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23/06 - Família de novo ministro do Meio Ambiente disputa posse em terra indígena em SP
Segundo documento da Funai, capatazes a serviço da família do ministro chegaram a destruir a casa de uma família ao tentar expulsá-la da Terra Indígena Jaraguá. Álvaro Pereira Leite e Jair Bolsonaro Reprodução Nomeado ministro do Meio Ambiente nesta quarta-feira (23) no lugar de Ricardo Salles, Joaquim Álvaro Pereira Leite integra uma família tradicional de fazendeiros de café de São Paulo que pleiteia um pedaço da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo. Segundo um documento da Funai (Fundação Nacional do Índio), capatazes a serviço da família chegaram a destruir a casa de uma família indígena ao tentar expulsá-la do território reclamado. A terra indígena fica nos municípios de São Paulo e Osasco e é a menor do país, com 532 hectares. Ricardo Salles: 10 'canetadas' e polêmicas que marcaram a gestão no Meio Ambiente 'Não basta': após saída de Salles, especialistas cobram mudança na política ambiental de Bolsonaro Nela moram 534 indígenas dos povos Guarani Mbya e Ñandeva, segundo a Comissão Pró-Índio de São Paulo. O processo de demarcação do território se iniciou nos anos 1980, mas jamais foi concluído e está paralisado na Justiça. No relatório de identificação da terra indígena, publicado pela Funai em 2013, o antropólogo Spensy Pimentel diz que a família Pereira Leite cobrou várias vezes a paralisação da demarcação do território. Segundo o relatório, em 1986, Joaquim Álvaro Pereira Leite Neto (pai do novo ministro) "exigiu que a Funai retirasse os marcos físicos do processo demarcatório da área indígena Jaraguá, alegando ser o proprietário da área, acusando agressivamente a Funai de estar praticando um crime". O relatório prossegue: "Tal agressividade, no entanto, extrapolou para além das missivas, e passaram então esses cidadãos a fazer ameaças aos índios, a intimidá-los com capatazes, e mesmo destruindo uma de suas casas". Segundo o documento, como a Funai não paralisou a demarcação, a família começou a ameaçar os indígenas diretamente. 'Grilagem de terras' Em artigo no livro "A grilagem de terras na formação territorial brasileira", a doutora em Geografia Humana pela USP Camila Salles de Faria transcreve o relato de um líder espiritual guarani, José Fernandes, sobre uma visita de um membro da família Pereira Leite à aldeia. "Chegou esse finado velho... Pereira Leite, (que disse): 'não, isso aqui é meu; agora temos que fazer tudo, vamos lá pra delegacia'. Aí eu falei 'não, não vou'. Aí ele falou assim: 'tem papel da terra que comprou aqui?' Eu falei: 'não, não tenho, mas também sou grande, viu?' Aí mostrei o meu documento de cacique. Aí ele foi embora." O líder provavelmente se referia José Álvaro Pereira Leite, morto em 2008 e avô do novo ministro. Foi José Álvaro Pereira Leite quem iniciou o processo judicial contra a demarcação. A antropóloga cita o relato de outra indígena, identificada como Eunice, sobre o patriarca da família. "Esse Pereira Leite, a família Pereira Leite, ele ameaça muito o pessoal indígena… Que vai pôr fogo na casa, que vai destruir... Numa época ele até veio com uma maleta de dinheiro para mim querendo comprar a terra de mim." Em 1996, diz o artigo de Faria, a família Pereira Leite pediu à Justiça a expulsão da comunidade e, acompanhada pela Polícia Militar de São Paulo, "tentou a retirada dos moradores indígenas da área". Porém, segundo o artigo, o Ministério Público Federal acionou a Polícia Federal, que interveio e evitou a expulsão. A justificativa é que, como terras indígenas são áreas da União, conflitos em torno desses territórios devem ser mediados por órgãos federais, e não estaduais, como as polícias militares. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de Mauá, o novo ministro do Meio ambiente diz em seu currículo ter trabalhado como "proprietário/administrador" da fazenda de café Alvorada, entre 1991 e 2002. Entre 1996 e 2019, ele foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das mais antigas e influentes entidades ruralistas do país. Também trabalhou como diretor de uma empresa do ramo farmacêutico e como consultor de uma marca de café. Antes de ser nomeado ministro, ele exercia o posto de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do Ministério do Meio Ambiente. Após a publicação original desta reportagem, o Ministério do Meio Ambiente enviou nota à BBC News Brasil. Confira a íntegra: "O Ministério do Meio Ambiente informa que o processo de disputa de posse em questão é tratado no âmbito do espólio da família paterna do ministro Joaquim Leite, que nunca teve atuação direta ou indireta no assunto."
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23/06 - Bolsonaro elogiou Salles na véspera da demissão: 'Parabéns'; VÍDEO
"Você faz parte dessa história", disse o presidente em discurso na terça-feira (22). Nesta quarta, Salles foi exonerado. VÍDEO: Ricardo Salles recebe elogio de Bolsonaro um dia antes de demissão O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em discurso na terça-feira (22), na véspera de ele ter sido exonerado. A cena ocorreu durante discurso do presidente em uma cerimônia no Palácio do Planalto, na qual o governo anunciou o Plano Safra 2021-2022. "Você faz parte dessa história, Ricardo Salles. Do casamento da agricultura com meio ambiente foi um casamento quase perfeito. Parabéns, Ricardo Salles. Não é fácil ocupar o seu ministério. Por vezes, a herança fica apenas uma penca de processos. A gente lamenta como por vezes somos tratados por alguns poucos deste outro poder, que é muito importante para todos nós". Bolsonaro exonerou Salles nesta quarta-feira (23). A exoneração foi publicada em edição extra do "Diário Oficial da União", que informa que a dispensa ocorreu a pedido do então ministro. No mesmo decreto, Bolsonaro nomeou Joaquim Alvaro Pereira Leite como novo ministro do Meio Ambiente. Até então, Leite ocupava o cargo de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério. VÍDEO: Quem é Joaquim Alvaro Pereira Leite, o novo ministro do Meio Ambiente Gestão Salles A gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente foi marcada por uma série de polêmicas. André Trigueiro: Salles e a 'página sombria' da gestão ambiental Muito além da polêmica: a gestão de Salles no Meio Ambiente Uma das polêmicas de Salles envolve a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, no Palácio do Planalto. Na reunião, Ricardo Salles sugeriu a Bolsonaro que o governo aproveitasse que a atenção da imprensa estava voltada para a pandemia da Covid-19 para "ir passando a boiada" na área ambiental, alterando regras. Além disso, Ricardo Salles é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), por supostamente ter atrapalhado investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. A suspeita foi apresentada pela Polícia Federal. Ao Supremo, a PF disse haver "fortes indícios" de que Ricardo Salles participa de um esquema de contrabando ilegal. Salles nega ter cometido irregularidades. No Ministério do Meio Ambiente, Salles também entrou em atrito com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quando o órgão divulgou dados de desmatamento. Ricardo Salles, ministro do Meio ambiente, pede demissão
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23/06 - Ricardo Salles: 10 'canetadas' e polêmicas que marcaram a gestão no Meio Ambiente
De investigado pela PF por envolvimento na exportação ilegal da madeira à defesa do garimpo em terras indígenas, a gestão de Salles chegou a ganhar prêmio por "calar sociedade civil" e "desproteger povos indígenas". Foto de arquivo de 22 de abril de 2021 do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entrevista coletiva so Salão Leste do Palácio do Planalto, em Brasília. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo O presidente Jair Bolsonaro exonerou, nesta quarta-feira (23), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele permaneceu a frente da pasta por mais de dois anos e sua gestão foi marcada por uma série de polêmicas e medidas que colocaram em risco a proteção ambiental. A exoneração ocorre enquanto Salles é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de exportação ilegal de madeira. As investigações apuram suspeita de facilitação à exportação ilegal da matéria-prima do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Neste ano, o ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, disse que Ricardo Salles "defende infratores ambientais". Saraiva levou até o Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o ministro e o senador Teomário Mota (PROS-RR) pelo suposto beneficiamento de madeireiros ilegais na Amazônia, o que facilita a grilagem de terra na Região Norte. A mais famosa das polêmicas, contudo, foi a afirmação, feita por Salles durante reunião ministerial no passado, de que o governo aproveitasse a pandemia da Covid-19 para "ir passando a boiada" nas leis ambientais. A gestão Salles também foi marcada por: Retirada da participação da sociedade civil do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) Revogação de resoluções que protegiam restinga e mangue Liberação da queima de lixo tóxico em fornos para cimento Paralisação do Fundo Amazônia Avanço do garimpo em áreas protegidas e unidades de conservação Desmonte dos órgãos de proteção ambiental, como Ibama e ICMBio Suspensão das multas ambientais "Pedalada ambiental" no Acordo de Paris Recordes históricos de desmatamento na Amazônia Suspensão dos brigadistas durante recorde de queimadas no Pantanal Regras ambientais derrubadas e disputa judicial: entenda trajetória das decisões de Salles 1.Sociedade sem participação no Conama Em 2019, o governo reduziu e alterou a composição do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O colegiado, que contava com 96 conselheiros, entre membros de entidades públicas e de ONGs, passou a ter 23 membros titulares, incluindo seu presidente, o então ministro Ricardo Salles (veja o vídeo abaixo). Representantes da sociedade civil e entidades trabalhistas, que tinham 22 assentos no Conama, passam a ter quatro. O decreto também acabou com a eleição desses integrantes. A desarticulação do Conama rendeu até prêmio internacional para o Brasil: o país ganhou em duas categorias o prêmio Fóssil do Ano em 2020 por "calar sociedade civil" e "desproteger povos indígenas". Os organizadores destacam a repressão aos grupos da sociedade civil que resistem às políticas de desmonte ambiental e lutam pelos direitos das comunidades indígenas. O Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, é o principal órgão colegiado do Ministério do Meio Ambiente. É responsável por estabelecer os critérios para licenciamentos ambientais, além de normas e controles, como definir, por exemplo, que tipo de motor de carro pode ser usado no país. 2. Retirada da proteção das restingas e manguezais O governo federal revogou, em setembro de 2020, a resolução do Conama que protegia toda a extensão dos manguezais e faixas de restinga do litoral brasileiro, classificadas como Áreas de Preservação Permanente (APP). "(...) nós perdemos a proteção da faixa dos 300 metros a partir da praia-mar, e isso significa um grande boom imobiliário de resorts, de empreendimentos em todo o Brasil que seriam beneficiados com esse desguarnecimento de um compartimento ambiental importantíssimo", analisou na época Carlos Bocuhy, presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental). Na data, as resoluções que protegia os entornos de reservatórios d'água e que disciplinavam o licenciamento ambiental para projetos de irrigação também foram revogadas. Restingas e manguezais: entenda polêmica decisão de revogar regras de proteção As resoluções revogadas pelo Conama não prosperaram, contudo, porque a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão do Conselho sobre desproteger as áreas de mangue e restinga. 3. Queima de lixo tóxico em fornos para cimento Ainda em setembro do ano passado, o Conama aprovou a queima de resíduos agrotóxicos e de lixo tóxico em fornos usados para a produção de cimento. O argumento usado para defender a nova resolução foi que a queima dessas substâncias vai diminuir a quantidade de resíduos sólidos. Contudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a queima de lixo tóxico seja feita em ambientes controlados, já que podem causar danos à saúde da população. 4. Paralisação do Fundo Amazônia O Fundo Amazônia, que capta doações de países estrangeiros para projetos de preservação e fiscalização do bioma, tem cerca de R$ 2,9 bilhões parados e está sem atividade desde o início da gestão Salles. Em maio de 2019, o agora ex-ministro tentou mudar as regras do Fundo e anunciou a intenção de destinar os recursos captados - que deveriam ser aplicados nas políticas de proteção da Amazônia - para indenizar proprietários de terras. Salles também afirmou na época haver indícios de irregularidades nos contratos firmados com ONGs, mas não apresentou nenhuma prova que confirmasse a afirmação. Contrários às falas de Salles, a Noruega suspendeu repasses ao Fundo Amazônia de R$ 133 milhões e a Alemanha anunciou corte de até R$ 155 milhões. 5. Defesa do garimpo em áreas protegidas e unidades de conservação O G1 apurou que, ao longo de 2019 e 2020, desmatamento causado pela atividade mineradora registrou recordes e avançou sobre áreas de conservação na Amazônia. A série histórica do Deter/Inpe, que compila dados desde 2015, aponta que o mês com a maior devastação foi maio de 2019, com 34,47 km² desmatados. Em seguida, ficou julho de 2019 com 23,98 km². Além disso, 2020 teve os piores junho (21,85 km²), agosto (15,93 km²) e setembro (7,2 km²) da série. Em abril de 2019, o ministro Ricardo Salles exonerou o diretor de fiscalização ambiental do Ibama depois de reportagem do Fantástico sobre uma operação em larga escala contra o garimpo e o desmatamento ilegal em terras indígenas no estado do Pará. Em 2019, o MPF questionou o comando da Aeronáutica sobre um voo realizado em 6 de agosto para transportar garimpeiros dentro da TI Munduruku para uma reunião com Salles, em Brasília. O então ministro esteve no local um dia antes, durante uma operação do Ibama contra o garimpo. Lá, ele se encontrou com garimpeiros alvos da operação e foi cercado por um grupo pró-garimpo. O ministro, então, conversou com o grupo e chegou a defender a extração ilegal em terra indígena. 6. Desmonte dos órgãos de proteção ambiental No ano passado, em meio a uma megaoperação para barrar o avanço do garimpo em terras indígenas na Amazônia, Salles exonerou o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo. A operação coordenada por Azevedo havia conseguido na época paralisar todas as operações de garimpo e exploração ilegal de madeira em três terras indígenas no Pará. Em abril deste ano, mais de 400 servidores de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assinaram um ofício afirmando que todas as atividades de fiscalização de infrações ambientais desenvolvidas pelo órgão estavam paralisadas. Em maio, Salles substitui as 11 coordenações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por cinco gerências regionais. Na prática, a portaria retirou do papel as medidas definidas por um decreto presidencial de fevereiro, que extinguiu postos de chefia. Porém, os cinco gerentes regionais passaram a ganhar mais — eles ocupam o cargo DAS 4, graduação mais bem remunerada no serviço público. Desses, somente um é funcionário de carreira do ICMBio. 7. Suspensão das multas ambientais As multas por desmatamento ilegal na Amazônia foram praticamente suspensas desde outubro de 2019 devido a um decreto do governo federal. Em 2019, o governo aplicou menos de 3 mil autos de infração na Amazônia pela primeira vez em 20 anos. Dados apurados pelo G1 em outubro de 2020 mostraram que as autuações de crimes ambientais na Amazônia feitas pelo Ibama, consequência das fiscalizações em campo, despencaram 62% em comparação com 2019: apenas 3 de quase mil autuações por desmate na Amazônia em 2020 foram quitadas. 'Não é todo dia que um ministro se arvora a promover defesa de infratores ambientais', diz superintendente da PF 8. "Pedalada ambiental" no Acordo de Paris Em dezembro de 2020, o Acordo de Paris completou cinco anos e todos os países signatários tiveram que apresentar novas versões dos compromissos assumidos em 2015. Ao invés de apresentar uma meta mais ambiciosa, Salles apresentou uma nova meta que permitirá ao país emitir, até 2030, 400 milhões de toneladas a mais de gases do efeito estufa do que o previsto na meta original. Relatório inédito mostra que 99% do desmatamento feito no Brasil em 2019 foi ilegal Amazônia perdeu quase '2 mil campos de futebol por dia' em área de floresta em 2019 O episódio ficou conhecido como "Pedalada ambiental", já que a nova meta do Brasil apresentada por Salles no Acordo de Paris agora permite desmate 78% maior em 2025 do que no período anterior a Bolsonaro. 9. Recordes históricos de desmatamento na Amazônia O desmatamento em toda a Amazônia em 2020 foi o maior em uma década. Foram mais de 8 mil km² de floresta derrubada entre janeiro e dezembro do ano passado. Em vários momentos, a Justiça precisou determinar que os órgãos ambientais tomassem ações imediatas para conter o desmatamento na Amazônia. Inpe: desmatamento da Amazônia Legal sobe 9,5% em um ano e atinge maior nível desde 2008 10. Suspensão dos brigadistas durante recorde de queimadas no Pantanal Em agosto, o Ministério do Meio Ambiente anunciou a suspensão de todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e às queimadas no Pantanal. Segundo Salles, a suspensão foi motivada por bloqueio de R$ 60,6 milhões em verbas do Ibama e do ICMBio determinado pelo governo. Outras paralisações dos brigadistas se seguiram em 2020, mesmo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostrando que o número de focos de incêndio registrados na Amazônia de janeiro a setembro já era o maior desde 2010. No caso do Pantanal, 14% do bioma foi queimado apenas em setembro, a maior devastação anual do território causada pelo fogo desde o início das medições, em 2002, pelo governo federal. No mês seguinte à divulgação destes dados do Inpe, o Ibama determinou mais uma vez que as brigadas de incêndios florestais interrompessem os trabalhos em todo o país alegando falta de dinheiro.
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23/06 - 'Não basta': após saída de Salles, especialistas cobram mudança na política ambiental de Bolsonaro
Entidades afirmam que as mudanças promovidas na gestão do Ministério do Meio Ambiente, as chamadas "boiadas", precisam ser revertidas para evitar que os recordes de desmatamento continuem a ser registrados no Brasil. Ricardo Salles, ministro do Meio ambiente, pede demissão Entidades ambientais, especialistas e ex-ministros avaliam que a demissão de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente precisa ser acompanhada de uma mudança na política ambiental da gestão Jair Bolsonaro. Do contrário, afirmam as entidades, as "boiadas" já passadas pelo ex-ministro não deixarão de causar mais devastação no país. Ricardo Salles pede demissão em meio a investigações sobre irregularidades na gestão Pantanal em chamas e desmatamento na Amazônia em alta; veja recordes da gestão Salles Abaixo, veja o posicionamento de entidades e ambientalistas: "Madeireiros sentirão saudades" O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, diz que não há nenhum indício de que a mudança será feita na gestão Bolsonaro. ""Salles sai assim como entrou: devendo para a Justiça. Recuso chamá-lo de ex-ministro do Meio Ambiente porque nunca o foi, não merece este título. Sua falta só será sentida por madeireiros ilegais, grileiros e desmatadores de florestas. No mais, é bom considerar que, neste governo, mudam os urubus, mas a podridão continua a mesma. Quem agora sentar na cadeira de ministro, será para obedecer as ordens de Bolsonaro e continuar a implementar política de destruição ambiental, assim como Salles fez" - Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima "Aliado do agronegócio" O Greenpeace divulgou nota na qual afirmou que "o Brasil não podia mais ter à frente do Ministério do Meio Ambiente alguém que, de forma intencional e deliberada, agia contra a própria pasta e estava trazendo graves danos ao país", mas alerta que mudar o ministro não garante alteração no "projeto antiambiental nefasto" do governo. "Por um lado, a sociedade civil recebe com alívio o pedido de demissão do ministro, após diversas investigações de desvio de finalidade de sua função, confirmando aquilo que vem sendo denunciado desde o início de seu mandato. Por outro, é evidente que a troca de peças por si só não deve mudar a estratégia do governo, agora com o novo ministro Joaquim Álvaro Pereira Leite, antigo membro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), até então subordinado de Salles e aliado aos interesses do agronegócio" - Greenpeace "Não basta!" O ex-ministro Carlos Minc listou uma série de medidas que ainda precisariam ser revertidas para efetivar uma mudança efetiva na gestão. "Foi tarde. Não basta. Há que anular seus atos contra biodiversidade. Há que desatar os braços do Ibama e ICMBio. Há que destravar Fundo Amazônia e Fundo Clima. Há que retirar garimpeiros ilegais de Terras indígenas. Há que combater queimadas e desmatamento que aumentarão com a temporada seca" - Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente. "A vez das boiadas legislativas" Para Brenda Brito, pesquisadora do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com o deputado Arthur Lira na Presidência da Câmara, as "boiadas infralegais" de Salles não eram mais necessárias, porque agora os interesses do setor serão tratadas diretamente no Legislativo. "Não consigo comemorar a queda do Salles com o #PL490Nao passando na CCJ no mesmo dia. E infelizmente outros PLs que atentam contra os brasileiros devem entrar direto pra votação plenário nos próximos dias, como o PL da Grilagem. 2021 é o ano das boiadas legislativas." - Brenda Brito, pesquisadora do Imazon "B de boiada não é de Ricardo Salles" A WWF-Brasil destacou em nota que o "b de boiada não é de Ricardo Salles. É do governo Bolsonaro". Além disso, lembrou que a exoneração de Salles ocorre no mesmo dia em que o PL 490 foi aprovado em comissão na Câmara, "provando que o correntão de retrocessos socioambientais continua destruindo a todo motor". "Trocar seis por meia dúzia não trará alívio ao país. O nome anunciado para a substituição de Ricardo Salles é Joaquim Álvaro Pereira Leite, com quem trabalhou por anos na Sociedade Rural Brasileira. Convidado pelo agora ex-ministro a ocupar a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais, chegou com a promessa de atrair recursos para a área ambiental, por meio de programas de Pagamento por Serviços Ambientais e venda de créditos de carbono por desmatamento evitado." - WWF-Brasil LEIA TAMBÉM: Mudança climática: veja em 7 pontos como será a vida na Terra nos próximos 30 anos, segundo a ONU Por que os indígenas protestam em Brasília? Entenda o PL 490, projeto que muda a demarcação de terras Veja as recentes polêmicas sobre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
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23/06 - Pantanal em chamas e alertas de desmatamento na Amazônia em alta; veja os recordes da gestão Salles
Ministro do Meio Ambiente foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro e é alvo de inquérito por supostamente ter atrapalhado investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. Foto de arquivo de 22 de abril de 2021 do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entrevista coletiva so Salão Leste do Palácio do Planalto, em Brasília. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo Ricardo Salles foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (23) do cargo de Ministro de Meio Ambiente. Desde 2019, foram recordes nas taxas de desmatamento e de queimadas, com fortes críticas de ambientalistas, de especialistas e de países que defendem o combate à emergência climática. O agora ex-ministro é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), por supostamente ter atrapalhado investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. Veja abaixo alguns dos recordes batidos nos anos da gestão Salles: Amazônia mais desmatada em 2021 Foram três meses seguidos de recordes nos alertas de desmatamento no primeiro semestre deste ano. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) gera esses dados quase em tempo real para as equipes de fiscalização ambiental, que devem ir a campo para confirmar a devastação e multar os infratores. Desmatamento na Amazônia em 2020 é mais de 3 vezes superior à meta proposta pelo Brasil para a Convenção do Clima A Amazônia perdeu 810 quilômetros quadrados de floresta em março. Para se ter uma dimensão do estrago, o tamanho da área devastada foi um pouco maior que a cidade de Goiânia. O desmatamento aumentou 216% em relação a março de 2020. Em abril, foram 778 km² de floresta devastada, o maior valor para o mês registrado nos últimos dez anos, segundo monitoramento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O mesmo aconteceu em maio: antes mesmo de o mês terminar, a região já tinha 1.180km² de área sob alerta de deflorestação, o maior número para o mês desde 2016. Pelo 3º mês seguido, os alertas de desmatamento na Amazônia bateram recorde Recorde de desmate em 2020 A área desmatada na Amazônia foi de 11.088 km² entre agosto de 2019 e julho de 2020, de acordo com números oficiais do governo federal divulgados Inpe. Essa foi a maior área devastada desde 2008, quando o Prodes apontou 12.911 km² desmatados. O Pará concentra quase metade do desmatamento. Série histórica com dados de desmatamento na Amazônia segundo o Prodes até 2019/2020. Arte/G1 Pantanal em chamas Em 2020, os incêndios que atingiram o Pantanal consumiram, pelo menos, uma área de vegetação dez vezes maior do que em 18 anos de devastação. O bioma registrou o maior número de focos de incêndio de sua história - foram 22.116 pontos detectados no ano passado, contra 10.025 registrados em 2019. Entre 2000 e 2018, o Pantanal perdeu cerca de 2,1 mil km² de área nativa. Já em 2020, ainda em setembro, conforme os dados divulgados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o bioma já havia visto cerca de 23 mil km² serem consumidos pelas chamas. 4,65 bilhões de animais afetados Com todo o fogo registrado no território pantaneiro em 2020, pesquisadores mostraram números alarmantes sobre o impacto nos animais que habitam o bioma. De acordo com o estudo, os incêndios no bioma afetaram pelo menos 65 milhões de animais vertebrados nativos e 4 bilhões de invertebrados. VÍDEO: Comentaristas da GloboNews analisam saída de Ricardo Salles do governo Ibama em baixa O Ibama, pelo menos desde 2004, nunca expediu tão poucas autuações de crimes contra a flora como em 2020. O G1 analisou os dados da gestão Salles e comparou com os anos anteriores. A série escolhida começa em 2004, quando ocorreu uma migração de sistemas para o meio digital. As autuações do instituto na Amazônia Legal caíram 62% de janeiro a setembro de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Até 18 de outubro do ano passado, foram 938 crimes contra a flora, enquanto o mesmo período de 2019 teve 2.475 autuações. Todos os estados apresentaram o menor número de autuações da série desde 2004. Desmatamento em terras indígenas Entre agosto de 2018 e julho de 2019, período de monitoramento do sistema Prodes do Inpe, que mede a perda de floresta na Amazônia Legal, as terras indígenas apresentaram uma taxa de desmatamento 74% maior do que o mesmo período nos 12 meses anteriores. Foram 423,3 km² desmatados em terras indígenas, a maior perda de área de vegetação desde 2008. Veja no gráfico: Mineração avança A mineração desmatou 405,36 km² da Amazônia Legal entre 2015 e 2020, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, reunidos pelo G1. A área derrubada equivale a cerca de 40,5 mil campos de futebol. Ao longo de 2019 e 2020, esse desmatamento causado pela atividade mineradora também registrou recordes e avançou sobre áreas de conservação. A série histórica, que compila dados desde 2015, aponta que o mês com a maior devastação foi maio de 2019, com 34,47 km² desmatados. Em seguida, ficou julho de 2019 com 23,98 km². Além disso, 2020 teve os piores junho (21,85 km²), agosto (15,93 km²) e setembro (7,2 km²) da série. Área de garimpo ilegal dentro da Terra Indígenas (TI) Munduruku, no Pará. Reprodução / Polícia Federal
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23/06 - Quem é Joaquim Alvaro Pereira Leite, que substitui Salles no Ministério do Meio Ambiente
Ele estava à frente Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais. Antes de integrar o governo, foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das organizações que representam o setor agropecuário no país. VÍDEO: Quem é Joaquim Alvaro Pereira Leite, o novo ministro do Meio Ambiente Joaquim Alvaro Pereira Leite, nomeado novo ministro do Meio Ambiente (MMA) nesta quarta-feira (23), no lugar de Ricardo Salles, já fazia parte do ministério. Desde setembro do ano passado, ele estava à frente da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais. SAIBA MAIS: ex-ministro Ricardo Salles é investigado por esquema de exportação ilegal de madeira Essa secretaria substituiu a de Florestas e Desenvolvimento Sustentável, que também era liderada por Leite. O primeiro cargo dele no ministério foi Departamento Florestal, exercido entre julho de 2019 e abril do ano passado. Joaquim Álvaro Pereira Leite é o novo ministro do Meio Ambiente. Ele foi diretor do Departamento de Florestas e secretário na pasta Marcos Oliveira/Agência Senado Antes de ingressar no MMA, Leite foi conselheiro por mais de 20 anos da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das organizações que representam o setor agropecuário, entre 1996 e 2019. A SRB apoia a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista, grupo composto por de mais de 200 deputados federais e senadores, e vinha demonstrando apoio à gestão de Ricardo Salles. Em seu perfil no ministério, Leite cita que também foi produtor de café, em sua própria fazenda, entre 1991 e 2002. Ele também foi diretor da Neobrax, uma empresa do ramo farmacêutico, e consultor administrativo de uma rede de cafés e da MRPL Consultoria. O currículo menciona ainda formação em Administração de Empresas, pela Universidade de Marília (Unimar), no interior de São Paulo, e MBA pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo.
