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19/11 - Grupo hoteleiro português cancela construção de resort em área reivindicada por tribo na Bahia
Decisão saiu depois de integrantes da tribo Tupinambá de Olivença protestarem contra a construção. Grupo alega que projeto foi aprovado pela Embratur. Indígenas protestam na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Líderes de 26 tribos das etinias Pataxó e Tupinambá estão em Brasília pela regularização de territórios e por uma série de ações e reuniões com representantes do governo e da sociedade André Coelho/AFP O grupo hoteleiro português Vila Galé anunciou que vai cancelar a construção de um resort de luxo no litoral da Bahia. A decisão, divulgada na segunda-feira (18), saiu depois de integrantes da tribo Tupinambá, além da pressão pública, protestarem contra o anúncio. A informação da construção do resort foi divulgada depois da Embratur, subordinada ao Ministério do Turismo, enviar um ofício à Funai manifestando "interesse no encerramento" do processo de demarcação de terras do povo Tupinambá. Na ocasião, o grupo Vila Galé afirmou que traria R$ 200 milhões e geraria cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos. Por causa disso, o grupo de indígenas chegou a fazer uma mobilização em Brasília, no mês passado, para cobrar maior celeridade no processo de finalização da demarcação de terras do grupo. Com uma população de 4.631 indígenas, a tribo Tupinambá de Olivença luta desde 2003 para que a terra seja declarada como reserva. A Fundação Nacional do Índio (Funai) aprovou o pedido em 2009, e a Justiça decidiu unanimemente em favor aos tupinambás em 2016. No entanto, a tribo ainda precisa da assinatura final do Ministério da Justiça e do presidente Jair Bolsonaro para que o status de proteção do território se torne oficial. Apesar dos múltiplos pedidos, nada foi feito desde então. Na semana passada, o Conselho Nacional de Direitos Humanos demandou que o governo Bolsonaro acelere a demarcação final da terra Tupinambá, localizada na Mata Atlântica no sul da Bahia. Apesar disso, o presidente ainda não manifestou qualquer decisão sobre o caso específico, mas declarou em diversas ocasiões que não pretende conceder mais territórios para grupos indígenas, alegando que há "muita terra para poucos indígenas". Lideranças Tupinambá em Brasília cobram maior agilidade no processo de demarcação de terras. Ao centro, de amarelo, está o cacique Ramon Tupinambá Ramon Tupinambá/Arquivo pessoal O Vila Galé informou que um empresário local ofereceu-lhe o terreno em 2018. Representantes dos governos municipal e estadual aprovaram o projeto, assim como o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). O grupo hoteleiro anunciou o projeto no site, indicando que a inauguração estava prevista para 2021. O CEO da companhia, Jorge Rebelo de Almeida, insistentemente negou a existência de qualquer presença indígena no local em questão, uma alegação reiterada por um comunicado divulgado à imprensa portuguesa na segunda-feira. "No local e em um raio de muitos quilômetros, não havia nem há qualquer tipo de ocupação/utilização, nem sinais de qualquer atividade extrativista por parte de quem quer que seja. Não existe qualquer reserva indígena decretada para esta área, nem previsão de a vir a ser”, afirmou o comunicado. Em resposta ao documento e às pressões políticas, públicas e da imprensa portuguesa, a companhia insistiu que aguardaria até a decisão final do Ministério da Justiça e de Bolsonaro. No comunicado de segunda-feira, entretanto, a companhia informou que abandonaria o projeto por não querer que seu hotel siga em frente "com a iminência de um 'clima de guerra'", que classifica como "injusto" e "sem fundamento". De acordo com a Constituição Brasileira, que garante o direito indígena sobre as terras ancestrais, e um decreto presidencial de 1996, qualquer construção em território já demarcado pela Funai pode ser confiscada sem compensação. "Este projeto de hotel é totalmente ilegal. O direito dos índios à terra independe da sua demarcação", disse Juliana Batista, advogada do Instituto Socioambiental, uma organização não governamental que defende os direitos indígenas. Ela acrescentou que autoridades locais seguiram adiante e licenciaram o projeto do hotel sem envolver agências federais. Veja mais notícias no G1 Bahia.
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19/11 - Britânica de 24 anos cria alternativa ao plástico feita de restos de peixe e ganha prêmio internacional
Lucy Hughes ganhou prêmio James Dyson pelo seu material biodegradável que pode substituir sacolas de padaria. Designer britânica Lucy Hughes, de 24 anos, criou alternativa ao plástico feita de restos de peixe que é biodegradável Dyson Imagery Uma designer britânica de 24 anos criou uma alternativa ao plástico feita de restos de peixe e ganhou um prêmio internacional por isso. O material, batizado de MarinaTex, é feito de restos de peixe descartados que acabam em aterros ou em usinas de incineração. De acordo com um relatório das Nações Unidas, 27% dos peixes que são apanhados e retirados do mar nunca são consumidos. Lucy Hughes, inventora do material, que é translúcido, resistente e flexível, conduziu uma pesquisa na costa do Reino Unido e descobriu que, com sua flexibilidade e força, pele e escamas de peixes eram boas fontes para alternativas a plástico. Ela juntou os restos de peixe com algas vermelhas, entre outras coisas, para criar o MarinaTex. O material que ela criou, diferente de outros tipos de bioplástico, biodegrada em temperaturas normais. Isso significa que pode ser jogado fora em composteiras. Hughes diz que o material pode ser usado como sacos de padarias, por exemplo, "que às vezes são usados durante um total de 15 segundos", assim como para embrulhar sanduíches ou como pequenas sacolas para outras coisas. O material é feito de restos de peixe combinados com alga Dyson Imagery Sustentabilidade A invenção de Lucy Hughes ganhou o prestigioso prêmio internacional James Dyson, para a nova geração de inventores. No prêmio, derrotou 1.078 outros inscritos do mundo inteiro, e Hughes ganhou 30 mil libras (cerca de R$ 164 mil). A Fundação James Dyson diz que 2019 teve o maior número de inscrições de mulheres, espalhadas pelas 27 nações que participaram, desde seu começo, em 2007. O prêmio, para estudantes, propõe que os inscritos "projetem algo que resolva um problema". O fundador do prêmio, James Dyson, diz que a invenção de Hughes "resolve elegantemente" ao mesmo tempo o problema do plástico usado apenas uma vez e o problema de restos de peixe sem utilização. "É louco que eu tenha ganhado, especialmente com os outros inscritos com invenções realmente inovadoras que resolviam questões urgentes", diz a inventora. Hughes estudou design industrial na Universidade de Sussex, perto da zona costeira do sul do Reino Unido, e o material que criou foi seu projeto final antes de se formar. A alternativa para plástico criada por Hughes pode substituir sacos de padaria; na foto, o invento de Hughes por cima de um saco de padaria Dyson Imagery "Para mim, a sustentabilidade nunca ficou em último lugar", ela diz, comentando sobre como o processo de design de produtos é feito "tradicionalmente de maneira bem linear". "Pegamos o material, fazemos algo com ele e depois o descartamos." Para ela, no entanto, o impacto ambiental é parte integral de qualquer coisa que projeta. Sua mãe diz que ela sempre teve um cérebro "tridimensional", e que, quando chegava da escola, fazia a lição de casa antes de qualquer coisa. Depois de trabalhar no desenvolvimento do material durante um ano — e ganhar o prêmio— Hughes diz que "ainda está no começo". "O próximo passo de desenvolvimento é verificar como manufaturar o material em massa."
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19/11 - Com ritmo atual de desmatamento, Amazônia chega a 'ponto de não retorno' em até 30 anos, diz pesquisador
Cientista especializado em mudanças climáticas alerta para 'ponto de não-retorno' a partir do qual Amazônia não se recupera mais; impacto afetaria toda a América Latina, diz Carlos Nobre à BBC News Brasil. Desmatamento em Apuí, no Amazonas, região em que fiscais do Ibama realizaram operação em 27 de junho. Bruno Kelly/Reuters O desmatamento pode estar levando a floresta amazônica para uma situação na qual o bioma não consegue mais se regenerar diante das agressões provocadas pelo homem. Se o ritmo atual de devastação for mantido (ou aumentar), este "ponto de não retorno" pode chegar já em algum momento entre 15 a 30 anos. O alerta é de um dos principais estudiosos do tema no país, o climatologista Carlos Nobre. Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% em um ano Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia Taxa oficial de desmatamento é 42% maior do que apontava sistema de alertas do Inpe Nobre conversou com a BBC News Brasil na segunda-feira (18), depois que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou um aumento de 29,5% no ritmo do desmatamento da Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019. Segundo o sistema Prodes, do Inpe, o país perdeu 9.762 km² de floresta neste período — ante 7.536 km² desmatados na medição anterior. A taxa divulgada nesta segunda é a maior desde 2008, quando quase 13 mil km² de floresta foram destruídos. Os dados do Prodes levam em conta o período de agosto a julho por conta do ciclo de chuvas da região. Desmatamento na Amazônia - dados do Prodes Rodrigo Sanches/G1 Segundo Carlos Nobre, há evidências de que o "ponto de não retorno" está prestes a ser atingido em alguns locais da floresta, especialmente nas regiões sul e leste — a estação seca do ano está ficando mais longa nesses locais, e a temperatura está subindo. "Nossos cálculos indicam que se o desmatamento continuar nesta taxa — em toda a Amazônia, não estou falando apenas da (floresta) brasileira — ou se subir, temos de 15 a 30 anos no máximo antes disso, antes de ultrapassarmos irreversivelmente este ponto", disse ele na entrevista à BBC News Brasil. Os dados sobre o desmatamento na Amazônia tornaram-se fonte de desgaste para o governo em julho e agosto deste ano, quando medições preliminares de outro sistema do Inpe, o Deter, apontaram para um crescimento do desmatamento. Em 19 de julho, num café da manhã com jornalistas, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que os dados preliminares do Inpe não eram corretos — e que o então presidente do Instituto, o físico Ricardo Galvão, estaria "a serviço de alguma ONG (organização não-governamental)". A crise resultou na demissão de Ricardo Galvão do comando do Inpe, no começo de agosto. Carlos Nobre GloboNews Agora, diz Carlos Nobre, as informações do Prodes (que tem nível de confiança superior a 95%) confirmam as suspeitas levantadas pelo Deter sobre o aumento no desmatamento. "Era muito correto afirmar que haveria um aumento muito significativo do desmatamento, e o Prodes confirmou. Não há dúvida disso", disse. Os dados divulgados na segunda-feira não dizem respeito somente à gestão de Jair Bolsonaro, iniciada em janeiro de 2019. Mesmo assim, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu em entrevista a jornalistas na segunda-feira que será preciso "adotar uma estratégia diferente", articulada com os governos estaduais, para combater o aumento no desmatamento. Jair Bolsonaro tem criado polêmicas com ambientalistas desde a campanha eleitoral de 2018. Durante a campanha, disse repetidas vezes que não faria a demarcação de novas terras para indígenas e quilombolas, além de criticar o trabalho da fiscalização ambiental. Depois de eleito, enviou ao Congresso medida para fundir a pasta do Meio Ambiente com a Agricultura — mas a proposta foi rejeitada. Mesmo assim, alterações na estrutura do órgão fizeram com que o Meio Ambiente perdesse quase 20% de seus analistas. Já no Ibama, os sinais emitidos por Brasília e a falta de dirigentes nas unidades do órgão fizeram com que o número de multas caísse apesar do aumento do desmatamento. Carlos Nobre é doutor em meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), e já presidiu o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, além de ter integrado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil - Quão graves são os dados do Prodes publicados pelo Inpe nesta segunda-feira? Deveríamos estar preocupados? Carlos Nobre - Devemos sim ficar bem preocupados. Os dados mostram um aumento considerável do desmatamento, na verdade uma continuidade no aumento que é observado desde 2015. (O desmatamento) deu um salto. Chegando perto de 10 mil quilômetros quadrados (desmatados), e um crescimento de quase 30% em relação a 2018. Logicamente que isso é bastante preocupante, e eu acho que não dá mais para continuar na inação. É preciso uma ação muito rigorosa agora para reduzir o desmatamento e as queimadas na Amazônia, que em grande parte são ilegais. BBC News Brasil - Ao longo deste ano, falou-se muito sobre um estudo do senhor a respeito de um "ponto de não retorno" da Amazônia, isto é, um certo limite do desmatamento a partir do qual a floresta se tornaria uma savana, parecida com o Cerrado. O quão perto estamos disso? Carlos Nobre - Olha, nós temos uma série de sinais (de problemas) vindos da região amazônica, (especialmente) do sul e do leste da Amazônia. A estação seca (nestes locais) está ficando mais longa. Se ela passar de quatro meses, atingimos esse ponto de não retorno. Está ficando mais quente também. Então são vários sinais de que o sul e o leste da Amazônia estão chegando perto desse ponto de não retorno. Foto aérea registrada pela Reuters mostra madeira que, segundo a agência, foi retirada ilegalmente da Amazônia em Anapu, municipio do Pará, em setembro Nacho Doce/Reuters Nossos cálculos indicam que se o desmatamento continuar nesta taxa — em toda a Amazônia, não estou falando apenas da (floresta) brasileira — ou se subir, temos de 15 a 30 anos no máximo antes disso, antes de ultrapassarmos irreversivelmente este ponto. BBC News Brasil - E nesse caso, as consequências não seriam sentidas apenas naquela região. Carlos Nobre - Impacta o clima da Amazônia, (mas também) impacta o clima de outros lugares da América Latina. Por exemplo, a floresta esfria o ambiente, mantém as temperaturas mais baixas. Se você desmata, as temperaturas aumentam aí qualquer coisa entre 2 e 3 graus (Celsius). Esse ar mais frio que passa pela Amazônia ele chega ao Cerrado, então você já teria um aumento de temperatura no Cerrado, que já é quente. Então prejudicaria a produtividade agrícola e a vegetação do Cerrado. Há muitos estudos que indicam também que o vapor d'água que passa pela Amazônia alimenta as chuvas no sul da bacia do (Rio da) Prata (na Argentina). E pode ter influência também nas chuvas em outras partes do Brasil, ainda que os estudos científicos ainda não tenham descrito todos os mecanismos em detalhe, mas pode ter impacto em outras regiões também. BBC News Brasil - É possível estimar quantos desses 9.762 km² quadrados de desmatamento apurados pelo Prodes são fruto da derrubada ilegal? Carlos Nobre - Olha, não dá para dizer em área. Mas o que é possível dizer, de forma qualitativa, é que aproximadamente 90% do desmatamento detectado pelo sistema Deter (do Inpe) são ilegais. São de dois tipos. 40% disso é roubo de terra, grilagem. E o restante é desmatamento em propriedade privada, mas sem autorização legal para este desmatamento. Para você desmatar em propriedade privada, é preciso permissão (do órgão ambiental). Na maioria dos casos são desmatamentos que excedem o limite da reserva legal, ou invade uma área de proteção permanente, como uma nascente ou a margem de um rio. BBC News Brasil - Algumas pessoas insistem em uma oposição entre preservação da Amazônia e a realização de atividades produtivas naquela região. Como é a dinâmica do desmatamento naquele bioma? Carlos Nobre - Algo acima de 80%, ou perto de 90% do desmatamento na região é ilegal, como já dissemos. Então (o desmatamento) é muito controlado pelo crime organizado, pela grilagem, pelo roubo de terra. Então não tem uma verificação muito robusta, científica, que dê sustentação à ideia de que o desmatamento está reduzindo a pobreza (da população da Amazônia). De que está havendo um grande aumento da produção agropecuária, de que as famílias estão se beneficiando. Isso não existe. Não existe relação entre o aumento do desmatamento e a redução da pobreza, a redução da desigualdade (na região). E eu não estou falando sobre o ano de 2019. Eu estou falando dos últimos 50 anos nos quais existe essa prática. Na Amazônia, o desmatamento está muito associado com o crime. Alguns criminosos ganham (com o desmatamento). Alguns criminosos ganham muito. Mas grande parte da população não tem qualquer benefício. Você pega, por exemplo, uma grande fazenda de pecuária: ela contrata pouquíssimos empregados, que quando ganham um salário mínimo estão ganhando bem. Então não é um modelo que reduz a pobreza ou que traz bem-estar à população amazônica. Área de desmatamento nos estados, segundo dados do Prodes em 2019 (agosto/18 - julho/19) Rodrigo Sanches/Arte G1 BBC News Brasil - O número de 2019, mesmo sendo muito alto, está abaixo das taxas que ocorriam até 2008. O que é que foi feito para baixar o desmatamento de lá para cá? Carlos Nobre - O que aconteceu foi um plano chamado PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal). Foi muito efetivo entre 2005 e 2014. Reduziu o desmatamento em 75%. Foi uma soma de três ações principais, mas a mais efetiva foi (o aumento da) fiscalização, com uma articulação importante entre Polícia Federal, Ibama, órgãos estaduais de meio ambiente, polícias militares, Ministério Público. Essas ações de fiscalização de campo foram devidamente financiadas e começou a aumentar muito o risco do criminoso ambiental, reduzindo o desmatamento. Não podemos esquecer que de 2005 a 2014 a produção agropecuária da Amazônia dobrou. Dobrou. Então produção não tem nada a ver com o desmatamento. A outra política foi de incentivo aos municípios que reduziram o desmatamento, e punição aos que aumentaram. Isso teve um efeito muito bom. Prefeituras, câmaras de vereadores, todos passaram a se empenhar, porque tinha muitos benefícios vindo do governo federal. E por fim, uma política de demarcação de áreas protegidas e de terras indígenas muito efetiva, que barrou o avanço dessa fronteira do desmatamento ilegal. Essas eram as três "pernas" principais desta política. Se você perguntar o que o governo deve fazer se estiver falando sério a respeito de frear o desmatamento? Deve voltar a aplicar as coisas que deram certo. Principalmente a fiscalização. Tem que arrumar (dinheiro), tem que mandar o ministro da Economia (Paulo Guedes) abrir um pouco o cofre para financiar todas as ações necessárias à redução da ilegalidade. BBC News Brasil - Em meados do ano, os veículos de imprensa estavam citando dados de um outro sistema do Inpe, o Deter, que já indicava um aumento no desmatamento. À época, o governo dizia que aqueles dados não eram suficientes para atestar um aumento no desmatamento. Carlos Nobre - A informação estava correta. A gente sabe que o Deter captura entre 60 e 70% do que o Prodes, que foi lançado hoje, mostra. Portanto o Deter, pegando seis meses do Deter antes do lançamento do Prodes, ele mostrava 40, 50% de aumento. Era muito correto afirmar que haveria um aumento muito significativo do desmatamento, e o Prodes confirmou. Não há dúvida disso. O que foi feito lá atrás, que foi divulgado uma tendência de aumento em junho, julho, agosto, está absolutamente correto. O Deter capturou a tendência de aumento. Comparativo dos balanços Deter x Prodes Arte/G1 BBC News Brasil - O dado que foi divulgado nesta segunda-feira (18) é um dado ainda preliminar. Os dados consolidados do Prodes só sairão no 1º semestre de 2020. Por que isto ocorre? Carlos Nobre - A Amazônia, por ser coberta por vários satélites, possui centenas e centenas de imagens diferentes, a depender da resolução do satélite. E aí, para poder lançar isso logo agora em outubro, novembro, o Inpe pré-seleciona as áreas onde está sendo observado o mais intenso desmatamento. Aí ele mede toda aquela área e faz um cálculo estatístico e diz 'olha, quando eu olhar todas as imagens, provavelmente vai ter este valor'. E aí, às vezes, quando o Inpe processa todas as imagens, lá por abril ou maio, que ele lança o dado anual, esse dado às vezes é um pouquinho maior ou um pouquinho menor. O número de hoje é uma estimativa do que será o número final, quando analisadas todas as imagens. (A variação em anos anteriores foi de 2% a 7% para mais ou para menos, acrescenta o pesquisador).
