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18/02 - Peixe fêmea da Amazônia se reproduz sem sexo e desafia teoria de extinção da espécie
Apesar de milhares de anos de reprodução assexuada, o genoma das molinésias da Amazônia é notavelmente estável ​​e a espécie sobreviveu. O pequeno peixe da Amazônia se reproduz de forma assexuada e desafia teoria de extinção da espécie Reuters A teoria da evolução sugere que as espécies que se reproduzem de forma assexuada tendem a desaparecer rapidamente, uma vez que seu genoma acumula mutações mortais ao longo do tempo. Mas um estudo sobre um peixe amazônico lançou dúvidas sobre a velocidade desse declínio. Apesar de milhares de anos de reprodução assexuada, o genoma das molinésias da Amazônia é notavelmente estável ​​e a espécie sobreviveu. Os detalhes do trabalho foram publicados na revista "Nature Ecology and Evolution". Há dois caminhos fundamentais pelos quais espécies se reproduzem – a forma sexuada e a assexuada. A reprodução sexuada depende de células especiais reprodutivas masculinas e femininas, como os óvulos e os espermatozóides, juntando-se durante o processo de fertilização. Cada célula sexual contém metade do número de cromossomos das células parentais normais. Depois da fertilização, quando o óvulo e o espermatozóide se fundem, o número normal do cromossomo celular é reintegrado. A reprodução assexuada é diferente. Uma vida nasce do celibato Em vez de criar uma nova geração misturando medidas iguais de DNA das mães e dos pais, a reprodução assexuada dispensa o macho e, em vez disso, cria novos descendentes contendo uma cópia exata do genoma da mãe – uma clonagem materna natural. Essa é uma maneira incrivelmente eficiente de criar uma nova vida. Ao não desperdiçar material genético na criação de machos, todos os descendentes nascidos a partir da reprodução assexuada podem continuar se reproduzindo. Mas há um ponto negativo. Como os descendentes são fac-símiles genéticos da mãe, eles apresentam uma variabilidade limitada. E a variabilidade genética pode proporcionar uma grande vantagem. É justamente o que permite que as populações respondam e superem as mudanças no meio ambiente e outras pressões seletivas, ao permitir a sobrevivência dos mais adaptados. A reprodução sexuada proporciona um grande espaço para gerar essa variabilidade genética, quando os pedaços de cromossomos individuais se recombinam assim que os óvulos e os espermatozóides se fundem e formam combinações únicas de cromossomos. Outra vantagem da reprodução sexuada é que as mutações nocivas, que se acumulam naturalmente ao longo do tempo, são diluídas e seus efeitos anulados durante essa mistura genética. Já os organismos que dependem da reprodução assexuada são propensos a perder essas vantagens. O professor Manfred Schartl, da Universidade de Würzburg, é um dos principais autores do estudo e diz: "As previsões teóricas eram que uma espécie assexuada passaria por decomposição genômica e acumularia muitas mutações ruins e, sendo clonada, não seria possível depender da diversidade genética para reagir a novos parasitas ou outras mudanças no meio ambiente." Molinésia da Amazônia pode ser um híbrido surgido após a reprodução entre duas espécies Science Photo Library "Havia previsões teóricas de que um organismo assexual desapareceria depois de cerca de 20 mil gerações". Nos círculos da biologia evolutiva, essa acumulação gradual e fatal de mutações mortais é conhecida como catraca de Muller, em homenagem ao cientista vencedor do prêmio Nobel Hermann Muller, que desenvolveu a teoria. Mas o último estudo sobre a estabilidade a longo prazo do genoma das molinésias da Amazônia lançou algumas novas descobertas surpreendentes sobre o potencial custo da reprodução assexuada. Derrubando as probabilidades Acredita-se que o peixe molinésia da Amazônia seja um híbrido surgido após a reprodução entre duas espécies de peixes aparentados – o molinésia do Atlântico e o molinésia de Sailfin. É um dos poucos animais vertebrados que se reproduzem de maneira assexuada. O molinésia fêmea da Amazônia pode se reproduzir apenas ao ser exposto ao esperma de uma espécie relacionada de molinésia, mas o DNA do espermatozoide geralmente não se aproxima dos descendentes. Para definir o impacto desse estilo de vida celibatário, a equipe de pesquisadores comparou as sequências do genoma de peixes molinésia da Amazônia aos coletados de vários locais, como o México e o Estado do Texas, nos EUA. Usando as sequências do genoma, a equipe de pesquisadores conseguiu construir uma árvore genealógica. A árvore mostrou que todos os peixes compartilharam o mesmo antepassado e que o peixe progenitor nadou em águas americanas há cerca de 100 mil anos. Sobrevivente persistente A molinésia da Amazônia sobrevive há cerca de meio milhão de gerações - muito além do que a teoria sugeria. Mas não foi só isso. Quando os cientistas procuraram indícios de decadência genômica a longo prazo, havia muito poucos, como o professor Schartl explicou: "O que encontramos é que esse peixe preservou seu genoma híbrido e o que sabemos da criação de plantas ou animais é que, quando tentamos fazer algo melhor, criamos um híbrido". E ele acha que é esse "vigor híbrido" que sustenta a sobrevivência persistente da molinésia amazônica. "O que a natureza tem feito é criar desde o início um bom híbrido, que prosperou". "É claro que há mutações, mas o que sentimos e que não foi levado em consideração é que a evolução eliminará as mutações deletérias e somente aqueles que se tornam melhores, com boas mutações, prosperarão". Ao comentar o trabalho, Laurence Loewe, professor assistente no Instituto para a Descoberta de Wisconsin, da Universidade de Wisconsin-Madison, disse à BBC: "Normalmente, as espécies sem recombinação regular não são muito duradouras na forma evolutiva. No entanto, a molinésia amazônica parece ter encontrado uma maneira de sobreviver por um tempo surpreendentemente longo sem acumular sinais de decomposição genômica". "Para descobrir como isso ocorre, provavelmente teremos que combinar muitos dos grandes avanços na genética evolutiva dos últimos 100 anos".
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18/02 - Semana começa com temperaturas elevadas em SP; há possibilidade de chuva
CGE informa que, neste domingo, temperatura máxima pode chegar a 27°C. A cidade de são Paulo amanheceu, neste domingo (18), com temperaturas amenas. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), o sol deve aparecer no final da manhã e elevar as temperaturas, que podem chegar a 27°C. Há possibilidade de chuvas isoladas a partir da tarde, com intensidade moderada. Próximos dias Segundo o CGE, a capital não deve ter mudanças significativas nas condições atmosféricas e as temperatuas seguem elevadas e com possibilidade de chuva no início desta semana. A segunda-feira (19) deve iniciar com céu encoberto e termômetros em torno dos 19ºC. A temperatura máxima pode atingir os 29ºC. A partir da tarde as instabilidades devem ganhar força e as pancadas de chuva ocorrem com maior intensidade durante a tarde e se espalham para o período da noite.
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16/02 - Donos paparicam cachorros com a chegada no Ano do Cão em Hong Kong
Calendário lunar chinês tem um ciclo de 12 anos e atribui cada ano a um animal. Ano do Cão começou para os chineses Isaac Lawrence/AFP Banho de leite, oxigenoterapia... a higiene de Cream, uma poodlezinha que vive em Hong Kong, não se limita a uma simples escovação de pelo. A entrada da China no Ano do Cão leva muitos donos a mimar ainda mais seus mascotes sem se preocupar com a excentricidade, ou com o bolso. "Eu a trato como a uma filha", admite Margaret Lam, de 45 anos, a tutora de Cream, que recebe seus tratamentos no Salão SexySushi, um petshop sofisticado do bairro da moda de Sai Ying Pun, em Hong Kong. "Quero que fique linda", acrescenta, enquanto escolhe uma roupinha com detalhe em pele e que custa 600 dólares locais, ou 76 dólares americanos. Cães são paparicados por donos em Hong Kong Isaac Lawrence/AFP Devido à falta de espaços externos para os animais domésticos, em Hong Kong, geralmente se passeia com os cães em carrinhos especiais. E como as moradias costumam ser pequenas, as raças mais poulares são o poodle, o bichon frisé, o chihuahua e o yorkshire terrier. Na SexySushi, que se apresenta como "um salão canino de prestígio", os donos dos cachorros se apresentam como pais dos bichinhos. O centro oferece serviços que vão do tratamento com leite, ou ervas, destinados a melhorar a qualidade do pelo, ou a curar dermatites variadas, à oxigenoterapia, que – asseguram – tem virtudes calmantes para os peludos mais irritadiços. Os animais também recebem limpeza dos ouvidos e manicure para as patas. Alguns desses tratamentos superam em muito os mil dólares de Hong Kong. Também é possível comprar todo tipo de vestimentas, de jaquetas com capuz a gravatinhas, ou calcinhas para os cachorrinhos mais elegantes. Para o Ano do Cão, que começa nesta sexta-feira (16), os pais que pagam por um tratamento recebem como brinde uma foto de seu mascote cercado de bichinhos de pelúcia e objetos de decoração em vermelho e ouro, as cores tradicionais do Ano Novo Lunar chinês. A dona do salão, Monna Lam, de 30, não vê nada de excessivo no comércio que abriu há três anos. "Os animais domésticos merecem o melhor", insiste Lam que é dona de 12 cachorros. "Os cães são muito felizes aqui. Às vezes, até dormem durante os tratamentos", acrescenta. Owen Evans, um técnico de informática de 39 anos, levou pela primeira vez seu yorkshire terrier Jackson para viver esta experiência estética. E assegura que não será a última vez. "Eu queria dar a Jackson um corte de pelo realmente bonito e também que ele passasse um momento bem agradável", explicou. O calendário lunar chinês tem um ciclo de 12 anos e atribui cada ano a um animal. O cão sucede ao galo e precede o porco neste ciclo que diz respeito a mais de um bilhão de pessoas na China, Hong Kong, Taiwan, Cingapura, Vietnã e Tailândia, onde vive uma grande minoria sino-tailandesa.
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16/02 - Como a exploração de uma árvore nativa pode ajudar a reduzir o desmatamento na Amazônia
Segundo uma pesquisa da Embrapa, área desmatada que recebeu sementes da árvore se recuperou melhor que lote sem intervenções. Experimento com plantio do paricá em áreas desmatadas teve início em 1995 Ronaldo Rosa Uma técnica que recupera a floresta amazônica a partir do plantio de uma única espécie nativa pode ajudar a reconstituir uma área do tamanho do estado do Paraná e reduzir a pressão sobre regiões preservadas. A técnica, desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, estatal vinculada ao Ministério da Agricultura) em parceria com uma empresa madeireira, consiste no plantio do paricá, árvore cuja madeira é usada para fazer laminados. Pesquisadores verificaram que, a partir da plantação de paricás em uma área desmatada de 108 hectares (1 km²), outras espécies passaram a se propagar naturalmente no local. Treze anos depois, a área tinha valor comercial 36% maior do que a de um lote vizinho também desmatado, mas onde não havia sido feita qualquer intervenção. O experimento teve início em 1995 e ocorreu em uma fazenda em Dom Eliseu, município no nordeste do Pará, em uma parceria entre a Embrapa Amazônia Oriental e o grupo madeireiro Arboris. Segundo a Embrapa, a metodologia pode ser aplicada em mais de 19 milhões de hectares (área equivalente à do Paraná) em áreas em diferentes graus de degradação no Pará. Pesquisadores afirmam que a técnica pode ser replicada em outros Estados amazônicos e também empregada com fins comerciais. aproveitando o valor do paricá. Para isso, porém, seria preciso alterar a legislação ambiental, para permitir o corte de árvores com menos de 30 anos de idade e menos de 50 cm de diâmetro, já que os paricás costumam cair naturalmente por volta dos 18 anos de idade, antes de atingir essa grossura. Em parceria com a UEPA (Universidade Estadual do Pará), a Arboris está catalogando espécies surgidas na mata regenerada e que poderiam ser exploradas comercialmente. Grande polo serralheiro O engenheiro florestal da Embrapa Jorge Yared diz que a região onde a pesquisa foi feita começou a ser desmatada nos anos 1960, com a construção da rodovia Belém-Brasília. "Na década de 1980, a região era conhecida como o maior polo serralheiro do mundo", afirma. Quando o experimento começou, haviam sobrado poucas árvores, nenhuma de grande porte. "Era o que chamamos de floresta de paliteiro", diz o engenheiro agrônomo Ademir Ruschel, da Embrapa. Ruschel afirma que mudanças nas regras ambientais para permitir o corte do paricá, árvore de madeira branca, reduziria a pressão para a retirada das árvores de madeira vermelha, com maior densidade e maior valor de mercado. "Quem explora a área ganha tempo para colher essas árvores, que geralmente duram centenas de anos, em um tamanho maior", afirma. O engenheiro diz que a rentabilidade pode fazer com que os proprietários não só mantenham a cobertura florestal em 50% em suas terras, conforme exigido por lei, mas até mesmo invistam em preservar ou recuperar um percentual maior de floresta. "Existe uma pressão grande sobre a floresta da expansão da monocultura da soja e dos pastos para a criação de gado", afirma. Segundo Romulo Batista, coordenador do Projeto Amazônia do Greenpeace, a iniciativa é importante porque aumenta a possibilidade de lucro com a floresta em pé, além de diminuir a pressão sobre as áreas preservadas. "É uma alternativa ao ciclo de desmatar ou deixar pegar fogo e depois ocupar", diz. "É claro que a área recuperada não tem os mesmos benefícios da mata nativa, mas o trabalho trata de áreas em que a mata original já foi destruída." Para difundir a técnica, Slaviero, da Embrapa, afirma que pretende contatar assentamentos e agricultores familiares que vivem na região.
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16/02 - No verão, frente fria faz termômetros registrarem 18ºC em SP
Temperaturas sobem no fim de semana, mas há previsão de chuva. A frente fria que chegou na terça-feira (13) em São Paulo tem assustado os paulistanos. Mesmo no verão, os termômetros marcaram 18°C na manhã desta sexta-feira (16), que amanheceu com céu encoberto e garoa. Em alguns bairros da capital, como Jabaquara e São Mateus, a sensação térmica chegou a 15°C. A sexta-feira se mantém com variação de nebulosidade e chuvas rápidas e isoladas no fim da tarde, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). A temperatura máxima deve chegar a 25°C. Próximos dias O sábado (17) inicia com sol entre muitas nuvens e termômetros em torno dos 18ºC. Os curtos períodos de sol a partir do final da manhã provocam ligeira elevação das temperaturas, que podem chegar aos 27ºC. Entre o fim da tarde e o início da noite há previsão de chuvas isoladas de curta duração, mas com baixo potencial para a formação de alagamentos. No domingo (18), as instabilidades aumentam e a madrugada pode registrar 18ºC e céu encoberto. O sol aparece a partir do final da manhã e favorece a elevação das temperaturas. A previsão é de 27ºC de temperatura máxima. A partir da tarde, as chuvas ocorrem de forma isolada, com intensidade moderada, por vezes fortes em alguns bairros. No período da noite o céu permanece com muita nebulosidade e chuvas intermitentes de fraca intensidade.
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16/02 - Brasil regulamenta redução de gás que destrói camada de ozônio
Medida que prevê redução de 39% para HCFCs foi publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (16). Regulamentação é resposta ao Protocolo de Montreal, assinado em 1990. Representação da camada de ozônio, região protege a Terra dos raios ultravioleta do Sol, que podem causar câncer de pele. AP O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estabeleceu que empresas reduzam em 39,30% a importação de produtos com gases que contribuem para a destruição da camada de ozônio. A medida, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (16), será válida a partir de janeiro de 2020. Para o ano de 2018 e 2019, ficam válidas as reduções de 16,60%, já estabelecidas anteriormente. A regulamentação também estabelece que, em 2021, a importação seja reduzida em 51,6%. As reduções recaem sobre importações de hidroclorofluorcarbonos (HCFC), grupo de substâncias que podem destruir moléculas da camada de ozônio na estratosfera. Esses gases são usados para expandir espumas de cadeiras, sofás e colchões. Eles também são conhecidos como refrigeradores e são utilizados em geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Em 2016, o ecretário de estado americano, John Kerry, discursou em encontro em Ruand. Nele, países assinaram acordo que visa à eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonos (HFC) AP O Protocolo de Montreal e as metas brasileiras O país tem um programa para eliminação do HCFC, que foi estabelecido em 2012 e também é signatário do Protocolo de Montreal, tratado internacional que entrou em vigor em 1989, mas foi assinado pelo país em 1990. Atualmente, 197 países ratificam o protocolo e se comprometeram a reduzir a emissão de gases que destroem a camada de ozônio até sua completa eliminação. Quando foi idealizado, a principal meta do tratado era um programa de eliminação dos CFCs (clorofluorcarbonos), considerados mais nocivos à camada de ozônio. A Camada de Ozônio Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil extinguiu o uso de CFCs em 2010. Agora, a meta é que os HCFC, menos nocivos, mas que também contribuem para a destruição da camada, sejam eliminados até 2040. OS HCFC surgiram para substituir o uso do CFC mas, com o tempo, também foram considerados nocivos - principalmente para o clima, já que também, contribuem para o aumento da temperatura média do planeta. Com isso, uma convenção em Kigali (capital da Ruanda) estabeleceu em 2016 acordo que visou à eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonos (HCFC). O acordo introduziu uma emenda ao Protocolo de Montreal.
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15/02 - O lixo do carnaval e o desperdício de alimentos. Quem paga a conta?
  Não é muito difícil pensar em escrever sobre lixo e desperdício neste Carnaval. É só dar um giro pela cidade do Rio de Janeiro (e, imagino, por qualquer outra megalópole deste país) para que qualquer pessoa do senso comum se sinta horrorizada pela quantidade de sujeira exposta depois da farra. Estive fazendo um percurso de meia hora nos trens do Metrô e vi de tudo, de sandálias a resto de roupas, entre areia e muita, muita sujeira em cada vagão.   Fácil apontar, como vilão, o Carnaval. São quatro dias em que se consente tudo, ou quase tudo, inclusive não se preocupar com o próprio lixo ou com quem vai passar mais tarde para catá-lo. Li em algum comentário nas redes sociais o pensamento de alguém que me afetou: todo brasileiro, no fundo, é escravocrata, já que se permite sempre deixar para trás seus próprios resíduos, com a certeza de que algum subalterno vai cuidar de limpá-los. Felizmente, hoje em dia, tal subalterno é pago. Não recebe tanto dinheiro quanto seria necessário para as suas necessidades, disso sabemos bem, mas ao menos não é obrigado a fazer o serviço.   Fato é que mais de 400 toneladas de lixo foram recolhidos depois dos 246 blocos que desfilaram pelas ruas da cidade desde sábado até quarta-feira (14). Pela manhã, estive na Central de Abastecimento de Alimentos do Rio de Janeiro (Ceasa), o maior posto deste tipo localizado no Rio de Janeiro, que fica em Irajá, e lá pude perceber outro tipo de lixo, o de alimentos, que nos leva a refletir também sobre o desperdício.   Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, dão conta de que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados ou se perdem nas cadeias produtivas de alimentos. Se os pesquisadores se dispuserem a dar uma caminhada pela Ceasa, vão descobrir a origem de parte do problema. Há uma absurda falta de compromisso dos que trabalham no setor com aquilo que vão vender. Importante frisar que não estou aqui fazendo nenhum tipo de julgamento. Falta educação? Informação? É uma questão de hábito cultural?   Outra questão é que as pessoas estão acostumadas a comprar alimentos como se estivessem adquirindo produtos de moda. Precisam ser bonitos, reluzentes, por mais que tanta beleza tenha a ver também com a quantidade de defensivos agrícolas necessários para plantá-los.   São muitas as possibilidades, mas o fato é que o fenômeno acontece num país onde há sete milhões de pessoas que passam fome.  E seria necessário, por parte do Estado, uma ponte entre tal privação e tamanho desperdício. Não há.   Mas o que acontece é que não dá para se apontar um único responsável.  É preciso olhar para todo um sistema que menospreza o valor dos alimentos que estão “fora do padrão” para serem revendidos ou consumidos em restaurantes.   Segundo a FAO, o desperdício no mundo responde por 46% da quantidade de comida que vai parar no lixo. Já as perdas — que ocorrem sobretudo nas fases de produção, armazenamento e transporte — correspondem a 54% do total. Quem se responsabiliza?   Voltando ao carnaval, e ao lixo, esta pergunta sobre a responsabilidade ficou pairando no ar hoje, em roda de amigos. As latas de cervejas jogadas nas calçadas, nas areias das praias, nos trilhos do Metrô, não deveriam estar na meta das fabricantes do produto? Sim, a isto se chama, no âmbito da responsabilidade social, de “compromisso com toda a cadeira produtiva até o final”, ou seja, até ser descartada.  Mas é preciso também exigir de quem bebe o mesmo compromisso, respeito ao outro. Há tarefas para todos.   E lá vou eu em busca de autores que me ajudem a refletir com mais propriedade sobre este comportamento tão pouco civilizado dos humanos nas megalópoles brasileiras. Não posso pensar que seja só aqui que se observa o descaso com o produto que se descarta, do alimento ao lixo, até porque encontrei num filósofo e sociólogo esloveno, Slavov Zizek, pensamentos globais que me afetaram sobre o assunto, os quais eu quero compartilhar com os leitores.   Zizek gosta de provocar. Para ele, a melhor maneira de se demonstrar um verdadeiro amor ao meio ambiente é fazer contato direto com o lixo que produzimos. Somente depois desse contato é que poderemos pavimentar um caminho para a mudança que precisamos para o planeta.   Isso implica, por exemplo, em buscar saber, no próprio lugar onde se mora, qual o destino que o lixo terá. Ir ao corredor e lançar na lixeira um saco bem atado contendo o lixo do dia é fácil demais,  nos distancia demais deste contato necessário. A próxima cena que vou descrever é bem ao gosto do filósofo esloveno que gosta de causar algum tipo de reação em seus leitores: pensar que após a descarga não temos mais nenhum comprometimento com o que se foi água abaixo é um hábito que deveria ser repensado.   Zizek vai além, como bom desafiador que é, comparando o lixo ao amor. Só se pode amar alguém, de verdade, quando ousamos conviver com o “lado lixo” (se me permitem a expressão) daquela pessoa. No caso, o lado lixo é todo o comportamento que difere do nosso. Hoje isso está cada vez mais distante da realidade. Quem busca um(a) parceiro(a) quer que ele(a) tenha pontos semelhantes de pensamento e de hábitos. Se não for assim, está fora. Como lixo.   O pensamento é mágico, voa alto, e quem me acompanha neste espaço sabe que não gosto de pôr freios quando encontro quem consegue ampliar minhas reflexões. Zizek vai fundo nessa proposta. Seus vídeos estão disponíveis na internet e pode ser divertido terminar o Carnaval em companhia de pensamentos desafiadores.   Foto: Lixo tomou conta das ruas do Rio após a passagem de blocos de carnaval - Reprodução/TV Globo  
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15/02 - Zoo francês onde rinoceronte foi morto recebe novo animal da mesma espécie
Unesco é um rinoceronte branco, espécie à beira da extinção. Em março de 2017, caçadores invadiram zoo de Thoiry e mataram Vince, de 4 anos, para roubar seu chifre. Zoo francês onde rinoceronte foi morto e teve chifre roubado recebe novo animal O zoológico de Thoiry, na França, apresentou seu novo rinoceronte branco nesta quarta-feira (14), pouco menos de um ano depois de ter outro animal da mesma espécie morto por caçadores que roubaram seu chifre. O filhote de três anos, chamado Unesco, chegou ao zoo, perto de Paris, no dia 25 de janeiro. Ele veio de Peaugres Safari, no sul da França, e recebeu esse nome depois que a Pont d'Arc Cavern, que fica nas proximidades de onde ele nasceu, foi reconhecida como um patrimônio da Unesco. A chegada de Unesco acontece pouco menos de um ano após Vince, de quatro anos, ter sido morto por caçadores que invadiram o zoológico em março de 2017. O episódio ainda está sob investigação e os autores não foram identificados. De acordo com funcionários, o novo rinoceronte está se dando bem com os outros dois de sua espécie que vivem no local, e a segurança foi reforçada desde a morte de Vince não apenas para seu recinto, mas para todos os mais de 800 animais que vivem no parque. Rinocerontes brancos selvagens estão à beira da extinção, já que seus chifres são muito cobiçados por caçadores, com um quilo chegando a custar 51 mil euros no mercado negro em 2015, segundo um comunicado do zoo. Apenas 20 mil rinocerontes brancos vivem na natureza atualmente, de acordo com o grupo conservacionista Save the Rhino. O Thoiry Zoo está fechado para sua temporada de inverno, mas irá reabrir no próximo sábado, dia 17 de fevereiro.
