Solar Chernobyl LLC, aos repórteres. "É realmente difícil subestimar o simbolismo deste projeto em particular". visitantes passam por painéis solares em uma usina de energia solar construída no local do pior desastre nuclear do mundo, Chernobyl, Ucrânia REUTERS/Gleb Garanich A usina solar de um megawatt é um projeto conjunto da empresa ucraniana Rodina e da alemã Enerparc AG, custou cerca de 1 milhão de euros e se beneficiou de tarifas renováveis que fixam um determinado preço para a eletricidade. É a primeira vez em que se produz energia no local desde 2000, quando a usina nuclear finalmente foi fechada. Valery Seyda, gerente da usina nuclear de Chernobyl, disse que parecia que o local jamais voltaria a fazê-lo. "Mas agora estamos vendo um novo broto, ainda pequeno, fraco, produzindo energia neste local, e isso dá muita alegria", disse. Dois anos atrás um arco gigantesco de 36 mil toneladas foi erguido sobre a usina nuclear para criar um invólucro para bloquear a radiação e permitir que os restos do reator sejam desmontados em segurança. A inauguração coincide com um aumento de investimento acentuado em recursos renováveis na Ucrânia. Entre janeiro e setembro mais de 500 MW de capacidade de energia renovável foram acrescentados ao país, mais do que o dobro de 2017, disse o governo. Yulia Kovaliv, que comanda o Conselho do Escritório Nacional de Investimento da Ucrânia, disse que os investidores querem aproveitar os benefícios de um esquema de subsídios generoso antes de o Parlamento realizar uma votação sobre sua revogação em julho do ano que vem. Painéis solares são vistos em frente ao arco que cobre o quarto reator danificado da usina nuclear de Chernobyl, em uma usina de energia solar recém-construída em Chernobyl, Ucrânia REUTERS/Gleb Garanich
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05/10 - Ártico começa a ter regras para evitar extrativismo destruidor
Foi inaugurada a temporada de acordos ambientais, o que é ótimo para quem se preocupa com os rumos do nosso planeta. São iniciativas que, geralmente, antecedem a Conferência das Partes convocada pelas Nações Unidas. Este ano a COP será de número 24 e vai acontecer na Polônia em novembro. Na quarta-feira (3), por exemplo, uma boa providência foi tomada para evitar a exploração excessiva dos peixes que vivem nas águas congeladas do Círculo Polar Ártico: um acordo assinado na Groenlândia proibiu a pesca comercial na região. A preocupação é válida, já que, por conta das mudanças climáticas, uma vasta área de mar está se abrindo, o que pode atrair grandes empresas a fim de explorar a pesca. Segundo a reportagem do jornal britânico “The Guardian”, o Mar Ártico tem cada vez menos gelo e a tendência, claramente, é que os icebergs fiquem ainda menores, o que facilitaria, por exemplo, a navegação por lá. Já está acontecendo. Embora ainda não haja uma atividade pesqueira de peso, grandes navios já começam a circular. “A Maersk, a companhia de navegação dinamarquesa, enviou, em agosto, o primeiro navio de contêineres através da rota anteriormente congelada , partindo da cidade russa de Vladivostok e chegando com segurança com sua carga de peixe congelado em São Petersburgo após uma viagem de 37 dias”, diz a reportagem. Em 2015, nove nações - EUA, Rússia, Canadá, Noruega, Dinamarca, Islândia, Japão, Coréia do Sul e China - além da União Europeia, assinaram o acordo do Oceano Ártico Central em uma cerimônia na Groenlândia, depois de muitos anos de negociações. Era uma resposta ao derretimento do gelo, que pode atrair peixes que interessam ao comércio, como o bacalhau. Na época da assinatura do acordo, o secretário adjunto de Estado dos Oceanos e Pesca, David Balton, disse que a iniciativa servia para “evitar que um problema surja antecipadamente”. Os estados do Ártico, assim, se comprometeram a proteger as águas internacionais, a partir de 200 milhas náuticas de suas costas. Mas é preciso mais do que isso, na visão da ativista do Greenpeace no Ártico, Sophie Allain: “Esta região deve ser declarada um santuário marinho, onde todas as práticas extrativistas, incluindo a produção de petróleo, são proibidas ”, disse ela ao “The Guardian” na época da assinatura do Acordo. Ainda não se chegou a isso, mas a proibição da pesca já é um bom caminho. A ideia é que sejam feitos estudos profundos para monitorar o ecossistema marinho da região antes de liberar qualquer tipo de extrativismo ali. Além da pesca, há muito medo, entre os ativistas ambientais, de que o Ártico passe a ser explorado por empresas de petróleo. Este Acordo, portanto, pode ser o primeiro passo para proteger o Ártico contra o