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23/06 - Cai o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente
'Diário Oficial' informa que exoneração foi a pedido de Salles. Joaquim Alvaro Pereira Leite foi nomeado por Bolsonaro como novo ministro do Meio Ambiente. Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente REUTERS/Ueslei Marcelino O presidente Jair Bolsonaro exonerou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A exoneração foi publicada nesta quarta-feira (23) em edição extra do "Diário Oficial da União" e informa que a exoneração foi a pedido de Salles. No mesmo decreto, Bolsonaro nomeou Joaquim Alvaro Pereira Leite como novo ministro do Meio Ambiente. Até então, Leite ocupava o cargo de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério. Antes de integrar o governo, o novo ministro do Meio Ambiente foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das organizações que representam o setor agropecuário no país. Nesta terça (22), ao participar de uma cerimônia no Palácio do Planalto, na qual o governo anunciou o Plano Safra 2021-2022, Bolsonaro elogiou Salles. "Prezado Ricardo Salles, você faz parte da história. O casamento da Agricultura com o Meio Ambiente foi um casamento quase que perfeito. Parabéns, Ricardo Salles. Não é fácil ocupar seu ministério. Por vezes, a herança fica apenas uma penca de processos", declarou Bolsonaro. No Palácio da Alvorada, em conversa com apoiadores nesta quarta, Bolsonaro foi questionado sobre a saída de Salles. E respondeu: "Ele pediu para sair. Ele pediu para sair, então, ele que tem que falar sobre [o assunto] porque ele pediu para sair." Ricardo Salles: veja as investigações contra o ministro do Meio Ambiente A gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente foi marcada por uma série de polêmicas. André Trigueiro: Salles e a 'página sombria' da gestão ambiental Uma das polêmicas de Salles envolve a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, no Palácio do Planalto. Na reunião, Ricardo Salles sugeriu a Bolsonaro que o governo aproveitasse que a atenção da imprensa estava voltada para a pandemia da Covid-19 para "ir passando a boiada" na área ambiental, alterando regras. Além disso, Ricardo Salles é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), por supostamente ter atrapalhado investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. A suspeita foi apresentada pela Polícia Federal. Ao Supremo, a PF disse haver "fortes indícios" de que Ricardo Salles participa de um esquema de contrabando ilegal. Salles nega ter cometido irregularidades. No Ministério do Meio Ambiente, Salles também entrou em atrito com o Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quando o órgão divulgou dados de desmatamento. Ricardo Salles, ministro do Meio ambiente, pede demissão Pronunciamento Em manifestação no Palácio do Planalto após o pedido de demissão, Salles relacionou medidas que adotou à frente da pasta e reclamou das críticas. "Experimentei ao longo destes dois anos e meio muitas contestações, tentativas de dar a essas medidas caráter de desrespeito à legislação, o que não é verdade", declarou. Segundo ele, a sociedade espera "respeito" ao setor produtivo e à iniciativa privada. Salles destacou a necessidade de o Brasil ampliar as obras de infraestrutura e "continuar sendo o grande líder do agronegócio". O ex-ministro defendeu uma transição "serena". "Para que se faça da maneira mais serena possível, apresentei meu pedido de exoneração", disse. Trigueiro fala sobre Ricardo Salles: ‘Uma página sombria da gestão ambiental no Brasil’ Cobrança internacional Desde que Bolsonaro assumiu o governo e nomeou Salles no cargo de ministro do Meio Ambiente, o Brasil tem sido cobrado internacionalmente a adotar medidas de proteção do meio ambiente. A cobrança já partiu de países como Estados Unidos, Alemanha e Noruega (clique no nome do país para relembrar a cobrança). André Trigueiro: A desastrosa política ambiental do governo Carta: Ex-ministros do Meio Ambiente pedem ajuda da Europa Ainda no período eleitoral, Bolsonaro dizia que não nomearia no cargo de ministro do Meio Ambiente algum "xiita ambiental". Também na campanha, Bolsonaro disse que se eleito iria tirar o Brasil do Acordo de Paris, mas, depois, afirmou que não iria retirar. Análise Veja no vídeo abaixo a análise de comentaristas da GloboNews sobre a saída de Salles: VÍDEO: Comentaristas da GloboNews analisam saída de Ricardo Salles do governo Troca de ministros no governo Bolsonaro Veja todas as trocas de ministros no governo Bolsonaro: Secretaria-Geral da Presidência: Gustavo Bebianno foi substituído por Floriano Peixoto Vieira Neto; Educação: Ricardo Vélez Rodríguez foi substituído por Abraham Weintraub; Secretaria de Governo: Carlos Alberto dos Santos Cruz foi substituído por Luiz Eduardo Ramos; Secretaria-Geral da Presidência: Floriano Peixoto Vieira Neto foi substituído por Jorge Antonio Oliveira; Desenvolvimento Regional: Gustavo Canuto foi substituído por Rogério Marinho; Casa Civil: Onyx Lorenzoni foi substituído por Walter Braga Netto; Cidadania: Osmar Terra foi substituído por Onyx Lorenzoni; Saúde: Luiz Henrique Mandetta foi substituído por Nelson Teich; Justiça e Segurança Pública: Sergio Moro foi substituído por André Luiz Mendonça; Advocacia-Geral da União: André Luiz Mendonça foi substituído por José Levi Mello do Amaral Junior; Ministério da Saúde: Nelson Teich pediu demissão. Eduardo Pazuello assumiu como interino; Comunicações: recriação da pasta, desmembrada do MCTIC. Fabio Faria assumiu; Educação: Abraham Weintraub saiu. Dias depois foi nomeado Carlos Alberto Decotelli; Educação: Decotelli pediu demissão. Entrou Milton Ribeiro; Turismo: Marcelo Álvaro Antônio demitido. Gilson Machado assumiu a pasta; Secretaria-Geral: Jorge Oliveira exonerado para assumir vaga no TCU. Saída oficializada em 31/12/2020. Onyx Lorenzoni assume a Secretaria-Geral; Cidadania: Onyx Lorenzoni assume a Secretaria-Geral e João Roma é anunciado ministro da Cidadania. Mudança anunciada em 12/02/2021; Banco Central: Bolsonaro sanciona autonomia do BC, e Campos Neto perde status de ministro; Saúde: Eduardo Pazuello deixa a pasta, e médico Marcelo Queiroga assume; Relações Exteriores: Ernesto Araújo pediu demissão em 29/03/2021. Embaixador Carlos França assume o ministério; Defesa: General Fernando Azevedo e Silva deixa o cargo. Braga Netto assume; Casa Civil: Braga Netto deixa o cargo. General Luiz Eduardo Ramos assume a pasta; Secretaria de Governo: Luiz Eduardo Ramos deixa o cargo. Deputada Flávia Arruda assume a pasta; Justiça: André Luiz Mendonça volta para AGU. Delegado Anderson Torres assume a pasta; AGU: José Levi deixa o cargo. André Luiz Mendonça retorna para AGU; Meio Ambiente: Salles deixa a pasta. Joaquim Alvaro Pereira Leite Assume.
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23/06 - Mudança climática: veja em 7 pontos como será a vida na Terra nos próximos 30 anos, segundo a ONU
Amazônia virando savana, fome, seca, doenças: painel de climatologistas alerta que efeitos do aquecimento global vão remodelar o mundo mesmo se a humanidade conseguir conter as emissões de gases estufa. Um esboço de um relatório histórico do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) – órgão consultivo da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima – aponta que as mudanças climáticas fruto das ações humanas devem afetar fundamentalmente a vida na Terra já nos próximos 30 anos, mesmo se as emissões de gases estufa forem contidas. Obtido em primeira mão pela agência de notícias France Presse, o documento, que tem 4 mil páginas, aponta riscos como extinção de espécies, disseminação de doenças, calor insustentável à vida e colapso dos ecossistemas, entre outros. "O pior ainda está por vir e afetará as vidas dos nossos filhos e netos muito mais do que as nossas", diz o relatório. O texto só deve ser publicado em 2022 – tarde demais, dizem alguns cientistas, para influenciar decisões na conferência da ONU deste ano sobre o clima, a COP26, em novembro. Nesta reportagem, você vai entender quais são os principais impactos apontados no relatório, divididos pelo G1 em 7 eixos temáticos. Ao final estão algumas possíveis ações de mudança listadas pelos especialistas: Colapso de ecossistemas Extinção de espécies Aumento do nível e aquecimento de oceanos Seca Fome Doenças Calor extremo 1. Colapso de ecossistemas Coral embranquecido é visto no local onde redes de pesca abandonadas o cobriram em um recife na área protegida de Ko Losin, na Tailândia, depois que um grupo de mergulhadores voluntários e o Centro de Pesquisa de Recursos Costeiros, auxiliado pela Marinha Real da Tailândia, removeram 2.750 m² de rede, no dia 20 de junho de 2021. Jorge Silva/Reuters Com emissões altas, a seca e os incêndios florestais podem transformar metade da Floresta Amazônica em savana, produzindo mais aquecimento. Restaurar florestas pode estocar carbono e ajudar a reduzir a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas. Entretanto, plantar árvores fora das florestas naturais – como em pastagens e savanas – pode prejudicar a biodiversidade e aumentar os riscos climáticos. EQUILÍBRIO: indígenas viveram na Amazônia por 5 mil anos sem destruir bioma, mostra estudo Uma combinação de temperaturas mais elevadas, aridez e secas significa que as temporadas de incêndios florestais em todo o planeta serão mais longas, e as áreas com potencial de queima dobrarão de tamanho: na tundra ártica e na floresta boreal, a área queimada aumentou nove vezes em toda a Sibéria entre 1996 e 2015. Muitos ecossistemas terrestres, de água doce, oceânicos ou costeiros estão atualmente "perto ou além" dos limites de sua capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Com um aquecimento de 2ºC – até agora, a temperatura do planeta já aumentou em 1,1ºC –, cerca de 15% do permafrost siberiano poderia se perder até 2100, liberando entre 36 bilhões e 67 bilhões de toneladas de carbono do solo congelado. Há um risco de extinção cultural dos povos originários do Ártico se o ambiente no qual construíram seus modos de vida e sua história derreter. 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x 2. Extinção de espécies A arara-azul-de-lear é uma espécie ameaçada de extinção Marcelo Brandt/G1 "Mesmo com um aquecimento de 1,5º C, as condições vão mudar além da habilidade de muitos organismos de se adaptar", destaca o relatório. As taxas de extinção estão se acelerando drasticamente e são estimadas em cerca de mil vezes mais do que antes do impacto das atividades humanas na Terra no século passado. Até 54% das espécies terrestres e marinhas do mundo estarão ameaçadas de extinção neste século, com o aquecimento de 2ºC a 3ºC com base nos níveis pré-industriais. Espécies de montanhas e ilhas estão particularmente em risco. Mesmo com o aumento de 2ºC na temperatura, animais polares – como pinguins, focas e ursos – e áreas de rica biodiversidade – como recifes de coral de água quente e manguezais – estarão sob ameaça severa. Entre 70% e 90% dos recifes de coral do mundo devem diminuir com um aquecimento global limitado a 1,5ºC. Para além disso, eles sofrerão "perdas mais extensas". Confrontados com o aumento das temperaturas, muitas plantas e animais irão se afastar em centenas de quilômetros de seus habitats naturais até o fim do século. 3. Aquecimento e aumento do nível dos oceanos Foto de 15 de agosto de 2019 mostra um iceberg enquanto ele flutua ao longo da costa leste da Groenlândia perto de Kulusuk (também conhecido como Qulusuk). Jonathan Nackstrand/AFP Um aumento de 1,5°C na temperatura do planeta resultaria em um aumento de 100 a 200% na população afetada por enchentes em Brasil, Colômbia e Argentina, 300% no Equador e Uruguai e 400% no Peru. No futuro mais imediato, algumas regiões – leste do Brasil, sudeste da Ásia, o Mediterrâneo, centro da China – e as zonas costeiras em quase todo o mundo serão atingidas por três, quatro ou mais calamidades de uma vez: seca, ondas de calor, ciclones, incêndios florestais, inundações. Inundações, irão deslocar, em média, 2,7 milhões de pessoas anualmente na África. Até 2050, mais de 85 milhões de pessoas podem ser obrigadas a deixar suas casas na África Subsaariana devido a impactos induzidos pelo clima. Em 2050, as cidades costeiras na "linha de frente" da crise climática terão centenas de milhões de pessoas expostas ao risco de tempestades cada vez mais frequentes e mais mortais devido à elevação do nível dos mares. Pesquisas recentes mostraram que um aquecimento de 2ºC poderia levar o gelo derretido no topo da Groenlândia e no oeste da Antártica – com água congelada suficiente para elevar os oceanos em 13 metros – a passar do ponto de não retorno. A última vez que os oceanos viram os níveis de acidificação e esgotamento de oxigênio projetados para 2100, com um cenário de altas emissões, ocorreu cerca de 56 milhões de anos atrás. Ondas de calor marinhas – que podem danificar e matar corais, florestas de algas marinhas, prados de ervas marinhas e invertebrados – se tornaram 34% mais frequentes e 17% mais longas entre 1925 e 2016. 4. Seca Barcos no lago Poopo, na Bolívia, região afetada pelas mudanças climáticas Reuters/David Mercado "A água é uma das questões com que a nossa geração vai se confrontar muito em breve. A falta de acesso a água potável afetará nossa saúde, não só na luta pela água, mas também em doenças relacionadas à falta de água e saneamento“, afirmou à AFP Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS). Interrupções no ciclo da água causarão o declínio de cultivos básicos dependentes de chuva na África Subsaariana. Até 40% das regiões produtoras de arroz na Índia podem se tornar menos adequadas para o cultivo do grão. Até 2050, entre 31 e 143 milhões de pessoas terão que se deslocar devido à escassez de água, questões agrícolas e ao aumento do nível do mar na África Subsaariana, sul da Ásia e América Latina, a depender dos níveis de emissões de carbono. "Haverá deslocamentos em massa, migrações em massa e precisamos tratar tudo isso como um problema global“, disse Neira. Até 75% do suprimento de água subterrânea – a principal fonte de água potável para 2,5 bilhões de pessoas – também podem ser afetados até o meio do século. Embora o custo econômico dos efeitos do clima sobre o abastecimento de água varie geograficamente, espera-se que ele reduza em 0,5% o PIB global até 2050. Cerca de 350 milhões a mais pessoas morando em áreas urbanas serão expostas à escassez de água devido a secas severas com um aquecimento de 1,5º C, e 410 milhões com um aquecimento de 2º C. 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x 5. Fome Pandemia faz crescer número de brasileiros em insegurança alimentar grave "A base da nossa saúde é sustentada por três pilares: a comida que comemos, o acesso à água e o abrigo. Esses pilares são totalmente vulneráveis e estão prestes a desabar“, disse à AFP Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS). Até 80 milhões a mais de pessoas correrão o risco de passar fome até 2050. Como acontece com a maioria dos impactos climáticos, os efeitos na saúde humana não serão sentidos da mesma forma por todos; o esboço do relatório sugere que 80% da população sob risco de fome vive na África e no sudeste da Ásia. À medida que as mudanças climáticas reduzem a produtividade e a demanda por cultivos para biocombustíveis e florestas que absorvem CO2 cresce, os preços dos alimentos devem aumentar em quase um terço em meados do século, deixando mais 183 milhões de pessoas em famílias de baixa renda à beira da fome crônica. Dezenas de milhões de pessoas a mais podem enfrentar fome crônica até 2050 e 130 milhões a mais poderão experimentar a pobreza extrema em uma década se permitirmos o aprofundamento da desigualdade. Na Ásia e na África, mais 10 milhões de crianças sofrerão de desnutrição e atraso no crescimento em meados do século, sobrecarregando uma nova geração com problemas de saúde para o resto da vida, apesar do maior desenvolvimento socioeconômico. A produção global de milho já caiu 4% desde 1981 devido às mudanças climáticas, e o aquecimento induzido pela atividade humana na África Ocidental reduziu a produção de milhete e sorgo em até 20% e 15%, respectivamente. A frequência de perdas repentinas na produção de alimentos já vem aumentando de forma constante nos últimos 50 anos. Entre 2015 e 2019, estima-se que 166 milhões de pessoas, principalmente na África e América Central, tenham necessitado de assistência humanitária devido a emergências alimentares relacionadas ao clima. O potencial de captura da pesca marinha – da qual milhões de pessoas dependem como principal fonte de proteína – deve diminuir entre 40% e 70% em regiões tropicais da África, se não houver redução na poluição por carbono. O teor de proteína do arroz, trigo, cevada e batata deve cair entre 6,4% e 14,1%, colocando cerca de 150 milhões de pessoas em risco de deficiência de proteínas. Os micronutrientes essenciais – que já estão em falta em muitas dietas do Sul Global – também caem com o aumento das temperaturas. "Se você sobrepõe os locais onde as pessoas já passam fome com onde as safras serão mais prejudicadas pelo clima, verá que são os mesmos lugares que já sofrem com uma elevada desnutrição", disse à AFP a pesquisadora Elizabeth Robinson, professora de economia ambiental da Universidade de Reading, no Reino Unido, e autora colaboradora na avaliação de saúde global da Lancet Countdown. Como a fome deixa 19 milhões de brasileiros mais vulneráveis à Covid-19: 'Não há sistema imune que resista' 6. Doenças Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia Enquanto as temperaturas em elevação aumentam os hábitats dos mosquitos, estima-se que até 2050 metade da população mundial esteja exposta a doenças provocadas por vetores, como dengue, febre amarela e zika. Sem reduções significativa das emissões de carbono, 2,25 bilhões de pessoas a mais poderiam ser colocadas em risco de dengue na Ásia, Europa e África. Os riscos decorrentes da malária e da doença de Lyme devem aumentar, e as mortes infantis por diarreia tendem a crescer até pelo menos o meio do século, apesar do maior desenvolvimento socioeconômico em países de alta incidência. As mudanças climáticas aumentarão o peso de doenças não transmissíveis: as doenças associadas à má qualidade do ar e à exposição ao ozônio, por exemplo, "aumentarão substancialmente". Haverá também maiores riscos de contaminação de alimentos e água por toxinas marinhas, indica o relatório. Assim como a maioria dos impactos relacionados com o clima, estas doenças irão castigar os mais vulneráveis. As escolhas políticas feitas agora podem reduzir essas consequências para a saúde, mas muitas são simplesmente inevitáveis a curto prazo, segundo o relatório. "A Covid tornou as fissuras em nossos sistemas de saúde extremamente visíveis", disse Stephanie Tye, pesquisadora associada da Prática de Resiliência Climática do Instituto Mundial de Recursos, que não esteve envolvida no relatório do IPCC. "Os efeitos e choques das mudanças climáticas irão sobrecarregar os sistemas de saúde ainda mais, por um período muito mais longo e de maneiras que ainda estamos tentando compreender totalmente", acrescentou Tye. 7. Calor extremo Termômetro marcou 42ºC em outubro de 2020 na Bela Vista, região central de São Paulo Celso Tavares/G1 O aumento das temperaturas reduzirá a capacidade física de trabalho, com o sul da Ásia, a África Subsaariana e partes das Américas Central e do Sul perdendo até 250 dias de trabalho por ano até 2100. Um adicional de 1,7 bilhão de pessoas serão expostas a um calor severo e 420 milhões serão submetidas a ondas de calor extremas a cada cinco anos se as temperaturas aumentarem de 1,5°C para 2°C de aquecimento. Esse meio grau a mais na temperatura também significará mais 420 milhões de pessoas expostas a ondas de calor extremas e potencialmente letais. Até 2080, de 390 a 490 milhões de moradores de cidades na África Subsaariana, e de 940 milhões a 1,1 bilhão no sul e sudeste da Ásia poderão enfrentar mais de 30 dias de calor extremo a cada ano. Ações de mudança O IPCC destaca que muito pode ser feito para evitar os piores cenários e nos prepararmos para os impactos que não podem mais ser evitados – esta é a lição final. Mas simplesmente trocar um carro a gasolina por um modelo elétrico ou plantar bilhões de árvores para compensar o modo usual de fazer as coisas não irá resolver o problema. "Nós precisamos redefinir nosso estilo de vida e consumo", alerta o documento. "Precisamos de uma mudança transformadora em processos e comportamentos em todos os níveis: individual, comunitário, n`os negócios, instituições e governos". Veja algumas ações de mudança apontadas: Reduzir à metade o consumo de carne vermelha e dobrar a ingestão de castanhas, frutas e vegetais poderia diminuir as emissões de gases-estufa em até 70% até 2050 e salvar a vida de 11 milhões de pessoas até 2030. A preservação e a restauração dos chamados ecossistemas de carbono azul (que sequestram carbono), tais como florestas de algas e manguezais, por exemplo, aumentam o armazenamento de carbono e protegem contra tempestades, além de fornecer habitats para a vida selvagem, sustento para comunidades costeiras e segurança alimentar. "A vida na Terra pode se recuperar de uma drástica mudança climática evoluindo para novas espécies e criando novos ecossistemas. Os seres humanos não podem", sinaliza o relatório.