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14/02 - A criativa solução da Noruega para acabar com o lixo plástico nos oceanos
Ali, quase 600 milhões de garrafas foram recicladas em 2016 - uma taxa de reciclagem de 97%, ante os 50% registrados no Brasil. Na Noruega, lojas instalam máquinas que recompensam clientes que devolvem garrafas plásticas BBC Brasil A Noruega tem o que especialistas consideram o melhor sistema de reciclagem de garrafas plásticas do mundo. Veja o vídeo. Ali, quase 600 milhões de garrafas foram recicladas em 2016 - uma taxa de reciclagem de 97%. No Brasil, para efeitos de comparação, a proporção é de 50%. No país europeu, funciona assim: lojas instalam máquinas que recompensam clientes que devolvem garrafas plásticas. "Quando você compra uma garrafa de refrigerante... você paga uma coroa norueguesa a mais e, quando a colocamos na máquina, recuperamos o dinheiro", diz uma cliente. O esquema reduz a necessidade de se produzir mais plástico. "Uma garrafa pode ser reciclada mais de uma vez. Na verdade, 12 vezes. Separamos as transparentes das coloridas. As transparentes são usadas para criar novas garrafas", diz Kjell Clav Maldum, diretor da Infinitum, de reciclagem de embalagens plásticas. "As coloridas são usadas para produzir outros materiais plásticos", completa ele. Mas quem paga por isso? As fabricantes de bebidas. É voluntário, mas quem adere ao sistema paga menos imposto.
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14/02 - Moradora se encanta com tamanduá que escondeu o rosto em Bocaina: ‘Raridade’
Vanessa Kapp viu o animal atravessando a rua no bairro Victório Marangoni. Segundo veterinários, reação do tamanduá está relacionada com a luz do ambiente onde ele estava.  Tamanduá foi visto andando pelas ruas do bairro em Bocaina Imprensa Jaú / Divulgação A moradora Vanessa Kapp teve encontro inusitado no bairro onde mora em Bocaina (SP) na noite da última segunda-feira (12). Ela passava de carro por uma rua do bairro Victório Marangoni quando viu um tamanduá-mirim atravessando a via. “Na hora achei que era um tatu, aí dei a volta no quarteirão e quando cheguei perto vi que era um lindo tamanduá. Fiquei encantada com essa raridade, nunca tinha visto um assim de tão perto, só no zoológico, mas solto assim, nunca”, conta. Foi ela quem acionou a Polícia Militar e a Defesa Civil para fazer o resgate do animal. “Eu estava com meu marido e pedi para ele descer do carro e não deixar ele ir embora, mas quando a gente se aproximou ele se levantou e ficamos com medo.” Tamanduá escondeu o rosto ao perceber a movimentação de pessoas ao redor dele em Bocaina Vanessa Kapp/ Arquivo pessoal Tímido? Ao perceber a movimentação várias pessoas se aproximaram e o tamanduá teve uma reação que chamou atenção da equipe de resgate e também dos moradores – ele ficou paralisado e escondeu o rosto. “Eu acho que ele estava com muito medo, porque ele ficou o tempo todo paradinho, encostado no muro, por isso deu para todo mundo ver bem ele. Ficamos bobos, ele é muito bonito”, afirma Vanessa. De acordo com Laís Fernandes e Victor Yunes, médicos veterinários especializados em animais silvestres, esse tipo de comportamento é característico dos tamanduás em relação à luz do ambiente onde ele está. "Ele sinaliza que o animal está incomodado com a quantidade de luz do ambiente e que quer o seu ‘escurinho’", explicam. Animal se assustou e escondeu o rosto ao se deparar com agentes da Defesa Civil Defesa Civil / Divulgação No entanto, apesar de "bonitinho", os tamanduás são animais agressivos, podendo atacar se acabarem se sentindo ameaçados de alguma forma. Antes do ataque, costumam ficar de pé nas patas traseiras e com os braços abertos. "Eles são muito fortes, vêm com os braços abertos e enfiam as unhas onde conseguirem", afirma a veterinária. A espécie do tamanduá-bandeira é capaz de matar um ser humano durante um ataque. Portanto, é extremamente recomendado respeitar o animal, mantendo a distância e não fazendo nada que possa incomodá-lo ou fazer com que ele se sinta ameaçado. Por isso ao se deparar com um animal como esse, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros ou Polícia Ambiental. Segundo os policiais, o tamanduá-mirim resgatado já era adulto e não apresentava nenhum ferimento. Ele foi solto para um área de preservação ambiental entre Bocaina e Bariri. Tamanduá foi resgatado pela PM e Defesa Civil Imprensa Jaú / Divulgação Moradores ficaram curiosos com a "visita inusitada" Bocaina Informa / Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília.
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13/02 - Contra poluição, Alemanha cogita transporte público gratuito
Pressionada pela União Europeia a reduzir emissões de gases poluentes nas grandes cidades, governo quer testar viabilidade de oferecer meios gratuitos para passageiros. Não está claro quem vai pagar a conta. VLT circula na Alemanha Reprodução / TV Tribuna Sob pressão da União Europeia (UE) para combater a poluição no ar das grandes cidades, o governo da Alemanha afirmou estar considerando um projeto para tornar gratuito o transporte público nas cidades mais poluídas do país, segundo uma carta enviada a Bruxelas e divulgada nesta terça-feira (13/02) pela imprensa alemã. A carta foi enviada ao comissário europeu de Meio Ambiente, Karmenu Vella, no domingo e é assinada pelos ministros do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, e da Agricultura, Christian Schmidt, e pelo chefe da Chancelaria Federal, Peter Altmaier. A intenção da oferta de transporte público gratuito é encorajar as pessoas a deixar seus carros em casa, o que reduz as emissões de dióxido de nitrogênio e outros poluentes. Cinco cidades foram relacionadas para testar a eficácia do projeto: Bonn, Essen, Reutlingen, Mannheim e Herrenberg, ao sul de Stuttgart, que é uma das cidades mais poluídas do país. Outras propostas listadas na carta são a criação de "áreas de baixas emissões" para veículos pesados, o aumento do número de táxis movidos a eletricidade e a ampliação dos incentivos aos carros elétricos de um modo geral. A carta pegou de surpresas as administrações municipais, inclusive as das cidades selecionadas. A Prefeitura de Bonn declarou à DW que o projeto não está nem sequer na fase de planejamento. O prefeito de Bonn, Ashok Sridharan, disse ter sido informado dos planos do governo no fim de semana e que recebeu com satisfação a informação de que Bonn era uma das cinco cidades-piloto. A carta não esclarece quem pagaria a bilionária conta do transporte público gratuito para os passageiros. A associação de municípios já deixou claro para o governo que "quem teve a ideia, que pague". Não está claro, também, se a ideia é de fato viável, pois o sistema público já opera no limite da capacidade em muitas cidades. Há décadas que o uso de transporte público cresce na Alemanha. Em 2017, bateu um novo recorde, com 10,3 bilhões de bilhetes. O projeto exigiria um plano de logística para elevar o número de bondes e ônibus nas ruas e assim diminuir os intervalos das viagens. Os veículos do transporte público também teriam que ser modernizados em muitas cidades. As passagens municipais variam de preço de uma cidade para a outra na Alemanha, e o valor costuma depender do trajeto. Em Colônia pode-se atravessar a cidade por 2,40 euros, em Berlim por 2,80 euros. Em Bonn, um tíquete mensal para trabalhadores custa em torno de 65 euros e vale para toda a região. A Comissão Europeia está cobrando da Alemanha e demais oito países-membros que apresentem propostas para reduzir as emissões de poluentes por veículos e, dessa maneira, atender às normas europeias de qualidade do ar. Se a Comissão não se mostrar satisfeita com os planos apresentados por Berlim, poderá levar o caso à Corte de Justiça da União Europeia.
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13/02 - Gambá invade casa em Tatuí e assusta moradores: ‘Acordei com ele nos meus pés’
Animal entrou em residência no Jardim Tókio e deu trabalho para ser retirado. Após três horas, moradores conseguiram levar o animal para fora do imóvel. Gambá invade casa no Jardim Tókio, em Tatuí Arquivo Pessoal/Fernando Paulino Um gambá assustou os moradores de uma casa no Jardim Tókio, em Tatuí (SP), na madrugada desta terça-feira (13). De acordo com Fernando Paulino, ele estava deitado com a sua esposa, quando percebeu algo subindo na cama. “Acordei com ele nos meus pés, foi um susto. Estava cochilando quando minha esposa viu algo se mexendo e deu um grito, na hora pulamos da cama”, conta ao G1. Ainda segundo Fernando, durante três horas eles tentaram capturar o animal, porém sem sucesso. “Ele se escondia debaixo dos móveis, acho que estava mais assustado que nós. Ele chegou até a entrar no armário”, diz. Diante da dificuldade, Fernando ligou para o Corpo de Bombeiros, que o orientou sobre a melhor maneira de retirar o animal da residência. “Com muito esforço conseguimos levar ele para fora. Então, ele fugiu em direção a uma chácara e não o vimos mais”, conclui. De acordo com a Polícia Ambiental, o gambá é um animal de hábitos noturnos, que se alimenta de pequenas frutas, gosta de andar pelos forros das casas e vive em locais próximos de matas. Ainda segundo a polícia, esse animal não apresenta riscos à sociedade e quando capturados podem ser soltos livremente na natureza. *Com informações de Bruno Golfeto/TV TEM Veja mais notícias da região do G1 Itapetininga
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13/02 - Tamanduá 'esconde' o rosto ao ser encontrado por moradora em Bocaina
Veterinários recomendam ficar atento às reações do animal para evitar ataques. Ele foi levado para uma reserva ambiental entre os municípios de Bocaina (SP) e Bariri (SP), onde foi solto. Animal se assustou e escondeu o rosto ao se deparar com agentes da Defesa Civil Defesa Civil/ Divugação Um tamanduá foi flagrado na noite desta segunda-feira (12) caminhando pelas ruas do bairro Victório Marangoni em Bocaina (SP). O animal foi visto por uma moradora da cidade que acionou a Polícia Militar. Os policiais fizeram a segurança do local até que a Defesa Civil chegasse para capturar o animal. Acuado e assustado com a presença de tantos moradores, o tamanduá ficou paralisado, "escondendo" o rosto. De acordo com a Polícia Militar, o animal é um Tamanduá Mirim adulto e pode ter até 105 cm de comprimento. Tamanduá foi visto andando pelas ruas do bairro em Bocaina Imprensa Jaú / Divulgação De acordo com a Polícia Militar, a ação da moradora ajudou a salvar a vida do animal que poderia ser facilmente atacado por cães ou mesmo ser atropelado. Após ser capturado por um bombeiro da Defesa Civil, o tamanduá foi levado para uma reserva ambiental entre os municípios de Bocaina e Bariri, onde foi solto. O animal estava perfeitamente saudável e não precisou passar por atendimento veterinário. Tamanduá é um adulto que pode ter até 105 cm de comprimento, segundos os policiais Imprensa Jaú / Divulgação Esconder o rosto? De acordo com Laís Fernandes e Victor Yunes, médicos veterinários especializados em animais silvestres, esse tipo de comportamento é característico dos tamanduás em relação à luz do ambiente onde ele está. "Ele sinaliza que o animal está incomodado com a quantidade de luz do ambiente e que quer o seu "escurinho"", explicam. No entanto, apesar de "bonitinho", os tamanduás são animais agressivos, podendo atacar se acabarem se sentindo ameaçados de alguma forma. Antes do ataque, costumam ficar de pé nas patas traseiras e com os braços abertos. "Eles sao muito fortes, vêm com os braços abertos e enfiam as unhas onde conseguirem", afirma a veterinária. A espécie do Tamanduá Bandeira é capaz de matar um ser humano durante um ataque. Portanto, é extremamente recomendado respeitar o animal, mantendo a distância e não fazendo nada que possa incomodá-lo ou fazer com que ele se sinta ameaçado. Em caso de emergência, sempre procure um médico veterinário especializado. Moradores ficaram curiosos com a "visita inusitada" Bocaina Informa / Divulgação Cuidados ao encontrar um animal silvestre Ao se deparar com um animal silvestre, a Secretaria do Meio Ambiente aconselha a, num primeiro momento, ligar para o Corpo de Bombeiros ou acionar a Polícia Militar Ambiental. As duas entidades possuem agentes preparados para lidar com a situação. É importante que a pessoa nunca tente fazer a captura do animal, que pode reagir de forma agressiva caso se sinta ameaçado, por estar fora do habitat natural. O Corpo de Bombeiros alerta para não fornecer alimentos ou água, que podem ser prejudiciais. Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília * Colaborou sob a supervisão de Mariana Bonora, do G1 Bauru e Marília.
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12/02 - Entre ambulantes, comerciantes legais e prefeitura distante, a ‘desorientação pública’
Rio de Janeiro, céu limpo, sensação térmica de mais de 40 graus, segunda-feira de carnaval. O Aterro do Flamengo tomado por pessoas fantasiadas, a Praça XV tomada por pessoas fantasiadas, o Centro lotado. Gosto da sensação de liberdade que esta festa dá a quem não tem o hábito de transgredir um pouco mais na vida. Como sou andarilha o ano todo, aproveito para caminhar sob o consentimento de Momo, observando o jeito criativo que cada um tem de se vestir no carnaval para protestar ou, simplesmente, para ficar diferente e chamar atenção nos dias em que o excesso de moral, de obrigações e de preocupações é deixado de lado. E viva a folia.   Mas o dever me chama. E, durante o tempo todo do meu longo caminhar, vou considerando situações e refletindo. A megalópole, que costumeiramente já apresenta problemas sérios para se ordenar uma convivência entre mais de seis milhões, por esses dias agrega turistas, mais álcool e drogas do que o habitual. E dá aos marginais covardes uma ótima chance de atacar quem está desprotegido, inocentemente querendo brincar de ser cidadão comum a habitar com alguma leveza as ruas do segundo maior centro financeiro do país.   Surgem pontos de conflito, e não são poucos. A sorte é conseguir se esgueirar para não dar de frente com um deles. Ou, quando em grupo, evitar os piores locais. Mas, como imaginar que a porta de um hotel famoso é um pior lugar?   Um dos primeiros pontos de conflito, que percebo à medida que avanço com minha estratégia anticonfusão – caminho sozinha, sem fantasia e levo tudo o que tenho numa microbolsa interna – é a presença maciça de ambulantes nas ruas. O prefeito Crivela, que viajou com uma comitiva para a Europa a fim de “aproveitar os dias de folga”, distribuiu licenças a rodo, quase sem entraves burocráticos,e a falta de emprego deu o empurrão que faltava. Aqui perto de casa, um grupo grande dormiu na rua, guardando as cervejas que pretendiam vender no bloco do dia seguinte. Fui conversar com eles e descobri que esta é uma prática habitual entre os ambulantes. Enfrentam perigos, sujeira, mas é assim que conseguem ganhar um dinheiro.   Vender cerveja no carnaval desde sempre é uma opção contra a crise. Numa sociedade polarizada, no entanto, a coisa muda de figura. Os comerciantes que pagam impostos e salários para vender a mesma cerveja a preços, evidentemente, mais caros, gritam, enraivecidos. Ficam no prejuízo, revoltam-se contra os ambulantes quando, na verdade, o levante deveria ter outros alvos. Um amigo que leu meu relato nas redes sobre o grupo de ambulantes nômade que se torna sem-teto no carnaval, comentou que a Prefeitura de João Pessoa fez uma espécie de shopping para camelôs - onde eles pagam impostos mais baratos, têm menos conforto – e assim conseguiu dar uma feição mais ordeira à cidade. Não sei se esta é a solução, mas certamente há outras, que não seja apenas deixar as coisas atingirem um nível de quase colapso social. Basta ter vontade de resolver o problema.                               Último livro da jornalista, ativista ambiental e uma das pensadoras mais lúcidas da atualidade, Naomi Klein, o “Não Basta dizer Não” (Ed. Bertrand Brasil) tem me acompanhado nessas reflexões momescas.Klein foca seu estudo na administração Trump, um efeito bumerangue na política de diversos países, inclusive com reflexos sobre a reação dos cidadãos comuns. Ela fala numa espécie de “doutrina de choque doméstica”, tática que usa a desorientação pública para aprovar medidas radicais. Talvez nós, brasileiros, estejamos no ponto da “desorientação pública”.   Continuando em minha caminhada/leitura, observo a potência das pessoas que querem um objetivo único. No caso, pular carnaval. Se nada atrapalha, a massa humana se desenvolve num balé estupendo, os corpos se contorcem para caber em espaços inimagináveis, é bonito de ver. Gosto de poder imaginar tanta potência em prol de objetivos menos de curto prazo. Já explico.   Vai acontecer de 13 a 17 de março, em Salvador, na Bahia, o décimo-sexto Fórum Social Mundial, reunião de organizações da sociedade civil que se define como um espaço aberto de reflexões, sem partidarismo, para tentar construir propostas inovadoras para o convívio e o bem estar social. Não é pouca coisa, como se vê. Os três primeiros FSM aconteceram aqui no Brasil, em Porto Alegre, e eu estive lá no terceiro, em 2003. Saí com a sensação de ter visto e ouvido coisas fantásticas, mas senti falta de uma ligação entre elas. O não à hegemonia, às vezes, pode fazer demorar muito as soluções que precisamos rapidamente.   Talvez falte no Fórum a potência dos corpos que se espremem e conseguem, junto, um objetivo único, como as cenas que tenho acompanhado pelas ruas ensolaradas do Rio por esses dias.   Como estou entre as jornalistas que se preocupam com os debates que envolvem socioeconomia e meio ambiente, recebo mensagens de algumas organizações sociais com pedidos para participar de eventos. Chegou à minha caixa de correios a mensagem de uma rede de notícias curda com o convite para participar do FSM deste ano, que tem o título “Resistir é criar, resistir é transformar”. Na mensagem, os jornalistas curdos aproveitaram para dar um recado, convocando para se prestar atenção às pessoas que estão sendo tratadas como terroristas na região de Afrin, que desde o começo da guerra da Síria foi considerado um local estável, que oferecia segurança aos moradores.   A guerra dos curdos é contra Erdogan, atual presidente da Turquia. E eles estarão lá, em Salvador, gritando e resistindo à tática do choque, teoria muito bem embasada, revelada por Naomi Klein. A guerra de Klein é contra Donald Trump, que ela chama de “um pastiche de basicamente todas as piores tendências do último meio século, um produto de sistemas poderosos de pensamento que classificam a vida humana com base em raça, religião, gênero, orientação sexual, aparência e capacidades físicas”. A jornalista reage e quer que as pessoas também possam ter consciência de que “dizer não às más ideias e aos maus atores simplesmente não basta”.   “O mais firme dos nãos tem que ser acompanhado de um sim ousado e progressista, um plano para o futuro que seja crível e atraente o suficiente para que um grande número de pessoas lute para vê-lo realizado, não importam as táticas de choque de intimidação que tenham que enfrentar”.   E vamos refletindo, sempre acompanhados de pessoas que há muito dedicam seu tempo para isso.  
