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17/08 - Nos bastidores do desmatamento ilegal
A cena é cruel. Quem se emociona pelas barbaridades que parte da humanidade comete contra os bens naturais, certamente já se indignou bastante com o uso dos tais correntões para desmatamento usada com certa tranquilidade pelos agricultores que querem se livrar rapidamente de árvores para liberar um terreno. É uma prática considerada crime ambiental no Brasil, mas que no Mato Grosso os deputados decidiram revogá-la. Não por acaso, este estado é um dos que lideram o ranking dos que mais desmatam. Duas correntes muito grossas são fixadas em tratores que percorrem ao mesmo tempo a mesma distância, paralelamente, arrancando a vegetação. Com isso, os animais que se virem, que corram, que tentem se livrar do peso dos troncos. É fugir ou morrer. Com esse método, é possível desmatar até dez campos de futebol por dia. Uma reportagem publicada no site De olho nos Ruralistas, no dia 13, assinada pelo repórter Igor Carvalho, conta que a prática não só continua como já é possível, até mesmo, comprar correntões via internet. E mais: sabendo que os deputados da Câmara estão discutindo a proibição do uso do correntão em todo o país, alguns anunciantes chegam a dar o caminho para driblar a fiscalização. E afirmam, sobre a mortandade de animais: "Ah, sempre acontece, principalmente se for mata alta. Não dá pra ver e não tem como ficar descendo do trator para olhar, precisa ser rápido", responde ao "pretendente" um homem que presta o serviço por R$ 350. O uso dos correntões está diretamente ligado ao desmatamento ilegal, assim como as motosserras, aparelhos mais conhecidos, que viraram símbolo do desrespeito às florestas. E o desmatamento ilegal acontece dia após dia, noite após noite, muitas vezes em lugares recônditos, de dificílimo acesso. Outras vezes, as autoridades recebem denúncias e partem para cima, a fim de flagrarem o crime. Assim mesmo, nem sempre conseguem que o problema se acabe. Em junho de 2016, por exemplo, a Polícia Federal, Ibama, Receita Federal e Ministério Público Federal realizaram a Operação Rios Voadores, contra organização criminosa especializada no desmatamento ilegal e na grilagem de terras públicas no Estado do Pará. Na ocasião, foram expedidas várias medidas judiciais, mandados de prisão preventiva e um nome apareceu, fortemente ligado ao que seria uma facção criminosa especializada em desmatamento e grilagem de terras públicas: Antonio José Junqueira Vilela Filho. No requerimento que uma determinada comissão fez à Justiça Federal para pedir acesso aos dados da Operação Rios Voadores, o deputado Marcon, do PT, anexou reportagem do site O Eco, assinada por Juliana Tinoco, em que são contados alguns bastidores do desmatamento e de como são empregados suas principais ferramentas: "Os núcleos de desmatadores operavam em todas as fases do típico processo de abertura de floresta. Primeiro retiravam as árvores maiores e mais valiosas – o chamado corte seletivo. A venda ilegal de madeira era uma das atividades com a qual lucrava Jotinha. Na sequência, as áreas eram completamente desmatadas. Entravam em cena os tratores e "correntões", cabos de aço que devastam em série. Em seguida vinha o fogo. Queimadas eram repetidas até que a área estivesse 'limpa'". Uma busca rápida, hoje, pela internet, no entanto, desvenda a inocuidade das medidas. Antonio, que chegou a ser preso e voltou à liberdade por conta de um Habeas Corpus, aparece no site da Justiça exigindo reparação por danos morais. E nada mais se sabe do assunto. Na quarta-feira (15), um artigo publicado na revista científica "Science Advance" mostrou como a extração de ipê nas reservas do estado do Pará está sendo fraudada para legalizar madeira clandestina. Pesquisadores brasileiros afirmam que as madeireiras estariam superestimando o volume de madeira cuja extração é permitida, de forma a legalizar madeira retirada ilegalmente de áreas de proteção permanente, como a beira dos rios. Portanto, o crime não para e ainda se sofistica. E a cadeia produtiva também não para de crescer, ou seja, há sempre mercado pronto a absorver madeiras que venham de extração ilegal ou produtos e animais de quaisquer crimes ambientais. O dinheiro circula aí. Uma reportagem publicada no dia 13 no site do "El País" mostra que boa parte do dinheiro escondido nos paraísos fiscais é que acaba financiando a pesca ilegal e o desmatamento na Amazônia, segundo um estudo que analisou os escassos dados públicos existentes sobre os movimentos desse capital opaco e seu impacto ambiental. "O estudo, publicado na revista 'Nature Ecology & Evolution', quantifica também o capital estrangeiro que chega a dois dos setores que mais contribuem para o desmatamento amazônico: a pecuária e a soja, responsáveis por 80% do desmatamento da selva. Usando dados do Banco do Brasil, o trabalho mostra que o equivalente a 104,4 milhões de reais de capital externo chegaram às principais empresas desses setores entre outubro de 2000 e agosto de 2011, o período coberto pelos dados. Desse dinheiro, algo em torno de 71 milhões procedia de paraísos fiscais, com as ilhas Cayman à frente", diz o texto da reportagem assinada por Miguel Ángel Criado. A questão é: ou se começa a punir de maneira direta essas práticas criminosas, entendendo-as como crimes contra a humanidade, já que estão roubando bens que são de todos nós, ou os criminosos vão continuar a realizar tais práticas quase abertamente. A denúncia do repórter Igor Carvalho expõe essa desenvoltura para lidar com a retirada das árvores de maneira quase bestial. Sim, existe o outro lado e existem regras para se retirar árvores, num processo chamado de manejo florestal. Consiste em chamar especialistas, pessoas que estudam as florestas, para que eles possam fazer medições e ver o menor impacto possível que a retirada de uma única árvore, sempre as mais antigas, aquelas que, se caírem por si só, podem causar danos sérios às outras. Este é o procedimento legal. Como se vê, os tais correntões em nada ajudariam nessa retirada.
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16/08 - A cidade que espera há 10 anos para mudar de lugar após contaminação
Moradores de Cerro de Pasco, no Peru, denunciam doenças causadas por metais pesados, mas governo não reconhece que problemas foram causados por mineração intensa na região. Cerro de Pasco, no Peru, tem uma enorme mina a céu aberto BBC Cerro de Pasco, no Peru, é, em sua essência, uma enorme mina a céu aberto – localizada a 4,3 mil metros de altitude. (Assista ao vídeo) Os níveis de metais pesados no solo e na água são extremamente altos e vem causando sérios problemas de saúde em seus moradores. "Meu filho tem chumbo, arsênio, cádmio, mercúrio e todo tipo de minerais em seu sangue", diz Irma Estrella, mãe de Jhan Estrella. "Ele não consegue andar e movimentar o joelho, e seus nervos estão ficando paralisados." Ela conta que a poeira da mina entra nas casas pela janela e contamina a água, as frutas, recipientes e panelas. "Então, estamos consumindo isso. Tudo em Pasco é contaminado pela mineração." Em 2008, o Congresso peruano aprovou uma lei para mudar a cidade inteira de lugar. Os moradores ainda estão esperando por isso. A filha de Marcos Castañeda, Sherli, de 11 anos, foi diagnosticada com leucemia. "Foi da noite para o dia. Seu nariz passou a sangrar. Pensamos que era por causa de uma gripe ou de uma dor de cabeça", conta Castañeda. "Fomos na farmácia, compramos umas pastilhas e demos para ela. No dia seguinte, o sangramento voltou e não parou mais." O governo do Peru já decretou estado de emergência de saúde pública três vezes em Cerro de Pasco. Mas não concorda que a causa seja a mineração. Congresso do Peru já decretou estado de emergência três vezes, mas não reconhece culpa da mineração no local BBC A empresa peruana Volcan opera a mina da cidade. Desde o ano passado, a gigante anglo-suíça Glencore é dona da maioria de suas ações. Ela diz que a Volcan tem trabalhado com as principais partes interessadas e tomado, há décadas, as medidas necessárias para lidar com as questões ambientais na região. Os moradores discordam. "Fico revoltada que meu filho esteja tão doente. Ele não é hoje uma criança saudável por causa da mineração", diz Estrella. "As empresas que atuam em Pasco lucram muito enquanto nós e nossas crianças temos problemas de saúde por causa de intoxicação por chumbo."
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16/08 - Pato ameaçado de extinção se reproduz de forma natural pela primeira vez em cativeiro
Caso foi registrado no Zoológico de Itatiba (SP), em julho. Pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo. É a primeira vezque a espécie pato-mergulhão se reproduz de forma natural em cativeiro; caso aconteceu no zoo de Itatiba Zooparque de Itatiba/Divulgação O Zoológico de Itatiba (SP) registrou pela primeira vez a reprodução por meio natural de pato-mergulhão sob cuidados humanos no mundo. Os quatro filhotes nasceram no dia 8 de julho, de ovos incubados pela primeira vez pelos próprios pais. O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo. No Brasil, há registros da espécie em Minas Gerais, Tocantins e Goiás. Em agosto de 2017, quatro filhotes de pato-mergulhão nasceram no zoológico de forma artificial. Foi a primeira vez que a espécie se reproduziu em cativeiro no país. Alexandre Resende, veterinário do zoológico, diz que a reprodução faz parte de um projeto que desenvolve ações focadas na conservação de espécies ameaçadas da fauna nacional. Filhotes estão sendo criados pelos pais, com o mínimo de intervenção humana Zooparque de Itatiba/Divulgação Os filhotes estão sendo criados pelos pais, sem nenhuma intervenção humana. O veterinário explica que eles fazem a observação do dia a dia dos animais por meio de câmeras de monitoramento para que não interfiram na adaptação dos animais. Os visitantes que vão até o zoológico podem ver os filhotes de um centro audiovisual instalado na maternidade. De acordo com o veterinário, a ideia é que os animais se reproduzam em quantidade para que possam ser soltos na natureza. “Sem esse trabalho, essa espécie vai desaparecer. Em três anos esperamos poder começar o trabalho de introduzí-los na natureza”, afirma Alexandre. O veterinário explicou ainda que a espécie só se reproduz uma vez por ano. Os patos adultos que tiveram filhotes neste ano vieram de ovos coletados em 2015 nas regiões do país onde ainda existe espécie do animal. De volta à natureza Para Alexandre Rezende, o nascimento dos filhotes de forma natural, e o fato de serem cuidados pelos pais, mesmo em cativeiro, mostra que a espécie pode sobreviver em seu habitat natural. “Os pais foram criados artificialmente e, mesmo assim, estão criando os filhotes muito bem. Isso aumenta a esperança no processo de reprodução”, explica o veterinário. O projeto do pato-mergulhão teve seu início em 2006, por iniciativa do Instituto Brasileiro de Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2012 foi criado o Plano Nacional de Conservação (PAN) do pato-mergulhão. Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí.
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16/08 - Resgate de onça-parda presa em galinheiro mobiliza bombeiros por seis horas
De acordo com o dono da chácara em Piedade (SP), porta fechou sozinha assim que o felino de 60 quilos entrou no galinheiro. Animal de 60 kg foi resgatado em Piedade (SP) Corpo de Bombeiros/Divulgação Uma onça-parda de 60 kg foi resgatada dentro de um galinheiro, na noite desta quarta-feira (15), na Zona Rural de Piedade (SP). O Corpo de Bombeiros trabalhou seis horas para conseguir capturar o animal. Segundo a corporação, uma equipe foi acionada pelo dono da chácara, no bairro Douradinhos, quando ele notou a presença da onça. Resgate de onça-parda presa em galinheiro mobiliza bombeiros por seis horas Ainda de acordo com os bombeiros, quando a onça entrou no local, a porta do galinheiro fechou e ela ficou presa com as galinhas. Como o animal estava agitado, o resgate durou cerca de seis horas. Foram necessários três bombeiros para conter o animal que tem dois metros de comprimento. A onça-parda foi levada à Polícia Ambiental em Sorocaba. Animal estava agitado durante resgate dos bombeiros de Piedade Corpo de Bombeiros/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí
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15/08 - Como fraudes de madeireiras ameaçam a sobrevivência do ipê na Amazônia
Segundo autores de pesquisa publicada na revista científica "Science Advances", madeireiras superestimam volume de madeira extraída legalmente para acobertar origem de ipês retirados de áreas protegidas. Ipês retirados de terras indígenas e de outras áreas de proteção integral são alvo de fraude para legalização da madeira BBC A extração de ipê nas reservas do estado do Pará está sendo fraudada para legalizar madeira clandestina. Pesquisadores brasileiros afirmam que as madeireiras estariam superestimando o volume de madeira cuja extração é permitida, de forma a legalizar madeira retirada ilegalmente de áreas de proteção permanente, como a beira dos rios. O trabalho foi publicado em um artigo na revista científica "Science Advances". A partir dele espera-se identificar e coibir as empresas e os técnicos de manejo florestal envolvidos nas fraudes. Os madeireiros estão superestimando os volumes de madeira que alegam existir nas áreas que desejam explorar, especialmente de ipê, que é a madeira mais cara e a mais procurada", afirma o engenheiro agrônomo Pedro Brancalion, pesquisador na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Seu colega na Esalq, o também engenheiro agrônomo Edson Vidal, vai além: "Alguns poucos engenheiros agrônomos responsáveis pela vistoria das áreas de mata a ser explorada inflam o volume das espécies mais valiosas. Fazem isso para poder incluir nos carregamentos legais de madeira troncos de ipê extraídos ilegalmente de reservas indígenas, de áreas de conservação ou nas reservas obrigatórias de mata nativa que cada fazenda é obrigada a manter". Brancalion e Vidal pesquisam o manejo florestal de espécies nativas tropicais. Para entender como e por que os planos de manejo estão sendo fraudados, é preciso conhecer o processo legal de exploração de madeira na Amazônia. Cada fazenda na região é obrigada a manter uma reserva florestal que corresponde a 80% da área total da propriedade, conhecida como reserva legal. A extração controlada de madeira nas áreas de reserva legal é permitida, desde que siga certos critérios. Deve-se contratar um engenheiro agrônomo para fazer o plano de manejo e acompanhar o trabalho das madeireiras. Esse profissional deve contar todas as árvores de cada espécie que existem na área que se quer explorar. Ao fazê-lo, ele coloca plaquinhas de identificação nos troncos. Existe um volume máximo de cada espécie comercial, como ipê, jatobá ou cumaru, que pode ser derrubada em cada área. As árvores devem ter um tronco com diâmetro superior a 60 centímetros, ou seja, são árvores maiores e mais antigas. Mas nem todas elas podem vir abaixo. "No caso do ipê, é preciso manter um mínimo de três árvores por hectare, para garantir o repovoamento da área," diz Brancalion. É a partir da contagem das árvores que o agrônomo tem condições de estimar a quantidade em metros cúbicos de madeira de cada espécie que pode ser extraída naquele local. Essas quantidades fazem parte do plano de manejo, que é submetido à aprovação de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Uma vez aprovado o plano de manejo, é emitida uma licença (ou Autorização de Exploração Florestal). Só aí podem ser derrubadas, mas apenas aquelas indicadas no plano de manejo e dentro do volume máximo previsto. O agrônomo responsável deve acompanhar o manejo e colocar placas de identificação, especificando a espécie de cada tora retirada, assim como especificando o toco ao qual pertence cada madeira removida. "Apenas troncos certificados podem circular pelas rodovias, para envio aos centros consumidores no Sudeste do país. Se houver toras sem certificação, o caminhão é barrado pela polícia na estrada," explica Vidal. "Nos casos que parecem estar sendo fraudados, os madeireiros alegam ter extraído, por exemplo, aquelas dez toras de ipê constantes no plano de manejo aprovado (mas que, na verdade, não existiam na região de exploração)", diz Vidal. "Mas não é isso que de fato fazem. Os madeireiros derrubam dez árvores, mas talvez metade delas seja ipê, cujos troncos são identificados e carregados nos caminhões. As outras cinco árvores abatidas pertencem, na verdade, a espécies de menor valor comercial, e mesmo espécies não-comerciais." Somente troncos certificados estão autorizados a circular pelas rodovias brasileiras Ministério do Meio Ambiente "Os madeireiros ganham duas vezes. Eles cortam e arrastam as árvores de menor valor no lugar de ipês nas áreas legalizadas, e cortam e arrastam ipês de áreas proibidas," diz o biólogo Saulo de Souza, da Esalq, que também participou da pesquisa. Quanto aos troncos das espécies não-comerciais, são simplesmente abandonados na mata para apodrecer. Uma vez que as árvores pouco comerciais são retiradas, o agrônomo responsável pela fraude coloca uma placa em seus tocos indicando que se trata de um ipê. "Mas a outra placa, aquela que deveria ser afixada no tronco de madeira de menor valor correspondente, é na realidade afixado num tronco de ipê, tronco este que foi abatido de forma ilegal, como por exemplo na margem dos rios, onde a extração é proibida," explica Vidal. "Com a placa indicando que aquele tronco de ipê foi extraído legalmente, a madeira ilegal pode ser transportada normalmente pelas rodovias." Um outro estratagema é afirmar no plano de manejo que as árvores são maiores do que realmente são. Segundo Vidal, o volume fictício de madeira legal resultante passa a ser preenchido com madeira ilegal. "É basicamente assim que os madeireiros fazem para esquentar a madeira retirada de forma clandestina." Como foi que o estudo chegou a tais conclusões? Os pesquisadores resolveram confrontar os dados referentes ao número de espécies e ao volume de madeira das licenças de extração aprovadas, com uma estimativa científica do volume de madeira, por espécie, que deveria existir originalmente nas áreas que foram manejadas. Tal estimativa pode ser feita a partir de imagens de satélite da floresta, registradas pelo governo federal nos anos 1970. Os pesquisadores investigaram 427 licenças de manejo constantes no sistema da Secretaria de Meio Ambiente, e que foram aprovadas pelos fiscais do governo. Agindo desse modo, obteve-se o levantamento da quantidade de árvores de cada espécie e do volume de madeira indicado em cada licença. O passo seguinte foi estimar o volume de madeira existente em cada hectare de floresta registrado nas fotos de satélite. As licenças mencionavam a existência de 80 espécies diferentes. Os pesquisadores estudaram as onze espécies mais abundantes. Chegou-se assim numa estimativa científica do volume de madeira de cada espécie que existia nos locais explorados. Ao confrontar os dados das licenças com as estimativas feitas dos registros de satélite, os pesquisadores verificaram que muitos números não batiam. "Havia licenças alegando um volume de ipê até quatro vezes superior ao volume por nós estimado," afirma Brancalion. "Em média, naqueles planos de manejo que parecem ter sido fraudados, os volumes indicados são o dobro do verdadeiro. Especificamente com relação à extração de ipê, 77% dos planos foram aparentemente fraudados," revela Souza. Por fim, em outubro de 2017, acompanhado de membros da organização não-governamental Greenpeace e da Força Nacional, Souza realizou uma vistoria em algumas áreas onde a extração ilegal de ipê parecia ter sido elevada. "Havia nos locais dezenas de "árvores imaginárias", comenta Souza. A partir da identificação dos planos de manejo em teoria fraudados, foi possível descobrir os nomes dos agrônomos responsáveis por cada um deles. Na região, há 97 profissionais que trabalham para as madeireiras elaborando planos de manejo. "As fraudes parecem estar relacionadas a uma minoria entre os técnicos", diz Brancalion. De acordo com os pesquisadores, cerca de 15% deles são os responsáveis por todos os planos supostamente fraudados. A BBC News Brasil procurou fazer contato com a área de fiscalização da Secretária de Meio Ambiente do Pará e com representantes da Associação Indústria Exportadoras de Madeiras do Pará (Aimex) – as empresas madeireiras Amazônia Florestal, sediada em Belém, Advantage Florestal, de Ananindeua (PA), e Ipex Comércio de Madeiras, de Marituba (PA) –, mas não obteve retorno. "Estou muito preocupado com o futuro do ipê", diz o pesquisador Edson Vidal. "Ele pode seguir o caminho do mogno, que foi extraído até o desaparecimento no Pará." O mogno era a madeira mais nobre até os anos 1990. Quando suas reservas se exauriram, as madeireiras partiram para a segunda espécie de maior valor comercial, o ipê. O problema com o ipê talvez venha a ser ainda mais sério do que com o mogno, árvore de crescimento mais rápido do que o ipê. De acordo com Vidal, "o ipê cresce muito lentamente. Dados de que dispomos indicam que seriam necessários cem anos de preservação intocada para repovoar uma área devastada com apenas 10% dos indivíduos da população original de ipês."