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19/11 - Amapá foi responsável por menos de 1% do desmatamento da Amazônia em 1 ano, diz Inpe
Retirada ilegal de madeira chegou a 8 quilômetros quadrados em período pesquisado. Região desmatou, ao todo, mais de 1.000 vezes mais que o Amapá. Área desmatada na comunidade de Ariri, em Macapá, em agosto de 2018 Dema/Divulgação O Amapá foi na contramão da tendência de alta no desmatamento na Amazônia em indicadores publicados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No período divulgado – entre agosto de 2018 e julho de 2019 – foram 8 quilômetros quadrados de floresta retirada: área 200 vezes mais pequena que Santana, município com a menor extensão territorial do estado. A redução no estado é mais significativa quando comparada ao período anterior: julho de 2017 a agosto de 2018. A queda foi de 67%. Em toda a Amazônia Legal, foram 9.762 quilômetros quadrados desmatados, deixando o Amapá responsável por apenas 0,08% do que foi retirado. Área desmatada na Amazônia cresce 30% entre 2017/2018 e 2018/2019 Ministro culpa atividades ilegais e cobra 'ambientalismo de resultados' Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia Amapá registra menor área desmatada da Amazônia em 1 ano, segundo Inpe Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), considerado o mais preciso para medir as taxas anuais. Mato Grosso, Amazonas e Rondônia ultrapassaram os mil quilômetros quadrados de desmatamento e foram, nesta ordem, os estados que mais contribuíram com o aumento da taxa de desmate depois do Pará. O total da região representa aumento de 29,5% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que registrou 7.536 km² de área desmatada. Área de desmatamento nos estados, segundo dados do Prodes em 2019 (agosto/18 - julho/19) Rodrigo Sanches/Arte G1 Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
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18/11 - Inpe vai pesquisar possibilidade de manchas escuras no litoral serem piche em vez de óleo
Frente composta por pesquisadores divulgou nesta segunda-feira (18), na sede do instituto em São José dos Campos (SP), detalhes de um estudo da nova hipótese. Mancha de óleo vista no litoral de Maragogi, em Pernambuco, no dia 17 de outubro; pesquisadores averiguam possibilidade de manchas escuras no litoral serem piche em vez de óleo Diego Nigro/Reuters Um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estuda a possibilidade de que as manchas escuras encontradas no litoral do Nordeste e do Sudeste brasileiro sejam de piche, em vez de óleo, que é cogitada como a principal hipótese pelas autoridades. Manchas de óleo: o que se sabe sobre o problema Lista de praias atingidas pelas manchas de óleo no litoral Uma frente composta por pesquisadores divulgou nesta segunda-feira (18), na sede do Inpe em São José dos Campos (SP), detalhes de um estudo que aponta a possibilidade. "As hipóteses científicas são: ele se transformou em pasta com o intemperismo ou ela foi lançada já como pasta. Esse estudo delimita as rotas e navios. O piche ele é transportado com um aquecimento para ser mantido na forma líquida e, se deu problema mecânico, pode ter soltado esse piche e ele endureceu no mar”, explica o oceanógrafo Ronald Buss de Souza, integrante do grupo. De acordo com a frente, os navios que transportam piche fazem a rota Espanha-Argentina e passam por um trecho em comum próximo da costa brasileira com os veículos que transportam petróleo, que fazem o trajeto Venezuela-África do Sul. O ponto onde os trajetos se encontram é tratado como o ponto de hipótese pelos pesquisadores. “O navio Vital de Oliveira está no mar para prospectar essa área que listaram buscando amostrar em áreas prioritárias. A tese mais plausível é que um navio tanque tenha ejetado esse material para mar aberto. Quem fez isso não tinha ideia das consequências ambientais do que estava fazendo”, explica o oceanógrafo. Navio da Marinha, Vital de Oliveira está no mar para prospectar área indicada por pesquisadores Divulgação/ Marinha De acordo com o grupo, a provável data do fato é de cerca de três meses, mas ele não deve chegar ao litoral paulista. “O óleo não vai mais chegar pela superfície. É como os coliformes fecais. Vamos ter que checar com micropartículas”, disse Ronald Buss de Souza. O pesquisador Paulo Nobre, coordenador do grupo, explica a linha de atuação da pesquisa. “O Inpe vai acolher os vários conhecimentos desses pesquisadores para que isso em conjunto nos permita responder. A prevenção é a melhor forma de recuperação”, disse. Inpe vai pesquisar possibilidade de manchas escuras no litoral serem piche em vez de óleo Hellen Souza/ Arte-G1 Inpe vai pesquisar se mancha de óleo no litoral do país é piche ao invés de óleo Identificação do problema As manchas de óleo no litoral atingem mais de 640 locais no Nordeste e Sudeste desde o final de agosto - segundo o mais recente balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com dados até o dia 17 de novembro. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. Os primeiros registros nas praias surgiram em 30 de agosto na Paraíba, em Tambaba e Gramame, no município de Conde, e na Praia Bela, em Pitimbu. Apesar disso, as investigações apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa paraibana. Nesta segunda, também na sede do Inpe no interior de São Paulo, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) anunciou que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai financiar estudos para minimizar impactos de áreas atingidas por óleo. Initial plugin text
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18/11 - Novo navio suspeito por óleo será apresentado na quinta em audiência no Senado, diz pesquisador da Ufal
Petroleiro tem bandeira de país asiático e se abasteceu com petróleo cru na Venezuela antes de desligar os equipamentos de localização, de acordo com Humberto Barbosa. Mancha que pesquisadores do Lapis/Ufal investigam como possível área do vazamento de óleo Reprodução/Lapis-Ufal Um navio petroleiro que teria desligado seu sistema de rastreamento e passado oculto dos radares na costa brasileira será apresentado na quinta-feira (21) ao Senado como um dos suspeitos de derramar o petróleo que atinge cidades do Nordeste desde 30 de agosto. Segundo o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, a embarcação fugiu da sua rota e navegou por águas internacionais no mesmo período em que o óleo que atinge o Nordeste teria sido derramado no mar. O pesquisador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis/UFAL), disse que seu grupo tem compartilhado informações com uma Comissão Especial do parlamento e explicou que os especialistas vão apresentar as suspeitas em uma audiência pública nesta semana. A equipe do Lapis/UFAL trabalha em hipóteses sobre o desastre desde o começo da crise. No fim de outubro, o grupo comandado por Barbosa apontou ter identificado uma mancha característica de óleo, na região sul da Bahia, com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa do Nordeste. Os pesquisadores suspeitavam que pudesse haver ligação entre o óleo e vazamento no pré-sal. Humberto Barbosa, pesquisador do Lapis/UFAL Reprodução A Marinha analisou os dados e negou relação entre as imagens e o petróleo nas praias nordestinas (veja nota completa abaixo). Em nota técnica, o Ibama descartou que o uso de satélites possa identificar o vazamento e negou que seja óleo a mancha vista no Sul da Bahia no dia 28 de outubro. Pouco tempo depois, no início de outubro o grupo de pesquisa da UFAL localizou outra mancha, desta vez no litoral do Rio Grande do Norte, que poderia ter relação com o derramamento de óleo. A imagem, capturada no dia 24 de julho, mostraria uma mancha de um fluido, possivelmente petróleo, seguida por dois navios. 111 navios pesquisados Agora, com base no novo desdobramento das pesquisas, Barbosa disse ao G1 que a identificação de um navio-tanque foi feita após um levantamento de informações de satélites que durou quase um mês. Ao todo, foram encontradas 111 embarcações que navegaram pela costa brasileira na região onde suspeitam que tenha ocorrido o vazamento. "A primeira suspeita, é baseada na imagem do dia 24 de julho de 2019, que é uma grande mancha que está ali na costa do Rio Grande do Norte e que possivelmente está associada a um navio", disse o pesquisador. "Criamos um filtro pra mapear toda a costa do estado e em função da data, chegamos a 111 navios que transportavam óleo cru." O especialista em imagens de satélite disse que, entre as embarcações, uma apresentou um comportamento suspeito ao viajar com o sistema de comunicação desligado. Além disso, a equipe do laboratório investigou o itinerário do petroleiro e seu histórico. A embarcação tem bandeira de um país asiático que Barbosa preferiu não identificar e percorre a rota Ásia-África-América com frequência, e transportava petróleo venezuelano. Além disso, o pesquisador destaca o que seria uma manobra "extremamente anômala" da embarcação, que parte em direção dos Estados Unidos antes de retornar à rota original. Novamente na costa brasileira O pesquisador preferiu não divulgar o nome da embarcação porque disse acreditar que a investigação não compete à universidade. "A missão do Lapis foi levantar dados, transformar em informações e gerar conhecimento para que as autoridades possam investigar. (...) O laboratório não sente confortável em divulgar essas informações até que a gente converse com as autoridades." - Humberto Barbosa, pesquisador do Lapis/Ufal Entretanto, o especialista dá pistas sobre a embarcação que recentemente passou pela costa com destino a Venezuela e agora está em seu trajeto de retorno ao país de origem contornando Guiana Francesa. O petroleiro está sendo monitorado pela equipe de pesquisadores do laboratório e deve se aproximar ainda nesta semana da costa nordestina. Resposta da Marinha Em nota, a Marinha do Brasil se posicionou com relação à hipótese apontada pelo pesquisador da Ufal. Em relação à hipótese levantada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), sobre um eventual derramamento de óleo ocorrido por um navio a 26 km da costa da Paraíba, em 19 de julho, o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) informa que: O Centro de Hidrografia da Marinha, por meio do estudo das correntes oceânicas e simulações computacionais, concluiu que a hipótese apresentada não geraria o espalhamento de manchas que foi observado em nosso litoral, principalmente no sul do estado da Bahia e norte do estado do Espírito Santo. Ademais, o óleo apareceria no litoral bem antes de 30 de agosto, data do primeiro registro. O Ibama, por meio de geointeligência, considerou que não existem elementos científicos para afirmar que a feição linear escura encontrada nas imagens de radar apresentadas pelo Lapis trata-se de vazamento de óleo, sendo provável que seja fenômeno natural formado pelo rastro de um navio. O ineditismo dessa ocorrência exigiu o estabelecimento de protocolo próprio de investigação, demandando a integração e coordenação de diferentes organizações e setores da sociedade, além de ampla troca de informações com organismos internacionais. Nesse sentido, o GAA estabeleceu uma coordenação científica com apoio de mais de 100 pesquisadores e cientistas de Universidades e Institutos de Pesquisa. Os estudos e metas contemplam ações de curto, médio e longo prazo. A Marinha do Brasil e demais colaboradores, nacionais e estrangeiros, permanecerão conduzindo a investigação até que todas as questões envolvidas sejam elucidadas. Initial plugin text
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18/11 - Crescimento econômico enche de embalagens o lixo da Alemanha
Cada cidadão produz, por ano, uma média de quase 230 quilos de lixo de embalagens, apesar de campanhas de conscientização. Um dos culpados é a prosperidade econômica alemã. Lata de lixo com inscrição em alemão na cidade de Berlim Unsplash Nunca houve tanto lixo na Alemanha: em 2017 foram descartados 18,7 milhões de toneladas de embalagens. A enormidade desse volume fica mais evidente dividindo-o entre a população: 226,5 quilos por habitante, em média. Trata-se de um novo recorde, 3% acima ao ano anterior, garantindo ao país um inglório primeiro lugar no ranking europeu do lixo. Além disso, um exame das estatísticas dos últimos anos mostra que esse incremento não é um fato isolado. Pois, apesar de todas as discussões sobre proteção ambiental e sustentabilidade, a quantidade de embalagens cresceu continuamente na Alemanha, nos últimos anos. Com uma única exceção: entre 1991 e 1995, a produção desse tipo de resíduo de fato recuou. Nesse período foi introduzido o Grüner Punkt (Ponto Verde), que até hoje indica as de embalagens a serem coletadas e processadas separadamente. Fernando de Noronha, lado B: série do G1 mostra desafios do lixo no 'paraíso' Seringa, canudos e muito plástico: lixo oceânico ameaça piscina natural em Fernando de Noronha Desde então, existem no país tonéis e sacos "amarelos", em que as embalagens são depositadas, para a coleta especial. Quem arca com esse sistema de eliminação são os consumidores, pois sobre cada "ponto verde" recai uma taxa – que os produtores pagam, mas naturalmente repassam no preço ao consumidor. O fato de muito material de acondicionamento tornar as mercadorias mais caras possivelmente explica a redução dos resíduos no começo dos anos 90. Mas a tendência não durou: em 2010 já havia novamente mais embalagens descartadas do que em 1991. É justo esclarecer que a maior parte desses detritos sequer vem diretamente dos consumidores: 53% são produzidos por empresas, na forma de embalagens usadas no processo de manufatura ou que permanecem com os comerciantes. Muitos deles preferem que os produtores não entreguem os gêneros diretamente nos estabelecimentos de venda, reunindo-os primeiro em centros de logística, onde são compostas as paletes de artigos para as diferentes lojas. Essas também precisam ser devidamente acondicionadas para transporte, muitas vezes, por exemplo, envolvendo-as totalmente em filme de PVC, o qual, ao chegar na loja, é descartado pelo próprio comerciante. Lixeiras coloridas para coleta seletiva de lixo doméstico Unsplash Crescimento e consumo: os grandes vilões Mas por que tem que haver quantidades sempre maiores de lixo? Entre outros fatores, o Departamento Federal alemão do Meio Ambiente aponta o bom crescimento econômico dos últimos anos. Como muitos cidadãos estão melhor hoje do que alguns anos atrás, gasta-se mais em consumo. O resultado é que "mais produtos também implicam mais embalagem". Há ainda outros dois aspectos: por um lado, a comodidade. O Departamento do Meio Ambiente observou que os pacotes muitas vezes oferecem funções adicionais – como a possibilidade de serem novamente fechados ou acessórios para dosagem – que são desnecessárias ou realizadas com complexidade excessiva, aumentando o consumo de material e possivelmente dificultando a reciclagem. O outro fator é a mudança de estilo de vida. A tendência atual é de porções menores de alimento ou de comer fora, e ambos geram mais lixo. Além disso, o comércio online floresce: cada vez menos consumidores compram em lojas, encomendando na internet com entrega a domicílio. Para que cheguem intatos, os artigos costumam ser empacotados de forma mais elaborada do que antes. Na opinião de Maria Krautzberger, presidente do Departamento do Meio Ambiente da Alemanha, a dinâmica vai na direção inteiramente errada: são usadas embalagens demais, o que é nocivo do ponto de vista ambiental e do emprego de matérias primas. Ela apela à indústria e aos consumidores: "Precisamos evitar detritos, se possível já na fase de produção. Por isso deve-se abrir mão de acondicionamentos desnecessários e com emprego desnecessariamente intensivo de material." Muitas vezes, contudo, vê-se o contrário, até mesmo o tubo de pasta de dentes é multiplamente embalado. "Precisamos de muito mais invólucros e recipientes reutilizáveis, não só para água mineral e cerveja", apela Krautzberger. Pode-se também tomar o café em copos reutilizáveis, e quem traz comida de casa também deveria usar recipientes reaproveitáveis, exemplifica. Há um pequeno consolo, entretanto: em termos de reciclagem, a Alemanha continua tendo bom desempenho. Cerca de 70% das embalagens são reaproveitadas, e grande parte do resto acaba nas usinas de incineração, gerando assim pelo menos energia. Apenas uma pequena parcela dos invólucros acaba em depósitos sanitários. Nos próximos anos, a percentagem das embalagens reutilizáveis deverá aumentar ainda mais. Desde 1º de janeiro vigora na Alemanha uma nova lei de embalagens, prescrevendo uma quota de reciclagem de pelo menos 63%, até 2022. As diferentes quotas dos diferentes materiais mostram que a meta é viável: quase 88% do papel e papelão já é atualmente reaproveitado, o vidro tem uma quota comparável, de 85%. As piores cifras cabem ao plástico e a madeira, com taxa de reciclagem abaixo de 50%. Pesquisadores calculam volume de lixo descartado nos rios e no mar
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18/11 - Voluntários fazem mutirão para limpar manchas de óleo em praias no Litoral do PI: 'somar esforços'
Pela primeira vez, a limpeza contou com ajuda de voluntários, que reforçaram a força tarefa coordenada pela Semar e Marinha do Brasil. Voluntários recolhem óleo nas praias do Piauí No litoral do Piauí, jovens organizaram um mutirão no fim de semana para limpar as praias novamente atingidas pelas manchas de óleo. Pela primeira vez, a limpeza contou com ajuda de voluntários, que reforçaram a força tarefa coordenada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e Marinha do Brasil. Durante a ação no domingo (17), o grupo coletou pouco mais de 200 quilos de fragmentos de óleo da Praia Pedra do Sal, em Parnaíba. Os voluntários fazem parte do Clube de Desbravadores, que é composto por universitários e jovens da Igreja Adventista de 7º dia. Fragmentos de óleo recolhidos pelos voluntários na Praia da Pedra do Sal, em Parnaíba (PI) Arquivo pessoal/Douglas Azevedo "Nós temos os costume de fazer trabalhos voluntários e diante desse desastre ambiental nós poderíamos cruzar os braços. Nossa intenção é somar esforços. Dividimos em equipes, algumas passaram o dia todo colhendo material na orla", contou Douglas Azevedo, coordenador do Clube. Segundo Douglas Azevedo, o grupo faz com frequência limpezas na orla da praia para recolher plásticos. Em uma das vezes, os voluntários foram responsáveis por encontrar as tartarugas mortas, que em seguida, tiveram constatadas a presença de óleo. Necropsia confirma presença de óleo em tartaruga encontrada morta encontrada no Piauí Divulgação/Instituto Tartaruga do Delta "Nosso grupo faz atividades recreativas com crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, como também ações voluntárias. Nas inundações do início do ano, por exemplo, fomos responsáveis pela distribuição de cestas básicas e roupas as famílias atingidas", destacou o coordenador. Parte dos voluntários que ajudaram a limpar óleo da Praia da Pedra do Sal, em Parnaíba (PI) Arquivo pessoal/Douglas Azevedo Desde quinta-feira (14), a Semar e Marinha montaram uma força tarefa para realizar a limpeza nas praias atingidas pelas manchas de óleo. A Praia de Atalaia, Praia Peito de Moça, em Luís Correia, e Praia da Pedra do Sal, em Parnaíba, estão impróprias para o banho. De acordo com o balanço feito pela Marinha, somente no fim de semana foram recolhidos 2.768 quilos de óleo. A Praia de Pedra do Sal foi o local onde houve uma quantidade expressiva de mancha de óleo. Na sexta-feira (15), foram recolhidos da praia 201 quilos, no dia seguinte este número foi oito vezes maior, com 1.650 quilos de resíduos oleosos. Vistoria no Litoral Navio da Marinha faz vistoria das manchas de óleo no Delta do Parnaíba Divulgação/Marinha do Brasil Um navio patrulha da Marinha iniciou na manhã desta segunda-feira (18) uma vistoria no Litoral do Piauí. De acordo com a Capitania dos Portos do Piauí (CPPI), no domingo (17), durante sobrevoo na região do Delta do Parnaíba, único em mar aberto das Américas, foram avistadas novas manchas de óleo e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estima que existe cerca de uma tonelada da substância nesse santuário ecológico. A previsão é que até terça-feira (19) a Marinha monitore os 66 km da costa. Ainda no domingo (17), a Marinha divulgou que foram retiradas mais de três toneladas de resíduos oleosos com os trabalhos de limpeza de praias em Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia, desde o início do monitoramento em setembro. Manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Roberto O reaparecimento de manchas de óleo no Delta do Parnaíba foi confirmado na sexta-feira (15) pela Marinha do Brasil, sendo a primeira vez na área que pertence ao estado do Piauí, na Praia do Pontal, em Ilha Grande. No sábado (16), manchas de óleo atingiram mais praias e ilhas do santuário. Equipes do Piauí e Maranhão iniciaram limpeza dos pontos afetados para evitar que os fragmentos cheguem aos mangues.