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12/02 - A misteriosa água-viva de apenas dois centímetros que cientistas acreditam ser imortal
Depois de milhões de anos de evolução, animal teria conquistado um poder de regeneração impressionante e não morreria de causas naturais - só quando atacado por predadores. A pequena água-viva Turritopsis nutricula pode viver para sempre Alvaro Migotto/Cebimar/USP O ser humano sempre desejou a imortalidade, buscando a fonte da juventude, o elixir da vida eterna. Também povoou suas mitologias, religiões e histórias com seres, deuses e heróis que nunca morrem. Mas, na vida real, quem conseguiu esse feito foi uma pequena água-viva de não mais do que dois centímetros de diâmetro. Depois de milhões de anos de evolução, esse bicho conquistou um poder de regeneração fantástico e não morre de causas naturais - só quando atacado por predadores. Por isso, em tese, pode viver para sempre. Batizada de Turritopsis nutricula, é uma das cerca de 4 mil espécies de águas-vivas conhecidas no planeta. Foi descoberta em 1843 pelo zoólogo francês René-Primevère Lesson. Mas só mais recentemente sua capacidade de viver para sempre foi reconhecida. Há duas versões sobre o achado dessa característica inusitada. De acordo com uma delas, a imortalidade da Turritopsis nutricula foi encontrada por acaso, em 1988, pelo então estudante alemão de biologia marinha Christian Sommer. Ele passava férias de verão na Riviera Italiana, no Mar Mediterrâneo, e aproveitava para coletar espécies de hidrozoários para uma pesquisa. Nessa empreitada, acabou capturando a pequena e intrigante água-viva. Sommer levou o animal para o laboratório e o observou por vários dias. Ficou espantado com o que viu. O animal simplesmente não morria. Pelo contrário, parecia que estava seguindo caminho inverso do envelhecimento e da morte, tornando-se cada vez mais "jovem". A água-viva chegou até a regredir a sua primeira fase de desenvolvimento, reiniciando seu ciclo de vida novamente. E assim continuou sucessivamente, envelhecendo e rejuvenescendo, para voltar a envelhecer e rejuvenescer. A outra versão diz que a descoberta da imortalidade da Turritopsis nutricula foi feita pelo pesquisador japonês Shin Kubota, hoje um dos maiores especialistas do mundo nesse animal. Kubota descobriu o poder de rejuvenescimento ou regeneração dessa água-viva quando encontrou, no mar do sul do seu país, uma delas cheia de espinhos em seu corpo. Ao arrancá-los, percebeu que as feridas se curavam. e o bicho rejuvenescia. Entre 2009 e 2011, o pesquisador repetiu a experiência 12 vezes, ferindo as águas-vivas. Em todas elas, aconteceu a mesma coisa: elas se regeneravam e voltavam ao estágio inicial do seu ciclo de vida. A água-viva tem a capacidade 'rejuvenescer', voltando a suas formas iniciais de vida Alvaro Migotto/Cebimar/USP 'Benjamin Button' do mundo animal De acordo com o professor de zoologia Antonio Carlos Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), a Turritopsis nutricula é imortal "no sentido de que seus tecidos rejuvenescem e fases de vida regridem, no melhor estilo Benjamin Button". Marques se refere ao filme O curioso caso de Benjamin Button, de 2008, no qual o personagem principal, interpretado pelo ator Brad Pitt, nasce com aparência de idoso e vai ficando cada vez mais jovem à medida que o tempo passa. Essa capacidade de se regenerar continuamente não significa que a água-viva nunca morra. O animal pode ser comido por um predador, por exemplo. "É algo como os highlanders: são imortais até que sua cabeça seja cortada", compara Marques, agora em referência a outro filme, Highlander - O guerreiro imortal, de 1986. O pesquisador Sérgio Stampar, do Laboratório de Evolução e Diversidade Aquática do campus de Assis da Universidade Estadual Paulista (Unesp) explica que essa espécie de água-viva tem a capacidade de passar por um processo de reestruturação de tecidos (um tipo de regeneração) e voltar ao estágio inicial de vida, mesmo depois de atingir a maturidade sexual. "Fazendo uma analogia, seria como se nós adultos pudéssemos voltar ao estágio de bebê", explica. Em tese, esse processo de regeneração da água-viva poderia acontecer para sempre. Células adultas voltam a ser células-tronco Para entender o processo contínuo de regeneração da Turritopsis nutricula é preciso conhecer um pouco do ciclo de vida os hidrozoários - a classe animal a que essa água-viva pertence. Tudo começa com um ovo fecundado, do qual eclode uma larva minúscula e ciliada. Essa larva se fixa num substrato no mar - algo sólido, como uma rocha ou o casco de um navio naufragado. Em seguida, se transforma em um pólipo, que é sua segunda fase de desenvolvimento. Desse pólipo brotam medusas (águas-vivas) nadadoras, machos ou fêmeas. Essa é a fase adulta dos hidrozoários. Nesse período de vida, eles produzem gametas, ou seja, óvulos ou espermatozoides - dependo do sexo do animal - que são liberados no mar, onde ocorre a fecundação. Os gametas fecundados formam um ovo e tudo recomeça. Já com a Turritopsis nutricula, o processo é um pouco diferente. Depois de liberar seus gametas, ela retorna a sua forma juvenil. "O ciclo dela pode ser invertido", explica Marques. "Depois de ir a pólipo a medusa, vai de medusa a pólipo." Ainda não se entende direito como a Turritopsis nutricula consegue realizar essa mágica. O que se sabe é que a capacidade da criatura rejuvenescer envolve um processo conhecido como transdiferenciação celular, ou seja, a transformação de um tipo de célula em outro, como ocorre com as células-tronco humanas. Isso significa que as células adultas dessa água-viva, já especializadas em determinada função, são capazes de voltar a ser células-tronco, que, por sua vez, podem se transformar em qualquer outra. A água-viva tem a capacidade de se regenerar continuamente Alvaro Migotto/Cebimar/USP Das águas-vivas para os seres humanos Originária do Caribe, hoje a Turritopsis nutricula é encontrada em mares de praticamente todo o mundo - acredita-se que tenha sido transportada pela água de lastro de navios. Não há risco de vir a se transformar em uma praga: nas fases iniciais de seu ciclo de vida, essa água-viva é bastante vulnerável e alvo de muitos predadores. Mas o que o ser humano tem a aprender ou que benefício pode obter da imortalidade da Turritopsis nutricula? Por enquanto, nada, mas talvez no futuro. "O mecanismo talvez possa ser repetido em outros organismos, quem sabe até nos seres humanos, mas demanda um profundo conhecimento genético/molecular que ainda não temos", diz Stampar. "Ainda estamos muito distantes de conseguirmos aplicar isso em qualquer outro sistema biológico, pois não entendemos totalmente o processo nas águas-vivas, especialmente a parte molecular." Marques tem opinião semelhante. Segundo ele, processos genéticos únicos e inesperados como o apresentado pela Turritopsis nutricula são de interesse do conhecimento do ser humano. "Terapias e reconstruções gênicas, indução à regeneração e diferenciação de tecidos são áreas que estão nos foco do conhecimento biológico atual", afirma. "Então, potencialmente, um fenômeno desses, se compreendido e reproduzido geneticamente, daria possibilidade de regeneração de tecidos e eventualmente órgãos, o que é impossível hoje."
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11/02 - SP e outras 10 cidades do mundo que podem ficar sem água como a Cidade do Cabo
Torneiras da cidade sul-africana devem secar em maio por causa de uma grave seca; uma em cada quatro grandes cidades poderá ter problemas hídricos no futuro Foto de maio de 2017 mostra a barragem de Theewaterskloof, que tem menos de 20% de sua capacidade de água, nos arredores da Cidade do Cabo, África do Sul Rodger Bosch/AFP A Cidade do Cabo enfrenta uma situação nada invejável como a primeira grande cidade da era moderna a ficar sem água potável. No entanto, esse é apenas um exemplo extremo de um problema sobre o qual especialistas vêm alertando há muito tempo: a escassez de água. Apesar de cobrir 70% da superfície do planeta, a água doce, especialmente a potável, não é tão abundante assim: responde por só 3%. Mais de 1 bilhão de pessoas enfrentam problemas de acesso a ela, e, para 2,7 bilhões, ela falta ao menos um mês por ano. Uma pesquisa com as 500 maiores cidades do mundo, publicada em 2014, estima que uma em cada quatro estão em uma situação de "estresse hídrico", como define a Organização das Nações Unidas (ONU) quando o abastecimento anual cai abaixo de 1,7 mil m³ por pessoa. De acordo com projeções chanceladas pela ONU, a demanda por água doce vai superar o abastecimento em 40% em 2030, graças a uma combinação entre as mudanças climáticas, a ação humana e o crescimento populacional. Não é uma surpresa, portanto, que a situação na Cidade do Cabo seja apenas a ponta do iceberg. Em todos os continentes, grandes centros urbanos enfrentam essa escassez e correm contra o tempo em busca de uma solução. Conheça a seguir outras 11 cidades que podem ficar sem água. São Paulo A capital paulista passou por uma situação dramática em 2014 e 2015, quando seu principal conjunto de reservatórios, o sistema Cantareira, atingiu seu menor nível da história. A Sabesp, companhia paulista de abastecimento, passou a puxar a água que ficava abaixo dos canos de captação, no chamado "volume morto", e reduziu a pressão nas bombas - o que fez com que partes da cidade ficassem desabastecidas. Também houve campanhas para a redução do consumo. Em dezembro de 2015, com a volta das chuvas, o Cantareira saiu finalmente do "volume morto". O governo paulista atribuiu a crise à forte seca que atingiu a região, mas uma missão da ONU criticou as autoridades estaduais por "falta de investimentos e planejamento adequados". Nos últimos anos, a situação das represas melhorou, mas especialistas afirmam que a possibilidade de uma nova crise segue presente. Bangalore Autoridades da cidade indiana tiveram problemas para lidar com a expansão imobiliária após Bangalore tornar-se um centro de tecnologia e enfrentam dificuldades para cuidar dos sistemas hídrico e de saneamento. O encanamento antigo precisa de uma reforma urgente: um relatório do governo federal revelou que a cidade desperdiça metade de sua água potável. Como a China, a Índia tem sérios problemas de poluição em seus cursos d´água, e Bangalore não é diferente: um inventário dos lagos da cidade revelou que 85% tinham água que poderia ser usada apenas para irrigação e resfriamento industrial. Nenhum tinha água potável ou adequada para banho. Pequim O Banco Mundial classifica como situação de escassez hídrica quando moradores de uma determinada localidade recebem menos de 1 mil m³ de água por pessoa. Em 2014, os mais de 20 milhões de habitantes de Pequim receberam apenas 145 m³. A China abriga 20% da população mundial, mas tem apenas 7% da água doce do mundo. Um estudo da Universidade de Columbia (EUA) estima que as reservas do país caíram 13% entre 2000 e 2009. Também há a questão da poluição: dados oficiais de 2015 mostram que 40% da água de superfície de Pequim estava poluída a ponto de não poder ser usada nem para a agricultura nem pela indústria. Autoridades chinesas tentaram lidar com o problema com projetos de desvio de cursos d'água e programas educacionais. Também aumentaram os preços para indústrias com grande demanda hídrica. Cairo Crucial para o desenvolvimento de uma das grandes civilizações do passado, o rio Nilo está enfrentando problemas nos dias de hoje. É a fonte de 97% da água do Egito, mas também o destino de uma quantidade crescente de resíduos agrícolas e residenciais sem tratamento. A Organização Mundial da Saúde aponta que o Egito é o oitavo país do mundo em mortes ligadas à poluição hídrica entre os países com renda de nível médio-baixa (quando a renda nacional bruta per capita fica entre o equivalente a R$ 3.335 e R$ 13.113). A ONU estima que o país sofrerá com crises hídricas graves em 2025. Jacarta Como muitas cidades costeiras, a capital da Indonésia enfrenta a ameaça da elevação do oceano – cerca de 40% da cidade agora está abaixo do nível do mar, segundo o Banco Mundial. Mas, em Jacarta, o problema piorou com a ação humana: com mais da metade dos 10 milhões de habitantes sem acesso a água encanada, a perfuração ilegal de poços prolifera e esvazia as reservas subterrâneas. A situação é agravada pelo fato de os aquíferos não serem reabastecidos pelas fortes chuvas, porque o concreto e o asfalto impedem que a água seja absorvida pelo solo. Moscou Um quarto das reservas de água doce do mundo estão na Rússia, mas o país enfrenta sérios problemas de poluição por conta do legado industrial da era soviética. Isso é especialmente preocupante para a capital, Moscou, onde 70% do abastecimento vem de reservas de superfície. Órgãos regulatórios afirmam que entre 35% e 60% de todas as reservas de água potável do país não atendem os padrões sanitários mínimos. Istambul Dados do governo turco mostram que o país vive tecnicamente uma situação de estresse hídrico, porque o abastecimento per capital caiu abaixo de 1,7 mil m³ em 2016. Especialistas locais alertam que a situação pode piorar até 2030. Nos últimos anos, áreas muito populosas como Istambul (14 milhões de habitantes) passaram a enfrentar períodos de falta d'água nos meses mais secos. Os níveis dos reservatórios caíram abaixo de 30% da capacidade no início de 2014. Cidade do México Faltar água não é uma novidade para os 21 milhões de habitantes da capital do México. Para um a cada cinco, as torneiras só funcionam por algumas horas por semana, e, para 20%, só há abastecimento em parte do dia. A cidade importa cerca de 40% da sua água de fontes distantes, mas não tem nenhuma operação de larga escala para reciclar água que já foi utilizada. Perdas por problemas na rede são estimadas em 40%. Londres De todas as cidades do mundo, a capital do Reino Unido, Londres, não é a primeira que viria à mente quando se fala de escassez hídrica. Com uma precipitação anual de 600 milímetros, menos do que a média de Paris e cerca de metade da média de Nova York, Londres atende 80% da demanda com seus rios. Segundo a prefeitura local, a cidade está próxima do limite de sua capacidade e deve enfrentar problemas de abastecimento em 2025 e crises sérias em 2040. Tóquio A capital do Japão, Tóquio, tem níveis de precipitação semelhantes aos de Seattle, apelidada de Cidade Chuvosa pelos americanos. As chuvas estão, no entanto, concentradas em apenas quatro meses do ano. A água precisa ser coletada e armazenada, já que pode haver secas no restante do ano. Autoridades locais fizeram justamente isso: ao menos 750 edifícios públicos e privados têm sistemas de coleta e reuso de água da chuva. Com mais de 30 milhões de habitantes, Tóquio depende de reservas de superfície (rios, lagos e neve) para 70% de seu abastecimento. Investimentos recentes na rede têm como meta reduzir o desperdício para 3%. Miami O Estado da Flórida, nos Estados Unidos, está entre os cinco mais chuvosos todos os anos. Mas está anunciando uma crise em sua cidade mais famosa, Miami. Um resultado não previsto para o projeto de drenagem de seus pântanos é que a água do Oceano Atlântico contaminou o aquífero Biscayne, a principal fonte de água da cidade. Ainda que o problema tenha sido detectado nos anos 1930, a água do mar ainda se infiltra, especialmente porque a cidade americana tem sido vítima de uma elevação do nível do mar cada vez mais acelerada, superando as barreiras subterrâneas instaladas nas últimas décadas. Cidades vizinhas também enfrentam o mesmo problema – Hallande Beach, a alguns quilômetros ao norte, teve de fechar seis de seus oito poços por causa da invasão da água salgada.
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10/02 - Cientistas desenvolvem 'plástico' ecológico feito de batatas
Melhores técnicas de reciclagem e uso de materiais orgânicos podem ser soluções ao problema do acúmulo de plástico. A empresa Biome Bioplásticos desenvolveu um copo de café completamente reciclável, feito de fécula de batata Biome Bioplastics Sabemos que o plástico é um problema sério para o planeta- os oceanos estão ficando infestados de lixo, o que ameaça diversas espécies marinhas. Só 9% dos detritos de plástico são recicláveis. E a queima desses materiais contribui para a emissão de gases do efeito estufa. Copos e embalagens feitos com materiais orgânicos e melhores técnicas de reciclagem podem ser uma solução? Os seres humanos se acostumaram ao longo dos anos a depender de plástico. É durável e versátil, e a economia moderna, em parte, depende desse material. Para muita gente que usa, simplesmente não existem opções comerciais biodegradáveis viáveis e em quantidade suficiente para substituir. Um exemplo é o canudo de plástico. A empresa Primaplast, fabricante líder de canudos, diz que alternativas mais ecológicas são muito mais caras. Outro exemplo é o copo de café descartável. No Reino Unido, são jogados 2,5 bilhões de copos assim todo o ano. E se engana quem pensa que eles são recicláveis. Uma camada de polietileno usada para tornar o copo impermeável impede o reaproveitamento. Fécula de batata e amido de milho podem se tornar copos descartáveis Biome Bioplastics Uma empresa que está tentando mudar isso é a Biome Bioplásticos, que já desenvolveu copos completamente recicláveis usando materiais orgânicos como fécula de batata e amido de milho, e celulose, os principais componentes das paredes celulares das plantas. Os plásticos mais tradicionais são feitos de óleo. "Vários consumidores compram os copos em boa fé, achando que eles podem ser reciclados", diz Paul Mines, chefe-executivo da empresa. "Mas a maioria das embalagens descartáveis são feitas de papelão colado com plástico, o que faz com que não sejam adequados à reciclagem. E algumas são feitas de isopor, que também não pode ser reciclado." A empresa criou um plástico feito de planta, chamado bioplástico, que é completamente biodegradável e que pode ser jogado tanto em lixeiras de reciclagem de papel quanto nas de lixo orgânico. Mines acredita que é a primeira vez que bioplástico está sendo transformado em copos e embalagens descartáveis completamente recicláveis e capazes de resistir a líquidos quentes. Esses produtos ainda não estão no mercado, mas Mines está em negociação com diferentes revendedores. "Não é viável se livrar por completo dos plásticos, mas é possível substituir alguns plásticos originados do petróleo por outros, derivados de plantas", diz ele. Outros produtos estão sendo criados Várias outras empresas e institutos de pesquisa, como a Full Cycle Bioplastics, a Elk Packaging e o Centro de Pesquisa Tecnológica da Finlândia estão trabalhando no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis e funcionais que o plástico convencional. A empresa MacRebur, de Toby McCartney, desenvolveu um material de asfaltamento de estrada feito de plástico reciclado. A mistura de plástico substitui o betume de óleo, tradicionalmente usado na construção de vias e rodovias. "O que estamos fazendo é resolvendo, com uma solução simples, dois problemas mundiais: a epidemia de plástico e a baixa qualidade das estradas", afirma McCartney. Desde seu lançamento dois anos atrás, o material híbrido da empresa tem sido usado para a construção de estradas por todo o Reino Unido. Miranda Wang e Jeanny Yao tentam sulucionar o problema de plásticos não recicláveis BioCellection Poluição Mais de 5 trilhões de peças de plástico estão flutuando nos nossos oceanos, algumas das quais podem demorar mil anos para se decompor por completo. Conforme vão se quebrando ao longo dos anos, pequenos fragmentos de plástico acabam sendo engolidos por animais marinhos. Cientistas estão particularmente preocupados com a ameaça a tubarões, baleias e arraias. Toxinas de plástico impõem um risco sério à saúde desses bichos, e o microplástico já chegou até ao Ártico, pelas correntes marinhas. Ação dos governos O Reino Unido se comprometeu a eliminar todo o plástico substituível até 2042, enquanto a França baniu sacolas de plástico descartáveis. A Noruega possui há décadas um esquema de depósito de garrafas de plástico- compradores recebem parte do dinheiro de volta ao depositar as garrafas numa máquina coletora. O Reino Unido estuda adotar essa política. Em São Paulo, as tradicionais sacolas plásticas brancas foram proibidas e alguns supermercados passaram a cobrar dos consumidores por sacolas biodegradáveis que não carregam marcas comerciais. Materiais de difícil reciclagem Mas um problema é que alguns plásticos difíceis de ser eliminados no dia-a-dia também não são recicláveis. Em San Jose, na Califórnia, a start-up BioCellection "quebra" os plásticos não recicláveis em químicos que podem ser utilizados como matéria prima de vários produtos, de jaquetas de esqui a componentes de carros. "Nós identificamos um catalisador que corta as cadeias de polímero em pequenas cadeias", explica Miranda Wang, de 23 anos, uma das fundadoras da start-up. "Uma vez que o polímero se quebra em pedaços, oxigênio do ar se agrega à cadeia formando valiosos ácidos orgânicos que podem ser purificados e usados para produtos que amamos."