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15/08 - Indígenas do Xingu mostram os impactos de Belo Monte sobre seu cotidiano
Usina hidrelétrica de Belo Monte Reprodução GloboNews Os indígenas se viram muito bem no escuro quando estão em suas aldeias. Acendem tochas, andam em grupos, dormem cedo, acordam cedo. Para cozinhar, usam o fogo. Banham-se nos rios. Se precisam de energia, em geral pedem emprestado ao sol ou aos ventos. Já a civilização ocidental é cada vez mais dependente de energia. Não gosta de escuridão, fica até tarde em computadores, inventou fornos mais rápidos que precisam ser conectados a tomadas, elevadores e, em geral, diverte-se e se relaxa em banhos de chuveiro demorados, com água bem quente. Chuveiros elétricos. Mas, quando é preciso fazer obras para obter eletricidade a partir do movimento das águas dos rios, quem está no caminho e é obrigado a ceder seus territórios são os índios. É uma leitura rápida, talvez superficial, de um imbróglio intenso e duradouro que põe, de um lado, a necessidade de respeitar um estilo de vida construído, no fim das contas, por todos nós. E, do outro, uma civilização que não precisa de tantos bengalas, que reconhece sua força na relação entre o corpo e o ambiente em volta. O que anda faltando, de nossa parte, é ter ouvidos mais apurados e maior respeito a quem tem mais sabedoria para lidar com o natural. A relação entre grandes empresas que constroem barragens em rios e populações indígenas, no entanto, não tem sido assim. Há conflitos, há muitas queixas por parte de quem sempre viveu em paz com a natureza e, agora, tem que suportar a morte de rios e peixes na porta de casa. São emocionantes os relatos de indígenas que, de hora para outra, se veem sem seus territórios e que, de repente, se percebem em meio a mega empreendimentos que transformaram os rios em possibilidade de lucro, as terras em fornecedoras de matérias primas para outros delas se beneficiarem. Há que se levar em conta que é, verdadeiramente, difícil para nós, que nascemos e fomos criados em outra cultura, entendermos isso. O que não precisa faltar, nessa história, é o respeito. Desde que foi projetada, nos anos 70, a Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída na bacia do Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no Pará, inspira nenhuma simpatia por parte dos xinguanos e dos ambientalistas. Em potência instalada, ela será a terceira maior do mundo, capaz de produzir energia para 10% do território nacional. Exigiu, até o ano passado, R$ 38,6 bilhões de investimentos públicos e privados. Com um montante de dinheiro desses, fica difícil imaginar o travamento do projeto. Mas as tentativas para isso são recorrentes, até porque, também não fica difícil imaginar os impactos que uma obra desse porte traz para a região, para as terras indígenas que permeiam o Rio Xingu. Para os indígenas que sempre tiraram do rio seu sustento, que têm com ele uma relação próxima. São muitas as contrapartidas exigidas ao consórcio que constrói a usina, sobretudo no que se refere ao uso das águas do rio. Mas o que tem sido pouco discutido são as mudanças no modo de vida do povo Juruna. Pelo menos no entender de quem vive ali, na Volta Grande do Xingu, região que, segundo a cultura indígena, foi criada "por um sopro de Deus". O povo Juruna é canoeiro, e sempre se deslocou pelas ilhas da região do Xingu, de onde se origina. Em seus relatos, dá conta de muitos sacrifícios, sempre fugindo de seus predadores, mas também tem na memória momentos de muita fartura, de muito peixe, farinha e óleo de babaçu, tudo conseguido no rio e em volta dele. Mas esta abundância, desde que as obras começaram, tem sido cada vez menor. E, embora tenha já muitos estudos e relatórios que mostram os impactos sobre o entorno, estava faltando um documento, feito a próprio punho, que mostrasse a influência da Usina de Belo Monte sobre o dia a dia de pessoas que sempre viveram do Rio Xingu. Não falta mais. Foi lançado esta semana o estudo "Xingu, o rio que pulsa em nós", que se autointitula um "Monitoramento independente para registro de impactos da UHE Belo Monte no território e no modo de vida do povo Juruna (Yudjá) da Volta Grande do Xingu". Com depoimentos contundentes e muitos dados, entre outras coisas o relatório põe em xeque o Hidrograma de Consenso, uma ferramenta criada pela Eletronorte, empresa que realizou os primeiros estudos para aproveitamento hidrelétrico em Belo Monte, a fim de regular o quanto será possível baixar o volume de águas do rio, de maneira sustentável socioambientalmente, para viabilizar a usina. Ocorre que o tal Hidrograma não parece levar em conta detalhes que são importantes para quem está naquelas terras há muito tempo. Por exemplo, há uma determinada espécie de peixe que só se alimenta de uma fruta que cai das árvores nas águas do rio. Com a vazão, as frutas caem no seco e esses peixes estão morrendo de fome. "As frutas estão caindo no seco. Isso aconteceu de um jeito muito intenso em 2016. As tracajás comem as ramas nas áreas alagadas e engordam, já o pacu é mais complicado, porque ele só engorda se comer os frutos que caem. Se os frutos caírem no seco, os pacus nunca mais vão engordar e irão morrer todos", diz Gilliarde Juruna, cacique da aldeia Mïratu, no relatório. A extinção de uma espécie de peixe, que pode parecer coisa menor para nós, arraigados na civilização ocidental, para os índios é assunto de extrema importância. E não poderia deixar de ser assim. Afinal, são eles que estão ali, vivendo as consequências nefastas de um tipo de desenvolvimento que para eles de pouco – ou nada – servirá. E os Juruna consideram que a civilização ocidental menospreza os ensinamentos que os povos e comunidades tradicionais têm. "Em especial, o que se observou em 2016, batizado pelos Juruna (Yudjá) como o 'ano do fim do mundo' por conta das consequências nefastas dos baixos níveis de vazão do Xingu, deixou claro que a implantação de tal esquema hidrológico tem o potencial de, em poucos anos, tornar a Volta Grande do Xingu irreconhecível", diz o estudo, escrito por Juarez Pezzuti, Cristiane Carneiro, Thais Mantovanelli e Biviany Rojas Garzón, com apoio do Instituto Socioambiental (ISA). O monitoramento, feito de maneira independente, não é para ser usado como arma, e sim como ferramenta de diálogos inclusivos. O resultado de cinco anos de pesquisa, que envolve o conhecimento tradicional construído pelo povo Juruna sobre a região da Volta Grande do Xingu, é impressionante e merece, de fato, ser lido com atenção por quem tem interesse no empreendimento. "Obrigar um povo canoeiro a ter de viver no seco é uma situação de extrema mudança nas práticas cotidianas, cosmológicas, culturais e sociais. Como disse dona Jandira, da aldeia Miratu: "nós, Juruna, não temos pés, temos canoa para navegar no rio, assim nós somos", diz o estudo, publicado com o apoio de algumas organizações internacionais. Aqui vale lembrar, para dar um desfecho à prosa, que um relatório recentemente escrito pela Relatora Especial das Nações Unidas para os Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, mostrou que os indígenas são os "gestores efetivos de biodiversidade e conservação" e "guardiões primários da maioria das florestas tropicais remanescentes do mundo e dos hotspots de biodiversidade". Acho importante deixar claro que a ideia não é menosprezar, tampouco, tudo aquilo que a civilização ocidental tem – e não é pouco – a ensinar para os indígenas e povos tradicionais. O que não precisa é menosprezar uns pelos outros. Diante de todas as ameaças que a humanidade vem sofrendo, não custa agregar, em vez de dividir, conhecimentos. Amelia Gonzalez Arte/G1
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14/08 - Como um derramamento intencional de óleo pode ajudar a proteger o meio ambiente
Pesquisadores estão 'poluindo' um lago em Ontário, no Canadá, para entender como vazamentos de óleo afetam ecossistemas de água doce. Mergulhador coloca sacos de areia debaixo d'água para proteger o local onde será realizado o experimento BBC/Lesley Evans Ogden É raro que um derramamento de óleo na natureza seja algo intencional. Mas foi exatamente isso que aconteceu recentemente em Ontário, no Canadá. No início de junho, cientistas despejaram betume - líquido viscoso extraído da areia em algumas regiões do país e transportado em oleodutos que atravessam parte do território - em uma superfície delimitada da Área de Lagos Experimentais do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD-ELA, na sigla em inglês). O motivo pode parecer um contrassenso: proteger futuros ecossistemas de água doce contra vazamentos de óleo. Em uma espécie de tubo de ensaio gigante, instalado no lago em que foi montada a estação de pesquisa, os cientistas estão estudando os impactos físicos, químicos, biológicos e toxicológicos do betume em organismos de água doce - dos minúsculos plânctons a sapos e peixes. Biólogos examinam os peixes que vivem no lago BBC/Lesley Evans Ogden Até agora, esse tipo de experimento só tinha sido feito em laboratório, onde não era possível reproduzir o cenário real. É o primeiro estudo do gênero realizado no Canadá - uma oportunidade para os cientistas responderem algumas questões que podem ajudar a proteger os lagos do país: o que acontece com o betume derramado nos ecossistemas de água doce? Onde ele vai parar? E qual o processo de limpeza mais seguro e eficaz (a técnica tem de ser diferente, por exemplo, daquela usada em casos de vazamento de petróleo bruto convencional)? Nas semanas que antecederam o "derramamento", dezenas de estudantes trabalharam ensacando a areia. Eles transportaram o material de caminhão e quadriciclo por uma trilha até o lago. E, após descarregarem os veículos, levaram os pesados sacos de areia até o deque, para serem colocados nos barcos. "É um crossfit de baixo custo", brinca Sonya Michaleski, aluna da Universidade de Manitoba, no Canadá. Transportar sacos de areia é uma parte do trabalho dela. A coleta de muco e vômito de peixe para análise é outra. Sam Patterson, estudante de pós-graduação, explica a função dele: colher água dos compartimentos antes e depois do derramamento de betume diluído e, em seguida, colocar ovos de rãs-da-floresta na água tratada e não tratada para ver como a exposição afeta seu desenvolvimento. Rede de pesca é usada para recolher amostras de peixe em um lago não-contaminado BBC/Lesley Evans Ogden A maior parte da coleta de dados acontecerá neste verão e no outono, antes que o lago congele. As análises subsequentes da equipe de mais de 30 cientistas serão compartilhadas primeiro em publicações acadêmicas, mas, em última análise, com o público. O IISD-ELA é uma estação de pesquisa conhecida pela realização de experimentos em lagos. Em estudos anteriores, contaminaram as águas de outros lagos com fósforo, cádmio, mercúrio e estrogênio sintético, princípio ativo das pílulas anticoncepcionais. Até então, nunca com óleo. A experiência - chamada de Boreal, um acrônimo para Boreal Lake Oil Release Experiment by Additions to Limnocorrals - tampouco será realizada em todo lago. Pequenos compartimentos restringem a área de derramamento de óleo, e quatro medidas de contenção adicionais estão sendo adotadas para evitar a contaminação de todo o espelho d'água, conforme explica o cientista Vince Palace, chefe de pesquisa do IISD-ELA. Ainda assim, essa área de vazamento menor dará aos cientistas uma ideia muito melhor de como o betume se comporta e afeta o meio ambiente do que o que eles são capazes de reproduzir dentro de um laboratório. "Em laboratório, há problemas técnicos em relação ao dimensionamento (quando você vai de uma escala pequena para grande)", diz Bruce Hollebone, analista químico da Environment and Climate Change Canada e colaborador do experimento da Boreal. "Não é como miniaturas de navios, em que você pode testar, por exemplo, como um canal funciona em uma escala muito menor. Você não pode fazer isso com vazamentos de óleo porque tem muitos fatores envolvidos, e todos eles mudam a taxas diferentes quando você aumenta o tamanho." "O Boreal nos dá a oportunidade de trabalhar não em tamanho real, mas bem perto disso… E realmente nos oferece uma boa noção do que acontece nesses ambientes naturais." Além disso, o que mais se estuda é o derramamento de óleo nos oceanos. E, mesmo em pesquisas dedicadas à água doce, Hollebone adverte: "Há pouquíssimas que observam os ecossistemas boreais." A Floresta Boreal é o bioma que está no imaginário popular da típica paisagem canadense: árvores coníferas, rochas de granito, terrenos pantanosos e lagos. "Metade do Canadá é um ecossistema boreal", acrescenta Hollebone. Como um derramamento de óleo pode afetar esse e outros ecossistemas tornou-se uma questão controversa no país, principalmente depois que o governo canadense anunciou recentemente a nacionalização de um projeto de oleoduto até o Oceano Pacífico. Diversos sistemas de transporte, incluindo oleodutos e ferrovias, escoam o óleo pelos ecossistemas boreais do Canadá. Segundo Hollebone, na última década, ocorreram vários vazamentos na floresta e nos pântanos. E, na hora de lidar com os derramamentos, "somos mal equipados em termos de conhecimento", diz ele. Pesquisadores jogam betume em lago canadense IISD Experimental Lakes Area Um dos desafios é que o betume é muito viscoso, mesmo quando diluído com frações de óleos mais leves que permitem que ele escoe pelos dutos. Ao ser derramado, ele se comporta de maneira muito distinta em sistemas de água doce e marinhos, explica Diane Orihel, da Queen's University, em Ontário, uma das líderes do projeto Boreal. Entre outras questões, os pesquisadores querem investigar por quanto tempo o betume diluído flutuará nos ecossistemas de água doce, com que rapidez o componente mais leve evapora, que quantidade de fato acaba no sedimento e com que velocidade ele entra e se acumula na cadeia alimentar. Para rastrear até onde o betume vai, os cientistas vão trabalhar em equipes - cada uma vai avaliar os efeitos da substância no ecossistema com base em diferentes categorias, como ar, água, sedimentos, perifíton (a comunidade de minúsculos organismos que crescem em superfícies submersas) e animais, como rãs-da-floresta e peixes. Em seguida, eles vão calcular a massa de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) - uma família de substâncias químicas encontradas em materiais orgânicos, como o óleo, que incluem agentes cancerígenos conhecidos - em cada seção. A equipe também vai examinar os organismos que integram a comunidade local e compará-los antes e depois do vazamento. Que tipos de bactérias, fitoplânctons, zooplânctons, invertebrados aquáticos e insetos existem? Quantos de cada? E como o betume afeta a capacidade deles de sobreviverem, se reproduzirem e fornecerem alimento para as demais espécies que se alimentam deles? O principal pesquisador do projeto Boreal, Jules Blais, da Universidade de Ottawa, no Canadá, está estudando a velocidade com que os PAHs do derramamento de betume são acumulados ou eliminados dos peixes. Ele destaca que a capacidade do experimento de analisar os efeitos biológicos, a partir de seis doses diferentes de betume, em um ambiente natural é única. "Nunca foi feito um estudo desse tipo antes", diz ele. "Ao olhar para as doses mais baixas até as mais altas (e comparar com três compartimentos sem nenhuma dose), podemos identificar limiares além dos quais vemos efeitos." As doses de betume diluído foram cuidadosamente calculadas para reproduzir vazamentos de oleodutos que ocorreram recentemente no Canadá e nos EUA. Em termos de proporção óleo/água, a dose mais alta chega perto da derramada no Rio Kalamazoo, em Michigan, em julho de 2010 - um dos maiores vazamentos da história americana. Os pesquisadores vão examinar quanto tempo o betume derramado flutua na superfície antes de afundar. O betume diluído, mistura formada 50% por asfalto, é bastante pegajoso, o que o torna difícil de limpar quando afunda. No ano passado, um projeto-piloto do Boreal despejou betume em três tanques terrestres ao ar livre, com água do lago e sedimentos. O resultado sugeriu que o clima pode ter um papel fundamental em relação ao tempo que o betume derramado flutua. Inicialmente, a substância pairou sobre a superfície da água, mas "muito rapidamente, a densidade e a viscosidade do óleo mudaram e ele começou a afundar", conta Orihel. A primeira semana do estudo-piloto foi bastante ensolarada, mas depois de uma forte chuva no sétimo dia, o betume imergiu. A cientista adverte que essa constatação ainda é prematura. Como o betume se comportará nos tubos de ensaio gigantes recém-instalados no lago continua sendo um mistério à espera de ser desvendado.
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14/08 - Pesquisadores brasileiros criam 'biblioteca' de ultrassons de morcegos com 65 espécies do país
Estudo publicado na revista científica 'Mammal Research' busca entender os mecanismos de ecolocalização desses mamíferos e pode auxiliar a entender sua diversidade e promover sua conservação. Pesquisadores compilaram os sons emitidos por 65 especies de morcegos, entre eles o 'Molosssops temminckii' Divulgação Munidos de sofisticados equipamentos de gravação, pesquisadores de quatro universidades brasileiras compilaram os sons de alta frequência (ultrassons) emitidos por 65 espécies de oito das nove famílias de morcegos encontradas no país. O trabalho foi publicado em um artigo na revista científica "Mammal Research" e vai gerar um inventário desses sons, um tipo de "biblioteca" acústica desses animais, que servirá para entender sua diversidade e distribuição nos biomas nacionais. Além disso, a pesquisa vai melhorar o conhecimento sobre os morcegos, que desempenham papel ambiental e ecológico importante – por exemplo, a polinização de flores, a dispersão de sementes e o controle de populações de insetos. Também auxiliará na conservação desses mamíferos, possibilitando a identificação de áreas prioritárias para preservação de biodiversidade e dando subsídios às discussões sobre licenciamentos ambientais para grandes obras, que interferem nos biomas do entorno. A ideia do trabalho surgiu em 2007, quando a cientista Maria João Ramos Pereira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), iniciou seu doutorado com morcegos na Amazônia brasileira e verificou que existia uma grande lacuna de conhecimento sobre os chamados de ecolocalização desses animais no país e na região das Américas Central e do Sul. "Desde então, comecei a compilação de informação com base em sons que obtive e em dados publicados ou disponíveis em bases online", conta. De acordo com ela, foram recompiladas no total 47 publicações de 17 países, que, junto com dados dos próprios pesquisadores, descreveram acusticamente 65 espécies. "Desse total, para 63 a informação acústica foi retirada da bibliografia e de nossas próprias gravações", explica a bióloga Adriana Arias Aguilar, também da UFRGS e uma das autoras do artigo. "Para algumas existem mais de uma fonte de informação (uma delas os nossos sons). Então dessas 63, 17 têm dados que provêm de nossas gravações e, para as duas restantes, as informações acústicas provêm só de nossas gravações." O mito da cegueira dos morcegos O biólogo Frederico Hintze, do Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), outro participante do estudo, explica que, ao contrário do que muita gente pensa, os morcegos não são cegos. "Como mamíferos, ele têm uma visão muito parecida com a nossa. Por isso, não enxergam bem no escuro e, para conseguirem voar na ausência de luz, aperfeiçoaram o uso do som para se orientarem e capturarem presas." Ou seja, ao longo de milhões de anos de evolução, eles se adaptaram para viver na escuridão da noite ou no breu das cavernas. Diferentemente de outros animais de hábitos noturnos, seu caminho evolutivo não os levou a desenvolver uma visão noturna acurada, como os felinos, por exemplo, mas a uma outra forma de "ver" na ausência de luz: a ecolocalização. Pesquisadores usaram um aparelho para captar ultrassons emitidos pelos animais em locais como Barra do Riveiro (RS) Divulgação Esse "sistema de navegação" funciona de maneira semelhante a um sonar, com a emissão de sons de alta frequência, que batem nos objetos ou presas e retornam aos animais, tornando possível que eles percebam o espaço onde estão e localizem tudo o que está parado ou se move ao seu redor. Para efeito de comparação, o ser humano é capaz de produzir sons entre 85 Hz e 1,1 kHz e consegue e ouvir na faixa de 20 Hz e 20 kHz, enquanto os cães emitem entre 452 Hz e 1,8 kHz e ouvem no intervalo de 15 Hz a 50 kHz. Os morcegos emitem chamados de ecolocalização que podem alcançar de 10 kHz até 200 kHz e conseguem ouvir frequências semelhantes, dependendo da espécie. Humanos só ouvem sons de morcegos gravados em 'câmera lenta' Hintze explica que, para tornar os sons audíveis aos seres humanos, ele é gravado dez vezes mais lento do que o real – semelhante ao que a câmera lenta usada nas transmissões de futebol faz com as imagens. Morcegos não são cegos, apenas não têm uma visão adaptada para a escuridão noturna Divulgação "Dessa forma, as frequências do som baixam 10 vezes também", diz. "Isto é, se a frequência original é de 70 kHz, utilizando esta técnica ouviremos o som a 7 kHz." De acordo com ele, para a gravação dos ultrassons dos morcegos, é necessário usar equipamentos especiais, chamados de detectores de ultrassons. Esses aparelhos são compostos de um microfone capaz de registrar sons de alta frequência e um dispositivo de gravação de alta performance. Existem vários tipos desses equipamentos, uns mais rudimentares e outros muito avançados, que são utilizados com diferentes finalidades. Para captar e registrar esses ultrassons no estudo dos pesquisadores brasileiros foram feitas gravações em três situações diferentes. Uma delas no momento de soltura de morcegos que haviam sido capturados. A segunda, na saída de cavernas e outros abrigos conhecidos deles, e a terceira, em tendas de voo - uma pequena "barraca" com um gravador, dentro da qual o animal é colocado para voar. As gravações foram realizadas em várias partes do país. Hintze e seu orientador, Enrico Bernard, captaram e compilaram informações sonoras de espécies em vários Estados do Nordeste. "Os nossos colegas gravaram morcegos em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Tocantins e até na Guiana Francesa e Costa Rica", informa. "Todas as gravações foram feitas tanto em áreas urbanas como em locais protegidos." Espécies emitem ondas sonoras únicas O passo seguinte foi a análise desses sons, por meio de um programa de computador específico para isso, e a comparação entre si de alguns parâmetros, como frequências, duração e amplitude. "Dessa forma foi construída uma biblioteca de sons que, por meio dessa comparação e com ajuda da literatura, puderam ser identificados", explica Ludmilla Aguiar, da Universidade de Brasília (UnB), que também participou da pesquisa. A identificação de morcegos pelo som é possível porque, tal como ocorre com as aves, cada espécie emite ondas sonoras com características únicas, como a frequência e o intervalo entre os pulsos, por exemplo. Depois, elas são representadas em gráficos (sonogramas e oscilogramas) para facilitar a visualização. "Esses dados do nosso trabalho ficarão em um repositório, na seção de ecolocalização da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Morcegos (SBEQ)", conta Aguiar. "Eles poderão ser utilizados para comparação e identificação desses animais que venham a ser gravados no futuro." O uso da bioacústica (identificação por som) pelos pesquisadores preenche uma lacuna no conhecimento sobre os morcegos insetívoros – as oito famílias estudadas –, que são muito difíceis de capturar com redes de neblina, muito finas e quase invisíveis, usadas para pegar animais voadores. "Elas são seletivas, capturam com maior facilidade os frugívoros e nectarívoros, diz Aguiar. "Por isso, a maior parte de nossa informação é sobre essas espécies. No entanto, os insetívoros são a maioria e, só com o uso de redes de neblina, são subamostradas." Para Hintze, o trabalho é importante também por ter criado o primeiro documento que reúne e sintetiza informações sobre os sinais de ecolocalização de dezenas de espécies de morcegos brasileiros. "Conseguimos verificar qual a situação atual do uso da bioacústica para o estudo deles no Brasil, quais as perspectivas futuras e as potencialidades dela no país", explica. "Tal como dissemos no final do artigo, esperamos que este trabalho seja a faísca que faltava para o crescimento do uso sustentado desse método no estudo desses animais no Brasil."
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14/08 - Três coisas que podemos fazer para evitar que a temperatura da Terra suba além do limite
Um aumento de 2 graus Celsius é o máximo que planeta pode tolerar antes de sofrermos consequências catastróficas em nossa alimentação, fornecimento de água, flora, fauna e no nível do mar; saiba como isso pode ser evitado. Este ano, milhões de pessoas em todo o mundo estão sentindo de forma extrema os efeitos da mudança climática. Ondas de calor fizeram a temperatura subir a níveis alarmantes do Japão ao círculo polar ártico. Incêndios florestais varreram a Califórnia e a Grécia. E o Estado mais populoso da Austrália, Nova Gales do Sul, está agora completamente seco. Para cientistas que estudam o clima, estes acontecimentos são um sinal de alerta da ameaça representada pela mudança climática antropogênica, isto é, produzida pelo homem a partir da liberação massiva de carbono na atmosfera. "Eu acredito que as pessoas estejam associando, de forma correta, sua experiência cotidiana com o aquecimento do planeta", diz Bill Hare, cientista do clima e cofundador do consórcio científico Climate Analytics. Um aumento de 2ºC na temperatura global é considerado o máximo que o planeta pode tolerar sem o risco iminente de catástrofes em nossa alimentação, abastecimento de água, biodiversidade ou no nível dos mares. Na Cúpula do Clima de Paris, realizada no fim do ano passado, líderes de vários países do mundo concordaram em tentar manter o aquecimento global "bem abaixo" deste limite crucial - abaixo de 1,5ºC - o que pode fazer uma grande diferença para populações vivendo em pequenas ilhas ou outras áreas vulneráveis. Mas o mundo conseguirá manter essa promessa? Eis o que os especialistas dizem ser preciso fazer para cumprir o objetivo. Substituir combustíveis fósseis por renováveis Para limitar o aquecimento do planeta a 1, 5 C° ou menos, cientistas concordam que as emissões de carbono devem chegar a um pico em 2020, e então declinar rapidamente até zero pela metade do século, ou um pouco depois. "Se conseguiremos fazer isto, se é viável econômica e tecnicamente, são questões legítimas de se perguntar. Mas a comunidade científica tem mostrado que é possível sim, e na maioria dos casos, economicamente viável, com grandes benefícios para o desenvolvimento sustentável", disse Bill Hare à BBC. O uso da energia eólica está avançando - inclusive nos países em desenvolvimento Reprodução/JN Um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) afirma que, se ações neste sentido forem tomadas cedo o suficiente, 70% das emissões de carbono podem ser cortadas até 2050. E, até 2060, a economia mundial pode tornar-se livre de carbono. Uma transição tão grande nas fontes de energia necessitaria de uma "escalada sem precedentes no uso de tecnologias de baixo carbono, em todos os países", diz o relatório da IEA. A boa notícia é que não só na Europa, mas também na China e na Índia, o carvão está sendo rapidamente substituído na função de combustível para a geração de energia. O uso de energia eólica (do vento) e solar está se tornando mais comum. De acordo com um artigo de Bill Hare, outra medida importante para diminuir as emissões seria eletrificar o sistema de transporte. O último carro movido a gasolina precisa sair da concessionária antes de 2035 se quisermos cumprir a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 C°, diz o texto de Hare. Outra contribuição pode vir de casas e escritórios que gerem eletricidade renovável em quantidade suficiente para atender às próprias necessidades. Mas será que o mundo está caminhando para começar a reduzir suas emissões de gás carbônico depois de 2020? "Não está claro ainda", diz Hare. "Parece que as emissões de CO2 começaram a crescer novamente e, se isto se confirmar, só vão começar a cair novamente bem depois de 2020. Até o momento, não parece que será possível (cumprir a meta), a não ser que países relevantes comecem a agir", diz ele. Proteger e regenerar as florestas A derrubada das florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa. Portanto, deter a derrubada de florestas é algo muito relevante para conter as emissões de carbono. Um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, sugere que regenerar estas florestas é também a melhor forma de recapturar carbono que foi lançado na atmosfera - ajudando, portanto, a segurar o aumento da temperatura. Segundo o estudo da Universidade de Exeter, a natureza já criou a forma mais eficiente de retirar carbono da atmosfera Arquivo TG A líder do estudo é a especialista em ciência do clima Anna Harper. Segundo ela, levantamentos anteriores sugerem que a recuperação das áreas de floresta tropical poderia remover uma ou duas gigatoneladas de carbono da atmosfera por ano. Um número significativo, se levarmos em conta que o total de emissões atuais é de 10 gigatoneladas por ano. Cientistas dizem que, mesmo que o mundo zere as emissões de carbono até a metade deste século, ainda é possível ampliar os esforços com "emissões negativas", de forma a atingir os objetivos globais contra o efeito estufa. Técnicas estão em desenvolvimento para capturar e armazenar carbono em árvores, no subsolo e no leito marinho. Um artigo publicado por Anna Harper no periódico científico Nature Communications analisou uma destas soluções - usinas de bioenergia que capturam e armazenam CO2 - e concluiu que plantar ou reflorestar regiões de mata ainda é a melhor forma de mitigar os efeitos da mudança climática. "Para atingir os objetivos do acordo de Paris, precisamos tanto reduzir drasticamente as novas emissões quanto usar um mix de diferentes técnicas para remover carbono da atmosfera", diz Harper. "Não existe uma 'cartada mágica' que vá resolver todos os problemas", diz a pesquisadora. Manter os políticos na linha A ciência continuará monitorando a trajetória das emissões de carbono, de modo a saber se o mundo está ou não no caminho para atingir as metas de controle de temperatura. Mas uma análise mais cuidadosa das promessas feitas por cada país após o acordo de Paris em 2015 mostra que os esforços ainda estão aquém do necessário. Em seus relatórios, a IEA estima que as emissões de carbono feitas pelo setor de energia precisam ficar abaixo de 790 gigatoneladas, de 2015 até 2100, para que a meta de 1,5 C° seja atingida. Apesar disso, os compromissos atuais dos países permitiriam que este setor, sozinho, lançasse na atmosfera 1,260 gigatoneladas só até 2050. Isto significa que o eventual sucesso em conter o aumento das temperaturas dependerá de "emissões negativas" - captura de carbono - e de novas tecnologias e esforços. Ou não acontecerá. Uma placa com os dizeres 'Eu sou o planeta Terra' é vista durante a marcha pelo clima em Londres, na Inglaterra. A mensagem faz referência ao slogan 'Je suis Charlie' (Eu sou Charlie) usado após os ataques à revista francesa Charlie Hebdo Niklas Hallen/AFP Os dirigentes dos principais países emissores do mundo se encontram nos eventos do G20 - a reunião das vinte maiores economias do mundo. Os países deste grupo somam 63% da população do mundo e 83% das emissões. Estes países - cujas populações são provavelmente mais atentas às questões ambientais e mais aptas a se manifestar por seus direitos - estabeleceram metas de controle de emissões. "Em termos do público em geral, as pessoas estão agora mais atentas à questão da mudança climática. E eu acho que isto está levando a mais pressão sobre os políticos, seus partidos e a indústria, para reduzir as emissões", diz Bill Hare. Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou os EUA do acordo de Paris. E prometeu trazer de volta à vida o setor de carvão do país. "A história vai julgá-lo. Todos concordamos, penso eu, que não há catástrofe climática capaz de fazer Donald Trump rever sua posição", diz o cientista.