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23/06 - Por que os indígenas protestam em Brasília? Entenda o PL 490, projeto que muda a demarcação de terras
Projeto de Lei 490, de 2007, é fortemente criticado por indígenas e entidades. Proposta prevê que, para ter uma terra demarcada, povos precisam comprovar ocupação em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. Indígenas mostram capsulas de armamento não letal usado contra os representantes das etnias, em confronto no DF Andressa Zumpano/Articulação das Pastorais do Campo Representantes indígenas protestam em frente à Câmara dos Deputados contra o PL 490/2007 Tiago Miotto/Cimi Indígenas de diferentes etnias do Brasil protestam há duas semanas em frente à Câmara dos Deputados, em Brasília, contra a aprovação do Projeto de Lei 490, de 2007. Ele prevê mudanças no reconhecimento da demarcação das terras e do acesso a povos isolados. Policiais e indígenas entram em confronto durante protesto em Brasília 62% dos indígenas na Amazônia estão vacinados contra Covid; AC e PA têm aldeias com baixa adesão Na terça-feira (22), quando havia expectativa se o projeto avançaria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), o protesto de indígenas contra o PL 490 foi reprimido pela polícia em Brasília. Nesta quarta-feira (23) o tema tem chance de continuar sua tramitação. Antes, em 2008, foi aprovado na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e rejeitado na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. O que prevê o projeto de lei 490/2007? O PL 490/2007 determina que são terras indígenas aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988. Ou seja: é necessária a comprovação da posse da terra no dia da promulgação da Constituição Federal. Pela legislação atual, a demarcação exige a abertura de um processo administrativo dentro da Fundação Nacional do Índio (Funai), com criação de um relatório de identificação e delimitação feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui um antropólogo. Não há necessidade de comprovação de posse em data específica. Além da implementação do marco temporal, o texto também proíbe a ampliação de terras que já foram demarcadas previamente, independentemente dos critérios e da reivindicação por parte dos povos indígenas interessados. Há, ainda, um ponto bastante criticado por organizações não-governamentais a respeito de um trecho do projeto que abriria espaço para uma flexibilização do contato com povos isolados, o que poderia causar um perigo social e de saúde às comunidades. VÍDEO: Confronto entre policiais e indígenas durante protesto no DF tem feridos O que muda na demarcação de terras indígenas? Se aprovado, as terras futuramente demarcadas ou em processo de demarcação devem comprovar a ocupação no dia 5 de outubro de 1988. Advogada do Instituto Socioambiental, Juliana de Paula Batista acredita que essa exigência causa extrema dificuldade para indígenas que habitam e habitavam as terras. Ela cita como exemplo os territórios ocupados por avós e outros familiares desde décadas ou séculos passados em que os registros formais eram mais escassos. "Muitos indígenas nesta época não tinham contato com a sociedade ou eram povos de recente contato. Os indígenas até 1988 eram tutelados pela União, eles sequer eram considerados povos com capacidade jurídica plena", explicou a advogada. "Tanto a forma de comprovar que estava na área quanto as formas de comprovar que foram expulsos dessa área são muito difíceis de serem feitas por esses povos que têm relações muito diferenciadas com a sociedade nacional", complementa Juliana Batista. Além disso, também poderá ser "vedada a ampliação de terras indígenas já demarcadas", como aponta o próprio texto do projeto. Rafael Modesto, assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lembra o caso do povo Muky, do Mato Grosso, que recebeu em 1968 uma terra do governo federal que estava fora de sua ocupação histórica. Ele conta que a demarcação foi feita de forma irregular, muito menor do que o espaço de fato utilizado pela comunidade tradicional. Neste caso, a nova lei, se aprovada, impede a revisão do território. Tamandua e Baita, indígenas isolados e sobreviventes do povo Piripkura, em cena do documentário "Piripkura" Bruno Jorge/Instituto Socioambiental (ISA) O que muda em relação aos povos isolados? São povos isolados aqueles indígenas que não mantêm contato com o homem branco, com a sociedade, ou possuem uma relação bastante restrita. O artigo 29 do projeto diz: "no caso de indígenas isolados, cabe ao Estado e à sociedade civil o absoluto respeito a suas liberdades e meios tradicionais de vida, devendo ser ao máximo evitado o contato, salvo para prestar auxílio médico ou para intermediar ação estatal de utilidade pública". Neste caso, segundo Batista, a lei abre um precedente para que o governo decida o que é "utilidade pública". O texto não especifica quais são os critérios para "utilidade pública" que poderiam levar ao contato com indígenas isolados no país. "Os povos que vivem em isolamento voluntário sabem que ali perto de onde eles vivem tem uma fazenda, tem uma vila, tem outros povos, e é uma escolha deles fazer isolamento", explica a advogada. "E é um política do estado brasileiro desde a redemocratização respeitar a opção desses povos e também não ir até lá forçar um contato. Até porque esses povos não têm memória imunológica, podem morrer por causa de uma gripe", argumenta Juliana Batista, advogada do Instituto Socioambiental. O que dizem os indígenas? Organizações indígenas se posicionam fortemente contra a aprovação do PL 490. Diferentes povos se reúnem há duas semanas em frente à Câmara dos Deputados e protestam contra o marco temporal de 1988 e as outras mudanças previstas no texto. Em nota, após confronto com a polícia nesta terça-feira, o Cimi defendeu o "direito de manifestação" e disse que: "Ele foi duramente atacado para que se possam aprovar o Projeto de Lei nº 490/2007, que tem por objetivo a exploração e a apropriação das terras indígenas. Estas áreas de ocupação tradicional são públicas e, portanto, de toda a sociedade brasileira e a nossa Constituição não permite tacanho abuso". O que diz o relator do projeto? O relator Arthur Maia (DEM/BA) diz que o marco temporal de 1988 já tem jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) com base em outra decisão, a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Na época, ministro Ayres Brito caracterizou: “[...] Aqui, é preciso ver que a nossa Lei Maior trabalhou com data certa: a data da promulgação dela própria (5 de outubro de 1988) como insubstituível referencial para o reconhecimento, aos índios, “dos direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, deve apreciar o tema nas próximas semanas e, por isso, advogados ligados às organizações indígenas argumentam que o tema ainda está em aberto, sem marco temporal definido. Isso porque em 2019 o STF definiu que o processo relacionado ao povo Xokleng, em Santa Catarina, deve ser tratado como caso de "repercussão geral". Ou seja, a análise do processo vai definir a jurisprudência sobre o tema. Ao menos 5 pessoas ficaram feridas numa batalha entre indígenas e policiais em Brasília
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22/06 - Elefante quebra parede de casa em busca de comida na Tailândia
Fotos foram tiradas pela dona do imóvel, Radchadawan Peungprasopporn, no domingo (20). Nas imagens é possível ver que o animal enfiou a cabeça pela parede da cozinha. Elefante procura comida na cozinha de casa em Pa La-U, Hua Hin, na Tailândia. A foto foi tirada pela dona do imóvel, Radchadawan Peungprasopporn, em 20 de junho de 2021. Radchadawan Peungprasopporn/Facebook/AFP Um elefante quebrou a parede de uma casa em Pa La-U, na Tailândia, no domingo (20). Segundo a dona do imóvel, Radchadawan Peungprasopporn, o animal procurava por comida. Nas imagens é possível ver que o elefante quebrou a parede da cozinha, logo acima da pia, onde há louça e o que parecem ser restos de comida. Vídeos feitos por Puengprasoppon e publicados no Facebook mostram o elefante vasculhando armários e gavetas com sua tromba e derrubando pratos. "Estávamos dormindo e acordamos com um som dentro de nossa cozinha", contou Puengprasoppon à rede americana CNN. "Então corremos escada abaixo e vimos um elefante enfiar a cabeça na nossa cozinha, onde a parede estava quebrada". Ela afirmou que a parede da sua cozinha já tinha um buraco, porque um outro elefante se chocou contra a casa no mês passado, e o dano causado ainda não tinha sido consertado quando o segundo animal apareceu e enfiou a cabeça pelo buraco, aumentando o tamanho do estrago. "Desde que eu era jovem, vi elefantes perambulando por nossa cidade em busca de comida. Mas esta é a primeira vez que eles realmente danificaram minha casa", disse a tailandesa à CNN. VEJA TAMBÉM: Vídeos mostram flagras de brigas entre animais Elefante procura comida na cozinha de casa em Pa La-U, Hua Hin, na Tailândia. A foto foi tirada pela dona do imóvel, Radchadawan Peungprasopporn, em 20 de junho de 2021. Radchadawan Peungprasopporn/Facebook/AFP Pa La-U fica no distrito de Hua Hin, a cerca de 200 km da capital Bangcoc. A Tailândia tem quase 70 milhões de habitantes e é o 20º país mais populoso do mundo, logo à frente de Reino Unido e França, que têm cerca de 67 milhões cada um, segundo o "Our World in Data". O país fica no sudeste asiático e faz fronteira com Mianmar, Laos, Camboja e Malásia. VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
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21/06 - Chaules Pozzebon, madeireiro apontado como o maior desmatador do Brasil é condenado a quase 100 anos de prisão
Ele foi preso em 2019 pela Polícia Federal, durante a Operação Deforest. A sentença de 592 páginas também define a pena para os outros 15 réus. Chaules Volban Pozzebon, apontado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) como um dos maiores desmatadores do Brasil, foi condenado a 99 anos, dois meses e vinte e três dias de prisão por crimes de organização criminosa e extorsão. A sentença é da juíza Larissa Pinho de Alencar, da 1ª Vara Criminal de Ariquemes (RO). Além de Chaules, outras 15 pessoas foram condenadas no processo. Chaules é empresário na região de Ariquemes, dono de mais de 100 madeireiras. Ele foi preso em 2019 pela Polícia Federal (PF), durante a Operação Deforest, suspeito de liderar uma organização criminosa que invadia terras para extração ilegal de madeira. Chaules foi preso em casa em Ariquemes. Polícia Federal/Reprodução A sentença de 592 páginas também define a pena para outros 15 envolvidos, sendo que 11 são policiais militares. As investigações começaram a partir de denúncias feitas ao MP-RO por moradores da região do Vale do Jamari que estariam sendo ameaçados e extorquidos pelo grupo composto por empresários, policiais, pistoleiros, entre outras pessoas. "Consequências do crime são gravíssimas, tendo em vista que a organização criminosa liderada e ordenada pelo acusado Chaules impõe grande temor e violência as vítimas daquela região, que se veem reféns dos integrantes dessa organização", consta na sentença. Recentemente, em junho de 2021, a justiça negou o pedido dos advogados de defesa de Chaules, para que ele fosse transferido do presídio federal de Campo Grande (MS) para um de Rondônia. Maior audiência de instrução do Brasil Conforme informações do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), ao todo foram ouvidas 96 pessoas no processo. A audiência de instrução, iniciada em julho de 2020 levou mais de um mês para ser concluída. "Foi a maior audiência de instrução virtual feita no Brasil", destacou a juíza da 1ª Vara Criminal, Larissa Pinho. O que diz a defesa? Os advogados de Chaules se posicionaram sobre o caso manifestando "imensa perplexidade com essa sentença, absolutamente equivocada, desproporcional e proferida em uma justiça claramente incompetente". Eles ainda completam ressaltando que "além da violação do devido processo, a sentença condenatória é contrária à ampla prova de inocência dos acusados que foi produzida. A decisão condena Chaules pelo crime de extorsão quando as próprias vítimas do processo afirmam que ele jamais praticou crime de extorsão contra elas". Por fim, a defesa classifica as penas definidas pela justiça como "absurdamente exageradas e desproporcionais" e possuem "plena convicção de que a sentença será reformada pelo Tribunal, inclusive com a anulação do processo". VÍDEOS: veja mais notícias de Rondônia
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21/06 - O 'peixe-fóssil' capaz de viver mais de 100 anos
Cientistas imaginavam que o celacanto poderia viver durante cerca de 20 anos, mas um novo estudo sugere que chega perto de 100. Funcionários do Museu Nacional do Quênia exibem um celacanto capturado em 2001 Getty Images via BBC Um peixe "fóssil vivo" pode sobreviver por um período impressionantemente longo. Talvez até um século, de acordo com um novo estudo. Acreditava-se que o celacanto tivesse uma vida útil de cerca de 20 anos, mas novas estimativas sugerem que ele é um centenário do oceano, ao lado de tubarões. Pesquisadores franceses estudaram marcas nas escamas de espécimes de um museu, da mesma forma que os anéis das árvores indicam a idade delas. Eles acreditam que o peixe se reproduz apenas no final da meia-idade e pode ter uma gestação de até cinco anos. Os peixes de crescimento lento, que produzem poucos filhotes, são particularmente vulneráveis ​​às pressões de extinção, como mudanças climáticas e a pesca predatória. Conhecer a história de vida do celacanto pode ajudar a impor medidas de proteção e conservação ainda mais rígidas, disse Bruno Ernande, da Universidade de Montpellier, na França. "Uma estrutura muito importante para medidas de conservação é ser capaz de avaliar a demografia das espécies", disse ele à BBC News. "Com essas novas informações, poderemos avaliá-las melhor." Peixe celacanto no Quênia em foto de 2001 George Mulala/Reuters O celacanto foi considerado por muito tempo como extinto, até que apareceu em uma rede de pesca na África do Sul em 1938. Posteriormente, foram descobertas duas populações vivendo na costa leste da África e outra na costa de Sulawesi, na Indonésia. A população africana é classificada como criticamente em perigo de extinção, possivelmente com apenas algumas centenas de indivíduos restantes. "(O) celacanto parece ter uma das, senão a mais lenta, linhas de vida entre os peixes, e perto das dos tubarões e outros valentões do fundo do mar", disse Kélig Mahé, da Unidade de Pesquisa Pesqueira do Mar do Norte em Boulogne-sur-mer, na França. "Nossos resultados, portanto, sugerem que ele pode estar ainda mais ameaçado do que o esperado devido à sua história de vida peculiar. Consequentemente, essas novas informações sobre a biologia e a história dos celacantos são essenciais para a conservação e o manejo da espécie." Os celacantos são encontrados ao longo da costa da Indonésia e no oceano Índico Getty Images via BBC Em estudos futuros, os cientistas planejam realizar análises adicionais de celacanto em escala para descobrir se a essa taxa de crescimento está relacionada à temperatura. A resposta fornecerá alguns insights sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre essa espécie vulnerável. Os ancestrais do celacanto evoluíram 420 milhões de anos atrás, sobrevivendo à mudança dos continentes e ao ataque de asteroides que exterminou os dinossauros. Habitando em cavernas no fundo do oceano, os celacantos podem crescer até 1,8 metro, levando a balança a registrar mais de 90 kg. A pesquisa foi publicada na revista Current Biology. Veja VÍDEOS de natureza e meio ambiente
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21/06 - Antiga técnica indígena para uso de água ajuda Peru a enfrentar seca
Peru está recorrendo a antigas técnicas indígenas e ecossistemas naturais para manter suas torneiras funcionando, já que mudanças climáticas ameaçam secar seu abastecimento de água. No alto dos Andes, uma área pantanosa chamada 'bofedal' ajuda a reter a água o ano todo e a abastecer vilarejos localizados mais abaixo, incluindo Lima, durante a estação de seca Erica Gies/BBC Antes da pandemia de Covid-19, no inverno austral, dirigi ao norte de Lima, subindo o altiplano peruano até o vilarejo de Huamantanga. Estava acompanhado de cientistas que estudam o uso de uma técnica de 1,4 mil anos por agricultores locais para ampliar a disponibilidade de água na longa estação de seca. LEIA TAMBÉM: Pedras 'preciosas' que geraram corrida por diamantes na África do Sul eram quartzo Operação Barbarossa: 10 respostas sobre 'pior erro' de Hitler na 2ª Guerra Mundial Em nosso caminho pelo estreito Vale do Rio Chillón, uma pequena faixa de plantações verdes em meio a muralhas de rochas fulvas, cruzamos o rio e começamos a subir uma estrada de terra íngreme de pista única à beira da encosta de uma montanha. A cerca de 3.500 metros, chegamos a um platô com campos de abacates, lúpulo, batata e feijão e, finalmente, ao vilarejo, onde construções de dois andares de tijolos de barro e concreto ladeavam ruas estreitas de terra. Burros, cavalos, vacas, cães e pessoas zanzavam por ali. A Cordilheira dos Andes é um dos seis lugares do mundo em que surgiram civilizações complexas, motivadas pela precipitação sazonal, que provou ser um catalisador para inovações hídricas repetidas vezes. As pessoas nutriam conhecimentos profundos sobre a água e o subsolo, implementando estratégias que ainda surpreendem — e alguns ainda usam. Hoje, os peruanos modernos estão implantando novamente esse conhecimento antigo e protegendo ecossistemas naturais, como áreas úmidas em alta altitude, para ajudar o país a se adaptar às mudanças climáticas. É um dos primeiros esforços do mundo para integrar a natureza à gestão de recursos hídricos em escala nacional. O Peru está entre os países com maior insegurança hídrica do mundo. A capital Lima, onde vive um terço da população do país, se estende por uma planície desértica plana e tem apenas 13 mm de precipitação por ano. Para sustentar a população, conta com três rios que nascem nos Andes, que se erguem atrás da cidade, atingindo 5.000 m em apenas 150 quilômetros. Os moradores de Lima não estão sozinhos na dependência de água das montanhas. Estima-se que 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo podem depender da água que flui das montanhas até 2050, em comparação com 200 milhões na década de 1960. A escassez de água no Peru está piorando como resultado da mudança climática. Como muitos testemunharam, as geleiras das montanhas derreteram e a estação das chuvas diminuiu para apenas alguns meses. Já a companhia de água de Lima, Sedapal, só consegue abastecer os clientes 21 horas por dia — e Ivan Lucich, presidente da Superintendência Nacional de Serviços de Saneamento (Sunass), diz esperar um declínio ainda maior nos próximos anos. Um relatório de 2019 do Banco Mundial que avaliou os riscos de seca no Peru concluiu que as estratégias atuais da capital para administrar a seca — barragens, reservatórios, armazenamento subterrâneo — serão insuficientes já em 2030. Vários anos atrás, desesperados por segurança hídrica, os líderes do país fizeram algo radical: aprovaram uma série de leis nacionais exigindo que as concessionárias de água investissem um percentual das contas de seus clientes em "infraestrutura natural". Estes fundos — chamados Mecanismos de Retribuição por Serviços Ecossistêmicos (MRSE) — são destinados a intervenções hídricas baseadas na natureza, como restaurar antigos sistemas humanos que trabalham com a natureza, proteger áreas úmidas e florestas em altas altitudes ou introduzir pastoreio rotativo para proteger as pastagens. No vilarejo andino de Huamantanga, os moradores ainda usam um antigo sistema de canais, conhecido como 'amunas', para armazenar a água da estação chuvosa no subsolo Erica Gies/BBC Antes, era considerado uso indevido de dinheiro público se as concessionárias investissem na bacia hidrográfica. Agora é exigido. À medida que a mudança climática provoca alterações na água em todo o mundo, as estruturas convencionais de controle hídrico estão deixando cada vez mais a desejar. Essas intervenções humanas tendem a confinar a água e acelerar o processo, eliminando as etapas naturais quando a água fica estagnada no solo. As soluções baseadas na natureza, por outro lado, abrem espaço e tempo para essas fases lentas. Ao pesquisar para meu próximo livro sobre o assunto, passei a pensar nestas soluções como "slow water" ("águas lentas"). Assim como no movimento slow food ("comida lenta"), as abordagens "slow water" são feitas sob medida: trabalham com paisagens, climas e culturas locais, em vez de tentar controlá-los ou mudá-los. Também fornecem vários outros benefícios, incluindo armazenamento de carbono e habitat para plantas e animais ameaçados. Por essas razões, a conservação de áreas úmidas, planícies aluviais e florestas montanhosas para a gestão de recursos hídricos é um movimento que cresce em todo o mundo, inclusive entre instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial. Mas a maioria dos projetos até agora são pequenos e desconectados, então as pessoas tendem a considerá-los como recursos secundários interessantes, em vez de uma ferramenta fundamental. É semelhante à visão de longa data em relação à energia solar e eólica que está rapidamente se tornando ultrapassada: são boas, mas acreditava-se que não eram capazes de desempenhar um papel importante no que se refere a atender nossas demandas energéticas. O programa nacional do Peru, no entanto, tem o potencial de demonstrar quão eficazes as soluções "slow water" podem ser, quando implementadas na escala das bacias hidrográficas. No entanto, apesar das políticas inovadoras do país, colocá-las em prática tem sido um processo lento, em parte devido à alta rotatividade no governo — incluindo cinco presidentes em cinco anos. Outro grande obstáculo, e que a maioria dos países enfrenta, é superar as práticas arraigadas no setor hídrico para tentar algo novo. Em 2018, a Global Affairs Canada e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional se comprometeram a investir US$ 27,5 milhões (R$ 140 milhões) em cinco anos para ajudar o Peru a tirar do papel seu programa inovador. O dinheiro foi para a Forest Trends, uma ONG que trabalha em soluções naturais para a água no Peru desde 2012. Seu diretor executivo, Fernando Moimy, defende há muito tempo a ideia, primeiro no governo como ex-chefe da Sunass, depois por meio da Forest Trends. A iniciativa da ONG, chamada Infraestrutura Natural para Segurança Hídrica, visa fornecer conhecimento técnico, afirma Gena Gammie, diretora-adjunta do projeto. A Distichia muscoides, com suas pequenas flores alpinas, é uma planta dominante nas áreas úmidas dos 'bofedales' que ajudam a paisagem a reter água Erica Gies/BBC Agora a iniciativa está ganhando força. Quarenta das 50 concessionárias de água do país estão coletando fundos MRSE — e arrecadaram mais de US$ 30 milhões. A Sunass espera que sejam angariados pelo menos US$ 43 milhões até 2024. Esse dinheiro está sendo investido em mais de 60 projetos em todo o país. Entre os apoiados pela Sedapal, serviço de abastecimento de água de Lima, estão projetos que fortalecem uma antiga técnica de armazenamento de água e protegem os raros bofedales, áreas úmidas de alta altitude. 'Semear' água Foi isso que me levou à viagem pelas montanhas peruanas ao norte de Lima, até o vilarejo de Huamantanga, junto a cientistas que estão estudando as antigas técnicas de gerenciamento de água da região. As pessoas que vivem aqui são camponeses: membros de um coletivo agrícola. Elas usam canais de água chamados amunas — palavra em quechua que significa "reter" — para desviar o fluxo dos córregos das montanhas na estação chuvosa e direcioná-lo para bacias de infiltração naturais. A estratégia, inventada por um antigo povo chamado Huari, ainda é praticada aqui e em alguns outros vilarejos andinos. Como a água se move mais lentamente no subsolo à medida que atravessa o cascalho e o solo, ela emerge encosta abaixo dos mananciais meses depois, quando os camponeses a coletam para regar suas plantações. Como grande parte da irrigação penetra no solo e acaba voltando aos rios que abastecem Lima, revitalizar as amunas abandonadas espalhadas pelas montanhas poderia prolongar a água na estação de seca para os moradores das cidades também. Daí o interesse da Sedapal. Na praça principal de Huamantanga, em frente a uma igreja católica, conheci Katya Perez, pesquisadora social da ONG Condesan, que estuda como as pessoas interagem com os sistemas de água. Ela estabeleceu uma relação com os camponeses aqui, reunindo seus conhecimentos e tradições para manter as amunas. Por exemplo, eles realizam cerimônias de limpeza e bênção dos canais, porque sabem que a remoção anual de lodo permite que continuem funcionando bem. As amunas ficam acima da vila, a cerca de 4.500 metros, então alugamos cavalos dos moradores e cavalgamos pela puna ensolarada, vegetação local repleta de pequenos arbustos e pés de tremoços com flores roxas. As montanhas se acumulam uma atrás da outra em um aparente infinito, e um pássaro gigante — possivelmente um condor andino — paira sobre nós. Finalmente, avisto uma amuna. Construída com a disposição cuidadosa de rochas, tem cerca de 60 centímetros de largura e alguns metros de profundidade, serpenteando pelos contornos sinuosos das colinas. Os 'bofedales' têm plantas de baixo crescimento e bem adaptadas às condições locais de 'verão todos os dias e inverno todas as noites' Erica Gies/BBC É julho, meados da estação de seca, e a amuna está quase sem água, tendo levado seu tesouro hídrico para uma depressão rochosa em forma de tigela, onde se infiltrou no solo. A camponesa Lucila Castillo Flores, uma senhora de saia e chapéu, compara o que acontece aqui a "semear" água. "Se semearmos a água, podemos colher a água", diz Flores. "Mas se não semearmos a água, teremos problemas." Pouco antes do desvio para a amuna, os pesquisadores instalaram uma pequena barragem, uma placa de metal colocada verticalmente no córrego com um entalhe em forma de V. Ferramenta clássica para monitorar a vazão da água, esta barragem cria um pequeno lago, elevando o nível da água para que passe pelo "V" mesmo quando está baixo, explicou um dos cientistas, o engenheiro hídrico Boris Ochoa-Tocachi, diretor-executivo da empresa de consultoria ambiental ATUK, com sede no Equador, e consultor da Forest Trends. A altura da água é medida com um transdutor de pressão, um instrumento submerso no lago formado pela barragem. Quanto maior o peso no sensor, significa mais água. Os dados coletados aqui serviram de base para um estudo sobre as amunas que fez parte da tese de Ochoa-Tocachi na universidade Imperial College, em Londres, publicada na Nature Sustainability em 2019. Montados de volta nos cavalos, descemos parte da montanha e paramos em um manancial abastecido por amunas. Aqui, a água que estava viajando pela rocha e pelo solo brotou em um córrego borbulhante. "Você está vendo, é realmente muita água em comparação com o fluxo que vimos na barragem", diz Ochoa-Tocachi, com óbvia satisfação. Uma das coisas mais marcantes sobre as amunas é que os camponeses sabem qual canal abastece qual manancial, o que significa que eles entendem o caminho que a água segue no subsolo. As entrevistas de Perez com a população local documentaram esse conhecimento, que foi transmitido de geração para geração. O pesquisador Boris Ochoa-Tocachi parado sobre uma 'amuna', agora com pouca água, após ter enviado seu fluxo para as bacias de infiltração Erica Gies/BBC Os urbanistas tendem a não levar em consideração o conhecimento dos povos rurais e indígenas, diz Ochoa-Tocachi, mas os pesquisadores foram capazes de confirmar as informações deles, classificadas como "muito precisas", ao adicionar rastreadores aos fluxos das amunas e, na sequência, usar detectores sensíveis para monitorar o surgimento dessas moléculas nos mananciais. Esta descoberta "nos surpreendeu", afirma Ochoa-Tocachi. "Isso mostra que podemos usar o conhecimento nativo para complementar a ciência moderna e fornecer soluções para os problemas atuais." Ele e os coautores do estudo analisaram modelos de como revitalizar as várias amunas abandonadas espalhadas pelo altiplano andino poderia aumentar o abastecimento de água para Lima, que já está cerca de 5% abaixo — um déficit de aproximadamente 43 milhões de metros cúbicos. Concentrando-se apenas na maior bacia hidrográfica das três que abastecem Lima, eles calcularam um desvio de cerca de 35% dos fluxos de água para as amunas na estação chuvosa, deixando o resto no rio para nutrir a vida aquática. Eles partiram do pressuposto que metade da água desviada também iria para o meio ambiente, nas profundezas do subsolo ou liberadas na atmosfera por meio de plantas. No entanto, o que restou foram 99 milhões de metros cúbicos — mais do que o dobro do que Lima precisa. Eles também mostraram que a água desviada passa entre duas semanas a oito meses no subsolo, com um atraso médio de 45 dias. Diminuir a velocidade dessa água aumentaria o fluxo dos rios no início da estação de seca em 33%, adiando a necessidade de Lima recorrer a seus reservatórios. Como os engenheiros que tomam decisões sobre projetos hídricos exigem dados concretos como estes para implementar projetos, esta pesquisa é fundamental para mudar a forma como gerenciamos a água. Ela traduz a eficácia dos projetos "slow water" para a língua que os engenheiros falam. Esta barragem mede quanta água está fluindo para a 'amuna', enquanto mais abaixo, a água que emerge da fonte subterrânea também é monitorada Erica Gies/BBC Incentivada pelas descobertas, a Sedapal planeja investir US$ 3 milhões no fortalecimento de 12 amunas acima de Huamantanga, construindo mais duas e revitalizando as pastagens vizinhas, conta Oscar Angulo, coordenador de água e saneamento para investimento em infraestrutura natural da Forest Trends. Áreas encharcadas A Sedapal e outras concessionárias de água no Peru também estão investindo em ecossistemas naturais. Saindo de Lima novamente, desta vez rumo ao nordeste ao longo do Rio Rimac, acompanhei um grupo de especialistas regionais em água a uma turfeira tropical rara de alta altitude chamada bofedal, que são áreas pantanosas. Exclusivos dos Andes, os bofedales são dominados por plantas bem adaptadas às condições tropicais de montanha de "verão todos os dias e inverno todas as noites", prosperando sob o sol intenso, ventos fortes, um período breve de semeadura, congelamento diário e neve sazonal. As plantas de baixo crescimento, firmes, mas esponjosas, são pontilhadas com pequenas flores em forma de estrela e entremeadas com pequenas poças de água. As turfeiras, incluindo os bofedales, têm uma porcentagem maior de matéria orgânica do que outros solos, o que as torna excepcionalmente boas em reter água. Lucila Castillo Flores, fotografada aqui em sua casa, explica como as pessoas da comunidade mantêm as 'amunas' para fornecer água durante o ano Erica Gies/BBC Embora as turfeiras cubram apenas 3% da área terrestre, elas armazenam 10% de toda a água doce (e 30% do carbono no solo) do mundo. Na paisagem íngreme da Cordilheira dos Andes, os bofedales reduzem o escoamento da água, evitando inundações e deslizamentos de terra. À medida que as geleiras que antes armazenavam água derretem, os bofedales desempenham um papel ainda mais importante na retenção de água para abastecimento na estação de seca. Por permanecerem verdes o ano todo, os bofedales também são focos de biodiversidade, sendo frequentados por pássaros e mamíferos, incluindo veados, pumas, raposas andinas, gatos-dos-pampas, vicunhas e guanacos, ancestrais selvagens das domesticadas alpacas e lhamas. Depois de horas dirigindo em direção às nuvens, chegamos a um ponto a cerca de 4.500 metros de altitude, onde o vale se ampliou, exibindo um lago sazonal e um bofedal. Mas algo estava terrivelmente errado. Quadrados de solo de 1,5 metro de comprimento e 30 centímetros de profundidade haviam sido retalhados em um padrão quadriculado por caçadores de turfa para vender aos viveiros de plantas em Lima. Esta turfa, depositada ao longo de milênios, foi destruída em poucos minutos. Os fragmentos restantes, recém-expostos, cheiravam a decomposição devido à oxidação da matéria orgânica. Este bofedal acima da cidade andina de Carampoma foi atacado por caçadores de turfa Erica Gies/BBC Nos deparamos com a superfície irregular do vale, com nossos passos levantando poeira vermelha. Mas, em março, as autoridades percorreram a longa estrada até o vilarejo local, Carampoma, para a cerimônia de lançamento do investimento de US$ 850 mil da Sedapal para restaurar a área devastada e proteger os bofedales saudáveis ​​que restaram. O programa vai trabalhar em parceria com a comunidade para afastar a pastagem das áreas afetadas e introduzir a vigilância dos bofedales. O Peru tem leis para proteger as áreas úmidas, mas a aplicação da legislação é um tanto turva. Para esclarecer a situação, a Forest Trends está se reunindo com autoridades e desenvolvendo um manual para as comunidades, para que a população local saiba o que fazer (como tirar fotos e obter coordenadas de GPS) e quais autoridades notificar, diz Angulo. Para restaurar as áreas úmidas danificadas, as pessoas vão reintroduzir plantas colhidas cuidadosamente de um local próximo e garantir o fluxo de água para nutri-las. Os cientistas não sabem quanto tempo vai demorar para restaurar a turfa, mas Angulo espera que a natureza possa começar a se recuperar por conta própria rapidamente com um pouco de ajuda. Em todos esses projetos, os benefícios para a comunidade local são vitais, explica Angulo, então eles estão motivados a manter as práticas de gestão da terra e da água que, em última instância, beneficiam a bacia hidrográfica como um todo. Sem isso, "dois a três anos depois, não será sustentável", afirma. Quando os caçadores de turfa cortam fragmentos do 'bofedal', as plantas vizinhas secam e morrem Erica Gies/BBC Embora cada país tenha questões hídricas, paisagens e culturas únicas, outros lugares podem aprender com a experiência do Peru. Os europeus que dependem dos Alpes e os asiáticos que contam com os Himalaias para obter água também estão perdendo suas geleiras para as mudanças climáticas e vão precisar de novas maneiras de captar água das cheias para proteger casas e negócios e armazenar água para uso posterior. A atividade humana que degrada a capacidade da terra de reter água pode ser revertida, seja o desmatamento nas montanhas do Quênia ou o sobrepastoreio no oeste dos Estados Unidos. Expandir as soluções "slow water" pelas bacias hidrográficas tem uma curva de aprendizado íngreme, mas a seriedade da crise climática exige uma ação rápida. "Não temos todas as informações que adoraríamos ter hoje para tomar as melhores decisões possíveis. Mas podemos tomar boas decisões", diz Gammie, acrescentando que o monitoramento científico está permitindo que eles "aprendam e aprimorem à medida que avançam". O financiamento para esta reportagem foi fornecido pela National Geographic Society. VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