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09/02 - A partir de uma foto na Cidade de Deus, reflexões sobre os diversos modos de existência e soluções possíveis
Caros leitores, eu peço desculpas. Sei que o carnaval está aí, que a folia está no ar, que é tempo de esquecer as tristezas, de deixar o corpo sambar e sofrer um pouco também, com os abusos de álcool e comida ruim (quem nunca?).   Mas ocorre que passei um bom tempo observando atentamente a foto de Fabiano Rocha que o jornal “O Globo” publicou ontem na primeira página. Para quem não viu, eu descrevo: uma mulher é revistada por um soldado vestindo um uniforme camuflado. Ela usa apenas um short jeans, uma camiseta, tem um celular nas mãos e calça havaianas. Em contraste, ele está completamente protegido, usa um capacete, colete à prova de balas e calça coturnos. A cena acontece em frente a um carrinho de plástico que imita automóvel, onde há uma criança que chora, berra, muito enraivecida. Tudo é observado por outra mulher, sem reação. E o entorno é uma favela, a Cidade de Deus.   Na verdade, mesmo fazendo outras coisas durante todo o dia de ontem, eu não consegui  parar de pensar naquela cena. O grito da criança talvez esteja trancafiado no peito de muitos de nós. Mas não é desânimo o que sinto, e sim vontade de refletir ainda mais, de buscar autores que me instiguem a encontrar soluções, assim mesmo, no plural, porque sei que uma só não vai ser potente o bastante para tentar mudar o leme deste rumo.   Nas mãos da mulher, um telefone celular, para ela um símbolo de sua inclusão social. Ledo engano, como se repara pela forma como é tratada pelo poder armado. Ela, uma cidadã comum, desarmada, caminhando com uma criança pelas ruas da favela, vira uma possível vilã. Para o olhar atento do soldado, que está ali seguindo e cumprindo ordens, ela pode ser suspeita, e pronto. Nenhuma investigação policial foi feita anteriormente à operação, como explica a reportagem do jornal. Os bandidos fugiram antes, ficaram os moradores à mercê do infortúnio com o qual já devem estar acostumados. Mas não devia ser assim.   Por trás da cena, da aparente submissão da mulher ao se deixar ser revistada, quantos pensamentos de revolta, quantos segredos que não serão revelados. Quem mora em favela do Rio de Janeiro sabe que nem tudo deve ser dito, nem tudo pode ser revelado. Não existe harmonia, o trágico toma conta o tempo todo. A vida segue como sangue nas veias, encontrando brechas para prosseguir. Mas é um espaço urbano, está dentro do segundo centro financeiro do país. Ali moram cidadãos que pagam impostos e consomem, muitas vezes mais do que deveriam. O menino que berra sua fúria – ou seria medo? – deveria estar se sentindo confortável naquele carrinho bonito, colorido. Fico imaginando que foi comprado a prestações, talvez tenha sido presente de Natal... O celular nas mãos da mulher... quanta sensação falsa de pertencimento.   São tantos os olhares que se pode dedicar à foto. Pretendo fugir da retórica necessária, mas que vem se mostrando inútil, sobre a falta de uma política de segurança do Estado capaz de fazer aquilo que deveria, ou seja, tornar mais tranquila a vida dos cidadãos, evitar que eles passem por constrangimentos ao chegar e sair de casa.  Mas estamos vivendo uma era de tantas privações na área executiva e legislativa, que esta é apenas mais uma. Sabe-se lá quando e se vai ser resolvida.   A ideia de olhar a Cidade de Deus como um espaço urbano que se transformou num lugar de tiroteios frequentes me fez buscar informações sobre a origem daquele lugar. Hoje é uma favela como tantas da cidade que, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela e publicada há quatro anos, abrigam mais de 10% da população que hoje começa a Folia de Momo. Mas, quando foi criada, em 1964 pela deputada Sandra Cavalcante, a Cidade de Deus era para ser um bairro para abrigar operários que viriam de vários cantos do país para dar à Barra da Tijuca um estilo próprio e desenvolvimento que o fizessem digno de merecer o selo de “classe A”.     Nas fotos publicas em alguns sites, com ideias iniciais do projeto que lançou o bairro, a região tomava ares de subúrbio norte-americano. Foram chamados arquitetos para ajudar a construir cerca de três mil casas, tipo sem-muro-e-com-vasto-gramado-na frente. Pobres, mas confortáveis, digamos assim. Vieram as chuvas de 1966 e lá se foi por água abaixo também o tal projeto. Sobreviventes das enchentes, sem-teto, foram sendo levados para lá, uma região em obras, sem nenhuma infraestrutura disponível a não ser alguns tetos já construídos. Parece que as autoridades da época acharam que não tinha outro jeito.   O resultado é o que se vê hoje. Sem a presença de um estado preocupado em atender as necessidades das pessoas que se instalavam ali por falta de opção, o bairro foi sendo entregue à própria sorte. O que não deu certo? Por que as pessoas não conseguiram se aproveitar justamente da falta de um estado que, em muitos momentos, pode ser opressor, para organizar a vida a seu jeito e buscar alternativas de convivência em grupo de forma a ser bom e confortável para todos, com respeito aos limites do capital? Por que deixaram que a violência, a bandidagem e o tráfico de drogas ilícitas assumissem mais espaço e tivessem mais poder do que uma outra maneira, mais saudável e possível?   De novo, não há uma única resposta. Mas gosto de pensar a respeito, de buscar caminhos que apontem para uma reflexão não hegemônica sobre os diversos modos de existência. Que mundo estaremos, agora, prontos a começar para deixar para aquela criança que berra no carrinho? Vamos permitir que, desde já, ela se constitua um indivíduo pronto a ser parte de uma triste estatística? Segundo os últimos dados publicados pela Anistia Internacional, 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Destas, 30 mil são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.   Seria muita indiferença de nossa parte. E eu creio que algo está prestes a mudar para um novo paradigma, um novo sistema econômico, menos desigual. É pouco possível tolerar um cenário comoo demonstrado pelo relatório da ONG Oxfam, publicado no ano passado, que revelou que, no Brasil, apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres. E mais: os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%. Uma trabalhadora que ganha um salário mínimo por mês levará 19 anos para receber o equivalente aos rendimentos de um super-rico em um único mês.   Volto a pedir desculpas aos leitores que, a essa altura, já preparam seu glitter, seu grito de guerra de folia, e estão prestes a ganhar as ruas para o carnaval. Mas creio que também estamos em tempo de criar movimento na direção de mudanças e de acreditar mais na potência dos corpos sem fardas. Respeitar a singularidade e crer no que pode cada um é uma das soluções possíveis.     Bom carnaval!
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09/02 - Tempestade de neve atinge meio-oeste dos EUA e causa cancelamento de centenas de voos
'Trinta centímetros de neve, -3ºC, e acabei de ver uma pessoa indo trabalhar de camiseta de manga curta segurando um casaco e bebendo café gelado. Pois é, isto é Chicago!', comentou internauta que mora na cidade. Neve numa rua de Chicago nesta sexta (9) Twitter/@Mumblesnakemakeup/via Reuters Uma grande tempestade de inverno que atingiu o meio-oeste dos Estados Unidos nesta sexta-feira (9) forçou o cancelamento de centenas de voos. O sistema da tempestade, que se estende do oeste de Montana ao sul de Michigan, pode provocar 36 centímetros de neve em certas áreas, disse o Serviço Nacional do Clima. A previsão é que a neve forte seguirá para o norte do Estado de Nova York e para a Nova Inglaterra no início do sábado. Para Chicago são esperados entre 15 e 23 centímetros de neve no início desta sexta-feira e mais neve no final de semana, de acordo com a previsão do serviço. Gelo e neve cobriram as vias expressas de Chicago, onde aconteceram ao menos 25 colisões de quinta para sexta-feira, noticiou o jornal Chicago Tribune. A maioria dos tribunais estaduais do condado de County, que inclui Chicago, passaram o dia fechados. Andrew Busch, economista político que mora na área de Chicago, ficou surpreso com a famosa resistência de seus vizinhos ao inverno. "Trinta centímetros de neve, -3ºC, e acabei de ver uma pessoa indo trabalhar de camiseta de manga curta segurando um casaco e bebendo café gelado", escreveu no Twitter. "Pois é, isto é Chicago!" Autoridades municipais anunciaram o fechamento de escolas em Chicago, Detroit e Milwaukee por causa do clima. Cerca de 1.250 voos foram cancelados em todo o país, e cerca de um em cada cinco voos partindo ou chegando aos aeroportos de Chicago e Detroit foi suspenso, de acordo com o site FlightAware.com, que monitora o tráfego aéreo.
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09/02 - O 'lagostim de mármore', espécie mutante que clona a si própria e se espalha pelo mundo
Como uma única fêmea mutante deu origem a uma espécie com bilhões de indivíduos - e que se tornou um problema ambiental. Uma única fêmea de aquário deu origem à nova espécie Chris Lukhaup/DKFZ Depois de sequenciar o DNA da espécie Procambarus virginalis, popularmente conhecida como 'lagostim de mármore', uma equipe de pesquisadores de vários países concluiu que todos os indivíduos existentes hoje são descendentes de uma única fêmea criada em cativeiro. Esta fêmea passou por uma mutação e começou a se reproduzir de forma assexuada, clonando a si própria. Um estudo sobre o caso foi publicado nesta semana na revista científica Nature Ecology and Evolution. Os clones, todos do gênero feminino, estão há três décadas produzindo filhas de si próprias e se expandindo pelo mundo. Frank Lyko é biólogo molecular do Centro Alemão de Investigação em Câncer e um dos co-autores do estudo. Ele chamou o fenômeno, em um blog do site da revista Nature, de "invasão dos clones". E não é para menos. Hoje em dia, o 'lagostim de mármore' é considerado uma espécie super-invasora, presente em várias zonas da Europa, África e Ásia, ameaçando ecossistemas lá presentes. A mãe dos clones "A origem do fenômeno, por enquanto, é desconhecida", escreveu Lyko. O biólogo também foi o responsável por descrever a espécie em 2015. Foi ele que escolheu o nome Procambarus virginalis, que em latim significa "lagostim ou caranguejo virgem". A primeira vez que Lyko viu um exemplar da espécie foi em 2015, quando um criador lhe mostrou alguns animais que tinha comprado em uma feira de aquarismo na Alemanha. Os então chamados "lagostins do Texas", escreveu Lyko no blog, "se propagaram rapidamente no aquário. Eram grandes e esteticamente agradáveis, o que os tornou populares entre os aquaristas". Logo descobriu-se que um único indivíduo podia produzir centenas de ovos de uma vez. Poucos anos depois, o Procambarus virginalis já estava disponível em lojas de aquarismo em várias partes do mundo, e começaram a aparecer registros de populações selvagens, provavelmente graças à liberação por humanos. Por enquanto, o que se sabe é que o primeiro indivíduo foi uma fêmea de cativeiro. Mas não está claro se ela viveu na Alemanha. Pode, inclusive, ter vindo dos Estados Unidos. O 'lagostim de mármore' tem cerca de dez centímetros de comprimento Chris Lukhaup/DKFZ É que os 'lagostins de mármore' são descendentes de animais de rio (Procambarus fallax), uma espécie endêmica do Estado da Flórida, nos EUA. Mas essa espécie se reproduz de forma sexuada (com macho e fêmea). O que é certo é que, de alguma forma, uma fêmea de aquário sofreu uma mutação que a levou a ter três pares de cromossomos em vez de dois, como é o usual. Em vez de apresentar má formações que a impedissem de sobreviver, esta fêmea desenvolveu a capacidade de produzir ovos, que se converteram em embriões e depois em lagostins fêmeas com os mesmos três pares de embriões. Todas elas eram um clone da mãe, nascidas através de um processo conhecido como partenogênese. Conquista do mundo "Este único indivíduo fundou toda uma espécie, e agora temos bilhões deles em todo o mundo", disse o neurocientista Wolfgang Stein à revista National Geographic. Stein, pesquisador da Universidade do Estado de Illinois (EUA), participou do estudo de Lyko. Entre 2007 e 2017, a equipe registrou a forma como a incidência do Procambarus virginalis em Madagascar aumentou dez vezes, deixando de ocorrer em uma área de 1 mil quilômetros quadrados para ocorrer em 100 mil quilômetros. "Eles são encontrados em água mais ácida e mais alcalina; em água contaminada e na água limpa, e sempre têm a mesma composição genética", diz Stein. Mapa de incidência do lagostim Zen Faulkes/Google Maps Os lagostins também conseguem se adaptar em diferentes condições ambientais, como mostra o mapa acima, elaborado pelo biólogo Zen Faulkes, da Universidade do Texas. Por isso, a União Europeia e alguns Estados dos EUA proibiram a criação e uso da espécie, na tentativa de controlar a propagação. Mas nem tudo é negativo na experiência com a espécie. Segundo Lyko, o estudo do animal pode ajudar a entender melhor o câncer, inclusive os tumores desenvolvidos por humanos. Isto porque o câncer também é, ele próprio, uma mutação de células. "Estamos vendo em câmera lenta, na evolução desses animais, algo que acontece durante as primeiras etapas da formação de um tumor", disse ele à National Geographic.
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08/02 - Cerrado, a 'floresta de cabeça para baixo' que abastece boa parte do Brasil
Com 40 milhões de anos, bioma abriga centenas de espécies únicas de animais e plantas e é importantíssimo para a distribuição de água. Cerrado é a vegetação mais antiga do planeta BBC Segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado tem papel central na distribuição das águas que abastecem boa parte do Brasil. (Assista ao vídeo) É nele que nascem vários dos rios que integram seis das principais bacias hidrográficas brasileiras: Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica. O Cerrado é também um dos biomas mais antigos e biodiversos do mundo. Começou a se formar há pelo menos 40 milhões de anos e abriga centenas de espécies de animais e plantas que só existem lá. Cerrado é a nova fronteira do desmatamento no Brasil BBC Para sobreviver às longas secas que ocorrem na região, muitas árvores locais desenvolveram sistemas de raízes extremamente profundas e ramificadas. Graças a essas raízes, várias espécies do bioma jamais perdem as folhas, nem mesmo no auge da estiagem. As raízes podem ser muito mais extensas que as copas das árvores, o que faz com que o Cerrado seja conhecido como "floresta de cabeça para baixo". Árvores presentes no bioma - entre as quais buriti, pequi, jatobá e baru - garantem ainda uma dieta rica para os habitantes da região. Bioma está ameaçado pelo avanço da agricultura em larga escala BBC O bioma está, porém, ameaçado seriamente pelo avanço da agricultura em larga escala. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 20% das espécies de plantas e animais exclusivas ao bioma já foram extintas, e ao menos 137 espécies de animais da região correm o risco de desaparecer. Boa parte das últimas áreas de Cerrado se encontram na região conhecida como Matopiba (que engloba trechos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) - considerada uma das últimas fronteiras agrícolas do país.
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08/02 - Filhote de tigre é enviado pelo correio expresso no México
Autoridades afirmaram que houve maltrato; felino passa bem. Um filhote de tigre que havia sido embalado em plástico e enviado pelo correio expresso foi resgatado pelas autoridades do México. A procuradoria de Proteção Ambiental disse que a polícia chegou ao felino com a ajuda de um cão farejador durante uma blitz na estação rodoviária de Nueva Tlaquepaque, em Jalisco. Filhote de tigre é enviado pelo correio expresso no México Policía Federal de México/Facebook O tigre-de-Bengala, que tem idade estimada de dois meses, tinha sido sedado e enviado pelo correio. Seu destino era a cidade de Querétaro O filhote estava desidratado e magro, mas em bom estado de saúde. Ele foi levado a um centro de resgate em Tlajomulco de Zuñiga A polícia afirmou que os papéis de propriedade do tigre estavam em ordem, mas o método de transporte foi considerado maltrato.
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08/02 - Turismo ameaça ecossistema das Ilhas Galápagos, no Equador
Em 2017, ocorreu uma alta de 7% no número dos visitantes; cerca de 245 mil pessoas foram ao lugar paradisíaco. Vista aérea em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, no Equador Pablo Cozzaglio/AFP Um paraíso que recorda o início dos tempos. Um tesouro ecológico que muitos desejam descobrir. Mas, para sobreviver, as Ilhas Galápagos, no Equador, devem desprezar milhares, talvez milhões, de turistas. Nas areias brancas de Tortuga Bay, na Ilha Santa Cruz, as iguanas caminham ao lado dos turistas. Os surfistas pegam ondas entre tartarugas marinhas. Mergulhadores observam arraias, tubarões de pontas brancas e peixes coloridos. Desta maneira, entre espécies ameaçadas e visitantes que não chegam a formar uma multidão, sobrevive o arquipélago vulcânico, formado por 19 grandes ilhas e dezenas de pequenas ilhas e rochas a 1 mil km do continente. Grupo de iguanas marinhas passeia entre os turistas Pablo Cozzaglio/AFP Mas o Equador sabe que a explosão do turismo mundial, que bateu recorde em 2017, com 7% a mais de viajantes, exerce uma pressão crescente sobre os frágeis paraísos. "Galápagos é a joia da coroa e, como tal, devemos cuidar. Não podemos massificá-la", explica à AFP o ministro do Turismo, Enrique Ponce de León. "Temos que ser muito enérgicos no cuidado ao meio ambiente". Bem-vindos Com uma rede de pequenos hotéis e oferta de cruzeiros entre as ilhas, Galápagos é um destino ecoturístico que figura entre os mais exclusivos do Pacífico. Os voos de Quito e Guayaquil se aproximam dos US$ 400 e a estadia de uma semana oscila entre US$ 2 mil e US$ 7 mil. O fluxo aumentou até alcançar 245 mil visitantes por ano. Vista aérea de Puerto Ayora, cidade localizada no arquipélago Pablo Cozzaglio/AFP O número, que segundo as autoridades é o máximo que as ilhas podem suportar sem prejuízo aos ecossistemas, pode virar uma norma. "As particularidades ambientais, sociais e biológicas deste lugar único nos obrigam a estabelecer um teto e a administra o turismo a partir da oferta, não da demanda", afirmou à AFP Walter Bustos, diretor do Parque Nacional Galápagos. Restrições Frequentado no passado por piratas e caçadores de baleias, o arquipélago que inspirou Charles Darwin em sua Teoria da Evolução luta contra a pesca ilegal, o aquecimento global e "invasores" como cães, gatos e ratos. Em 1959 foi criado o Parque Nacional para preservar 97% de sua superfície terrestre. Em 1978, a Unesco declarou o arquipélago Patrimônio Natural da Humanidade. Também foi delimitada uma reserva marinha de 138 mil km2 e foi classificada como santuário marinho – com proibição total à pesca – uma área de 38 mil km2, entre as ilhas Darwin e Wolf, a região com a maior biomassa de tubarões do mundo. Dependente das importações do continente e com fontes limitadas de água, o arquipélago limitou o crescimento de sua população: atualmente vivem apenas 26.000 pessoas nas quatro ilhas habitadas. Cactus gigantes crescem perto da costa da Ilha de Santa Cruz Pablo Cozzaglio/AFP A lei de "Regime Especial" trata como estrangeiros os equatorianos continentais. Para obter o direito de residência permanente, por exemplo, a pessoa deve estar casada com um galapaguenho por no mínimo 10 anos. As autoridades também adotaram restrições às construções e estimulam o uso de energias renováveis e de carros elétricos. As bolsas plásticas foram proibidas. A ilha de Baltra, a principal porta de entrada de Galápagos, tem um aeroporto ecológico, movido por energia solar e eólica. "Mas o desafio é administrar o turismo de maneira sustentável, que conserve os ecossistemas e gere lucros. O turista não deve ser visto como o diabo", disse à AFP Juan Carlos García, diretor de conservação da ONG WWF no Equador. Céus abertos Impor limites ao turimo em Galápagos, no entanto, castiga a economia dolarizada. E os últimos anos foram de escassez de divisas com a queda dos preços do petróleo e o forte endividamento. O turismo e o setor de mineração são considerados tábuas de salvação para a economia do país. Em 2017, o número de visitantes no país cresceu 14% na comparação com 2016, com 1,6 milhão de pessoas, uma cifra modesta na comparação com outros países da região. Turistas nadam na praia de Tortuga Bay, no Equador Pablo Cozzaglio/AFP O presidente Lenín Moreno pretende estimular o turismo para fortalecer a economia. Com este objetivo, decretou há alguns meses a política de "céus abertos", que facilita o tráfego aéreo para que mais turistas pousem em Quito e Guayaquil. E muitos destes turistas terão como objetivo visitar o arquipélago. A companhia aérea estatal TAME já anunciou novos voos para as ilhas. As autoridades conseguirão resistir à pressão? "Temos que apostar mais na qualidade e em aumentar o período de estadia dos turistas. E que depois viajem pelo resto do país, oferecendo pacotes", afirma o ministro do Turismo. A Metropolitan Touring, empresa que atua em Galápagos há meio século e atende 12 mil turistas por ano, adverte que a criação de uma "cota" vai aumentar os preços. "Apesar de contrária aos interesses empresariais, esta é uma medida razoável para que não termine como Machu Picchu", a sobrecarregada cidade inca do Peru, explica Roque Sevilla, diretor da empresa.