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14/08 - Próximos 4 anos podem ter calor acima das previsões dos cientistas, diz estudo
De acordo com a Nasa, 2018 já é um dos anos mais quentes da história. Crianças brincam em uma fonte durante dia de calor em Paris, na França Alain Jocard/AFP Os próximos quatro anos podem ser ainda mais quentes que os anteriores, com temperaturas superiores às previsões dos modelos climáticos, alertou um estudo publicado nesta terça-feira (14) sobre as mudanças térmicas decorrentes do aquecimento global. Entre 2018 e 2022, as variações da temperatura média anual dependem da mudança climática provocada pela atividade humana, mas também pela variabilidade intrínseca do clima, o que dificulta as previsões de um ano em relação a outro. Para que as previsões sejam mais exatas, uma equipe científica inventou um novo sistema de previsões batizado ProCast (Probabilistic forecast), baseado em um método estatístico e nos modelos climáticos já existentes. Calor castiga Europa; Nasa diz que 2018 já é um dos anos mais quentes da história O que é a canícula e como ela explica a onda de calor extremo em várias partes do mundo Este algoritmo prevê para os próximos quatro anos "um período mais quente do que o normal", que "reforçará de maneira temporária" o aquecimento global, segundo o estudo publicado na revista científica "Nature Communications" que insiste na ideia de que as mudanças climáticas "não são um processo linear e monótono". Calor castiga Europa; Nasa diz que 2018 já é um dos anos mais quentes da história Entre 2018 e 2022, o aumento vinculado à variabilidade natural do clima será "equivalente ao aquecimento climático antrópico". Isso fará que o aumento da temperatura média seja duas vezes mais elevado que o provocado pela atividade humana, explicou o principal autor do estudo, Florian Sévellec, membro do Laboratório de oceanografia física e espacial do prestigiado CNRS na França. Segundo o estudo, o risco de um aumento anormal das temperaturas do mar será mais importante, o que propicia furacões. Os últimos três anos foram os mais quentes desde que as temperaturas começaram a ser registradas. Apesar do Acordo do Clima de Paris em 2015, o planeta se dirige a um aumento de 3°C em relação à época pré-industrial.
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13/08 - O lendário fruto de uma ilha que provocou motim histórico
Hoje um dos alimentos mais importantes dos arquipélagos da Polinésia Francesa, a fruta-pão está por trás de uma insurreição cinematográfica em um navio da Marinha Real britânica no século 18. Agricultor tem dezenas de espécies de frutas na propriedade, um oásis no meio da cana Reprodução / EPTV Na Polinésia Francesa, há uma lenda sobre a grande fome que ocorreu na ilha de Raiatea. Uma família de seis pessoas estava tão desesperada por comida que foi morar numa caverna e chegou a comer samambaias silvestres que cresciam no vale ao redor. Sem aguentar mais ver seus entes queridos sofrerem, o patriarca diz à sua esposa que cavaria um túmulo e se enterraria ali. No local, floresceria uma árvore que, então, poderia alimentá-los. Quando, numa dada manhã, sua esposa acordou e não mais o viu, sabia o que tinha acontecido. Nas proximidades, havia uma árvore-do-pão que crescia rapidamente, com galhos carregados de frutos. Hoje, esse lugar é chamado de Mahina, mas muitos moradores locais ainda se referem a ele como Tua-uru, que significa "vale da fruta-pão". Em minha visita à Polinésia Francesa, não precisaria ter ouvido essa história para deduzir que a fruta-pão, ou uru, como dizem os polinésios, faz parte tanto da dieta dos moradores quanto de sua cultura. Aonde quer que fosse, via as imponentes árvores com suas folhas brilhantes e frutas pesadas, cada uma do tamanho de bolas de beisebol ou até maiores. Elas decoravam as beiras das estradas e os quintais das casas. "Uma coisa comum", um polinésio nativo chamado Tea me contou, "porque significa que você pode alimentar sua família por muitos anos". Nas feiras livres, a fruta-pão circular e oblonga (existem dezenas de variedades apenas na Polinésia Francesa) era exposta ao lado do coco, da banana-da-terra, da graviola e do maracujá, com o exterior verde coberto por minúsculas formas hexagonais. Algumas já haviam sido cortadas ao meio, exibindo uma polpa branca fibrosa. Elas se pareciam com a jaca, embora menores, e fazem parte da mesma família, junto com os figos. Nas mais de 100 ilhas que formam a Polinésia Francesa, a fruta-pão é um alimento básico. O nome deriva do fato de que, quando está madura o suficiente para ser comida, a fruta se parece ao pão que acaba de sair da fornalha. Ela fica mais doce à medida que amadurece e pode ser preparada de várias maneiras, incluindo amassada, cozida, assada e frita, ou até mesmo consumida crua. Alguns locais chamam a fruta-pão de 'Árvore da Vida', porque tanto o fruto quanto as folhas da árvore são comestíveis. Além disso, a madeira leve de seu tronco pode ser usada para construir casas e canoas tradicionais, e a casca é usada até mesmo para fazer roupas. A fruta-pão é nativa da Nova Guiné, e o polinésios a cultivam em suas incursões pelo Pacífico Sul há milhares de anos. Depois que os exploradores britânicos descobriram a planta e sua fruta nutritiva, foi apenas uma questão de tempo até que o uru se espalhasse pelo mundo. Hoje, as árvores de fruta-pão são abundantes em 90 países, em sua maioria tropicais, como o Brasil. Em 1768, quando o capitão inglês James Cook partiu a bordo do navio HMS Endeavour, da Marinha Real britânica, junto com o botânico Sir Joseph Banks, sua viagem exploratória de três anos incluiu uma parada de três meses no Taiti. Ali, os dois homens se encantaram pelo potencial da fruta-pão para alimentar escravos nas Índias Ocidentais Britânicas, visto que as árvores cresciam rapidamente, exigiam pouco cuidado e produziam grandes quantidades de frutos com alto teor de carboidratos. Ao retornar à Inglaterra, Banks (que mais tarde se tornou presidente da Royal Society, a instituição científica nacional mais antiga do mundo) alertou o rei George 3º de suas descobertas, chegando até a oferecer uma recompensa a qualquer pessoa que transportasse mil mudas da planta do Taiti para as Índias Ocidentais. Logo me vi em uma pequena expedição pessoal da fruta-pão. No Tropical Garden, uma fazenda familiar cheia de flores tropicais e árvores frutíferas na ilha de Moorea, me deliciei com um pedaço doce de uma fruta-pão cozida a vapor mergulhada em tapioca, conhecida como po'e (um pudim de frutas taitiano). A partir do momento em que provei a sobremesa, com seu sabor rico e cremoso, me apaixonei. Aonde quer que fosse, vasculhava os cardápios em busca de fruta-pão em aperitivos, saladas e até sorvete. Ouvi falar de versões que consistiam na fruta cozida a fogo baixo, saturada em leite de coco fermentado, servida quente com punu pua'atoro, ou carne salgada enlatada, e moída em farinha para fazer pão sem glúten. Alguns especialistas em plantas dizem que a fruta-pão é um superalimento do futuro, que tem o potencial de acabar com a fome no mundo. Me perguntei, então, como nunca tinha ouvido falar - ou provado - uma fruta tão importante? Quase duas décadas após a expedição original de Cook, o rei George 3º nomeou o tenente William Bligh para liderar a expedição da fruta-pão ao Taiti. Em 28 de novembro de 1787, Bligh embarcou com sua tripulação a bordo do HMS Bounty. Sua jornada foi difícil desde o início. Ventos fortes e tempestades reduziram significativamente a velocidade da viagem. Quando chegaram ao Taiti, Bligh e sua tripulação tiveram que esperar mais cinco meses para que as plantas estivessem prontas para o transporte. Quando chegou a hora de zarpar ao Caribe, os homens de Bligh já haviam se acostumado a viver na ilha - e às mulheres taitianas. Muitos deles não queriam ir embora. Então, em 29 de abril de 1789, passado um mês de sua viagem pelo Pacífico Sul em direção às Índias Ocidentais, Fletcher Christian e outros 18 tripulantes, descontentes com a situação, forçaram Bligh e seus correligionários a entrar em um barco de 7 m, deixado à deriva. Junto com eles, também se livraram de todas as frutas-pão. O "mutiny on the Bounty" ("motim do HMS Bounty") tornou-se uma lenda urbana, e a maioria dos historiadores acredita que o episódio aconteceu porque aqueles que apoiavam Christian acreditavam que ele poderia ajudá-los a voltar ao Taiti - algo que, embora tenha acontecido, não saiu como planejado. Surpreendentemente, Bligh e sua tripulação sobreviveram, avançando por instinto e memória por 3,6 mil milhas náuticas (6,7 mil km) em 48 dias para Timor, uma ilha no sudeste da Ásia. Bligh logo retornou à Inglaterra, onde foi absolvido de qualquer ilegalidade que tivesse cometido e, dois anos depois, partiu novamente para o Taiti, desta vez completando com sucesso sua missão. Na verdade, algumas das árvores que Bligh levou ao Caribe ainda estão produzindo frutos na Jamaica. No último dia da minha viagem, me vi no movimentado Mercado de Papeete, a poucos quarteirões da baía no Taiti. Enquanto outros turistas zanzavam pelas inúmeras barracas que vendiam pareos com estampas coloridas, uma espécie de canga, garrafas de monoï (uma mistura de óleo de coco e flores) e óleos de baunilha e adornos de cabelo perfumados de gardênia, subi as escadas em direção ao Cafe Maeva para provar um prato à base de fruta-pão que até então não havia comido: batatas fritas de uru, ou chips de fruta-pão. Ao fim da refeição, cheguei a uma conclusão óbvia: essa realmente é uma fruta digna de uma história lendária.
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13/08 - O que pensar sobre o jardineiro que diz ter contraído câncer por trabalhar com herbicida
O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo Benoit Tessier/File Photo/Reuters Há várias leituras possíveis sobre a notícia de que a Monsanto foi condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a um cidadão norte-americano que contraiu câncer e que afirma, com base em diagnósticos e exames médicos, que sua doença foi causada pelos herbicidas "Roundup" e "RangerPro", fabricados pela empresa. A Bayer, que comprou a Monsanto em junho, já lançou um contrataque, afirmando que “o glifosato é seguro para uso e não causa câncer quando usado de acordo com o rótulo." É como diz Yuval Noah Harari em seu “Homo Sapiens – Uma breve história da humanidade” : as pesquisas científicas podem servir a diferentes ideologias. E a diversos propósitos. Enquanto isso, nós ficamos de fora, em alerta, sem saber exatamente no que acreditar. Mas na minha casa sempre me ensinaram, desde pequenina, que onde há fumaça há fogo. Isto é o mínimo que se pode pensar de um assunto tão sério, que envolve vidas humanas. Logo, seria bem interessante podermos ficar longe de tal substância, pelo menos até prova em contrário. A despeito da afirmação da empresa, um relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde em 2015, que recebeu o título de “International Agency for Research on Cancer (Iarc) Monographs Volume 112: evaluation of Five organophosphate insecticides and herbicides”, o ingrediente ativo glifosato foi classificado como “provável carcinogênico para humanos”. Ocorre que - e esta é a leitura mais urgente a ser feita por nós, brasileiros, da notícia sobre a multa cobrada à Monsanto - desde 1998 o Roundup é “a marca de herbicida mais lembrada pelo empresário rural brasileiro”, o que é comemorado numa notícia publicada no site da empresa em 2014. Teremos problemas, portanto, para ficarmos longe do produto em questão. Outro fato muito importante que não pode ser esquecido por nós, é que o Brasil consome 20% de todo agrotóxico comercializado mundialmente. E este consumo tem aumentado significativamente nos últimos anos, tornando-nos campeões no uso dos agrotóxicos em todo o mundo. Assim mesmo, não contentes com este resultado, os deputados da Comissão Especial da Câmara votaram, em junho, em plena Copa do Mundo, um projeto de lei que flexibiliza a fiscalização do uso e a compra. A proposta ainda dá ao Ministério da Agricultura a competência para liberar a comercialização de tais produtos no país antes que o Ibama e a Anvisa concluam análise do registro do produto. Sim, o glifosato, que está no banco dos réus, está nesta lista de produtos que, agora, podem ser comprados e utilizados “sem tanta burocracia” pelas empresas brasileiras de agricultura. E, como sete entre os dez produtos mais exportados do Brasil (segundo tese da pesquisadora Larissa Lombardi, da Universidade de São Paulo: são agropecuários, sobretudo a soja, podemos estar enviando para o mundo todo esse problemão. Até porque, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal, em 2015 a soja ocupou o primeiro lugar como destino total da venda de agrotóxicos no país (52%). E mais: ainda segundo Larissa Lombardi, 96,5% da produção de soja é transgênica. “Uma parte significativa desses cultivos transgênicos dizem respeito a sementes tolerantes ao herbicida glifosato, principal agrotóxico comercializado no Brasil. E o produto que forma o Roundup. Vale lembrar que cerca de 79% da soja no mundo são esmagadas para fazer ração animal e 18% para a produção de óleo de soja. Uma outra leitura possível para a notícia é sobre o papel das empresas em nossa civilização, já que estamos falando de uma acusação contra uma grande corporação. Gosto da provocação que Joel Bakan faz no livro “The Corporations” (sem tradução no Brasil), escrito em 2005 e que rendeu um excelente documentário que recebeu 26 prêmios internacionais. “Nos últimos 150 anos, as corporações saíram de um lugar de relativa obscuridade para se tornarem instituições econômicas globais que governam nossas vidas. Elas determinam o que comemos, o que assistimos, o que vestimos, onde trabalhamos e o que fazemos”, diz o texto. Sim, este é um desafio: nós deixamos espaço para todo este poder. Nós, cidadãos que elegemos deputados cujo compromisso parece estar muito mais ligado ao das empresas do que de seus eleitores. Nós, cidadãos que consumimos muito e cada vez mais, sem cobrar um retorno responsável das marcas que usamos. No caso, dos alimentos que consumimos. 25 de outubro - Um homem com maquiagem de esqueleto e pessoas com cartazes participam de uma marcha de protesto em Bruxelas, na Bélgica, para que o herbicida glifosato seja banido. Membros da União Europeia votam sobre a renovação da licença do composto químico John Thys/AFP/Arquivo De verdade, um simples caso de pessoa com um indício de uma doença tão séria já seria, sim, ocasião para que a empresa retirasse o produto de mercado, mostrasse claramente os exames, e só voltasse a comercializá-lo depois de tudo explicado. Mas, para isso acontecer, precisaríamos ter um controle sobre as empresas, regulando o consumo. Não é o caso. De tal forma se alastraram, ao mesmo tempo se juntando (Monsanto agora é Bayer), que não temos como controlar as imensas corporações que cuidam daquilo que comemos. Outra leitura para a notícia é que a vítima em questão é um trabalhador. Um jardineiro, que durante anos teve que lidar com o glifosato. Na pesquisa/tese publicada por Larissa Lombardi consta o indiscutível impacto dos herbicidas, não só sobre a população que consome os alimentos como sobre os camponeses e trabalhadores rurais. De 2007 a 2014, aqui no Brasil, foram mais de 25 mil intoxicações por uso de agrotóxicos no campo, o que significa oito casos por dia. O jardineiro Dewayne Johnson está entre os mais de cinco mil demandantes semelhantes nos Estados Unidos. A empresa tem como recorrer, e é possível que o fará. Se a Justiça norte-americana não a absolver, vai ter que lidar com uma enxurrada de casos semelhantes. Assim mesmo, deve valer a pena colocar o lucro à frente das pessoas. Amélia Gonzalez Arte/G1
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13/08 - A megacidade que está afundando e pode ficar submersa em três décadas
O norte de Jacarta, capital da Indonésia, afundou 2,5 metros em 10 anos e continua "descendo" até 25 centímetros por ano. Com uso excessivo dos aquíferos pela população, fenômeno ganha fôlego e partes da cidade podem acabar completamente debaixo d'água até 2050. O norte de Jacarta está afundando cerca de 25 cm todos os anos BBC Mais de 10 milhões de pessoas vivem atualmente em Jacarta, capital da Indonésia, a cidade que está afundando mais depressa que qualquer outra no planeta. Se nada for feito, dizem os especialistas, partes da megacidade podem acabar completamente debaixo d'água até 2050. Mas será que ainda dá tempo de reverter a situação? Construída sobre um terreno pantanoso, Jacarta é banhada pelo Mar de Java e cortada por 13 rios. Não é de se espantar, portanto, que inundações sejam frequentes na cidade e, segundo especialistas, que estejam piorando. Mas não se trata apenas do grande volume de enchentes, esta megacidade está literalmente ficando submersa. "A possibilidade de Jacarta ficar submersa não é brincadeira", diz o pesquisador Heri Andreas, do instituto de tecnologia Bandung, que estuda há 20 anos o afundamento do solo de Jacarta. "Se observarmos os padrões, em 2050 cerca de 95% do norte de Jacarta estará submerso." E isso já está acontecendo. O norte de Jacarta afundou 2,5 metros em 10 anos e continua "descendo" até 25 centímetros por ano, o que é mais do que o dobro da média global para megacidades costeiras. Em média, Jacarta está afundando de 1 a 15 centímetros por ano, e quase metade da capital indonésia está agora abaixo do nível do mar. O impacto já é visível no norte do município. No distrito de Muara Baru, um edifício corporativo está completamente abandonado. O prédio abrigava uma empresa de pesca, mas a varanda do primeiro andar é a única parte funcional que resta. O primeiro andar da construção está alagado em decorrência das enchentes. Como o terreno ao redor está mais alto, a água não tem para onde escoar. Prédios inundados raramente são abandonados assim, porque, na maioria das vezes, os proprietários tentam consertar, reformar e encontrar soluções no curto prazo para o problema. Mas, neste caso, eles não conseguem impedir o solo de sugar essa parte da cidade para baixo. Um mercado de peixe, a apenas cinco minutos de carro do local, também sofre com as consequências das enchentes: "As calçadas são como ondas, se curvam para cima e para baixo, as pessoas podem tropeçar e cair", alerta Ridwan, morador de Muara Baru. À medida que o nível da água no subsolo está diminuindo, o piso por onde os frequentadores do mercado passam está afundando e se deslocando, criando uma superfície irregular e instável. "Ano após ano, o solo continua afundando", diz ele, um dos muitos moradores do bairro que estão preocupados com o que está acontecendo na vizinhança. Jacarta é historicamente uma cidade portuária, e a parte norte abriga até hoje um dos portos marítimos mais movimentados da Indonésia: Tanjung Priok. A localização estratégica, onde o rio Ciliwung desemboca no Mar de Java, foi uma das razões pelas quais os colonizadores holandeses decidiram transformá-lo em seu principal porto no século 17. Hoje, 1,8 milhão de pessoas vivem na região, que se tornou uma curiosa mistura de empresas portuárias em decadência, comunidades costeiras pobres e uma população significativa de chineses indonésios ricos. Fortuna diz que, quando chove, a inundação deixa a piscina submersa BBC Fortuna Sophia vive em uma mansão luxuosa com vista para o mar. O afundamento do solo ainda não é visível na casa, mas ela diz que, a cada seis meses, aparecem novas rachaduras nas colunas e nas paredes. "A gente só tem que continuar consertando", conta Fortuna, ao lado da piscina, com um cais privado a poucos metros de distância. "Os homens de manutenção dizem que as rachaduras são causadas pelo deslocamento do solo." Ela mora na mesma casa há quatro anos, mas relata que já houve várias inundações: "A água do mar entra e cobre a piscina toda. Temos que levar todos os móveis para o andar de cima." Mas o impacto para as pequenas residências à beira-mar é muito maior. Moradores que já tiveram uma vista para o mar agora veem apenas um dique cinza, construído e reconstruído em uma brava tentativa de conter o avanço das águas. "Todos os anos a maré aumenta cerca de 5 cm", afirma Mahardi, um pescador. Nada disso deteve, no entanto, os agentes imobiliários. Cada vez mais apartamentos de luxo são erguidos no norte de Jacarta, independentemente dos riscos. Eddy Ganefo, chefe do conselho consultivo da Associação de Desenvolvimento Habitacional da Indonésia, disse que pediu ao governo que impedisse a realização de novos empreendimentos na região. Mas, segundo ele, "enquanto for possível vender apartamentos, as construções continuarão". Outras partes de Jacarta também estão afundando, embora em um ritmo mais lento: cerca de 15 cm por ano na zona oeste do município, 10 cm no leste, 2 cm no centro e apenas 1 cm no sul. Cidades costeiras em todo o mundo estão sendo afetadas pelo aumento do nível do mar em decorrência das mudanças climáticas. O fenômeno acontece devido à expansão térmica da água - ela esquenta e aumenta de volume - e ao derretimento do gelo polar. Mas a velocidade com que Jacarta está afundando é alarmante. Pode ser surpreendente, mas há poucas reclamações entre os moradores da cidade. Para eles, a inundação é apenas um entre os diversos desafios de infraestrutura enfrentados diariamente. E isso faz parte do motivo pelo qual isso está acontecendo. A velocidade dramática com que Jacarta está afundando se deve, em parte, à extração excessiva de água subterrânea para ser consumida como água potável, para banho e para ser usada em outras tarefas cotidianas. A água encanada não é confiável, tampouco está disponível na maioria das regiões. Assim, as pessoas não têm escolha a não ser recorrer ao bombeamento de água dos aquíferos subterrâneos. Mas quando a água subterrânea é bombeada, o terreno acima dela cede, como se estivesse sobre um balão vazio, levando ao afundamento do solo. A situação é acentuada pela regulamentação falha, que permite que praticamente qualquer pessoa - de proprietários locais a operadores de shopping centers -, realize sua própria extração de água subterrânea. "Todo mundo tem o direito, de moradores a indústrias, de usar a água subterrânea, desde que isso seja regulamentado", diz Heri Andreas. O problema é que eles usam mais do que é permitido. Os moradores dizem que não têm escolha, uma vez que as autoridades não conseguem atender suas necessidades. E os especialistas confirmam que os órgãos responsáveis pela gestão da água só conseguem atender 40% da demanda de Jacarta. O proprietário de um kos-kosan, espécie de dormitório, no centro de Jacarta, bombeia por conta própria do lençol freático há 10 anos para abastecer os inquilinos. Conhecido apenas como Hendri, ele é um dos muitos moradores que fazem isso. "É melhor usar nossa própria água subterrânea em vez de confiar nas autoridades. Um kos-kosan como esse precisa de muita água." O governo só admitiu recentemente que a extração ilegal de água subterrânea é um problema. Em maio, a prefeitura inspecionou 80 prédios no bairro Jalan Thamrin, no centro da cidade, cercado por arranha-céus, shoppings e hotéis. A fiscalização descobriu que 56 prédios tinham sua própria bomba de água subterrânea e que 33 estavam extraindo água ilegalmente. O governador de Jacarta, Anies Baswedan, afirmou que todos devem obter uma licença, o que permitirá às autoridades medir a quantidade de água subterrânea que está sendo bombeada. Aqueles que não cumprirem a nova regra terão o certificado do prédio revogado, assim como outros negócios que funcionem no mesmo edifício. As autoridades também esperam que a Grande Garuda, um muro de contenção de 32 km que está sendo construído ao longo da Baía de Jacarta, juntamente com 17 ilhas artificiais, ajude a salvar a cidade. O projeto, que tem um custo estimado de US$ 40 bilhões, está sendo apoiado pelos governos holandês e sul-coreano. Ele prevê a criação de uma lagoa artificial, na qual os níveis da água podem ser controlados para permitir a drenagem dos rios da cidade. A ideia é ajudar a conter as inundações, um dos grandes problemas quando chove. Mas três organizações holandesas sem fins lucrativos divulgaram um relatório em 2017, questionando se o muro e as ilhas artificiais poderão resolver, de fato, o problema do afundamento do solo de Jacarta. Jan Jaap Brinkman, especialista em hidrologia do instituto holandês de pesquisa Deltares, argumenta que o empreendimento é apenas uma medida provisória. Segundo ele, vai oferecer a Jacarta apenas mais 20 ou 30 anos para encontrar uma solução de longo prazo para o afundamento do solo. "Há apenas uma solução, e todos sabem qual é", diz ele. A saída seria proibir a extração de água subterrânea e recorrer apenas a outras fontes, como água da chuva, dos rios ou de reservatórios feitos pelo homem. Segundo ele, Jacarta precisa fazer isso até 2050 para evitar que a cidade afunde. Mas a mensagem ainda não está sendo levada a sério. E o governador de Jacarta, Anies Baswedan, acha que uma medida menos drástica funcionará. Ele diz que as pessoas devem ser capazes de bombear água subterrânea legalmente, desde que utilizem o chamado método biopori. A técnica prevê cavar um buraco de 10 cm de diâmetro e 100 cm de profundidade no terreno para permitir que a água seja reabsorvida pelo solo. Os críticos dizem que a medida só vai repor a água superficialmente - e, em Jacarta, a água costuma ser extraída a partir de centenas de metros abaixo do nível do solo. Existe tecnologia capaz de repor a água subterrânea de fontes profundas, mas é extremamente cara. Tóquio usou esse método, conhecido como recarga artificial, quando enfrentou um afundamento severo do solo há 50 anos. O governo também restringiu a extração de água subterrânea, e as empresas foram obrigadas a usar água reciclada. O processo de imersão foi interrompido na sequência. Mas Jacarta precisa de fontes alternativas de água para isso funcionar. O pesquisador Heri Andreas diz que pode levar até 10 anos para limpar a água dos rios, barragens e lagos, para permitir que seja canalizada ou usada como substituto aos aquíferos subterrâneos. Os moradores de Jacarta adotam uma atitude um tanto fatalista em relação ao futuro. "Viver aqui é um risco", diz Sophia Fortuna em sua casa. "Todas as pessoas que estão aqui aceitaram esse risco." Reportagem adicional de Tom de Souza. Elementos interativos de Arvin Surpriyadi, Davies Surya e Leben Asa.