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18/11 - Por medo de represálias, cientistas brasileiros pedem anonimato em artigo sobre queimadas e desmatamento
Documento assinado por pesquisadores brasileiros e ingleses aponta aumento de queimadas e refuta alegações do governo Jair Bolsonaro. Nos agradecimentos, cientistas mencionam colaboradores que recusaram citação. Queimadas na Amazônia - Foco de fogo na floresta amaônica na cidade de União do Sul, em Mato Grosso, no dia 4 de setembro de 2019 Reuters/Amanda Perobelli Por medo de represália, pesquisadores brasileiros se recusaram a assinar um artigo científico que relaciona o aumento na taxa de desmatamento e as queimadas na Amazônia brasileira por medo de represálias. O artigo, enviado em formato de carta à revista científica Global Change Biology e publicado nesta sexta-feira (15), explica a dinâmica de desmatamento no bioma e refuta "alegações do governo brasileiro sobre as queimadas na Amazônia em agosto". Assinado por dois cientistas brasileiros e dois britânicos, o documento cita, nos agradecimentos, o pedido de anonimato dos colaboradores do Brasil. "Alguns colaboradores recusaram a autoria para manter o anonimato. Lamentamos que isso seja necessário e agradecemos a eles por sua importante contribuição." - Artigo científico enviado à Global Change Biology Trecho de artigo científico sobre desmatamento e queimadas na Amazônia cita pedido de anonimato de colaboradores Arte/G1 O texto foi feito antes da divulgação da taxa oficial de desmatamento, anunciada nesta segunda-feira (18). Por isso, os autores fizeram uma estimativa da área desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019 para mostrar a correlação entre o desmatamento e as queimadas. Para tanto eles usaram informações do sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter. Neste ano a taxa oficial de desmatamento foi 42% maior do que apontava o sistema de alertas. No texto enviado à revista científica os pesquisadores adiantam que a taxa de desmatamento do Prodes costuma superar os alertas de desmate do Deter. "Nós observamos que a detecção anual do desmatamento pelo Prodes é, em média, 1,54 maior que as taxas de desmatamento medidas em tempo quase-real a partir do sistema Deter", afirmam os pesquisadores. Em relação à queda no índice de queimadas registrado em setembro, os cientistas afirmam que há risco de que algumas áreas já desmatadas sejam queimadas apenas nos próximos meses. O fato pode ter relação com o decreto presidencial que proíbe uso do fogo para fins agrícolas na Amazônia Legal por dois meses. "Apesar das queimadas em larga escala vistas em agosto de 2019, o número de incêndios em setembro caiu em 35%. Ainda não está claro até que ponto isso é um resultado das chuvas ou do recente decreto federal", disseram os cientistas. "Dado o papel essencial do fogo para eliminar a vegetação derrubada, é muito provável que as áreas recentemente desmatadas serão queimadas em um futuro próximo." Amazônia registra o maior índice de desmatamento desde 2008 Initial plugin text
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18/11 - Fragmentos de óleo voltam a aparecer em praias dos municípios de Prado e Caravelas, no extremo sul da Bahia
Material foi achado nesta segunda-feira (18). Agentes da Marinha do Brasil reforçaram operação de limpeza na região. Manchas de óleo voltam a aparecer em algumas praias de cidades do sul do estado Novos fragmentos de óleo voltaram a aparacer, nesta segunda-feira (18), em praias dos municípios de Prado e Caravelas, que ficam no extremo sul da Bahia. Conforme a Marinha do Brasil, uma equipe com 60 homens, da operação “Amazônia Azul – Mar limpo é vida”, viajou do Rio de Janeiro no domingo (17) e reforça a limpeza na região. G1 lista locais atingidos pelas manchas de óleo na Bahia Saiba qual é o destino do óleo recolhido em praias de Salvador e do interior da BA Segundo informações da Prefeitura de Prado, a substância foi encontrada nas praias de Corumbau e Cumuruxatiba. Além desses locais, a praia do Centro da cidade foi atingida pelos fragmentos pela primeira vez. Equipes do órgão estão no local desde as primeiras horas desta segunda para fazer a limpeza da região. Não há informações sobre a quantidade exata de fragmentos encontrado no local, porque a maré estava cheia. No domingo (17), de acordo com a Marinha, cerca de 60 funcionários do órgão chegaram em Caravelas. Mergulhadores foram para o Parque Nacional de Abrolhos e, pelo menos, 20 fuzileiros seguiram para Comuruxatiba. Novos fragmento de óleo foram registrados em praia do centro de Prado, no extremo sul da Bahia Reprodução/TV Santa Cruz Também nesta segunda, pequenos fragmentos, mas em quantidade maior do que já tinha sido registrada em Caravelas, voltaram a aparecer na região. A substância foi encontrada entre o limite do município com Alcobaça. Agentes da prefeitura foram fazer a limpeza. Na última sexta-feira (15), a praia de Cumuruxatiba já tinha registrado fragmentos de óleo. As substâncias foram registradas na praia de Ponta de Corumbau, segundo informações da Divisão do Meio Ambiente do município. Desde quarta (13), foram recolhidos pelo menos 3 toneladas de óleo da Praia do Rio do Peixe. Na quinta (14), novas manchas apareceram na praia de Cumuruxatiba, e, com isso, o número subiu para 5 toneladas retiradas da substância. Na praia de Corumbau, cerca de 3 tonéis de óleo foram retirados ainda na sexta e foram levados para um galpão da prefeitura. A substância começou a aparecer na Bahia no começo de outubro. Ao menos 31 cidades baianas e o Parque Nacional de Abrolhos já foram atingidos. O Governo do Estado decretou situação de emergência. Veja mais notícias do estado no G1 Bahia.
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18/11 - Desmatamento bate recorde em Roraima e cresce 216% em um ano, aponta Inpe
Entre agosto de 2018 e julho de 2019 área desmatada no estado foi de 617 km²; é a maior taxa já registrada desde 2004. Área de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima Exército Brasileiro/ Divulgação Roraima foi o estado que teve o maior avanço no ritmo do desmatamento na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram desmatados no estado 617 km² de floresta, um aumento de 216% em comparação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que teve 195 km² de área atingida. O índice foi o maior já registrado no estado desde 2004 quando o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) foi criado. Em 2008, quando também houve um recorde, a área desmatada em Roraima ainda foi menor do que a registrada agora, totalizando 574 km². Principais dados: Alta no desmatamento em Roraima foi de 216% entre agosto de 2018 e julho de 2019, o maior crescimento entre os estados da região; No período, foi desmatada no estado uma área de 617 km²; É a maior taxa já registrada em Roraima desde 2004, quando estudo foi criado pelo governo federal; Proporcionalmente, estado foi responsável por 6,32% do desmatamento de 9.762 km² na Amazônia no período (agosto/2018 a julho/2019). Apesar de ter sido o estado que registrou o maior ritmo de desmatamento, proporcionalmente Roraima foi responsável por 6,32% do desmatamento na região, que avançou quase 29,5% em dez anos. Juntos, Pará - que teve a maior participação, com 39% - Mato Grosso, Amazonas e Rondônia foram responsáveis por 84% do desmatamento na Amazônia Legal, que também inclui os estados do Acre, Amapá, Maranhão e Tocantins. Com 46% do território ocupado por terras indígenas, Roraima concentra 32 reservas já demarcadas, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Entre elas está a Terra Indígena Yanomami, onde há intensa atividade de garimpo ilegal e pelo menos 25 mil invasores, de acordo com lideranças indígenas. Área de desmatamento nos estados, segundo dados do Prodes em 2019 (agosto/18 - julho/19) Rodrigo Sanches/Arte G1
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18/11 - Taxa oficial de desmatamento é 42% maior do que apontava sistema de alertas do Inpe
Prodes registrou 9.762 km² de desmatamento consolidado entre agosto de 2018 e julho de 2019. Já o Deter emitiu alertas para 6.833,9 km² no mesmo período. Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% e é o maior desde 2008, diz Inpe A taxa oficial de desmatamento na Amazônia Legal divulgada nesta segunda-feira (18) é 42,8% maior do que os números já divulgados antes nos alertas de desmate. A comparação leva em conta dois sistemas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe): os dados mais recentes são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que é divulgado uma vez por ano e verificou área de 9.762 km² desmatados entre agosto de 2018 e julho de 2019. Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) havia emitido alertas para um total de 6.833,9 km² para o mesmo período. O Deter é um sistema de atualização diária, cujo balanço que apontava a tendência de alta já era conhecido desde agosto. Área desmatada na Amazônia cresce 30% entre 2017/2018 e 2018/2019 Ministro culpa atividades ilegais e cobra 'ambientalismo de resultados' Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia A diferença entre Prodes e Deter já era esperada por pesquisadores e até mesmo pelo governo. Os dois sistemas têm propósitos e características distintas e o Prodes, historicamente, apresenta números maiores. Entretanto, neste ano, a credibilidade do Deter chegou a ser questionada após o sistema apontar alta expressiva nos alertas, sobretudo em julho e agosto. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já afirmou que pretende contratar um novo sistema para substituir o Deter. Em julho, Salles disse que o país "precisa ter um sistema melhor de fiscalização". Nesta segunda-feira, o ministro esteve presente na apresentação dos dados do Prodes e afirmou que na quarta-feira (20) deve ocorrer uma reunião em Brasília para tratar das ações do governo para conter o desmatamento. Comparativo dos balanços Deter x Prodes Arte/G1 Alvo de críticas do governo Em julho deste ano, após a divulgação dos dados sobre alertas de desmatamento do Deter, o presidente Bolsonaro criticou a informação do Inpe e disse que os números sobre o desmatamento prejudicavam a imagem do país. Ele declarou que o diretor Ricardo Galvão parecia estar "a serviço de alguma ONG" e que o "sentimento" do governo era de que os dados do Inpe "não coincidem com a verdade". Galvão defendeu a consistência e a metodologia dos dados e, depois, foi exonerado. Já em agosto, Ricardo Salles afirmou que o governo federal admitia haver desmatamento na Amazônia, mas não do tamanho dos números divulgados pelo Inpe. O ministro afirmou não ter "o menor interesse em esconder os dados", mas disse que os números "não podem ser manipulados". O Ministério do Meio Ambiente chegou a abrir um edital de chamamento público para contratar um novo sistema de monitoramento de florestas para o Ibama, em substituição ao Deter – iniciativa que foi questionada por algumas empresas, porque parecia direcionar a escolha para o sistema da empresa Planet. Também em agosto, Bolsonaro, Salles e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, apresentaram um estudo feito pelo Ministério do Meio Ambiente que apontou problemas nos dados do Deter referentes a junho de 2019. Ricardo Salles culpa atividades ilegais por aumento do desmatamento da Amazônia Initial plugin text
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18/11 - Por que há mais pombos com pés mutilados perto de salões de beleza
Pesquisadores na França estudaram a relação entre a atividade humana e os danos nas pernas dos pombos em Paris; a ideia do estudo veio de uma fonte inesperada: uma mãe que passeava com o filho em um carrinho de bebê. As mutilações nos dedos dos pombos são causados pela ação humana segundo o pesquisador francês Frédéric Jiguet Divulgação CMS É comum nas ruas ou praças ver pombos com dedos ou pés inteiros mutilados. Por que isso acontece? O drama das araras-azuis acuadas pelo fogo no Pantanal Vacas levadas pelo furacão Dorian são encontradas vivas Alguns são feridos por malhas ou espetos de metal colocados nos prédios apenas para impedir que os pássaros pousem neles. Mas o principal motivo é outro, segundo o pesquisador francês Frédéric Jiguet. Jiguet é professor de biologia da conservação no Museu de História Natural de Paris e principal autor de um estudo sobre o assunto recém-publicado na revista Biological Conservation. A pesquisa estabelece uma correlação surpreendente entre os pombos e fios de cabelo. Uma das autoras do estudo percebeu que carrinho de bebê acumulava cabelos nas rodas após passeio em bairro cheio de salões Reprodução/TV Globo O número de pombos com pernas mutiladas é maior nos distritos urbanos, onde há mais salões de cabeleireiros. Para chegar a essa conclusão, Jiguet e seus colegas tiveram uma contribuição inesperada. Carrinho de bebê "Inicialmente, o estudo surgiu porque eu sou um observador das aves e vi que as mutilações nas pernas dos pombos tinham uma causa principal e mecânica: seus dedos se enredam com fios ou cabelos humanos", disse Jiguet à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. O cientista, então, decidiu medir quantos pombos sofreram mutilações em 46 distritos de Paris. "Estávamos procurando um indicador de atividades humanas que influenciassem a quantidade de cabelos nas ruas." A inspiração veio de um lugar inesperado: um carrinho de bebê. "A ideia foi da minha colega Karine Princé, coautora do estudo. Quando ela teve seu primeiro filho, morava em um bairro com muitos cabeleireiros e percebeu que quando saía com o bebê, as rodas do carrinho costumavam ficar presas com pelos ou fios." 'Os cabeleireiros colocam seus cabelos em sacos de lixo que acabam sendo jogados na rua', disse Jiguet Pixabay Cabelos por toda parte Jiguet explicou por que os fios podem ser tão prejudiciais aos pombos. "Os pombos andam constantemente em busca de comida. Às vezes, ficam presos aos cabelos ou fios que estão no chão, e quanto mais andam ou movem as pernas para tentar se livrar desse desconforto, mais se enroscam." "Os cabelos ou fios acabam prendendo os dedos a tal ponto que cortam a circulação. Então, ocorre uma necrose ou morte dos tecidos e o dedo cai." As mutilações são mais comuns em pombos, simplesmente porque esses pássaros andam mais na calçada do que outros pássaros. E, normalmente, na calçada há pelos em abundância. "Os cabeleireiros colocam os restos de cabelos em sacos de lixo que acabam sendo jogados na rua. Esses sacos também se rompem (e espalham os cabelos)", disse Jiguet. "Além disso, se você cortar o cabelo de alguém em sua casa, verá que é muito difícil coletar todos os fios. Nos cabeleireiros, os cabelos também voam para a rua quando a porta é aberta." E, certamente, quando deixamos um desses lugares após um corte, continuamos espalhando cabelos ao caminhar. Um dos lugares mais perigosos para os pombos, segundo Jiguet, são feiras abertas de alimentos, porque, no final da atividade comercial, os pombos vão ao local em busca de alimentos no chão, onde também há muitos pelos e fios. Apesar de o estudo ter sido realizado em distritos de Paris, o cientista diz que a lógica vale para muitos outros centros urbanos. Criar espaços verdes é a melhor maneira de ajudar os pombos, de acordo com os pesquisadores Paulo Souza/EPTV 'Pombos são vítimas' A melhor resposta para o problema da mutilação de pombos é promover a criação de mais espaços verdes, de acordo com Jiguet. "Nos parques, os pombos andam na grama. Lá também vão à procura de restos de comida, mas não encontram tantos cabelos quanto na calçada." Mas o que podemos fazer se virmos um pombo com os dedos machucados? Sobre esse assunto, a BBC News Mundo consultou a Sociedade Real para a Proteção de Animais da Crueldade no Reino Unido. "O lixo jogado de forma descuidada por seres humanos nas cidades, com pedaços de fios, cabelos, redes de pesca ou elásticos, acaba preso nas pernas dos pombos. Às vezes, eles recolhem esses alimentos para seus ninhos", disse um porta-voz da organização. "Se você vir um animal ferido, primeiro olhe à distância para ver a gravidade do problema. E, se possível, leve-o a um veterinário ou ao centro de resgate de animais selvagens mais próximo". 'Os pombos são sujos por causa da nossa contaminação', disse Jiguet Pixabay O pesquisador Jiguet espera que seu estudo também nos ajude a ver os pombos de uma maneira mais compreensiva. Algumas pessoas se referem a essas aves como "animais sujos" ou "cheios de doenças", mas o pesquisador diz que "elas não são portadoras de mais doenças que outros animais, e uma grande epidemia causada por pombos nunca foi registrada". Jiguet quer que seu estudo contribua para "reabilitar" os pombos. "Espero que quando as pessoas pensem que os pombos estão sujos, elas reflitam que isso ocorre por causa da nossa ação", disse o cientista francês. "Eles estão mais em risco por nossas ações do que por suas doenças. Os pombos são vítimas", acrescentou.