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07/02 - Ecologistas da França exigem que o país entre na trilha da descarbonização
O Conselho de Paris, aliado a uma rede de ecologistas da França - Groupe Écolo de Paris (GEP) - que inclui políticos e ambientalistas eleitos, acaba de lançar um manifesto “Desejo uma Paris Descarbonizada”, que segue a linha e os moldes de Nova York. O prefeito da cidade norte-americana, De Blasio, anunciou em janeiro que não só está deixando de investir em combustíveis fósseis como também que entrou na Justiça contra as cinco principais petrolíferas – as multinacionais BP, Chevron, ConocoPhillips, Exxon Mobil e Royal Dutch Shell - sob o argumento de que elas provocam a tragédia climática que põe em risco a vida de muitos, e não movem uma palha para descontinuar o processo.    Pois os ambientalistas franceses querem a mesma coisa. O documento online que publicaram traz vários “considerandos”, e começa com a notícia de que os últimos dados de análise de temperatura global publicados em 18 de janeiro de 2017 pela Nasa e pela Columbia University, em Nova York, apontaram que 2017 foi o segundo ano mais quente desde o início das pesquisas termométricas (a série começa em 1880). E afirma sua solidariedade com a cidade de Nova York em sua política de alienação de combustíveis fósseis.   Um dos argumentos colocados pelos ecologistas é que os depósitos de energias fósseis, exploradas ou em processo de ser, representam pelo menos cinco vezes mais o nível de emissões do que seria necessário se a humanidade topasse, verdadeiramente, o que ficou combinado no Acordo de Paris conseguido em 2015 durante a COP21. Ali ficou acertado que o planeta precisa ficar abaixo dos 2 graus até o fim do século.   A iniciativa dos franceses considera também o fato de que cerca de 80 economistasde 20 países, em dezembro de 2017, se reuniram e assinaram um pedido ainda mais ousado. Eles querem o fim imediato de todos os investimentos em novos projetos de produção e infraestrutura de combustíveis fósseis e uma expansão significativa do financiamento de energias renováveis. A declaração foi assinada, entre outros, pelo norte-americano Jeffrey Sachs, que esteve aqui no Brasil há quatro anos para lançar a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, pelo ex-ministro e economista grego Yanis Varoufakis, por Ramón E. López, professor da Universidade do Chile, e por Charles Palmer, da London School of Economics.   Na nota, economistas puseram o dedo numa ferida que vem sendo omitida em declarações importantes sobre o fim dos combustíveis fósseis: e o carvão? O presidente francês (Emmanuel Macron) e outros dirigentes indicaram a necessidade de um maior apoio financeiro para as soluções climáticas, mas não disseram nada sobre a outra parte da equação: os financiamentos continuam sendo acordados para novos projetos de produção e de infraestrutura para carvão, gás e petróleo, dizem eles na nota.   A partir da declaração dos economistas, diversas organizações ligadas à causa ambiental, entre elas a ONG 350.org, formada durante a COP-15, que aconteceu em Copenhague em 2009, convocaram uma manifestação nos mesmos moldes, sob o lema “Nenhum euro a mais para as energias do passado”.   O pleito dos ecologistas franceses também não menciona o carvão. Mas o presidente Emmanuel Macron, em seu discurso no Fórum Econômico de Davos prometeu que seu país vai interromper todas as fontes de energia conseguidas pela queima de carvão até o ano de 2021. Segundo ele, as plantas de carvão da nação europeia serão substituídas por fontes renováveis ou reatores nucleares.   A questão é bem delicada. Não estamos, nem de longe, numa época confortável, em que o peso das decisões tomadas para evitar o aquecimento global pende apenas para um lado da balança. Tudo exige reflexões, talvez mesmo estudos caso a caso.   No caso da França, por exemplo, é provável que muitos trabalhadores de usinas de carvão estejam, a esta altura, preocupados com a declaração de Macron. Perder emprego, numa época de crise mundial (aquela mesma, que começou em 2008...) não é nada animador. Enquanto isso, ambientalistas contrários à adoção da energia nuclear talvez também estejam se preparando para gritar contra. A França ainda produz grande parte de sua energia através das usinas nucleares. E é só lembrar dos 30 mil mortos e dos três milhões de pessoas atingidas no acidente de Chernobyl (que aconteceu em abril de 1986), para perceber que não é uma opção que mereça aplausos.   Por outro lado – na verdade, eu devia dizer “por outros lados” – a poluição no mundo, um dos graves efeitos do uso abusivo dos combustíveis fósseis, também faz vítimas, e não são poucas. A revista médica “The Lancet” publicou no ano passado um relatório dando conta de que 9 milhões de pessoas morreram, só no ano de 2015, por causa da poluição ambiental. Segundo os pesquisadores que fizeram o estudo, a sujeira no ar, na água e no solo causa prejuízos ao bem-estar da população, na forma de doenças e mortes prematuras, da ordem de U$ 4,9 trilhões anuais (cerca de R$ 15,6 trilhões), ou 6,2% de toda produção econômica do planeta.   Junte-se a isso os eventos extremos provocados pelo aquecimento global, tambémcausadores de mortes e destruições, e vamos conseguir a certeza de que o modo como vamos obter energia é o grande X da questão da humanidade de hoje e do futuro. Gro Brundtland, a ex-ministra da Noruega que ancorou uma reunião de mil dias com líderes e empresários para fazer o texto “Nosso Futuro Comum”,um dos pioneiros a avaliar questões socioambientais na hora de pensar a economia do mundo, nunca deixou de mencionar o grande desafio energético.   É tempo de mudar, diz o documentário “Zugzwang”, dirigido por Duto Sperry em 2005. A humanidade sempre buscou energia para fazer trabalhos, ou mesmo para tornar possível uma civilização. Mas passou a ser real pensar uma mudança de matriz energética, e este é o momento que estamos vivendo. Vale a pena assistir ao filme e refletir a respeito.
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07/02 - Veja a previsão do tempo para o carnaval 2018
No Rio, temperatura pode chegar aos 38ºC. Maior parte das cidades deverá ter sol entre nuvens, com chuva em regiões isoladas. O carnaval começa, oficialmente, a partir do próximo final de semana. Além dos desfiles das escolas de samba, centenas de blocos estão previstos. Veja como deve ficar o tempo nas principais cidades da folia, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) desta quarta-feira (7): Carnaval de 2017 reuniu 3 milhões de pessoas nas ruas de Belo Horizonte Raquel Freitas/G1 Belo Horizonte Sexta-feira, 9: O dia deverá ser nublado, com pancadas de chuva. Temperatura mínima perto dos 17ºC; a máxima será de 26ºC. Sábado, 10: Tempo continua estável, mas poderá ter mais aberturas de sol. Chance de chuva. Mínima na casa dos 18ºC e máxima perto dos 28ºC. Domingo, 11: Dia de muitas nuvens com pancadas de chuva. Temperauta mínima de 18ºC e máxima de 30ºC. PORTELA: Sharon Menezzes na Sapucaí Rodrigo Gorosito/G1 Rio de Janeiro Sexta-feira, 9: Há chance de chuva, mas apenas em áreas isoladas. O dia deve ser de sol, mas com algumas nuvens. Mínima de 20ºC e máxima de 35ºC. Sábado, 10: O dia deverá ser mais nublada, mas sem muita chance de chuva. Mínima de 21ºC e máxima de 37ºC. Domingo, 11: Sol com poucas nuvens. A temperatura sobe ainda mais, podendo chegar a 38ºC. A mínima fica em torno de 22ºC. Escolha seu bloco no Carnaval do Rio. Imagem aérea mostra a multidão que participou do desfile do Galo da Madrugada, no Recife Aluisio Moreira/SEI Recife Sexta-feira, 9: Tempo nublado com chuvas isoladas. Mínima de 26ºC e máxima de 32ºC. Sábado, 10: Nublado e com chance de chuva no decorrer do dia. Temperatura pode chegar a 32ºC, com mínima perto dos 25ºC. Domingo, 11: Dia ainda com nuvens. Há chance de chuva fraca. Mínima de 26ºC e máxima de 32ºC. Animação toma conta do folião pipoca com arrastão de Brown Max Haack/Ag. Haack Salvador Sexta-feira, 9: Sol entre nuvens, com chuva em regiões isoladas. Mínima de 25ºC e máxima de 33ºC. Sábado, 10: Mesma previsão de sexta-feira. Mínima perto dos 24ºC e máxima de 32ºC. Domingo, 11: Dia nublado, com algumas aberturas de sol. Temperatura fica entre os 25ºC e os 33ºC. Leandra Leal brinca no Bloco Baixa Augusta na Rua da Consolação, em São Paulo Glauco Araújo/G1 São Paulo Sexta-feira, 9: Se chover, será de forma isolada. O Sol surge entre nuvens, com temperatura mínima perto dos 19ºC e máxima de 31ºC. Sábado, 10: Mesma previsão da sexta-feira, mas com mínima perto dos 22ºC e máxima de 29ºC. Domingo, 11: O tempo deve ficar encoberto com chuva fraca. Mínima de 23ºC; máxima de 33ºC. Escolha seu bloco no Carnaval de SP.
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06/02 - Alimentos feitos de insetos fazem sucesso na Suíça com apelo à sustentabilidade
Rede de supermercados vende almôndegas e hambúrgueres feitos de farinha de vermes moídos; boa aceitação do público levou a desenvolvimento de novos produtos. Alimentos feitos de insetos fazem sucesso na Suíça Reprodução/BBC Comer insetos pode ser gostoso? Se depender do paladar suíço, a resposta é sim. Produtos à base desses animais vêm se tornando um sucesso de vendas desde que foram lançados, em agosto passado. Hambúrgueres e almôndegas produzidos com farinha de verme moído têm atraído tanta atenção dos consumidores que a procura desencadeou o desenvolvimento de novos petiscos com esse tipo de fonte proteica. Uma barrinha energética feita com grilos crocantes, passas e tâmaras é a nova moda, por exemplo. Assista ao vídeo. A receita não chega a ser complicada. Insetos cultivados em criadouros higienizados na Suíça, Áustria e Bélgica são moídos e transformados em uma farinha. O pó, que é rico em proteína, é acrescentado em uma massa com outros ingredientes - como purê de grãos e temperos - e moldada no formato de uma carne de hambúrguer e almôndega. A fabricante dos produtos à base de insetos argumenta que os alimentos são gostosos, saudáveis e sustentáveis. O supermercado que comercializa os itens está bem satisfeito com as vendas - a publicidade que os ingredientes inusitados geram que tem se mostrado muito boa para os negócios. Defendendo o conceito de sustentabilidade no consumo, a marca mira nos jovens e capricha na aparência moderninha com uma divulgação gourmet, direcionada ao público hipster. "O que queremos é abrir um novo mundo de possibilidades culinárias para nossos consumidores e convencê-los de que insetos são realmente deliciosos. Estamos cientes de que pode levar um tempo até as pessoas começarem a consumir insetos diariamente, mas estamos trabalhando por isso, todos os dias", afirmou Melchior Füglistaller, representante da empresa Essento, fabricante dos produtos. "Estamos convencidos de que temos na Suíça consumidores que são amantes da boa comida, que têm uma mente aberta e provarão e gostarão dos produtos feitos com insetos. Não apenas por ser uma alternativa à carne, mas por razões culinárias mesmo", disse Andrea Bergman, representante da rede de supermercados Coop, à BBC Brasil. Tabu e sustentabilidade Populares na Ásia, os insetos são ainda geralmente um tabu na cozinha ocidental, apesar de serem ricos em proteínas e outros nutrientes. A vantagem de incluí-los na dieta é o fato de serem relativamente baratos em comparação às carnes de gado, suína e de frango. Boa parte do marketing de promoção desses alimentos está focado justamente no argumento de que é "verde", e portanto bacana, consumir insetos. "O consumo de carne demanda muitos recursos", afirma Melchior Füglistaller, representante da empresa Essento, fabricante dos produtos. "Por exemplo, para se produzir um quilo de carne são necessários 15 mil litros de água e dez vezes mais ração do que seria necessário para alimentar insetos que produzissem a mesma quantidade de proteínas", argumenta. Certamente o peso da carne no bolso influenciará a decisão dos suíços. Se um quilo de carne bovina moída e temperada para hambúrguer sai por 58 francos (R$ 190), no mesmo supermercado a apenas um corredor de distância é possível comprar o hambúrguer de inseto já embalado em porções de 170 gramas pelo preço de 52,60 francos (R$ 170) o quilo. Ou seja, o consumo de "carne de inseto" se traduz em uma economia de cerca de 11% para o bolso do consumidor. Peso no bolso Os hambúrgueres alternativos são também uma resposta ao padrão de consumo alto e "insustentável" dos suíços. A nação dos Alpes é uma das maiores consumidoras de carnes per capita no território da Europa. De acordo com um ranking organizado pela empresa de consultoria americana de alimentação Caterwings, a Suíça é o mercado onde a carne é a mais cara do mundo. O preço médio do quilo de carne bovina está avaliado em US$ 49,68 (R$ 160). De acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o padrão de consumo dos suíços é insustentável. Em um relatório publicado em novembro, o secretário geral da organização, Angel Gurría, criticou os hábitos dos consumidores. "A Suíça tem uma enorme pegada de carbono associada ao seu padrão insustentável de consumo. O consumo suíço está impondo significativa pressão (no meio ambiente) para muito além de suas fronteiras", escreveu. O próprio país reconhece isso. Um relatório publicado pelo governo em junho passado apontou que os suíços precisam mudar seus hábitos alimentares em relação às carnes. "Carnes: Nós consumimos 3 vezes mais que o necessário", afirma o documento assinado pelo líder Alain Berset. Os suíços consomem na média 150 gramas de proteínas de diversas fontes a cada dia. A consumidora Danielle Heer considera boa a ideia de promover a sustentabilidade, mas não deu uma nota alta ao sabor dos produtos à base de insetos. "Achei as barrinhas um pouco secas", avaliou.
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06/02 - Fóssil de animal com corpo de aranha e cauda de escorpião é encontrado na Ásia
Cientistas dizem ser possível que a espécie, que remonta a cerca de 100 milhões de anos atrás, ainda exista nas florestas do continente. Perspectiva ilustrada do aracnídeo Image caption Aracnídeo, que viveu há 100 milhões de anos, lembra uma aranha como uma cauda Bo Wang Um fóssil conservado em âmbar por 100 milhões de anos está ajudando a esclarecer conceitos científicos sobre as origens das aranhas. Diferentemente de seus parentes modernos, a antiga criatura tinha uma cauda. Ela pertence à classe dos aracnídeos, que agrupa artrópodes como a aranha, o escorpião e o carrapato. Pesquisadores dizem que é possível – mas improvável – que a espécie ainda viva nas florestas do sudeste da Ásia. O habitat remoto da criatura e seu pequeno tamanho tornam possível que seus descendentes ainda vivam em Mianmar, onde o fóssil foi encontrado, segundo Paul Selden, paleontólogo da Universidade do Kansas, nos EUA. "Nenhum foi encontrado vivo, mas algumas das florestas não são muito bem estudadas, e é um bicho muito pequeno", diz ele. Mina de ouro Mianmar tem se provado uma mina de ouro para cientistas que procuram pele, escamas, pelos e penas preservados no âmbar, uma resina de árvore fossilizada. A descoberta remonta ao período Cretáceo, quando a Terra era habitada por dinossauros com o Tiranossauro Rex. O aracnídeo tem uma mistura incomum de características antigas e modernas. Cientistas nomearam o animal de Chimerarachne yingi, em homenagem à Quimera, o animal mitológico grego composto por partes de mais de um animal. "Sabemos há cerca de uma década que aranha evoluiu a partir de aracnídeos que tinham caudas há mais de 315 milhões de anos", diz Russel Garwood, coautor da pesquisa sobre o fóssil e pesquisador da Universidade de Manchester, na Inglaterra. "No entanto, ainda não tínhamos encontrado fósseis que mostrassem isso, então essa descoberta é uma enorme e fantástica surpresa." O animal tem presas parecidas com a da aranha e um órgão produtor de fios de seda na parte traseira Bo Wang Quatro pequenos animais foram encontrados. Os pesquisadores acreditam que eles viviam em troncos de árvores, talvez embaixo da casca ou do musgo no pé delas. Eles eram capazes de produzir fios de seda com um órgão localizado em sua parte traseira, mas é improvável que construíssem teias. Ainda não há teorias sobre para que a cauda era usada ou se o bicho era venenoso. Surpresas fossilizadas O pesquisador Ricardo Perez De La Fuente, do Museu de História Natural de Oxford, diz que esses "incríveis fósseis" serão importantes para decifrar o quebra-cabeça da evolução das aranhas. "O Chimerarachne é o elo entre os aracnídeos com cauda do período Paleozoico, conhecidos através de pedras fossilizadas, e as aranhas modernas. E o fato de que eles foram tão belamente preservados no âmbar permitiu um raro estudo em detalhe", afirma De La Fuente. "Ainda existem muitas surpresas esperando para ser desenterradas no mundo fóssil. Como a maioria das descobertas inesperadas da paleontologia, provavelmente (ela traz) mais perguntas do que respostas. Mas dúvidas são o que mantém as pesquisas empolgantes e ajuda a expandir os limites da ciência." O animal tem uma cauda longa que se assemelha ao que vemos hoje em escorpiões Bo Wang A ordem das aranhas existe desde 300 milhões de anos atrás. O Chimerarachne teve um ancestral em comum com a aranha e se assemelha a um membro do grupo mais primitivo de aranhas modernas, o mesotheles, que hoje só existe na China, no Japão e no sudeste da Ásia. Aranhas são um dos grupos mais bem-sucedidos na natureza, com mais de 47 mil espécies vivas. Ao longo de centenas de milhões de anos, elas desenvolveram diversas características únicas, incluindo fieiras para a produção de fios e veneno para imobilizar as presas. A pesquisa foi publicadas em dois artigos na revista científica Nature Ecology e Evolution. Um deles, liderado pelo cientista Bo Wang, da Academia Chinesa de Ciências, descreveu dois dos animais. O outro, de Gonzalo Giribet, da Universidade Harvard, apresenta os outros dois aracnídeos.
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06/02 - Filhote raro de cervo faz primeira aparição em zoológico do Reino Unido; veja vídeo
Apenas 2,5 mil indivíduos da espécie restam no planeta. Filhote de cervo aparece em público pela 1ª vez em zoológico no Reino Unido Um raro bebê de cervo fez a sua primeira aparição pública no Chester Zoo, no Reino Unido, com dois meses de idade. (Veja o vídeo acima) De acordo com o zoológico, apenas 2,5 mil indivíduos da espécie restam no planeta. A criação do bebê cervo "é uma luta pelo futuro". Assista também o vídeo publicado pelo zoológico: Initial plugin text
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06/02 - MPF descobre leilão ilegal de terras indígenas por madeireiros em Rondônia
Cerca de 500 pessoas aguardam legalização da terra para poder extrair madeira. No ano passado, uma educadora que combate crimes ambientais foi atacada a tiros. Terras indígenas Uru-Eu-Au-Au estão sendo invadidas para loteamento, segundo procuradora do MPF-RO Reprodução/MPF Após ajuizar 130 ações contra danos ambientais à flora de Rondônia, o Ministério Público Federal (MPF) descobriu que, além de derrubarem e venderem madeiras, madeireiros estão leiloando ilegalmente terras indígenas para várias pessoas no estado. Só na reserva Uru-Eu-Wau-Wau, por exemplo, já existem cerca de 500 cadastros rurais de invasores aguardando a legalização da terra para uma futura exploração do local. Em entrevista ao G1, a procuradora Giseli Bleggi disse que mais de 100 pessoas e empresas já foram identificadas pelo crime de desmatamento e leilão clandestino de terras indígenas. O caso é tão grave que a professora Elisângela Dell-Armelina Suruí foi atacada a tiros em Cacoal, no fim do ano. Ela prestou depimento na Polícia Federal (PF) e a suspeita é que a a tentativa de homicídio ocorreu porque a educadora e o marido lutam contra estes crimes em terras indígenas. Segundo o MPF, vários laudos foram feitos, através de cruzamento de dados públicos, para que fosse possível a identificação das áreas desmatadas nas áreas indígenas. "O MPF lançou o projeto Amazônia Protege no ano passado, que irá combater o desmadeiramento na Amazônia Legal. Foram feitos estudos técnicos em parceira com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio)", explicou Bleggi. Procuradora Giseli Bleggi do MPF-Rondônia Hosana Morais/G1 No mapa do site do Amazônica Protege é possível identificar as áreas desmatadas perto de áreas indígenas. "É como uma panela de pressão. Não está bem dentro, mas está nas proximidades. A atuação tem que ser expedida e esse projeto vem para combater esse desmatamento que ocorre próximos das terras indígenas ou em unidades de conservação. Ou seja, acendeu um alerta e a atuação precisa ser rápida", conta a procuradora. Sobre os responsáveis por desmatamentos, todos madeireiros suspeitos já foram identificados. "Foram 130 ações ajuizadas, com 160 pessoas e empresas identificadas", declarou Bleggi. A procuradora Daniela Lopes também revelou ao G1 que, além de extração de madeira, madeireiros e empresas estão leiloando e loteando terras indígenas. "A terra indígena Karipuna e Uru-Eu-Wau- Wau estão sofrendo muita pressão, muita invasão e até loteamento, não é so extração de madeira nobre. Quem quer invadir busca legalizar a área que eles estão desmatando. Inclusive, na Uru-Eu-Wau- Wau , existem cerca de 500 Cadastro Rurais dentro de da terra indígena. Eles estão tentando legalizar para poder extrair no futuro com mais facilidade", explica a procuradora. Áreas desmatadas estão ao redor de terras indígenas em Rondônia Reprodução/MPF Nas ações ajuizadas, o MPF pediu indenizações de danos materiais e morais por causa do desmatamento; recomposição da área degradada, mediante a sua não utilização para permitir a regeneração natural da floresta; reversão dos valores da condenação para Ibama e ICMBio, para fortalecer a fiscalização; autorização judicial para apreensão, retirada e/ou destruição, pelos órgãos de fiscalização competentes, de bens móveis ou imóveis presentes na área que estejam impedindo a regeneração da floresta. Tentativa de Homicídio Elisângela Dell-Armelina Suruí, de 38 anos, foi premiada por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí em Cacoal. Carol Moreno / G1 A vencedora do prêmio "Educador Nota 10" 2017, incluindo a categoria "Educador do Ano", Elisângela Dell-Armelina Suruí, foi atacada a tiros por bandidos em Cacoal. A tentativa de homicídio ocorreu quando ela e o marido voltavam de moto para a Aldeia Paiter Suruí. O casal não se feriu no ataque e fugiu a tempo para pedir ajuda. Naraymi Suruí, esposo da educadora, é cacique na aldeia Paiter Suruí da Linha 12 e acredita que o ato foi uma retaliação por parte de madeireiros que estavam derrubando castanheiras na terra indígena Sete de Setembro e foram expulsos pelos indígenas.