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13/08 - França pode subir em até 10% os impostos sobre produtos que não têm plástico reciclado em embalagem
Proposta prevê variação em imposto sobre produtos dependendo do uso ou não de material reaproveitado na embalagem. "Declarar guerra contra o plástico não basta. Precisamos transformar a economia", diz ministra. Materiais recicláveis devem ser separados para a coleta seletiva Pixabay/Divulgação A França pretende aplicar diferentes taxas sobre produtos com embalagem feita de plástico reciclado ou não a partir de 2019. A medida é parte do plano anunciado pelo governo do presidente Emmanuel Macron de utilizar apenas plástico reciclado no país até 2025. De acordo com a proposta, até 10% do preço do produto seriam adicionados ou subtraídos do imposto sobre o valor agregado (IVA) dependendo do uso ou não de plástico reciclado, disse a secretária de Estado de Transição Ecológica, Brune Poirson, em entrevista publicada neste domingo (12/08) no Le Journal du Dimanche. "Quando o plástico não reciclado custar mais, grande parte do excesso de embalagens será eliminado", disse Poirson. "Declarar guerra contra o plástico não basta. Precisamos transformar a economia francesa." O consumidor poderá identificar se a embalagem do produto vem de fontes recicláveis ou não por meio de uma etiqueta. A medida é parte de uma série de iniciativas a serem implementadas nos próximos anos, incluindo um esquema de restituição de depósitos pagos por garrafas de plástico. Atualmente, a França recicla cerca de 25% do plástico descartado no país, segundo a revista 60 Million Consumers. Em sua companha eleitoral, Macron, prometeu alcançar uma porcentagem de 100% até 2025. Cortar o uso de plástico descartável é uma prioridade da Comissão Europeia, que anunciou em maio medidas para promover o uso de materiais alternativos e incentivos para empresas.
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13/08 - Estudo liga paraísos fiscais a empresas que atuam na Amazônia
Maior parte do dinheiro estrangeiro injetado em grandes empresas de soja e carne brasileiras, setores ligados ao desmatamento, vem de paraísos fiscais, como Bahamas e Ilhas Cayman, apontam pesquisadores. Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Perda da cobertura vegetal no bioma pode acarretar na extinção de diversas espécies de animais. Divulgação/Toby Gardner/Science Após estarem no centro de diversos escândalos políticos e econômicos pelo mundo, os chamados paraísos fiscais podem ter um novo elo destruidor, ligado à degradação da Floresta Amazônica no Brasil. Um estudo publicado nesta segunda-feira (13) na revista "Nature Ecology and Evolution" aponta que, entre 2000 e 2011, 68% do dinheiro estrangeiro que abasteceu as indústrias da soja e da carne, que operam na Amazônia, chegaram ao país via paraísos fiscais. Ilhas Cayman, Bahamas e Antilhas foram os mais acionados. "Os setores de soja e carne bovina estão associados ao desmatamento na Amazônia, como estudos já mostraram. E um acesso maior ao capital permite o aumento do desmatamento", disse à DW Brasil Victor Galaz, pesquisador do Stockholm Resilience Centre, que liderou o estudo. "No entanto, com os dados disponíveis atualmente, ainda não é possível fazer uma conexão direta entre aumento do desmatamento e os paraísos fiscais." Descritos como espaços neutros e confiáveis em termos institucionais, os paraísos fiscais garantem pelo menos três benefícios aos investidores: eficiência jurídica, redução de impostos e sigilo absoluto. Relatórios publicados por instituições como o Banco Mundial já apontaram a relação entre paraísos fiscais e atividades ilegais, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e terrorismo. "O uso desses ambientes não é apenas um desafio sociopolítico e econômico, mas também, muito provavelmente, ambiental. O sigilo dificulta a capacidade dos pesquisadores de analisar como os fluxos financeiros afetam as atividades econômicas", diz o estudo, assinado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo, Academia de Ciências da Suécia e Universidade de Amsterdã. O estudo investigou os números das quatro maiores empresas do setor da carne que operam na Amazônia – Bertin, JBS, Marfrig e Minerva – e das cinco maiores do ramo da soja: Bunge, Cargill, Archer Daniels e Midland, Amaggi, Louis Dreyfus. Dos 26,9 bilhões de dólares (104 bilhões de reais) que as empresas receberam de fora do país no período analisado, 18,4 bilhões de dólares (71 bilhões de reais) foram transferidos via paraísos fiscais. Os dados usados na pesquisa foram obtidos junto ao Banco Central do Brasil. Segundo os autores, esses valores são injetados nas empresas por meio de transações financeiras declaradas como empréstimos, operação de leasing ou aluguel, pagamento antecipado das exportações e financiamento de importações. "O que observamos é que os paraísos fiscais são muito importantes como jurisdições quando se olha de onde o capital está sendo transferido para esses setores no Brasil", comentou Galaz. Custo ambiental Além das conexões com atividades ligadas ao desmatamento na Amazônia, o artigo analisou dados do setor da pesca. Os autores concluíram que 70% das embarcações envolvidas na pesca ilegal, não declaradas e não regulamentadas, estão ou foram registradas em paraísos fiscais. Para os cientistas, as taxas de impostos reduzidas ou nulas oferecidas por paraísos fiscais devem ser consideradas um subsídio indireto para setores que degradam o meio ambiente. Os custos ambientais desses subsídios deveriam entrar na agenda internacional, sugere o estudo. "Trazer à luz, quantificar e minimizar esses subsídios indiretos deve ser encarado como uma questão-chave em nossos esforços para proteger o meio ambiente num momento em que nações estão se unindo para apoiar e financiar essas ambições", concluem os pesquisadores, citando o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
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12/08 - Orca deixa corpo de filhote morto após 17 dias carregando animal
Pesquisador afirmou ao 'The Seattle Times' que orca não está desnutrida e vai se recuperar. Orca é vista no sábado (11) já sem o filhote morto que carregava há 17 dias Center for Whale Research via AP Tahlequah, a mãe orca que chamou atenção por carregar seu filhote morto durante 17 dias no mar, não está mais carregando o corpo. Segundo o jornal "The Seattle Times", a orca foi vista por pesquisadores no sábado (11) nadando sem o corpo e junto de outras orcas. Tahlequah faz parte de um grupo de orcas monitorado por pesquisadores. Ela é conhecida como J35. “J35 passou pela minha janela hoje com outras baleias J, e ela parece vigorosa e saudável”, escreveu Ken Balcomb, diretor fundador do Center for Whale Research, em um e-mail ao "The Seattle Times". "A provação dela carregando um filhote morto por pelo menos 17 dias e 1.600 quilômetros agora acabou, graças a Deus", disse Balcomb. Balcomb disse que J35 provavelmente perdeu dois outros filhotes desde que deu à luz um filhote em 2010. A perda do filhote mais recente "pode ​​ter sido emocionalmente difícil para ela", disse Balcomb. “Ela está viva e bem e superou essa parte de sua dor. Hoje foi o primeiro dia que eu com certeza a vi. Não está mais lá." J35 não mostrou sinais de “cabeça de amendoim”, uma condição que revela a desnutrição em uma orca, quando ossos do crânio começam a aparecer. "Ela está comendo", disse Balcomb. A falta de comida também está ligada ao fracasso destas orcas em não conseguirem se reproduzier normalmente há três anos. "A razão pela qual J35 perdeu o bebê e os outros estão perdendo seus bebês é que não há salmão suficiente", disse Balcomb sobre a principal fonte de alimento das orcas. "Espero que façamos algo sobre isso." Grupo corre perigo de extinção Estas orcas residentes do sul do Canadá e dos Estados Unidos correm risco de extinção. Elas dependem para alimentação do salmão-rei, que esteve em grave declínio nos últimos anos. A comunidade, que tem cerca de 75 indivíduos, é frequentemente encontrada perto da ilha de Vancouver, no Canadá, e nas águas marítimas do Estado de Washington, nos EUA. Pesquisas indicam que só cerca de um terço das orcas nascidas nos últimos 20 anos sobrevivem. Orca carrega seu filhote morto em imagem feita no dia 24 de julho. No dia 8 de agosto ela foi vista novamente, ainda carregando o filhote morto. Michael Weiss/Center for Whale Research via AP
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12/08 - As freiras que, em vez de catequizar, defenderam cultura indígena e viram povo 'renascer'
Nascidas na França, Irmãzinhas de Jesus viveram décadas entre o povo Apyãwa, no Mato Grosso, respeitando seus rituais e os apoiando em questões de saúde, educação e demarcação do território. Quando freiras criaram primeira missão das Irmãzinhas nas Américas, a população Apyãwa estava reduzida a cerca de 50 pessoas e corria o risco de desaparecer. CIMI/BBC Setembro de 2013, nordeste do Mato Grosso. A casa simples da freira Geneviève Hélène Boyé, a irmãzinha Veva, estava tomada por algumas dezenas de pessoas. No interior da residência, fora cavado um buraco retangular no chão de terra e, dentro dele, jazia seu corpo, pendurado em uma rede branca, a mesma na qual ela dormia todas as noites. Ao redor, índios Apyãwa - conhecidos também como Tapirapé - batiam levemente os pés no chão, balançando sutilmente o corpo, enquanto entoavam um longo canto lamurioso. Depois de a cova ser fechada com tábuas, as mulheres, chorando, peneiraram quilos de terra por cima, conforme sua tradição. Alguns não indígenas acompanhavam o ritual e repetiam os movimentos, entre eles Odile Eglin, a irmã Odila. A cerimônia aconteceu a cerca de oito mil quilômetros da terra natal das duas, a França. Integrantes da fraternidade Irmãzinhas de Jesus, as freiras viveram por décadas com - e como - os Apyãwa. Veva, que chegou com o primeiro grupo em 1952, lá ficou praticamente todo o tempo até morrer, 60 anos depois, quando foi enterrada pelo costume indígena, segundo sua escolha. Odila, que se juntou a ela em 1982, retornou a Paris em janeiro, encerrando um ciclo de 65 anos na comunidade: foi a última religiosa a viver com os Tapirapé. Quando Veva e mais duas freiras chegaram para estabelecer a primeira missão das Irmãzinhas nas Américas, a população Apyãwa estava reduzida a cerca de 50 pessoas e corria o risco de desaparecer. Hoje são quase mil, aproximando-se do tamanho que tinham no início do século 20. Epidemias entre indígenas A forte redução populacional na primeira metade do século passado foi provocada principalmente por doenças transmitidas por não indígenas, como gripe e varíola, contra as quais os Tapirapé não tinham anticorpos. A situação depois foi agravada por um ataque dos índios Kayapó, então seus inimigos. O papel das freiras para a recuperação desse povo lhes rendeu a alcunha de "parteiras dos Tapirapé", criada pelo teólogo Leonardo Boff. Elas atuaram primeiro no tratamento das doenças, mas depois também no fortalecimento cultural do grupo e na recuperação de seu território tradicional. Seu sucesso veio de uma fórmula nova de "evangelização": ao invés de catequizar os indígenas, elas se integraram ao seu modo de vida e buscaram elas mesmas serem Apyãwa. As religiosas viviam em casas semelhantes às dos indígenas, plantavam e comiam como eles e chegaram a participar em alguns rituais. A forma como Veva foi enterrada, na tradição tapirapé, sintetiza o espírito dessa relação, conta o cacique geral Warei Elber Tapirapé. Irmã Genoveva rema em canoa pelo rio Tapirapé; freiras abraçaram modo de vida dos indígenas. CIMI/BBC "O povo Tapirapé sabe muito bem como elas trabalharam: respeitaram nossa cultura, nossa maneira de conviver entre nós e com a natureza. E a gente também foi apoiando elas. Essa relação foi em harmonia", resumiu ele em conversa com a BBC News Brasil em abril, durante o último acampamento Terra Livre (encontro anual de povos indígenas em Brasília). O estilo dessas freiras segue os ensinamentos de Charles De Foucault, missionário francês beatificado em 2005 que viveu anos entre árabes nômades no norte da África na virada do século 19 para o 20, mas sem catequizá-los. Foi ele quem inspirou Magdeleine Hutin a fundar a fraternidade Irmãzinhas de Jesus em 1939, na Argélia, com propósito de atender comunidades vulneráveis, principalmente as mais isoladas. Abandono da catequese forçada A atuação dessas religiosas era algo inovador no Brasil e - após séculos de catequese forçada e massacre da cultura indígena - contribuiu para o desenvolvimento de uma nova forma de a Igreja católica lidar com os povos originários no país, processo que culminou na criação do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), em 1972, observa Gilberto dos Santos, membro do secretariado nacional da organização. "Foi uma experiência muito forte porque eram religiosas num período em que a gente ainda não tinha essa leitura de respeito à cultura, de não catequese, que aparece no final dos anos 60", ressalta Santos. A antropóloga e demógrafa Marta Maria do Amaral, ex-presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), considera que a presença das religiosas foi "absolutamente fundamental" para a recuperação populacional dos Tapirapé. De um lado, destaca ela, o cuidado com a saúde e a segurança alimentar promovido pelas freiras permitiu que o grupo atingisse taxas de mortalidade infantil mais baixas que a de outros povos indígenas. Por outro, acrescenta, a própria valorização do modo de vida Tapirapé e seu empenho para ampliar a articulação do grupo deram "ânimo" para sua multiplicação. "A atuação das irmãzinhas ajudou muito o grupo a ter mais conhecimento, informação e, portanto, a se sentirem mais fortes para lutarem pelos seus direitos", resume Amaral. Trabalho em prol da saúde indígena No início, a principal atuação das freiras era nos cuidados de saúde. Elas tratavam os Apyãwa de doenças como gripe, sarampo, catapora e malária e acompanhavam os índios quando eles precisavam ir a unidades de atendimento, contou Odila à BBC News Brasil quando esteve em Brasília para o lançamento do livro "Parteiras de um Povo", dias antes de embarcar para a França. "Íamos na cidade para eles não ficarem perdidos, assustados, e para os médicos também terem vergonha na cara e atenderem melhor. E a gente tentava que os pajés pudessem ir juntos, (para que) o respeito mútuo das ciências pudesse se realizar. Isso nem sempre era possível, porque alguns lugares não aceitavam", recorda. Para além do cuidado com a saúde, porém, elas viraram confiáveis interlocutoras entre eles e o mundo fora da comunidade. As freiras atuaram na instalação de uma escola indígena na aldeia nos anos 70, reivindicação dos próprios Tapirapé, assim como participaram do longo processo de reconhecimento do seu território, homologado pelo governo federal como Terra Indígena Urubu Branco em 1998. Luiz Gouvêa e Eunice Dias foram os primeiros professores da escola e desenvolveram um método de alfabetização dos indígenas na língua tapirapé a partir do trabalho feito pela freira Mayie Baptiste, que estudou profundamente o idioma, e da linguista Yonne Leite. Hoje, conta Gouvêa, todos os professores da escola e seus administradores são índios Tapirapé, com formação em licenciatura intercultural indígena (curso oferecido em algumas universidades públicas do país). "Podemos dizer que é graças às Irmãzinhas de Jesus (que foi estabelecida a escola). Isso foi importante porque a escola foi também um apoio na luta pela terra, na organização indígena, na discussão das questões trazidas nas assembleias (com outros povos)", ressalta Gouvêa. Apesar da conquista da demarcação, persistem as invasões do território Tapirapé por madeireiros e criadores de gado. Uma parte da terra, ocupada por uma fazenda, está em disputa na Justiça. Em abril, o cacique Warei e outras lideranças Tapirapé, com assistência jurídica do Cimi, passaram horas na Funai, em Brasília, em reunião para tratar do processo. Ele lamenta que Odila não esteja mais na aldeia para participar dessa luta. "Ela mostrou alguns caminhos para nós, mas mesmo assim a gente sente um pouco de dificuldade para correr atrás das coisas, principalmente na questão do território", disse o cacique. Odila não queria deixar o povo, mas, já idosa, voltou à França em respeito à decisão da fraternidade, que hoje carece de novas freiras para dar continuidade ao trabalho. Os Tapirapé, porém, ainda alimentam a esperança em seu retorno, enquanto mantêm contato por email e WhatsAapp. Batismo de índios Antes das chegadas das religiosas, os Apyãwa já estavam em contato havia cerca de quatro décadas com o catolicismo por meio dos frades dominicanos, que os visitavam esporadicamente e os batizavam. Após o ataque Kayapó, esses missionários persuadiram os indígenas remanescentes a se reagruparem perto do posto do Serviço de Proteção aos Índios (SPI, órgão depois substituído pela Funai), nas margens do Rio Tapirapé. Apenas nos anos 90 eles retornaram à serra do Urubu Branco, território sagrado. Todo o processo de vivência e aprendizado com os indígenas foi registrado por elas em diários. O livro "Parteiras de um Povo" conta que, nos primeiros 20 anos da presença das religiosas na comunidade, as freiras tinham o desejo de "introduzir (os Tapirapé) pouco a pouco no conhecimento de Jesus", embora "sem coerção". No entanto, elas acabaram compreendendo que a força do grupo estava justamente nos seus rituais indígenas. "Todos os Tapirapé eram batizados quando chegamos. Para nós aparecia a questão: o que aportamos para essas pessoas que (em tese) são católicas?", ressalta Odila. "Aos poucos, as irmãzinhas perceberam que o ritual era a força vital deles. Acho que isso foi uma luz e que deu tranquilidade de dizer: 'esse povo não precisa ser católico para viver'. Mas isso não foi dito de um dia para o outro", conta. A prática do batismo acabou sendo abandonada gradualmente, assim como os hábitos de freira, que elas inicialmente vestiam, foram substituídos por roupas comuns. Os rituais católicos eram praticados com discrição. O filme histórico "Veva Tapirapé", da produtora católica Verbo Filmes, mostra a capela, um pequeno puxadinho na casa onde as religiosas moravam. Em um canto da parede, havia uma pequena imagem de Maria, no outro, uma cruz de madeira simples, sem a imagem de Cristo talhada. "Nosso modo de rezar, a capela, tudo isso a gente simplificou, simplificou, para pelo menos não chocar. Não ficar tão longe (dos costumes) deles", explicou Veva, em depoimento ao filme. Os Apyãwa acreditam na existência de vários espíritos com os quais se relacionam por intermédio da atuação dos pajés. Ao invés de uma postura de rechaço pela religião indígena, as freiras chegaram a participar de alguns rituais, por exemplo produzindo o cauim (bebida típica fermentada) para a festa de Kawiypyparakãwa (festa da dança em torno do cauim). Devido à localização da casa de Odila, ao sul da aldeia, parte das danças e cantos dessa cerimônia, que marca o fim do Ka'o (conjunto de cantos noturnos) e dos rituais da estação chuvosa, ocorriam dentro da sua residência. "Num primeiro momento achavam que batizar um índio seria uma coisa boa, mas depois entenderam que o Apyãwa tinha sua religião, sua cultura. Porque Takana, a casa dos homens, que fica no centro da aldeia, tem todos os segredo da vida. A questão da espiritualidade, a questão dos pajés, ter esse diálogo com as almas das florestas, as almas dos animais. Graças a elas até hoje o Apyãwa tem ainda sua cultura viva", disse à BBC Brasil Inamoreo Reginaldo Tapirapé, uma das lideranças. Por outro lado, conta ele, os indígenas também tinham a sensibilidade de respeitar os rituais católicos. "No Natal, as freiras faziam a missinha. Aí de manhãzinha as crianças (Tapirapé) levavam um presente para aquele menino (Jesus), tipo uma florzinha. Era uma forma de agradar também elas. Essa relação não é para destruir a cultura indígena, era uma forma de relacionamento de paz, de felicidade, de alegria", recorda. Igrejas evangélicas e indígenas Hoje, após a saída da fraternidade, os Tapirapé deparam-se com o assédio de outras religiões. Grupos evangélicos de cidades próximas têm tentado converter as famílias. "Vemos que as outras igrejas tentam entrar, mas nós, as lideranças, estamos impedindo. Elas entram devagarzinho, mas lá na frente começam a proibir a gente de fazer ritual, falar nossa língua. Eles começam a interferir dentro da comunidade, enquanto elas (as Irmãzinhas) não traziam esses problemas", afirma o cacique geral Warei. Os dados do último censo nacional realizado pelo IBGE mostram que o número de índios evangélicos cresceu 42% entre 2000 e 2010, somando 210 mil, um quarto do total. Apesar disso, Odila se mostra otimista com a continuidade da tradição Tapirapé e aponta que hoje os povos indígenas têm muito mais apoio do que décadas atrás. "Eu penso que as religiões cristãs têm força mas eu não sei se nessa altura da vida do mundo elas têm o poder de acabar com esses povos. Acredito que não. Tenho essa tranquilidade dentro de mim", disse.