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21/06 - Pedras 'preciosas' que geraram corrida por diamantes na África do Sul eram quartzo, revela teste
Milhares de pessoas foram para a aldeia KwaHlathi tentar a sorte com mineração de diamantes, mas elas estavam enganadas. Muitos sul-africanos achavam que pedras encontradas eram diamantes, mas elas eram quartzo Reuters O governo sul-africano afirmou que pedras tidas como preciosas encontradas em um vilarejo no mês passado não eram diamantes, mas sim quartzo, um mineral de valor bastante inferior. Um pastor de gado havia descoberto as pedras pela primeira vez na província de KwaZulu-Natal. Isso fez com que milhares corressem para a aldeia KwaHlathi, a mais de 300 km a sudeste de Johanesburgo (veja no vídeo abaixo). LEIA TAMBÉM: 3º maior diamante do mundo é descoberto em Botsuana Antiga técnica indígena para uso de água ajuda Peru a enfrentar seca Mas, depois de diversos testes, as autoridades disseram que as pedras são cristais de quartzo, que são muito menos valiosos. Depois do feldspato, o quartzo é o mineral mais abundante na crosta terrestre. "Os testes conduzidos de forma conclusiva revelaram que as pedras descobertas na área não são diamantes", disse um comunicado do governo local. Corrida aos 'diamantes' na África do Sul A "corrida por diamantes" ocorreu em uma das regiões mais pobres da África do Sul. O país — que já sofre com altos níveis de desigualdade econômica — viu um aumento no desemprego em meio à pandemia de Covid-19 em curso. De acordo com dados da Universidade Johns Hopkins (EUA), a África do Sul registrou mais casos de coronavírus do que qualquer outro país do continente, com 1,8 milhões de infecções confirmadas e quase 60 mil mortes notificadas. Multidão vai para vilarejo de KwaHlathi, na África do Sul, após fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostrarem pessoas celebrando o que acreditavam ser diamantes. Mas as pedras descobertas perto de Ladysmith, na província de KwaZulu-Natal, eram apenas quartzo. Foto de 14 de junho de 2021. Siphiwe Sibeko/Reuters 'Caçadores de fortunas' vão à aldeia de KwaHlathi, na África do Sul, após fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostrarem pessoas celebrando ao encontrar o que acreditavam ser diamantes, mas eram apenas quartzo. Foto de 14 de junho de 2021. Siphiwe Sibeko/Reuters Corrida por diamantes expõe profundas frustrações A descoberta do que se acreditava serem diamantes em KwaHlathi expôs profundas frustrações de comunidades desesperadas para encontrar uma saída da pobreza. Estudos realizados revelaram que as pedras foram encontradas em uma soleira rochosa na região semi-desértica de Karoo, que não é um lugar onde se costuma achar diamantes. O conselho de Geociências fará mais estudos para descobrir se existem outros minerais que possam criar empregos e melhorar a vida de dezenas de milhares de pessoas que vivem na área. O governo pediu às pessoas que parassem de cavar no local porque as práticas ilegais de mineração têm um impacto negativo no meio ambiente. VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
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21/06 - Desmatamento avança no Cerrado e faz crescer risco de apagão elétrico no Brasil
Com baixa recorde em reservatórios que abastecem hidrelétricas, bacia do Paraná depende de vários rios que nascem em áreas de Cerrado, mas foram devastadas nas últimas décadas. Fiscal examina área de Cerrado em Minas Gerais desmatada em 2020 por método do "correntão", em que corrente arrastada por tratores arranca árvores pelas raízes SEMAD/MG via BBC Com só 60 mil habitantes, o município goiano de Cristalina é um dos berços de um sistema que leva água e eletricidade aos lares de cerca de 60 de milhões de brasileiros. Crise hídrica: uso de termelétricas tem impacto em setores da economia Entenda por que está chovendo menos no Brasil e se há risco de nova crise hídrica em SP Comitê do governo emite alerta de 'risco hídrico' e tenta evitar racionamento de energia Encravado no Cerrado, o município abriga 256 rios e riachos que desembocam no Paranaíba, um dos principais formadores do rio Paraná — cuja bacia abarca boa parte dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal. Hoje, porém, vários rios que integram a bacia vivem a menor vazão já registrada, gerando temores de um apagão no sistema elétrico brasileiro e levando pesquisadores a apontar para a relação entre o desmatamento no Cerrado e a crise hídrica no centro-sul do Brasil. Grande parte da vazão do Paraná se deve a rios que nascem em áreas de Cerrado bastante desmatadas nas últimas décadas — caso de Cristalina e dos municípios vizinhos, no entorno de Brasília. Do alto, a paisagem da região hoje lembra um caderno de geometria, com uma profusão de círculos e linhas retas criadas por máquinas agrícolas. Imagens de satélite mostram região de Cristalina (GO) em 1985, ainda coberta por grandes trechos de Cerrado... GOOGLE EARTH ...e em 2020, após substituição de boa parte da vegetação nativa por lavouras irrigadas GOOGLE EARTH Segundo o MapBiomas, plataforma que monitora o uso do solo no Brasil, de 1985 a 2019, a área coberta pelo Cerrado diminuiu 33% na microbacia hidrográfica daquela região, a Alto Paranaíba 3. Em toda a bacia do Paraná, que também inclui trechos de Mata Atlântica, foram destruídos 4,2 milhões de hectares de vegetação nativa no mesmo período — uma perda de 17,6%. A área desmatada é 127 vezes maior que o município de Belo Horizonte. Hoje, resta na bacia 22,4% da cobertura natural original. Para pesquisadores entrevistados pela BBC News Brasil, o desmatamento agrava a escassez nos reservatórios do Paraná, responsáveis pela maior capacidade de geração de energia hidrelétrica do país. "É uma resposta preguiçosa atribuir a variação nos reservatórios apenas ao El Niño ou à La Niña", diz o geógrafo Yuri Salmona, doutorando em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB). Salmona se refere a explicações para mudanças nas vazões de rios brasileiros que só levam em conta fatores climáticos. No caso da seca atual na bacia do Paraná, há forte influência da La Niña, resfriamento periódico nas águas do Oceano Pacífico que tende a reduzir as chuvas no centro-sul do país. Para Salmona, porém, esses grandes fenômenos "são só parte da reposta". Mapa da bacia hidrográfica do Paraná em 2019: em amarelo, áreas que já foram transformadas pela ação humana; em verde, vegetação natural remanescente MapBiomas Nos últimos anos, vários especialistas têm associado o desmatamento na Amazônia à diminuição das chuvas em outras partes do Brasil. Segundo eles, a derrubada das árvores faz com que a floresta deixe de bombear para a atmosfera uma imensa quantidade de água que posteriormente se transformaria em chuva, os chamados "rios voadores". Já Salmona e outros pesquisadores estudam o impacto que o desmatamento do próprio Cerrado tem na oferta de água na região. O geógrafo está finalizando uma pesquisa na qual compara a vazão de várias bacias hidrográficas do Cerrado com os índices de chuva e de ocupação do solo nesses locais nas últimas décadas. Ele afirma que, embora em algumas bacias as chuvas venham realmente diminuindo, a redução na vazão dos rios tem sido quase generalizada e ocorreu até em regiões do bioma onde as chuvas mantiveram os padrões históricos. Para Salmona, os resultados mostram que a substituição da vegetação nativa por lavouras têm impactado o fluxo dos rios da região. A pesquisa, produzida com o apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), deve ser publicada em uma revista científica nos próximos meses. Governo emite alerta para crise hídrica em cinco estados Como o Cerrado regula os rios Para entender como o desmatamento no Cerrado impacta o fluxo dos rios, é preciso conhecer a relação do bioma com as águas. Não é por acaso que o Cerrado é conhecido como o "berço das águas", diz o engenheiro ambiental Arnaldo José Cambraia Neto, autor de uma dissertação de mestrado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, sobre o papel do bioma na regulação dos rios da região. Ocupando o Planalto Central e se estendendo por 25% do território nacional, o Cerrado é o ponto de origem de oito das doze bacias hidrográficas brasileiras. Lá nascem muitos rios que rumam para outras regiões brasileiras, como o São Francisco, o Tocantins, o Xingu e o Araguaia. Esses rios correm o ano todo, embora o Cerrado possa passar vários meses na estação seca sem receber uma só gota de chuva. Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo e se originou há pelo menos 40 milhões de anos. SEDEC/MT Ao longo de pelo menos 40 milhões de anos, as plantas do Cerrado desenvolveram raízes longas e ultrarramificadas para buscar água nas profundezas e retirar nutrientes dos solos naturalmente pobres da região. As raízes de uma árvore do Cerrado se entrelaçam com as das plantas vizinhas, formando uma espécie de esponja debaixo da terra. Na estação seca, essa esponja retém umidade no solo, garantindo a sobrevivência das plantas e dos animais que delas dependem. Já na estação chuvosa, a esponja encharca e permite que a água infiltre até depósitos subterrâneos, os lençóis freáticos e aquíferos. São esses depósitos que alimentam as nascentes dos rios, garantindo que eles continuem fluindo mesmo quando as chuvas cessam. Cambraia diz que 80% da água dos rios do Cerrado tem origem subterrânea. Ou seja, ela vem principalmente da chuva que infiltra no solo e, percorrendo os sulcos criados pelas raízes, consegue chegar aos lençóis freáticos e aquíferos. Segundo o MapBiomas, 43,7% do Cerrado já foi destruído para dar lugar à agropecuária Agência Brasil Avanço da agropecuária Mas o funcionamento desse sistema pode ser gravemente golpeado quando a vegetação nativa do Cerrado é substituída por lavouras como as de soja, milho ou algodão, diz o geógrafo Yuri Salmona, da UnB. Segundo o MapBiomas, 43,7% do Cerrado já foi destruído para dar lugar à agropecuária — só em 2020, o bioma perdeu 7,3 mil quilômetros quadrados, alta de 12,3% em relação ao ano anterior. Como a vegetação nova tem raízes curtas, a água da chuva não infiltra tanto no solo e tende a evaporar ou escorrer até algum rio. Assim, diz Salmona, em vez de ir para o depósito subterrâneo para ser liberada à superfície ao longo do ano, a água aumenta a vazão dos rios no período chuvoso. Salmona diz que o desmatamento por si só já tende a reduzir a vazão dos rios no período seco, mas o impacto costuma ser ainda maior quando a vegetação nativa dá lugar a lavouras irrigadas. Irrigação usa quase metade de toda a água do Brasil para produzir alimentos É o caso, por exemplo, do que ocorreu na região de Cristalina. Segundo um relatório divulgado em 2020 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Cristalina é o município com a terceira maior área irrigada por pivôs do país, e os dois primeiros do ranking também ficam na região, na bacia do Paranaíba. Pivô central utilizado para irrigar lavoura EMBRAPA Para funcionar, esses equipamentos puxam a água de rios, nascentes ou de poços subterrâneos, impactando a vazão dos cursos d'água ou prejudicando a recarga dos aquíferos. A irrigação tende a aumentar a produtividade e a permitir que alimentos sejam cultivados mesmo em períodos de seca. Segundo um relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) publicado em 2015, a irrigação é responsável por 89,5% do consumo de água na bacia do Paranaíba, enquanto o abastecimento público responde por 2,9% do uso. Em tese, se não fosse usada nas lavouras, essa água engrossaria a vazão de rios da bacia do Paraná e poderia, por exemplo, abastecer alguma cidade no Triângulo Mineiro ou ajudar a mover as turbinas da hidrelétrica de Itaipu, a 1.500 km dali. Em 10 de junho, a BBC pediu uma entrevista ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Paranaíba para tratar da crise hídrica e da irrigação na bacia, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O comitê é responsável por regular o uso dos rios da região de Cristalina e conceder autorizações para irrigação. A ANA também não respondeu um pedido de entrevista sobre a relação entre desmatamento, irrigação e falta d'água na bacia do Paraná. Segundo um relatório publicado pela agência em 2021, a irrigação responde por 49,8% da demanda de água em todo o Brasil, seguida pelo abastecimento humano urbano (24,3%), indústria (9,6%), uso animal (8,4%) e outros fins. E a atividade tende a crescer. Um relatório da mesma ANA estima que a área irrigada no Brasil aumentará 76% entre 2019 e 2040. Boa parte desse incremento deve ocorrer justamente em áreas de Cerrado na bacia do Paraná. Quando preservado, Cerrado acumula água no solo e garante o fluxo dos rios mesmo nos períodos secos IPHAN Na última terça-feira (16/6), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), disse que "a ampliação das terras irrigadas precisa ser vista como uma ferramenta estratégica para o aumento da produtividade". "Temos 3% da produção agrícola irrigada, enquanto a média mundial é de 20%", afirmou a ministra. Cristina citou um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) segundo o qual o Brasil tem condições de aumentar sua área irrigada em quase oito vezes. A ministra diz que, entre outros benefícios, o avanço da irrigação gerará empregos, ampliará a renda dos agricultores e aumentará as exportações do Brasil. Especialistas alertam, porém, para os desafios de expandir a atividade num cenário em que a escassez de água se torna cada vez mais frequente em partes do país — o que pode se agravar com reduções nos padrões de chuvas causadas pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento na Amazônia. Para o geógrafo Yuri Salmona, em vez de aumentar a área irrigada, é preciso ampliar o controle sobre as licenças já concedidas, já que hoje não se sabe se os agricultores respeitam os limites que lhes são impostos. Salmona também defende que haja um mapeamento das regiões de nascentes e recarga de aquíferos, que devem ser consideradas prioritárias para a conservação. Para o geógrafo, com solos e rios mais protegidos em áreas sensíveis, o país estará mais preparado para lidar com alterações climáticas como as provocadas pela La Niña. "Se esses fenômenos existem, e eles existem, eles têm uma periodicidade, como nós podemos contorná-los e mitigá-los?", questiona. "Será que é irrigando mais, ocupando mais, desmatando nascentes? Ou será que é tendo um plano de gestão da bacia em que se determina o quanto de água pode ser usado, se mede se a pessoa está usando e se protege as cabeceiras?" VÍDEOS mais vistos do G1 nos últimos dias
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21/06 - Inverno começa nesta segunda: veja previsão do tempo
Estação, que vai até 22 de setembro, é marcada pelo período menos chuvoso de Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste; maiores quantidades de chuva concentram-se sobre o noroeste da Região Norte, leste do Nordeste e parte do Sul. VÍDEO: Inverno começa nesta segunda (21) O inverno começou nesta segunda-feira (21) à 0h32 (horário de Brasília) para a maior parte do território brasileiro – com exceção de partes do Amazonas, Pará e quase a totalidade de Roraima e Amapá, que ficam no Hemisfério Norte. A estação termina em 22 de setembro às 16h21. O início da estação é chamado de solstício de inverno – dia do ano com menos horas de luz do que qualquer outro no ano. Geralmente ele ocorre em 22 de junho, mas pode ocorrer entre 21 e 23. Neste ano, foi na madrugada desta segunda (21). O inverno é marcado pelo período menos chuvoso das regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste – enquanto as maiores quantidades de chuva concentram-se sobre o noroeste da Região Norte, leste do Nordeste e parte da Região Sul. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), por causa das massas de ar frio que vêm do sul do continente, pode haver: queda da temperatura média do ar, com valores abaixo de 22ºC no leste do Sul e Sudeste; formação de geadas nas regiões Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul; queda de neve nas áreas serranas e planaltos da Região Sul; episódios de friagem em Rondônia, Acre e no sul do Amazonas. No período da manhã, pode haver, também, formações de nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com redução de visibilidade, impactando especialmente em estradas e aeroportos. Com a redução das chuvas em grande parte do país nesta época do ano, tem-se a diminuição da umidade relativa do ar, que favorece o aumento da incidência de queimadas e incêndios florestais e de doenças respiratórias. VEJA TAMBÉM: Como seca na Califórnia pode ter solucionado misterioso sumiço de avião "No inverno, é normal a época de seca ou de pouca chuva na maior parte do país. Nenhum setor que depende de chuva espera por chuva nesta época. As principais preocupações são com poluição do ar aumento do risco de alastramento de fogo", explica a meteorologista do Climatempo Josélia Pegorim. Inverno começa com previsão de seca e poucas ondas de frio rigoroso Previsões por região Sul No Sul, temperaturas abaixo da média estão previstas para o leste de Santa Catarina e do Paraná, além do nordeste do Rio Grande do Sul. Nesses locais, principalmente em altitudes mais altas, há a possibilidade de geada – que já ocorreu no outono. O prognóstico do Inmet indica o predomínio de chuvas próximas e abaixo da média em grande parte da Região Sul, exceto em algumas áreas sobre o sul e leste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina – onde a tendência é de chuvas ligeiramente acima da média, principalmente em setembro. A maior frequência das frentes frias contribuirá para maiores variações nas temperaturas ao longo deste trimestre. As temperaturas médias mais elevadas estão previstas para o mês de setembro, principalmente no Paraná. Em Santa Catarina, a estação começou com alerta de chuva e mínima perto de 0ºC. No último dia do outono, um lobo-marinho-subantártico foi visto "descansando" em uma praia de Florianópolis (veja vídeo). Lobo-marinho-subantártico é encontrado 'descansando' em praia de Florianópolis Sudeste As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte da região, com exceção do norte de Minas Gerais e no Espírito Santo – onde podem ser próximas ou ligeiramente abaixo da média. O trimestre de junho a agosto corresponde ao período mais seco da região, especialmente no norte de Minas. SP: Inverno deve ter chuvas abaixo da média e temperaturas amenas RJ: Inverno chega com previsão de frio e chuva VALE DO PARAÍBA: Campos do Jordão amanhece com 3,3 °C e registro de geada em primeiro dia do inverno A previsão do Inmet indica que as chuvas devem permanecer próximas ou ligeiramente abaixo da média, porém não descarta a ocorrência de chuvas próximas da média no litoral da região em julho, por causa de frentes frias. Centro-Oeste A previsão para o inverno indica alta probabilidade de as chuvas ocorrerem dentro e abaixo do esperado em grande parte da região. A única exceção é o centro-sul de Mato Grosso do Sul, onde as chuvas deverão ser ligeiramente acima da média em setembro. Inmet prevê frio e tempo seco no último fim de semana de outono; temperatura no DF chega a 9°C O período seco já começou na região – e a tendência é de haver diminuição da umidade relativa do ar nos próximos meses. Os valores diários podem ficar abaixo de 30% e os picos mínimos podem ficar abaixo de 20%. As temperaturas deverão permanecer acima da média por causa da permanência de massas de ar seco e quente, principalmente nos meses de agosto e setembro, favorecendo a ocorrência de queimadas e incêndios florestais. Em alguns locais do leste de Mato Grosso do Sul e sul de Mato Grosso, as temperaturas poderão ficar ligeiramente abaixo do esperado por causa da passagem de massas de ar frio do continente. Nordeste A previsão indica que as temperaturas ficarão próximas e acima da média em grande parte da região, exceto no centro-leste da Bahia – onde as temperaturas previstas podem ficar ligeiramente abaixo da média em setembro. Em algumas áreas – como o norte do Maranhão e do Ceará, leste do Rio Grande do Norte e da Paraíba – as chuvas em julho poderão ocorrer ligeiramente acima da média. BA: Primeiro dia de inverno tem tempo fechado e chuvas isoladas em Salvador AL: Inverno começa nesta segunda-feira com tempo nublado e muita chuva PB: Inmet renova alerta com perigo de acumulado de chuvas para João Pessoa e mais cinco cidades PI: Inmet emite alerta de chuvas intensas no Norte e Litoral; confira lista das cidades A previsão indica o predomínio de áreas com chuvas próximas ao esperado durante esta estação, principalmente no interior da região. Norte Para o Norte, a previsão do Inmet indica maior probabilidade de que as chuvas ocorram ligeiramente acima da média no norte da região, principalmente sobre os estados de Roraima e Amapá. Nas outras áreas, existe uma tendência de as chuvas ficarem próximas ou abaixo da média, principalmente no sul da região amazônica. A temperatura média do ar nos próximos meses deve permanecer acima da média. A falta de chuvas a alta temperatura e a baixa umidade relativa do ar favorecem a incidência de queimadas e incêndios florestais na região. Por outro lado, pode haver episódios de friagens no sul desta região, devido à passagem de massas de ar frio continentais. Veja VÍDEOS sobre natureza e meio ambiente: VÍDEOS: Natureza e meio ambiente| em G1 / Natureza
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20/06 - 62% dos indígenas na Amazônia estão vacinados contra Covid; AC e PA têm aldeias com baixa adesão
Dois distritos indígenas paraenses com relato de disseminação de fake news chegam a ter índices pouco acima de 40% de vacinados com as duas doses. Especialistas apontam negacionismo de cunho religioso. A vacinação contra a Covid-19 de indígenas que moram em aldeias nos estados da chamada Amazônia Legal (Pará, Mato Grosso, Maranhão, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Tocantins) atingiu a cobertura de 77% para a primeira dose e, para a segunda, 62%. Os dados são da plataforma oficial do Ministério da Saúde compilados até sexta-feira (18). A cobertura vacinal dos indígenas nesta região está cerca de 10 pontos percentuais abaixo da registrada entre povos tradicionais de todo o país – a taxa nacional é de 83% para a primeira dose e de 72% para a segunda. O grupo é considerado prioritário pelo PNI (leia mais no final da reportagem). LEIA TAMBÉM: 500 mil mortes no Brasil E agora? 100 médicos especialistas apontam o que nos espera no 2º semestre Brasil tem maior tendência de alta nas mortes por Covid em mais de 75 dias Uma análise por microrregiões, entretanto, mostra que o índice não corresponde à realidade de todos os povos indígenas da floresta. Na verdade, há um abismo entre aldeias. De acordo com especialistas e envolvidos na campanha, o principal fator é a influência religiosa. As regiões onde há uma presença maior de pastores contrários à vacinação são as que têm as menores taxas. Acre e Pará são estados com os distritos indígenas com os índices mais baixos. Eles não chegaram a 60% de indígenas vacinados na segunda dose – até 20 pontos percentuais abaixo do que é visto nas etnias de todo o Brasil. Todos os outros estados da Amazônia Legal mantêm uma taxa igual ou acima de 60% na aplicação dos imunizantes, taxas que variam muito de região para região. Elcio Horiuchi/G1 O G1 procurou as secretarias de Saúde do Pará e do Acre na manhã deste domingo, mas não obtivemos resposta até a última atualização desta reportagem. Distritos mais afetados por fakes Dois Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) paraenses têm as piores taxas de vacinação do país. Kayapó do Pará e Rio Tapajós, com 43% e 41% de imunização das etnias na primeira dose. Ainda em fevereiro, fontes do DSEI do Rio Tapajós já haviam informado ao G1 uma resistência à vacinação ligada à disseminação de informações falsas, como a mensagem que se referia à "vacina com chip da besta fera". As mesmas fontes ainda dizem que simplesmente "eles [indígenas] não querem a vacina". O problema persiste, de acordo com Caetano Scanavinno, do Projeto Saúde e Alegria, com sede na região. "Historicamente, sempre existiu resistência ao remédio 'de branco'. Mas o que a gente está vendo agora é uma recusa acima da média, ajudada também por uma campanha de desacreditação e fake news propagadas numa região já complicada", disse. "É muita desinformação circulando, com histórias absurdas como de um chip implantado no corpo de quem for vacinado, para ser monitorado pelos chineses, ou de que a vacina é feita por embriões de aborto. Ou mesmo que, se tomar vacina, vai virar jacaré, como bem disse o presidente. São desinformações que geram medo e matam". Vacinação por DSEI na Amazônia Legal Elcio Horiuchi/G1 Religião e a negativa dos pastores Nos últimos meses, o G1 conversou com moradores, líderes comunitários, pesquisadores, indígenas e organizações não-governamentais localizadas na Amazônia. Por que alguns DSEIs têm uma cobertura tão abaixo da dos outros? O que está gerando o abismo das taxas entre eles? "O principal desmotivador das vacinas foram os evangélicos. Chegaram nos últimos dez anos, teve um crescimento muito grande da igreja evangélica lá dentro [da Amazônia]. Aldeias inteiras que se evangelizaram e que não quiseram", disse Paulo Junqueira, coordenador-adjunto do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental. Junqueira cita um exemplo: "Tem um caso que eu lembro: a equipe que estava no barco desceu e chegou uma pessoa e disse: 'muito obrigado por vocês terem vindo, mas aqui ninguém vai vacinar não, vocês podem seguir viagem'." A preocupação em considerar o aspecto religioso fez o ISA criar uma cartilha direcionada especialmente ao público evangélico. Veja uma parte abaixo: Cartilha criada pelo ISA para incentivar a vacinação no público evangélico Reprodução A comparação entre as quatro áreas do território indígena do Xingu é um exemplo claro da influência religiosa e, também, das informações falsas. As duas áreas com maior número de mortes e rejeição à vacina estão diretamente influenciadas pelas duas questões. Oreme Ikpeng, do povo Ikpeng na aldeia Moygu, no médio Xingu, reforça o óbvio: são povos diferentes e com religiões diferentes. Em todo o território do Xingu 79% receberam a segunda dose, segundo o Ministério da Saúde. Há uma variação entre as 4 regiões existentes dentro da terra indígena. "Somos 16 povos falando sua língua, sua cultura, sua tradição. Nós temos vários meios de comunicação entre nós e estamos tentando orientar quem não quer [a vacina]. Mas obrigar não é nosso jeito de resolver as coisas", disse Oreme. Oreme Ikpeng toma dose de vacina contra a Covid-19 Arquivo Pessoal VEJA TAMBÉM: Desnutrição infantil, garimpo e Covid: os problemas que afligem a Terra Yanomami VÍDEO: entenda conflitos entre indígenas e garimpeiros Tentando contato Se obrigar não é o jeito, Evelin Placido dos Santos, enfermeira da área técnica de Imunização do Projeto Xingu, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tenta conversar e pedir apoio. Ela trabalhou na campanha durante a epidemia do H1N1 nos territórios indígenas. Na época, também com uma certa desconfiança, foi possível convencer pastores a se vacinarem em frente aos moradores e assim demonstrar a segurança da vacina. "O ato de se vacinar na frente deles é um ato importante. É uma estratégia que a gente utiliza também para povos de recente contato, em que primeiro a gente vacina toda a equipe na frente deles para que eles se sintam seguros", contou. "Com a Covid, os pastores foram abertos, eu fiz contato telefônico e falaram que iriam conversar com as comunidades, iriam incentivar a vacinação, iriam falar sobre a importância da vacina, mas, em algumas situações, eu não senti receptividade. O pastor chegou a falar: 'a gente vai confiar como se é muito novo, né?'". Até o momento, 438 indígenas morreram devido à Covid-19. Amazônia, Amazonas e realidade no Brasil A cobertura de vacinação dos indígenas na Amazônia Legal está abaixo da imunização do mesmo grupo em todo o país. A taxa nacional de indígenas vacinados é de 83% para a primeira dose e de 72% para a segunda – perto de 10 pontos percentuais acima do valor visto quando analisamos apenas os povos indígenas dos nove estados. Além dos distritos cujos relatos apontam forte influência do negacionismo de cunho religioso, há ao menos outro DSEI também com baixa vacinação onde o impacto pode ter relação com eventuais dificuldades logísticas. O DSEI Alto Rio Negro, no Amazonas, tem 36% de adesão à segunda dose. Luiz Penha Tukano, biólogo responsável pelos Projetos Emergenciais da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) acompanha a região. As notícias falsas também são um dos motivos de negativa à vacinação, mas destaca outro ponto. "Muitos desses distritos aqui também dependem muito da logística. Então, estão tendo dificuldades de entrar, a equipe passa 30 dias para vacinar. Tem que levar vacina e voltar. Provavelmente não estão alimentando direito o sistema de dados da imunização", avalia. Os indígenas foram incluídos entre os quatro perfis do primeiro grupo prioritário da vacinação, somando já 151 dias de campanha de vacinação. Em 18 de fevereiro, apenas 30% haviam se vacinado na Amazônia Legal. Desde o começo da campanha, a quantidade total de indivíduos indígenas a serem vacinados também mudou: segundo o Ministério da Saúde, o censo foi atualizado. A previsão inicial era de vacinar um total de 431.983 indígenas contra a Covid-19; agora, são 408.232. Vídeos: Mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
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20/06 - De olhos vermelhos, rã descoberta no Equador é batizada em homenagem à banda Led Zeppelin
Animal foi encontrado na região dos Andes equatorianos e é ameaçado pelo avanço da agricultura local. Rã de olhos vermelhos descoberta no Equador foi batizada como 'Pristimantis ledzeppelin' David Brito-Zapata/Universidade San Francisco de Quito Seus olhos vermelhos impactantes chamaram a atenção dos pesquisadores, que decidiram batizar de Led Zeppelin uma nova espécie de rã terrestre descoberta no Equador. A homenagem à banda de rock britânica também quer aproximar os anfíbios da população em geral. A Pristimantis ledzeppelin pode medir entre 2,4 e 3,6 centímetros e foi descoberta pelos equatorianos David Brito-Zapata e Carolina Reyes, cientistas do Museu de Zoologia da Universidade San Francisco de Quito. LEAI TAMBÉM: Fóssil de aranha que homenageia Pabllo Vittar deixa o Brasil, e MPF apura se houve tráfico Aranha é batizada em homenagem a personagem de 'Harry Potter' Nova espécie de sapo é descoberta na Serra da Mantiqueira Eles capturaram três espécimes da rã entre 2016 e 2019, na comunidade de Rio Branco, província amazônica de Zamora Chinchipe, mas foi nesta semana que a pesquisa foi publicada na revista especializada "Neotropical Biodiversity". "Somos amantes do rock e dessa banda [Led Zeppelin] em particular", disse Brito à AFP. A banda dos britânicos Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham fez muito sucesso durante a década de 1970 com clássicos como "Stairway To Heaven" (1971) e "Whole Lotta Love" (1969). Reyes, quem também assina a descoberta, afirmou que o nome "chamativo" tem o objetivo de promover a preservação da região dos Andes equatorianos, "tomando essa espécie como bandeira". Mapa identifica a área onde a 'Pristimantis ledzeppelin' foi identificada Universidade San Juan de Quito A pesquisadora, que em seis anos de trabalho descreveu cerca de 20 espécies de anfíbios para a ciência, disse que essa foi a primeira vez que escolheram dar um nome que não se refere a algo relacionado à localidade ou ao Equador. Corrida contra o tempo Os exemplares de Pristimantis ledzeppelin chamaram primeiramente a atenção de Brito-Zapata, por seus olhos vermelhos. Embora ele já tivesse visto rãs com essa característica, essa também tem cores e tamanho diferentes. A nova espécie apresenta manchas laranja, com tons de cobre e amarelas nas virilhas. "É uma rã muito bonita, porque tem olhos vermelhos e seu padrão de coloração difere um pouco entre machos e fêmeas", explicou o cientista. "É bastante atraente." Por enquanto, a espécie é considerada endêmica da Cordilheira do Condor, cadeia montanhosa situada ao leste do corpo principal dos Andes e com fauna e flora ricas. Embora mais estudos devam ser feitos sobre a ecologia da espécie, a Pristimantis ledzeppelin é considerada ameaçada, pelo fato de atividades de pecuária, agricultura e mineração serem desenvolvidas em seu habitat. "No Equador, temos muitas espécies para descrever. É uma corrida contra o tempo, pelas ameaças que elas enfrentam", disse Reyes.