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05/02 - Reflexões sobre o abandono da ideia de solidariedade no nosso dia a dia
A cena é real, e quem me contou foi uma amiga aqui do blog. Uma mulher caminhava pelas ruas do Centro, quando viu vários caixotes de madeira, desses que servem para carregar produtos hortifruti, na frente de um supermercado popular. Lembrou-se de que ela própria tinha vários, precisando de um destino útil. Aproximou-se do funcionário que estava à frente da porta e perguntou para onde iriam aqueles caixote ali acomodados. O homem respondeu que algumas pessoas pegavam e o que restava era levado pelo caminhão do supermercado para o depósito deles.   Foi aí que a mulher teve a ideia de estender o assunto para ver a disponibilidade de o supermercado fazer o mesmo com os caixotes que ela tinha. Inclusive levá-los para o seu depósito, caso sobrassem, exatamente como ele disse que era feito ali. A resposta foi curta e imediata:   “Não posso! Nem pensar! Cada um que cuide dos seus caixotes. Se eu der permissão para a senhora trazer os seus para cá e meu chefe ficar sabendo, estou demitido na hora!”, respondeu o funcionário.   É uma cena banal. Mas, quando me contaram, lembrei-me imediatamente do geógrafo Milton Santos, morto em 2001. Pensador de muitos quilates, Santos deixou um acervo importantíssimo, que nos ajuda a refletir sobre os rumos da humanidade com um viés socioeconômico e ambiental, o que me proponho a fazer neste espaço, trazendo sempre autores para ajudar.  Em “Por uma outra globalização – Do pensamento único à consciência universal” (Ed. Record), último livro que Santos escreveu e que foi publicado um ano antes de sua morte, ele convida os leitores a visitarem a palavra solidariedade, segundo ele banida do dicionário nos tempos de globalização.   “Nos últimos cinco séculos de desenvolvimento e expansão geográfica do capitalismo, a concorrência se estabelece como regra. Agora, a competitividade toma o lugar da competição. A concorrência atual não é mais a velha concorrência, sobretudo porque chega eliminando toda forma de compaixão... Comportamentos que justificam todo desrespeito às pessoas são, afinal, uma das bases da sociabilidade atual”, escreveu ele.   Pode ser que você, caro leitor, esteja pensando que eu fui longe demais. Afinal, foi só uma negativa para um favor, das muitas que se recebe por dia numa megalópole. Mas, por outro lado, pense comigo: o funcionário do supermercado popular não poderia ter sido mais educado, compreensível, não poderia ter pedido, ao menos, um tempo para pensar? Acontece que na onda antissocial na qual estamos sendo, aos poucos, submersos, a reação antipática era a esperada pelo senso comum. A amiga que me contou, e estava junto, observou a reação dos que estavam em volta. Acharam graça, talvez, da falta de pudor da mulher ao fazer a proposta.   “A sensação foi de que as pessoas que estavam em volta acharam minha atitude estranha, coisa de maluca”, contou-me a amiga.   Não se confia, não se pensa em ajudar, a menos que haja motivos religiosos envolvidos. O dia a dia nas grandes cidades tem sido regido pelo desrespeito, pela não vinculação pessoal, embora as redes na internet estejam “unindo” Norte a Sul e transpondo fronteiras. Dia desses, alguém numa roda de amigos observou que estamos muito afoitos para ajudar os refugiados da Síria, da Turquia, até mesmo da Venezuela. Sim, isso é bom. Mas existem muitos refugiados dentro do país, às vezes até do Estado, que não recebem a mesma consideração. A música de Chico Buarque, “Caravanas”, fala a respeito. Volto a Milton Santos:   “O abandono da ideia da solidariedade está por trás do entendimento da economia competitiva e conduz ao desamparo em que vivemos hoje. Jamais houve na história um período em que o medo fosse tão generalizado e alcançasse todas as áreas da nossa vida: medo do desemprego, medo da fome, medo da violência, medo do outro. Tal medo se espalha e se aprofunda a partir de uma violência difusa, mas estrutural, típica do nosso tempo, cujo entendimento é indispensável para compreender, de maneira mais adequada, questões como a dívida social e a violência funcional, hoje tão presentes no cotidiano de todos”.   Sim, pode ter sido um fato isolado. A negativa do funcionário do supermercado, quem sabe, foi reação passageira, consequência de um mau humor, e pronto. Mas, como diz a pensadora alemã Hannah Arendt, não estou aqui para desperdiçar pensamentos, o que seria um erro grave. E gosto de compartilhar com os leitores para espraiar as ideias de autores que refletem sobre o mundo de maneira a resgatar, pelo menos em parte, os valores humanos à frente dos lucros ou da competição descabida, ou da necessidade de se acumular capital acima de qualquer outra carência.   Para me ajudar a puxar este novelo que comecei a desenrolar com Milton Santos, trago também Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, norte-americano, que recentemente lançou o livro “Rewriting the Rules” (“Reescrevendo as regras”, em tradução literal), que pode ser acessado aqui. Stiglitz reflete sobre uma agenda para o crescimento e a prosperidade, mas pontua que é preciso rever a competitividade, tornar mais democráticas as regras.   Nosso desafio, diz ele, é trabalhar  para todos. A desigualdade, a falta de solidariedade, são falhas de um modelo econômico que não pode mais servir se não se fizerem mudanças nele.   O livro é interessante, vale ler. Cumpro, assim, meu papel ao compartilhar um pensamento, agregando autores que podem ir ajudando a pavimentar caminhos para a necessária mudança de rumo.    Foto: Marcos Serra Lima/ G1  
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05/02 - Como escapar do guepardo, o animal terrestre mais rápido do mundo?
Felino atinge até 100 km/h ao perseguir suas presas, mas só as captura em metade das vezes. Animais que sobrevivem têm uma habilidade que seu predador não consegue superar. Como escapar do guepardo, o animal terrestre mais rápido do mundo? Reprodução/BBC A perseguição do guepardo a sua presa é uma das mais conhecidas e dramáticas batalhas na natureza selvagem. Esse felino é o animal terrestre mais veloz do mundo, mas nem sempre a rapidez garante o sucesso de sua caçada. Em média, um guepardo só consegue capturar seu alvo em metade das tentativas. Qual é, então, o segredo de quem consegue escapar? Cientistas puseram coleiras para monitorar guepardos e suas presas a fim de descobrir isso. Assista ao vídeo. Os equipamentos foram criados especialmente para registrar a velocidade do animal, sua aceleração e desaceleração e quão rápido eles consegue mudar de direção. Uma pequena amostra do seu tecido muscular foi coletada para analisar a força muscular máxima do animal. O estudo publicado na revista Nature também faz parte do documentário Big Cats (Grandes Felinos, em tradução livre), da BBC. “Vemos o espetáculo da caçada em documentários sobre vida selvagem, mas, aqui, estamos registrando milhares de caçadas, inclusive as que não vemos, como quando caçam à noite ou em meio à vegetação mais densa”, diz o veterinário Alan Wilson, pesquisador do Royal Veterinary College, no Reino Unido, que conduziu a pesquisa em parceria com cientistas da Universidade de Botsuana. “Isso nos permite ter um retrato completo de como funciona uma caçada e ter um modelo computacional capaz de nos dizer como será uma perseguição e seu resultado.” Foi assim que os cientistas descobriram que os animais que escapam de guepardos fazem isso ao dar uma guinada para o lado no último segundo. Quanto maior a velocidade de um predador, mais difícil é para ele virar tão abruptamente. Para um animal tão rápido quanto o guepardo, que atinge até 100 km/h, essa manobra é ainda mais complexa. “A presa define como será a caçada”, diz Winson. “Ela decide quando correr, quão rápido ela irá. Então, está sempre um passo à frente do predador.” Com isso, o predador precisa ser mais atlético, acrescenta o pesquisador, para ser capaz de competir com a mais habilidade da presa de realizar manobras. O guepardo tem 20% mais força muscular, uma capacidade de aceleração 37% maior e 72% de desaceleração em comparação com uma de suas presas mais comuns, a impala. É essa capacidade de mudar de direção que permite à impala e outros animais sobreviverem mesmo sem superar o felino na corrida. “Se a presa tenta escapar usando velocidade, faz uma péssima escolha, porque o guepardo é mais rápido e consegue acelerar mais velozmente. Fazer isso favorece o predador”, afirma Wilson. “A melhor tática para a presa é correr relativamente devagar e virar no último momento possível.” Cientistas atribuem essas diferenças a um reflexo da “corrida da evolução” entre presa e predador. Em outras palavras, se os predadores fossem muito bem-sucedidos em suas caçadas, eles acabariam ficando sem ter o que caçar em pouco tempo.
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05/02 - Quem foi um dos mais importantes investigadores do tráfico de marfim, morto a facadas no Quênia
Americano Esmond Bradley Martin, que usava dados e expedições para estudar a rede ilegal de venda de marfim, morreu dentro de casa. Esmond Bradley Martin se arriscou fazendo fotos e documentando aspectos do tráfico ilegal secretamente AP Photo/Brian Inganga Esmond Bradley Martin, um dos pesquisadores mais proeminentes sobre o tráfico ilegal de marfim e chifres de rinoceronte, foi encontrado esfaqueado e morto em Nairóbi, capital do Quênia, segundo informações divulgadas pela polícia nesta segunda-feira (5). Ele trabalhou disfarçado em algums dos lugares mais perigosos e conflagrados do mundo, fotografando e documentando áreas de comércio de marfim, conversando com traficantes e calculando preços do mercado negro de forma a guiar políticas pela preservação da biodiversidade. Nos últimos anos, ele viajou para a China, Vietnã e Laos com sua colaboradora Lucy Vigne, indo a locais em que poucos estrangeiros ousariam entrar - fingindo-se de compradores de marfim e de chifres de rinocerontes. Em um cassino em Laos controlado por chineses, a estranha dupla de estrangeiros circulava entre gângsters e barões do tráfico de drogas. A pesquisa deles, financiada pela organização Save the Elephants ("Salvem os elefantes"), revelou que Laos se tornou o mercado de marfim com crescimento mais rápido nos últimos anos. Os estudiosos haviam acabado de voltar de uma viagem investigativa em Myanmar - Martin preparava relatório do caso ao ser morto. A polícia está investigando a motivação para seu assassinato. Ele morreu após levar uma facada no pescoço em sua casa nos arredores de Nairóbi. Há indícios de que o caso seja um latrocínio (roubo seguido de morte), mas a polícia investiga se ele foi morto em retaliação a seu trabalho ambiental. Em entrevista para a BBC em 2016, Martin afirmou que a razão para o aumento da caça ilegal na África nos últimos cinco anos tem conexão com a má gestão em muitos dos parques onde vivem os animais ameaçados. "A corrupção, em todos os níveis, é provavelmente a principal causa do aumento da caça ilegal de elefantes", afirmou. "O que aconteceu nos últimos anos é que muitos chineses se mudaram para a África. Há provavelmente cerca de 1 milhão ou mais de chineses expatriados agora trabalhando na África. O que temos são estes grandes e explícitos mercados ilegais de marfim em locais como Angola, Nigéria, Egito e Sudão - e Moçambique, eu acho - e a maior parte desse material é comprado por chineses". Ele ajudou a fechar muitos desses mercados ilegais - jogando luz sobre os deficientes registros oficiais de crimes ambientais. A ele é creditada participação importante em medidas recentes no tocante ao tráfico ilegal desses itens na China - como o banimento do comércio de chifres de rinocerontes nos anos 90 e, neste ano, o de marfim. Estilo Cabelos brancos e trajes acentuados, frequentemente adornados com lenços coloridos no bolso, acompanhavam o seu suavemente estranho modo de caminhar. Esmond Bradley Martin falava tranquilamente, mas era focado, energético e extremamente engajado em seu trabalho. Nascido em Nova York, ele foi ao Quênia pela primeira vez na década de 70 - quando elefantes estavam sendo mortos em quantidades avassaladoras, por caçadores interessados em suas presas. Foi então que ele conheceu o fundador da Save the Elephants, Iain Douglas-Hamilton, que nesta segunda-feira lamentou, pessoal e profissionalmente, a perda de seu amigo há mais de 45 anos. "Esmond foi um dos grandes heróis desconhecidos da conservação", diz Douglas-Hamilton. "Seu trabalho meticuloso sobre os mercados de marfim e de chifres de rinocerontes foi conduzido em alguns dos lugares mais remotos e perigosos do mundo, e com uma agenda tão ocupada que teria exaurido um homem com a metade de sua idade". "Nos seus 18 anos com a Save The Elephants, Esmond - ao lado de seus colegas - produziu dez relatórios cruciais sobre os mercados legais e ilegais de marfim". Dan Stiles, outro colega e amigo próximo, lembra de um jantar em 1999 em que foi persuadido por Martin a participar de um grande estudo sobre os mercados de marfim da África. "Eu quase morri, tive sorte em sobreviver", lembra Stiles says, dando risadas sinceras. "Eu nunca havia feito nada do tipo antes, e isso mudou o curso da minha vida". Stiles vinha trabalhando com comunidades de caçadores e atravessadores do material, mas os dois viajaram pelo continente africano buscando por qualquer marfim que estivesse à venda - perguntando o seu preço, sua origem e destino. "Esmond foi a primeira pessoa a quantificar estatísticas sobre o tráfico de marfim e chifres de rinoceronte. Ninguém havia feito isso antes. Ele realmente era um homem de dados, um homem de fatos. De posse de números e preços, é possível ter noção de o que está acontecendo no mercado, além de suas novas tendências. E ele foi responsável por isso". Depois de dez semanas viajando pelo continente, Stiles se sentia exausto, mas Martin estava bem. "Ele era incrível, ele apenas seguia o seu caminho", diz Stiles. Outras viagens para a Ásia, Europa e Américas vieram posteriormente, produzindo uma série de relatórios. A ambientalista queniana Paula Kahumbu diz que Martin tinha uma generosidade incomum, fazendo de sua pesquisa uma contribuição para um bem maior. "Ele estava à frente de todo mundo no que diz respeito à identificação de como se movia o tráfico de marfim e chifres", diz ela sobre as pesquisas mais recentes de Martin. "Entender como o tráfico de marfim se deslocou da China para países vizinhos dará material para que aqueles que lutam pela conservação pressionem os governos pela mudança". Há um racha entre os ambientalistas sobre a melhor abordagem para salvar os elefantes e rinocerontes: permitir e regular a caça e a venda para arrecadar com elas ou banir totalmente a venda desses produtos. O embaixador americano no Quênia, Bob Godec, classificou a morte de Martin como uma tragédia para o Quênia e para o mundo. Ele diz que sentirá pessoalmente a falta da sabedoria, da inspiração e da paixão do ambientalista, acrescentando: "Esmond era um verdadeiro gigante da conservação e um defensor dos elefantes e rinocerontes africanos". "Seus estudos extraordinários tiveram um impacto profundo no avanço dos esforços para combate do tráfico da vida selvagem ao redor do planeta. A vida selvagem da África perdeu um grande amigo, mas o legado de Esmond para a conservação durará muitos anos".
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05/02 - Polícia Ambiental apreende iguanas e cobras mantidas em cativeiro sem licença 
Animais eram mantidos por morador de Echaporã (SP). Homem foi multado em R$ 2,8 mil e responderá por crime ambiental. Manter animais silvestres sem licença é considerado crime ambiental Polícia Ambiental A Polícia Ambiental divulgou nesta segunda-feira (5) a apreensão de duas iguanas e duas cobras que eram mantidas por um morador de Echaporã (SP). A ação foi realizada na última sexta-feira (2) e o homem foi autuado e pagará uma multa de R$ 2,8 mil, além de responder por crime ambiental com pena de seis meses a um ano de prisão. De acordo com a Polícia Ambiental, os animais foram recolhidos e passaram por avaliação médica para avaliar a possibilidade de serem devolvidos à natureza. Foram apreendidas duas iguanas e duas cobras Polícia Ambiental Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília
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05/02 - Hanford Site, a usina de plutônio que virou o lugar com a maior contaminação nuclear dos EUA
Moradores de três pequenas cidades no estado de Washington vivem próximo às instalações do espaço desativado há três décadas - mas que ainda representa perigo. Desde sua criação, há quase 75 anos, houve uma série de incidentes na usina nuclear Hanford Site/Divulgação Para alguns, é preciso estar louco para querer morar ali. Para outros, trata-se do lugar dos sonhos, onde qualquer um pode prosperar. De qualquer modo, não é fácil ter como vizinho o local de descarte de resíduos nucleares que concentra a maior contaminação em todos os EUA: a usina de Hanford, no sul do estado de Washington. Desativado em 1987 após 44 anos em operação, o local passa desde então por um longo e complexo processo de limpeza. "Nasci em Richland em 1955 e aqui fui criado", diz à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Bob Thompson, prefeito dessa cidade que, ao lado de Kennewick e Pasco, se destaca por sua proximidade com a antiga usina nuclear. A região depende do dinheiro destinado à limpeza da usina, admite Thompson, para quem há um forte estigma associado à vida no local. "Isso não vem de nós, moradores, mas sim das pessoas de fora. É por isso que estamos tendo esta conversa, não? Por causa do estigma", diz. Segundo ele, é exagerada a atenção dada a qualquer incidente ocorrido em Hanford. "Os esforços cotidianos de limpeza não despertam interesse, mas qualquer vazamento ou acidente, sim", afirma. Alta contaminação A assessoria de imprensa de Hanford Site enviou à BBC informações sobre o processo de limpeza nuclear, tido como um dos maiores do mundo – e que ainda levará décadas para ser concluído. Os trabalhos de limpeza começaram em 1989 Hanford Site/Divulgação Em 1989, o Departamento de Energia dos EUA e o Departamento de Ecologia de Washington firmaram um acordo para tratar as instalações. Durante as quatro décadas de atividade em Hanford, foram geradas milhões de toneladas de resíduos sólidos e centenas de bilhões de litros de dejetos. A planta, que se estende por uma ampla planície próxima ao rio Colúmbia, é um complexo nuclear operado pelo governo dos EUA. O início das operações foi em 1943, com um objetivo claro: produzir plutônio para a fabricação de armas nucleares. "Apesar do progresso feito, ainda resta muita contaminação", diz o comunicado de Hanford. "O processo para produzir plutônio é extremamente ineficaz: gera uma grande quantidade de resíduos sólidos e líquidos, mas só se obtém uma pequena quantidade de plutônio." Estima-se que esse processo possa demorar pelo menos mais 50 anos Hanford Site/Divulgação Ali se desenvolveu parte do Projeto Manhattan, que culminou com a elaboração das bombas atômicas que terminariam sendo famosas pela destruição de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, episódio que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial. Para o prefeito de Richland, o lançamento das bombas foram um evento "trágico, mas necessário" para pôr fim à guerra – a outra opção, uma vitória de Hitler ou do Japão, teria sido muito pior, diz. Um lugar cheio de vida Ainda que tenha se transformado em um lugar onde ocorre uma espécie de "destruição profissional" - por causa do processo de limpeza da usina –, Hanford era um local cheio de vida no período logo após o fim da Segunda Guerra. O local onde funcionava a usina, hoje chamado de Hanford Site, ocupa uma grande área em uma planície no estado de Washington Hanford Site/Divulgação Em seu livro Plutopia: Nuclear Families, Atomic Cities, and the Great Soviet and American Plutonium Disasters ("Plutopia: famílias nucleares, cidades atômicas e os grandes desastres soviético e americano de plutônio", em tradução livre), lançado em 2013, a historiadora americana Kate Brown descreve Richland como uma das primeiras "comunidades nucleares". "Trabalhar em Hanford, mesmo quando muitos não sabiam a dimensão real do que estava sendo produzido ali, era considerado um ato patriótico", diz Brown à reportagem. Em sua obra, a historiadora compara a planta de Hanford à de Ozersk, na antiga União Soviética. Ela relata que os diretores de ambas as instalações perceberam que o melhor seria construir o que a autora chama de "plutopia": a ideia de que entrar naquela comunidade de residentes era como "ganhar na loteria". "Richland se constituiu como uma cidade subsidiada pelo governo federal, onde os salários eram 30% mais altos que a média, com excelentes escolas e importantes auxílios à moradia", conta Brown. "Até os anos 60, todas as minorias foram excluídas de Richland. Os negros e os latinos que trabalhavam na usina eram forçados a viver do outro lado do rio." Sem risco de explosão O prefeito não tem muitas queixas nem más recordações associadas a Hanford. Thompson conta que saiu de sua cidade natal por alguns anos, mas que voltou para abrir um escritório de advocacia para atender as chamadas Tri-Cities - Richland, Kennewick e Pasco. A usina já foi a principal empregadora da cidade Hanford Site/Divulgação "As pessoas me olhavam como se eu estivesse louco. 'Como você vai voltar a viver lá!', me diziam." "Quem era de fora pensava que havia risco de explosão - e não é assim. É complicado produzir a carga, o plutônio - é só ver a dificuldade que estão tendo países como Irã e Coreia do Norte", defende. O prefeito diz que não chegou a ser impactado pela proximidade da usina, ainda ativa durante sua infância e juventude. Além de Richland, as cidades de Kennewick e Pasco também estão próximas da área de usina Hanford Site/Divulgação "Era a época da Guerra da Coreia e da crise dos mísseis com Cuba", diz. "Nós encarávamos de forma séria as ameaças, tínhamos que nos proteger diante da Rússia e da China." O prefeito lembra que a cidade estava mais preocupada com a possibilidade de ser atingida por uma bomba ou um míssil do que pelos eventuais perigos que a usina representava. "Não significa que ela não seja perigosa e que a limpeza não seja necessária", ressalta. "Nos anos 40 e 50, já estávamos acostumados. Quando alguma coisa está sempre aí, ela se torna habitual." Contaminação da água Mas para os ativistas da Hanford Challenge, uma organização da sociedade civil, a vida em Richland e nas cidades vizinhas implica sérios perigos, especialmente por causa da água. Os vazamentos de resíduos nucleares líquidos se infiltram no lençol freático que, por ser relativamente superficial, é facilmente contaminado. Assim, diante do temor de que a contaminação atinja o rio Columbia, o Hanford Challenge monitora de forma contínua os trabalhos de limpeza realizados no local. "Por sermos independentes e não termos restrições, podemos atuar como uma organização vigilante", diz Tom Carpenter, diretor da entidade. "Queremos deixar um legado ambiental que seja sustentável para as três cidades e para mais além", acrescenta ele, que não se mostra muito otimista em relação ao processo de limpeza. "Já estouraram o orçamento e estão bastante atrasados com o cronograma." Vazamento nos tanques A maior parte dos resíduos nucleares de Hanford estão acondicionados em grandes tanques, à espera do momento em que possam ser transportados para outro lugar. O destino final ainda não está claro. Fala-se na possibilidade de distribuir os resíduos entre os Estados de Novo México e Texas, mas por ora não há nenhum lugar para onde possam ser levados. O problema é que alguns dos tanques têm apresentado pequenos vazamentos. Datados nos anos 40 e 50, os recipientes originais já liberaram para o solo pelo menos 3,5 milhões de litros de dejetos líquidos. Hanford chegou a construir tanques com dupla proteção nos anos 70 e 80 e começou a transferir para eles os resíduos radioativos. Em outubro de 2012, contudo, o Departamento de Energia informou que um dos novos tanques tinha um vazamento entre as duas camadas de proteção. Ativistas afirmam que querem proteger também a natureza do sul do Estado de Washington Hanford Site/Divulgação Ainda que a dispersão do líquido pareça controlada, existe ainda a preocupação de que outros recipientes eventualmente apresentem a mesma problema. O prefeito de Richland, porém, se diz tranquilo. "Os responsáveis pela segurança de Hanford têm muita competência. Confio plenamente neles. São pessoas que quero que estejam aqui caso aconteça algum problema." Já se cogitou levar os dejetos para os Estados do Novo México e Texas Hanford Site/Divulgação
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05/02 - Os gigantes do mar ameaçados pelo aumento da poluição por plástico