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18/11 - Da escravidão à autonomia em 50 anos: a história de renascimento dos índios yawanawá
Após expulsar missionários e seringueiros nos anos 1980, grupo reinventa tradições e ganha fama internacional com festivais xamânicos associados à ayahuasca. Indígenas também se tornaram fornecedores de empresas brasileiras e estrangeiras Sérgio Vale/Secom-AC Há menos de meio século, indígenas do povo Yawanawá viviam praticamente escravizados em seringais do Acre. Homens trabalhavam alcoolizados, jovens fugiam das aldeias, velhos e crianças morriam de malária, tuberculose e sarampo. Pressionados por missionários evangélicos, muitos abandonaram tradições e a língua materna. Hoje os Yawanawa são conhecidos por parcerias que mantêm com grandes marcas, por sua presença em fóruns internacionais e por festivais xamânicos em que recebem centenas de visitantes brasileiros e estrangeiros — muitos deles interessados em consumir ayahuasca, bebida sagrada para o grupo. Ao longo dessa transformação, conseguiram a demarcação de seu território, reinventaram costumes e expulsaram seringueiros e missionários. A trajetória os tornou uma referência para povos indígenas vizinhos, que acabaram por seguir vários de seus passos. "Quando cheguei para liderar o meu povo, em 2001, os Yawanawá estavam com a autoestima muito baixa", diz à BBC News Brasil Tashka Yawanawá, cacique da aldeia Mutum e um dos responsáveis pelo que chama de "renascimento cultural e espiritual" do povo. Com 46 anos, Tashka nasceu quando os seringueiros ainda ocupavam o território yawanawá, uma trecho de Floresta Amazônica cortado pelo rio Gregório, próximo à fronteira com o Peru. Os forasteiros chegaram à região há cerca de um século, durante o Ciclo da Borracha. Até então sem contato regular com o mundo exterior, os Yawanawá foram recrutados para extrair látex das seringueiras. "Muitas pessoas começaram a cortar seringa para trocar por sal, açúcar, gêneros de primeira necessidade. Depois os Yawanawá começaram a perceber que os patrões queriam sempre mais produção", conta Tashka. Ainda nos anos 1980, índios Yawanawá informaram-se sobre seus direitos e voltaram às aldeias para por fim à exploração que sofriam à época Sérgio Vale/Secom-AC Com o tempo, os indígenas foram abandonando as roças e passaram a depender cada vez mais dos donos dos seringais, que cobravam preços exorbitantes por roupas e alimentos. Capangas armados fiscalizavam os locais de trabalho. Eles acabaram se tornando escravos por dívidas, sujeitos ao alcoolismo, à prostituição e às doenças trazidas pelos seringueiros. Enquanto os patrões seringalistas os apertavam de um lado, missionários evangélicos americanos da News Tribes Mission (Novas Tribos do Brasil) os cercavam do outro. Líder da aldeia Nova Esperança, Biraci Júnior Yawanawá diz à BBC News Brasil que os patrões e os missionários trabalhavam numa espécie de parceria e estimulavam um "sistema individualista" entre os indígenas. "Um nos explorava fisicamente, e o outro nos explorava espiritualmente, impondo sua religião, nos impedindo de usar nossas medicinas e de fazer cerimônias, porque era 'coisa do demônio'", ele diz. Demarcação do território O cenário começou a mudar quando, nos anos 1980, jovens yawanawá enviados à cidade para estudar — entre os quais o pai de Biraci Júnior, o cacique Biraci Brasil — entraram em contato com o incipiente movimento indígena acreano e com ONGs que o assessoravam, como a Comissão Pró-Índio do Acre. Informaram-se sobre seus direitos e voltaram às aldeias para por fim à exploração. A mobilização levou à demarcação da Terra Indígena Rio Gregório, em 1983. Na época com 983 mil hectares, o equivalente a um terço do Estado de Alagoas, ela foi a primeira terra indígena demarcada do Acre. Em 2007, o território dobrou de tamanho. Com a terra assegurada, os indígenas invadiram os barracões dos seringueiros para expulsá-los. Depois, foram atrás dos missionários. Naquela altura, conta Biraci Júnior, os Yawanawá estavam tão habituados à presença dos religiosos que alguns protestaram, argumentando que os missionários haviam construído escolas e distribuíam remédios às comunidades. Coube a Biraci Brasil convencê-los de que tudo ficaria bem. "Ele explicou que nós vivíamos antes dos missionários, tínhamos nossas medicinas, nossas plantas. Dizia que tínhamos que acreditar no poder delas, e a partir daí começou o trabalho de perguntar aos mais velhos, aos pajés, que estavam há tanto tempo adormecidos, para fazê-los puxar da lembrança o conhecimento, as rezas de cura, os cantos cerimoniais, e reavivar toda a espiritualidade", diz o indígena. Depois que os Yawanawá expulsaram os missionários, outras comunidades nativas acreanas fizeram o mesmo. Trajetória dos índios Yawanawá se tornou referência para povos vizinhos Sérgio Vale/Secom-AC Retomada da ayahuasca Desse movimento de resgate também participaram sertanistas — servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) que trabalhavam junto às comunidades indígenas. No artigo "Os outros da festa: um sobrevoo por festivais yawanawá e huni kuin", publicado em 2018 pela revista Horizontes Antropológicos, a doutoranda em Antropologia na USP Aline Ferreira Oliveira descreve como indígenas acreanos retomaram o consumo da ayahuasca. A bebida, feita com duas plantas amazônicas, tem propriedades psicodélicas e havia sido proibida por misionários que viviam entre entre os nativos grupos. Nos anos 1990, indígenas que viviam nas cidades próximas às aldeias, como Rio Branco, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, foram reapresentados a ela em encontros com sertanistas e adeptos de doutrinas associadas à ayahuasca, das quais a mais conhecida é o Santo Daime. O Santo Daime foi fundado por um seringueiro negro, o migrante maranhense Raimundo Irineu Serra (1890-1971). Após conhecer a bebida por intermédio de indígenas acreanos no início do século 20, Irineu formulou uma corrente religiosa que mescla elementos cristãos, africanos, nordestinos e ameríndios. Oliveira diz que os encontros em que os indígenas retomaram o contato com o chá tinham clima festivo e instrumentos musicais, duas características das religiões daimistas que acabaram absorvidas pelos indígenas em sua reapropriação da substância. Hoje muitos grupos indígenas romperam os laços com essas religiões e passaram a seguir ritos próprios em relação à bebida, à qual atribuem propriedades de cura e o poder de conectar os mundos físico e espiritual. Trabalhos mais animados Os líderes Yawanawá dizem que a absorção de elementos externos teve papel central na consolidação de seus rituais ligados à ayahuasca, bebida que eles chamam de "uni". Biraci Júnior afirma que, no passado, os trabalhos xamânicos do povo eram restritos aos homens mais velhos. "Era uma coisa muito focada na medicina (tradicional), com cantos fortes de cura, e aquilo se tornou monótono para a juventude, era muito sem graça", ele diz. Conforme os rituais incorporaram instrumentos antes inexistentes entre o povo, como o violão, o tambor e o maracá, "os trabalhos foram ficando mais animados, e com isso a juventude se despertou em querer aprender a língua, em querer cantar." Hoje Biraci Júnior diz que vários adolescentes Yawanawá falam fluentemente a língua nativa e estão se preparando para se tornar pajés (líderes espirituais) — cenário impensável há algumas décadas. Rituais xamânicos têm ajudado a atrair turistas para as aldeias, atividade que se tornou a principal fonte de receitas da comunidade Sérgio Vale/Secom-AC Turismo xamânico A animação dos rituais também tem ajudado a atrair turistas para as aldeias, atividade que se tornou a principal fonte de receitas da comunidade. Desde o início dos anos 2000, os Yawanawá passaram a abrir seus festivais xamânicos para o público externo, no que foram seguidos por outros grupos indígenas acreanos. Hoje o povo realiza dois grandes eventos anuais, o Mariri e o Yawá. Os visitantes vão às aldeias para uma semana de "canto, dança, cura, arte, expressão artística, manifestação cultural e espiritual, num ato de agradecimentos aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece", segundo a descrição no site da agência Grupos de Viagem, que organiza expedições a comunidades indígenas de vários países das Américas. Nas cerimônias, eles têm acesso à ayahuasca e a outros remédios tradicionais, como o rapé (tabaco moído com cinza de árvores, assoprado pelas narinas), a sepa (resina usada em defumações para purificar o corpo) e a sananga (colírio para limpar a visão feito com raízes). O consumo de álcool e drogas ilícitas é proibido. Biraci Júnior diz que, em sua maior edição, o festival Yawá reuniu 600 visitantes de 19 países na aldeia Nova Esperança. Cada um tem de desembolar R$ 2 mil pela experiência — dos quais, segundo o líder, R$ 1.400 cobrem custos com comida, transporte e serviços para os visitantes. O fluxo de gente foi grande demais para a aldeia, que hoje tem 380 habitantes. Desde então, os organizadores têm limitado o número de participantes. Nem todos os visitantes se adaptam às condições na aldeia. Tashka Yawanawá cita o caso de uma senhora que não conseguia defecar nas fossas usadas pela comunidade. "Tive que mandar buscar um assento de privada em Tarauacá", ele diz. Outro caso envolveu um casal francês que viajou à aldeia em lua de mel. "Eles não conseguiam transar na rede e caíam no chão o tempo todo", conta, aos risos. Melhorias das aldeias Tashka diz que hoje a atividade economicamente mais vantajosa para a comunidade são vivências que agregam entre 20 e 40 visitantes nas aldeias por até três semanas. Há várias edições por ano, e cada uma gera até R$ 150 mil em receitas, segundo ele. O grupo também realiza rituais e vivências em cidades. Os líderes dizem que o dinheiro do turismo é investido em melhorias físicas para a comunidade, como novas construções e poços d'água, e em sistemas de criação de porcos, galinhas e peixes. Os gastos são decididos em assembleia. Segundo Biraci Júnior, antes dos festivais, os Yawanawá se deslocavam à cidade em pequenas canoas em viagens que levavam até cinco dias. "Hoje temos a possibilidade de comprar barcos com motor e levamos oito horas", diz. Contato com indígenas nos EUA Além dos instrumentos musicais, os festivais Yawanawá incorporaram outros elementos que o grupo conheceu em andanças fora das aldeias. Tashka Yawanawá diz que os eventos foram inspirados em celebrações realizadas por outros povos nativos das Américas, como o "pow-wow", cerimônia em que indígenas norte-americanos recebem visitantes para cantar, dançar e celebrar a cultura local. Ele participou da festa durante um intercâmbio de estudos na Califórnia, seguido por uma longa expedição do Canadá ao Chile, quando conheceu dezenas de comunidades nativas. Em sua última viagem ao exterior, em setembro, acompanhou a Marcha pelo Clima em Nova York junto da ativista sueca Greta Thunberg. Parcerias com empresas A primeira experiência internacional do líder foi financiada pela Aveda, empresa americana de cosméticos que há 27 anos compra sementes de urucum dos Yawanawá, usando-as em produtos para cabelo. O grupo também já teve uma parceria com o designer Marcelo Rosenbaum, com quem desenvolveram uma linha de luminárias apresentada no Salão Internacional do Móvel do Milão, em 2013. Em 2015, a grife Cavalera levou os indígenas à São Paulo Fashion Week, exibindo roupas com estampas inspiradas na arte do grupo. E, em 2018, foi a vez de a grife Farm lançar uma coleção de colares, brincos e bolsas com miçangas trabalhadas por mulheres Yawanawá. "Hoje os Yawanawá estão nessa tão sonhada jornada da nossa autonomia" Sérgio Vale/Secom-AC As parcerias com empresas possibilitaram que vários membros do grupo fossem enviados a universidades brasileiras e estrangeiras. Segundo Biraci Júnior, hoje o povo tem 18 membros com ensino superior. Há duas médicas, uma cirurgiã dentista, além de graduados em Matemática, Biologia e Letras, entre outras carreiras. O próprio Biraci Júnior estudou Administração Agrícola no Havaí (EUA). O líder diz que, quando enviam um jovem à cidade para estudar, os Yawanawá esperam que ele retorne e use os ensinamentos para o bem da comunidade, sem sobrepujar o conhecimento tradicional. Segundo ele, quase todos os que se formaram voltaram e hoje dão aulas nas escolas indígenas, o que motiva os jovens a permanecer nas aldeias. As médicas atendem os pacientes em parceria com os pajés, aproveitando o conhecimento sobre remédios naturais. Conquista de autonomia Quase 40 anos após se livrarem dos missionários e dos seringalistas, os Yawanawá celebram as transformações em suas vidas. Antes sob o risco de desaparecer, eles agora somam cerca de 1.300 integrantes, dos quais 324 vivem no Peru e 132, na Bolívia. "Hoje os Yawanawá estão nessa tão sonhada jornada da nossa autonomia", diz Tashka. Ele reconhece que, para chegar onde chegaram, contaram com o apoio de ONGs, sertanistas e parcerias que lhes permitiram capacitar seus integrantes. Hoje, porém, diz que o grupo não depende de ninguém — nem de instituições privadas, nem de órgãos públicos. "Se a Funai acabar, seria o fim do mundo para muitos povos. Para nós, não faria a mínima diferença." Isso, porém, não o impede de se preocupar com a situação dos outros grupos e de criticar o presidente Jair Bolsonaro. "Nenhum outro governo desrespeitou tanto os povos indígenas com o atual", afirma. Tashka condena a promessa de Bolsonaro de que não demarcaria novas terras indígenas e a posição de que os índios devem ser inseridos na sociedade para que deixem de ser "miseráveis". "Uma pessoa dessas não consegue ver a beleza, a arte, a ciência, a medicina que os povos indígenas carregam com eles. Só consegue ver pobreza", diz o líder.
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18/11 - Como incêndios extremos criam suas próprias tempestades
Enquanto Austrália enfrenta incêndios em larga escala, os cientistas relatam aumento nas chamada 'tempestades de fogo', evento assustador extremamente perigoso e difícil de combater. Nova Gales do Sul, estado da Austrália, enfrentou condições catastróficas Getty Images via BBC Os incêndios que assolam a Austrália trouxeram avisos de perigo "catastrófico". Quatro pessoas pessoas morreram desde o início dessa atual onda. Mas especialistas alertaram que os eventos podem desencadear o tipo mais perigoso de incêndio florestal — o pirocumulonumbus, geralmente chamado de tempestade de fogo. São labaredas gigantes e velozes, tão poderosas que criam seus próprios sistemas climáticos semelhantes a tempestades. E devido à sua força, eles são praticamente impossíveis de combater. Como são criadas as tempestades de fogo? Em certas condições atmosféricas e do solo, os incêndios florestais podem atravessar uma grande área com tanta energia que geram tempestades acima deles. Este fenômeno é conhecido como pirocumulonumbus. Uma grande nuvem de Pirocúmulo acima de um incêndio na Califórnia em 2018 Getty Images via BBC Normalmente, os incêndios florestais são movidos pelo vento, mas um incêndio maciço pode carregar tanta força que sua fumaça não é empurrada para o lado. Em vez disso, forma uma pluma que sobe a até 15 km de altura no céu. "Um pirocumulonimbus é basicamente uma tempestade dentro da nuvem de fogo", diz o professor Jason Sharples, especialista em incêndios da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália. O que os incêndios podem fazer? Quando a tempestade se forma, iss significa que o fogo abaixo será grande, rápido e muito perigoso. "Isso significa que ele é grande o suficiente para superar quaisquer outras condições", diz o cientista do clima Jason Evans, também da Universidade de Nova Gales do Sul. O fogo cresce em periculosidade porque carrega as características de uma tempestade — fortes ventos que podem fazer as brasas se dissiparem por todas as direções. Às vezes, também pode criar seu próprio raio, o que pode causar mais incêndios. Apesar de ser uma tempestade, não há chuva. Em vez disso, a tempestade suga mais brasas e as lança muito à frente do ponto do incêndio "para que o fogo avance em grandes saltos", diz o professor Evans. Isso torna o fogo imprevisível e difícil de combater, pois ele reaparece em várias frentes. "Quando você tem uma tempestade, a chuva vem de todas as direções", diz o professor Sharples. "Agora imagine o mesmo para brasas." Bombeiros de Nova Gales do Sul, Estado no sudeste da Austrália, informaram que as brasas estavam pousando 30 km à frente da primeira fila de chamas na terça-feira — três vezes mais que a distância usual. É possível combater esses incêndios? "Eles são basicamente incontroláveis ​​nessa fase. A única opção é sair do caminho", diz Evans. Porém, esses incêndios podem morrer naturalmente se saírem de terrenos acidentados ou forem privados de outros combustíveis. "Quando você chega ao nível catastrófico, esses incêndios tendem a não obedecer as regras usuais", diz Sharples. Nuvens de pirocumulonimbus em incêndios florestais em Victoria em 2014 Randall Bacon Eles estão ficando mais comuns? Quando os incêndios florestais em Nova Gales do Sul se intensificaram na semana passada, alguns foram relatados como tendo produzido nuvens pirocumulonimbus. As autoridades temiam que um incêndio local estivesse subindo para esse nível e enviou um alerta à população. Felizmente, isso não ocorreu. Embora eles sejam considerados eventos bastante raros, as tempestades de fogo se tornaram muito mais comuns nos últimos anos. Uma delas, em 2009, matou 173 pessoas na Austrália. Especialistas australianos registraram quase 60 desses eventos desde 2001. Em março deste ano, houve 18 casos registrados durante incêndios no Estado de Victoria. Em Canberra foi registrado um furacão de fogo em 2003. "Houve um estranho aumento na frequência desses eventos", diz Evans. Eles são mais prováveis ​​quando existem condições extremamente perigosas, como altas temperaturas, ventos fortes e pouca umidade. A probabilidade também é aumentada pelos efeitos da seca. Para cientistas, as mudanças climáticas provavelmente aumentaram as chances de ocorrerem mais tempestades de fogo como essas.