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18/06 - Espécie de peixe que já foi considerada extinta com os dinossauros pode viver por 100 anos e ainda está na Terra
Novo estudo publicado nesta semana na 'Current Biology' traz novas descobertas sobre os celacantos: fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos e maturidade sexual é atingida perto dos 55 anos de vida. Peixe celacanto no Quênia em foto de 2001 George Mulala/Reuters O celacanto — um peixe que chegou a ser considerado extinto com os dinossauros há 66 milhões de anos — tem uma vida útil cinco vezes maior do que os cientistas pensavam até agora. Existente na Terra nos dias atuais, ele vive por cerca de cem anos, segundo estudo publicado na revista "Current Biology". Grupo de cientistas decodifica DNA do peixe pré-histórico celacanto Em 1938, um peixe celacanto foi inesperadamente encontrado vivo na costa leste da África do Sul, o que surpreendeu pesquisadores. Agora, essa nova pesquisa mostra que, além de viverem por cerca de um século, as fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos, período de gestação mais longo já conhecido de todos os animais. Os cientistas também descobriram que o celacanto se desenvolve e cresce em ritmo mais lento que qualquer outro peixe. Ele não atinge a maturidade sexual até cerca de 55 anos. Para chegar aos resultados, os autores utilizaram os anéis de crescimento anuais presentes nas escamas dos peixes para determinar a idade individual dos celacantos — "assim como é feita a leitura de anéis de árvores", explicou o biólogo marinho Kélig Mahé, da instituição oceanográfica francesa Ifremer, e principal pesquisador do estudo. Os celacantos apareceram pela primeira vez durante o período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos, 170 milhões de anos antes dos dinossauros. Com base no registro fóssil, acreditava-se que eles tinham desaparecido durante a extinção em massa que exterminou cerca de três quartos das espécies da Terra após a queda de um asteróide no período Cretáceo. Espécie atinge maturidade sexual perto dos 55 anos George Mulala/Reuters Depois de ser encontrado, o celacanto foi apelidado de "fóssil vivo", descrição rejeitada pelos cientistas: "Por definição, um fóssil está morto e os celacantos evoluíram muito desde o (período) Devoniano", disse o biólogo e co-autor do estudo Marc Herbin, do Museu Nacional de História Natural de Paris. A espécie de peixes reside no oceano, em profundidades de até 800 metros. Durante o dia, os celacantos ficam em cavernas vulcânicas sozinhos ou em pequenos grupos. As fêmeas são um pouco maiores do que os machos, atingindo cerca de dois metros de comprimento e pesando 110 quilos. Vídeo: Mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
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18/06 - A cidade fantasma criada pelo carvão
Uma infame pluma azul de poluição proveniente de uma das maiores usinas a carvão dos Estados Unidos mudou o curso da história de uma cidade outrora próspera. A pequena cidade de Cheshire, em Ohio, foi comprada quase em sua totalidade por uma usina a carvão vizinha, depois que os moradores reclamaram da poluição Harmon Leon/BBC Após fazer uma curva fechada na estrada, eis que surge no topo da colina nevada a Usina General James M. Gavin. Nuvens espessas despontam no horizonte, saindo de suas chaminés. Estou me aproximando de Cheshire, que já foi uma pequena cidade próspera nos Estados Unidos, mas agora é uma cidade fantasma. A usina a carvão JM Gavin é a sétima maior emissora de CO2 de todas as centrais de energia nos EUA. Em 2019, liberou 12,9 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. LEIA TAMBÉM: Com Amazônia emitindo mais CO2 do que absorvendo, mundo pode perder o seu 'ar condicionado' Brasil é o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, aponta levantamento Mas o legado da usina em sua vizinhança imediata é muito mais visível. É responsável pelo fim de uma comunidade inteira. Construída em 1800, Cheshire já teve duas igrejas, parques infantis e uma escola, tudo isso situado às margens do Rio Ohio. Agora, há lotes de terra vazios onde antigamente ficavam pitorescas casas de madeira, que foram demolidas. Restam apenas algumas moradias espalhadas. Até mesmo os limites da cidade foram expandidos, no intuito de incorporar as 132 pessoas que vivem nas imediações e oferecer assim um senso de comunidade. Enquanto estaciono, posso sentir o cheiro de enxofre da usina. As ruas desertas de Cheshire em uma noite de sexta-feira são um tanto sombrias, e a calçada está caindo aos pedaços. Os nomes das ruas, Walnut e Mulberry, contam uma história de uma época diferente. Em 2002, a American Electric Power (AEP), que era dona da Usina Gavin na época, concordou em comprar a cidade inteira por US$ 20 milhões depois que os moradores reclamaram da poluição do ar — a pluma de fumaça azul contendo ácido sulfúrico que emergia das chaminés da usina se acumulou e encobriu seus arredores. Os proprietários de imóveis que concordaram em vender foram autorizados a permanecer em suas casas sem pagar aluguel, se quisessem, ou poderiam se mudar e transferir sua propriedade para a AEP. No total, 221 moradores fizeram as malas e se mudaram — 90 proprietários no total. Isso foi considerado inédito, de acordo com o jornal americano New York Times: uma empresa comprando uma cidade. Mas também fez com que uma comunidade próspera — alguns haviam passado a vida toda lá — se dissolvesse. Mark Coleman se lembra de como era Cheshire antes da chegada das nuvens de pluma azul — e do êxodo em massa da cidade de 150 anos. "Havia cercas de estacas brancas. Eu ia para a escola. Ia aos jogos de futebol americano do colégio nas noites de sexta-feira", recorda Coleman. A cidade foi fundada em 1834 e abrigou várias gerações de famílias. Cheshire já foi uma cidade pequena movimentada, mas agora a maioria de seus moradores foi embora BBC Coleman, nomeado prefeito de Cheshire nos últimos 10 anos, agora atende aos poucos moradores que restaram — eles se recusaram a aceitar a oferta e decidiram viver o resto de seus dias à sombra da usina. "Ninguém está concorrendo contra mim (à prefeitura) agora", diz Coleman com uma risada. Residente de longa data, Coleman mora nos arredores de Cheshire, a uma curta caminhada pela estrada da usina. A instalação de 2,6 gigawatts é a maior usina a carvão em Ohio e ocupa a nona posição em tamanho nos Estados Unidos. Embora ele diga que tenha sentido os efeitos colaterais da Usina Gavin, apenas aqueles que viviam dentro da cidade na época estavam a par da compra. Sua casa passou a fazer parte oficialmente da cidade quando seus limites foram ampliados. Mas a queda populacional deixou a comunidade com cada vez menos serviços. "Costumávamos ter um semáforo na cidade", diz Coleman. "Mas o estado tirou isso de nós." Coleman também menciona que a cidade não tem mais polícia, tampouco limite de velocidade reduzido. "As pessoas não entendiam. Ficavam pensavam: 'Não há ninguém morando lá. Qual é o problema de não ter um limite de velocidade?'" Embora a AEP não seja mais proprietária da Usina Gavin — ela vendeu em 2017 para a Lightstone Generation, uma empresa de capital privado, juntamente com três usinas a gás como parte de um negócio de US$ 2,1 bilhões — a central de energia continua em operação. Caminhões grandes ainda passam pelo trecho da estrada que leva à Usina Gavin, e uma esteira rolante de 1,6 km leva os resíduos da instalação para um aterro sanitário atrás da cidade. O correio em Cheshire ainda atende os moradores remanescentes BBC Ainda assim, Coleman enfrenta os desafios impostos pela usina, incluindo o cheiro de enxofre, semelhante a ovo podre, e ter que remover a fuligem que cobre sua varanda. "Faz parte de viver nesta área. Você tem usinas químicas. Você tem usinas de energia. Meu pai era um minerador de carvão — então você se acostuma com esse tipo de coisa... É parte da vida aqui." Como um dos últimos moradores remanescentes, Coleman não guarda rancor em relação à Usina Gavin e às outras centrais de energia a carvão próximas. "São nossas vizinhas. Elas precisam ser responsáveis. Se querem fazer a pluma azul — precisam resolver. E foi isso que fizeram. Na minha opinião, eles resolveram." Mas se Coleman acredita que a situação é gerenciável, por que as pessoas não voltaram para Cheshire? "A Gavin ainda é dona das propriedades", diz ele. "Não podem revender para indivíduos." A AEP confirmou que as propriedades que possui na cidade não podem ser vendidas, mas acrescentou que não é dona de todos os lotes de terreno em Cheshire. "Em muitos casos, as estruturas foram demolidas, criando um espaço verde", diz Melissa McHenry, diretora de comunicação externa da AEP. No momento da compra, a AEP concordou em permitir que os idosos pegassem o dinheiro e permanecessem em suas casas. Os limites de Cheshire foram estendidos, ajudando a aumentar sua população depois que os moradores foram embora BBC Segundo os termos do contrato, a AEP comprou os imóveis, mas permitiu que os moradores ficassem sem pagar aluguel pelo resto de suas vidas. No momento de sua morte, a propriedade seria transferida para a AEP. Quando a Lighthouse Generation comprou a Usina Gavin, também herdou as propriedades em Cheshire que a AEP havia comprado, diz McHenry. Agora, assim que as pessoas remanescentes na cidade morrerem ou forem embora, os trabalhadores da Usina Gavin estarão livres para demolir as últimas casas que fizeram parte do acordo de compra. No início de minha visita a Cheshire, vi uma casa lacrada. Coleman conta que pertencia a uma senhora idosa que faleceu recentemente. É a próxima na lista de imóveis a serem derrubados. "Acho isso um pouco sombrio, pelo simples fato de que muitas pessoas que moram na área são mais velhas. Você não vê famílias se mudando para cá", afirma Coleman. "Ficamos com a reputação de estar perto da usina." Nem todos os moradores optaram por deixar Cheshire após a compra, preferindo permanecer em sua cidade natal David Howells/Getty Images/BBC Nova vizinha Eve Morgenstern passou 10 anos filmando o documentário Cheshire Ohio, que narra a compra da cidade. "Fiquei completamente impressionada com a história de que um vilarejo centenário inteiro seria comprado por esta enorme usina a carvão." Morgenstern foi para Cheshire pela primeira vez em 2002, depois de ler um artigo do New York Times sobre a luta da pequena cidade contra uma enorme corporação que tinha uma receita anual de US$ 61 bilhões. "É tão ridícula essa ideia de comprar uma cidade", avalia Morgenstern."Cheshire era um lugar que os moradores realmente amavam. Era uma vila pitoresca que não tinha sido ocupada por shoppings e empreiteiras." Em 1974, quando a AEP construiu a Usina Gavin, não houve muita resistência por parte dos moradores. "Não parecia preocupante para eles que haveria uma usina bem perto da cidade", conta Morgenstern. "Na verdade, foi meio empolgante e simbolizou trabalho e progresso em potencial." Afinal, o sudeste de Ohio é a pátria do carvão. A apenas alguns quilômetros de distância, fica a Usina Kyger Creek. Construída em 1954, é menor do que a Usina Gavin, mas seus proprietários — a Ohio Valley Electric Corporation — gastaram milhões tentando resolver seus problemas de poluição. "[Os moradores] foram muito receptivos quando a indústria veio porque trazia empregos", explica Morgenstern. A Usina Gavin tentou ser uma boa vizinha. Mas, em 1995, as coisas começaram a desandar. Houve reclamações sobre o barulho dos ventiladores de alta potência usados ​​para reduzir a poluição, até que instalaram silenciadores. Antes de 2000, a usina começou a armazenar tanques enormes de amônia anidra para controlar as emissões de óxido de nitrogênio (NOx). Também armazenava gás de cloro que era usado para prevenir incrustações na refrigeração ou geração de vapor d'água. A amônia anidra oferecia um método mais barato para reduzir as emissões de NOx, exigida pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, mas não era bem-vinda localmente. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, se exposto ao ar livre, esta substância química volátil pode provocar cegueira, sufocar, queimar e matar humanos. Também é um componente essencial na produção de metanfetamina. O campo de futebol da escola de Cheshire ficou abandonado após a aquisição de 2002 Stephanie Keith/Getty Images/BBC As pessoas entravam de fininho na usina à noite e abriam buracos no tanque para obter amônia anidra, lembra a moradora Jennifer Harrison. Isso gerou protestos. Em dezembro de 2000, a usina concordou em adotar um método mais seguro, gastando US$ 9 milhões para usar um sistema baseado em ureia. Quando foi inaugurada, havia aproximadamente 500 metros de espaço aberto entre a Usina Gavin e a cerca que ficava fora da cidade de Cheshire, de acordo com a AEP. Mas a cada nova medida de controle ambiental aumentava a presença da usina, levando-a para mais perto da comunidade de Cheshire. Então, em 2001, nuvens de pluma azul começaram a cobrir toda a cidade — causadas pelas emissões de trióxido de enxofre e ácido sulfúrico da usina. O cheiro de enxofre estava por toda parte — e podia ser sentido até dentro das casas das pessoas. "Isso fez as pessoas começarem a ficar muito preocupadas e assustadas com sua saúde e com o que estava acontecendo aqui", relata Morgenstern. A AEP diz que a pluma azul era passageira e só tocava o solo "em locais diferentes por períodos de tempo extremamente curtos". A pluma azul ocorreria sobretudo em dias de alta umidade. Às vezes, os moradores dizem que era tão densa que as pessoas precisavam acender os faróis dos carros quando dirigiam pelas ruas de Cheshire ao meio-dia. O número de casas em Cheshire está diminuindo, já que muitas propriedades são demolidas após serem desocupadas BBC Harrison, que se mudou para Cheshire em 1980 e fazia parte do conselho da cidade quando a compra foi efetuada, se lembra de sair da piscina no jardim e perceber um gosto estranho na boca. "De repente, ficou nublado e pensei, cara, o cloro deve estar muito forte", recorda Harrison, que agora se mudou para 16 km ao sul de Cheshire. "Em julho, as nuvens desceram e atingiram o solo. Quero dizer que ficamos esfumaçados — toda a cidade. Como um nevoeiro." Harrison e outros moradores de Cheshire começaram a sentir queimação nos olhos e na garganta. Asma e outros problemas respiratórios também foram relatados como efeitos colaterais, assim como "bolhas nos lábios e na língua", como lembra Harrison. A AEP admite que a névoa era "uma substância irritante temporária" que poderia causar coceira, sensação de queimação nos olhos e narinas e, potencialmente, desencadear asma em pessoas que sofrem da condição. Mas o que causava a pluma azul? Em 2000, a Agência de Proteção Ambiental intimou a Usina Gavin por violação da Lei do Ar Limpo. "Eles tinham uma chaminé enorme que era muito alta", diz Morgenstern. "E aquela fumaça estava se espalhando por todo o lugar, subindo para Nova York e Canadá." Os compostos de enxofre e nitrogênio emitidos pela chaminé de 335 metros estavam causando chuva ácida a centenas de quilômetros de distância, o que desencadeou protestos. Ativistas do Greenpeace chegaram a escalar a chaminé — e saltar de paraquedas para aumentar a conscientização em relação ao problema. A AEP negou qualquer irregularidade em uma longa batalha judicial com vários estados americanos e a Agência de Proteção Ambiental sobre a chuva ácida de Gavin e várias de suas outras usinas de energia. A empresa acabou fazendo um acordo, se comprometendo a atualizar as medidas de controle de poluição. A chuva ácida é causada por uma reação química quando compostos como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio são liberados no ar. Em resposta à violação da Lei do Ar Limpo e às preocupações da comunidade, a AEP diz que gastou US$ 850 milhões na instalação de sistemas para reduzir as emissões nocivas. Primeiro, instalou um purificador para reduzir as emissões de dióxido de enxofre e, na sequência, a tecnologia de redução catalítica seletiva (SCR, na sigla em inglês) para diminuir as emissões de óxido de nitrogênio. Isso também permitiu que a usina continuasse queimando um tipo de carvão com alto teor de enxofre. A AEP afirma que escolheu instalar os purificadores, em vez de mudar para carvão com baixo teor de enxofre, devido a preocupações da comunidade com a perda de postos de trabalho nas minas locais, já que o carvão precisaria ser obtido de fontes mais distantes. Embora as medidas reduzissem a chuva ácida que afetava lugares a centenas de quilômetros de distância, a poluição também caiu localmente. Alguns moradores optaram por vender suas casas, mas continuaram morando nelas — e alguns já foram enterrados no cemitério da cidade BBC Até que um novo problema surgiu no verão de 2001. Uma declaração fornecida por McHenry, da AEP, diz que a interação entre os dois sistemas de controle de emissão que a empresa havia instalado na Usina Gavin apresentou um efeito colateral inesperado. De acordo com a AEP, o SCR causou um ligeiro aumento no trióxido de enxofre que estava sendo liberado, e quando este se misturou com o vapor d'água do purificador, criou uma névoa de ácido sulfúrico que tinha uma coloração azul. Embora a empresa insista que não houve problemas de saúde de longo prazo causados ​​pela névoa, aqueles que viviam perto da usina afirmam que foram os mais afetados. Morgenstern também relata que sentiu efeitos adversos durante suas inúmeras visitas a Cheshire enquanto fazia o documentário. "Sem dúvida houve vezes em que eu ia lá e sentia um cheiro sulfúrico, mas as ocasiões em que os olhos, a boca e a garganta ardiam, eram episódios particulares desse toque de névoa azul", diz ela. "Meio perturbador." As reuniões mensais entre os moradores de Cheshire e um representante da Usina Gavin se tornaram uma competição de quem grita mais alto. A solução da Agência de Proteção Ambiental de Ohio foi instalar um monitor, embora a própria AEP tenha conseguido enviar os relatórios. Heidi Griesmer, porta-voz da Agência de Proteção Ambiental de Ohio, disse à BBC que antes de os dados de monitoramento da Usina Gavin serem enviados ao órgão nacional, os dados passam pelo controle de qualidade da unidade de Ohio. "Houve várias vezes ao longo dos anos, desde que os monitores foram instalados, que uma única hora excedeu o valor padrão de 75 ppb", diz Griesmer. "Mas a conformidade com o padrão não é baseada em uma única hora, em vez disso, a conformidade é determinada se o 99º percentil das concentrações máximas diárias de uma hora, medidas ao longo de 3 anos, exceder 75ppb." Um representante da Usina Gavin comparecia à reunião mensal do conselho da cidade, dizendo que sabia que havia um problema e estava trabalhando nisso. "Isso é tudo que eles diziam. E eles nunca faziam nada", afirma Harrison. "Finalmente fomos atrás deles porque eles nunca mudariam sua resposta — ainda seria assim." A Usina Gavin chama atenção na paisagem ao redor de Cheshire Getty Images/BBC A AEP acabou apresentando uma solução técnica de US$ 7 milhões que pensou que pudesse resolver o problema, mas a essa altura a comunidade de Cheshire já estava farta. A cidade envolveu seu congressista — que os aconselhou a contratar uma equipe de advogados especializados na promoção da Lei do Ar Limpo. A equipe jurídica se reuniu com os moradores e, em seguida, negociou com a AEP a portas fechadas. Eles voltaram com uma oferta de compra de US$ 20 milhões — uma fração do custo das medidas de controle de poluição que a AEP instalou e levou à névoa azul. As casas foram compradas por um valor três vezes acima do preço de mercado — 90 proprietários receberam cerca de US$ 150 mil cada. Os advogados ganharam US$ 5,6 milhões do acordo de US$ 20 milhões. A cidade aceitou a oferta. Os moradores dizem que achavam que não havia como enfrentar uma empresa tão grande e que uma batalha na justiça provavelmente se arrastaria por anos. Eles sentiram que era uma boa solução. "Queríamos que aquilo acabasse. Nos causou muito estresse depois de tantos anos", diz Harrison, refletindo sobre sua história com a Usina Gavin. Ela sentiu que a compra era justa. "Em primeiro lugar, nossa propriedade não valia nada. Ninguém ia querer comprar uma casa naquele ambiente", analisa. "Além disso, estávamos cansados ​​de brigar. Então aceitamos, e fiquei feliz." Os termos do acordo previam que nenhuma outra ação judicial poderia ser tomada — os moradores não poderiam processar a usina no futuro, mesmo que surgissem problemas de saúde graves. Depois que o acordo foi assinado, os moradores tiveram seis meses para se mudar de Cheshire. Logo após se mudarem, suas casas foram demolidas. Quando a casa de madeira de Harrison, construída em 1901, foi derrubada, seu marido parou na esquina, aos pés de sua árvore de pêra, e chorou. "Ele nunca chorava. Era um cara grande e forte, mas aquilo partiu seu coração. Mesmo que tivéssemos vencido, ainda era triste", relembra Harrison. No entanto, algumas pessoas ficaram com raiva. "Até hoje — ainda há pessoas que não falam umas com as outras." Alguns moradores se recusaram a aceitar a oferta e permaneceram em suas casas. Coleman, que na época vivia fora dos limites da cidade incorporada, só soube da compra pelo noticiário na noite em que aconteceu. Ele ficou mais chateado com as pessoas que foram até a Gavin e venderam do que com a usina. "Quando a compra aconteceu, a gente acabou descobrindo a verdadeira face das pessoas", diz ele. "Tenha pessoas no conselho que amam a cidade — mais do que a si mesmas. Sinto muito. É assim que eu vejo as coisas. Pessoas que queiram que a cidade seja bem-sucedida — em vez de sua própria ganância." Agora, ele observa que sua propriedade não vale muito. Alguns dos moradores que venderam os imóveis permaneceram na área, comprando casas em cidades vizinhas, mas a comunidade em si se fragmentou. "Foi uma época muito triste e emotiva", resume Harrison. "A cidade morreu. As pessoas foram embora. Todos os amigos." Pátria do carvão O que aconteceu em Cheshire é um microcosmo que simboliza o pior cenário de uma usina a carvão. "O caso Gavin é particularmente surpreendente, mas não é como se fosse algo novo", diz Neil Waggoner, da Beyond Coal — braço da organização ambiental sem fins lucrativos Sierra Club, cuja missão é promover energia renovável e fechar usinas a carvão nos Estados Unidos. "São problemas que vemos em comunidades de usinas a carvão em todo o país." As usinas de energia a carvão americanas liberam cerca de 2,5 milhões de toneladas de produtos químicos tóxicos em rios, lagos e córregos a cada ano. Há cerca de 600 usinas a carvão ou petróleo nos Estados Unidos e, entre elas, estão os principais emissores de mercúrio, gases ácidos e vários metais tóxicos. A razão pela qual Cheshire se destaca é a compra, diz Waggoner. "Isso fez de Cheshire o marco zero para os impactos daquela usina — e essa conversa mais ampla sobre quais impactos essas gigantescas usinas a carvão estão tendo no país." Em 2007, a AEP fez um acordo em um importante processo judicial movido pela Agência de Proteção Ambiental nacional, oito estados americanos e vários grupos ambientais por causa da poluição de 16 usinas a carvão da empresa. Entre elas, estava a Gavin. A AEP concordou em reduzir seus poluentes atmosféricos em 813 mil toneladas por ano a um custo de US$ 4,6 bilhões . Também concordou em pagar uma multa de US$ 15 milhões e gastar US$ 60 milhões para limpar os efeitos das emissões anteriores. Mas como você limpa uma cidade como Cheshire? Lidar com as pilhas de resíduos de cinzas de carvão é uma das questões ambientais locais mais urgentes. Em 2014, a Beyond Coal contestou o processo de licenciamento para a expansão dos tanques de cinzas de carvão na Usina Gavin. Os poços de cinzas de carvão, sobras de resíduos da queima de carvão, podem causar contaminação por arsênio, mercúrio, selênio, chumbo, boro, bromo e outros compostos que podem fazer mal à saúde humana. Chris Yoder, diretor de pesquisa do Midwest Biodiversity Institute, observa que níveis elevados de contaminantes foram encontrados perto da Usina Gavin. "O preço de ter queimado carvão por 40 anos é que você deixa para trás todos esses tanques de cinzas de carvão que têm uma descarga, contêm poluentes e seu risco; que é tremendo." Além de metais pesados, a queima de carvão também libera compostos orgânicos, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, alguns dos quais podem causar câncer, observa Yoder. A Usina Gavin recebe licenças da Agência de Proteção Ambiental de Ohio que permitem descarregar certos poluentes, incluindo mercúrio, no Rio Ohio, porque não consegue encontrar tecnologia capaz de removê-los das águas residuais que escoam da unidade. Ativistas como a Beyond Coal pedem que seja feito mais para melhorar as tecnologias de tratamento disponíveis. Monte de cinzas Os resíduos sólidos da Usina Gavin são transportados para um aterro que os moradores apelidaram de Pikes Peak. Este monte de cinzas de carvão é o ponto mais alto em Cheshire, logo acima da copa das árvores, se estendendo por cerca de 1 km2 e ocupando três vales. "Parece uma montanha branca", diz Harrison. "É uma terra devastada lá em cima. Tem 20 anos de lixo lá." "Estamos lidando com enormes quantidades de cinzas de carvão — com o legado de quanto desses produtos químicos será deixado na água, no solo, com as consequências para a saúde a longo prazo", afirma Morgenstern. "Já se passaram quase 20 anos desde que a história veio à tona... e aqui estamos. Ainda está lá. Ainda está sujo. Isso ainda está acontecendo." Na Geórgia, um projeto de lei proposto recentemente exige que as cinzas de carvão sejam armazenadas em condições mais seguras. Para reforçar a segurança, as cinzas precisariam ser removidas para aterros sanitários revestidos — que possuem uma barreira entre as cinzas e o lençol freático para ajudar a prevenir a contaminação. Mas nenhuma legislação desse tipo está sendo cogitada em Ohio, e os custos de remoção das cinzas de um aterro sanitário podem ser enormes. "Não sei o que poderia ser feito para limpar isso", afirma Harrison. "O que você faria com isso? Onde colocaria?" Empregos vitais A nova proprietária da Usina Gavin, a Lightstone Generation, agora é responsável pela limpeza contínua e redução da poluição. A empresa não respondeu aos pedidos de comentários da BBC para esta reportagem. Mas os prognósticos são desfavoráveis, já que até 2027 duas das maiores usinas a carvão de Ohio estão programadas para fechar as portas. Se a Usina Gavin fechasse amanhã, qual seria o impacto para a comunidade remanescente? "Ah, morreria", diz Coleman. "Se a Gavin fechar, é o maior empregador nesta área. As pessoas ainda precisarão aquecer suas casas; ainda precisarão de eletricidade. Mas as energias renováveis, neste momento, ainda não chegaram lá. Até lá, temos que nos contentar com o que temos." Waggoner também reconhece esta tensão. "Aqui está a usina que envenena o ar e destrói a comunidade", diz ele. "Mas agora você tem pessoas da região que estão lutando para mantê-la funcionando porque é o motor econômico do condado." Harrison concorda. "Não há uma boa solução", ela afirma. "Ou as pessoas ficam sem emprego e com ar mais limpo, ou você tem pessoas trabalhando no ar sujo — o que afeta as pessoas que vivem lá." Esta já é uma área de baixa renda com uma série de outras questões comunitárias, incluindo uma grande epidemia de opioides e um problema mais amplo de drogas. Dirigindo em direção a Cheshire, é impossível deixar de notar todos os outdoors de grupos de apoio a veteranos e dependentes químicos. Esta área já está sofrendo. "Essas comunidades forneceram a espinha dorsal para os Estados Unidos serem uma potência industrial", diz Waggoner. "Por meio de energia barata e acesso à energia, essas comunidades suportaram um fardo muito maior do que a maioria das outras comunidades no país. Essas comunidades fizeram muito por todos os outros. É imperativo que o resto do país retribua à medida que essa mudança ocorrer." Se a usina acabar fechando, Waggoner espera que haja um compromisso de limpar e cuidar da população local, criando uma nova indústria na área. "Para as comunidades de usinas a carvão", diz ele, isso significa limpar. "Eles precisam começar a reconhecer a realidade e planejar o futuro." Caso contrário, ele teme que a história de Cheshire seja contada em outro lugar. Para os moradores, tal limpeza transformaria a cidade. "Gostaria que pudéssemos reconstruir", diz Coleman. "Antes de morrer, adoraria ver isso." Mesmo depois de quase 20 anos da compra, a visão de como a cidade era no passado ainda está fresca na memória dos então moradores. "Era uma cidade maravilhosa", diz Harrison, com emoção na voz. "Acho que eu conhecia quase todo mundo lá. Nós moramos lá por 23 anos. Nossos filhos nasceram e foram criados lá, aprenderam a andar de bicicleta e a nadar lá. Os amigos estavam lá. E, de repente, as pessoas fizeram as malas e se mudaram. É muito triste."