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11/08 - Os três filhotes de onça-pintada do Parque Nacional do Iguaçu que são esperança para a espécie
Desde o início dos esforços de conservação do felino no parque, em 1990, por meio do projeto hoje conhecido como Onças do Iguaçu, esta é a primeira vez que é registrado o nascimento de três filhotes. Número de onças-pintadas no parque dobrou entre 2009 e 2016. Um dos três filhotes de onça-pintada atravessa pista do Parque Nacional do Iguaçu; desde 1990, é a primeira vez que nasce uma ninhada de três filhotes no local BBC/Thiago Reginato A segunda-feira, dia 6 de agosto, foi um dia de agitação e alegria para os pesquisadores que trabalham no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Nesse dia, a onça-pintada Atiaia (raio de luz, em tupi-guarani) foi avistada com três filhotes. O nascimento das oncinhas é uma esperança para a sobrevivência da espécie na Mata Atlântica, bioma em que está criticamente ameaçada de extinção. "Numa população de 22 onças no Parque Nacional do Iguaçu, o nascimento de três filhotes é extremamente importante. Em toda a Mata Atlântica, existem apenas cerca de 300 desses felinos. Por isso, a região do parque é chave para conservação da espécie", afirma a bióloga Yara de Melo Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, que protege a espécie no Parque Nacional do Iguaçu. Na manhã de segunda-feira, Atiaia e seus filhotes, que têm cerca de dois meses, foram vistos em um trecho da pista asfaltada que cruza o parque. A mãe e duas oncinhas atravessaram a pista, enquanto o terceiro filhote voltou para a mata. No fim da tarde, o filhotinho que havia se separado da mãe foi resgatado pela equipe do projeto e reunido à família. Foi a primeira vez que a prole foi vista pelos pesquisadores. Antes do encontro, pensava-se que Atiaia tinha dado à luz apenas um filhote. Estão sendo feito esforços para evitar que os filhotes ou a mãe sejam atropelados na pista do Parque Nacional do Iguaçu - uma área turística. Para isso, o local está sendo sinalizado com placas que informam sobre os filhotes e com cones nos locais onde os animais são avistados com mais frequência. Além disso, os carros que circulam no parque recebem um GPS que monitora a velocidade. As oncinhas são uma demonstração do sucesso do Projeto Onças do Iguaçu. Desde o início dos esforços de conservação do felino no parque, em 1990, esta é a primeira vez que é registrado o nascimento de três filhotes. O número de onças-pintadas no parque está crescendo - dobrou entre 2009 e 2016. As principais ameaças à sobrevivência da onça-pintada são a perda de habitat, provocada por desmatamento, e a caça - seja ela esportiva ou para retaliar a morte de rebanhos. "Acuadas em (pequenos) fragmentos de floresta, que não têm populações adequadas de presas, as onças-pintadas podem acabar predando bezerros", diz Yara. No entanto, segundo a bióloga, "estudos feitos no Pantanal, no sul da Amazônia e no oeste do Paraná indicam que, em média, apenas uma ou duas a cada 100 cabeças de gado são abatidas por onças-pintadas". A mãe Atiaia atravessa pista na frente dos pesquisadores do Projeto Onças do Iguaçu BBC/Thiago Reginato Objetivo é aumentar a população de onças-pintadas na região Além do Parque Nacional do Iguaçu, as onças-pintadas se espalham mais para o sul, no chamado corredor verde. Trata-se uma área de 2 mil quilômetros quadrados que inclui áreas de conservação na Argentina, como o Parque do Iguazu, e o Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul. O número de onças nesse corredor passou de 50 para 90 entre 2009 e 2016. "Nosso objetivo agora é chegar a 250 indivíduos até 2030", diz Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). "É uma meta baseada em análises de viabilidade populacional. Se atingirmos esse número, garantimos uma população viável por pelo menos mais 200 anos." O Projeto Onças do Iguaçu tem uma longa história. Começou por volta de 1990 como parte do doutoramento do biólogo Peter Crawshaw, hoje aposentado, mas ainda colaborador da iniciativa. "Em seu estudo, Crawshaw observou o forte impacto da caça sobre esses felinos", conta Morado, que também é um dos responsáveis pelo projeto. "O trabalho teve sequência com coordenação de vários pesquisadores. Em 2008, passou a se chamar Projeto Carnívoros do Iguaçu, coordenado pelo Parque Nacional do Iguaçu, em parceria com o Cenap-ICMBio, Instituto Pró-Carnívoros e Instituto de Pesquisas Ecológicas." Em 2018, recebeu o nome que tem hoje, também com apoio do CENAP-ICMBio e Instituto Pró-Carnívoros. "Ao longo dos anos, várias pesquisas foram feitas e foi estabelecida uma forte relação de parceria com pesquisadores da Argentina", diz Morato. "O objetivo do trabalho é recuperar a população de onças-pintadas e garantir a sobrevivência da espécie na região". Os três filhotes de onça-pintada têm cerca de dois meses; dois deles atravessaram a pista e o outro ficou na mata BBC/Thiago Reginato Onças-pintadas são monitoradas por pesquisadores Outra meta do projeto é minimizar o risco para pessoas e felinos dentro do Parque Nacional do Iguaçu, nas áreas de uso público e zona de uso especial. Para isso, é preciso monitorar 100% das onças que frequentem essas áreas. "Além disso, o monitoramento nos dá várias informações e possibilidades de atuação", diz Yara. "Podemos saber, por exemplo, quando uma das onças está próxima de locais com pessoas e implementar medidas de proteção adequadas. Também podemos saber se a onça está deixando o parque em direção a propriedades no entorno e adotar medidas para evitar a predação de animais domésticos". O monitoramento é feito por meio de dois métodos: armadilhas fotográficas e colocação de um colar com GPS nos animais. Desde 2009, oito animais já foram acompanhados dessa última forma. "Atualmente temos um macho com colar", conta Morato. "Agora estamos realizando um esforço de captura de mais quatro desses felinos". Em maio, por exemplo, foi realizada uma campanha de captura. "Foram 10 dias intensos", lembra Yara. "Após a instalação das armadilhas, elas são checadas a cada hora, 24 horas por dia, para reduzir o tempo que um animal capturado fique nela. Utilizamos o método de laço, que é considerado o mais seguro para a onça e para a equipe". Yara conta que, depois de muitos dias "de tentativas frustradas, pouco sono e muitos carrapatos", a equipe decidiu encerrar a campanha e retirar os laços. "Quando fomos pegar o último, para nossa surpresa (e total deslumbramento) tinha uma onça na armadilha", diz. "Pense em pesquisadores dando pulos ridículos de alegria na mata." O animal capturado foi o Croissant, um macho com cerca de 5 anos, que nunca havia sido pego antes. Foi ele que recebeu o colar, que possibilita acompanhar sua movimentação. O grande felino não sabe, mas pode estar ajudando a salvar sua espécie da extinção na Mata Atlântica. Uma das oncinhas não acompanhou a mãe e os irmãos e voltou para a mata; depois, pesquisadores reuniram o filhote com a família BBC/Thiago Reginato
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11/08 - Fabricante de agrotóxicos é condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a americano que teve câncer
A Justiça americana afirma que a Monsanto sabia que seu herbicida era perigoso; a empresa afirma que vai recorrer. Dewayne Johnson reage após veredito de tribunal na Califórnia, que condenou Monsanto a pagar R$ 1,1 bilhão Josh Edelson/Pool Photo via AP A companhia Monsanto, gigante da indústria química e do agronegócio, foi condenada pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer. O jardineiro Dewayne Johnson afirma que sua doença foi causada por herbicidas da empresa. Projeto de lei quer mudar legislação dos agrotóxicos no Brasil; entenda Em um caso emblemático, um tribunal do júri na Califórnia considerou que a Monsanto sabia que seus herbicidas "Roundup" e "RangerPro", que contém glifosato, eram perigosos e falhou em alertar os consumidores. O processo foi o primeiro alegando que agrotóxicos com glifosato causam câncer a ir a julgamento. A Monsanto nega que a substância esteja ligada à doença e afirma que vai recorrer da decisão. A Bayer AG, empresa farmacêutica que é dona da Monsanto, também nega que a substância seja cancerígena. O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo Benoit Tessier/File Photo/Reuters O processo é um de 5 mil casos similares em andamento nos EUA. Johnson foi diagnosticado com um linfoma em 2014. Seus advogados dizem que ele usava o agrotóxico "Ranger Pro", da Monsanto, em seu trabalho em uma escola na Califórnia. A decisão na Estado possivelmente vai levar a outras centenas de processos contra a Monsanto, que foi recentemente comprada pela alemã Bayer AG. Empresa estava mal intencionada, diz juri Depois de um julgamento de oito semanas, os jurados decidiram na sexta que a empresa estava "mal intencionada" e que seus herbicidas contribuíram "substancialmente" para a doença de Johnson. Dewayne Johnson, diagnosticado com câncer, abraça um de seus advogados após veredito de tribunal em San Francisco Josh Edelson/Pool Photo via AP O advogado de Johnson, Brent Wisner, disse que o veredito do júri mostra que as evidências contra os agrotóxicos são "esmagadoras". "Quando você está certo, é muito fácil ganhar", disse ele, que afirmou ainda que a decisão é apenas "a ponta da lança" de futuros processos. Empresa nega Em uma nota divulgada depois da decisão, a Monsanto diz que "empatiza com Johnson e sua família", mas que vai continuar a "defender vigorosamente seu produto, que tem um histórico de 40 anos de uso seguro". "A decisão de hoje não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos – e conclusões da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA e de agências regulatórias ao redor do mundo – baseiam a conclusão de que o glifosato não causa câncer, e não causou o câncer de Johnson", disse a empresa. A Bayer, dona da Monsanto, disse que o glifosato é seguro e nega que ele seja cancerígeno. Um porta-voz da Bayer disse à BBC que as empresas atuam de maneira independente. Em nota, a empresa afirmou: "A Bayer está segura, com base na ciência, nas conclusões de controladores do mundo todo e em décadas de experiência que o glifosato é seguro e não causa câncer se for usado como recomendado na embalagem". A controvérsia em relação ao glifosato está longe do fim Análise de James Cook, correspondente da BBC na América do Norte: As consequências dessa decisão serão sentidas muito além da sede da Monsanto, no Estado americano de Missouri. O glifosato é o herbicida mais comum do mundo e a discussão científica sobre sua segurança está longe de estar concluída. Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, parte da Organização Mundial de Saúde, concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno" para humanos. No entanto, a EPA (agência ambiental americana) continua a insistir que o glifosato é seguro quando usado com cuidado. Militantes questionam como a agência chegou a essa conclusão e afirmam que houve envolvimento da indústria da decisão do órgão regulatório. Alguns democratas chegaram a pedir que o Departamento de Justiça investigue um suposto conluio entre funcionário do governo e a Monsanto. Na Califórnia, onde um juiz recentemente decidiu que o café tratado com agrotóxicos precisa conter um alerta sobre câncer, o agronegócio entrou na Justiça para evitar esse tipo de alerta para o glifosato, apesar de o Estado listar a substância entre os produtos químicos conhecidos por causar câncer. Na Europa, a disputa em torno do glifosato também tem sido feroz. O presidente francês Emmanuel Macron está tentando banir a substância apesar da resistência do Legislativo e do fato de que a Comissão Europeia renovou por mais 5 anos a licença para que o herbicida possa ser usado na União Europeia.
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11/08 - 'Megatubarão': o que é verdade sobre tubarões pré-históricos
Megalodonte existiu, mas dificilmente teria sobrevivido às mudanças climáticas. Filme estreou na quinta-feira (9). Filme "Megatubarão" Reprodução/trailer O filme "Megatubarão" estreou na quinta-feira (9) no Brasil e conta a história de um megalodonte de dois milhões de anos, uma criatura gigantesca que habitava no fundo do Oceano Pacífico. Parece difícil de acreditar, mas os megalodontes existiram de fato. Dentes fossilizados encontrados em todo o mundo sugerem que as criaturas viveram entre 14 milhões e 2,6 milhões de anos atrás, mas não está claro por que eles foram extintos. No filme, a criatura é descoberta por cientistas após um ataque contra a estação de um programa internacional de observação submarina. A criatura de "Megatubarão" foi criada por computador, com base em uma grande pesquisa sobre a aparência do animal e com doses da criatividade do cinema. Um monstro O tubarão extinto era uma criatura gigantesca, alguns cientistas o consideram "um monstro". Os cientistas acham que o megalodonte pode ter crescido até 15 metros e poderia pesar até 50 toneladas (50.000 kg). Porém, a criatura de "Megatubarão" é descrita como um animal de 20 a 25 metros de comprimento, bem acima do tamanho real do megalodonte. Carcharodon megalodon, o nome científico da criatura, representa o maior peixe carnívoro que já viveu, segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, nos EUA. As informações sobre seu tamanho são extraídas de comparações com tubarões vivos e a relação entre o tamanho do dente e o comprimento total do corpo. Com base nessas informações, é possível estimar as dimensões gerais desse imenso animal. Um tubarão branco tem entre 5 e 6 metros de comprimento, por exemplo. Imagem do filme "Megatubarão" Divulgação Crível? Meghan Balk, do Museu Nacional de História Natural em Washington, disse em entrevista à revista "Science News" que os criadores do filme não fizeram um trabalho ruim na hora de pensar a criatura. Os megalodontes têm, corretamente, seis guelras - entre cinco e sete é preciso para tubarões em geral, diz ela. E a forma da barbatana dorsal é, apropriadamente, modelada segundo o grande tubarão branco, o mais próximo dos antigos tubarões. Além disso, um megalodonte do sexo masculino no filme ainda tem "claspers", apêndices sob o abdômen usado para manter uma fêmea durante o acasalamento. “Quando eu olhei para ele, eu estava tipo: 'eles fizeram um ótimo trabalho'. Eles não criaram apenas um tubarão aleatório ", diz Balk. Porém, Balk ressalta que o filme não levou em consideração questões evolutivas importantes. "Como o olho ficando maior para ver melhor ou ficar cego depois de alguns milhões de anos vivendo na escuridão do mar profundo", diz ela. Figura de megalodonte é exposta no Museu de História Natural de São Francisco Divulgação/MHNSF Alimentação em águas profundas No filme, os "megatubarões" sobreviveram despercebidos em águas extremamente profundas, a 11 mil metros da superfície. O ponto mais fundo do oceano de que se tem conhecimento fica a 10.971metros da superfície. Nesta profundeza seria difícil para os tubarões se alimentarem de animais grandes, como focas. Em regiões mais profundas do oceano, a cerca de 5 mil metros da superfície, existem espécies menores conhecidas por se agruparem em torno de fontes hidrotermais, incluindo camarões, caracóis e vermes tubulares. Os megalodontes - como os tubarões brancos modernos - comiam muitas coisas diferentes, de orcas a lulas. E os gigantescos tubarões no filme "precisariam comer muita lula", disse Balk. Ainda não se sabe como algumas espécies de tubarão conseguem viver em águas mais profundas, mas os que conseguem não costumam ultrapassar os 4 mil metros abaixo da superfície. E os animais que vivem em águas assim, como o tubarão-duende, tendem a ter o metabolismo bem mais lento que tubarões predadores. Extinção Não se sabe ao certo porque os megalodontes foram extintos. Uma possibilidade foi a mudança de temperatura das águas. O megalodonte, embora vivesse ao redor do globo, tendia a preferir águas mais rasas e mais quentes e usava as regiões costeiras como lugares para reprodução. Segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, a redução das temperaturas oceânicas no Plioceno pode ser uma razão para extinção do megalodonte. Outra possibilidade é que suas espécies favoritas de presas, como as baleias, começaram a migrar para águas mais frias, onde os gigantescos tubarões não poderiam viver. Imagem do filme Megatubarão Divulgação
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10/08 - ONG cria escultura de gelo em SP para pedir proteção a elefantes e evitar extinção
Escultura de gelo em forma de elefante feita pela Wildlife, em Nova York @amarula_official Quem passar neste domingo (12) pela Avenida Paulista, ali em frente ao shopping Center 3, vai ver uma escultura que representa um elefante de gelo de quase três metros de altura, com um coração imenso pulsando dentro dele. Foi este o jeito que a ONG internacional Wildlife escolheu para lembrar aos passantes que estaremos comemorando, internacionalmente, o Dia do Elefante. Mas a data não é festiva. Hoje, a cada 15 minutos, o planeta perde um elefante para a caça ilegal e, se este quadro não mudar, em 20 anos eles vão desaparecer da natureza. A escultura levou sete horas para ser esculpida, foi feita em iniciativa conjunta com a marca Amarula e, exposta à temperatura ambiente, é claro, vai se derreter. Assim será possível chamar atenção para a situação desses bichos, que tiveram a má sorte de terem nascido com presas de marfim, matéria que passou a interessar ao homem, que se transformou, assim, num de seus mais cruéis predadores. Esses animais são os maiores da atualidade e muito importantes para o ecossistema florestal: são capazes de dispersar sementes em um raio de 1km a 57km. Além da caça ilegal, o aprisionamento é outro problema que contribui para a extinção deles. Na América Latina, estima-se que cerca de 50 animais vivem em cativeiro, em condições precárias, e sofrendo maus tratos. Busquei conversar com Paula Kahumbu, diretora da Wildlife, a fim de trazer aqui mais informações sobre o desafio de cuidar desses e de outros seres selvagens num mundo que está sendo tão pouco respeitoso com o meio ambiente. Kahumbu é PhD em Ecologia (formada em Princeton), uma das mais reconhecidas conservacionistas da vida selvagem na África, e se tornou especialista em elefantes. Segue a entrevista, feita por mensagem eletrônica: Estamos vivendo um momento difícil e os impactos causados pela humanidade no meio ambiente estão se tornando cada vez mais graves, prejudicando milhões de pessoas e animais. Com secas, tufões e furacões, a vida selvagem também está danificada? Me conte um pouco mais sobre isso, por favor. Paula Kahumbu – As mudanças climáticas afetam as pessoas, exacerbam a pobreza. E a pobreza é, provavelmente, o maior inimigo da vida selvagem, uma vez que os pobres não têm muitas opções, eles usarão os recursos naturais de formas extremamente prejudiciais, como derrubar árvores para lenha ou matar animais para alimentação. Os elefantes precisam comer cerca de cem quilos de alimentos por dia - quando os territórios estão degradados, eles não podem sustentar os elefantes e esses animais começam a invadir fazendas, afetando as pessoas. Isso resulta em ferimentos e até mortes. Deve ser difícil informar as pessoas que vivem nas cidades sobre a vida selvagem. Esta é uma missão de sua organização. Fale um pouco sobre esse processo, por favor. Paula Kahumbu – É uma parte importante do nosso trabalho, que está mudando corações e mentes. Fazemos isso conectando pessoas à vida selvagem para que possam agir para salvá-las. Temos um programa chamado Wildlife Warriors, no qual recrutamos quenianos de todas as classes sociais e os treinamos. Existe alguma história interessante sobre o resgate de animais selvagens em situações de perigo que você poderia nos contar? Paula Kahumbu - Os elefantes nunca deixam de surpreender e de me maravilhar. E a maioria das pessoas ouve sobre as histórias reconfortantes de salvar pequenos elefantes fofinhos. Mas, em 2014, eu estive diretamente envolvida no salvamento de um tusker (um dos maiores tipos de elefante) e minha diretoria se reuniu no Quênia para isso. Nós os levamos para o Parque Amboseli, que abriga os elefantes mais bem estudados do mundo. Havia um indivíduo particularmente raro, Tim, um gigante Super Tusker, com presas tão grandes que acreditávamos que ele era o maior elefante da Terra. Durante a reunião, recebemos uma ligação dizendo que Tim estava por perto e fomos vê-lo. Ele estava sozinho e estava se alimentando de uma palmeira alta e, enquanto o observávamos, ele começou a andar e pudemos ver que ele estava mancando. Logo ficou óbvio que ele estava com muita dor. Ele teve uma lesão na coxa esquerda. Nós relatamos isso e ele foi tratado - sua ferida foi causada por uma lança que atiraram nele porque estava atacando fazendas próximas. A ferida poderia tê-lo matado, e decidimos que precisávamos protegê-lo. Levamos dois anos para obter permissão e apoio para colocar um colar de rádio em Tim. Foi um dia muito grande quando enfrentamos o Tim. Ele estava com seus parentes: Craig, que temos certeza de que deve ser seu irmão - pois eles são muito parecidos - e seu sobrinho Townsend. Tim não fugiu da equipe, fomos até ele e seus amigos ficaram para trás. Eles estavam muito agitados e chateados com o que estava acontecendo com Tim, nós pudemos perceber isso. Nós o sedamos e, quando ele começou a cair, os parentes se viraram e fugiram. Era como se ele tivesse dito para eles irem embora. Levou apenas algumas horas para colocarmos a coleira, e logo ele estava de pé novamente: olhou-nos, balançou a cabeça e depois se afastou. Horas depois, fomos procurá-lo para ter certeza de que ele estava bem e não conseguimos encontrá-lo. Mas vimos Townsend e Craig andando rapidamente, quase correndo, em uma direção específica. Eles estavam claramente sendo chamados por Tim, que estava a muitos quilômetros de distância. Nós os seguimos até encontrá-lo em pé sob uma árvore de acácia, balançando as orelhas gentilmente. Eles ficaram parados ali. Então, muito lentamente, Townsend se aproximou de Tim, cumprimentou-o num estilo típico de saudação de elefantes, tocando seu rosto. Tim ficou parado enquanto Townsend inspecionava o novo colar e era realmente óbvio que Tim queria que Townsend visse que tudo estava bem. Depois que Townsend inspecionou o colar, Craig se aproximou e deu uma olhada, antes que os três se afastassem. O colar do rádio está salvando Tim porque podemos rastreá-lo e mantê-lo fora das fazendas. Mas não esperávamos que ele compreendesse que nossa intenção era boa. Hoje estou convencida de que Tim já tem amigos que o protegem e isso foi além das nossas expectativas. O site da sua organização traz um episódio de remoção de rinocerontes que deu errado. Você pode dar mais detalhes? Paula Kahumbu - Fazia parte de um exercício administrativo, e deu terrivelmente errado. Todos os onze rinocerontes que foram movidos morreram. Nós ainda estamos esperando detalhes do que deu errado e como o governo do Quênia vai garantir que isso nunca aconteça novamente. Os quenianos estão profundamente chateados e ainda estão sofrendo com essa perda. Você tem números que mostram quantos animais selvagens já foram perdidos devido à caça ilegal? Paula Kahumbu - No Quênia, a caça ilegal de elefantes diminuiu em quase 90% e menos de cem elefantes morrem a cada ano devido a essa prática. Mas em toda a África os números ainda são altos - os últimos dados sugerem que estamos perdendo um elefante a cada 15 minutos, ou 96 por dia. Por conta da atuação da WildLifeDirect, em 2016 e 2017, 217 pessoas foram presas no Quênia por acusações relacionadas à posse de marfim e tráfico de marfim. Em 2016, um dos mais infames traficantes de marfim do Quênia, envolvido em uma apreensão de mais de 2 toneladas, foi preso por 20 anos graças ao nosso trabalho. Nós nos concentramos nos principais traficantes e estamos atualmente trabalhando em nove casos no Quênia. Nosso trabalho inclui aumentar a gravidade desses crimes chamando a atenção da mídia e ajudando os promotores a apresentar acusações de crime organizado que permitem a apreensão de bens e o congelamento de contas bancárias. Como uma notícia como a do Rei da Espanha, que foi à África só para caçar elefantes afeta o trabalho de ONGs como a WildlifeDirect? Você acha que precisa de mais envolvimento de celebridades? Paula Kahumbu - Há boas evidências de que as pessoas aprendem seus valores morais com seus líderes. Quando os líderes violam as leis ou se envolvem em atividades como a caça, enviam uma mensagem para seu povo e prejudicam o trabalho de organizações que estão tentando desenvolver o interesse mundial pela compaixão pelos elefantes. Os reis sempre deram um mau exemplo, com o hábito de caçar para curar o estresse. Quando este hábito deixou de ser um lazer para ser visto como uma desumanidade? Paula Kahumbu - A caça é ilegal no Quênia, embora nosso país colônia, a Grã-Bretanha, tenha sido de grandes caçadores. Os quenianos sentiram que era um insulto às nossas tradições e culturas matar nossos animais por prazer. Ainda há muitos países que promovem a caça, mas, apesar de todo o dinheiro que pode ser ganho, isso está mudando. A mudança é gradual, mas ocasionalmente há grandes questões que surgem. Quando um dentista americano atirou em um leão chamado Cecil no Zimbábue, por exemplo o efeito foi sentido em todo o mundo. Yuval Noah Harari, o historiador do "Homo Sapiens", disse em seu livro que a humanidade nunca terá uma trajetória livre de problemas enquanto tratar os animais como se fossem inferiores. Você concorda? Paula Kahumbu - Sempre teremos pessoas neste planeta que vão comer carne de animais. Harari está certo: devemos aceitar o fato de que os seres humanos são apenas uma das muitas espécies no planeta Terra e que, como tal, não temos um lugar especial.
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09/08 - Orca está há 17 dias carregando filhote morto e preocupa biólogos
Pesquisadores se preocupam que animal não esteja se alimentando corretamente. Animal foi avistado próximo a Seattle, nos EUA, na quarta-feira, 8. Orca carrega seu filhote morto em imagem feita no dia 24 de julho. No dia 8 de agosto ela foi vista novamente, ainda carregando o filhote morto. Michael Weiss/Center for Whale Research via AP Tahlequah, a mãe orca também conhecida como J35, foi vista na tarde de quarta-feira (8), ainda carregando seu filhote morto. Ela está há 17 dias consecutivos carregando o corpo do filhote. "Estou absolutamente chocada e de coração partido", disse Deborah Giles, pesquisadora do Centro de Biologia da Conservação da Universidade de Washington e diretora de pesquisa da Ong Wild Orca ao jornal "Seatlle Times". “Estou chorando. Não posso acreditar que ela ainda esteja carregando seu filhote ”, disse Giles, acrescentando que está muito preocupada com a saúde e o bem-estar mental de J35. Os pesquisadores se preocupam que o animal não esteja se alimentando corretamente. "Mesmo que sua família esteja procurando e compartilhando peixes com ela, J35 pode não estar recebendo a nutrição que precisa para recuperar qualquer perda de massa corporal que teria ocorrido naturalmente durante a gestação de seu feto e também perda adicional de nutrição durante essas semanas de luto", explicou Giles. Michael Milstein, porta-voz da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), disse que Tahlequah foi flagrada por volta das 13h30 no dia 8 de agosto por pesquisadores da Fisheries Oceans Canada. Ela estava junto com toda a sua família ao largo da costa da Península Olímpica. Grupo corre perigo de extinção Estas orcas residentes do sul do Canadá e dos Estados Unidos correm risco de extinção. Elas dependem para alimentação do salmão-rei, que esteve em grave declínio nos últimos anos. A comunidade, que tem cerca de 75 indivíduos, é frequentemente encontrada perto da ilha de Vancouver, no Canadá, e nas águas marítimas do Estado de Washington, nos EUA. Pesquisas indicam que só cerca de um terço das orcas nascidas nos últimos 20 anos sobrevivem. Segundo o centro, nenhuma gravidez nos últimos três anos produziu um filhote que tenha sobrevivido. Luto sem precedentes Enquanto orcas e outros animais, incluindo golfinhos e gorilas, são conhecidos por carregar seus mortos, Tahlequah é um caso extraordinário. "Isso é absolutamente sem precedentes", disse Jason Colby, historiador da Universidade de Victoria e autor de um novo livro sobre baleias assassinas e a sua captura. "Parece que ela está em um ciclo perigoso, e que ela não pode sair sozinha. Quem sabe quanto tempo ela passou sem se alimentar antes disso", disse Colby. Ken Balcomb, diretor fundador do Center for Whale Research, chamou a situação de Tahlequah de “trágica". Ele disse que espera que a situação estimule uma mudança fundamental, como derrubar as represas do rio Lower Snake River para aumentar as corridas de salmão. Orca doente no grupo J50, a orca doente de 3 anos e meio na mesma família também foi vista, junto com sua mãe, J16. A NOAA montou um plano de resgate de emergência para a jovem baleia J50, que está muito magra e também pode ter uma infecção. A agência submeteu a papelada na quarta-feira à tarde para que as autoridades canadenses possam considerar a intervenção médica para a baleia em águas canadenses, se necessário, incluindo uma injeção de antibióticos. Todas as autorizações já foram pedidas para intervir nas águas de Washington, inclusive com um possível plano de alimentação de emergência. As equipes estão prontas para fornecer peixes vivos para J50 se for determinado em uma avaliação de saúde que tal intervenção faz sentido. As baleias estavam muito longe no final do dia para tentar uma avaliação de saúde na tarde de quarta-feira, disse Milstein.