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18/11 - Em ano de crise na Amazônia e petróleo nas praias, Meio Ambiente perde quase 20% dos técnicos
Desde janeiro, pasta transferiu cerca de 100 analistas ambientais, especialistas com atribuições que vão do monitoramento de queimadas e do desmatamento na Amazônia ao acompanhamento do nível do mar na costa brasileira. Funcionários do Serviço Florestal Brasileiro em trabalho de campo em 2017: mais de 100 técnicos foram transferidos para a Agricultura Túllio Maxie/Nordeste reflore/SFB Com a transferência de secretarias inteiras para outras pastas, o Ministério do Meio Ambiente perdeu quase 20% de seus analistas ambientais. São servidores técnicos com atribuições que vão do monitoramento de queimadas e do desmatamento na Amazônia — que cresceu quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, conforme os dados divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Inpe —, ao acompanhamento do nível do mar na costa brasileira. O registro do Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Economia, Planejamento, Desenvolvimento e Gestão mostra que o total desses servidores na pasta caiu de 476 em dezembro de 2018 para 395 em setembro de 2019, redução de 17%. Dados obtidos pela BBC News Brasil via Lei de Acesso à Informação diretamente com o Ministério do Meio Ambiente registram 144 "saídas" de analistas ambientais entre janeiro e julho e 15 "entradas" — ou seja, a perda líquida de 129 profissionais. As bases são diferentes, mas sinalizam a mesma tendência. Os analistas ambientais são a "tropa" de especialistas do Ministério do Meio Ambiente, e ainda representam pouco mais da metade dos servidores da pasta (53% em setembro). A lista de cargos da pasta também traz registro de outra função técnica, a de gestor ambiental, mas a posição é ocupada por uma quantidade restrita de funcionários — 6, de acordo com o dado mais recente disponível. Paralisação e mudança de foco As informações de saída de funcionários do ministério, com detalhes sobre a procedência dos servidores, mostram que, dos 144 que deixaram a pasta entre janeiro e julho, 110 estavam lotados no Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que foi transferido em janeiro para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Outros 14 eram da Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental (SRHQA), que foi repassada também em janeiro para o Ministério do Desenvolvimento Regional. As mudanças constam na polêmica Medida Provisória 870, que não só reduziu o número de ministérios, mas alterou as atribuições de alguns deles. Servidores transferidos do Ministério do Meio Ambiente ouvidos pela BBC News Brasil sob condição de anonimato contam o que mudou no dia a dia do trabalho dos técnicos desde que saíram da pasta: deslocamento de prioridades, paralisação de atividades de monitoramento, falta de articulação com outras secretarias e órgãos ambientais. Bolsonaro entre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e Paulo Guedes: com transferência do SFB, MAPA passou a controlar cadastro ambiental Valeter Campanato/Ag.Brasil Cenário semelhante também é descrito, entretanto, por analistas ambientais que seguem loteados no MMA. 'Salles jamais conversou com a gente' A transferência do Serviço Florestal Brasileiro para a Agricultura pegou os servidores de surpresa, conta um dos biólogos que trabalham como analistas ambientais na secretaria. No fim de 2018, durante a transição entre o governo Michel Temer e a equipe de Jair Bolsonaro, os funcionários "ouviram pelos corredores" sobre a possibilidade de que saíssem do guarda-chuva do MMA. A confirmação veio em janeiro, quando foram informados de que o SFB seria cedido "de porteira fechada" para o Mapa. A titular da pasta, Tereza Cristina, chegou a se reunir com os servidores. Não houve, entretanto, qualquer contato com o ministro do Meio Ambiente. "Ricardo Salles jamais conversou com a gente", ele diz. Os funcionários expressaram preocupação a respeito da transferência compulsória em reuniões organizadas entre as associações de servidores, argumentando a possibilidade de que, fora do guarda-chuva do MMA, as secretarias redirecionassem o foco da agenda ambiental para outra com enfoque maior no fomento à produção em larga escala de commodities. Entre os exemplos de mudanças observadas pelos servidores do SFB nas atividades da secretaria estão a estagnação do Inventário Florestal Nacional, um esforço para catalogação dos recursos florestais brasileiros que começou em 2007, e a desmobilização do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O CAR é um registro público nacional dos imóveis rurais, criado em 2012 com o Código Florestal para facilitar a fiscalização ambiental e o combate ao desmatamento. O SFB é o órgão responsável por compilar os dados. O cadastro foi regulamentado em 2014 e, desde então, a data-limite para a inscrição dos imóveis rurais vinha sendo postergada. Em junho, o governo enviou ao Congresso uma Medida Provisória tornando o prazo indeterminado. A MP foi aprovada em outubro. Assim, os donos de imóveis rurais, em tese, continuam obrigados a cadastrar as propriedades, mas não há mais data-limite para que o façam. "A questão do Cadastro Ambiental Rural tem alguns conflitos sérios de interesse", diz o servidor, referindo-se, por exemplo, ao fato de que a suspensão de um prazo máximo para a inscrição no cadastro, com consequente afrouxamento da fiscalização, seria interessante para muitos produtores do agronegócio com trânsito no MAPA. O Serviço Florestal fica hoje dentro da sede do Ibama em Brasília, algo que deve mudar em breve. Segundo o biólogo, os servidores foram informados de que o SFB se mudaria para a Esplanada dos Ministérios, para a estrutura do MAPA. Só deve permanecer o Laboratório de Produtos Florestais, dado o alto custo de deslocá-lo de um lugar para outro. Funcionários do laboratório, criado em 1973 para desenvolver tecnologias para promover o desenvolvimento sustentável da floresta, temem que o isolamento dificulte o trabalho e que eles eventualmente possam ser vistos como um "estorvo". A reportagem questinou o ministério sobre as mudanças, mas não recebeu resposta. Caso o posicionamento seja enviado, o texto será atualizado. Esvaziamento atrapalhou resposta ao óleo no Nordeste Servidores que seguem no Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, relatam paralisia ou desmobilização em diferentes secretarias. Uma delas é a de Qualidade Ambiental (SQA), à qual caberia a atribuição de lidar com a crise causada pelo vazamento de óleo que vem poluindo praias do Nordeste. Um servidor da área afirma que dois departamentos com capacidade técnica para colocar em prática o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo (PNC), criado em 2013, nunca foram acionados: a Coordenação-Geral de Gestão Ambiental Territorial e Urbana e a Coordenação-Geral de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos. Segundo um funcionário da SQA, os técnicos estão proibidos de fazer reunião com qualquer "ator externo" à pasta, algo hoje restrito apenas a diretores. Associação de servidores chama atenção para o fato de o MMA ter emitido primeiro ofício à Marinha somente um mês após o aparecimento das primeiras manchas de óleo Lucas Landau/Reuters A função das áreas técnicas do ministério, diz ele, é mais estratégica, de articular diferentes órgãos e formular políticas públicas. Assim, a maior centralização de decisões que tem marcado a gestão de Salles à frente da pasta, na visão de analistas ambientais que conversaram com a reportagem, "esvazia o órgão e tira sua capacidade de cumprir suas atribuições". A BBC News Brasil enviou alguns questionamentos à pasta, que se manifestou com a seguinte declaração: "Em relação às perguntas, o MMA informa que os secretários são técnicos de alto nível focados em ações e políticas ambientalistas de resultados". O combate ao vazamento de óleo tem sido feito pelo chamado Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado por Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama. O governo afirma que o PNC foi colocado em prática, o que é contestado pelo Ministério Público, que enumera uma série de pontos da legislação ignorados pela força-tarefa organizada pelo GAA. Em carta publicada no dia 14 de novembro, a associação nacional de servidores chama atenção para o fato de o MMA ter emitido o primeiro ofício à Marinha no início de outubro, cerca de um mês após o aparecimento das primeiras manchas de óleo, e afirma que a resposta ao desastre tem sido "desarticulada" e "descoordenada". Outra área considerada prejudicada dentro da Secretaria de Qualidade Ambiental é a de gerenciamento costeiro, que tem, entre suas atribuições, evitar erosão de áreas litorâneas e acompanhar a elevação do nível do mar. Um servidor que atua nessa área afirma que funções como essas foram deixadas em segundo plano para dar lugar à priorização da agenda de combate ao lixo no mar. "Que também é importante, mas esse acaba sendo um trabalho de sensibilização, de apoio a mutirões que recolhem o lixo na praia, função que nem é do ministério." Funcionários da Secretaria de Biodiversidade, por sua vez, que dá encaminhamento a uma série de projetos financiados com recursos de organizações estrangeiras, como o Banco Mundial, afirmam que têm dificuldade em dar encaminhamento às demandas, que "são barradas por secretários e pelo ministro". São acordos de cooperação técnica, por exemplo, entre o ministério e governos Estaduais, autarquias ou organizações não-governamentais, necessários para que os projetos possam sair de fato do papel. Segundo os servidores, documentos pendentes de assinatura vêm se acumulando na mesa de secretários da pasta. Situação de paralisia também é relatada por analistas ambientais lotados no Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Desde a destituição do conselho deliberativo do fundo, como consequência do "revogaço" anunciado em abril deste ano — que extinguiu uma série de colegiados formados por governo e sociedade civil —, "nenhuma decisão sobre a aplicação dos recursos destes fundos pode ser tomada". Segundo ele, os funcionários continuam "tocando os convênios assinados anteriormente, principalmente 2017 e 2018" e parcerias pontuais, como o edital de R$ 30 milhões para a área de manejo de resíduos sólidos urbanos por meio do Fundo de Defesa de Direitos Difusos. Mas "o futuro é incerto". As inscrições para o conselho do fundo foram abertas em agosto, mas os novos membros, assim como suas atribuições, ainda não foram anunciados. Novas transferências O Ministério do Meio Ambiente deve perder mais técnicos nos próximos meses. Servidores da pasta foram informados recentemente de que 35 analistas ambientais seriam transferidos para o Núcleo de Conciliação Ambiental (Nucam). Sob responsabilidade do Ibama, ele foi criado em agosto com o objetivo de estimular a conciliação entre governo e empresas e organização que tenham sido alvo de autos de infrações — para facilitar, por exemplo, a cobrança e o pagamento de multas ambientais. Cada uma das secretarias teve de indicar uma quantidade pré-determinada de servidores. "O MMA se voluntariou para perder essas vagas", diz um funcionário.
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18/11 - Pescadores do PI pedem decreto de emergência e solicitam apoio financeiro após manchas de óleo
A categoria alegou que, no dia 18 de outubro deste ano, foi protocolado um documento relatando preocupação por parte dos pescadores na Semar e no Ibama. Pescadores estão preocupados com manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube O Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP-PI) se posicionou sobre o surgimento de novas manchas de óleo no Litoral do Piauí. A entidade pediu que o Governo do Piauí decrete estado de emergência em saúde pública. O G1 procurou o governo e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), mas ninguém se posicionou sobre o caso. De acordo com o movimento, o estado de emergência seria “para monitorar os níveis de contaminação do ambiente, dos pescados, das pessoas que têm tido contato direto com o óleo ou das que continuam utilizando as praias para o lazer”. A categoria alegou que, no dia 18 de outubro deste ano, foi protocolado um documento relatando preocupação por parte dos pescadores na Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Manchas de óleo voltam a atingir o Litoral do Piauí Darival Júnior Além disso, os profissionais também visitaram a Capitania dos Portos do Piauí. Eles alegaram que as instituições comunicaram que haviam uma pequena quantidade de manchas de óleo na região, porém, as medidas necessárias já estavam sendo tomadas. “Nós pescadores, conhecendo a situação de contaminação pela chegada de óleo em outros estados do Nordeste, protocolamos no dia 18 de outubro um documento relatando nossa preocupação na Semar, no Ibama, e visitamos a Capitania dos Portos do Piauí para tratar do mesmo assunto. Os três órgãos disseram que nosso estado estava confortável, que tinha só algumas manchas e que estavam tomando providências", relatou. Para o movimento dos pescadores, apenas a limpeza das praias não é suficiente para a resolução do problema. “O Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Estado (MPP-PI) não vai medir esforços para lutar contra essa situação de calamidade que assola todo o nordeste brasileiro e, principalmente, as áreas de proteção ambiental, praias, lagoas e rios. Lembramos que nosso litoral é pequeno, mas muito delicado. Isso pode acarretar em grandes danos ambientais se essas manchas continuarem a chegar, pois destruirá a sua frágil biodiversidade”, pontuou. Força Tarefa faz limpeza nas praias do litoral piauiense após surgimento de novas manchas Divulgação/Marinha do Brasil Por fim, a entidade pediu apoio financeiro, devido aos prejuízos ocasionados pelo desastre. “São necessárias e urgentes as medidas para apoio financeiro aos pescadores e pescadoras que estão, gradativamente, diminuindo sua renda pela dificuldade de venda e pela impossibilidade de pescar devido a contaminação dos locais de pesca”, denunciou. Pescadores preocupados Manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube No sábado (16), pescadores contaram temer que as manchas cheguem ao Rio Parnaíba e afete o abastecimento de água na região. Eles revelaram a falta de peixe após o surgimento do óleo no Delta do Parnaíba. "Foi um susto. É algo que a gente nunca viu por aqui. Vivemos disso, da pesca, e se o local for interditado não saberemos o que fazer", declarou o pescador Carlos Alberto Nascimento Sales, na Praia do Pontal. "A mudança principal tem sido a falta de peixe. Minha preocupação é que as manchas cheguem aos mangues e o rio, porque vai afetar a água que a gente bebe", lamentou o pescador Francisco Soares. Além do Delta do Parnaíba, as manchas de óleo voltaram a atingir outras cinco praias piauienses desde quinta-feira (14). Três delas seguem impróprias para o banho. Ainda no domingo (17), a Marinha divulgou que foram retiradas mais de três toneladas de resíduos oleosos com os trabalhos de limpeza de praias em Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia, desde o início do monitoramento em setembro. Nota do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil: O Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil - MPP Piauí, vem, por meio desta nota, fazer um alerta sobre a contaminação e o risco de vida dos cidadãos que moram ou visitam nossa região, por conta do aumento das manchas de óleo na APA Delta do Parnaíba, que compreende os estados do Piauí, Ceará e Maranhão. Nós pescadores, conhecendo a situação de contaminação pela chegada de óleo em outros estados do Nordeste, protocolamos no dia 18/10/2019 um documento relatando nossa preocupação na Semar Piauí, no Ibama, e visitamos a Capitania dos Portos do Piauí para tratar sobre o mesmo assunto. Os três órgãos disseram que nosso estado “estava confortável, que tinha só umas manchinhas e que estavam tomando providências”. Eles montaram equipes de limpeza de praia com as ONG’s, os pescadores e representantes das prefeituras municipais. Mas insistimos, “não adianta fazer só limpeza de praias, é preciso ações para deter o óleo no mar. Durante os diálogos, insistimos que é criminalizar e matar a população de nosso estado se essa contenção não for feita”. Sabemos que existe lei e políticas públicas que assistem a população para o enfrentamento desse problema, a exemplo do Plano Nacional de Contingência que até agora não foi aplicado. Uma força tarefa com Ibama, ICMBio, Universidades, Semar Piauí, Secretaria Estadual de Saúde, Corpo de Bombeiros, Prefeitura, Exército e Capitania dos Portos junto com as organizações dos pescadores teriam o poder e recursos para a proteção do litoral do Piauí. Consideramos que essas forças deviam estar à frente desta contenção. E isso não foi feito! Temos um Delta de mar aberto, com duas marés por dia, ou seja, as marés avançam e o óleo também para a costa. No mês de outubro, já tínhamos relatos de que o óleo já chegava na Praia da Lama, em Cajueiro da Praia, no Arrombado, Coqueiro e Atalaia, em Luís Correia, também na Pedra do Sal, em Paranaíba e na Resex em Ilha Grande e Araioses (MA). Essa era a grande preocupação dos pescadores. Este petróleo contamina mariscos, caranguejos, ostras, camarões, siris, peixes e todo o ambiente. Não vai matar só os pescadores, mas também toda a população e o turismo. Existe a possibilidade do surgimento de diversas doenças e vários tipos de câncer, a partir da contaminação das águas e dos pescados. Já vimos isso com os pescadores de outros Estados do Brasil. Após o contato com o óleo, surgem manchas e feridas na pele dos pescadores e, também, aparecem nos peixes. Essa situação acontece na Baia de Guanabara que está contaminada por óleo há muitos anos. No dia 14/11, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado, emitiu uma nota interditando provisoriamente o banho em toda a orla da praia de Atalaia, na cidade de Luís Correia, devido ao aparecimento de novas manchas de óleo no local. Toda a área da Pedra do Sal, seja na Praia Brava, no canto do Vieira ou no Pontal, entrando pela Boca da Barra até Canárias e, acima no Igarapé do Periquito, também já estão afetadas pelo óleo, que chegou no dia 15/11. Os pescadores relataram que há muito petróleo no mar chegando para o litoral e nos próximos dias esta situação tende a piorar com a mudança da lua minguante para nova, que trará marés maiores para o fim do mês. Por isso, o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais não vai medir esforços para lutar contra esta situação de calamidade que assola todo o nordeste brasileiro e, principalmente, as áreas de proteção ambiental, praias, lagoas e rios. Lembramos que nosso litoral é pequeno, mas muito delicado. Pode ocorrer um grande dano ambiental se essas manchas continuarem a chegar, pois destruirá a sua frágil biodiversidade. É urgente e necessário ouvir os pescadores e pescadoras que, com seu conhecimento tradicional sobre as espécies e o ambiente marinho, podem contribuir na construção de soluções para a contenção do óleo ainda no mar. Limpar praias somente não avança para solução do problema. É necessário decretar Estado de Emergência em Saúde Pública, conforme propôs a Fundação Oswaldo Cruz, para monitorar os níveis de contaminação do ambiente, dos pescados e das pessoas que têm tido contato direto com o óleo ou que continuam utilizando as praias para o lazer. As consequências serão de longo prazo para a saúde da população. São necessárias e urgentes medidas para apoio financeiro aos pescadores e pescadoras que estão, gradativamente, diminuindo sua renda tanto pela dificuldade de venda, como da impossibilidade de pescar pela contaminação dos locais de pesca. Seguro defeso não deve ser utilizado como instrumento para isso, pois diversas espécies impactadas não tem defeso, a exemplo do caranguejo, siri, ostras, mariscos e peixes de mar em geral.