extrativismo para usos comerciais. Como bem sabemos, para garantir o “desenvolvimento” e o “progresso”, em nome de mais “emprego” e “renda”, muitos absurdos contra o meio ambiente têm sido cometidos. “Ironicamente, o maior impacto positivo do aquecimento provocado pela queima de combustíveis fíosseis é permitir a exploração de mais combustíveis fósseis, que causarão mais aquecimento. Estima-se que o Ártico tenha 30% das reservas não descobertas de gás natural do planeta e 13% das reservas não descobertas de petróleo. Com o degelo, campos de petróleo e gás offshore que há vinte anos eram economicamente inviáveis passam a ficar abertos por um período do ano longo o suficiente para permitir exploração”, escreve Claudio Ângelo, jornalista científico, em seu livro “A espiral da morte” (Ed. Companhia das Letras). Claudio fez cinco viagens às regiões polares entre 2001 e 2014, entrevistou cientistas, moradores das regiões mais distantes, fez um voo de pesquisas da Nasa, visitou laboratórios de glaciologia para escrever o livro sobre o que até hoje já foi descoberto sobre os polos e o clima. Quanto ao Ártico, ele avisa: “Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Groenlândia já iniciaram a corrida a esse pote de ouro.” Claudio também conta uma história que pode ajudar a refletir a respeito da necessidade de proteção ambiental e, ao mesmo tempo, sobre como esta medida pode render resultados pífios diante de um sistema que induz a produzir mais e mais para conseguir acumular capital. Em 2013, os groenlandeses elegeram pela primeira vez uma mulher como primeira-ministra, Aleqa Hammond. “Aos 48 anos, ela assumiu em abril daquele ano prometendo conduzir o país à independência em relação à Dinamarca. E a maneira como ela pretende fazer isso é pelas mãos do capitalismo: abrindo seu país à eploração mineral e intensificando a polêmica em busca por petróleo no mar da Groenlândia”, diz ele. Daí para abrir espaço a outras explorações, como o minério – ferro, ouro e cobre que se encontram naquelas terras gélidas – será um pulo. No caso dos peixes, o Acordo recém-assinado talvez seja apenas o início de uma série de regulamentações estritas. Os países também iniciarão um programa conjunto para o monitoramento científico dos 2,8 milhões de quilômetros quadrados do Ártico, e a moratória pode ser ampliada de cinco em cinco anos, dependendo dos resultados, segundo a reportagem do “The Guardian”. São cuidados que visam a restringir o afã extrativista sobre bens naturais. Não custa pensar que, se eles estão sendo tomados é porque os cientistas andam queimando as pestanas há décadas para mostrar os péssimos cenários – que já estamos vendo – com um acesso irrestrito e sem regulação a peixes, minérios, madeiras e outros bichos. É do que se trata quando se reivindica que os governantes tenham uma visão atualizada, bem informada e conectada com o ambiente ao redor. Querer a cadeira presidencial apenas pensando em se perpetuar no poder é o pior do mundos. Bom voto no domingo. Amélia Gonzalez Arte/G1
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04/10 - Mudanças climáticas devem intensificar impactos de tsunamis
Pesquisa aponta relação entre aumento do nível do mar induzido pelo clima e efeitos do fenômeno marítimo. Pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, devem se tornar mais destrutivos. Imagem aérea mostra a Grande Mesquita Baiturrahman destruída após terremoto e tsunami em Palu, na Indonésia Jewel Samad/AFP Após os tsunamis de grandes proporções desencadeados por terremotos no Oceano Índico, em 2004, e no Japão, em 2011, uma série de filmes apocalípticos como "O Impossível" (Lo Imposible, 2012) retrataram cenários catastróficos de ondas gigantes. Tal medo foi revivido nesta semana com o tsunami que até agora causou a morte de cerca de 1,4 mil pessoas na Indonésia. Apenas algumas semanas antes do desastre, um grupo de cientistas previu que os impactos de tsunamis devem ser intensificados devido ao aumento do nível do mar relacionado às mudanças climáticas. "Nossa pesquisa mostra que o aumento do nível do mar pode ampliar significativamente o risco de tsunamis, o que significa que pequenos tsunamis no futuro podem ter os mesmos impactos adversos que os grandes tsunamis atuais", disse Robert Weiss, professor associado do Departamento de Geociência da universidade americana Virginia Tech, em entrevista à DW. Weiss foi um dos vários autores de um estudo publicado na revista científica Science Advances no mês passado que, de forma um tanto quanto profética, analisou os impactos de tsunamis em meio ao aumento do nível dos mares. Intitulado "Um modesto