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09/08 - Como reverter notícias ruins sobre o clima em boas perspectivas sobre o cenário do futuro
Menina se refresta em fonte de Budaeste, na Hungria, nesta quarta-feira (28); mudanças climáticas tiveram papel em onda de extremo calor na Europa no mês de junho Lajos Soos/MTI via AP Coragem! Lá vem notícia ruim sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a humanidade. Um estudo coletou séries temporais diárias históricas de temperaturas média em 412 comunidades dentro de 20 países em períodos que variaram de 1º de janeiro de 1984 a 31 de dezembro de 2015, e fez a comparação com o impacto das ondas de calor na humanidade. O que foi descoberto é que as temperaturas elevadas têm causado muitas mortes, sobretudo em países que ficam em regiões tropicais, próximo ao Equador. Pessoas vão morrer menos de calor, no futuro, em países europeus - que estão atravessando um verão dos mais quentes - e nos Estados Unidos. Mas as notícias não são boas para o Brasil, neste sentido. O estudo foi considerado dos mais abrangentes sobre o tema pelos especialistas do Observatório do Clima. Os pesquisadores buscaram refletir, basicamente, tomando por base três premissas: as ondas de calor podem causar um impacto significativo na saúde da população em todo o mundo, incluindo um aumento na mortalidade e morbidade; haverá um aumento na frequência e severidade das ondas de calor no futuro em todo o mundo por causa das mudanças climáticas e as evidências sobre os impactos das mudanças climáticas na mortalidade relacionada à onda de calor em escala global são (ainda) limitadas. Para nós brasileiros, a pior notícia ainda está por vir: os 39 cientistas de todo o mundo que fizeram o estudo puseram o Brasil no terceiro lugar num cenário bem pessimista sobre os impactos das ondas de calor sobre os humanos. Por isso, dizem os pesquisadores, é preciso levar a sério uma linda de adaptação às alterações climáticas e uma política de mitigação (dos impactos) cada vez mais rigorosa para reduzir as emissões. “As ondas de calor podem causar um impacto significativo na saúde da população, incluindo um aumento na mortalidade e morbidade. Uma série de grandes eventos de ondas de calor ocorreram na última década, muitos dos quais tiveram efeitos devastadores. Por exemplo, as ondas de calor europeias no verão de 2003 foram responsáveis pela morte de dezenas de milhares de pessoas. As ondas de calor russas de 2010 mataram cerca de 55 mil pessoas. É importante ressaltar que as ondas de calor têm um impacto maior na mortalidade ou morbidade do que o número relatado de mortes ou casos devido à doença clássica do calor (por exemplo, termoplegia, insolação, cãibras e síncope), porque as ondas de calor também induzem o surgimento de doenças cardiovasculares, respiratórias e diabetes. Assim, ondas de calor são um problema crítico de saúde pública”, alertam os pesquisadores no texto de apresentação da pesquisa. Só no Brasil, os pesquisadores avaliaram 3,4 milhões de mortes de 1997 a 2011 e sua potencial relação com ondas de calor para fazer a projeção. Eles fazem projeções em um cenário bem pessimista, se nada for feito para frear ao menos um pouco as emissões de gases do efeito estufa, em que as mortes causadas por calor, aqui no Brasil, sofreriam um acréscimo de cerca de 850%. O crescimento populacional também é levado em conta. Mas, se tudo correr bem, ou seja, se o país conseguir investir em políticas públicas que levem à redução do uso dos combustíveis fósseis, à redução do desmatamento e à preservação de animais, por exemplo, este percentual pode baixar para cerca de 300%. No site do Observatório do Clima, há sugestões sobre como o país poderia investir: “Para evitar uma elevação maior nessa taxa seria preciso investir em medidas diversas de adaptação. Entre elas estão: preparar o sistema de saúde para o problema, instalar mais bebedouros públicos, educar a população para os riscos, elevar a renda das populações mais pobres para permitir compra de ar condicionados, criar sistemas de alerta e outras medidas. Ainda assim, o país veria um aumento médio de 82% nas mortes relacionadas a ondas de calor, no cenário pessimista. Para além dessas medidas, o número só diminui se a população do país crescer menos”. Entramos assim no paradoxo que se torna cada vez mais constante em nossa era. Quanto mais aparelhos de ar condicionado ligados, mais emissões de gases poluentes estarão sendo lançadas para a atmosfera. Isso quer dizer, na visão de cientistas focados em estudos sobre o efeito estufa, que estaremos assim colaborando mais para as mudanças climáticas, os eventos extremos, calamidades etc, etc, tudo isso que quem acompanha o assunto, neste e em outros espaços, já sabe até de cor e salteado. A sensação de impotência que pode surgir a partir dessas e de outras informações importantes sobre o futuro da nossa espécie aqui no planeta, porém, pode ir se transformando se dedicarmos parte do tempo a criar possibilidades de viver sempre de um modo diferente. Hoje (8), pela manhã, investi um tempo maior do que o costume lendo uma mensagem na minha caixa de correios, da ONG Worldwatch Institute, justamente porque no texto, que me convidava a fazer doações para a organização, havia uma pergunta sobre o futuro, que costumo me fazer sempre quando estudo e escrevo sobre o aquecimento, as mudanças, os impactos disso em nossas vidas. Eis uma visão bem otimista sobre como será este tempo por vir, segundo os membros dessa organização fundada em 1974 pelo ambientalista e escritor Lester Brown (autor de “Plano B 4.0”) : “Transporte, aquecimento, resfriamento e iluminação não precisarão mais de combustíveis fósseis. Os produtos de consumo não farão mais uma viagem só de ida da matéria-prima para o aterro: as cadeias de suprimentos circulares vão reutilizar os bens naturais indefinidamente. A produção de alimentos deixará de sobrecarregar o solo e a água e de ameaçar a biodiversidade: a agricultura reconstruirá solos. As cidades serão altamente eficientes e funcionarão quase sem pegada de carbono”. Neste cenário, talvez seja mesmo mais fácil tentar conter mortes por fortes ondas de calor, já que estaremos trabalhando com cuidados especiais, fazendo contato com o ambiente ao redor e não fechando os olhos para tudo o que vem dele que não seja rentável. A turma de Lester Brown acredita em energia renovável, aposta em alimentos nutritivos e em expansão de empregos justamente porque será preciso muita gente para participar desse exército em prol do melhor ambiente e da melhor qualidade de vida. Viram? Conseguimos, assim, reverter uma notícia que poderia apenas ser pessimista, numa reflexão que pode fazer parte, por exemplo, de uma próxima conversa com seu filho adolescente, caro leitor. Quem sabe ele não resolve começar agora a estudar uma das especializações que ajudam a mudar um quadro sombrio como o descrito neste estudo. Afinal, é com essa geração que contamos para engrossar as fileiras dos profissionais que nos ajudarão a viver melhor, mesmo em condições nem tão boas. Amélia Gonzalez Arte/G1
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09/08 - Ondas de calor serão mais intensas e já refletem o aquecimento global
Especialistas alertam para consequências de aumento de temperatura na Terra. Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa Philippe Huguen/AFP O calor escaldante que tomou conta da Europa nesse verão traz o assunto do aquecimento global para o centro do debate. Para o diretor de pesquisa do Laboratório Francês de Ciências do Clima e do Meio Ambiente, Robert Vautard, estamos entrando numa nova era climática, da qual conhecemos a causa. “O que nós sabemos agora é que a amplitude das ondas de calor que estamos tendo na Europa, mas não só na Europa, está relacionada às mudanças climáticas”.   Se cada evento extremo separado não pode ser diretamente relacionado ao aquecimento global, segundo os cientistas é possível mostrar que a frequência deles vem aumentando. Na França, foram batidos vários recordes de temperatura. Portugal, registrou máxima de 46,8 graus. Nos Estados Unidos, ainda que as queimadas sejam comuns nessa época, o fogo dessa vez foi mais intenso. Um território equivalente ao tamanho de Los Angeles foi destruído. Em Palm Springs, os termômetros bateram os 50 graus. No Quebec, Canadá, sensação térmica de 45 graus. A Suécia teve o verão mais quente dos últimos dois séculos. E o Japão registrou 80 mortos pelas altas temperaturas. Um cenário que tende a se repetir, segundo Carlos Rittll, diretor-executivo do Observatório do Clima. “Mudanças climáticas estão tornando um evento que seria ocasional, de fato mais intenso. Inclusive estudos recentes mostram que as ondas de calor tendem a se tornar mais fortes e mais frequentes. Na própria Europa a gente poderia ter ondas de calor todos os anos, por exemplo". A Terra 1 grau mais quente O aquecimento acentuado da Terra é observado numa escala secular, de temperatura e clima. Os registros começaram em meados do século dezenove. E as mudanças observadas, a partir de 1950, não tem precedentes. O instrumento usado para medir o sistema do clima no planeta leva em consideração medições de temperatura na superfície da terra e dos oceanos. Milhares de estações meteorológicas fornecem os dados, em todo o mundo. A atividade humana é um elemento central do problema, como explica Carlos Nobre, pesquisador-colaborador do Instituto de Estudos Avançados da USP. “Hoje, o planeta em geral está um grau mais quente do que cem anos atrás. Isso é mudança climática. Isso é causado pela ingestão de gases de efeito estufa que nossa sociedade moderna colocou na atmosfera e a atmosfera não está conseguindo se livrar de todo o excesso de gases de efeito estufa que nós colocamos". A maior contribuição do homem para o aquecimento global é a emissão de gases como o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Em Paris, veículos mais antigos, que poluem mais, foram proibidos de circular. Num futuro não tão distante teremos uma Terra mais quente, com situações de descontrole e perigo para muitos, apontam descobertas recentes da Universidade de Copenhagen. Estudo publicado no dia 6 de agosto, em parceria com a Universidade Nacional da Austrália e do Instituto de Pesquisa de Potsdam, sobre os efeitos das mudanças climáticas na Alemanha, mostra que a Terra poderá se transformar numa espécie de forno. E isso "em apenas algumas décadas", alertam os cientistas, que destacam a importância da transição para uma economia mais sustentável. Consequências drásticas Além de mexer nas temperaturas, o aquecimento global pode ter outros efeitos perversos, que vão exigir adaptação, lembra Carlos Rittll. “Como que a gente lida com a projeção de elevação do nível dos oceanos, o que tem que se fazer com a infraestrutura costeira, para proteção das populações que vivem próximas à costa? O que a gente precisa fazer com ondas de calor, mas também ondas de frio, tempestades mais frequentes e mais fortes, multiplicação de doenças”. A França toma liderança na questão do clima. O objetivo, agora, é cumprir o acordo firmado em Paris, durante a Cop 21. A conferência do clima da Organização das Nações Unidas, de 2015, aprovou metas ambiciosas. De acordo com o painel intergovernamental de mudanças climáticas (IPCC) o ideal seria que aquecimento do planeta ficasse abaixo de 2º graus celcius em comparação a níveis pré-industriais, período considerado anterior à interferência do homem sobre o clima. Com esforços para limitar em até 1grau e meio. Paris foi o primeiro pacto, desde o protocolo de Kyoto, a propor um compromisso geral com a redução das emissões de gases de efeito estufa. Antes, somente os países ricos tinham esse compromisso. Os governos se comprometeram através das INDCs, (contribuições pretendidas nacionalmente determinadas), que vão vigorar de 2020 a 2030. Mas talvez esses esforços já não sejam suficientes, alerta o diretor do Observatório do Clima. “As metas assumidas por todos os países que negociaram o acordo, em 2015, se elas forem cumpridas na sua integridade, ao longo desse século a temperatura aumentaria acima de três graus, ou seja, a conta do clima não fecha, os países tem que fazer mais, precisam aumentar o seu grau de ambição climática, têm que cortar mais suas emissões ao longo do tempo para colocar as emissões globais numa trajetória que permita limitar o aquecimento global bem abaixo de dois graus e, se possível, um grau e meio”.   Melhorar o manejo do solo, mudanças nas práticas agrícolas, plantio de árvores e reduzir o desmatamento deveriam ser condutas urgentes.    Porém, apesar de parecer uma luta óbvia, o combate ao aquecimento global não é tratado como prioridade por alguns governos. Como o caso dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção de abandonar o Acordo do Clima. “Os padrões de produção e consumo estão baseados em algo que é insustentável. Muitos países se desenvolveram com base na queima do carvão, do petróleo e gás natural. A gente tem que se valer de outros caminhos e de outras fontes de energia como as energias renováveis", ensina Carlos Rittll.   Paris envia um sinal poderoso para os mercados de que é o momento de investir em uma economia de baixo carbono e promover a evolução de sua dependência aos combustíveis fósseis. Um novo salto de prosperidade dependerá de planejamento e mudanças imediatas.  
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08/08 - O dia em que ursos dançarinos descobriram a liberdade
Tradição de vários séculos na Bulgária, artistas de rua forçavam ursos a dançar, usando métodos cruéis; após pressão popular, a prática foi proibida em 1998 e os ursos, libertados. Em 1998, a prática de ursos dançarinos foi proibida, e a espécie ficou sob proteção Reprodução/BBC Forçar ursos a dançarem era uma tradição da mais de 300 anos na Bulgária. Não era incomum encontrar um animal gigante desses nas praças de Sofia, capital do país, acompanhado do dono e mexendo as patas ao som de música instrumental. Confira o vídeo. Mas o modo de ensinar os bichos a "dançar" era cruel. "Pegavam o filhote e o colocavam numa plataforma de metal bem quente, quente como fogo. Passavam vaselina nas patas deles, para que não queimassem. E eles repetiam isso várias vezes até que o urso se acostumasse a mexer as pernas sempre que ouvisse a música", contou à BBC News o veterinário Amil Khalil. Segundo ele, muitos desses animais eram "alcoólatras". Os donos os forçavam a beber, junto com eles, para que aguentassem a longa jornada de "trabalho" diário. "Encontrei donos bebendo uísque, vodca ou cerveja com seus ursos. Às vezes, bebiam 11 garrafas de cerveja por dia", diz Khalil. Em 1998, a prática foi proibida, e a espécie ficou sob proteção. Mas havia dúvidas sobre como reabilitar os ursos. "Eles não tinham como sobreviver sozinhos, então não podíamos soltá-lo na natureza", afirma Khalil. O veterinário ajudou a construir um refúgio para os animais. Não há mais ursos dançarinos na Bulgária. O último deles foi resgatado em setembro de 2007.
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08/08 - Onça parda que foi atropelada volta à natureza depois de nove meses
Animal que se recuperava de cirurgia no Zoológico Municipal de Rio Preto (SP) foi solto em área de preservação. Onça parda é solta em área de preservação em Paulo de Faria (SP) Marcos Morelli/ SMCS Uma onça parda voltou para a natureza nesta terça-feira (7) depois de passar nove meses em recuperação no Zoológico Municipal de São José do Rio Preto (SP), após ser atropelada em uma rodovia na região de Barretos (SP). Durante o tratamento em Rio Preto, o animal precisou passar por uma cirurgia e agora foi solto em uma área de preservação ambiental fechada na região de Paulo de Faria (SP). De acordo com o veterinário do zoológico Bernard Von Shimonsky, a onça foi libertada pesando 55 quilos, em ótimas condições de saúde e têm grandes chances de se readaptar à vida selvagem. Entenda o caso A onça foi resgatada na região de Barretos, após ter sido atropelada por um veículo no dia 6 de novembro de 2017. O animal passou por tratamento em um hospital veterinário de Rio Preto e precisou até de uma cirurgia para a colocação de placa de fixação e pinos de aço cirúrgico. Depois ela foi transferida para o Zoológico Municipal. Segundo o veterinário, a recuperação do animal foi mais lenta por ele já ter 15 anos. Após sete meses da cirurgia e, completamente recuperada, a onça finalmente voltou para a natureza. Onça parda volta à natureza depois de ficar nove meses em zoológico de Rio Preto (SP) Ivan Feitosa/ SMCS Onça durante o transporte para a área de preservação ambiental onde foi solta Ivan Feitosa/SMCS Veja mais notícias da região no G1 Rio Preto e Araçatuba
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07/08 - A estudante americana que escolheu crocodilo como parceiro de foto de formatura
Uma estudante universitária dos EUA garantiu que seu álbum de formatura seja inesquecível. Ela posou para fotos, usando a tradicional faixa e chapéu de formatura, ao lado de um jacaré de quatro metros. Aos 21 anos, Makenzie Noland trabalha em um centro de salvamento de animais Makenzie Noland/Divulgação Makenzie Noland, de 21 anos, é aluna da Texas A&M University e se formou na última sexta-feira em ciências da vida selvagem e da pesca. Ela estava estagiando em um centro de salvamento de animais, em Beaumont, que abriga cerca de 450 jacarés, crocodilos e outros répteis. Mas quem roubou a cena foi Big Tex - um jacaré gigante que foi adotado em 2016, depois que a superalimentação o transformou em um transtorno para os barcos locais. Noland e Tex desenvolveram um relacionamento especial desde que ela começou a trabalhar no centro, em maio deste ano. estudante diz que ele responde pelo nome e reage aos sinais da mão dela, quando entra na lagoa para alimentá-lo. "Eu entro na água com esse animal todo dia - é um dos meus melhores amigos lá!", conta a estudante à BBC, ignorando a pergunta sobre se teria medo. Ela diz que estava mais preocupada que o animal comesse acidentalmente seu anel de formatura - em uma das fotos, o jacaré aparece com o anel em cima das narinas. Noland diz que estava mais preocupada que o animal comesse acidentalmente seu anel de formatura Makenzie Noland A jovem cresceu em Bellevue, no Nebraska, onde encontrar um jacaré no jardim não é algo comum, mas sempre mostrou afinidade com os animais. "Desde mais nova, eu estava sempre pegando cobras, segurando animais, conversando com as crianças e educando o público", afirma Noland, declarando seu amor pela vida selvagem. Inicialmente, ela pretendia que a formatura servisse de vitrine para o trabalho que ela vem fazendo neste verão. "Na verdade, não queremos ter que resgatar esses animais, queremos que eles vivam nos rios e canais nas áreas pantanosas", diz ela sobre o centro Gator Country, onde trabalha. Noland diz que sente uma descarga de adrenalina na água e se refere ao jacaré como 'estrela do show' Makenzie Noland "Mas já que ele está com a gente, é um exemplo maravilhoso de como é treinar um animal e descobrir sua personalidade. Eles são criaturas maravilhosas - não são todos devoradores de pessoas!" Noland diz que ficou impressionada com a repercussão de seus posts, que já foram compartilhados e curtidos centenas de vezes. "Eu não estava esperando isso, só queria postar umas fotos engraçadas no Instagram. Tem sido incrível." Ela espera continuar trabalhando com vida selvagem depois de se formar. "Eu só quero estar inserida no mundo animal e educar o público a respeito", diz ela.
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07/08 - As impressionantes ilhas de algas que ameaçam os mais badalados destinos do Caribe
Em movimento atípico, toneladas de algas estão chegando à costa da Península de Yucatán e a ilhas caribenhas; além de afetar o turismo - quem gosta de tomar banho em um mar cheio de algas? - traz riscos para o meio ambiente. A presença das algas mudou um dos aspectos mais famosos das praias caribenhas: as águas cristalinas Marta Garcia Algumas costas de países do Caribe famosas pelas praias paradisíacas com águas límpidas azul-turquesa estão tendo sérios problemas para corresponder à essa imagem e não decepcionar turistas. Nas praias, tampouco se vê a areia branca - elas estão cobertas por um material marrom, pegajoso e malcheiroso. Sem falar da experiência do banho no mar, que perde toda a graça. Embora seja o que mais chame a atenção, esse cenário talvez nem seja a pior parte do problema. A paradisíaca Riviera Maya do México e várias ilhas do Caribe tiveram suas costas invadidas por sargaço - um gênero de alga castanha, que este ano chegou em quantidades sem precedentes a algumas das praias mais famosas do mundo. Sistemas de monitoramento mostram "ilhas" de sargaço de vários quilômetros de extensão que se aproximam das costas. As regiões de Cancún, Quintana Roo e Playa del Carmen, no México, bem como as ilhas de Bonaire, Antígua e Barbuda e Guadalupe estão entre as áreas afetadas. Entre 29 de junho e 31 de julho, por exemplo, nas praias de sete municípios de Quintana Roo, foram coletados 119 mil metros cúbicos de sargaço, segundo autoridades locais. O problema foi tão incômodo que obrigou um resort em Antígua a fechar as portas até 30 de setembro. Quando o sargaço morto se acumula na praia entra em decomposição e gera um mau cheiro que tamém tem afastado os turistas Marta Garcia Para alguns especialistas, além de afetar consideravelmente o turismo - e a economia da região - esta "invasão" atípica tem potencial de se tornar uma "catástrofe ambiental", na avaliação da diretora do Laboratório da Marinha Botânica da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Brigitta I. van Tussenbroek. Mas o que é sargaço? O sargaço é uma alga flutuante que "viaja" à deriva impulsionada pelas correntes oceânicas. Funciona como uma "ilha" viva que serve de alimento e casa para várias espécies marinhas. Tradicionalmente, esta alga começa sua vida no Golfo do México e é empurrada pelas correntes até o Atlântico Norte, onde flutua no Mar dos Sargaços, perto das ilhas Bermudas. Desde 2011, no entanto, cientistas detectaram a criação de um novo "mar de sargaço" entre as costas da África e do Brasil, que é de onde vêm as algas que agora estão chegando ao Caribe. Existem registros das ilhas de sargaço há séculos, mas em 2015 foi registrada uma chegada atípica deles à costa - e ela continua. A partir de março deste ano também foi identificado que sua presença aumentou na área. Segundo especialistas, o aumento atípico da presença de algas pode estar relacionado, por exemplo, a mudanças climáticas Marta Garcia O Laboratório de Botânica Marinha da UNAM calcula que a quantidade de sargaço que chegou em 2015 já foi duplicada em 2018 e prognósticos mostram que esse movimento poderá se prolongar até outubro. Por que aumentou? Os especialistas não sabem ao certo a que se deve o aumento do sargaço, mas eles têm várias hipóteses. Uma delas tem a ver com o aumento da temperatura das águas, causado pelas mudanças climáticas. Outra possibilidade é o aumento de nutrientes na água, o que favorece o crescimento das algas. Haver mais nutrientes parece bom, mas não é. A água cristalina do Caribe se deve, na verdade, ao fato de possuir poucos nutrientes. Mas a atividade humana está levando fertilizantes poluidores até ela e esses produtos desequilibram o ecossistema. Esse aumento de nutrientes faz com que o sargaço se expanda mais rapidamente. De acordo com estimativas de laboratório, o sargaço que está sob monitoramento tem a capacidade de dobrar seu peso em apenas 18 dias. Catástrofe ambiental Além de afastar os turistas, especialistas alertam que a chegada maciça do sargaço pode criar uma catástrofe ambiental. O problema é que sua presença impede que a luz chegue a águas mais profundas, o que dificulta a fotossíntese de outras plantas - ou seja, o processo pelo qual produzem a energia necessária para sobreviver. Essa presença maior também reduz a quantidade de oxigênio na área. Isso se traduz na mortalidade de pastos marinhos, corais e também da fauna. Além disso, quando o sargaço morto se acumula na praia, produz gases que, em altas concentrações, podem afetar as pessoas. Como lidar com o sargaço? "Se não forem adotadas ações coordenadas para impedir que grandes quantidades de sargaço cheguem às praias do Caribe mexicano, há o risco de as águas azul-turquesa e as praias brancas deixarem de existir em poucos anos", alerta o Laboratório de Botânica Marinha da UNAM. Várias lições sobre como lidar com o sargaço foram aprendidas após as invasões mais recentes. E, em alguns casos, existem orientações sobre como removê-lo. Em Barbados, por exemplo, os tratores usados ​​para carregar cana-de-açúcar em caminhões têm se mostrado bons para recolher o sargaço sem retirar a areia das praias. Em Guadalupe, uma empresa desenvolveu um barco que recolhe o sargaço com um sistema de correia transportadora. No México, foi criado um comitê composta por entidades governamentais e o setor privado para discutir formas de coletá-lo e removê-lo de forma segura. Uma de suas estratégias é instalar barreiras dentro do mar, semelhantes às que são usadas para deter derramamentos de petróleo. Mas também há quem tente, por sua vez, encontrar um uso comercial para a presença maciça das algas na área. Em Barbados, está sendo desenvolvido um projeto para transformar as algas em fertilizantes e, no México, um grupo de jovens tem transformado o sargaço em produtos ecologicamente corretos.