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17/06 - Parque da Lajinha será reaberto para visitação no sábado em Juiz de Fora
O espaço vai funcionar de terça-feira a domingo no horário de 8h às 14h com permanência de no máximo 200 pessoas ao mesmo tempo no local. Espaço vai contar com ponto de arrecadação da campanha 'Juiz de Fora Solidária'. Parque da Lajinha Juiz de Fora Reprodução/TV Integração O Parque Municipal da Lajinha será reaberto para visitação a partir de sábado (19) em Juiz de Fora. O espaço vai funcionar de terça-feira a domingo no horário de 8h às 14h com permanência de no máximo 200 pessoas ao mesmo tempo no local, que terá ponto de arrecadação da "Juiz de Fora Solidária". O local estava fechado desde o dia 25 de maio, quando a cidade regrediu para a Faixa Vermelha do Programa “Juiz de Fora Vida”. A reabertura ocorre porque a cidade retornou para a Faixa Laranja. A utilização de máscaras é obrigatória durante todo o período de visitação. Os ensaios fotográficos seguem suspensos no parque, bem a realização de eventos e piqueniques. Os parques infantis e os aparelhos de ginástica também continuam fechados e o uso dos bebedouros somente será permitido com garrafas ou copos levados pelos visitantes. O serviço de pedalinho será mantido, com cuidados muito rigorosos, como a distribuição de senhas para evitar filas, a utilização do álcool nas mãos e também na higienização dos pedalinhos e coletes. Ponto de arrecadação Com a reabertura do Parque da Lajinha, o espaço também contará um ponto para arrecadar doações da campanha "Juiz de Fora Solidária", que recolhe alimentos e produtos de higiene para serem doados às famílias em situação de vulnerabilidade social, agravada no período da pandemia da Covid-19. A Secretaria de Sustentabilidade em Meio Ambiente e Atividades Urbanas (Sesmaur) realizou no início deste mês uma ação semelhante no local, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e arrecadou 130 kg de alimentos e uma cesta básica, doados para a campanha "Juiz de Fora Solidária". VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campo das Vertentes
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17/06 - Projeto de estrada cortando parque das cataratas de Iguaçu ameaça outras áreas de proteção pelo Brasil
PL prevendo a abertura de 18 km de estrada na área de proteção ambiental foi aprovado na Câmara dos Deputados e tem apoio do governo Bolsonaro. Mais de 13 mil pessoas visitaram o Parque Nacional do Iguaçu Nilton Rolin/Parque Nacional do Iguaçu Uma das paisagens naturais mais impressionantes do Brasil e reconhecida pela Unesco, o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as cataratas, no Paraná, pode ser cortado ao meio por uma rodovia asfaltada – em uma iniciativa que abre um precedente perigoso para outras áreas protegidas do país. O caráter de “urgência" do Projeto de Lei 984, prevendo a abertura de uma “estrada-parque” em um trecho de 18 quilômetros, recém foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pode ir a votação em plenário nas próximas semanas. A chamada Estrada do Colono foi aberta ilegalmente em 1955 e fechada 46 anos depois por decisão judicial. Desde então, em duas ocasiões, parlamentares paranaenses já tentaram reativar o caminho, alegando os benefícios econômicos que a rodovia traria para a região. Atualmente, o parque impõe um desvio de 180 quilômetros para ligar as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema. MPF diz que reabertura da Estrada do Colono desmataria 20 hectares do Parque Nacional do Iguaçu Agora, é a vez do deputado federal Nelsi Conguetto Maria (PSD-PR), aliado do presidente Jair Bolsonaro e conhecido como "Vermelho", retomar a proposta. O parlamentar, dono de uma construtora que atua no Estado, defende a criação de uma nova categoria, a estrada-parque, para viabilizar a obra. Ele não atendeu aos pedidos de entrevista da RFI. A aceleração dos trâmites na Câmara mobilizaram ambientalistas e estudiosos contrários ao projeto, como a bióloga Angela Kuczach, diretora executiva da Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação. "Quando ele propõe a criação da categoria estrada-parque, ele está mexendo na estrutura do sistema das Unidades Nacionais de Conservação, da lei 9985 de 2000. É um baita retrocesso naquilo que a gente tem de mais sagrado, quando falamos em proteção de patrimônio natural”, afirma a pesquisadora paranaense. Texto não prevê planejamento de preservação ambiental Protesto foi realizado no Parque Nacional do Iguaçu ADERE/Divulgação O contexto em que a rodovia apareceu, nos anos 1950, não existe mais: o oeste paranaense era coberto por Mata Atlântica, devastada nas décadas seguintes. “Sobrou apenas a pequena área do parque, na fronteira com Paraguai e Argentina. Essa estrada corta exatamente o coração do parque, onde a biodiversidade é mais rara, mais especial, mais frágil e precisa ser melhor protegida”, lamenta Angela. Ela ressalta que não se trata de uma reabertura, mas da construção de um novo caminho, já que o original já foi recoberto pela floresta tropical e inclusive árvores ameaçadas de extinção. “O texto do projeto de lei não traz uma única medida de mitigação dos impactos ambientais. Ele fala apenas de abertura e asfaltamento de uma estrada. O precedente é muito sério, ao permitir a abertura de rodovias dessa natureza em todas as unidades de conservação do Brasil”, destaca a bióloga. Em parecer sobre o projeto, no ano passado, o Ministério Público estadual alertou sobre a inconstitucionalidade do texto, pelos riscos ambientais e por afrontar o “regime jurídico especial de proteção do bioma Mata Atlântica” – a área representa a última grande reserva da mata no interior do país. Refúgio de onças-pintadas ameaçado por caçadores As obras e a exploração da estrada gerariam desmatamento em um dos biomas mais ameaçados do planeta, único refúgio de onças-pintadas no sul do Brasil. O novo acesso facilitaria a entrada no local de operadores ilegais, como caçadores de animais selvagens e extratores de palmito e outros produtos da mata, que hoje são mais protegidos justamente por serem dificilmente acessíveis. Parque Nacional do Iguaçu divulga fotos do céu estrelado nas Cataratas do Iguaçu; VEJA A fauna também estaria ameaçada por atropelamentos ao cruzar a estrada e, para algumas espécies, pela separação gerada pela rodovia. Outro ponto evocado por Angela é que, ao contrário do que afirma o deputado "Vermelho", as estradas-parques que existem mundo afora jamais dividiram um patrimônio natural, mas sim foram integradas à margem destes espaços. Onças são flagradas andando em trilha do Parque Nacional do Iguaçu "O deputado 'Vermelho' coloca como se fosse uma estrada ecológica. Como uma estrada que desmata Mata Atlântica, dentro de um dos parques nacionais símbolos de beleza do mundo, vai ser ecológica? Nunca poderá ser”, observa. "E a consequência disso é mais danos à imagem do Brasil no exterior, o risco de perder o título de patrimônio natural da humanidade da Unesco – lembrando que o fechamento da estrada era uma das prerrogativas exigidas pela Unesco nos 1980, quando ela ainda estava aberta e era ilegal.” A batalha judicial pela legalização da estrada já foi definida pela corte mais alta do país, o Supremo Tribunal de Justiça, há 20 anos. Ou seja, não cabem mais recursos. Em visita ao Paraná em março, o presidente Bolsonaro prometeu apoio ao projeto de lei: disse que "se depender de nós, a licença ambiental vai ser dada”, porque a obra “ajudaria ao turismo”. Acrescentou que “durante muitos anos, usaram a questão ambiental para inviabilizar e isolar pedaços do Brasil”, que agora o governo federal “quer integrar”.
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17/06 - A solução inovadora contra a montanha de lixo plástico que produzimos
A maneira como o plástico normalmente é reciclado é uma espiral descendente de resíduos, mas há outra opção — desfazer o processo e transformar o plástico novamente em óleo. Novo método de reciclagem química pode transformar qualquer plástico de volta à sua matéria-prima — o óleo Alamy via BBC Existe um material feito pelo homem que você pode encontrar na terra, no ar e nas profundezas do oceano. É tão durável que a maior parte do que foi criado ainda está presente em nosso ecossistema. Uma vez na cadeia alimentar, ele permeia nossos corpos, fluindo do nosso sangue para nossos órgãos, chegando até mesmo à placenta humana. Estamos falando do plástico, e essa durabilidade é também o que faz dele um material tão útil. Cabos que se estendem pelo fundo do oceano, tubulações de água subterrâneas e embalagens que mantêm os alimentos frescos, tudo depende dessa propriedade. A reciclagem eficiente do plástico por meios convencionais ainda é difícil, e apenas 9% de todo o plástico já produzido foi reciclado em plásticos novos. Mas e se houvesse uma maneira de transformar o plástico de volta no material do qual foi feito? O "próximo grande desafio" para a química de polímeros — área responsável pela criação dos plásticos — é aprender a desfazer o processo e transformar o plástico novamente em óleo. Este processo — conhecido como reciclagem química — tem sido explorado como uma alternativa viável à reciclagem convencional por décadas. Até agora, o obstáculo tem sido a grande quantidade de energia necessária. Pandemia do plástico: Covid-19 joga no lixo sonho da reciclagem Isso, combinado ao preço volátil do petróleo bruto, às vezes torna mais barato produzir novos produtos de plástico do que reciclar o plástico existente. Todos os anos, mais de 380 milhões de toneladas de plástico são produzidas em todo o mundo. Conheça os desafios enfrentados com a reciclagem do plástico no Brasil A título de comparação, isso equivale a quase o mesmo que 2,7 milhões de baleias azuis — ou mais de 100 vezes o peso de toda a população de baleias azuis. Apenas 16% dos resíduos plásticos são reciclados para fazer novos plásticos, enquanto 40% são enviados para aterros sanitários, 25% para incineração e 19% são descartados no meio ambiente. Grande parte do plástico que poderia ser reciclado — como o polietileno tereftalato (PET), usado em garrafas de refrigerante e outras embalagens — vai parar em aterros sanitários. Muitas vezes, isso se deve à confusão sobre o que pode ou não ser reciclado e à contaminação com alimentos ou outros tipos de resíduos. Outros plásticos — como sacos de salada e outros recipientes de comida — vão parar no aterro porque são feitos de uma combinação de diferentes plásticos que não podem ser facilmente separados em uma usina de reciclagem. O lixo jogado na rua e os plásticos leves deixados em aterros sanitários ou despejados ilegalmente podem ser levados pelo vento ou arrastados pela chuva para os rios, acabando no oceano. A reciclagem química é uma tentativa de reciclar o que não é reciclável. Em vez de um sistema em que alguns plásticos são rejeitados porque são da cor errada ou feitos de compósitos, a reciclagem química poderia permitir que todos os tipos de plástico alimentem um sistema de reciclagem "infinito", que transforma os plásticos de volta em óleo, para que possam ser usados ​​na fabricação de plástico novamente. A forma como o plástico é reciclado atualmente é mais uma espiral descendente do que um loop infinito. Os plásticos são geralmente reciclados mecanicamente: são separados, limpos, triturados, derretidos e remodelados. Cada vez que o plástico é reciclado dessa forma, sua qualidade diminui. Alguns plásticos que poderiam ser reciclados acabam em aterros sanitários devido a instalações precárias ou confusão sobre o que é ou não reciclável. Alamy via BBC Quando o plástico é derretido, as cadeias poliméricas são parcialmente quebradas, diminuindo sua resistência à tração e viscosidade, tornando-o mais difícil de processar. O plástico reciclado, de qualidade inferior, muitas vezes se torna inadequado para uso em embalagens de alimentos, e a maioria dos plásticos pode ser reciclada um número bastante limitado de vezes antes de se degradar a ponto de se tornar inutilizável. A indústria emergente de reciclagem química tem como objetivo evitar esse problema, fragmentando o plástico em seus blocos de construção químicos, que podem então ser usados ​​como combustíveis ou para fabricar novos plásticos. A versão mais versátil da reciclagem química é a "reciclagem da matéria-prima". Também conhecida como conversão térmica, a reciclagem de matéria-prima é qualquer processo que quebre os polímeros em moléculas mais simples usando calor. O processo é bastante simples — vejamos o que acontece com uma garrafa de plástico. Você a joga fora junto com o lixo reciclável para coleta. Ela é levada, junto com todos os outros resíduos, para uma unidade de triagem. Lá, o lixo é separado, mecanicamente ou manualmente, em diferentes tipos de materiais e diferentes tipos de plásticos. Sua garrafa é lavada, triturada e empacotada em fardos, pronta para ser transportada até a central de reciclagem — até agora, igual ao processo convencional. Em seguida, vem a reciclagem química: o plástico que antes compunha sua garrafa pode ser levado para um centro de pirólise, onde é derretido. Na sequência, é colocado em um reator de pirólise, onde é aquecido a temperaturas extremas. Este processo transforma o plástico em um gás que é então resfriado para condensar em um líquido semelhante ao óleo e, finalmente, destilado em frações que podem ser utilizadas para diferentes fins. As técnicas de reciclagem química estão sendo testadas em todo o mundo. A empresa Recycling Technologies, do Reino Unido, desenvolveu uma máquina de pirólise que transforma plásticos difíceis de reciclar, como filmes, sacolas e plásticos laminados, em Plaxx (tipo de óleo). Esta matéria-prima de hidrocarboneto líquido pode ser usada para fabricar plásticos virgens de qualidade. A primeira unidade em escala comercial foi instalada em Perth, na Escócia, em 2020. Já a empresa Plastic Energy possui duas usinas de pirólise em escala comercial na Espanha e planeja expandir para a França, Holanda e Reino Unido. Essas usinas transformam resíduos plásticos difíceis de reciclar, como embalagens de confeitaria, sacos de ração e de cereais matinais em uma substância chamada "TACOIL". Esta matéria-prima pode ser usada para fazer plásticos próprios para alimentos. Nos EUA, a empresa química Ineos se tornou a primeira a usar uma técnica chamada despolimerização em escala comercial para produzir polietileno reciclado, que vai para sacolas e plástico filme. A Ineos também tem planos de construir várias usinas de reciclagem de pirólise novas. No Reino Unido, a Mura Technology iniciou a construção da primeira fábrica em escala comercial do mundo capaz de reciclar todos os tipos de plástico. A usina pode tratar plásticos mistos, plásticos coloridos, plásticos de todas as composições, em todos os estágios de decomposição, até mesmo plásticos contaminados com alimentos ou outros tipos de resíduos. A técnica "hidrotérmica" da Mura é um tipo de reciclagem de matéria-prima que usa água dentro da câmara do reator para propagar o calor uniformemente. Aquecida a temperaturas extremas, mas pressurizada para impedir a evaporação, a água se torna "supercrítica" — um estado que não é sólido, líquido nem gasoso. É o uso de água supercrítica, evitando a necessidade de aquecer as câmaras pelo lado de fora, que Mura diz que torna a técnica inerentemente escalonável. "Se você aquecer o reator por fora, é muito difícil manter uma distribuição uniforme da temperatura. Quanto maior, mais difícil fica. É um pouco como cozinhar", explica o presidente-executivo da Mura, Steve Mahon. "É difícil fritar um bife grande por completo, mas se você ferver, é fácil ter certeza de que está cozido uniformemente." Os resíduos de plástico chegam ao local em fardos — várias camadas de plástico contaminado, como filmes flexíveis e bandejas rígidas que, de outra forma, teriam ido para incineração ou usinas que geram energia a partir de resíduos. Borra de café vira adubo poderoso depois de reciclagem de cápsulas de alumínio Os fardos são colocados na instalação de triagem inicial para remover quaisquer contaminantes inorgânicos, como vidro e metal. Contaminantes orgânicos, como resíduos de alimentos ou do solo, podem passar pelo processo. O plástico é então triturado e limpo, antes de ser misturado com a água supercrítica. Uma vez que este sistema de alta pressão é despressurizado e os resíduos saem dos reatores, a maior parte do líquido evapora. Este vapor é resfriado em uma coluna de destilação, e os líquidos condensados ​​são separados em diferentes pontos de ebulição para produzir quatro hidrocarbonetos líquidos e óleos: nafta, gasóleo destilado, gasóleo pesado e resíduo de cera pesada, semelhante ao betume. Estes produtos são então transportados para a indústria petroquímica. Assim como acontece com outras técnicas de matéria-prima, não há ciclo descendente, uma vez que as ligações de polímero podem ser formadas novamente, o que significa que os plásticos podem ser reciclados infinitamente. Com uma taxa de conversão de mais de 99%, quase todo o plástico se transforma em um produto útil. "O elemento hidrocarboneto da matéria-prima será convertido em novos produtos de hidrocarbonetos estáveis ​​para uso na fabricação de novos plásticos e outros produtos químicos", diz Mahon. Mesmo os materiais de preenchimento usados ​​em alguns plásticos — como calcário, corantes e plastificantes — não são um problema. "Eles caem em nosso produto mais pesado de hidrocarboneto, o resíduo pesado de cera, que é um aglutinante do tipo betume para uso na indústria de construção." Os gases quentes e excedentes gerados durante o processo serão usados ​​para aquecer a água, aumentando sua eficiência energética, e a usina será abastecida com 40% de energia renovável. "Queremos usar o máximo de energia renovável possível e buscaremos, sempre que possível, chegar a 100%", diz Mahon. A usina de Teesside da Mura, com conclusão prevista para 2022, tem como objetivo processar 80 mil toneladas de resíduos de plástico que até então não eram reciclados ​​todos os anos — e servirá de modelo para implementação global, com instalações planejadas na Alemanha e nos Estados Unidos. Em 2025, a empresa pretende fornecer 1 milhão de toneladas de capacidade de reciclagem em operação ou desenvolvimento no mundo. "[Nossa] reciclagem de resíduos plásticos em matérias-primas virgens equivalentes oferece os ingredientes para criar plásticos 100% reciclados, sem limite para o número de vezes que o mesmo material pode ser reciclado — desvinculando a produção de plástico dos recursos fósseis e inserindo o plástico em uma economia circular", explica Mahon. Cientistas como Sharon George, professora de Ciências Ambientais na Universidade de Keele, no Reino Unido, veem com bons olhos a iniciativa da Mura. "Isso supera o desafio da qualidade ao 'desfazer' o polímero plástico para nos oferecer os blocos de construção químicos brutos para começarmos de novo", diz George. "Esta é a verdadeira reciclagem circular." Ainda assim, nos últimos 30 anos, a reciclagem química revelou sérias limitações. Consome muita energia, tem enfrentado desafios técnicos e é difícil de expandir para níveis industriais. Em 2020, um relatório da Aliança Global para Alternativas à Incineração (Gaia, na sigla em inglês), um grupo de organizações e indivíduos que promove movimentos sociais para reduzir o desperdício e a poluição, concluiu que a reciclagem química é poluente, consome muita energia e está sujeita a falhas técnicas. O relatório apontou que a reciclagem química não era uma solução viável para o problema do plástico, sobretudo no ritmo e na escala necessários. Além disso, se o produto final da reciclagem química for um óleo usado como combustível, o processo não reduzirá a necessidade de plástico virgem, e a queima desses combustíveis liberaria gases de efeito estufa, exatamente como os combustíveis fósseis comuns fazem. "As ONGs ambientais estão de olho nos métodos de reciclagem emergentes", diz Paula Chin, especialista em materiais sustentáveis ​​da WWF, ONG de preservação ambiental. "Estas tecnologias estão numa fase inicial e não são de forma alguma a solução mágica para o problema dos resíduos plásticos. Devemos nos concentrar em aumentar a eficiência dos recursos como uma forma de minimizar o desperdício por meio de uma maior reutilização, refis e sistemas de reparo — e não dependendo da reciclagem como salvador." Mas a Mura argumenta que sua usina preencherá um nicho muito necessário. "A reciclagem [química] é um setor novo, mas a escala em que está se desenvolvendo, especificamente na Mura, mostra a necessidade urgente de novas tecnologias para enfrentar o problema crescente de resíduos de plástico e vazamento ambiental, e uma oportunidade para reciclar um recurso disponível valioso, que atualmente vai ser desperdiçado", afirma Mahon. O processo da Mura visa complementar a infraestrutura e os processos mecânicos existentes, e não competir com eles, reciclando materiais que de outra forma iriam parar em aterros, incineradores ou no meio ambiente. Todos os resíduos plásticos que a empresa processa serão transformados em plásticos novos ou em outros materiais, nenhum será queimado como combustível. A Mura diz esperar que o uso de água supercrítica para transferência eficiente de calor permita à companhia expandir para níveis industriais, reduzindo o uso de energia e os custos. Pode ser um fator crucial para o sucesso numa área em que houve tanto fracasso. Um dos principais motivos pelos quais a reciclagem química não decolou até agora foi o colapso financeiro. Em um relatório de 2017, a Gaia citou vários projetos que fracassaram, incluindo a instalação da Thermoselect, na Alemanha, que perdeu mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em cinco anos; a Interserve, no Reino Unido, que perdeu US$ 100 milhões (R$ 506 milhões) em vários projetos de reciclagem química; e muitas outras empresas que faliram. A dificuldade financeira é algo que tem impedido não apenas a reciclagem química, mas todos os tipos de reciclagem de plástico. "Não faz sentido do ponto de vista econômico. Coletar, fazer a triagem e reciclar embalagens é simplesmente mais caro do que produzir embalagens virgens", explica Sara Wingstrand, gerente de projetos de economia de novos plásticos na Fundação Ellen MacArthur, ONG estabelecida em 2010 com a missão de acelerar a transição rumo a uma economia circular. Segundo ela, o único caminho para o "financiamento dedicado, contínuo e suficiente em larga escala" da reciclagem é por meio de esquemas de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) baseados em taxas. A REP uma estratégia de mercado destinada a promover a integração dos custos ambientais associados com os produtos ao longo da sua vida, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Todas as indústrias que introduzem o plástico contribuiriam com fundos para coletar e processar suas embalagens após o uso. "Sem isso, é muito improvável que a reciclagem de embalagens seja escalonada na medida necessária", diz Wingstrand. Mas Mahon acredita que um sistema como o da Mura é outra forma de tornar a reciclagem de plástico viável economicamente, produzindo um óleo que pode ser vendido com lucro. A Mura anunciou recentemente parcerias com as fabricantes de plástico Dow e Igus GmbH, além da construtora KBR. "O interessante aqui é que a Mura pode encontrar valor em plásticos que geralmente não são economicamente viáveis para reciclar mecanicamente", avalia Taylor Uekert, pesquisadora do Cambridge Creative Circular Plastics Centre, instituto de pesquisa para a eliminação de resíduos plásticos ligado à Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Mesmo com a capacidade de "desfazer" todos os tipos de plástico para que possam ser reutilizados novamente, é improvável que todos os problemas relativos à poluição por plástico desapareçam. Enquanto continuar parando em aterros sanitários e no meio ambiente, o plástico seguirá cumprindo a missão para o qual foi criado: durar. Veja vídeos sobre natureza e meio ambiente
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17/06 - Como seca na Califórnia pode ter solucionado misterioso sumiço de avião
Empresa de pesquisa subaquática encontrou aeronave intacta no fundo de um lago. Em vista aérea, baixo nível das águas é visível no lago Folsom, na Califórnia Justin Sullivan via BBC Num momento em que uma severa seca na Califórnia tem reduzido substancialmente os níveis de água dos lagos em todo o Estado americano, autoridades encontraram os destroços do que acreditam ser um acidente aéreo ocorrido na década de 1960. A descoberta, feita na semana passada, pode ter solucionado um longo mistério. A aeronave encontrada tem características similares às do avião Piper Comanche 250, que sumiu no 1º de janeiro de 1965. Uma empresa de pesquisa subaquática que testava equipamentos no lago Folsom, localizado 40 km a nordeste de Sacramento, encontrou o avião inteiro em um dos pontos mais profundos do reservatório de água. LEIA TAMBÉM: Filha de trabalhadores rurais homenageia pais em ensaio de formatura nos EUA; veja fotos Nova York e Califórnia suspendem quase todas as restrições contra a Covid O acidente de 1965 matou as quatro pessoas a bordo, incluindo o piloto. O corpo do profissional foi recuperado, mas os restos mortais dos três passageiros nunca apareceram, apesar das buscas que se estenderam até 2014. A empresa de pesquisa, Seafloor Systems, primeiro captou o objeto misterioso através de um sonar, equipamento que usa a emissão de ondas sonoras para detectar e localizar objetos em águas profundas. "Vi algo que não era normal", disse Tyler Atkinson, funcionário da Seafloor Systems, à KOVR, afiliada local da rede de televisão americana CBS. Uma inspeção mais cuidadosa revelou que se tratava de um avião. Foi o nível historicamente baixo das águas do lago que permitiu à equipe tirar fotos nítidas da cauda e da hélice da aeronave. A delegacia de polícia local agora precisará decidir se o avião pode ser recuperado. Nenhuma investigação está em andamento, de acordo com a KOVR. O nível de água do lago Folsom está atualmente em 38% de sua capacidade normal, como resultado de uma seca severa em todo o Estado. Na semana passada, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, declarou situação de emergência devido à seca em 41 dos 58 condados do Estado, incluindo os três condados que circundam o lago.