Partículas menores que 5 mm podem ser prejudiciais à saúde dos animais marinhos, em especial os que se alimentam por filtragem, como várias espécies de tubarões e baleias. Apesar do tamanho, tubarões-baleia se alimentam por filtragem de pequenos plânctons, crustácios e peixes e, ao engolir água, ingerem também partículas de plástico suspensas Simon Pierce/Marine Megafauna Foundation Pesquisadores alertam de que os gigantes do mar podem estar correndo riscos reais. Por isso, estão fazendo um apelo por pesquisas sobre o impacto dos microplásticos na saúde de baleias, tubarões e arraias. Estima-se, por exemplo, que algumas baleias podem estar ingerindo centenas de fragmentos todos os dias. O Golfo do México, o Mar Mediterrâneo, a Baía de Bengala e o Triângulo de Corais são áreas consideradas prioritárias para serem monitoradas, de acordo com uma análise de pesquisas já publicadas. Cientistas americanos, australianos e italianos analisaram dados relacionados às ameaças para as espécies chamadas "filtradoras", ou seja, que se alimentam de partículas em suspensão e, por isso, estão mais expostas aos microplásticos. Com menos de 5 milímetros, essas partículas podem ser prejudiciais tanto para os oceanos quanto para a flora e fauna aquática. Contaminações por microplástico podem reduzir o tamanho da população dessas espécies filtradoras. E os pesquisadores avaliam que há poucos estudos sendo conduzidos na tentativa de mensurar esses riscos. "A completa magnitude dos riscos de ingerir microplásticos ainda está para ser investigada", afirma Elitza Germanov, da Universidade Murdoch, na Austrália, que também é pesquisadora da fundação norte-americana Marine Megafauna. Pesquisadores sugerem novos estudos focando em espécies icônicas, como as arraias, para atrair a atenção da comunidade e de políticos Elitza Germanov/Marine Megafauna Foundation Os possíveis riscos incluem a redução de absorção de nutrientes e danos ao sistema digestivo quando microplásticos são ingeridos. Além disso, diz a pesquisadora, a exposição a toxinas por meio da ingestão de plástico pode afetar processos biológicos, como, por exemplo, o crescimento e a reprodução, colocando as espécies que ingerem essas micropartículas ainda sob mais risco. Espécies emblemáticas O estudo que faz um levantamento das evidências já coletadas sobre o impacto do microplástico nos oceanos foi publicado na revista acadêmica Trends in Ecology and Evolution (Tendências em Ecologia e Evolução, em tradução livre). Nele, os pesquisadores argumentam que as maiores espécies filtradoras, muitas delas "economicamente importantes", deveriam ser priorizadas como objeto de estudo em pesquisas futuras sobre os riscos dos microplásticos. Filtradores engolem centenas de metros cúbicos de água diariamente para capturar a comida da água e, nesse processo, podem ingerir plásticos. Os microplásticos são similares, em tamanho e em massa, a muitos tipos de plânctons. Ainda é preciso mensurar os riscos da ingestão de partículas de plástico por animais marinhos, dizem pesquisadores Elitza Germanov/Marine Megafauna Foundation Estudos já indicam a presença de produtos químicos associados a plásticos nos corpos de tubarões-baleia e em baleias-fin (ou baleias-comuns). "Nossos estudos em tubarões-baleia no Mar de Cortez (Pacífico) e com baleias-fin no Mediterrâneo confirma a exposição a produtos tóxicos, indicando que esses animais que se alimentam por filtragem estão retendo microplástico no processo de alimentação", afirma a copesquisadora Maria Fossi, da Universidade de Siena, na Itália. Segundo ela, a exposição a toxinas associadas a esses plásticos representam uma grande ameaça à saúde desses animais. Pode alterar os hormônios que, por sua vez, regulam o crescimento do corpo, desenvolvimento, metabolismo e funções reprodutivas. Partículas de plástico menores que 5mm podem ser prejudiciais à saúde dos animais marinhos, em especial os que se alimentam por filtragem Elitza Germanov/Marine Megafauna Foundation Pesquisadores estimam que tubarões-baleia no Mar de Cortez, no México, têm ingerido uma média de 200 pedaços de plástico por dia. As baleias-fin no Mediterrâneo, 2 mil partículas diárias. Os pesquisadores citam relatórios indicando que 800 quilos de plástico foram encontrados em uma carcaça de uma baleia encalhada na França. Outra, na Austrália, tinha seis metros quadrados de folhas plásticas e 30 sacolas inteiras. O estudo aponta várias regiões apontadas como chave para futuros estudos e monitoramento, onde há uma alta concentração de microplásticos. Espécies emblemáticas, segundo os pesquisadores, devem ser o principal objeto de estudos, especialmente em países que dependem do turismo na fauna marinha. "Vale salientar que o uso dessas espécies icônicas, como os tubarões-baleia, arraia jamanta e baleias para atrair a atenção e envolver comunidades, políticos e administradores podem melhorar o manejo de ecossistemas marinhos", diz Elitza Germanov, que faz doutorado na Universidade Murdoch. Há espécies de tubarões filtradores, arraias e baleias sob risco de extinção ou na lista de animais vulneráveis. Muitas vivem muito, mas se reproduzem pouco.
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04/02 - Doença ameaça dizimar bananas pelo mundo - e uma plantação africana busca a resposta
Enquanto fungo se espalha e causa preocupação na África, polo produtor da fruta, uma fazenda em Moçambique testa nova variedade de planta que dá mostras de ser mais resistente. Não é muito fácil visitar a plantação de banana da fazenda Matanuska, em Moçambique. Depois de uma viagem de duas horas a partir da cidade mais próxima, visitantes são parados na entrada da fazenda e precisam mergulhar os pés em uma piscina de desinfetante. Até os carros precisam limpar as rodas. A gigante plantação de banana no meio de uma planície seca já foi considerada um milagre. Hoje está devastada por uma doença chamada Mal do Panamá, causada por um fungo mortal, o TR4. Ele foi detectado na África pela primeira vez há cinco anos, depois de dizimar milhões de hectares de plantações de banana na Ásia a partir de 1980. O fracasso nas tentativas de conter a doença – que é resistente a fungicidas e não pode ser controlada quimicamente – gera preocupações ao redor do mundo. Poderia a fruta mais exportada do mundo, fonte de nutrientes para milhões de pessoas, estar sob o risco de extinção? Visitantes em Matanuska precisam desinfetar os pés e as rodas dos carros antes de entrar na fazenda BBC A BBC foi o primeiro veículo de imprensa a ter acesso à fazenda desde que ela foi atingida pela doença. E descobriu que, mais além da devastação, a plantação é um caso emblemático sobre as consequências inesperadas e indesejadas da globalização – e sobre a forma como a solução para esses problemas pode vir de lugares improvavéis. Bananas são a fruta mais exportada do mundo BBC Feita a higienização ao entrar na fazenda, visitantes avistam cachos e cachos de banana presos a armações de metal. De lá, centenas de bananas são carregadas para uma área de tratamento antes de serem enviadas para o Oriente Médio em containeres. Cachos de banana são presos em armações de metal antes de serem limpos BBC Supervisor desse processo, o chefe técnico da fazenda, Elie Matabuana, passa todo o tempo olhando cacho por cacho para checar se eles têm as folhas amareladas e o cheio podre característico das plantas contaminadas. "Quando acordo de manhã, a primeira coisa que penso é: o que posso fazer para acabar com essa doença?", diz ele. Elie Matabuana trabalha em Matanuska há três anos para ajudar no combate ao Mal do Panamá BBC "É uma luta enorme, mas estamos vencendo", agrega, antes de se corrigir. "Nós vamos vencer." Contenção Matabuana e sua equipe na fazenda Matanuska lutam uma batalha extremamente difícil. A doença se espalhou rapidamente nos últimos cinco anos. O professor Altus Viljoen, da Universidade Stellenbosch, na África do Sul, estuda o fungo em seu laboratório BBC "Vim para Matanuska pela primeira vez logo após identificarmos o patógeno. Nesse estágio a fazenda ainda era maravilhosa", diz Altus Viljoen, professor da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. Ele foi o primeiro cientista a confirmar que a doença havia de fato se espalhado para além da Ásia. "Eu sabia que a paisagem (das plantações) iria mudar, mas não tinha ideia do tamanho do golpe, de quão severo ele seria." Hoje, restam apenas 100 hectares das plantações de Matanuska. Cerca de dois terços dos 2,7 mil trabalhadores da fazenda foram demitidos, arruinando a economia local. Conter a doença e encontrar uma variedade resistente se tornaram prioridades urgentes. Dois terços dos funcionários da fazenda Matanuska foram demitidos por causa do avanço da doença BBC Cerca de 500 mil pessoas trabalham na indústria bananeira em Moçambique. 'Má sorte' Países vizinhos como a Tanzânia, a 600 km de Matanuska, também têm a economia extremamente dependente do cultivo de banana. Na Uganda e no Congo, as bananas representam 35% da ingestão de nutrientes de boa parte da população. E, embora acredite-se que o tipo da fruta cultivado nesses países seja resistente ao fungo, ninguém sabe com certeza. No Brasil, onde a banana é a fruta mais consumida, a produção chega a 7 milhões de toneladas anuais, segundo medições oficiais, com papel importante no mercado exportador. E a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) diz, em boletim online, que diversas variedades da fruta são suscetíveis ao Mal do Panamá. A recomendação principal, segundo o órgão, é investir em variedades resistentes ao fungo. Antonia Vaz, do Ministério da Agricultura de Moçambique, acredita que a doença tenha vindo com trabalhadores filipinos BBC De volta a Moçambique, a chefe da área de doenças botânicas do Ministério da Agricultura local, Antonia Vaz, afirma que "todos os países africanos estão preocupados com o que está acontecendo aqui". Ela diz que o governo moçambicano implementou medidas para controlar a doença e garantir que ela não se espalhe para o norte. Ela também faz questão de dizer que a doença não é endêmica no país. O governo acredita que ela tenha vindo das botas de trabalhadores rurais das Filipinas. "Foi um grande azar", diz ela. Matanuska deveria cultivar 6 mil hectares de bananas, apenas 300 são produtivos hoje BBC O comércio de banana no mundo movimenta mais de U$ 12 bilhões todos os anos - o que torna a fruta a número um em valor e volume. Não há cura Em geral, quando quantias bilionárias estão em risco, soluções não são muito difíceis de serem encontradas. Mas o problema na luta contra o Mal do Panamá é a maneira como as bananas são cultivadas hoje em dia. Bananas do tipo cavendish, como as nanicas, eram cultivadas em estufas no Reino Unido desde 1840 BBC Embora existam milhares de tipos de banana no mundo, a maior parte da produção mundial hoje é de banana cavendish. No Brasil, a come-se o subtipo dawrf cavendish, conhecido por aqui como banana nanica. Cultivar apenas uma variedade de uma planta em grandes monoculturas é uma prática que se tornou cada vez mais comum no mundo em todas as variedades de produtos – de árvores madeireiras a frutas. O problema é que monoculturas são altamente suscetíveis à doenças. O que torna o caso das bananas ainda pior é que as cavendish são estéreis. Novas plantas são produzidas assexuadamente, o que significa que são idênticas à geração mais antiga. Como elas não são reproduzidas naturalmente, não há seleção natural – o que poderia ajudar no surgimento de espécimes de banana resistentes à doença. A cavendish se tornou a banana mais popular depois que a primeira variedade do fungo do Mal do Panamá dizimou a banana Gros Michel, que até os anos 1950 era a variedade mais comum. Como a cavendish era imune ao fungo, ela passou a ser a mais cultivada. O problema é que a quarta "geração" do fungo, a TR4, agora ataca a cavendish e outras variedades. O Mal do Panamá rapidamente dizimou as plantações, forçando a fazenda a queimar vários hectares BBC O Fusarium Fungus vive no solo e ataca as raízes antes de se espalhar pelo resto da planta. Ele também produz esporos que sobrevivem no solo por décadas, tornando a terra inútil para colheitas não resistentes. Nova esperança Diantede um cenário tão lúgebre, por que continuar a plantar bananas em Matanuska? Há dois motivos principais. Um dele tem a ver com o controle da área. "Se a terra foi simplesmente abandonada e as pessoas se movimentarem por ali, ninguém sabe quem vai carregar a doença e para onde", diz o professor Viljoen. Tricia Wallace largou o emprego no mercado financeiro para investir na fazenda BBC O outro motivo é a esperança de encontrar uma solução. A americana Tricia Wallace é uma ex-investidora do mercado financeiro que ajudou a conseguir financiamento para a fazenda anos atrás, quando a ideia de ter uma plantação de banana nessa parte do mundo parecia uma loucura, uma miragem no deserto. Ela diz que nos primeiros anos de funcionamento da fazenda, "pessoas vinham de outras partes de Moçambique e não conseguiam acreditar (no sucesso)". Merinho Moucar é um dos contratados para cuidar das plantas na fazenda BBC Ante a devastação causada pelo fungo, Wallace diz que sentiu-se na obrigação de garantir que as pessoas não desistissem do projeto e acabou deixando seu trabalho no mercado financeiro para tocar a fazenda. Agora, ela está investindo pesado em um tipo de banana cavendish de Taiwan, conhecido como banana formosana. Essa variedade pode ter a resposta para os problemas, e é o que Matanuska precisa para sobreviver. A banana formosana pode ser resistente ao fungo BBC Até agora os resultados são promissores: 200 hectares da banana formosana estão crescendo na fazenda. E embora algumas das plantas estejam com a doença, elas parecem mais fortes e mais capazes de lutar contra ela. "Se isso der certo, é um grande benefício não só para a indústria bananeira de Moçambique, mas para a região como um todo."
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03/02 - Como cogumelos descobertos por indígenas brasileiros estão conquistando chefs renomados
Pesquisadores catalogaram conhecimento e culinária Yanomami; livro foi o primeiro em língua indígena a vencer o prêmio literário Jabuti. Indígenas utilizam cogumelos como base da dieta e como proteína substituta da carne Arquivo Noemia Ishikawa Se receberem a tarefa de buscar cogumelos comestíveis em uma área de Floresta Amazônica onde estes são abundantes, os maiores especialistas do mundo ficarão em dúvida sobre quais podem ser consumidos com segurança. Mas dê a mesma tarefa a crianças Yanomami e elas certamente voltarão com até 15 opções diferentes da iguaria. Cultivadores de cerca de 15 espécies brasileiras pouco conhecidas de cogumelos, os indígenas os utilizam como base da dieta e como proteína substituta da carne, especialmente quando há escassez de caça. Agora, seu conhecimento e suas receitas começam a conquistar chefs de restaurantes brasileiros. Na língua sanöma, os cogumelos têm nomes como "fígado de anta", "orelha de veado", "croc-croc" e até "ânus peludo", por causa de seu aspecto quando são encontrados nas roças criadas pelos indígenas. Faltava, no entanto, quem registrasse o que está por trás dos nomes anedóticos: as espécies científicas e detalhes como as árvores e épocas do ano nas quais eles crescem, seu sabor e a maneira como podem ser cozidos. "No mundo inteiro, quem tem o conhecimento sobre os cogumelos são os povos tradicionais. Inclusive na Europa e na Ásia, de onde vêm os cogumelos que mais consumimos no Brasil", explica o antropólogo Moreno Saraiva, líder de um levantamento do conhecimento da culinária yanomami feito pelo Instituto Socioambiental (ISA). O levantamento deu origem à obra Ana Amopö: Cogumelos Yanomami, o primeiro livro sobre cogumelos comestíveis do Brasil e o primeiro em língua indígena a ganhar o Jabuti, maior prêmio literário brasileiro, na categoria Gastronomia, em 2017. Nele, são descritas 15 espécies comestíveis da Amazônia consumidas pelos Sanömas, subgrupo dos Yanomami - sete delas registradas cientificamente pela primeira vez. Cogumelos nascem em épocas diferentes do ano, de acordo com o progresso da roça dos Yanomami Moreno Saraiva/ ISA Uma espécie de fungo pode produzir tantas toxinas diferentes, dizem os pesquisadores, que sem saber o que procurar, é quase impossível saber se ele pode ser prejudicial à saúde ou não. "Sempre dá insegurança, porque eu mesmo não consigo distinguir sempre. Tenho medo de entrar na floresta e achar que é uma espécie que eu conheço e ser uma espécie nova. Só conhecemos 3% das espécies comestíveis das cerca de 4 milhões que existem no mundo", disse à BBC Brasil a micologista (especialista em fungos) Noemia Kazue Ishikawa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que também participou do projeto. "Nós sempre estamos nos deparando com coisas novas. Já os Yanomami têm segurança, têm o conhecimento deles e conseguem identificar os grupos que sempre comem." Escassez Os Sanömas vivem nos Awaris, parte da área Yanomami no extremo noroeste de Roraima, quase na fronteira com a Venezuela. Segundo Saraiva, o projeto foi motivado pela necessidade de registrar o conhecimento dos indígenas sobre os alimentos que a floresta oferece para as novas gerações - que vivem em comunidades maiores e mais sedentárias do que as anteriores. "A região em que eles vivem sofreu um impacto grande da presença dos não indígenas e causou uma sedentarização muito grande de comunidades que eram seminômades. Isso gerou uma superexploração dos recursos ambientais da região. A população cresceu muito e começou a haver escassez de alimentos", explica. A partir daí, o instituto ajudou a formar pesquisadores indígenas, que soubessem catalogar e registrar cientificamente o conhecimento tradicional sobre as espécies - mais de 400 delas, incluindo animais e vegetais. O resultado é uma enciclopédia dos alimentos Yanomami, lançada desde 2015 por partes - o livro dos cogumelos é a segunda delas. "Toda a alimentação deles é incrível. É tudo processado por eles, e são ingredientes completamente diferentes dos que usamos nas cidades, com a exceção da mandioca", conta. Pela primeira vez nesse tipo de projeto, os livros foram completamente escritos em língua Yanomami e só depois traduzidos para o português. O resultado final, que venceu o Jabuti, está nas duas línguas. "Eles têm escolas e processos de formação há algumas décadas, mas sempre recebiam livros em português, e ninguém sabia ler em português. Quando eles viram o livro de verdade escrito na língua deles foi muito emocionante", relembra o antropólogo. Pesquisador japonês de cogumelos fez parte de projeto que catalogava conhecimento botânico e gastronômico dos indígenas Arquivo Noemia Ishikawa Mistério do cultivo Para Noemia Ishikawa, a busca pelos cogumelos dos Yanomami é a realização de um projeto que começou há 20 anos, quando ela era uma aluna da graduação - e se perguntava se seria possível estudar o assunto no Brasil. "Em um congresso, o diretor do Inpa me contou que os Yanomami conheciam várias espécies de cogumelos. Eu não tinha ideia, ainda trabalhava com shitake. Ele me chamou para trabalhar lá e disse: 'Venha, a Amazônia precisa de você'. E eu pensei: 'Um dia eu vou'", conta. "Algumas das espécies que registramos agora eu já conhecia há anos, mas finalmente peguei nas mãos pela primeira vez. Fiquei muito feliz, porque eu vinha me preparando tanto para aquilo, como uma atleta. Tudo o que eu estudei nesses anos todos me deu as respostas que a comunidade queria." Uma destas respostas, diz ela, era o porquê de aquela região ter mais cogumelos comestíveis do que outras na floresta. Mas, para resolver o mistério, foi preciso trazer um especialista do Instituto de Micologia de Tottori, no Japão. "Descobrimos que é a maneira como eles preparam a roça que promove o surgimento desses cogumelos. Eles não apenas encontram as espécies. Sem eles, não seria possível tê-las ali", explica. Yanomamis usam partes da floresta como roça de mandioca durante quatro anos, e depois deixam que elas se recuperem Moreno Saraiva/ ISA Tudo começa com a mandioca: os Yanomami cultivam-na o ano inteiro em um sistema de rotação de locais de cultivo. Primeiro, eles identificam um local propício. Depois, derrubam a árvores e queimam as que estão secas. "Não é o mesmo que desmatar a região. É uma atividade que respeita a floresta e espera o tempo da natureza", explica Ishikawa. Uma vez que a terra queimada esfria, as mudas de mandioca são plantadas. E três meses depois, começam a aparecer os primeiros cogumelos em troncos caídos que não foram completamente queimados. "A madeira caída é alimento para os fungos. O fato de eles deixarem os troncos ali é essencial para que existam (os cogumelos). E os índios também dispersam os cogumelos, porque os transportam até as aldeias." Depois de quatro anos, a roça yanomami deixa de produzir mandioca e é abandonada. Mas seu período de recuperação, até se tornar floresta novamente, é quando brotam, de uma vez, todas as 15 espécies comestíveis de cogumelos. Fascínio Uma vez colhidos, os cogumelos são embrulhados em folhas e levados para as aldeias. Lá, são assados na brasa junto com beiju (massa feita com farinha de mandioca) e banana, cozidos com sal e pimenta ou viram pratos mais complexos, misturados com caranguejo, por exemplo. "Tem uma coisa nos cogumelos dos Yanomamis que é o tchan, na minha opinião. Lá só dá para desidratá-los no sol ou no fogo. E o sabor do defumado no fogo é algo que, na maioria dos cogumelos que consumimos hoje, se perdeu", diz Noemia Ishikawa. O sabor - que no caso de algumas espécies é próximo do shitake e, em outras, chega a ser naturalmente picante - atraiu chefs famosos como Alex Atala e o catarinense Felipe Schaedler, do premiado restaurante Banzeiro, em Manaus. Índígenas preparam os cogumelos na brasa com banana e beiju ou cozidos com sal e pimenta Moreno Saraiva/ ISA "Eles têm um sabor pronunciado, com bastante umami (um dos cinco gostos básicos do paladar humano). São muito bons para caldos e risotos. Uns são mais fibrosos e duros, por isso usamos uma mistura deles em pó. Já outros podemos mastigar e se dissolve na boca. Têm uma crocância gostosa e um cheiro incrível", disse Schaedler à BBC Brasil. "Estou usando nos pratos há dois anos e as pessoas adoram. Chego a ficar sem o suficiente porque pedem demais. Além do sabor, as pessoas entendem que estão comendo um pouco da biodiversidade da Amazônia", diz. Atala, por sua vez, trouxe o ingrediente para seus restaurantes em São Paulo e os chama de "fascinantes". "Seis anos atrás, tive os primeiros contatos com o Inpa e ouvi falar sobre o estudo formal dos cogumelos. Essa informação, além de me impressionar, me remeteu ao ano de 2003, quando, em meu primeiro livro, escrevi que não era possível que no Brasil não houvesse cogumelos comestíveis", disse à BBC Brasil. "O estudo de cogumelos em terras brasileiras é muito anterior a isso, mas, infelizmente, a cozinha e a pesquisa e a ciência não souberam conversar para que as coisas andassem mais rápido." Equipe de cientistas registrou e ajudou a identificar cogumelos conhecidos pelos pesquisadores Yanomami Arquivo Noemia Ishikawa 'Troca justa' Os pesquisadores também comemoram o fato de que, além do livro, conseguiram transformar os cogumelos dos Sanöma em um produto que, pouco a pouco, chega a mercados especializados no Brasil. "A recepção em geral foi muito boa, mas sabemos que ainda é um produto mais caro do que gostaríamos. Para chegar à mesa das pessoas e no mercado dá trabalho. São dias de caminhada, pega-se um barco, pega-se um pequeno avião na Floresta Amazônica para chegar em Boa Vista, que está há 5 mil quilômetros de São Paulo, por exemplo", diz Moreno Saraiva. "E queremos pagar um preço justo aos Yanomami. Ninguém tem lucro de verdade com essa cadeia de produção", diz Moreno Saraiva. Os cogumelos são coletados pelos índios Sanöma nos Awaris, que ganham por quantidade entregue ao membro da aldeia que organiza a coleta. "Todos os Yanomami hoje têm demanda por produtos manufaturados da cidade para fazer as coisas básicas da sua vida: sandálias Havaianas, sabão para lavar roupa, facão, machado para a construção, sal, fósforo para acender fogo. Por isso, estão buscando projetos de geração de renda com o conhecimento que têm", explica o antropólogo. "Eles podem escolher se recebem pela coleta dos cogumelos em dinheiro ou em mercadorias. Temos uma ficha com os produtos que eles mais pedem e o preço em gramas. Por exemplo, um par de Havaianas custa 50 gramas de cogumelos de qualquer espécie. E um facão custa 75 gramas." O que os indígenas querem, diz Saraiva, é ter "uma troca mais justa" com a sociedade fora das aldeias. Aos que acham estranho que comunidades indígenas sintam necessidade de fósforos, chinelos ou facões, o antropólogo lembra que o contato com os colonizadores europeus - mais de 500 anos atrás - transformou profundamente todos os povos, mesmo os mais isolados. Essa transformação não os torna menos indígenas, afirma, mas também não tem volta. "Mesmo sem eles terem contato direto com os europeus, sabemos que indígenas de todo o continente recebiam as ferramentas de metal por complexas redes de trocas. Os produtos viajavam milhares de quilômetros nessas redes. Antes mesmo de conhecer europeus, os Yanomami já conheciam essas ferramentas." "Hoje, a vida cotidiana deles está baseada em alguns produtos manufaturados, sim. Por que querem Havaianas e fósforos, se podem andar descalços e fazer fogo? Ora, porque é mais fácil, seguro e prático." Para Noemia Ishikawa, cujo avô foi um dos pioneiros do cultivo do cogumelo japonês shitake no Brasil nos anos 1960, levar as espécies dos Yanomami para a gastronomia é o "amarrar de pontas" que pode permitir ao país dar um salto na produção sustentável de alimentos locais. "Vemos estudos sobre cogumelos cultivados por indígenas em todos os países da América Latina há decadas. Mas ninguém conseguiu levar um produto ao mercado. Me pergunto por que cultivamos toneladas de cogumelos da Europa e da Ásia se temos cogumelos do Brasil", diz. "Dá alegria ver que o cogumelo pode ser uma fonte de renda para os indígenas. E é emocionante ver o quanto aquelas espécies também são importantes na dieta deles e devem ter ajudado que eles chegassem nos dias de hoje. As pessoas precisam saber disso."