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06/08 - Estudo mostra que planeta pode virar uma estufa e que não há muito mais a se fazer para evitar
Estamos num limite muito perigoso, prestes a empurrar o planeta para um aquecimento contínuo, uma espécie de “Estufa Terrestre”, mesmo se e quando as emissões de gases poluentes forem reduzidas. Esta é a conclusão de mais um estudo de cientistas que empregaram seu tempo para pesquisar as mudanças climáticas, consideradas por eles “uma das questões mais existenciais da Ciência hoje”. O resultado foi publicado no jornal “Proceedings of the National Academy os Sciences of the United States of America" e reproduzido no “The Guardian” . O estudo está sendo divulgado em meio a uma forte onda de calor que está alarmando a Europa, onde houve a ameaça de que as temperaturas chegassem a 48 graus no fim de semana que passou. Mas, se a um só tempo é extremamente importante que se dê atenção a mais um alerta gigante feito por quem entende e sabe das coisas no mundo do clima, por outro pode ser apenas “mais um estudo”, que vai ganhar um nicho de “coisas para lembrar depois” em vez de ser capaz de nos fazer mudar de hábitos. Este é o perigo. Tem detalhes novos neste relatório, como por exemplo a descoberta de que o aumento das chuvas – um sintoma das mudanças climáticas – está tornando mais difícil para os solos das florestas capturarem gases do efeito estufa. Atualmente, as temperaturas médias globais estão um pouco acima de 1C dos níveis pré-industriais e subindo a 0,17C por década. O acordo climático de Paris estabeleceu ações para manter o aquecimento limitado a 1.5 a 2 graus até o final do século, mas os autores do estudo alertam que medidas mais drásticas podem ser necessárias. E dão como exemplo, justamente, o calor danado que está assolando a Europa. Pode ser muito pior nos próximos anos, caso a temperatura da Terra fique 1.5 graus mais alta. Pois então... o que fazer? Gosto da provocação de Naomi Klein, jornalista canadense, autora de vários livros sobre o tema, entre eles “This Changes Everything” e “The Shock Doctrine” , que se tornou ativista ambiental reconhecida no mundo todo. Embora faça uma análise crua sobre os fatos apresentados pelos cientistas do clima, Klein tem uma visão otimista, porque acredita que podemos aproveitar essa crise existencial para “transformar nosso sistema econômico e construir algo radicalmente melhor”. A mudança tem que ser mesmo radical, acompanhando o tamanho da ameaça que paira sobre nossas cabeças. Talvez a que mais bem se adapte atualmente seja, justamente, parar de negar o que está sendo mais do que provado. A partir de uma consciência que nos ponha num caminho mais perto da natureza, pode começar a ficar um pouco mais fácil entender que é possível tentar mudar. Certamente não vai dar para desligar para sempre os aparelhos de ar condicionado, dos quais nos tornamos dependentes até por causa do aquecimento. Mas podemos combinar mais momentos de vida ao ar livre, com roupas mais leves, horários diferentes de trabalho. Busquei em outra fonte mais ideias que possam nos ajudar a ir montando um mosaico para o tremendo quebra-cabeça que se forma diante de pessoas sensíveis à causa. No livro “Climate change, capitalism, and corporation” (ainda sem tradução) os professores Christopher Wright e Danie Nyberg lembram o importantíssimo papel das grandes empresas em nossa labuta para conseguir novas políticas climáticas. “Por um lado, elas são as principais agentes na produção de gases poluentes e, por outro, são vistas também como nossa grande esperança em reduzir as emissões através de inovações tecnológicas”, dizem os autores. Por causa desse duplo papel, os dois focaram seu estudo em grandes empresas, entrevistando mais de 70 CEOs. Na conclusão do livro encontro algumas reflexões que podem nos ajudar. Eles sugerem que pode haver seis caminhos para que se consiga ampliar o debate e imaginar mudanças. O primeiro caminho proposto pelos professores é que se tire o meio ambiente de um nicho menos importante, por exemplo, do que a economia ou as questões sociais. É preciso que se amplie o debate, enxergando sempre as possíveis variáveis ambientais em todos os setores da vida. Como diz Naomi Klein, o aquecimento global e as possíveis formas de se conviver com ele tem a ver tanto com gases poluentes como com o capitalismo, sistema econômico que precisa rever seriamente seu jeito de fazer negócios. Depois disso, Christopher e Daniel sugerem que se tenha uma narrativa totalmente diferente da atual, que vê riscos e oportunidades nas mudanças climáticas. Vai ser fora da corrente econômica e dos discursos de negócios que se vai encontrar uma linguagem que nos ponha mais frente a frente com as mudanças que precisamos fazer. O clima, cada vez mais, vai nos colocar perguntas duras sobre nossa relação com o ambiente natural e, ao fazê-lo, vai nos forçar a ter uma percepção diferente da maneira como lidar com ele. Longe do “business as usual”, portanto. Há coisas mais importantes e urgentes, lembram os dois, que as grandes corporações podem fazer muito antes de estabelecer um preço para o carbono. O que é preciso é apoiar uma forma direta e eficaz de democracia, de envolvimento dos cidadãos. Dar preço, em valores monetários, ao meio ambiente – como se vê em propostas de mercado de carbono ou da economia verde – vai transformá-lo em “um” valor. Uma outra forma é aumentar nosso respeito pelo planeta, reconhecendo sua pluralidade, percebendo que há sempre uma relação ecológica. Muito mais do que, apenas, uma construção de utilidade humana para o meio ambiente. Os professores cutucam nosso posicionamento ao comprar produtos ecológicos, alertando para o modismo que pode haver atrás dessa atitude. É preciso ir além e ter trabalho, juntar crença com ação. Recusar o modismo do “consumo verde” pode ser um trampolim para que se faça uma análise profunda de nós mesmos como cidadãos num mundo em que o clima já mudou. Por fim, Daniel e Christopher lembram que não têm a solução para o problema da mudança climática, que não há uma bala de prata. O que eles esperam é que os danos sejam menores do que aqueles que os cientistas estão apontando, É preciso, ao menos, tentar. Amélia Gonzalez Arte/G1
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06/08 - Morre o último dos 11 rinocerontes-negros transferidos a um parque no Quênia
Animais começaram a morrer apenas uma semana depois de chegar a Tsavo East. O pessoal do Serviço de Vida Selvagem do Quênia checa um rinoceronte tranqüilizado antes de transportá-lo como parte de um exercício de translocação de rinocerontes no Parque Nacional de Nairobi REUTERS/Baz Ratner/File Photo O último dos 11 rinocerontes-negros, uma espécie em perigo de extinção, que foram transferidos há um mês ao parque natural de Tsavo East, o maior do Quênia, morreu, informam nesta segunda-feira (6) veículos de imprensa locais. Os 11 rinocerontes foram levados no começo de julho do lago Nakuru (centro do país) e do Nairóbi National Park ao parque de Tsavo East (sudeste), dentro de um plano no qual houve participação do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em sua sigla em inglês) e cujo objetivo era criar espaços mais seguros para estes animais em um hábitat adequado. A morte dos rinocerontes pouco depois da mudança gerou fortes críticas para o Serviço de Conservação da Flora e Fauna Selvagem do Quênia (KWS), encarregado do transporte, e ao ministro de Turismo, Najib Balala. Estes animais começaram a morrer apenas uma semana depois de chegar a Tsavo East. As organizações ambientalistas e de proteção de animais consideram que a realocação de espécies para conservação é importante, apesar do quão complexa é a missão, e se mostram surpresas pelas mortes destes rinocerontes negros, por isso pedem que uma série de investigações sobre as causas dessas mortes sejam feitas. O KWS e o Ministério de Turismo se culparam mutuamente e assumiram a responsabilidade das mortes dos exemplares desta espécie em perigo de extinção. A população de rinocerontes no Quênia enumerou em 1.258 no final de 2017, o que, apesar do risco de extinção destes animais, devido em parte à caça ilegal, representa um aumento considerável desde os anos 80, quando só havia no país cerca de 400 exemplares. Fêmea aguarda transporte do Parque Nacional de Nairobi Baz Ratner/Reuters/Arquivo
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06/08 - O enigma dos tubarões que apareceram sem seus fígados, extraídos com 'precisão quase cirúrgica'
Marcas de dente no corpo dos animais revelaram quem estava por trás do massacre: as orcas, uma das poucas espécies que caçam tubarões; mas por que o fígado? 'O primeiro tubarão em que fizemos necropsia tinha cinco metros de comprimento e pesava 1,1 tonelada', disse a bióloga The Institute of Marine Science Quando as carcaças de cinco tubarões brancos (Carcharodon carcharias) apareceram em uma praia na África do Sul, os corpos dos animais pareciam praticamente intactos. Mas havia algo estranho: eles estavam sem o fígado. As marcas de dente no corpo das vítimas denunciaram quem estava por trás do massacre: as orcas (Orcinus orca), uma das poucas espécies que caçam tubarões. As carcaças foram encontradas no ano passado, em Gansbaai, no sul do país. E, desde então, os cientistas têm tentado decifrar o mistério da ausência de fígado nos animais, e como os órgãos foram extraídos com precisão tão assustadora. A BBC conversou com a bióloga marinha Alison Towner, da fundação sul-africana Dyer Island Conservation Trust, uma das pesquisadoras que analisou os restos mortais dos tubarões brancos. Afinal, o que levou as orcas a removerem apenas o fígado de suas presas?  Precisão 'quase cirúrgica' "Estamos falando de animais enormes", afirmou Towner à BBC. "O primeiro tubarão branco em que fizemos necropsia tinha cinco metros de comprimento e pesava 1,1 tonelada." "Ao ver os tubarões, não suspeitamos, a princípio, que faltava um órgão. Mas quando viramos os animais, observamos que havia uma grande ferida sob as nadadeiras peitorais. E à medida que continuamos nossa análise, vimos que não tinham fígado", contou a especialista. Quando as carcaças foram encontradas, a fundação Dyer Island publicou em suas redes sociais que a remoção do fígado tinha sido feita com "precisão quase cirúrgica". "O fígado de um tubarão branco pode pesar cerca de 90 quilos, é um órgão enorme, mas as orcas o extraíram com grande precisão", completa. As orcas têm grande destreza com os lábios diferentemente de outras espécies Divulgação/ Instituto Argonauta 'Abertura de cavidade' "Como conseguem tirar o fígado? Essa é a pergunta de um milhão de dólares, porque, até hoje, não vimos nem filmamos orcas fazendo isso", afirmou Towner. A bióloga acredita que as orcas trabalham estrategicamente em equipe, imobilizando primeiramente a vítima por meio de uma emboscada. "Imaginamos que uma orca abocanhe em seguida uma das barbatanas peitorais, e uma segunda orca faz o mesmo com a outra. As barbatanas são como asas de um avião para os tubarões". "Na sequência, as orcas nadam em direções opostas até que rasgam o tubarão, abrindo uma cavidade", explica a bióloga. "Também sabemos que as orcas têm grande destreza com os lábios, diferentemente de outras espécies. Isso pode ser claramente observado em parques de shows de animais aquáticos, como o Seaworld, onde as orcas recolhem objetos com a boca." Estratégia Um elemento chave no ataque orquestrado é o trabalho em equipe que caracteriza as orcas. "Uma orca pode medir até nove metros e pesar cerca de nove toneladas. Um tubarão branco, em comparação, pode medir até 6,4 metros e pesar até duas toneladas", pontuou Towner. A grande vantagem das orcas na hora do ataque não é, no entanto, o tamanho, mas a estratégia de ação coordenada. "Os tubarões brancos, diferentemente das orcas, são geralmente animais solitários. Só se juntam de vez em quando em volta de suas presas ao longo das faixas costeiras. É por isso que não têm o valor agregado das orcas de trabalhar em grupo". E esse espírito de equipe é tão forte, que é provável, segundo Towner, que também compartilhem o fígado extraído de suas presas. Depósito de energia Ainda não está claro por que as orcas descartam as carcaças dos tubarões, apesar de precisarem consumir o equivalente a quase 3% de seu peso todos os dias para sobreviver. Mas faz sentido que consumam o fígado dos animais. Este órgão contém uma grande quantidade de esqualeno, composto natural que fornece energia e nutrientes em abundância. Além disso, os fígados dos tubarões são ricos em lipídios e são um verdadeiro depósito de energia, que contém vitamina C, B12, A, ferro, niacina, sódio e carboidratos, entre outros nutrientes. Ainda não se sabe muito a respeito da preferência das orcas pelo fígado de suas presas, mas os tubarões brancos também têm sua estratégia. Enquanto as orcas estavam na costa da África do Sul, diminuiu o número de tubarões brancos na região. Mas assim que elas se mudaram para outro local em busca de presas, os tubarões brancos começaram a voltar. LEIA TAMBÉM: Tubarão mata menos do que muitos pensam; saiba como minimizar os riscos
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06/08 - Como os passarinhos estão se tornando seres urbanos
Mapeamento de espécies em Estado americano conclui que, ao longo do século 20, cidades se tornaram mais favoráveis às aves, enquanto condições em habitats rurais foram afetadas por uso de pesticidas e desmatamento. Pesquisadores dizem que, ao longo do século 20, 'hábitats urbanos se tornaram mais favoráveis aos pássaros' UNIVERSIDADE DE ILLINOIS URBANA-CHAMPAIGN Atire o primeiro grão de milho quem nunca deu comida aos passarinhos, seja num parque, numa praça ou no quintal de casa. Pois essa prática – muitas vezes condenada, principalmente no caso de pombos que podem se tornar vetores de doenças –, de acordo com cientistas, é um fator preponderante para que as aves estejam se tornando cada vez mais animais urbanos. Faz todo o sentido. Enquanto no meio rural a alimentação de muitos passarinhos é cada vez mais nociva a eles - por conta dos agrotóxicos aplicados às plantações - e o desmatamento deixa o ambiente inóspito para descansos e o próprio processo de construção de ninhos, as cidades são convidativas: comida farta - cortesia dos humanos - e áreas verdes como parques e praças, geralmente bem-providas de árvores. Este cenário é apresentado em estudo recém-publicado pelo periódico especializado The Condor: Ornithological Applications. Cientistas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign refizeram um levantamento realizado inicialmente entre 1906 e 1909 para compreender as mudanças de habitat das aves do Estado americano de Illinois. Com base em modelos matemáticos, concluíram que a ocupação territorial dos pássaros mudou - e muito. E, apostam os cientistas, essa amostragem pode ser replicada em qualquer lugar urbanizado do mundo com um enorme grau de semelhança. Pássaros encontram ampla oferta de comida nas grandes cidades MARIANA VEIGA No total, foram catalogadas 66 espécies diferentes de aves. E, conforme apontam os resultados, as 40 que se adaptaram aos meios urbanos aumentaram a população - enquanto as outras 26 viram seu tamanho diminuir. De acordo com o ornitólogo Michael Ward, professor do Departamento de Recursos Naturais e Ciências Ambientais da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, isso aconteceu porque, ao longo do século 20, "os habitats urbanos tornaram-se mais favoráveis aos pássaros, à medida que a agricultura se desenvolveu e o gesto de dar comida às aves se tornou mais popular". As pequenas e diversificadas plantações, antes um prato cheio para passarinhos, se transformaram em vastas monoculturas de milho e soja com manejo industrial, ou seja, uso intensivo de herbicidas e pesticidas. Um tempero nada agradável, praticamente um recado de que aquilo não era para o seu bico. "É necessário entender como é que as espécies usam e respondem a mudanças não apenas em seu habitat primário, mas também em habitats só utilizados ocasionalmente", comenta o ornitólogo. "O que entendemos é que aquelas espécies que podem tirar proveito de habitats alternativos, estas conseguem expandir suas populações." Uso intensivo de herbicidas e pesticidas se tornou um 'tempero' nada agradável aos pássaros na zona rural M.K. RUBEY O professor diz que o passo seguinte do trabalho agora é compreender justamente quais espécies são capazes dessa adaptação. E quais não são. "Isto nos permitirá prever melhor quais precisam de esforços de conservação. Habitats urbanos são os em que muitas espécies têm conseguido procriar mais. A população em geral, ao fornecer alimentação e um certo abrigo em seus quintais, tem a oportunidade de ajudar uma variedade enorme de espécies." Novos olhares A comunidade acadêmica entende que esse estudo abre um novo leque de possibilidades para a compreensão das populações animais. Isto porque ele quebra um paradigma: o de que necessariamente a transformação de um habitat interfere no tamanho de suas populações. Pode haver uma adaptação - e a consequente troca de um habitat por outro. "Ao tentar explicar as mudanças no tamanho e na distribuição da população, os biólogos geralmente olham primeiro para as mudanças nos habitats que estão mais intimamente associados com uma espécie. Este estudo, por sua vez, mostra que esses habitats primários, como denominados pelos autores, não necessariamente representam mudanças na população", comenta a bióloga, zoóloga e ecologista Amanda Rodewald, do Cornell Lab of Ornithology, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. "Anteriormente", prossegue a pesquisadora, "a extensão em que uma espécie usa habitats novos ou alternativos, como áreas urbanas, poderia explicar melhor os padrões. Uma implicação importante para a conservação é que rastrear espécies dentro de habitats alternativos pode ajudar os biólogos a entender, antecipar e potencialmente mitigar mudanças populacionais". O canto do sabiá No Brasil, um notório caso de ave silvestre que se adaptou muito bem ao meio urbano é o sabiá-laranjeira. Não à toa, aliás, o pássaro é a ave símbolo do Brasil - oficialmente reconhecido assim desde 2002. Na capital paulista, o sabiá está entre as mais carismáticas das 285 espécies que vivem na cidade - ao lado de bem-te-vis, maritacas, quero-queros, juritis, sanhaços e pica-paus. É uma ave que prefere os parques, mas mesmo assim pode ser flagrada, vez por outra, descansando nos fios elétricos, ao lado de pardais e pombas. Em 1966, o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, hoje com 88 anos e presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem, encabeçou uma campanha pela preservação dos sabiás pedindo para que as pessoas plantassem árvores frutíferas em seus quintais. "Porque os passarinhos precisam de restaurantes", argumentava ele. Sabiá-laranjeira é um exemplo de ave silvestre que se adaptou muito bem ao meio urbano no Brasil INSTITUTO PASSARINHAR/ DIVULGAÇÃO A campanha deu certo. As aves voltaram a se espalhar pelas cidades. O que ninguém contava é que essa adaptação ao meio urbano ainda faria da ave um bicho com sintomas similares ao do homem contemporâneo que vive nas grandes cidades: um ser estressado com o trânsito, fazendo hora extra e namorando pouco. A partir de uma queixa comum da população das grandes cidades, a de que os sabiás estavam cantando durante a madrugada e atrapalhando, assim, o sono dos justos e dos injustos, o Instituto Passarinhar resolveu promover uma pesquisa. E comprovar se isso realmente está acontecendo. Desde 2013, os pesquisadores colocaram no ar um site colaborativo em que as pessoas podem informar o horário em que ouviram o canto de um sabiá, e a localidade. O balanço mais recente, divulgado há pouco mais de um ano e com dados consolidados de 10 mil registros, mostra que o sabiá paulistano sofre de insônia: começa a cantar cinco horas antes do que seus primos do interior - e essa orquestra só para quatro horas mais tarde do que o fim do expediente. O site está em www.horadosabia.com. Segundo os biólogos responsáveis pelo estudo, nada mais antinatural. Porque na vida rural, digamos assim, o pássaro começa a cantar com o nascer do sol. E interrompe a cantoria ao fim do dia. Na capital paulista, entretanto, o pico de atividade do sabiá é às 3h da madrugada. Para desespero dos humanos. Hábito de dar comida aos pássaros é muitas vezes condenado, principalmente no caso de pombos, vetores de doenças MARIANA VEIGA/BBC A explicação estaria na adaptação. Mas a um problema ao qual muitas pessoas jamais se adaptam: ao trânsito infernal. Na realidade, o barulho causado pelos carros tem feito o sabiá procurar horários alternativos. O ruído causado pelos carros nas ruas de São Paulo, atualmente, oscila entre 70 e 100 decibéis. Um sabiá-laranjeira consegue cantar, no máximo, a até 70 decibéis. O pássaro canta para conseguir conquistar a fêmea e, assim, acasalar, mas, segundo biólogos, o sabiá paulistano só está encontrando condições para se comunicar, para ouvir e para ser ouvido no silêncio da madrugada.
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06/08 - Após serem quase extintas, ariranhas retornam a rios na Amazônia
Maior carnívoro semiaquático da América do Sul, animal vem ressurgindo em áreas onde havia praticamente desaparecido por causa da caça predatória. Ariranha na bacia do rio Içana, onde espécie havia desaparecido por volta dos anos 1940 NATÁLIA PIMENTA/BBC Após serem quase extintas pela caça comercial, as ariranhas estão retornando a rios da Amazônia. Os últimos indícios da recuperação da espécie foram divulgados nesta semana pela revista científica Biological Conservation. Liderada pela bióloga Natália Pimenta, a pesquisa analisou sinais da presença de ariranhas na bacia do rio Içana, no noroeste do Amazonas, onde ela havia sido considerada extinta. O estudo foi feito após outras pesquisas apontarem uma tendência de recuperação da espécie - com nome científico Pteronura brasiliensis - em diferentes partes da Amazônia, como a bacia do Solimões e a região da hidrelétrica de Balbina. Maior carnívoro semiaquático da América do Sul, com até 1,80 m quando adulta, a ariranha é um dos dois tipos de lontra encontrados no Brasil e está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação, entre as espécies consideradas ameaçadas de extinção. Mordidas de ariranha O estudo no Içana teve início após membros do povo baniwa alertarem sobre o retorno das ariranhas a seu território, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro. Presidente da Associação Indígena da Bacia do Içana, André Baniwa diz que moradores notaram os primeiros sinais da volta dos animais uns dez anos atrás, ao encontrar carcaças de peixes com mordidas de um bicho que não reconheciam. Os mais velhos deram o veredicto: a ñeewi (ariranha, em língua baniwa) estava de volta. Nos últimos anos, os sinais aumentaram - e vários moradores chegaram a topar com os mamíferos. Membros da comunidade participaram do estudo sobre o retorno dos animais, que contou com o apoio das fundações Capes, CNPq, The Rufford Foundation e Idea Wild. Baniwa conta que ariranhas não eram vistas na região desde os anos 1940. Na época, eram as espécies mais cobiçadas no movimentado mercado de peles amazônicas. Bacia do rio Negro, no noroeste amazônico, onde população de ariranhas vem se recuperando JOÃO FELLET/BBC Comércio de peles de animais Ao pesquisar o tema, a bióloga Natália Pimenta encontrou estudos que estimaram em 23 milhões os animais caçados na Amazônia Ocidental para a extração de peles entre 1904 e 1969. O couro de ariranha - animal amazônico que mais sofreu com a caça comercial, segundo a pesquisadora - costumava ser exportado para os Estados Unidos ou a Europa, onde viraria casacos, chapéus e echarpes. Em um catálogo de 1946 de uma loja de peles em Manaus, o couro de ariranha é vendido por 180 cruzeiros - acima do preço de peles de onça (150), maracajá (150) e caititu (47). Baniwa diz que os próprios membros da comunidade caçavam os animais para trocar as peles por armas e outros bens. Um bom couro de ariranha valia o equivalente a duas espingardas. A modernização das técnicas de caça acelerou o extermínio da espécie. A partir dos anos 1960, leis passaram a regulamentar o comércio de peles silvestres no país. Em 1975, o Brasil aderiu a uma convenção internacional que proibia o comércio de espécies ameaçadas - entre elas, as ariranhas. A demarcação de grandes terras indígenas na Amazônia a partir dos anos 1990 também golpeou a atividade. A demanda pelas peles diminuiu, permitindo que as ariranhas começassem a se recuperar. Casa de comércio de peles em Manaus, que exportava produtos para outras partes do mundo IBGE Encontros com ariranhas Na bacia do rio Içana, indígenas esperam que volta das ariranhas sinalize aumento da oferta de peixe JOÃO FELLET/BBC "As ariranhas estão voltando, mas é só o início de um processo de recuperação", diz à BBC News Brasil a bióloga Natália Pimenta, que chefiou a pesquisa sobre a volta da espécie ao Içana. Segundo Pimenta - analista de pesquisa intercultural do Instituto Socioambiental (ISA), em São Gabriel da Cachoeira -, a densidade da população de ariranhas na região ainda é baixa. Ela diz que, para que a recuperação se consolide, é necessário que haja diversidade genética entre os grupos remanescentes. Pimenta notou que, embora os encontros com ariranhas no Içana tenham se tornado mais frequentes, elas ainda são muito ariscas - "possivelmente por terem sido tão cruelmente caçadas no passado". "Como estavam muito isoladas, não estão acostumadas com a presença de humanos. Quando escutam o barco, logo fogem." Ela conta que, no passado, as ariranhas eram encontradas da Venezuela ao sul da Argentina. Mas a caça predatória fez com que ficassem restritas a poucas áreas, como o Pantanal e as cabeceiras de alguns rios amazônicos. Outrora o maior habitat do animal no planeta, a bacia do rio Negro quase viu a espécie desaparecer. Nos últimos anos, conforme a espécie começou a se recuperar no Brasil, Pimenta conta que países vizinhos - como a Bolívia, a Colômbia e as Guianas - também viram as ariranhas ressurgirem. Boas pescadoras André Baniwa diz que a ariranha tem papel importante na mitologia de seu povo, considerada um dos cinco animais que surgiram no início do mundo e que viraram pajés, ao lado de botos, morcegos, onças e lontras. No topo da cadeia alimentar, são associadas à saúde e ao equilíbrio das águas - e vistas como excelentes pescadoras. "Ela não come qualquer peixe. Não assusta, não bagunça a água, escolhe o peixe e come só a parte que interessa." Ele conta que muitos indígenas esperam que a volta dos animais seja um indício de que a população de peixes também esteja aumentando. Outros, porém, temem que as ariranhas compitam com os humanos pelos pescados. Um ariranha adulta pode consumir até 4 kg de peixe por dia. Ataque de ariranhas em Brasília Também chamadas de onças d'água, elas vivem em grupos de até 20 indivíduos e são territorialistas. No YouTube, há vídeos de ariranhas expulsando onças de seu território. "Se alguém chega no ambiente delas, elas vão para cima para se defender, ainda mais se estiverem com filhote", diz a bióloga Natália Pimenta. Pesquisa sobre ariranhas contou com membros do povo baniwa, como Valêncio Macedo NATÁLIA PIMENTA/BBC Em 1977, um acidente no zoológico de Brasília fez com que a espécie se tornasse temida em muitos lares brasileiros. Naquele ano, o sargento do Exército Sílvio Delmar Hollenbach saltou no tanque das ariranhas para resgatar um garoto de 13 anos que havia caído no local. O jovem se salvou, mas o sargento não suportou as mais de cem mordidas e, três dias depois, morreu no hospital. Para Natália Pimenta, o comportamento de ariranhas em zoológicos, onde vivem confinadas e estressadas, deve ser relativizado. "Nunca ouvi nenhum relato de ataques de ariranhas a pessoas em ambientes naturais", afirma.