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16/06 - Por que teias de aranha estão dominando a paisagem na Austrália
Milhões de aranhas que fugiam de enchentes criaram teias enormes enquanto tentavam alcançar terras mais altas. Uma teia cobre a vegetação perto de uma cidade australiana atingida por fortes chuvas. CAROLYN CROSSLEY via BBC Enormes teias de aranha estendendo-se por árvores e terrenos se formaram perto de cidades na Austrália recentemente atingidas por enchentes. Moradores da região de Gippsland em Victoria dizem que os véus finos apareceram após dias de chuva forte. Em uma área, uma teia de aranha cobria mais de um quilômetro ao longo de uma estrada. Especialistas dizem que os véus de teia são criados em uma tática de sobrevivência conhecida como "balonismo", em que as aranhas formam a seda para atingir lugares mais altos. Por que Austrália vive infestação assustadora de ratos Ken Walker, curador sênior de insetos da Museums Victoria, disse que provavelmente milhões de aranhas teceram seus fios nas árvores ao redor. As aranhas tentam escapar da água agarrando-se a terrenos mais elevados, dizem os especialistas. CAROLYN CROSSLEY via BBC "As aranhas que vivem no chão precisam sair do solo muito rapidamente. A seda se agarra e se fixa na vegetação e elas conseguem escapar", disse ele ao jornal The Age. Isso criou grandes lençóis finos cobrindo os pântanos entre as cidades de Sale e Longford. 'Uma onda' Uma vereadora local, Carolyn Crossley, disse que tinha descido a um barranco de um lago na noite de segunda-feira para verificar se havia danos causados pela enchente e ficou encantada com o fenômeno natural. Crossley disse que já tinha visto o efeito antes, mas não em uma escala tão grande. "Não foi assustador — foi lindo. Tudo estava envolto nesta bela teia de aranha, em todas as árvores e cercas", disse ela à BBC. "O sol estava se pondo na hora e a luz estava linda, só de ver essa onda passando pela paisagem." Ela disse que a teia parecia uma camada única, cheia de pequenas aranhas. Uma camada de teia de aranha cobriu a beira da estrada. CAROLYN CROSSLEY via BBC "O fato de que ela não se separou — era como se essas aranhas tivessem se coordenado para fazer essa incrível instalação de arte paisagística ou algo assim", disse ela. Jovem fica em estado crítico após ser atingido por baleia na Austrália Outra residente local, Amanda Traeger, disse à BBC que sua família havia inicialmente confundido as teias com redes ao longo da estrada. "Eu já tinha visto algo assim antes, mas nada exatamente como isso", disse ela. "Foi absolutamente deslumbrante." As delicadas teias devem se desintegrar no final desta semana. Moradores disseram que esta foi uma boa visão para se ter depois do clima desastroso dos dias anteriores. Video: Milhões de camundongos invadem a região sudoeste da Austrália Chuvas e ventos fortes atingiram grande parte de Victoria, causando enchentes e danos generalizados na semana passada. Duas pessoas foram encontradas mortas em seus carros devido às enchentes. As autoridades dizem que a tempestade foi uma catástrofe. Centenas de casas seguem sem energia. Vídeos: mais assistidos do G1 em maio
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16/06 - Desmatamento no Amazonas cresce 67,4% nos cinco primeiros meses de 2021, aponta Inpe
Comunidade científica afirma que aumento é resultado da 'fragilidade' de atuais políticas públicas para combate à atividade ilegal. Drone flagrou o desmatamento de uma área de difícil acesso em Itanhaém Divulgação/Prefeitura de Itanhaém De janeiro a maio deste ano, um total de 615.95 km² foram desmatados no Amazonas, ou seja, 67,4% a mais que o total desmatado no mesmo período do ano passado, quando foram desmatados 367.79 km² de área. Com esse resultado, o Amazonas é o segundo estado mais desmatado da região Norte, atrás apenas do Pará, que teve 949.71 km² de área desmatada nos cinco primeiros meses deste ano. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e mostram, ainda, que o município de Lábrea é o mais desmatado em todo o Amazonas. Em toda a Amazônia, o total de área desmatada chega a 2.547,7 km², e o município é o terceiro mais desmatado em toda a Região. RECORDE: Amazônia tem o maior desmatamento em uma década ALERTA: Alertas de desmatamento na Amazônia batem recorde Na análise do geógrafo e ambientalista, Carlos Durigan, diretor da WCS Brasil (Associação Conservação da Vida Silvestre), essa tendência de aumento acontece porque falta um controle de gestão sobre a exploração de terras. “O aumento do desmatamento tem uma relação direta com a fragilização das ações de fiscalização e a ausência de um plano estratégico para combater ilícitos na região. Falta-nos liderança de gestão pública no estabelecimento de ações voltadas à construção de uma agenda de desenvolvimento sustentável", disse. Com quase 30 anos dedicados a projetos voltados à conservação e manejo da biodiversidade e de paisagens naturais na Amazônia, Durigan explicou, ainda, que só seria possível reduzir esses números se houvesse um fortalecimento de ações de monitoramento e fiscalização. “É preciso implementar o controle preconizado pelo Código Florestal através de Cadastro Ambiental Rural (CAR), monitorando a manutenção e restauração de reservas legais e ainda fortalecer a fiscalização e controle das terras públicas, coibindo a ocupação ilegal e a grilagem", concluiu. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro público eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais. Esta semana, o CAR recebeu uma nova plataforma de análise de dados, que vai usar o sensoriamento remoto para checar informações declaradas de ocupantes e proprietários de terras. O registro serve para integrar as informações ambientais referentes à situação das áreas de preservação permanente (APP); das áreas de reserva legal; das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa; das áreas de uso restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país. Impactos em nível global Desmatamento na Amazônia atingiu em 2020 o maior índice dos últimos 12 anos Getty Images via BBC A Amazônia é uma grande vitrine do Brasil para o mundo e, por esse motivo, o alto índice de desmatamento é um problema não só para o Amazonas, mas é um problema de nível global, segundo especialistas consultados pelo G1. O aumento do desmatamento tende a gerar o que os ambientalistas classificam como 'imagem negativa' para o país, resultando na queda de exportações de produtos brasileiros e na diminuição da presença do Brasil em mercados internacionais. Segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, manter as florestas preservadas, além de contribuir com a questão ambiental, daria mais visibilidade ao país. Márcio faz parte de uma rede que conta com 68 organizações da sociedade civil brasileira que discutem mudanças climáticas e planejam alternativas voltadas à preservação ambiental. "Cada vez que o desmatamento aumenta aqui, aumentam as restrições e as críticas ao Brasil e ao mercado brasileiro no mundo." "O contrário também acontece. Cada vez que o desmatamento diminui no Brasil, a gente tem um favorecimento da imagem no Brasil no mercado internacional. Portanto, diminuir esses números é extremamente importante", destacou. Márcio criticou a atual política ambiental do país, e lembrou o episódio em que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi acusado pela Polícia Federal de participar de um esquema de facilitação de contrabando de madeira ilegal, em maio deste ano. “É um governo que promove uma série de medidas rotineiramente para desregulamentar a área e a agenda ambiental e enfraquecer a capacidade do estado de combater, principalmente, o crime ambiental", afirmou. "Essa situação toda gerada pelo governo tem incentivado a ilegalidade na Amazônia, e a ilegalidade faz parte majoritária do desmatamento”. Os pesquisadores citaram, também, que a Amazônia exerce um papel fundamental para o equilíbrio do clima no país. E que combater o desmatamento na região, contribui não só para o avanço global, mas também para manter em ordem todo o ecossistema do país. 'RIOS VOADORES': Desmatamento na Amazônia afeta fenômeno da natureza e pode alterar clima em outras regiões brasileiras Em outras palavras, as chuvas que caem na Amazônia repercutem na agricultura do país, abastecem os reservatórios das hidrelétricas para geração de energia e abastecem os reservatórios de água que chega na torneira da população dessas regiões. Desmatamento por Município Operação combate desmatamento ilegal no Sul de Lábrea Ipaam/Divulgação Os dados disponíveis no Inpe, mostram, ainda, o ranking por estado. Na lista, o município de Lábrea, que no mesmo período do ano passado era o segundo mais desmatado, assumiu a liderança no ranking, seguido de Apuí, que era o primeiro mais desmatado no mesmo período de 2020. Municípios mais desmatados, em 2021, no AM: Lábrea/AM: 185.60 km² Apuí/AM: 146.15 km² Novo Aripuanã/AM: 75.73 km² Humaitá/AM: 44.06 km² Canutama/AM: 40.97 km² Manicoré/AM: 34.57 km² Maués/AM: 28.49 km² Boca do Acre/AM: 26.29 km² Tapauá/AM: 14.72 km² Pauini/AM: 6.92 km² Municípios mais desmatados, em 2020, no AM Apuí/AM: 110.62 km² Lábrea/AM: 107.38 km² Boca do Acre/AM: 27.86 km² Humaitá/AM: 27.39 km² Canutama/AM: 22.55 km² Novo Aripuanã/AM: 18.11 km² Manicoré/AM: 17.00 km² Pauini/AM: 6.96 km² Borba/AM: 4.32 km² 10º - Utai/AM: 2.58 km² Alerta para queimadas Enquanto o desmatamento aumenta, no Amazonas, o número de queimadas apresenta uma queda, segundo os dados do Inpe. De janeiro a maio de 2021, foram registrado 4.082 focos de queimadas. No ano passado, neste mesmo período, foram 5.655 focos de queimadas. Apesar disso, os especialistas alertaram que outra consequência grave: o desmatamento quase sempre vem acompanhado de queimadas. A floresta para ser queimada, precisa estar desmatada. Ou seja, o desmatamento é sempre uma das etapas de devastação florestal, que abre caminhos para que outras sejam feitas. No ano passado, o acumulado de focos de incêndio na Amazônia de janeiro a setembro foi o maior desde 2010. Alinhado a isso, o desmatamento na região também atingiu recordes. O desmatamento alto preocupa, porque as áreas desmatadas, poderão queimar durante o verão amazônico, caso não exista controle. O que diz o governo? Sobre o aumento do desmatamento no Amazonas, o Governo, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) informou, em nota, que tem atuado desde o início de abril, na repressão ao desmatamento ilegal, por meio da Operação Integrada Tamoiotatá. Atualmente, a Operação está em sua quinta fase de ações no Sul do Amazonas, com foco nas cidades de Lábrea e Apuí, que figuram entre os municípios mais vulneráveis da Amazônia Legal, em decorrência de ocupações irregulares em áreas públicas, em especial, em áreas da União. O órgão informou, ainda, que realiza a reavaliação e readequação das estratégias em campo, no intuito de reduzir o crescimento das ilegalidades. O governo disse ainda, que em reunião junto ao Conselho Nacional da Amazônia, em 1º de junho, o Estado sinalizou ao vice-presidente, Hamilton Mourão, a necessidade de integração das agendas de combate junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para fortalecer as ações de combate. Além disso, o governo afirmou ter obtido a aprovação de R$11,5 milhões do Banco Alemão de Desenvolvimento KFW, para contratar 240 brigadistas florestais, para reforçar a atuação estadual contra as queimadas, normalmente intensificadas a partir deste mês. Parte do recurso também será usada para contratação de um serviço de monitoramento por drone, em tempo real, do desmatamento no Sul do Estado, a fim de auxiliar as equipes em campo pela Operação Tamoiotatá e, também, apoiar o Ipaam na autuação remota de infratores. Número de focos de queimadas no AM é o maior em 22 anos VÍDEOS: Veja os mais assistidos do Amazonas
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15/06 - PF quer retirar da Justiça Federal e concentrar no STF investigações sobre madeira ilegal na Amazônia
Em manifestação ao Supremo, PF afirmou que 'agentes políticos' estão atuando a fim de assegurar 'impunidade' aos investigados em inquérito que envolve ministro Ricardo Salles. A Polícia Federal pediu nesta terça-feira (15) ao Supremo Tribunal Federal que as investigações da Operação Handroanthus sobre esquemas de comercialização de madeira extraída ilegalmente da Amazônia — em tramitação na Justiça Federal no Pará e no Amazonas — sejam concentradas no próprio STF. No fim do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos no valor de R$ 130 milhões de madeira foram apreendidos na Handroanthus, considerada a maior operação do gênero na história do país. De acordo com a PF, o motivo do pedido são as relações que essas apurações no âmbito da Justiça Federal do Pará e do Amazonas têm com o inquérito aberto no Supremo sobre o mesmo assunto, que envolve o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (vídeo abaixo), e cuja relatora é a ministra Cármen Lúcia. Salles e presidente do Ibama são alvos de operação da PF que investiga exportação ilegal de madeira O inquérito que envolve Salles tramita no Supremo porque ele é ministro — nessa condição, tem foro privilegiado no STF. Com isso, somente a relatora — nesse caso, Cármen Lúcia — pode autorizar diligências da PF e determinar prazos de investigação, por exemplo. Em manifestação ao Supremo, a Polícia Federal, apontou "sério risco de esvaziamento" das atribuições do STF porque decisões de juízes federais do Pará e do Amazonas estariam sendo tomadas para beneficiar investigados. De acordo com a PF, "agentes políticos" estão atuando a fim de assegurar "impunidade" aos investigados no inquérito. Os policiais federais informaram ao STF que a Justiça Federal do Pará determinou a restituição de bens apreendidos, como todas as madeiras em toras apreendidas, além dos conjuntos de embarcações com madeiras. Um juiz chegou a aplicar multas em policiais federais envolvidos na apreensão da madeira durante a operação. As investigações que têm como alvos o ministro Salles e o presidente afastado do Ibama Eduardo Bim apuram crimes de advocacia administrativa (servidor público que atua em defesa de interesse privado), organização criminosa e crime de "obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais". Segundo a PF, “em razão do valor econômico milionário envolvido, a atuação da Polícia Federal gerou incômodo no “ramo empresarial” dedicado à extração ilegal de madeira, atraindo a mobilização de agentes políticos, a exemplo de parlamentares, inclusive, por mais incoerente que possa parecer, de chefes de órgãos gestores do Sistema Nacional de Proteção do Meio Ambiente (MMA e IBAMA)”. “A PF foi comunicada do teor de quatro decisões favoráveis aos investigados, determinando a restituição de instrumentos (maquinários) e produtos de crime (madeira ilegal), ignorando-se a existência de prova técnica sobre a origem ilícita dos produtos florestais”, diz a Polícia Federal. Para os investigadores, as decisões da Justiça são incomuns e geraram até apuração no Conselho Nacional de Justiça. “É fundamental o reconhecimento da conexão entre a notícia-crime (inquérito) contra o Ministro do Meio Ambiente, senador da República e presidente do Ibama, com a Operação Handroanthus. Isso porque ambas as investigações compartilham provas, pois os agentes políticos atuam no sentido de assegurar a impunidade dos investigados pela Polícia Federal, valendo-se, para tanto, de seus cargos de alto escalão do Poder”.
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15/06 - Jacaré é filmado 'espiando' casa na Flórida; veja vídeo
Animal chega a bater contra vidro da residência antes de se virar e ir embora. Imagens foram capturadas durante a madrugada por uma câmera de segurança. Aligátor é filmado 'espiando' casa na Flórida, EUA Um aligátor – espécie de jacaré americano – foi filmado "espiando" para dentro de uma casa no estado americano da Flórida (veja no vídeo acima). O animal de quase 3 metros de comprimento chega a bater contra o vidro da residência antes de se virar e ir embora trombando contra uma espreguiçadeira. Mulher encontra jacaré de mais de 2 metros na garagem de casa nos EUA As imagens foram capturadas durante a madrugada de sábado (12) por uma câmera de segurança e assustaram os moradores de Manatee County, próximo a cidade de Tampa. Steve Farkas, dono da propriedade, contou à televisão local que essa não foi a primeira vez que recebeu a visita de um aligátor, há um ano, um bebê jacaré fez o mesmo trajeto. Aligátor visita casa na Flórida, EUA, em 12 de junho de 2021 Reprodução/NBC “É muito bizarro que mais ou menos um ano depois, nós recebemos a visita de um adulto na porta da frente", disse Farkas à WFLA, afiliada da rede americana NBC. O animal não foi encontrado e os vizinhos compartilharam informações em grupos do bairro para que todos se certifiquem de fechar bem as portas e cuidar para que seus pets não saiam sem vigilância. Autoridades do serviço de proteção animal informaram que os aligátors costumam ser mais ativos durante os meses do verão e que o cuidado deve ser redobrado.
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15/06 - Cachalote que encalhou na costa do AP é enterrada para que ossada seja exposta em museu
Iepa, Mamirauá e ribeirinhos atuam na região para proteger material, que também pode ser usado para estudo. Encalhe do animal foi confirmado na sexta-feira (11). Iepa trabalha no resgate de ossos da 'baleia cachalote' que encalhou na costa do Amapá A cachalote encontrada encalhada na costa passou a integrar o acervo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa). A intenção é utilizar o material para estudos e também expor a ossada em um museu de Macapá. Para isso, a cachalote foi enterrada na região onde foi achada. Esse foi o primeiro registro oficial de encalhe desta espécie na costa amapaense, segundo o Instituto Mamirauá, que acompanha o trabalho, realizado em conjunto com moradores da região. Cachalote que encalhou na costa do Amapá foi enterrada para que ossada seja exposta em museu Iepa/Divulgação Foram os próprios ribeirinhos que avistaram o animal há uma semana, no dia 8, próximo ao arquipélago do Bailique e acionaram os especialistas. O encalhe foi confirmado na sexta-feira (11) e, desde então, iniciou-se a mobilização para proteger o achado e planejar o que seria feito. "Como ainda tem muitas partes de tecidos, gordura do próprio animal, a gente precisa retirar isso. Então a gente o colocou numa vala rasa para que a própria terra vá decompondo esses tecidos naturalmente. Então daqui a 4, 6 meses, a gente só vai ter os ossos. E aí a gente retira esses ossos, faz a contagem, traz para Macapá, e depois são limpos, preparados para serem montados", explicou o diretor de pesquisas do Iepa, Alan Kardec. O animal encontrado na costa do Amapá é de aproximadamente 10 metros de cumprimento, de sexo não identificado e já foi achado em avançado estado de decomposição. Não se sabe ainda como ele parou na região. A cachalote é um grande cetáceo, como um golfinho, e se difere da baleia justamente por ter dentes. Conforme o Iepa, a área do encalhe na região costeira é de difícil acesso. Por isso, os próprios ribeirinhos, que já atuavam em colaboração com o Instituto, realizaram a remoção do animal e o enterro das peças no domingo (13) e na segunda-feira (14). Cachalote encalhou na costa do Amapá e foi avistada por ribeirinhos Instituto Mamirauá/Divulgação De acordo com a bióloga Danielle Lima, membro do Mamirauá, o resgate das ossadas é um ponto positivo para estudos, uma vez que o Amapá tem poucas informações sobre o encalhe de grandes cetáceos. "A gente já tem a informação de outros encalhes, mas é a primeira vez que registramos o aparecimento de um cachalote, que a gente consegue ter acesso a material biológico", declarou a bióloga. Apenas outros dois casos de encalhe foram registrados oficialmente na mesma região, um em 2009 e outro em 2018. O mais recente foi de uma baleia-jubarte, cuja ossada foi removida do local e também integra o acervo do Iepa para ser exibida em breve. Imagem de satélite mostra onde animais que integram o acervo do Iepa foram achados encalhados: no ponto amarelo, a localização da cachalote em 2021; e mais abaixo, no ponto vermelho, a baleia-jubarte em 2018 Acervo/Iepa Pesquisadora do Iepa, Valdenira Ferreira explica que os encalhes da cachalote e da baleia-jubarte, apesar de terem sido em locais distantes um do outro, ocorreram numa área extremamente rasa, com variações de marés muito rápidas. "A hipótese é que eles não consigam sair a tempo da zona. Existem várias outras hipóteses, mas dentro do que a gente imagina é isso. É preciso pesquisar para saber o que realmente está acontecendo. O que a gente pode dizer é que essa é uma zona extremamente rasa, com altas variações de maré e que pode ser um local propício ao encalhe de animais. Isso é algo que merece ser investigado", pontuou a pesquisadora. Até agora, a operação da cachalote já custou quase R$ 8 mil. Mas a montagem é a etapa mais trabalhosa e também a mais cara. "A intenção do Iepa é ter uma coleção geológica, coleção de ossos, que fica aberta para visitação. O importante desse achado é que nós só temos duas dessas montadas a nível de Brasil, sendo uma no Ceará e outra no Piauí. Podemos ser os primeiros a ter uma baleia-jubarte e uma cachalote montadas no mesmo ambiente. Isso para a ciência é muito importante porque serve para estudos", destacou Kardec. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá ASSISTA abaixo o que foi destaque no AP
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14/06 - O que são os 'terremotos lentos' e como eles podem ajudar a ciência a prever os grandes tremores
Cientistas estudam como abalos 'silenciosos' que ocorrem ao longo de meses precedem tremores com um grande impacto na superfície terrestre. Ser capaz de prever quando haverá um grande terremoto é um desejo compartilhado pelos sismólogos. Isso é impossível com o conhecimento e a tecnologia atuais, mas pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram aos especialistas chegarem mais perto de identificar certas condições para que ocorra um abalo. Os especialistas em geofísica têm se concentrado, entre outras áreas, nos chamados "terremotos lentos". Trata-se de "deslizamentos que ocorrem em uma falha geológica, em geral, e em particular nas zonas de subducção entre duas placas que estão em contato", explica Víctor Cruz-Atienza, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México. Ele e seus colegas publicaram recentemente um estudo sobre esse tipo de terremoto que ocorre em certas regiões sísmicas, como a do sudeste mexicano, onde duas placas interagem. A pesquisa deles constatou que terremotos lentos (ou silenciosos) estavam por trás dos últimos quatro tremores de maior magnitude no país. Cerca de 300 pessoas morreram no terremoto de 19 de setembro de 2017 na Cidade do México EPA Diferentemente dos tremores que sacodem a superfície, os terremotos lentos liberam energia pouco a pouco durante semanas ou meses, o que os torna imperceptíveis e nada destrutivos. Mas especialistas afirmam que estudá-los é muito importante para entender melhor como os terremotos são gerados. Embora um tremor lento nem sempre antecipe um "normal", é um fator a ser levado em consideração. "A observação dos terremotos lentos ocorridos nos últimos 20 anos abre uma janela para entendermos a física que controla os terremotos", diz Sergio Ruiz, do Departamento de Geofísica da Universidade do Chile. "E também abriria uma janela para 'antecipar' os terremotos. Mas, por enquanto, é fundamental criar um modelo, por que isso acontece às vezes, e não em todos os casos", explica. O que acontece nas profundezas Os terremotos geralmente acontecem quando a interação das placas tectônicas libera energia para a superfície, o que faz com que o solo trema abruptamente. No entanto, há outros tipos de interações em camadas inferiores ou superiores àquelas em que ocorrem os terremotos que são sentidas na superfície terrestre. Um desses eventos são os terremotos lentos. Ruiz lembra que alguns atingiram magnitude 7, o que seria um perigo considerável se fossem terremotos com efeitos na superfície, mas o fato de ocorrerem durante semanas ou meses elimina o risco. É como se sobre uma mesa houvesse pratos, xícaras e talheres, explica o geofísico chileno. Se a mesa for movida rapidamente, o que está em cima vai balançar. Mas, se for movida bem lentamente, os objetos vão permanecer praticamente estáticos. "Um terremoto lento pode ser da mesma dimensão de um grande, um 'normal', mas como se move muito lentamente não é percebido", diz Ruiz. Os terremotos lentos foram observados em zonas de subducção, onde as placas tectônicas interagem Getty Images via BBC Cruz-Atienza explica que eles podem ser monitorados com aparelhos de GPS específicos, de "altíssima precisão", que medem a deformação dos continentes com uma exatidão aproximada de 2 mm. "Com isso, podemos medir até que ponto o continente se deforma e, como há um rebote, a volta do deslizamento lento ou do terremoto lento, com o contato das placas sob o continente", explica o especialista. Por trás de grandes terremotos A partir do estudo de terremotos lentos, os cientistas determinaram que vários abalos sísmicos de grandes proporções que sacudiram diferentes regiões do planeta foram precedidos por esses eventos "silenciosos". Entre eles, estão o terremoto de magnitude 9,1 no Japão em 2011, que causou um tsunami e acidente nuclear na usina de Fukushima; o de magnitude de 7,8 na Nova Zelândia em 2016; e o de magnitude 8,2 no Chile em 2014. No caso do México, Cruz-Atienza identificou que terremotos lentos precederam quatro grandes terremotos no país, incluindo o de setembro de 2017, que provocou o desmoronamento de prédios na Cidade do México, e o de fevereiro de 2018, perto da cidade de Pinotepa Nacional. "Demonstramos as tensões ou deformações que este lento e profundo terremoto induziu na área mais superficial de contato das placas e que foi ele que desencadeou a ruptura desse terremoto de magnitude 7,2 que causou tantos danos em Pinotepa", explica o especialista. Sua pesquisa no Sul do México constatou que terremotos lentos ocorrem a cada 3,5 anos no Estado de Guerrero, e a cada 1,5 anos em Oaxaca, como resultado do deslizamento das placas de Cocos (oceânica) e Norte-Americana (continental). Cada região do mundo tem sua própria periodicidade. No entanto, tanto Cruz-Atienza quanto Ruiz alertam que, com as evidências atuais, não se pode dizer que terremotos lentos são um fenômeno que sempre produzirá terremotos na superfície. O abalo sísmico de magnitude 8,2 em Iquique, no Chile, também foi precedido por um terremoto lento Getty Images via BBC "Há muitos terremotos lentos que não produziram terremotos. Terremotos lentos, pelo menos com a capacidade de observação que temos hoje, parecem ser uma condição necessária, mas não suficiente para produzir um terremoto. Deve haver outras condições para produzi-los", explica Cruz-Atienza. O que isso ensina aos cientistas? O estudo de terremotos lentos é um passo importante para os pesquisadores avaliarem se há evidências de que a atividade na crosta terrestre está avançando em direção a um evento com potencial destrutivo. "Eles permitiram que a comunidade científica entendesse muito melhor o comportamento das falhas geológicas onde ocorrem terremotos perigosos. Esses terremotos lentos que não percebemos modificam as tensões e deformações da crosta continental que podem eventualmente causar grandes terremotos" , diz o pesquisador mexicano. Os alertas sísmicos são resultado do avanço na compreensão dos terremotos — mas os cientistas estão tentando gerar mais ferramentas de antecipação AFP A observação de terremotos lentos só foi feita nos últimos 20 anos, mas para Ruiz "isso abre uma janela para entender a física que controla os terremotos". "Ainda é muito difícil concluir se os terremotos lentos são um fenômeno geral. Como não temos uma boa quantidade de terremotos lentos registrados, fica a dúvida. Essas observações precisam ser mantidas ao longo do tempo para ser possível tirar conclusões mais precisas", avalia. Mas o que falta para a ciência ser capaz de antecipar a possibilidade de um terremoto perigoso? Ambos os especialistas concordam que é preciso realizar mais pesquisa sobre como esses eventos são gerados. Além disso, é necessário instalar mais instrumentos de medição em todas as regiões sísmicas. "Por enquanto, o que mais falta é aumentar a instrumentação para poder medir terremotos de forma terrestre", explica Ruiz. Embora sejam realizadas inúmeras pesquisas geofísicas na América Latina, a região ainda está atrasada no que se refere a isso em comparação com outras partes do mundo. Vídeos: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