aumento de 0,5 metro no nível do mar duplicará o risco de tsunamis em Macau", o estudo teve também a coautoria de Adam Switzer, professor associado do Earth Observatory de Cingapura. Bairro de Petobo, em Palu, na Indonésia, em imagens de agosto e outubro de 2018, após terremoto e tsunami DigitalGlobe, a Maxar company via AP "O tsunami como o que ocorreu em Palu na sexta-feira poderia ter sido pior daqui a 50 anos porque o nível do mar está subindo naquela parte do mundo. Trata-se de uma planície muito baixa e é provável que tenha começado a experimentar inundações crescentes", disse Switzer à DW. Por muito tempo, cientistas presumiram que os tsunamis e a subida do nível do mar eram fenômenos completamente separados. Apesar do monitoramento de como o aumento do nível do mar fará com que as comunidades costeiras sejam inundadas – especialmente em países insulares como as Ilhas Salomão – poucos tentaram entender como esse sintoma das mudanças climáticas poderia agravar desastres climáticos e naturais extremos. "Nós realmente queremos olhar para os extremos, para os piores cenários", disse Switzer. E segundo Weiss, ao usar uma modelagem computacional de ponta, que não estava disponível há cinco anos, esta última pesquisa pôde analisar os impactos de tsunamis com a elevação dos níveis dos mares. Neste contexto, áreas litorâneas como Macau, que atualmente são consideradas seguras em relação a tsunamis, deixarão de o ser no futuro caso as previsões de aumento do nível do mar se mantiverem. "Áreas que são consideradas seguras contra tsunamis e onde hoje somente um tsunami de dois a três metros causaria inundações, precisarão apenas de um tsunami de 1,5 a dois metros para isso", disse Switzer. O problema será ainda mais exacerbado, uma vez que a previsão agora é que os aumentos do nível do mar sejam muito maiores do que os anteriormente esperados. "O que pensávamos ser o pior cenário absoluto há cinco ou dez anos é considerado atualmente apenas uma previsão média", afirmou Weiss. Motoqueiros passam ao lado de um barco em meio a entulhos e construções destruídas em Palu, na Indonésia, após área ser atingida por um terremoto e um tsunami Jewel Samad/AFP Maiores aumentos do nível do mar significam que pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, também serão mais destrutivos. De acordo com Weiss, terremotos e tsunamis menores são muito mais frequentes do que o tipo de evento que causou o tsunami de Tohoku, em 2011, no Japão. Assim sendo, o tsunami desencadeado pelo terremoto de 9,1 graus na escala Richter poderia ser criado por tremores menores com o aumento do nível do mar. Atualmente, seria necessário um terremoto de magnitude 8,6 graus na escala Richter para inundar Macau, mas daqui a 50 anos, os aumentos do nível do mar induzidos pelo clima fariam com que um terremoto de magnitude 8,2, que é quase seis vezes menos potente, bastasse para inundar a ex-colônia portuguesa. Assim como o típico cenário de filmes catastróficos de ondas gigantes, em que paredes maciças de água destroem cidades costeiras de grande envergadura, Macau é uma das megacidades asiáticas construídas sobre planícies que ficarão mais vulneráveis num mundo mais quente. Com o aumento do nível do mar, cidades costeiras podem ficar cada vez mais vulneráveis a tsunamis originários de climas distantes. Isso é em parte porque os tsunamis podem viajar por grandes áreas. O tsunami de Tohoku viajou do Japão para a Califórnia em apenas dez horas, a uma velocidade de 700 quilômetros por hora, segundo Weiss. O pesquisador também tem implementado sua modelagem computacional para analisar como um futuro tsunami pode afetar a Califórnia após um terremoto no Alasca, por exemplo; ou como a costa do Atlântico poderia ser inundada em consequência de grandes tsunamis desencadeados pela placa tectônica da Groenlândia. No segundo cenário, segundo Weiss, ondas de 8 a 10 metros podem atingir a costa francesa. Grande parte da pesquisa realizada na Virginia Tech contribuirá para a construção de sistemas de defesa costeira apropriados para proteger melhor as cidades e as comunidades contra ciclones e grandes inundações. Mas tais medidas terão pouco efeito se o aumento do nível do mar duplicar, triplicar ou até mesmo quadruplicar a frequência e o impacto dos tsunamis. Sendo assim, a defesa definitiva contra esses cenários apocalípticos é a mitigação das mudanças climáticas. "O aumento do nível do mar é impulsionado principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e pela produção contínua de dióxido de carbono", disse Switzer. "Você não pode separar essas coisas, estão todas ligadas."