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03/02 - O brasileiro que busca novas espécies em grãos de areia da praia - e já encontrou 140
Briozoários são seres invertebrados encontrados em ambientes aquáticos, desde poças rasas até regiões mais profundas. Biólogo Leandro Vieira tem seu zoo em miniatura dessas espécies, e várias moram exclusivamente em grãos de areia. Reptadeonella granulosa, uma espécie de briozoário descrita para o litoral Norte de São Paulo Divulgação Para a maioria das pessoas, um grão de areia da praia é apenas um grão de areia do mar. Para os olhos treinados de um biólogo marinho, no entanto, cada um deles pode se revelar um habitat para várias espécies de animais. A grande maioria delas é de briozoários, um grupo de seres aquáticos, invertebrados e sésseis (que vivem num substrato, como os corais). Mas também podem ser encontrados poliquetos (minhocas marinhas) e outros pequenos invertebrados, além de pequenos crustáceos e nematoides (vermes). Desse verdadeiro zoológico em miniatura, o biólogo Leandro Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), escolheu os briozoários como seu objeto de estudo, aos quais se dedica desde que entrou no curso de Ciências Biológicas, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em 2001. Antes do seu trabalho, poucos deles eram conhecidos no Brasil. Nos últimos anos, ele já descobriu e descreveu cientificamente 140 novas espécies, das quais 18 que vivem exclusivamente em colônias em grãos de areia. Vieira explica que elas são formadas por vários indivíduos, denominados zooides, com cerca de 0,5 mm de comprimento, cada um com uma estrutura de alimentação (lofóforo), responsável por capturar alimento em suspensão, e um exoesqueleto calcário ou quitinoso (feito de quitina, o que lhe confere rigidez). "Algumas vivem num simples grão de areia e têm até três indivíduos", diz. "Outras, no entanto, podem chegar a alguns centímetros, atingindo até o tamanho de uma bola de basquete." Uma característica comum a todas as espécies é que as colônias são polimórficas, ou seja, formadas por zooides de morfologias distintas de acordo com suas funções. Entre eles, há o autozooide, que é unidade básica e alimentar do grupo. Os outros indivíduos podem apresentar funções diversas, incluindo reprodução (gonozooides), sustentação e formação da colônia (cenozooides)." Esses invertebrados são encontrados em ambientes aquáticos marinhos, estuarinos (água salobra) ou água doce, desde o raso até regiões mais profundas. Por serem sésseis, dependem de um substrato para crescer, podendo viver em estruturas rígidas como rochas, pedras, algas, outros animais (como corais e crustáceos), ou até mesmo em diminutos grãos de areia. Klugerella petasus, uma espécies de briozoário descrita para o Brasil. A foto tirada no Microscópio Eletrônico de Varredura mostra a complexidade do exoesqueleto dos briozoários Divulgação No caso desses últimos, sua existência foi relatada pela primeira vez em 1986, na Flórida, e redescoberta em São Paulo, durante Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (BIOTA-Fapesp). "Apesar de pouca conhecida, essa fauna é provavelmente comum, já tendo sido encontrada em vários locais do mundo, incluindo Japão e Austrália e no litoral brasileiro", diz Vieira. Na Flórida, nos Estados Unidos, por exemplo, onde os estudos sobre ela são mais antigos, descobriu-se que em apenas um metro quadrado de areia, com 10 centímetros de profundidade, podem viver até 7,5 mil colônias. No Brasil, esse número chega a 300, de pelo menos 20 tipos diferentes. No mundo todo, são conhecidas atualmente cerca 6 mil espécies de briozoários, com outros 15 mil fósseis já descritos. No país, há perto de 450, das quais um terço foi descoberto nos últimos dez anos. Amathia evelinae - espécie descrita em 2014, no litoral Norte de São Paulo Divulgação De acordo com Vieira, para que esses animais ocupem esse tipo de habitat são necessárias condições especiais no ambiente marinho. Uma delas é que a profundidade do mar esteja entre 6 metros e 45 metros. Outra é que os grãos de areia tenham tamanho variado, com mais de 0,5 mm de diâmetro, formas irregulares e apresentem uma mistura de fragmentos de conchas de moluscos. Além disso, deve existir uma grande quantidade de matéria orgânica na água, para fornecer alimento para os briozoários, e uma baixa taxa de sedimentação, impedindo o acúmulo de partículas muito fina na superfície do grupo (evitando a morte dos animais). "Todas essas condições em conjunto criam um espaço adequado para eles se alimentarem e para o crescimento da colônia, evitando também a morte das mais jovens", explica Vieira. Segundo ele, um fato interessante é que, nesse ambiente, algumas espécies ocorrem exclusivamente em fragmentos de conchas, e outras somente nos pequenos grãos de quartzo (com tamanho entre 0,5 e 1 mm de diâmetro). "Outro fato curioso é que a grande maioria das colônias de grão de areia é transparente, em contraste com as bem coloridas que ocorrem em outros substratos, como corais e algas marinhas", diz Vieira. Como esse ambiente é instável, devido à abrasão entre os grãos de areia e o microambiente criado pelas condições fisico-químicas da água, os briozoários desse habitat se reproduzem rapidamente, o que favorece a sua dispersão. Exoesqueleto de Reptadeonella granulosa observado no Microscópio eletrônico de varredura, que é essencial para o estudo desses animais Divulgação Por serem geralmente abundantes, esses animais são componentes importantes dos ecossistemas aquáticos, sobretudo marinhos. "Como são dominantes em muitas comunidades bentônicas, eles têm grande importância ecológica, incluindo a colonização do substrato e formação de novos habitats para outros invertebrados, como, por exemplo, pequenos crustáceos e anelídeos", diz Vieira. "Briozoários também servem como alimento para outros invertebrados marinhos, como algumas lesmas-do-mar e aranhas-do-mar, consideradas seus principais predadores." A maior parte das suas pesquisas Vieira fez durante o mestrado (2006-2008), o doutorado (2008-2012) e pós-doutorado (2013-2014), todos realizados no Centro de Biologia Marinha da USP. "As 18 novas espécies que vivem em grãos de areia foram descobertas no litoral norte de São Paulo por mim e pela pesquisadora americana Judith Winston, em 2013", conta. "Esses animais são um caso bem específico dentro do filo dos briozoários. Uma larva se prende ao grão de areia, formando assim uma colônia que fica sobre ele." O trabalho do pesquisador continua. Nos últimos três anos, desde que ele ingressou na UFPE, em 2014, e criou Laboratório de Estudos de Bryozoa (LAEBry), várias espécies novas estão sendo descritas no Nordeste, principalmente como resultado do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da universidade. Além disso, a atuação do grupo que Vieira coordena já descobriu dezenas de novas espécies de briozoários que ainda precisam ser formalmente descritas. "Acredito que o número das que serão que serão descritas por pesquisadores brasileiros deve aumentar consideravelmente nos próximos anos", prevê.
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03/02 - Em busca dos segredos da salamandra, única em regenerar órgãos lesionados e membros amputados
Há algum tempo esses animais são estudados por sua extraordinária capacidade de regeneração. Agora, um mapa genético do axolote mexicano poderá aprofundar tais conhecimentos. Se há uma criatura que, por suas características biológicas, tem atraído o interesse dos cientistas por décadas é a salamandra. Isso principalmente porque ela é o único animal vertebrado capaz de se regenerar. O axolote mexicano tem o maior genoma já identificado - e dez vez maior do que o dos humanos Research Institute of Molecular Pathology (IMP) No grupo desses anfíbios, destaca-se o axolote mexicano (Ambystoma mexicanum) por sua extraordinária habilidade de regenerar extremidades amputadas, órgãos e tecidos. Se esses animais perdem uma extremidade, ela pode ser recuperada em questão de semanas - com todos os ossos, músculos e nervos no lugar certo. Ainda mais fascinante, segundo pesquisadores, é a habilidade do axolote de reparar inteiramente sua medula espinhal quando esta sofre uma lesão. Feridas também são recuperadas sem deixar cicatrizes. O axolote está em perigo de extinção em seu habitat natural Research Institute of Molecular Pathology (IMP) Mas não é só isso. Esse anfíbio, que está em perigo de extinção em seu habitat natural, também tem atraído o interesse de estudiosos por sua relativa facilidade de reprodução. Por isso, há cerca de 150 anos pesquisadores têm cultivado esses animais em laboratório de forma a, eventualmente, aproveitar seus extraordinários processos biológicos na medicina humana - por exemplo, na reparação de lesões no cérebro ou na medula espinhal. Depois de tantos anos, uma equipe internacional de cientistas conquistou recentemente um feito histórico: mapeou o genoma desse animal, o maior já identificado até agora. O anfíbio tem 32 bilhões de pares de bases de DNA, dez vezes maior que o genoma humano, com 3,2 bilhões de pares. Elly Tanaka tem um dos maiores laboratórios de cultivo de axolotes Research Institute of Molecular Pathology (IMP) "Essa descoberta será uma poderosa ferramenta para estudar a base molecular da regeneração das extremidades e de outras formas de regeneração", afirma um estudo publicado na revista científica Nature. Sequenciação A médica Elly Tanaka, do Instituto de Pesquisa de Patologia Molecular de Viena, cultiva em laboratório uma das maiores populações de axolotes. Ela é parte da equipe que conseguiu revelar as sequências genéticas do animal, permitindo aos pesquisadores identificar as células encarregadas de reiniciar o processo de regeneração e descrever os circuitos moleculares que controlam esses processos. Mas, para entender detalhadamente como funciona a regeneração e por que esse processo é tão limitado na maioria das espécies, os estudiosos precisavam ter acesso aos dados genômicos do anfíbio de forma a estudar sua evolução e regulação genética. Axolote Image caption O axolote é o único vertebrado capaz de regenerar extremidades amputadas, além de órgãos e tecidos danificados Research Institute of Molecular Pathology (IMP) "Agora temos o mapa (genético) em nossas mãos para investigar como estruturas tão complicadas como as extremidades podem se regenerar", diz Sergei Nowoshilow, coautor do estudo. "Este é um momento decisivo para a comunidade de cientistas que trabalha com os axolotes - um verdadeiro marco em uma aventura de pesquisas que começou há mais de 150 anos".
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02/02 - Relatório desmonta crença no uso de tecnologias para combater o aquecimento global
 “As tecnologias de emissões negativas são muito interessantes, mas não são uma alternativa para redução rápida de emissões de CO2”. A frase foi dita pelo professor  John Shepherd, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, um dos autores do estudo divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo Conselho Consultivo de Ciências das Academias Europeias (Easac, na sigla em inglês), mostrando que as tecnologias não são uma bala de prata contra os efeitos do aquecimento no planeta, como muitos esperam. O Easac assessora a União Europeia e é formado pelas academias científicas nacionais dos 28 estados membros.   Não vai funcionar, é simples assim. E, o que é pior: as tecnologias sugeridas pelos cientistas do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês)  podem causar ainda mais aquecimento.  O IPCC calcula que cerca de 12 bilhões de toneladas precisarão ser capturadas, anualmente, e armazenadas após 2050 - o equivalente a cerca de um terço de todas as emissões globais hoje.   Para se ter uma ideia, o relatório avalia uma variedade de tecnologias possíveis, incluindo a "bioenergia com captura e armazenamento de carbono" (BECCS), na qual os cientistas do IPCC apostam quase todas as fichas. Trata-se de uma técnica que consiste em plantar árvores que absorvem CO2 da atmosfera e depois queimá-las para produzir eletricidade, enquanto os gases são capturados e enterrados. Parece um processo complexo, e é. O diretor do programa do Easac, e outro autor do relatório, Michael Norton, disse ao jornal “The Guardian” que a técnica tem problemas:   “Tem que ter territórios muito extensos e poderia haver uma extinção em massa de animais selvagens”, avisa ele. Faz sentido, já que a ideia é criar florestas e mais florestas com um único tipo de árvore. E a monocultura, como  dizem os ambientalistas e estudiosos sobre o assunto, não é amiga da biodiversidade.   No relatório do Conselho, os cientistas atestam algo que há algum tempo preocupava apenas os ecossocioeconomistas. São estudiosos que enxergam nas tecnologias de captura de carbono um outro viés, como práticas muito caras, que não podem ser adotadas por países pobres. Tais práticas poderiam aumentar ainda mais o fosso já profundo entre os pobres e os ricos. O Acordo de Paris prevê que os países desenvolvidos invistam 100 bilhões de dólares por ano em medidas de combate à mudança do clima e em adaptação nos países pobres. Mas ainda é grande a distância entre o que é exigência oficial, não obrigatória, e  o que, de fato, será feito.   Busquei algum exemplo bem-sucedido de técnicas de emissões negativas no mundo e encontrei o caso de uma usina de energia em Hellisheiði, na Islândia. A planta produz apenas cerca de um terço do carbono que uma planta de carvão tradicional seria – mas mais do que o que ele emite é capturado e armazenado no subsolo.  Para isso, ela tem uma parede de ventiladores que filtra o CO2 e o injeta na água que é, então,  bombeada para o chão, onde se torna pedra.   É um processo até simples, esclarecem os pesquisadores. Mas tem um problema de difícil solução: é caro.  Já que é assim, por que não respeitar, portanto, práticas e técnicas que não envolvem custos astronômicos e que exercem a mesma função?   Pesquisei algo nesse sentido e encontrei um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Guiana, na França, em parceria com órgãos brasileiros e peruanos como o Instituto de Investigações da Amazônia Peruana e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).  A pesquisa avaliou, durante dez anos (entre 2002 e 2012), as mudanças em áreas de florestas não desmatadas e áreas que sofreram corte seletivo. Os pesquisadores analisaram mais de 113 áreas de floresta permanente e 13 áreas afetadas experimentalmente, em diferentes regiões da Amazônia. Após a análise dos dados, observou-se que, ao longo da primeira década após o corte, as árvores mais velhas que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO2 do que as mais novas.   Segundo a pesquisa, de 1999 a 2002 a extensão da exploração madeireira seletiva na Amazônia brasileira foi equivalente ao desmatamento no mesmo período. A situação resultou em emissões de mais de 90 milhões de toneladas de carbono por ano, que aumentaram as emissões antropogênicas de carbono em 25% em relação ao desmatamento sozinho.   Chama-se a esta prática de manejo florestal, muito usada também pelos indígenas, povos tradicionais que poderiam dar sugestões bem possíveis para os cientistas que tentam achar soluções mirabolantes para o aquecimento global. A prática de manejo das capoeiras, retirando árvores mais velhas ou mesmo algumas novas,  mas crescidas, respeitando seu tempo de dispersar as sementes na terra, é barata. Dá mais trabalho, exige maior contato com o meio ambiente.   Os indígenas têm muito a compartilhar sobre esta e outras práticas. Basta incluí-los, assim como a todos os outros povos que precisam da floresta, nas mesas de negociações e debates. Isto não é feito porque há um descrédito arraigado. Wolfgang  Sachs, ambientalista alemão que organizou o livro “The Development Dictionary” (Ed. Z, ainda sem tradução no Brasil) , chama de ecocracia o discurso daqueles que acreditam no casamento entre meio ambiente e desenvolvimento sem se preocupar em reconsiderar a lógica do produtivismo “que está na raiz das dificuldades ecológicas que o planeta está atravessando”.   “Esta crença reduz a ecologia a um conjunto de estratégias gerenciais de eficiência de recursos e gerenciamento de riscos. Trata como se fosse um problema de tecnologia o que, de fato, não passa de um impasse civilizatório”, escreve ele.   Neste cenário, as sociedades que não escolheram investir toda a sua energia em produção acabam se tornando inaceitáveis para o Ocidente. A percepção ecocrática torna-se cega à diversidade fora da economia do Ocidente.
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