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18/11 - Fome no Rio: o desafio é priorizar os mais vulneráveis
Homem entra na lixeira para procurar latas na frente da Central do Brasil Marcos Serra Lima/G1 Percorri atentamente a sensível e necessária reportagem assinada por Giselle Ouchana e Rafael Galdo, com fotos de Guido Moreto, na edição de “O Globo” de domingo (17), em que os repórteres denunciam que a extrema pobreza aumentou. Hoje existem, no Rio de Janeiro, 652 mil pessoas vivendo nesta condição. Infelizmente, não há muita novidade nas comoventes histórias que o jornal mostrou. E nosso olhar esgotado de tantas más notícias pode deixar passar, quem sabe naturalizar até, a rotina da mulher que não tem dinheiro nem para procurar trabalho; da mãe que se emociona porque ainda consegue levar o filho à escola; do homem que há cinco anos não toma uma chuveirada. Tempos absurdos. Mas uma história, especificamente, chamou mais a minha atenção. Laudelina Castro, de 52 anos, mora com 12 filhos e 23 netos em Magé, às margens da Rodovia Rio-Teresópolis e sustenta todo mundo com o que planta numa horta ao lado de casa. Legumes, verduras, temperos e ovos é o cardápio da família desde que ela desistiu de criar porcos. Não há frutas. As filhas e a própria Laudelina estão recebendo os benefícios do Bolsa Família e, no total, têm uma renda de R$ 1.748 por mês. Laudelina talvez não tenha esta percepção, mas mesmo com tanta privação e rigor, está oferecendo uma chance de sua família se manter, minimamente, saudável. Por sorte que prioriza a compra de produtos de higiene, limpeza, com o dinheiro que recebe. Caso investisse tudo em alimentos processados, muitos de seus netos estariam, hoje, convivendo com as mazelas da obesidade, engordando os números que indicam que 16% das crianças brasileiras, hoje, estão obesas. Mas, não. À hora da refeição, Laudelina vai à horta e cata, ali, os nutrientes que vão ajudar sua família a não morrer de fome. Peço permissão ao leitor para imaginar um cenário ideal, numa sociedade em que os chefes de estado eleitos realmente priorizassem os cuidados com as pessoas sobre quaisquer circunstâncias. Mais do que isto: uma sociedade em que os cidadãos comuns se incomodassem tanto com a desigualdade social e a penúria dos mais pobres que não suportariam eleger quem não pensasse em políticas públicas que possam consertar isto. Nesta sociedade ideal, criada somente em minha imaginação, os governantes eleitos teriam um olhar cuidadoso, dariam uma atenção especial à senhora Laudelina. Se não existe uma situação ideal na condição de penúria e fome, a solução dada pela mulher para alimentar sua família é, no mínimo, criativa. Ela deveria estar recebendo subsídios do governo municipal ou estadual para manter sua horta. Uma primeira providência seria mandar lá alguns técnicos para avaliar se o terreno é próprio, se não está contaminado. Sementes, terra, adubos orgânicos e alguma capacitação poderiam dar à horta uma condição melhor. Quem sabe Laudelina pudesse, em pouco tempo, espalhar seus produtos pela vizinhança? Vendê-los, sim, a um preço justo. Estaria ajudando a promover o desenvolvimento local, como não? Nada disto seria possível sem parcerias com organizações não governamentais, da sociedade civil, que podem ajudar neste diálogo. Vandana Shiva, física indiana e ambientalista, fundadora da maior rede orgânica de comércio justo da Índia, a Navdanya é um bom exemplo que poderia ser seguido. Ela criou, há mais de quatro décadas, o Banco de Sementes em seu país, distribuindo aos produtores agrícolas vulneráveis, quase como Laudelina, as sementes que poderiam ajudar a começar sua plantação. Para Vandana Shiva, sempre uma ativista, seu Banco de Sementes é, também, uma forma de resistir aos monopólios de propriedade intelectual de grandes corporações de alimentos. São mais de 700 variedades de arroz, 200 de trigo, mais de cem feijões espalhados, na Índia, para ajudar os pequenos agricultores, sem condições econômicas, ou que pretendem se tornar orgânicos. As sementes são enviadas com uma exigência: de que serão devolvidas na próxima colheita. A iniciativa de Vandana ajudou a criar mais 150 bancos similares em seu país. Se Vandana Shiva conhecesse a história de luta de Laudelina, certamente saberia como ajudá-la a melhorar sua produção agrícola para alimentar mais e mais bocas. Num artigo publicado há cerca de três anos na revista “Resurgence & Ecologist”, a indiana propõe um pacto, “uma nova visão da cidadania planetária baseada em reciprocidade, cuidado e respeito”. “O pacto começa quando se percebe o solo como uma entidade viva, a Terra Viva, cuja sobrevivência é essencial para todos nós. O futuro será cultivado a partir do solo, e não mais do mercado global de finanças fictícias, consumismo e pessoas jurídicas. Precisamos sair deste ponto de vista corporativo para outro que tenha o centro na família Terra. Onde quer que estejamos neste planeta, o solo é nossa base.” Como o leitor pode perceber, a sociedade ideal que eu imaginei não está assim tão distante da realidade. O que falta é vontade política para priorizar este tema. A reportagem traz histórias de pessoas que já acessam os benefícios dados pelo governo. Mas, a partir do relato de Aparecida Matias, que mora com o filho em Belford Roxo e disse que só no mês passado conseguiu se cadastrar no Bolsa Família (não tem estudo, não tem acesso fácil aos registros), é fácil concluir que muita gente deve estar fora do radar oficial. Lembrei-me de uma reportagem que fiz para a edição de agosto de 2011 do “Razão Social”, encartado em “O Globo” , em que descrevi o “Busca Ativa”. Foi um programa feito em parceria – governo de Dilma Roussef com iniciativa privada – com o objetivo de encontrar pessoas que, embora necessitassem, não estavam dentro de nenhum projeto de transferência de renda. Com o fim do governo, lá se foi o programa. Faz parte do jogo do sistema político e mostra bem que como os cidadãos vulneráveis não são prioridade. Mas, há uma boa notícia em toda esta história. Enquanto fui absorvendo os detalhes da situação precária em que vivem os entrevistados que abriram a porta de suas casas para a equipe de “O Globo”, lembrei-me de mim mesma, quando trabalhava na editoria Rio do jornal. Era início dos anos 90, e dividi com a chefia a ideia de fazer uma reportagem que mostrasse que a fome não estava só no Nordeste, como naquela época se acreditava. Aqui mesmo, no Rio de Janeiro, segundo centro financeiro do país, seria possível achar quem dormia sem ter comido nada durante todo o dia. Dito e feito. A reportagem foi publicada com um número impressionante: dois milhões de pessoas, à época, estavam em situação de extrema pobreza. A boa notícia é que este número, embora alto, já é bem menor do que há três décadas. Por outro lado, mostra que o tamanho do desafio, agora, é bem menor e mais fácil de ser enfrentado. Não custa repetir: depende de se dar prioridade aos mais vulneráveis.
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18/11 - Ambientalistas cobram ação do governo após alta de quase 30% do desmatamento na Amazônia
Levantamento do Inpe divulgado nesta segunda-feira (18) confirmou tendência de aumento. A área desmatada de agosto de 2018 a julho de 2019 foi de 9.762 km². Grupos de defesa do meio ambiente, pesquisadores e especialistas cobraram ações concretas do governo federal para conter a destruição da floresta amazônica, após a confirmação de que houve um aumento de 30% da área desmatada na Amazônia no último período de 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Área desmatada na Amazônia foi de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019 Ministro culpa atividades ilegais e cobra 'ambientalismo de resultados' Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia Ibama faz operação de combate ao desmatamento ilegal na região de Castelo dos Sonhos, em Altamira (PA), em agosto de 2016. Felipe Werneck / Ibama O coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, Marcio Astrini, disse ao G1 que o aumento do desmatamento está diretamente relacionado à postura do governo em relação ao problema. "O governo abriu mão de fiscalizar, de passar a mensagem correta da resposta ao problema", afirmou. "Na Amazônia, é muito mais barato você combater o desmatamento do que fazer replantio. A Amazônia é um lugar de difícil acesso e a reposição florestal ocorre depois de décadas. Há perdas ali, principalmente dentro de áreas protegidas, que não têm mais retorno." – Marcio Astrini, do Greenpeace O diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, afirmou em nota que "se o governo federal não modificar profundamente sua postura em relação ao tema, o desmatamento tende a crescer ainda mais no próximo ano, fazendo com que o país retroceda 30 anos em termos de proteção à Amazônia." O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, mostrou preocupação com a tendência. "Propostas como legalização da grilagem de terras públicas, mineração e agropecuária em terras indígenas, e infraestrutura sem licenciamento ambiental só mostram que os próximos anos podem ser ainda piores” - Carlos Rittl, do Observatório do Clima O representante do Observatório afirmou ainda que, "diferentemente do que aconteceu em anos anteriores de elevação da taxa [de desmatamento], desta vez não foi anunciado pelo governo federal nenhum plano crível para reverter a situação". Rittl questiona se os parceiros comerciais do Brasil continuarão confiando na capacidade do país de manter o desmatamento sob controle e cumprir as metas do Acordo de Paris. Já para Adriana Ramos, diretora de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental (ISA), "nenhuma taxa é aceitável quando se sabe que mais de 90% do desmatamento é ilegal". Ela critica o fato de que a gestão do ministro Ricardo Salles vem buscando alterar a estrutura do Fundo Amazônia, o que Ramos define como "único instrumento de financiamento voltado a redução do desmatamento na Amazônia". O cientista Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe e atual chefe do Grupo de Observação Geoespacial (GEO, na sigla em inglês), avalia que os dados do Prodes divulgados nesta segunda-feira mostram que "regredimos 10 anos" no combate ao desmatamento. "O pior é que liberou geral. AC com 2a. maior taxa desde 2004 (668 km2). Em RR e AM, maior taxa desde 1990. A metástase da ilegalidade se espalha por toda a Amazonia. Desmatadores por toda parte, respondendo aos incentivos firmes do governo", disse Gilberto Câmara em uma rede social. Em nota, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) disse que os números oficiais do desmatamento "mostram que a derrubada da floresta ganha força quando deveria cair." De acordo com o Ipam, é preocupante que 40% do desmate ocorrido entre janeiro e julho deste ano tenha acontecido em terras públicas. “As terras públicas são áreas de responsabilidade do poder público, onde ações de comando e controle são fundamentais para coibir a grilagem de terras e a extração ilegal da madeira”, disse a diretora sênior do órgão, Ane Alencar. "Quando o desmatamento cresce nessas áreas, é cristalino o enfraquecimento da fiscalização em campo." Initial plugin text
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18/11 - CNPq vai financiar estudos para minimizar impactos de áreas atingidas por óleo, diz governo
Medida anunciada pelo ministro Marcos Pontes nesta segunda-feira (18) tem como objetivo incentivar estudos a curto e longo prazo sobre consequências e trazer opções para solucionar os problemas ocasionados nas áreas atingidas pelo óleo. Mancha de óleo é vista na praia de Peroba, em Maragogi (AL) Diego Nigro/Reuters O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) quer financiar bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para minimizar os impactos de áreas atingidas pelo óleo no litoral do Nordeste e Sudeste. Manchas de óleo: o que se sabe sobre o problema Lista de praias atingidas pelas manchas de óleo no litoral A medida foi anunciada pelo ministro Marcos Pontes durante coletiva nesta segunda-feira (18) no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em São José dos Campos. Segundo o ministro, a ideia é incentivar estudos a curto e longo prazo das consequências e trazer opções para solucionar os problemas ocasionados nas áreas atingidas pelo óleo. "Vamos lançar uma chamada do CNPq para estudos de pequeno e longo prazo da recuperação das áreas atingidas por óleo. Vamos fazer uma chamada inicial que vai tratar a curto prazo. Estamos angariando recursos, mas será na ordem de R$ 4 e R$ 8 milhões neste ano. [Em 2020] será R$ 20 milhões para estudos a curto e longo prazo. A ideia é utilizar esses recursos para trazer soluções para os problemas do país com uso de ciência", disse o ministro. As manchas de óleo no litoral atingem mais de 640 locais no Nordeste e Sudeste desde o final de agosto - segundo o mais recente balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com dados até o dia 17 de novembro. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. Os primeiros registros nas praias surgiram em 30 de agosto na Paraíba, em Tambaba e Gramame, no município de Conde, e na Praia Bela, em Pitimbu. Apesar disso, as investigações apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa paraibana. Combate às manchas de óleo Arte/G1 Initial plugin text
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18/11 - Prefeitura de Maragogi revoga decreto de alerta máximo por causa do óleo nas praias
Município diz que não há ocorrência de óleo que justifique manutenção do decreto publicado em outubro. Apesar da revogação, fica mantido grupo para monitorar situação no litoral. Desde que começaram a surgir as primeiras manchas de óleo, foram realizados diversos mutirões de limpeza nas praias de Maragogi José Valdemar/Arquivo pessoal A prefeitura de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, revogou o decreto de alerta máximo que havia publicado em outubro por causa do surgimento de óleo nas praias do município. A medida foi publicada no Diário Oficial dos Municípios do Estado nesta segunda-feira (18). Para suspender o alerta, a publicação justifica, entre outros fatos, "a inocorrência de novos episódios de surgimento de manchas de óleo no litoral de Maragogi". A revogação foi definida no dia 13 de novembro, mas só foi publicada nesta manhã. O decreto anterior havia sido assinado em 23 de outubro e tinha validade até o dia 23 de dezembro deste ano. Entretanto, de acordo com o relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atualizado no domingo (17), foram encontrados neste fim de semana vestígios de óleo em três localidades de Maragogi: Praia do Salgado, Centro e Rio Persinunga. Para estas ocasiões, a prefeitura decidiu manter ativo o grupo técnico criado para monitorar a situação. "Fica mantido o Grupo Técnico de Acompanhamento criado pelo Decreto nº 015/2019 que instaurou o Estado de Alerta Máximo, ora revogado, devendo semanalmente, ou a critério do Chefe do Poder Executivo Municipal, o GTA emitir Relatórios Técnicos circunstanciados acerca das condições ambientais das praias de Maragogi, ou da possível ressurgência de manchas de óleo na zona costeira municipal", diz trecho da publicação. Initial plugin text
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18/11 - Ministro culpa atividades econômicas ilegais por desmatamento e cobra 'ambientalismo de resultados'
Desmatamento na Amazônia foi de 9.762 km² de agosto de 2018 a julho de 2019. É a maior área registrada desde 2008, quando o sistema somou 12.911 km² de área devastada. Ricardo Salles culpa atividades ilegais por aumento do desmatamento da Amazônia O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta segunda-feira (18) que o aumento de quase 30% no desmatamento na Amazônia tem relação com atividades econômicas ilegais. "O motivo do aumento [do desmatamento] são os conhecidos de 2012 para frente: a pressão das atividades econômicas, a maior parte ilegal. Precisamos de estratégias para conter isso", afirmou Ricardo Salles. Ele deu a declaração durante a apresentação, na manhã desta segunda, dos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos. "Ao contrário dos números divulgados nos últimos anos, vimos 29% [de aumento]. Ele está longe do que queríamos, mas está longe dos números de três casas decimais que foram divulgados", comentou. "Queremos um ambientalismo de resultados e, sem isso, vamos continuar vendo isso. Precisamos de alternativa de economia sustentável para aquela região da Amazônia." Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, diz Inpe Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia Neste ano, alertas diários emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) já vinham mostrando aumento de áreas desmatadas na Amazônia. Os números do Prodes, divulgados anualmente, confirmam a alta. Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%. O dado divulgado nesta nesta segunda ainda é preliminar: o Inpe revisará o dado no primeiro semestre do ano seguinte para chegar à taxa consolidada. Desmatamento na Amazônia - dados do Prodes Rodrigo Sanches/G1 O Prodes faz o mapeamento com imagens dos satélites Landsat, CBERS e ResourceSat. O sistema consegue quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. Também registra o chamado "corte raso" das florestas, que é a remoção completa da cobertura florestal primária. "Precisamos adotar medidas diferentes pra combater o desmatamento. Vamos discutir quais são os pontos de convergência para os entes estaduais e federais para combate. Vamos nos reunir na quarta", disse Salles. Dados do desmatamento Alta foi de 29,5% em 12 meses: área passou de 7.536 km² (agosto/17 e julho/18) para 9.762 km² (agosto/18 e julho/19); Foi a maior área desde 2008, quando o Prodes apontou 12.911 km² desmatados; Desde 2012, quando desmatamento foi de 4.571 km², aumento anual foi de 11,4%; Quatro estados respondem por 84% da floresta derrubada, sendo 40% no Pará; Ministro Ricardo Salles diz que principal motivo do crescimento é prática de atividades econômicas ilegais; Pesquisadores e ONGs cobram fiscalização e nova postura do governo federal. Amazônia registra o maior índice de desmatamento desde 2008 Initial plugin text
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18/11 - Quatro estados respondem por mais de 80% do desmatamento na Amazônia
Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia registraram 8213km² de área desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019 Quatro estados da Amazônia Legal foram responsáveis por 84,13% do desmatamento na região, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No levantamento divulgado nesta segunda-feira (18), entre agosto de 2018 e julho de 2019, o Pará liderou o desmate da floresta, seguido por Mato Grosso, Amazonas e Rondônia. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). O desmatamento na Amazônia foi de 9.762 km² de agosto de 2018 a julho de 2019, e os quatro estados responderam por uma área desmatada de 8.213 km². Área de desmatamento nos estados, segundo dados do Prodes em 2019 (agosto/18 - julho/19) Rodrigo Sanches/Arte G1 Pará tem maior contribuição Com 3.862 km² de área desmatada, o estado do Pará teve a maior contribuição com o desmatamento da região. Foram 39,56% de toda a floresta derrubada. Mato Grosso, Amazonas e Rondônia ultrapassaram os mil km² de desmatamento e foram, nesta ordem, os estados que mais contribuíram com o aumento da taxa de desmate atrás do Pará. Veja os índices de desmatamento em cada estado Desmatamento por estado da Amazônia Legal Maior desde 2008 O desmatamento na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi de 9.762 km², maior número desde 2008, quando a floresta teve mais de 12 mil km² de sua área derrubada. Em relação ao levantamento do ano passado, houve um aumento de 29,5% de áreas desmatadas em relação ao período de agosto de 2017 a julho de 2018 – quando foram registrados 7.536 km². Balanços oficiais de desmatamento da Amazônia confirmam dados de sistema de alerta O sistema usa esse intervalo porque ele abrange tanto as épocas de chuva quanto as de seca na região amazônica. Desse modo, envolve os momentos mais cruciais no "ciclo do desmatamento" e é capaz de identificar eventuais influências do clima. O desmatamento costuma ser seguido de queimadas. Desmatamento na Amazônia - dados do Prodes Rodrigo Sanches/G1 Realizado desde 1988, o levantamento do Prodes é considerado o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento no Brasil. Porém, a informação publicada nesta segunda ainda é preliminar: como em todos os anos, o Inpe revisará o dado no primeiro semestre de 2020, e chegará à taxa consolidada. O Prodes faz seu mapeamento com imagens dos satélites Landsat, CBERS e ResourceSat. O sistema consegue quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. Também registra o chamado "corte raso" das florestas, que é a remoção completa da cobertura florestal primária. Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%.