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04/10 - As curiosas razões pelas quais certos passarinhos gostam de ser observados enquanto fazem sexo
O cordon-bleu-de-cabeça-azul tem um ritual peculiar de acasalamento, com direito a dancinha que se parece com sapateado, e não se intimida se tiver plateia - pelo contrário. Pesquisadores analisaram o comportamento do cordon-bleu-de-cabeça-azul Nao Ota/BBC Sem essa de timidez. Se tem plateia, os passarinhos fazem do tipo assanhado, não economizam chamegos e capricham na performance na hora do canto, da dança, de todo o ritual do acasalamento. E se o público é formado só por fêmeas, por exemplo, o macho costuma se exaltar mais ainda - ou o contrário: para uma audiência masculina, a fêmea é a mais exibida. Foi o que constatou uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Hokkaido, do Japão, e do Instituto Max Planck de Ornitologia, da Alemanha - o estudo está na edição desta quarta-feira do periódico Science Advances. Eles analisaram o comportamento da ave Uraeginthus cyanocephalus, o cordon-bleu-de-cabeça-azul, um passeriforme da família estrildidae, de comportamento cantor, nativo de países africanos como Etiópia, Quênia, Sudão do Sul, Somália e Tanzânia. Este pássaro foi escolhido pelo estudo porque tem um ritual bastante peculiar de acasalamento, com direito a uma dancinha que se parece com um sapateado. "Desconhecemos outra espécie capaz de fazer movimentos tão rápidos com os pés. No entanto, os machos de todas as espécies de estrildídeos, ou seja, da família estrildidae, que conta com cerca de 135 espécies, fazem algum tipo de dança, de pulos ou balanços, no momento em que cantam para o ritual de acasalamento", explicou à BBC News Brasil a pesquisadora Masayo Soma, do Departamento de Biologia da Universidade de Hokkaido. O experimento Para analisar o comportamento dos bichos, os pesquisadores colocaram os casais em ambientes com e sem audiência. "Observamos que tanto os machos quanto as fêmeas exibem um sapateado super-rápido durante o cortejo, sobretudo quando querem anunciar seu rito a espectadores", pontua Soma. Cordon-bleu-de-cabeça-azul faz ritual peculiar de acasalamento, com direito a dancinha semelhante ao sapateado Nao Ota/BBC "Existem dois tipos de pessoas: aqueles que escondem sua vida íntima, seu namoro, e têm um comportamento propício a traições; e aqueles que assumem publicamente seu romance, seu casamento. Os cordon-bleus são os últimos", compara a pesquisadora. O cordon-bleu tem comportamento monogâmico. "Isto é bastante surpreendente, porque, na natureza, as exibições de danças acrobáticas em geral são para chamar a atenção de outros parceiros em potencial. No caso desta ave, é para mostrar lealdade ao seu parceiro em particular", completa. Soma acredita que o estudo acrescenta novos conhecimentos sobre a complexidade comunicativa das aves, um campo com muito ainda para ser pesquisado. Os pesquisadores concluíram que, no caso desta espécie, o ritual funciona como uma forma de anunciar a toda a "comunidade" que aquele casal está formado, está unido. Praticamente uma festa de noivado. Para analisar o comportamento dos pássaros, os pesquisadores colocaram os casais em ambientes com e sem audiência Nao Ota/BBC E os cientistas acreditam que esta manifestação reforça o vínculo entre o macho e a fêmea, fazendo com que eles permaneçam juntos por toda a vida. Ou seja, seguindo essa analogia, ao renovarem o ritual para a plateia, é como se eles fossem daqueles casais que fazem festas "de bodas" para comemorar os 10 anos de união, os 15 anos de união, e assim por diante. Fama e orgulho Soma conta que a equipe acabou concluindo serem duas as razões para esse oba-oba realizado pelos cordon-bleus quando o namoro ocorre em público. Além da questão de mostrar a lealdade ao parceiro - sendo "bom para construir um relacionamento de confiança e protegendo o parceiro contra assédio de rivais", conforme ressalta a pesquisadora - também há um aspecto social que estaria na imagem criada por cada indivíduo. "Nessas exibições de cortejo, em frente aos outros, o pássaro anuncia que está saudável, de boa qualidade - e que é bem-sucedido, um sujeito popular", explica.
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