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05/08 - Maior macaco das Américas pode ser encontrado na região de Itapetininga e corre risco de extinção
Animais estão na área do Parque Estadual Carlos Botelho em São Miguel Arcanjo (SP). Bióloga do Instituto Pró-Muriqui afirma que a caça e o desmatamento ameaçam a espécie. Maior macaco das Américas corre risco de extinção O muriqui, que é o maior macaco das Américas que vive na Mata Atlântica entre os estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, pode ser encontrado na região de Itapetininga (SP) na área do Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo (SP). A espécie é conhecida por ser uma das mais mansas. Contudo, de acordo com a bióloga do instituto Pró-Muriquis, Suzan Suilan Mo, eles estão correndo risco de extinção. Se nada for feito, em 50 anos eles podem deixar de existir, pois a caça e o desmatamento são as maiores ameaças. “Eles vivem de 20 a 25 anos, mas são de grande importância para manutenção da floresta. Conservar essa espécie é importante para conservar todas as plantas das quais eles se alimentam, pois as próximas gerações vão se alimentar dessa semente que ele plantou”, diz a biológica. Uso de binóculos é necessário para enxergar os muriquis em São Miguel Arcanjo Reprodução/TV TEM Segundo a gestora do parque, Stéfanie Kissajikian Cancio Sales, o animal é símbolo do parque e da fauna de São Paulo. Para encontrar, basta percorrer uma trilha. “Nós devemos entrar pela trilha da canela, muito utilizada pelos muriquis para sua alimentação, onde vamos encontrá-los no momento que eles estiverem despertando. Todos devem usar calçados fechados, calça e tomar o máximo de atenção possível”, afirma. Macacos da espécie Muriqui correm risco de extinção Reprodução/TV TEM Para saber onde os muriquis costumam ficar e do que se alimentam, alguns troncos de árvores são marcados com fitas para ajudar na localização. “São mais de 15 mil já sinalizadas. O uso dos binóculos é indispensável porque os macacos costumam ficar bem no alto”, explica. Ainda de acordo com a gestora, eles se alimentam de flores, frutas, folhas e cascas de árvores. Depois que comem, jogam as sementes por onde passam na floresta, funcionando como jardineiros, que ajudam a preservar a natureza. O auxiliar de campo Pedro Paulino Soares trabalha no parque há mais de 20 anos e diz que a caminhada em busca dos animais é diária. “Eu gosto muito da natureza, e não consigo ficar fora. Me apaixonei muito pelo meu trabalho”, afirma. Maior espécie de macacos das Américas corre risco de extinção Reprodução/TV TEM Veja mais informações da região no G1 Itapetininga
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03/08 - Onda de calor atinge a Europa, que pode ter recorde de temperatura no fim de semana; veja fotos
Temperatura pode chegar a 48°C na Espanha, onde duas pessoas morreram com o calor extremo. Pessoas se refrescam em dia quente em Paris, na França, em frente à Torre Eiffel Gerard Julien/AFP Os termômetros da Europa marcam temperaturas bastante acima da média neste fim de semana. A onda de calor, causada por uma massa de ar seco soprada do norte da África, só deve se dissipar a partir de quinta-feira. Em alguns países, principalmente do centro europeu, o tempo quente está apenas começando. Em Paris, na França, a temperatura deve bater os 37°C na terça-feira, o mesmo previsto para Berlim, capital da Alemanha, no dia seguinte. Mas a situação é mais crítica na Espanha e em Portugal, onde as temperaturas devem bater recordes ainda neste sábado (4). Duas pessoas já morreram por causa da onda de calor no sul espanhol. Na Espanha e em Portugal, os termômetros podem até marcar 48°C, o que seria recorde absoluto na região. Para comparação, a máxima já registrada na história do Brasil foi de 44,7°C, em 2005, no Piauí. Veja algumas das máximas previstas para Espanha e Portugal neste sábado (4): Beja (Portugal): 45°C Évora (Portugal): 45°C Badajoz (Espanha): 44°C Lisboa (Portugal): 43°C Leiria (Portugal): 42°C Cáceres (Espanha): 42°C Sevilha (Espanha): 41°C Braga (Portugal): 40°C Madri (Espanha): 39°C Fontes: IPMA (Portugal) e Aemet (Espanha) Idosas refrescam os pés em casa de repouso da Bélgica em mais um dia quente na Europa Reuters/Yves Herman Banhistas cavalgam dentro da água do Lago Constança, perto de Güttingen, na Suíça. País também foi atingido por onda de calor neste verão europeu Reuters/Arnd Wiegmann Onda de calor atinge a Espanha. Foto mostra dia quente na cidade de Pamplona, no norte do país AP Photo/Alvaro Barrientos Público lota praia em San Sebastian, na Espanha, em dia de altas temperaturas na Europa AP Photo/Alvaro Barrientos Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa Philippe Huguen/AFP
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03/08 - Oxfam mostra que quem produz comida está no mapa da fome
Um trabalhador espalha grãos de arroz durante o process ode secagem após a colheita na vila de Pontang em Serang, na Indonésia Beawiharta/Reuters Se há um fenômeno criado pelo nosso sistema econômico que a Oxfam (organização mundial não governamental especializada em destrinchar as questões que levam à pobreza extrema) não deixa passar em branco, é a desigualdade. Dos inúmeros viezes que colaboram para aumentar o fosso entre pobres e ricos, poucos escapam às lentes dos estudos encomendados pela organização. Já é tradição, por exemplo, a Oxfam lançar um relatório sobre desigualdade um ou dois dias antes do Fórum Econômico Mundial, que reúne anualmente em Davos, na Suíça, líderes empresariais e de nações, além da sociedade civil, para debater sobre questões socioeconômicas e ambientais. Muita gente se emociona, os números são alarmantes, e os holofotes da imprensa mundial ficam, por alguns dias ao menos, debatendo sobre um de nossos problemas mais graves da atualidade. São também conhecidas as campanhas lançadas pela ONG, sempre botando o dedo na ferida de questões adversas, muito conhecidas mas, em geral, que pouco afetam o dia a dia do cidadão comum. A mais recente, que ontem chegou às redes sociais, denuncia a exploração econômica enfrentada por milhões de pequenos agricultores e trabalhadores nas cadeias de fornecimento alimentar. O objetivo é “mobilizar a força das pessoas em todo o mundo para ajudar a acabar com isso”, como diz Winnie Byanyma, diretora executiva da Oxfam Internacional. Assim como eu estou dando luz à campanha, outros jornalistas de todo o mundo devem estar fazendo o mesmo. E a roda de reflexões girará novamente em torno de um tema importante para todos nós. Junto com a campanha foi lançado um estudo, a partir de pesquisas com trabalhadores das cadeias de fornecimento de supermercados em vários países, que concluíram que a grande maioria tem dificuldades para alimentar adequadamente suas próprias famílias. É a desigualdade em estado mais bruto. “Nossas evidências mostram que os gigantes do setor de supermercados estão abocanhando uma parte cada vez maior do dinheiro que seus clientes deixam no caixa, enquanto uma fração pequena – e cada vez menor – chega a quem produziu seus alimentos. A desigualdade que decorre daí é difícil de aceitar”, acrescenta Byanima. Só para se ter uma ideia, o relatório mostra que uma mulher que trabalha em uma unidade de beneficiamento de camarão, na Tailândia, leva mais de cinco mil anos para ganhar o salário anual médio de um executivo bem pago de um supermercado nos Estados Unidos, e mais de 1.700 anos para se equiparar ao do Reino Unido. E mais: só 10% do dinheiro pago aos acionistas dos três maiores supermercados dos Estados Unidos em 2016 seriam suficientes para elevar o salário de mais de 600 mil trabalhadores na indústria de camarão tailandesa a um patamar digno. É um modelo de negócio que, a cada dia, se mostra mais insustentável, conclui o estudo. “ Não há razão que justifique o desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas das mulheres e dos homens que fornecem aos supermercados. Não há desculpa moral para a fome de quem produz a nossa comida”, diz o relatório, que marca o lançamento da campanha que terá foco nos supermercados e vai buscar acabar com o sofrimento humano nas cadeias de fornecimento alimentar. Uma das raízes para o problema certamente está na concentração: três conglomerados dominam quase 60% do movimento global de sementes comerciais e agrotóxicos, situação que a indiana Vandana Shiva, criadora do Banco de Sementes, também denuncia com frequência em suas palestras e artigos . E mais: 50 fabricantes de alimentos respondem por metade de todas as vendas do setor no mundo e na União Europeia apenas dez supermercados respondem por mais de metade de todas as vendas de alimentos no varejo. Se estivesse dando certo, ou seja, se estivesse cumprindo com a missão de levar comida a todos, possivelmente as redes de supermercado e varejo de alimentos não seriam incomodadas pela sociedade civil. Só que não está. Um registro no site da Organização Mundial da Saúde (WHO na sigla em inglês) em junho deste ano mostra que, após declínio constante por mais de uma década, a fome global está em alta novamente, afetando 815 milhões de pessoas em 2016, ou 11 por cento da população global, ao mesmo tempo que múltiplas formas de desnutrição estão ameaçando a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo. A questão, pelo que já se mostrou em vários estudos, não é que falte alimento no mundo. O que falta é dinheiro para comprar. Sendo assim, está mais do que na hora de mudar os rumos desta história e tirar das mãos de tão poucos a responsabilidade de alimentar a tantos. E a Oxfam, com este estudo, se compromete a ajudar nessa mudança. Não à toa, o título do relatório é “Hora de mudar”. Uma primeira sugestão pode ser desconfiar de que não é exatamente correto pagar tanto a acionistas se quem produz o alimento que a rede de supermercados vende está à míngua. “Os oito maiores supermercados de capital aberto do mundo geraram cerca de 1 trilhão de dólares em vendas em 2016 e quase 22 bilhões em lucros. Em vez de reinvestir em seus fornecedores, no mesmo ano eles pagaram mais de 15 bilhões de dólares aos acionistas”, mostra o estudo. Uma coisa puxou a outra. Ao mesmo tempo em que governos de muitos países passaram a adotar uma agenda de liberalização do comércio e desregulamentação dos mercados de produtos agrícolas, o poder dos supermercados foi aumentando. Enquanto isso, também mundialmente o poder dos trabalhadores foi decrescendo e o poder de negociação deles, incluindo aí os pequenos agricultores, foi baixando. No mais cruel cenário de desrespeito aos direitos humanos no trabalho, os pesquisadores do relatório contam a história de Mawar, que aparece na foto de Adrian Mulya, da Sustainable Seafood Alliance Indonesia , com a cabeça escondida. Ela vivia num dormitório próximo a uma fábrica de camarão onde trabalhava, na Indonésia, e era obrigada até a beber pouca água para não ir ao banheiro e com isso “perder tempo” de trabalho. Há desses disparates também em cadeias de fornecimento de produtos alimentares, cometidos até por pequenos agricultores. Segundo o estudo, a pressão que os supermercados exercem sobre tais fornecedores é tamanha que o único jeito é criar esta cadeia não virtuosa, onde os pequenos são massacrados para não deixar os grandes sem seus produtos. Isso cria um dos mais cruéis paradoxos: o povo que produz a comida que vai para os supermercados, muitas vezes, dorme com fome no fim do dia. “Na África do Sul, mais de 90% das trabalhadoras entrevistadas em fazendas de uva disseram não ter tido alimento suficiente no mês anterior. Quase um terço disseram que elas próprias ou um membro de suas famílias tinham ido dormir com fome pelo menos uma vez naquele período. E 72% das pequenas produtoras de banana entrevistadas nas Filipinas afirmaram ter tido preocupações com a alimentação da família no mês anterior”, diz o relatório. Bem, é claro que há soluções. Assim mesmo, no plural, porque a encrenca é imensa. Nós, cidadãos comuns, podemos, por exemplo, começar a dar mais força para redes agroalimentares alternativas, venda direta de agricultores, sugere o relatório. E os supermercados, para sermos bem diretos e sem rodeios, precisarão repensar suas práticas de comércio. Quanto aos governantes, têm que ter um olhar cuidadoso para o problema e investir em projetos, em políticas... Seja como for, é muito bom que o assunto esteja na roda. Amélia Gonzalez Arte/G1
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02/08 - Onda de calor pode elevar temperatura a 48ºC na Europa e quebrar recorde
Meteorologistas acreditam que, neste fim de semana, há 30% de chances de Portugal e Espanha quebrarem recorde histórico de calor que já dura 41 anos. Menina se refresta em fonte de Budaeste, na Hungria; mudanças climáticas tiveram papel em onda de extremo calor na Europa Lajos Soos/MTI via AP Enquanto a Europa sofre outra onda de calor, meteorologistas dizem que o recorde de maior temperatura da história do continente pode ser batido nos próximos dias. O recorde europeu é de 48º C, registrado em julho de 1977 em Atenas. No Brasil, a maior temperatura já registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi 44,7°C, na cidade de Bom Jesus (PI), em 21 de novembro de 2005. As temperaturas estão subindo na Espanha e Portugal ajudadas por uma onda de ar quente vinda da África. Meteorologistas dizem que se o calor continuar aumentando, provavelmente recordes nacionais de temperaturas devem ser quebrados neste fim de semana – o atual dia mais quente da história da Europa, há 41 anos, também pode perder o posto. O serviço de análise climática da Espanha, por exemplo, colocou o país em alerta até o próximo domingo, dizendo que o calor está "especialmente intenso e duradouro." O Meteoalarm, grupo europeu de alerta meteorológico, já emitiu um alerta vermelho para grande parte do sul de Portugal e para a província de Badajoz, na Espanha. Esse nível de alerta considera o clima perigoso e com potenciais riscos à vida. O meteorologista da BBC, Nick Miller, afirma que a recente onda pode bater recordes de calor e é "potencialmente perigosa". Segundo ele, as temperaturas na península ibérica podem ser maiores que as registradas nos últimos 40 anos. O recorde português é de 47,4ºC, em 2013. Na Espanha, a maior temperatura já registrada foi de 47,3ºC, em julho do ano passado. "Sexta e sábado provavelmente serão os dias mais quentes (da onda de calor), e devem quebrar recordes de temperatura nacionais", escreveu o Mateogroup. Segundo os meteorologistas, as temperaturas vão subir de 45º nesta quinta para 47ºC no fim de semana. O grupo disse que há 40% de chances do recorde de Atenas ser igualado neste fim de semana – e 30% de ser batido. Um menino se refresca no centro de Praga. Uma onda de calor incomum atingiu a Europa com temperaturas chegando aos 38 graus. Petr David Josek/Reuters Recordes europeus de temperatura O Ipma, serviço português de meteorologia, afirma que o período de "excepcional calor" é comparável ao de 2003, quando houve alguns recordes. Mesmo as temperaturas mais baixas, que vão ocorrer durante a noite, devem ficar entre 25 e 30ºC. O forte calor da península ibérica vem se repetindo em outros pontos da Europa. Por causa do calor, o ponto mais alto da Suécia, uma geleira na montanha Kebnekaise, está derretendo vários centímetros por dia. Os cientistas que monitoram o fenômeno dizem que a geleira perderá seu título de pico do país para outro local. O serviço de administração de estradas da Noruega pediu para os motoristas tomarem cuidado com renas e ovelhas que porventura se abriguem do calor em túneis. Tore Lysberg, do governo, afirmou à agência de notícias AFP que "os animais se protegem em lugares mais frios; tanto renas quanto ovelhas se abrigam em túneis e áreas com sombras". No país, a temperatura chegou a 31,2ºC na quarta-feira. Na Grécia, incêndios florestais mataram ao menos 90 pessoas. Na Suécia, também foram registrados dezenas de focos de fogo. Embora os incêndios florestais sejam um problema recorrente na Europa, o calor e o tempo seco por um período prolongado podem provocar maior incidência de casos. Pesquisadores afirmam que as mudanças climáticas tornaram a onda de calor duas vezes mais longa do que deveria ser. Por outro lado, o longo e quente verão pressionou as cervejarias alemãs, que venderam tanta cerveja a ponto de causar escassez de garrafas, recuperando o recorde negativo de vendas no ano passado. Já no Estado alemão da Saxônia-Anhalt, os níveis extremamente baixos de água no rio Elba levaram à descoberta de granadas e munições perdidas da Segunda Guerra Mundial, segundo a polícia local. A corporação chegou a alertar os moradores que procurar explosivos no leito do rio é "perigoso e proibido".
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02/08 - Agência de turismo deixa de vender viagens ao SeaWorld por preocupações com o bem-estar dos animais
Gigante britânica do setor, a Thomas Cook decidiu parar de trabalhar com parques que tenham baleias orcas em cativeiro após pesquisa com cientistas e junto ao público consumidor. A agência de viagens britânica Em foto de 2011, a baleia Tilikum é vista no SeaWorld Orlando peto de suas treinadoras AP Photo/Phelan M. Ebenhack, File Thomas Cook, uma gigante no setor de turismo, anunciou que não vai mais vender pacotes para parques que tenham como atração baleias orcas mantidas em cativeiro. A companhia afirmou que 90% de seus clientes demonstraram se preocupar com o bem-estar animal, o que justificou a decisão. Como resultado, os dois parques que deixarão de receber clientes da Thomas Cook são o SeaWorld, nos Estados Unidos, e o Loro Parque, na Espanha. "Esta não foi uma decisão tomada com facilidade", afirmou o diretor executivo da empresa, Peter Fankhauser, ao anunciar a nova política. Em um blog, ele reconheceu que ambos os parques haviam definido novos padrões e melhorado a maneira como os animais são mantidos. Mas, disse Fankhauser, "a partir do próximo verão, não venderemos mais atrações que mantenham orcas em cativeiro". "Nos envolvemos ativamente com uma série de especialistas em bem-estar animal nos últimos 18 meses e levamos em conta as evidências científicas que eles forneceram. Também recebemos opinões de nossos clientes: mais de 90% nos disseram considerar importante que sua agência de viagens leve a questão do bem-estar animal a sério." Documentário estimulou ações contra manutenção de baleias em cativeiro O SeaWorld diz não criar mais orcas, mas que aquelas já nascidas em cativeiro "estarão conosco e com nossos visitantes por muitos anos". O parque apontou que "milhões de visitantes do Reino Unido" já visitaram suas atrações e que "o público continuará sendo bem-vindo". "Eles viram em primeira mão o incrível cuidado que oferecemos a todos os nossos animais e ficaram sabendo como estamos protegendo e salvando espécies na natureza", afirmou em uma nota. Críticas à manutenção de orcas em cativeiro têm se intensificado desde o lançamento de um documentário da Netflix em 2013, "Blackfish", sobre uma baleia chamada Tilikum. O número de visitantes do SeaWorld caiu e o parque classificou o filme como "manipulador". No ano passado, a Thomas Cook iniciou uma auditoria de 49 parques que usam animais como atração para verificar o cumprimento de padrões de bem-estar. Isso foi feito com base nos padrões estabelecidos pela ABTA (Associação de Agentes de Viagens Britânicos). Cerca de 30 locais avaliados foram reprovados e a empresa deixou de vender pacotes. O mais recente bloqueio foi anunciado no domingo. "Trabalharemos com ambos (os parques temáticos) nos próximos 12 meses para prepararmos a nossa saída. Continuaremos também a trabalhar para identificar alternativas mais sustentáveis", disse Fankhauser.
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02/08 - Governo Trump quer enfraquecer normas ambientais para veículos
Regras atuais criadas na era Obama preveem carros mais eficientes no consumo de combustível e menos poluentes. Carros rodam em Nova York nos Estados Unidos. Governo quer enfraquecer normas contra poluição de veículos Frank Franklin II/AP O governo de Donald Trump propôs nesta quinta-feira (2) enfraquecer as normas ambientais impostas para veículos nos Estados Unidos durante a administração de Barack Obama. As regras atuais exigem carros mais eficientes no consumo de combustível e menos poluentes. As agências americanas de Proteção Ambiental (EPA) e de Segurança Rodoviária (NHTSA) mostraram um novo plano com regras menos rígidas para os próximos anos. Além disso, a administração Trump quer impedir que cada estado tenha autoridade para definir seus próprios padrões. A alteração ainda passará por consulta pública. Trump anuncia plano para afrouxar regulamentação ambiental feita por Obama As regras definidas na época da presidência de Obama previam aumentos graduais da autonomia dos veículos até 2026 para alcançar uma média de 23 km/l consumidos de combustível. Com a nova proposta, a média geral seria congelada a partir de 2020 até 2026. O argumento era salvar cerca de 40 mil vidas ao ano com a redução da poluição, segundo o próprio site da EPA. No entanto, de acordo com o novo governo, as metas deixariam os carros US$ 2,3 mil mais caros em média, o que desestimularia a compra de novos modelos, fazendo com que carros antigos e mais poluentes rodassem por mais anos. A agência de segurança viária (NHTSA) afirmou que a mudança reduzirá as mortes nas estradas em cerca de 1 mil por ano, simplesmente por "reduzir as barreiras que impedem consumidores de ter carros mais novos, seguros, limpos e eficientes". A Califórnia e outros estados já se anteciparam à nova proposta e entraram com um pedido na Justiça contra o afrouxamento das exigências. Desmonte da regulação pelo clima No ano passado, Trump cumpriu a promessa de campanha e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. O acordo, assinado em dezembro de 2015, prevê que os países devem trabalhar para que o aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.
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02/08 - Com pranchas de surfe, voluntários recolhem plástico nos canais de Bangcoc
ONG faz trabalho de conscientização e chega a retirar 8 kg de plástico em 20 minutos. Voluntários recolhem lixo dos canais de Bangcoc Trash Hero/Facebook Em cima de uma prancha de surfe, os voltunários da ONG Trash Hero Bangcoc coletam embalagens de plástico lançadas em um canal nos arredores da capital da Tailândia. Usando uma vara de cerca de dois metros de comprimento com um pequeno gancho, seis voluntários conseguiram em apenas 20 minutos de trabalho retirar mais de 8kg de lixo das águas. "Nosso objetivo principal é conscientizar as comunidades (sobre o uso de materiais descartáveis) e divulgar a mensagem contra a poluição, especialmente pelo uso do plástico", declarou à Agência Efe o espanhol Albert Font, porta-voz do grupo, após uma operação de limpeza no canal Klong Suan. Font, de 26 anos e nascido na cidade de Reus, na Catalunha, chegou à capital tailandesa há poucos meses para trabalhar com uma empresa esportiva que colabora com doações para a associação ecologista e se uniu a ela como parte do exército de voluntários. "Durante uma campanha de limpeza em um canal da avenida Rama 9 em meados de julho, vários moradores da região, entre eles um mototaxista, nos ajudaram. Esse é um bom exemplo para explicar nosso objetivo de unir a população contra o plástico", disse Font. Voluntários ajudam a recolher lixo em canais de Bangcoc Trash Hero/Facebook A associação em questão é um dos braços da matriz Trash Hero World, ONG criada em 2013 pelo suíço Roman Peter e idealizada enquanto viajava pelo Sudeste Asiático. Durante seu percurso, Peter encontrou uma ilha desabitada do sul da Tailândia com o litoral repleto de lixo."Ninguém vivia lá, não havia turistas, e mesmo assim estava cheia de quilos de lixo", contou o porta-voz da filial tailandesa. Após fundar a organização, a primeira missão de Peter foi retornar àquela ilha e limpá-la. Atualmente, a Trash Hero conta com grupos em mais de 20 cidades tailandesas e em países vizinhos, como Indonésia, Mianmar e Malásia. Além de projetos de limpeza, a Trash Hero Bangcoc também organiza conversas aulas em colégios da capital e outras medidas destinadas a proteger o entorno. "As crianças entendem rápido o problema e reagem de uma maneira positiva" na busca de soluções, apontou o ecologista. Um dos projetos em andamento é a distribuição de um livro, escrito e ilustrado por voluntários, que narra a história de um garoto que gosta dos animais e as ações que toma para preservar o meio ambiente, "com o objetivo de incentivar os menores a realizar ações para salvar o planeta". "Cerca de 90% do lixo que recuperamos dos canais e praias é plástico: bolsas, recipientes de comida e canudos", disse Font, que trabalha como gerente em sustentabilidade meio ambiental e é cofundador de projeto "Good Carma", que também realiza campanhas a favor da sustentabilidade. O ecologista pede aos governos e comércios que tomem medida diante desta epidemia que afeta todos os países e, como no caso da Tailândia, uma melhoria no sistema de tratamentos de lixos e reciclagem. China, Filipinas, Indonésia, Tailândia e Vietnã lançam mais da metade do plástico que polui os oceanos. "O problema é enorme e não podemos lutar sozinhos, precisamos da ajuda de todo o mundo", disse a norueguesa Celina Aas Tennessen, membro do grupo, fazendo um apelo para que mais voluntários se unam à causa, seja diretamente ou chamando atenção pelas redes sociais. "Foi divertido e uma grande experiência", afirmou o espanhol Ismael Morales, formado em biologia e voluntário na campanha de limpeza do canal Klong Suan. "A natureza e o meio ambiente são muito importantes para nós. Temos que tomar conta deles e às vezes evitar utilizar materiais como o plástico, muito convenientes, mas prejudiciais para o planeta", ressaltou. Voluntários percorrem canais de Bangcoc para recolher lixo Trash Hero/Facebook
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