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18/11 - Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, diz Inpe
Área desmatada no período foi de 9.762 km². Levantamento é do sistema Prodes, do governo federal, que é o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento. Amazônia registra o maior índice de desmatamento desde 2008 A área desmatada na Amazônia foi de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, de acordo com números oficiais do governo federal divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trata-se de um aumento de 29,5% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que registrou 7.536 km² de área desmatada. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), considerado o mais preciso para medir as taxas anuais. Ele é diferente do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que mostra os alertas mensais e já sinalizava tendência de aumento. Entenda em 7 tópicos Alta foi de 29,5% em 12 meses: área passou de 7.536 km² (agosto/17 a julho/18) para 9.762 km² (agosto/18 a julho/19); É a maior área desde 2008, quando o Prodes apontou 12.911 km² desmatados; Desde 2012, quando desmatamento foi de 4.571 km², o aumento anual vinha sendo de 11,4%, em média; Quatro estados respondem por 84% da floresta derrubada, sendo 40% no Pará; Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%; O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diz que principal motivo do crescimento é prática de atividades econômicas ilegais; Pesquisadores e ONGs cobram fiscalização e nova postura do governo federal. Desmatamento na Amazônia - dados do Prodes Rodrigo Sanches/G1 Críticas aos dados do Deter O número apresentado via Prodes é 42,8% maior do que os números compilados com base nos alertas do Deter. O sistema de alertas foi alvo de críticas dentro do governo federal no meio do ano. À época, os alertas do desmatamento no Brasil - medidos pelo Deter - registraram alta de 88% em junho e de 212% em julho. Naquele período, sobretudo em julho e agosto, o governo criticou o uso dos dados e afirmou que a medição do Deter não deveria ser usada em comparativos e que os números que deveriam ser considerados são os do Prodes. O Inpe chegou a ser acusado pelo presidente Jair Bolsonaro de mentir sobre os dados e agir a "serviço de alguma ONG". A polêmica terminou com a demissão do então diretor do órgão, Ricardo Galvão. Em agosto, seguindo anúncio do ministro Ricardo Salles, o Ibama lançou um edital para contratar empresa privada para monitorar desmatamento na Amazônia. Comparativo dos balanços Deter x Prodes Arte/G1 Período de agosto a julho O Prodes considera o intervalo entre agosto e julho porque o período abrange tanto as épocas de chuva quanto as de seca na região amazônica. Desse modo, leva em conta os momentos mais cruciais no "ciclo do desmatamento" e é capaz de identificar eventuais influências do clima. O levantamento do Prodes é realizado desde 1988. A informação publicada nesta segunda ainda é preliminar: como em edições anteriores, o Inpe revisará o dado no primeiro semestre do ano seguinte, para chegar à taxa consolidada. A divulgação dos dados mais recentes ocorreu durante um evento em São José dos Campos (SP) e teve a presença dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, além do diretor do Inpe, Darcton Damião. Foto aérea mostra uma parcela desmatada da Amazônia perto de Porto Velho Ueslei Marcelino/Reuters O Prodes faz o mapeamento com imagens dos satélites Landsat, CBERS e ResourceSat. O sistema consegue quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. Também registra o chamado "corte raso" das florestas, que é a remoção completa da cobertura florestal primária. O atual índice compreende áreas desmatadas no 2° semestre do ano passado, ainda sob a gestão do então presidente Michel Temer, e neste 1º semestre, já na gestão de Jair Bolsonaro. O ministro Ricardo Salles diz que fará uma reunião nesta semana para discutir medidas. Índice mais baixo é de 2012 O pico do desmate ocorreu em 1995, 29.059 km², em período que abrange os governos Itamar Franco e Fernando Henrique, sendo que o número caiu para 13,2 mil km² em 1998. Já em 2004 (agosto/2003 - julho/2004) novamente a área passou dos 20 mil km², chegando ao total de 27,7 mil km². À época sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo lançou um plano de ação que incluiu a criação do Deter. Na visão dos especialistas, as medidas foram essenciais para a trajetória de queda nos anos seguintes, chegando ao menor número em 2012, com cerca de 4,5 mil km² desmatados. Entenda as diferenças entre os sistemas que monitoram o desmatamento na Amazônia Balanços oficiais de desmatamento da Amazônia confirmam dados de sistema de alerta Desmatamento por estados No atual levantamento, quatro estados respondem por 84% da floresta derrubada. Com 3.862 km² de área desmatada, o Pará teve a maior participação. Foram 39,56% de toda a floresta derrubada nestes 12 meses. Área de desmatamento nos estados, segundo dados do Prodes em 2019 (agosto/18 - julho/19) Rodrigo Sanches/Arte G1 Mato Grosso, Amazonas e Rondônia ultrapassaram os mil km² de desmatamento e foram, nesta ordem, os estados que mais contribuíram com o aumento da taxa de desmate depois do Pará. Desmatamento por Estado Initial plugin text
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18/11 - Bombeiros desmontam peças de carro para resgatar tamanduá em motor em MT
Motorista ouviu barulho no capô de carro e encontrou o animal. Tamanduá foi salvo em segurança e solto em área de preservação. Tamanduá-mirim foi resgatado depois de ficar preso no motor de um carro no sábado (16) em Sinop, a 503 km de Cuiabá Corpo de Bombeiros de Sinop/Divulgação Um tamanduá-mirim foi resgatado depois de ficar preso no motor de um carro no sábado (16) em Sinop, a 503 km de Cuiabá. Segundo o Corpo de Bombeiros de Sinop, a motorista do veículo ouviu um barulho no capô e encontrou o animal no compartimento do motor. Motorista ouviu barulho no capô de carro e encontrou o tamanduá Corpo de Bombeiros de Sinop/Divulgação A situação ocorreu na Rua Jambeiros, no bairro Itaúbas, em Sinop. O carro, modelo Corolla, estaria estacionado. Uma mulher, proprietária do automóvel, ouviu o barulho e, ao abrir o capô, encontrou o tamanduá. Tamanduá foi retirado do carro em segurança e sem ferimentos Corpo de Bombeiros de Sinop/Divulgação Os bombeiros foram chamados e tiveram que desmontar algumas peças do veículo para chegar até o tamanduá. O animal foi retirado em segurança e sem ferimentos. Tamanduá foi colocado em caixa de transporte e solto em área de preservação em Sinop Corpo de Bombeiros de Sinop/Divulgação De acordo com os bombeiros, o tamanduá aparentava estar saudável e foi solto imediatamente em uma área de proteção permanente. Tamanduá-mirim Para se alimentar, o Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) utiliza uma técnica bastante simples: vale-se de suas fortes garras (quatro ao todo) para fazer buracos no cupinzeiro e, com a língua pegajosa, capturar os insetos, guiado sobretudo por um olfato apuradíssimo, que compensa as fracas visão e audição. Este animal é também frequentemente ameaçado por outras ações do homem, direta ou indiretamente, como os atropelamentos em rodovias próximas ao seu ambiente natural, e ao frequente ataque de cães domésticos. Por causa dos hábitos noturnos, dificilmente é visto de dia. Como característica física principal, ele possui cabeça, pernas e parte anterior do dorso com uma coloração típica, amarelada. Já o restante do corpo é negro, formando uma espécie de colete. O tamanduá-mirim peso até 5 quilos e vive aproximadamente 9 anos.
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18/11 - Marinha avista novas manchas no Delta do Parnaíba e ICMBio estima cerca de 1 tonelada de óleo na região
No domingo (17), durante um sobrevoo na área, foram avistadas novas manchas de óleo. Um navio patrulha da Marinha iniciou um novo monitoramento na região nesta segunda-feira (18). Marinha confirma que área do Delta do Rio Parnaíba foi atingida pelo óleo Um navio patrulha da Marinha iniciou na manhã desta segunda-feira (18) uma vistoria no Litoral do Piauí. De acordo com a Capitania dos Portos do Piauí (CPPI), no domingo (17), durante sobrevoo na região do Delta do Parnaíba, único em mar aberto das Américas, foram avistadas novas manchas de óleo e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estima que existe cerca de uma tonelada da substância nesse santuário ecológico. "Foram realizados dois sobrevoos. Em um deles detectamos a presença desse material na área de praia. Mais especificamente na Praia do Pontal, Barra das Melancieiras, Praia do Passeio, na Ilha do Caju, Ilha dos Poldros e Ilha das Canárias", informou o comandante da CPPI, capitão de fragata Dante Duarte. Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube O comandante disse ao G1 que não foram avistadas manchas no mar. "Até o momento não foram detectadas mais manchas na água, apenas nessa região de praia. O representante do ICMBio que participou do voo avaliou de forma preliminar e estimou a presença de aproximadamente 1 tonelada de material oleoso nessa área", disse. A previsão é que até terça-feira (19) a Marinha monitore os 66 km da costa. Ainda no domingo (17), a Marinha divulgou que foram retiradas mais de três toneladas de resíduos oleosos com os trabalhos de limpeza de praias em Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia, desde o início do monitoramento em setembro. Marinha e ICMBio encontram manchas em praias no Delta do Parnaíba Divulgação/Marinha De acordo com o balanço feito pela Marinha, somente no final de semana foram recolhidos 2.768 Kg de óleo. A praia de Pedra do Sal foi o local onde houve uma quantidade expressiva de mancha de óleo. Na sexta-feira (15), foram recolhidos da praia 201 Kg, no dia seguinte este número foi oito vezes maior, com 1 650 k de resíduos oleosos. O reaparecimento de manchas de óleo no Delta do Parnaíba foi confirmado na sexta-feira (15) pela Marinha do Brasil, sendo a primeira vez na área que pertence ao estado do Piauí, na Praia do Pontal, em Ilha Grande. No sábado (16), manchas de óleo atingiram mais praias e ilhas do santuário. Equipes do Piauí e Maranhão iniciaram limpeza dos pontos afetados para evitar que os fragmentos cheguem aos mangues. Praias impróprias para banho Semar instala placas de água imprópria para banho na Praia de Atalaia, em Luís Correia (PI) Divulgação/Semar Desde 30 de setembro não havia presença de óleo nas praias piauienses. No entanto, novas manchas apareceram na Praia de Atalaia nessa quinta-feira (14) e a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) decretou a praia imprópria para o banho. Neste mesmo dia, foram retirados 80kg de resíduo. Na sexta-feira (15) foram 830 kg e no sábado (16) somente dois quilos. A Praia Peito de Moça registrou cinco quilos de manchas de óleo em sua orla. No sábado (16), a Praia Pedra do Sal, situada no município de Parnaíba, também foi considerada imprópria para o banho após o aparecimento de manchas de óleo. Óleo atinge turistas Turistas ficam sujos com manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Darival Júnior Alguns turistas tiveram contato com as manchas de óleo na Praia do Coqueiro, situada no município de Luís Correia. A praia não foi uma das consideradas imprópria para banho pela Secretaria de Meio ambiente e Recursos Hídricos do estado. Iranildo Barros, pai de um garoto de 10 anos que entrou em contato com material, explicou que a mancha apareceu no corpo do filho após ele ter entrado no mar. Ele revelou também que outras três pessoas tiveram a pele manchada pelo óleo. “Apareceu a mancha de óleo em pelo menos quatro pessoas. O material apareceu no corpo de quem tomou banho e de quem apenas caminhou por aqui perto. O meu filho, de apenas 10 anos, entrou no mar e a mancha atingiu o pé dele. Esse óleo dá um trabalho na hora de sair”, contou ao G1.
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18/11 - Assoreamento fecha Canal de Itaipu, em Niterói, e moradores fazem mutirão para tirar areia
Banhistas afirmam que situação é a pior em 40 anos. Prefeitura culpa as marés. Moradores de Niterói denunciam o assoreamento do Canal de Itaipu O Canal de Itaipu, que une um lago ao mar e divide as praias de Camboinhas e de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, “secou” na semana passada. Banhistas afirmam que o assoreamento vem piorando desde 2014 e atingiu este mês o maior volume da história. O fechamento do canal foi um fenômeno inédito, segundo o diretor do Conselho Comunitário de Moradores da Região Oceânica, Gonzalo Perez. “É a primeira vez que a gente vê secar. O canal já esteve praticamente fechado, mas sempre havia uma entrada, uma saída, pequena de água. Dessa vez não, foi o fechamento total”, frisou Perez. Boca do canal fechada por areia e pela maré baixa Reprodução/TV Globo Banhistas tiram areia para reabrir o Canal de Itaipu Reprodução/TV Globo Um mutirão reuniu frequentadores e voluntários para reabrir o curso d’água, que neste fim de semana estava com a largura normal. “Pegamos pá, enxada, balde e carrinho de mão e começamos a tirar areia com toda a força de vontade de vencer”, disse o morador Marcos Paulo Damasio. “A água aqueceu muito, os siris estavam morrendo, os peixes estavam morrendo e a gente estava aqui lutando”, lembra. Canal fez 40 anos O Canal de Itaipu, aberto em 1979, sempre foi uma área de lazer para os banhistas e de trabalho para os pescadores. As marés interferem na largura do canal, mas quem frequenta a região relata que ele tem ficado mais estreito. A areia, o lixo e o esgoto acumulado impedem a troca de água entre o mar e a lagoa. Mapa localiza o Canal de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói Infografia: Eduardo Pierre/G1 O morador Marcos Gomes da Silva reclama do descaso. “Muita gente não sabe, mas piscinas e piscinas de esgoto são despejadas na lagoa diariamente. E a gente vê criancinha, bebê, todo tomando banho, bebendo essa água, arriscado a pegar uma hepatite, uma doença. É lamentável”, afirma. “Quando não tem uma pressão de água forte entrando no canal, o que a gente percebe é uma mortandade de peixes e tartarugas”, disse Marcos. Canal de Itaipu estava cheio no último fim de semana Reprodução/TV Globo Risco de nova seca Apesar da mobilização para reabrir o canal, a situação não está totalmente resolvida. Ainda é possível ver bancos de areia e, segundo os moradores, o problema pode piorar se não for feita a dragagem do canal. “Fizemos um paliativo, mas a gente sabe que não é um serviço que vai adiantar muito. É um soro, mas não é um remédio que vai solucionar o problema”, disse Marcos Paulo. “Era importante que se fizesse um projeto, não apenas para reabrir, mas para dragar o canal, para tirar essa areia”, disse Perez. O medo dos moradores é de que tudo isso se repita. “Só falta aumentar a temperatura, chegar o verão e a gente ter uma tempestade perfeita. Esgoto, temperatura da água subindo e o canal fechado, sem oxigenação. A gente espera que eles tenham uma ação imediata desassoreando ou dragando definitivamente esse canal para que a vida volte à lagoa”, disse Marcos. O que dizem as autoridades A Prefeitura de Niterói negou que tenha acontecido interrupção do fluxo de água no canal. A prefeitura informou que o processo de fechamento da passagem é natural por causa das correntes marítimas. E garantiu que a areia foi retirada. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que duas máquinas foram disponibilizadas para o desassoreamento do canal após uma reunião com a prefeitura. O Inea também disse que vai estudar um plano para solucionar o problema. Moradores protestam contra o assoreamento do canal Reprodução/TV Globo
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17/11 - Mais de três toneladas de óleo são retiradas de praias no Piauí
Uma força tarefa foi montada para limpar os pontos atingidos com ajuda do Ibama, Corpo de Bombeiros, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Defesa Civil. Novas manchas de óleo foram registradas na Praia de Atalaia no Piauí Divulgação/ Marinha A Marinha divulgou um balanço do trabalho de limpeza das praias localizadas no Litoral do Piauí. Desde as primeiras ocorrências, já foram retiradas mais de três toneladas de resíduos oleosos em Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia, desde o início do monitoramento em setembro. Conforme o levantamento, só nos últimos três dias foram recolhidos 2.768 Kg de óleo. A praia de Pedra do Sal foi o local onde houve uma quantidade expressiva de mancha de óleo, pois no feriado foram recolhidos da praia 201 Kg, no dia seguinte este número foi oito vezes maior com 1 650 k de resíduos oleosos. Força Tarefa faz limpeza nas praias do litoral piauiense após surgimento de novas manchas Divulgação/Marinha do Brasil Na Praia de Atalaia que desde o dia 14 de novembro foi decretada imprópria para o banho foram retirados 80kg de resíduo no dia 14 de novembro, no feriado (15 de novembro) foram 830 kg e no dia 16 de novembro somente dois quilos. Já a Praia Peito de Moça registrou cinco quilos de manchas de óleo em sua orla. "As manchas de óleo são diferentes das outras vezes, que tinham aspecto de massa. Desta vez, elas são pulverizadas, como se fossem moedas na areia e na água. Outras praias atingidas foram: Pedra do Sal, em Parnaíba, Peito de Moça e Coqueiro, em Luís Correia e Delta. Estamos com uma força tarefa para fazer a limpeza desses pontos", explicou o comandante Dante Duarte. Manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Roberto Segundo o capitão, no Delta do Parnaíba será feito uma limpeza pela Capitania do Maranhão e Exército Brasileiro. Já nas praias piauienses, uma força tarefa foi montada para limpar os pontos atingidos com ajuda do Ibama, Corpo de Bombeiros, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Defesa Civi A Marinha do Brasil monitora o litoral do Piauí desde o dia 2 de setembro deste ano. Desde 30 de setembro não havia presença de óleo nas praias piauienses. No entanto, novas manchas apareceram na Praia de Atalaia nessa quinta-feira (15) e a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) decretou a praia imprópria para o banho. Óleo no Delta do Parnaíba Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube A Marinha do Brasil confirmou na tarde sexta-feira (15) reaparecimento de manchas de óleo no Delta do Parnaíba, o maior das Américas. Desta vez, o material foi encontrado na Praia do Pontal, em Ilha Grande, parte pertencente ao Piauí. Outras cinco praias piauienses voltaram a ser atingidas pelo material desde quinta-feira (14). Turistas sujos de óleo Turistas ficam sujos com manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Darival Júnior Alguns turistas que estão na Praia do Coqueiro, situada no município de Luís Correia, e na Pedra do Sal, em Parnaíba, tiveram contato com as manchas de óleo que reapareceram no litoral piauiense. Apesar do registro, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) não confirmou a presença de manchas na Praia do Coqueiro e reforçou que apenas a Praia de Atalaia continua imprópria para banho. Já a Marinha confirmou as manchas de óleo no local nesta sexta-feira (15). De acordo com a Marinha, a análise de balneabilidade de uma praia é uma prerrogativa da Semar, que avalia tecnicamente os parâmetros com base em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
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17/11 - Biorremediação: os métodos naturais que podem ajudar a recuperar áreas manchadas pelo petróleo