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14/06 - Campanha na web pede ajuda para reabilitar filhote de peixe-boi resgatado na Amazônia
'Gigi', cuidada por moradores de Almeirim, no Pará, deve ser transferida para Manaus. 'Gigi' recebe cuidados no Pará Olivaldo Sarges/SEA Um grupo de biólogos, veterinários e outros profissionais que integram a Rede de Pesquisa e Conservação de Sirênios no Estuários Amazônico (Rede SEA), da região Norte, realiza uma mobilização para obter recursos que possibilitem a continuidade do trabalho de reabilitação de um filhote de peixe-boi atendido na Amazônia. "Gigi" foi encontrada no interior do Pará e, há cerca de um ano, recebe cuidados de moradores de Almeirim. No entanto, ela precisa ser levada para o Centro de Reabilitação em Manaus, onde deve receber os cuidados necessários para poder voltar para a natureza. Apesar do animal estar em local seguro, a Rede SEA afirma que o espaço ainda não é o ideal para garantir o melhor atendimento da espécie. Por isso, para contribuir com a operação de transferência e reabilitação, o grupo decidiu lançar a “vaquinha para os boizinhos”. A ideia é coletar recursos para custear os gastos com a recuperação dos animais resgatados. A conservação é um assunto real que precisa de atenção. Sem o devido cuidado, muitos animais resgatados podem nunca mais voltar para a natureza. Mas para que isso ocorra, somente boa vontade não é o suficiente, também é necessário ter recursos financeiros. Doações podem ser feitas pelo pix: (91) 98116-2346 (Layane Joyce Rosa Maia). Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá ASSISTA abaixo o que foi destaque no AP:
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13/06 - Fungo manipula insetos e plantas para infestar os canaviais, descobrem pesquisadores da USP
Até então, acreditava-se que o Fusarium verticillioides, um dos causadores da podridão vermelha, apenas se aproveitava das aberturas nas plantas, deixadas por uma lagarta, para infectar lavouras de cana. Broca da cana-de-açúcar adulta. O fungo Fusarium verticillioides manipula tanto este inseto, como a planta. Heraldo Negri de Oliveira Por muito tempo se acreditou que o fungo Fusarium verticillioides, um dos causadores da doença podridão vermelha, era apenas um oportunista, que se aproveitava das aberturas deixadas pelo ataque da lagarta da broca na cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis) para infectar as plantas. Porém, uma pesquisa descobriu que o fungo manipula insetos e plantas para se reproduzir e disseminar pelos canaviais. É o que revela uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (USP). Os responsáveis pelo estudo são o entomólogo José Maurício Simões Bento e o geneticista Marcio de Castro Silva Filho, com colaboração da pós-doutoranda Flávia Pereira Franco, e dos doutorandos Amanda Carlos Túler e Diego Zanardo Gallan. Estima-se que as perdas geradas pela doença são de R$ 5 bilhões ao ano. “Neste trabalho, mostramos que os compostos voláteis produzidos pelas plantas de cana-de-açúcar infectadas pelo fungo atraem as mariposas livres da doença. Assim que a broca se torna adulta, como mariposa, o fungo é transmitido verticalmente para seus descendentes, que continuam o ciclo inoculando o fungo em plantas saudáveis”, diz Silva Filho. As mariposas que não foram contaminadas pelo fungo preferem depositar seus ovos em plantas infectadas, enquanto as mariposas portadoras do fungo preferem depositar seus ovos em plantas não-infectadas. Como o fungo ataca as plantas Fusarium verticillioides é um dos causadores da podridão vermelha Divulgação/Esalq-USP O fungo Fusarium verticillioides não age sozinho. Para conseguir infectar a planta, ele precisa, em primeiro lugar, infectar a broca da cana-de-açúcar, um inseto que é uma das principais pragas da cultura. A forma adulta da broca da cana é uma mariposa. Suas fêmeas procuram as plantas de cana para realizar a postura, ou seja, depositar seus ovos. O fungo pega carona. Dos ovos, surgem as lagartas que abrem orifícios no colmo (o caule) da cana. O entendimento anterior ao trabalho era que, pelos orifícios abertos pelas lagartas, ocorria a penetração dos fungos. Lagartas abrem orifícios no colmo (o caule) da cana Heraldo Negri de Oliveira Já o estudo reescreve o processo de infestação dos canaviais pela dupla inseto-fungo. As lagartas disseminam o fungo no interior da planta, causando a podridão vermelha. “A mariposa coloca os ovos na planta, a lagartinha eclode, penetra no colmo (caule), cresce, se transforma em pupa e sai na forma de mariposa para colocar seus ovos em outras plantas", diz Silva Filho. Se, isoladamente, a broca causa estrago nos canaviais, sua associação com o fungo pode ser ainda mais devastadora, no que tange à produção de sacarose e etanol. “A associação da lagarta com o fungo é responsável por praticamente 100% das infecções. Sempre que tem broca, tem infestação do fungo,” explica Flávia Pereira Franco. Segundo Silva Filho, são frequentes os relatos de perdas de 50% a 70% da sacarose de colmos atacados simultaneamente pelo fungo e pela broca. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com 678 milhões de toneladas na safra 2019/2020, ou 40% do cultivo no mundo. É também o segundo produtor de etanol, com 35,6 bilhões de litros na safra 2019/2020. A maior parte da safra nacional de cana vai para a produção de etanol. Quanto maior a quantidade de sacarose na cana-de-açúcar, maior é a quantidade obtida de etanol ou de açúcar. Uma tonelada da cana produz, por exemplo, até 90 litros de etanol. Logo, qualquer redução na quantidade de sacarose na planta reflete numa quebra de safra na produção de etanol. Como o fungo manipula Os pesquisadores ainda não descobriram como o fungo faz para manipular inseto e as plantas. Mas conhecem seus efeitos. As plantas exalam naturalmente voláteis de diversos tipos. A contaminação pelo fungo faz com que a planta passe a exalar voláteis específicos, cuja função é atrair as mariposas sadias da broca até a planta para se infectarem pelo fungo. Plantas não infectadas não exalam tal volátil. “O inseto se comunica com a planta por meio desses compostos ou ‘cheiros’”, explica a agrônoma Amanda Carlos Túler. Reação das mariposas não infectadas Bento explica que a planta contaminada pelo fungo produz voláteis irresistíveis às fêmeas grávidas não infectadas. "O inseto que, normalmente, não escolheria qual planta infectar, tem seu comportamento alterado. Serão estas plantas infectadas as escolhidas pelas fêmeas para depositar seus ovos,” afirma. Uma vez que os ovos eclodem, as lagartinhas que nascem serão infectadas pelo fungo ao penetrarem na planta. Quando as brocas se tornam adultas, na forma de mariposas, ao acasalar elas transmitem o fungo aos seus descendentes. Logo as futuras lagartas já estarão contaminadas. “Identificamos inicialmente o fungo no intestino das lagartas, no interior da pupa e na mariposa. A grande questão era saber se o fungo também passaria para os descendentes. Vimos que este fungo passa para a próxima geração dentro dos ovos depositados pelas mariposas,” explica o agrônomo Diego Zanardo Gallan. “Trata-se de um caso de transferência vertical, no qual o fungo passa a fazer parte do ciclo de vida da broca”, diz Flávia Franco. Fêmeas contaminadas Já as mariposas que foram contaminadas evitam realizar a postura nas plantas doentes, passando a buscar unicamente plantas sadias. “O fungo usa o inseto como vetor, ou seja, está manipulando tanto a planta quanto o inseto para se reproduzir e disseminar”, diz Bento. “A manipulação de plantas por microorganismos já foi demonstrada no caso de vírus e bactérias. O novo nessa história é que se trata de um fungo. É a primeira vez que isto é demonstrado! O que o inseto ganha com isto? Ainda não sabemos.” “Estabelecemos aqui um novo paradigma para a associação planta-inseto-fungo na cana-de-açúcar,” diz Bento. “O fungo manipula a lagarta. Ele precisa da lagarta para infectar a planta. O fungo é o maestro de uma orquestra. Ele controla a lagarta, a fêmea adulta e a planta!”, diz Silva Filho. VÍDEOS: tudo sobre o agronegócio
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12/06 - Homem sobrevive após ser abocanhado por baleia nos EUA
Michael Packard é pescador profissional de lagostas e estava mergulhando a trabalho quando foi parar na boca de uma baleia jubarte na costa de Cape Cod, em Massachusetts. Após período de 30 a 40 segundos, animal emergiu, chacoalhou a cabeça e o cuspiu. Homem sobrevive após ser abocanhado por baleia Um mergulhador sobreviveu nos Estados Unidos após ser abocanhado por uma baleia. Assista ao VÍDEO acima. Michael Packard é pescador profissional de lagostas e estava mergulhando a trabalho quando foi parar na boca de uma baleia jubarte na costa de Cape Cod, em Massachusetts, na sexta-feira (11). Inicialmente, ele achou que estava sendo vítima de um ataque de um tubarão, já que tudo aconteceu muito rápido. “De repente senti esse tranco e tudo ficou escuro”, disse à emissora NBC. Ele percebeu o engano ao notar que não estava sentindo dores e não havia nenhum dente perfurando sua pele. Foi quando entendeu o que estava acontecendo. Especialista explica como homem conseguiu sobreviver. Veja o vídeo: LEIA TAMBÉM: Homem é controlado por outros passageiros em avião nos EUA; veja VÍDEO Jovem fica em estado crítico após ser atingido por baleia na Austrália Packard, de 56 anos, imaginou então que seria engolido e que iria morrer. Ele disse que pensou em sua família, especialmente em seu filho, mas que logo a baleia emergiu, chacoalhou a cabeça e o cuspiu. Ele foi resgatado por seus colegas de trabalho, que estavam em um barco nas proximidades. Ele estima ter passado de 30 a 40 segundos dentro da boca do animal, onde conseguiu respirar graças ao seu tanque de oxigênio. O mergulhador foi levado a um hospital, com ferimentos relativamente leves. “Tive um joelho deslocado e apenas danos nos tecidos moles das minhas pernas. Também fiquei com medo de ter sofrido uma lesão de mergulho por ter subido muito rápido ou uma embolia, mas está tudo bem. O médico disse que estou bem”, explicou à NBC. VEJA TAMBÉM: 'Monstro do rio' de 109 kg é pescado nos EUA; peixe pode ter mais de 100 anos Peixe das profundezas do oceano é encontrado em praia na Califórnia; veja fotos ‘Peixes monstruosos’: veja casos de animais enormes ou de formas assustadoras encontrados VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
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11/06 - Medicamento à base do jambu produzido no Amapá testa eficácia contra a disfunção erétil
Remédio em spray é avaliado por especialistas na Unifap. Spray com jambu é testado na Unifap como medicação contra a disfunção erétil Um novo medicamento à base de jambu passou a ser testado na Universidade Federal do Amapá (Unifap). A intenção é que o remédio ajude homens que têm problemas com disfunção erétil, um assunto que ainda é tabu entre o gruo que ela ataca. Uma das principais dificuldades é encarar o problema e buscar ajuda médica. Além disso, às vezes, alguns medicamentos usados no tratamento apresentam reações nos pacientes. “A gente percebe que, apesar de ter um número significativo, eles vão abandonando o tratamento por diversos motivos entre eles os efeitos colaterais que as medicações podem causar. A gente percebeu essa necessidade, então criamos o projeto para desenvolver um medicamento a base de produtos naturais e para acolher os pacientes”, comentou o urologista Lecildo Lira, professor de medicina na Unifap. Substância encontrada no jambu levou ao medicamento em teste Rede Amazônica/Reprodução Planta bem conhecida na Região Norte, o jambu tem substâncias que proporcionam benefícios para pessoas que tem disfunção erétil e ejaculação precoce. Com os testes em laboratório, o grupo de pesquisa chegou a um spray. “Nós fomos atrás de um princípio ativo que já havia relatos de populares que funcionava para disfunção erétil. Partimos para uma substância dessa planta e estamos trabalhando em nível de nanotecnologia, para melhorar os efeitos e diminuir as concentrações para não produzir um efeito tóxico colateral”, destacou José Carlos Tavares, coordenador do curso de farmácia. Antes de chegar ao formato em spray, é preciso seguir um processo que leva cerca de uma semana. Processo de produção do spray leva uma semana Rede Amazônica/Reprodução A planta é coletada e passa por secagem. É feita uma extração com etanol para então secar o estrato e incorporar no spray. Mesmo depois de pronto, o medicamento ainda precisa passar pelo teste do controle de qualidade antes de entregar o produto para o paciente. Essa não é uma ação simplesmente para se criar um medicamento. Mais do que isso, é um canal para ajudar dezenas de homens que não chegam até os consultórios por vergonha, ou porque não possuem meios de o atendimento correto para resolver o problema. Mas com esse trabalho, isso pode ser diferente. Quem tiver interesse, pode procurar o Núcleo de Urologia da Unifap e agendar uma consulta pelo número (96) 98406-9564. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá ASSISTA abaixo o que foi destaque no AP:
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11/06 - Quase 500 m³ de madeira são apreendidos no maior flagrante feito em operação da PRF em RO
Maior parte da carga seria comercializada no sudeste do país. Ao todo, PRF fez três dias de operação. Operação de combate a crimes ambientais resulta na maior apreensão de madeira já feita pela PRF em Rondônia Uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em rodovias de Rondônia, apreendeu 464 m³ de madeira ilegal em três dias de fiscalizações. Segundo balanço da corporação divulgada nesta sexta-feira (11), esta foi a maior apreensão de madeira irregular feita pela PRF no estado. A operação foi realizada em pontos da BR-364 para combater o transporte irregular de madeira, já que, conforme os agentes, a rodovia é a principal rota das madeireiras no estado. Entre as espécies apreendidas estavam castanheiras, mognos, seringueiras e aroeiras. De acordo com a PRF, por lei, essas espécies apreendidas não podem ser extraídas ou comercializadas no Brasil. A suspeita é que a maior parte da carga seria vendida no sudeste do país. Quase 500m³ de madeira ilegal são apreendidas em rodovias de Rondônia Rede Amazônica/Reprodução "O sudeste do Brasil já teve sua exploração [de madeira] em quase sua totalidade. O estado de Rondônia, além de ter uma quantidade muito grande de madeira, se agrega o valor ao chegar ao sudeste, onde já estão quase extintas essas madeiras", explicou o agente da PRF Jussigle Rodrigues. De acordo com o consultor florestal Adilson Pepino, as apreensões de 464 m³ de madeira demonstram o avanço do desmatamento no estado. "Todo desmatamento por si só já gera impactos irreversíveis, tanto no âmbito ambiental, social e econômico. Na Amazônia nós precisamos conscientizar a população, os produtores e a sociedade em geral sobre esses impacto, precisamos retrair esse desmatamento da Amazônia", falou. Segundo a PRF, 17 motoristas foram autuados por fazer o transporte ilegal das cargas durante a operação. Todos assinaram termos de responsabilidade e se condenados, podem pagar multas de até R$ 30 mil. As madeiras apreendidas foram guardadas no pátio da corporação até a justiça decidir qual o destino delas. Análise da madeira Na tentativa de driblar a polícia, as empresas que fazem a extração e comercialização das madeiras, misturam as espécies proibidas com outros tipos que são permitidos. Por isso, 25 policiais, que atuaram na operação, passaram por treinamentos para saber como identificar a mistura. Dessa forma, cada carregamento foi devidamente averiguado pelos agentes. Agente coletando amostras de madeira para análise Rede Amazônica/Reprodução "O trabalho é feito identificando a madeira serrada na parte da carga do veículo, tirada uma amostra para ser analisada com uma lupa de amento pelo servidor da PRF, identificando as características da madeira", explicou o agente da PRF Anderson Idalgo.
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11/06 - Mourão diz que Bolsonaro autorizou nova operação militar para combater crimes ambientais na Amazônia
Vice-presidente informou que a operação terá dois meses de duração e custo de R$ 50 milhões. Planejamento é começar na próxima semana. Forças Armadas voltarão a combater crimes ambientais na Amazônia, diz Mourão O vice-presidente Hamilton Mourão informou nesta sexta-feira (11) que o presidente Jair Bolsonaro autorizou a realização de uma nova operação com militares das Forças Armadas para combater crimes ambientais na Amazônia. Presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Mourão disse que a operação deve durar dois meses, com custo de R$ 50 milhões. O governo ainda fecha os detalhes do planejamento, mas a ideia é iniciar a operação na próxima semana. "Ontem [quinta-feira] conversei com ele [Bolsonaro], ele autorizou. Nós estamos fechando o planejamento, falei com ministro Paulo Guedes, o recurso é em torno de R$ 50 milhões para fazer isso aí pelos próximos dois meses, ele disse que isso não é problema. Então, agora precisa fechar onde vai ser a principal áreas de operações", disse Mourão em entrevista no Palácio do Planalto. Para que a operação comece de fato, será preciso a publicação no 'Diário Oficial da União' do decreto, assinado por Bolsonaro, que determina a operação de garantia da lei e da ordem (GLO) na região amazônica. Criticado pelo desmonte na fiscalização ambiental e pela piora nos índices de desmatamento e queimadas, Bolsonaro já utilizou militares na Amazônia em duas oportunidades, uma em 2019 e outra entre 2020 e 2021, nas Operações Verde Brasil 1 e 2. A Verde Brasil 2 se encerrou em no final de abril porque o governo decidiu não renovar a GLO. Contudo, com três meses seguidos de alta no desmatamento, Mourão, que mantém uma relação distante do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu enviar outra vez as Forças Armadas para combater desmatamento e queimadas. Mourão costuma dizer que o governo pretende encerrar o ciclo agosto2020-julho2021 com redução na faixa de 15% no desmatamento na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o vice, o retorno dos militares também reforça o trabalho de combate à queimadas. Caso haja recursos, é possível que a operação seja prorrogada por mais tempo.
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11/06 - Jovem fica em estado crítico após ser atingido por baleia na Austrália
Nick Myhill teve sérios ferimentos na cabeça e no pescoço depois que baleia que saltava no mar caiu em cima do barco no qual ele pescava com seu padrasto. Autoridades alertam para que seja mantida distância de animais, que nesta época do ano ampliam presença na região. Barco no qual Nick Myhill e seu padrasto Matt pescavam e que foi atingido por uma baleia em New South Wales, na Austrália NSW Police/G1 Um jovem de 18 anos está em estado crítico depois que uma baleia caiu em cima do barco no qual ele estava após um salto no mar, em New South Wales, na Austrália. Nick Myhill teve sérios ferimentos na cabeça e no pescoço. O padrasto dele, Matt, de 39 anos, conseguiu pedir socorro e conduzir o barco de volta à margem, apesar deste estar bastante avariado e de ele também estar machucado, com lacerações no rosto e uma concussão. VEJA TAMBÉM: Pausa na saga: a soneca dos elefantes que atravessam parte da China Paraquedista leva cartão amarelo ao pousar no meio de jogo de futebol na Polônia; assista Uma ambulância com paramédicos recebeu os dois já no atracadouro e os levou a um hospital após o incidente, na manhã de domingo (6), segundo a equipe de resgate marinho da Polícia de New South Wales. As autoridades acreditam que a baleia também possa ter se ferido durante a colisão, e o Serviço Nacional de Parques e Vida Selvagem está monitorando a área para tentar encontrar o animal e checar se ela precisa de socorro. Barco no qual Nick Myhill e seu padrasto Matt pescavam e que foi atingido por uma baleia em New South Wales, na Austrália NSW Police/G1 Matt e Nick estavam pescando no barco quando a baleia saltou, um comportamento normal da espécie. Nesta época do ano, a região recebe um número maior de cetáceos, por causa do período de reprodução. Um alerta foi emitido para que seja mantida distância desses animais. “Não apenas pela segurança das próprias pessoas, mas também pela proteção dessas magníficas criaturas”, explicou o Comandante da Área da Marinha, Superintendente Joe McNulty. “Ninguém deve se aproximar de uma baleia a menos de 100 metros em uma embarcação, incluindo barcos, pranchas de surf e caiaques, ou 300 metros em uma ‘embarcação proibida’, como motos aquáticas. Nadadores e mergulhadores não devem chegar a menos de 100 metros delas”, disse ainda. O superintendente determinou ainda que drones mantenham distância de pelo menos 100 metros dos animais, e helicópteros fiquem a pelo menos 500 metros. Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
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11/06 - Pausa na saga: a soneca dos elefantes que atravessam parte da China
Manada de 15 elefantes-asiáticos deixou floresta na província de Yunnan e já marchou 500 quilômetros rumo ao norte; ninguém sabe o motivo. VÍDEO: Elefantes atravessam parte da China A manada de 15 elefantes-asiáticos que deixou sua floresta na província de Yunnan, no sul da China, e já marchou 500 quilômetros rumo ao norte voltou a chamar a atenção do mundo. Agora, imagens do grupo parando para uma soneca na mata é que impressionam. Neste vídeo, por exemplo, é possível ver, de cima, todos acomodados, próximos uns aos outros. Os elefantes deram início à saga cerca de 15 meses atrás, e sem nenhuma explicação aparente. VEJA TAMBÉM: Manada de elefantes selvagens se aproxima de grande cidade chinesa Jovem fica em estado crítico após ser atingido por baleia na Austrália A soneca dos elefantes que atravessam parte da China Reprodução/BBC Há quem diga que apenas estão seguindo um líder inexperiente, que não sabe muito bem o que está fazendo. Já outros dizem que eles podem estar buscando um lugar mais "aconchegante" para se instalar. Eles têm criado bastante confusão no caminho: têm cruzado vilas, cidades maiores e passando bem perto de metrópoles bastante povoadas, o que tem demandado acompanhamento das autoridades e estratégias para desviá-los, como deixando uma trilha de alimentos como milho e abacaxi. A soneca dos elefantes que atravessam parte da China Reprodução/BBC Casas e lavouras foram destruídas, pessoas ficaram desalojadas e um dos elefantes chegou a se embebedar ao comer grãos fermentados, segundo os relatos. Mas nada disso parece ter tirado o sono da manada. Confira no vídeo. VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
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10/06 - PGR defende no Supremo que pedido de afastamento de Ricardo Salles seja rejeitado
Pedido foi apresentado por parlamentares. PGR diz que cabe ao órgão esse tipo de ação. Salles responde a inquérito por suposta tentativa de atrapalhar investigações; ele nega. Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Reprodução/Instagram A Procuradoria Geral da República (PGR) defendeu nesta quinta-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição de um pedido de afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O pedido foi apresentado por parlamentares de oposição. Na manifestação enviada ao STF, a PGR argumentou que esse tipo de ação cabe somente à própria Procuradoria. Salles é alvo de um inquérito aberto pelo Supremo a pedido da PGR. O Ministério Público apura a suposta tentativa do ministro do Meio Ambiente de atrapalhar investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. Ele nega a acusação (veja detalhes do inquérito no vídeo mais abaixo). O pedido de afastamento foi apresentado pela oposição em maio, após a Polícia Federal ter deflagrado a Operação Akuanduba, que investiga a suspeita de facilitação da exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa. A operação fora autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Na ocasião, foram afastados do cargo o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e outros nove agentes públicos que ocupavam cargos e funções de confiança nos órgãos. Ministra do STF Cármen Lúcia determina abertura de inquérito sobre Ricardo Salles Argumentos da PGR Na manifestação enviada ao Supremo, o vice-procurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros argumentou que, em investigações na esfera penal, terceiros não podem formular pedidos que dependem de autorização judicial. Argumenta que a medida é atribuição do Ministério Público, ao qual cabe posteriormente formular uma denúncia, se entender que há elementos para isso. A PGR ressaltou ainda que Salles informou ao STF no último dia 7 que entregou o celular e permitiu a perícia no aparelho.
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10/06 - Jacaré aparece no setor de vistoria do Detran em Cuiabá; veja vídeo
‘Visita’ ocorreu na sede do órgão na região do Paiaguás. Bombeiros e policiais fizeram o resgate do animal. Jacaré é resgatado na sede do Detran em MT Um jacaré apareceu no setor de vistorias do Departamento Estadual de Trânsisto de Mato Grosso (Detran-MT) nesta quarta-feira (9), em Cuiabá, e precisou ser resgatado. De acordo com o Detran, a ‘visita’ do jacaré ocorreu antes do expediente começar no órgão e não interferiu no atendimento. O ‘susto’ ocorreu no setor de vistoria que fica na Avenida Dr. Hélio Ribeiro, na região do Residencial Paiaguás, em Cuiabá. Segundo o Corpo de Bombeiros, o jacaré tinha 1 metro de comprimento e estava saudável. O local fica próximo do Parque das Águas, de onde outros jacarés e capivaras são vistos frequentemente por moradores. Segundo o Detran, o animal foi encontrado por funcionários em uma vala onde são feitos os serviços técnicos do órgão. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental foram chamados e retiraram o jacaré do local em segurança. Ele foi solto em uma área de mata.
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