O vazamento de petróleo já atingiu 450 praias no litoral do Nordetse e do Espírito Santo. O ideal seria conter a substância tóxica ainda no mar. Mas o que fazer, então, depois que o contaminante alcança areia, estuários e manguezais? Marinha busca por óleo em estuários e mar de Pernambuco Reprodução/TV Globo Na trajetória do derramamento de petróleo que já atingiu mais de 450 praias do litoral nordestino e chegou ao Espírito Santo, uma opinião prevalece entre todos os especialistas no tema: o ideal seria conter a substância tóxica ainda no mar. O que fazer, então, depois que o contaminante alcança areia, estuários e manguezais? Cada ecossistema demanda uma técnica distinta, por isso, em Salvador, o Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Igeo/UFBA) apresentou ao Comando Unificado de Incidentes, no dia 13 de outubro, uma minuta em que estão indicados métodos biotecnológicos de remediação. São processos que aceleram a degradação dos compostos de petróleo já impregnados nas áreas afetadas, ou seja, realizam a limpeza da toxicidade microscópica, impossível de ser feita com o trabalho manual. No entanto, 75 dias depois de a primeira praia do Nordeste ter sido atingida e um mês após a entrega da minuta de remediação, nenhuma ação neste sentido foi levada à prática pelo Comando Unificado ou pelo Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado pela Marinha, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). "O momento ideal de utilizar essas técnicas é agora. Quanto mais rápido agirmos, mais êxito se tem na remediação. Com o passar do tempo, essas substâncias vão se diluindo ou se misturando aos sedimentos, o que torna mais difícil a limpeza efetiva", diz Olívia Oliveira, que é diretora do Igeo e há 12 anos coordena pesquisas para desenvolver métodos de remediação. O superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Alves, afirmou que todas as sugestões recebidas (não só as da minuta) foram encaminhadas à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). "Os métodos que envolvem o uso de produtos químicos são logo descartados. Mas os que são naturais estão em análise pela Defesa Civil", disse Alves. Na sexta-feira (8/11), a BBC News Brasil enviou questionamentos para o Ministério do Desenvolvimento Regional, com o objetivo de saber o andamento das análises dos métodos de remediação e se já está definido quando algum será implementado. A reportagem perguntou também qual o valor dos recursos destinados a essa finalidade. A assessoria de comunicação do MDR confirmou por telefone o recebimento da demanda, mas não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta reportagem. Métodos naturais Na limpeza, a água contaminada entra em um tanque (reator) onde estão as microalgas, que se abastecem do carbono. Em seguida, a água limpa é liberada de volta no ambiente VICTOR UCHÔA/BBC As técnicas desenvolvidas pelo Igeo e patenteadas pela UFBA, individualmente ou em parceria com a Unifacs (uma universidade privada de Salvador), aliam tecnologia e insumos encontrados facilmente nas costas baiana e nordestina, fazendo cair o custo e evitando o uso de produtos químicos — o que lançaria novas substâncias possivelmente tóxicas nas biotas já impactadas. Todos os métodos já foram, inclusive, testados com amostras do próprio óleo que chega ao litoral brasileiro desde 30 de agosto. "O que fazemos é usar organismos vivos para remover os poluentes do ambiente. Não adianta só tirar a poluição visual, é preciso eliminar os compostos invisíveis, como benzeno, tolueno e xileno, ou no mínimo diminuir a presença deles. Aí entra a biotecnologia, com diferentes indicações para cada ambiente", explica Ícaro Moreira, que é professor da UFBA e já atuou na agência ambiental do governo canadense, justamente na área de remediação em episódios de derramamento de petróleo. Para os casos em que o petróleo já se dissolveu na água, a indicação é utilizar microalgas que se alimentam do carbono contido nas substâncias tóxicas, o que elimina tais substâncias e a conseqüente contaminação. Funciona como uma máquina de diálise: a água contaminada entra em um tanque (reator) onde estão as microalgas, que se abastecem do carbono. Em seguida, a água limpa é liberada de volta no ambiente. Devidamente alimentadas e crescidas, as microalgas viram uma biomassa que pode ser utilizada para produção de biodiesel. "É um processo que não gera resíduo. A água fica limpa e a microalga pode virar um combustível também limpo", explica Moreira. Integrante da pesquisa em que tal método foi desenvolvido, Isadora Machado mostrou, em seu mestrado em Geoquímica, que num período de 28 dias as microalgas conseguiram eliminar 94% dos poluentes de amostras da chamada "água do petróleo" — um efluente resultante da produção petrolífera que é apontado como uma das "águas" mais poluídas do mundo. "Torcemos para que esses métodos sejam aplicados, pois a pesquisa é pra isso. Pra dar um retorno para o meio ambiente e a sociedade", observa Machado. Em uma estimativa feita pelo professor Ícaro Moreira, um conjunto de reatores capaz de tratar 1,5 mil litros de água marinha a cada três dias custaria cerca de R$ 50 mil para implantação, com manutenção de R$ 7 mil por mês. Ao final do processo, entretanto, cada quilo de biomassa gerada poderia ser vendido por R$1 mil. "No final das contas, a biomassa gerada paga as contas e ainda dá lucro. Isso é um exemplo bem claro do que nós chamamos de economia circular", aponta Moreira. Areia e manguezais Areas de manguezais baianos também foram atingidas, como as barras dos rios Itapicuru e Pojuca, no litoral norte; na foto, mangue de Itacimirim, nessa região MATEUS MORBECK Para a areia da praia ou áreas de mangue e superfícies lamosas, cujas características físicas dificultam a limpeza manual e favorecem a impregnação das substâncias tóxicas, o remédio previsto na minuta entregue há um mês ao governo é a fitorremediação, ou seja, o uso de plantas, que devem ser identificadas no próprio ambiente atingido. Ali, o cientista detecta qual espécie consegue se dar melhor na presença do contaminante, o que significa uma alta capacidade de fixação do carbono. Após tratamento em laboratório, várias dessas plantas são inseridas no ecossistema impactado, onde devem ser monitoradas por um período que vai de três a seis meses. Assim como as microalgas, essas plantas vão se alimentar do poluente, tirando-o do ambiente. Ao final da limpeza natural, elas também podem ser destinadas para a produção de biocombustível. Experimentos já realizados com o método em áreas contaminadas por petróleo no entorno da Baía de Todos os Santos mostram a eliminação de 89% dos compostos tóxicos em um intervalo de 90 dias. Um detalhe: esse método serve também para áreas atingidas por esgoto (com limpeza de 100% de poluentes) e metais pesados, com êxito de 70% na eliminação, por exemplo, de chumbo, cobre e zinco. Na minuta, consta ainda a possibilidade do uso de fibras de côco e sisal para retenção do óleo na água — técnica que poderia ter sido adotada pelo governo até mesmo para a construção de contenções em diferentes formatos e disposições, com o objetivo de proteger áreas mais sensíveis, como manguezais. Nesse caso, as fibras utilizadas pelo Igeo são originárias do descarte das indústrias sisaleira e do côco. Tudo viraria lixo, mas, após tratamento em laboratório com produtos não tóxicos, os poros dessas fibras ganham 20 vezes mais capacidade de absorção. Então, basta "empacotar" em pequenos ou grandes formatos para deter o óleo, que pode, mais uma vez, ser reaproveitado. "Quando o petróleo começou a chegar em Salvador, nós mesmos pegamos a fibra e fomos para as praias. E foi muito eficiente para barrar o óleo ainda na água. O problema é que temos essas bolsas pequenas. Barreiras desse material poderiam ter evitado que muitos mangues fossem atingidos", diz a mestranda Célia Maia, que desenvolveu o método junto com a colega de mestrado Rebeca da Paixão. "Confesso que nunca imaginei ver algo desse tamanho no Brasil, mas aconteceu e estamos percebendo um despreparo do governo para lidar com a situação", avalia Ícaro Moreira. "Essa contaminação invisível pode levar muitos anos para metabolizar sozinha, influenciando no uso das praias, na economia da pesca e na alimentação das pessoas, pois vai sempre existir a dúvida sobre a contaminação ou não dessas áreas. Não dá pra ficar de braços cruzados esperando o tempo passar", completa. Patentes prontas à espera de recursos Com Farol de Itapuã ao fundo, voluntários trabalham na limpeza do óleo em Salvador VICTOR UCHÔA/BBC NEWS BRASIL Para além dos métodos descritos na minuta elaborada pelo Igeo, as técnicas biológicas mais difundidas de remediação — sem uso de substâncias químicas — envolvem a aplicação de fungos e bactérias nas áreas a serem descontaminadas. Esse é o foco da pesquisa de Cristina Quintella, titular da UFBA que neste momento está em Portugal como professora visitante, testando novos métodos no Centro de Investigação em Energia e Ambiente do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS). "As técnicas existem e não são poucas. Estão todas testadas e patenteadas, prontas para aplicação. A maior parte das patentes é registrada na China, mas são tecnologias já em domínio público", diz Quintella, co-autora da mais atualizada revisão global de patentes de biorremediação para áreas atingidas por óleo, publicada em julho deste ano pelo Journal of Environmental Management. Ela explica que, com os fungos e bactérias, o processo é semelhante ao das microalgas e plantas. Primeiro, o pesquisador identifica os microorganismos na praia ou no manguezal impactado — nunca se deve usar microorganismos extraídos de outros ecossistemas, para não proliferar uma praga que vai gerar desequilíbrio. Em seguida, o volume dessas bactérias e fungos é multiplicado em laboratório. Reinseridos na biota, eles vão se alimentar dos compostos de petróleo e limpar o ambiente. "Sabe criança que não quer comer e você dá uma bala pra abrir o apetite? É a mesma coisa. A gente bota os fungos lá com uma comidinha. Depois que acabar, eles vão precisar de mais comida, então vão comer as moléculas do petróleo", explica Quintella. Quando o poluente se esgota, prossegue a professora, os fungos e bactérias ficam sem alimento e começam a morrer, restando somente o volume da população original daqueles microorganismos, o que refaz o equilíbrio do ecossistema. Quintella evita fazer uma estimativa de custos da aplicação do método, pois depende de variáveis como tamanho da área atingida, volume do material de laboratório e tempo de monitoramento. A professora afirma, entretanto, que a depender do contexto e da fonte de financiamento, recursos para deslocamento, hospedagem e alimentação dos cientistas que vão a campo ou até a mesmo a partilha na utilização de equipamentos podem ser suficientes para que seja aplicada a biorremediação em determinadas áreas. "Bem ou mal, da água se tira o óleo. O problema é o que fica nos solos e nos mangues. É para isso que existem esses métodos, que são inclusive bastante simples e o governo pode pagar. Basta ter vontade", conclui.
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17/11 - Crise dos mais antigos centros de pesquisa da Amazônia ameaça a proteção da floresta
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Museu Paraense Emilio Goeldi enfrentam problemas como redução de orçamentos, suspensão de bolsas e queda do número de pesquisadores em atividade; governo diz estar atento e preocupado com a situação. Redução do orçamento e de servidores na ativa afeta o funcionamento do Inpa Inpa As duas mais antigas instituições de pesquisa da região amazônica enfrentam uma crise que ameaça sua capacidade de produzir conhecimento científico considerado vital para a proteção da Amazônia, dizem cientistas destas instituições ouvidos pela BBC News Brasil. Os principais problemas enfrentados hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Museu Paraense Emilio Goeldi, que estão sob a alçada do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), incluem a redução de seus orçamentos nos últimos anos, a suspensão de bolsas de pós-graduação e a queda do número de seus pesquisadores e técnicos em atividade. "Sem concursos públicos e abertura de vagas para repor a enorme quantidade de pessoal qualificado que se aposentou, nossas instituições perdem cérebros, capacidade de produção e comunicação do conhecimento, formação de pessoal especializado e de colaboração junto a gestores, setores produtivos e comunidades", diz a bióloga Ana Luísa Albernaz, diretora do Museu Goeldi. Na última década, a instituição também sofreu cortes e contingenciamentos em seu orçamento. Albernaz aponta que o pior ano foi 2017, quando foram liberados R$ 7,4 milhões dos R$ 12,6 milhões aprovados inicialmente. Após essa crise, afirma a diretora do Museu Goeldi, o orçamento do museu em 2018 e 2019 se manteve em um patamar de R$ 15 milhões. "Isso nos permitiu manter estritamente o funcionamento da instituição", diz Albernaz, que credita a um esforço do MCTIC não ter havido corte ou contingenciamento no orçamento dos institutos de pesquisa ligados à pasta neste ano. O Inpa enfrenta uma situação semelhante. Dados da instituição apontam que o orçamento no ano passado, de R$ 25,57 milhões, foi 39,6% menor do que os recursos previstos em 2017, de R$ 42,34 milhões. Em 2019, dos R$ 35,76 milhões previstos, R$ 24 milhões foram liberados até o momento. Ana Luísa Albernaz, diretora do Museu Goeldi, diz que falta de reposição de servidores e pesquisadores é um dos principais problemas da instituição Museu Goeldi O número de servidores e pesquisadores em atividade no instituto também vem caindo. Em 2018, de acordo com os dados oficiais mais recentes disponíveis, eram 561, dos 158 cientistas — isso representa 40% do número máximo que o Inpa já teve historicamente. Esse quadro pode se agravar, porque 40% de sua equipe já pode se aposentar, e o governo federal suspendeu a realização de concursos públicos ao menos até 2020, sob a justificativa de houve um excesso de contratações nas últimas gestões. Para chamar atenção para a situação do instituto, alunos de mestrado e doutorado e servidores criaram o movimento Salve o Inpa, que realizou uma manifestação no início de setembro, com a presença de pesquisadores. Procurada pela BBC News Brasil para comentar a situação do Inpa, sua diretora, a bióloga Antonia Maria Ramos Franco Pereira, não respondeu aos pedidos de entrevista. As condições enfrentadas pelo Inpa e pelo Museu Goeldi podem piorar no próximo ano, dizem seus pesquisadores, porque o Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2020 (PLOA 2020), enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional, não prevê dotação orçamentária para os institutos de pesquisas ligados ao MCTIC, incluindo o Inpa e o Museu Goeldi. No entanto, o MCTIC disse à BBC News Brasil que a divisão de recursos para cada unidade foi feita por meio de um plano orçamentário específico que não é publicado na PLOA 2020. Isso "significa que os institutos continuam com seus orçamentos preservados (nos mesmos patamares de 2019), embora não sejam visíveis na PLOA". A pasta afirmou estar "atenta e preocupada com a grave situação que afeta as unidades de pesquisa deste ministério" e que "está em negociação com o Ministério da Economia visando a recomposição de seu quadro funcional, por meio de concurso público". 'Fábrica' de pessoal qualificado para a Amazônia O Museu Goeldi foi fundado há 153 anos em Belém, no Pará, ainda como Associação Philomática — só ganharia seu nome atual cinco anos depois. Sua criação foi a concretização da primeira proposta nacional para estudo científico da Amazônia, diz Albernaz. "A instituição figura entre os maiores museus brasileiros, está na origem da ciência nacional e influencia o conhecimento existente sobre a Amazônia com seus dados, publicações e acervos no Brasil e no mundo", afirma a diretora da instituição. Sua missão é pesquisar, identificar e entender a complexidade das formas de vida e das dinâmicas dos processos humanos e ambientais que ocorrem na região amazônica e nas suas áreas de fronteira. Hoje, o Museu Goeldi mantém 19 coleções científicas principais, com mais de 4,5 milhões de itens. "Quando compartilha o conhecimento acumulado, o museu possibilita que pessoas de diferentes origens e classes sociais apreciem os processos da ciência, percebam e valorizem a riqueza da sociobiodiversidade amazônica como um valor coletivo e defendam a sua conservação", diz Albernaz. Inpa é considerado uma referência mundial nos estudos da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos Inpa A história do Inpa é mais recente. Foi criado em 1952 e, nos seus primeiros anos, dedicou-se a pesquisas, levantamentos e inventários de fauna e de flora. Hoje, atua para expandir de forma sustentável o uso dos recursos naturais da Amazônia e realiza estudos científicos sobre a região amazônica para promover o bem-estar humano e o desenvolvimento socioeconômico. É considerado uma referência mundial nos estudos da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos e no desenvolvimento de tecnologias para o manejo de recursos naturais e o desenvolvimento sustentável da região. "Nosso instituto é a maior 'fábrica' de pessoal qualificado para ciência na Amazônia", diz o pesquisador Mike Hopkins, responsável para a coleção de plantas da instituição e por seu programa de pós-graduação em Botânica. Cortes e suspensões de bolsas Mas as suspensões e ameaças de corte de bolsas de pesquisa e pós-graduação conferidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao MCTIC, e pela Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, podem afetar este papel que as instituições vêm cumprindo. Neste ano, o governo bloqueou recursos para estas agências ao afirmar ser uma medida necessária para lidar com o déficit fiscal. Isso afetou a concessão de bolsas para estudantes e pesquisadores. De acordo com o Capes, há atualmente 7.699 bolsas congeladas e um total de 87.018 bolsas ativas. Em agosto, o CNPq suspendeu 4,5 mil bolsas que não estavam sendo usadas. A instituição também anunciou neste ano que o corte em seu orçamento ameaçava o pagamento dos seus mais de 80 mil bolsistas a partir de outubro. No entanto, a liberação de recursos adicionais pelo Congresso e pelo governo garantiu o cumprimento destes compromissos até o final do ano. "Até agora conseguimos remanejar recursos para nenhum aluno sofrer muito", afirma Hopkins. "O maior problema é falta de certeza sobre o que vai acontecer no futuro. Estamos sob pressão intensa para planejar melhor e com mais antecedência, mas nunca sabemos quais recursos teremos no ano que vem e qual vai ser o tamanho dos cortes contínuos." Marlucia Bonifacio Martins, coordenadora do departamento de zoologia do Museu Goeldi, os cortes de recursos afetam a renovação de bolsas e a possibilidade de realizar novos projetos no futuro. "Tive um bolsista que faleceu e sua bolsa não foi substituída. Outro desistiu da bolsa após uma interrupção de pagamento por três meses", diz Martins. Martins afirma que o impacto da redução da oferta de novas bolsas de pós-graduação é ainda maior na região amazônica porque a maioria dos alunos são das camadas mais pobres da sociedade e não têm como fazer uma pós-graduação e se manter sem este recurso. "Dificilmente, eles conseguem trabalhar e dar conta de realizar um mestrado ou doutorado. O que mais perdemos com os cortes são recursos humanos." O MCTIC disse ter feito um levantamento de necessidade de força de trabalho de todas as unidades de pesquisa, o que demonstrou haver necessidade de preencher um total de 1.050 vagas, entre elas: 248 analistas, 253 assistentes, 244 tecnologistas, 92 técnicos e 213 pesquisadores. No caso específico do Inpa e do Museu Goeldi, seriam 99 e 47 cargos respectivamente, entre pesquisadores, técnicos e outros servidores. O MCTIC afirmou ainda que, "em um cenário de restrição orçamentária, tem priorizado os recursos para seus institutos de pesquisa e entidades vinculadas. O MCTIC informa que tem atuado junto ao Ministério da Economia e ao Congresso Nacional para maior disponibilização de recursos em seu orçamento" e que "mantém permanente diálogo com os gestores de suas entidades vinculadas para que os recursos sejam otimizados, minimizando o impacto em suas atividades". 'Sem valorização, instituições serão condenadas à irrelevância' O pesquisador Adalberto Luis Val, que dirigiu o Inpa entre 2006 e 2014, diz que tanto as informações técnico-científicas já disponíveis quanto a produção de novos dados de forma robusta são fundamentais para que o país seja capaz de lidar com os desafios na Amazônia. "A região representa quase 60% do território brasileiro e, por décadas, tem clamado por inserir-se na agenda nacional. No entanto, até hoje, recebe menos de 3% dos investimentos nacionais em ciência e tecnologia. Aliás, até hoje não, porque em 2019 não houve programas estruturados de investimentos na área na Amazônia", afirma Val. Falta de pessoal qualificado compromete produção de informações essenciais na gestão da região, diz ex-diretor do Inpa Museu Goeldi O pesquisador afirma que a falta de pessoal qualificado nas instituições de pesquisa e universidades compromete a produção de informações consideradas essenciais na gestão de diversas ações na região. "O Inpa pede a contratação de profissionais qualificados há décadas, sem sucesso. Com o passar do tempo, como o quadro de pessoal não tem ao menos sendo mantido, a situação tornou-se crítica na instituição, que já foi a principal produtora de informações sobre a Amazônia." Val afirma que a produção científica do Inpa só não se tornou insignificante por causa dos integrantes de seus programas de pós-graduação e dos pesquisadores que seguem na ativa apesar de já poderem se aposentar. "Insistem em continuar trabalhando e produzindo informações sobre a Amazônia, porque conhecem profundamente a importância dessa região para a humanidade." Por enquanto, diz a diretora do Museu Goeldi, não existe um perigo imediato que a instituição feche as portas, mas ela não descarta essa possibilidade. "Esse risco existe de fato. Já estamos vivenciando um processo de perdas de lideranças importantes na pesquisa, seja por aposentadoria ou evasão para o exterior. Se não houver recomposição urgente do quadro técnico-científico, o esvaziamento é uma consequência", afirma Albernaz. "Sem valorização do conhecimento científico para tomada de decisões e geração de tecnologias adequadas e adaptadas às regiões brasileiras, as instituições serão condenadas à irrelevância."
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16/11 - Por que achamos que os gatos são ‘antissociais’
A forma como gatos foram domesticados há milhares de anos tem impacto até hoje no comportamento independente deles. Mas o fato de os felinos não receberem os donos em casa com pulos, sons e lambidas não significa que não estejam felizes em ver o seu humano. Algumas pessoas acreditam que os gatos só são simpáticos com os humanos para obter comida Getty Images/BBC Cachorros parecem quase que biologicamente incapazes de esconder seus sentimentos: o abanar dos rabos, tremedeiras, pequenos sons de excitação ou descontentamento entregam se o animal está com raiva, feliz, triste ou ansioso. Gatos também têm uma linguagem corporal sofisticada: o humor deles pode ser inferido pelo movimento dos rabos, os pelos ouriçados, a posição das orelhas e dos bigodes. O ronronar do gato, por exemplo, normalmente (mas nem sempre) indica contentamento. Observar o comportamento desses bichos costuma ser um método seguro para detectar se eles estão num momento sociável ou se é melhor deixá-los em paz. Mas, enquanto podemos ter certa segurança dos laços de um cachorro conosco, gatos ainda gozam de uma imagem relativamente negativa, embora já sejam usados como animais domésticos há milhares de anos. A independência deles, que muitos enxergam como bônus, é frequentemente associada a egoísmo e individualismo. Os detratores dos felinos argumentam que eles só mostram afeição para obter comida. Donos de gatos replicam que nada disso é verdade e que os seus laços com o animal são tão fortes quanto a conexão entre cachorros e seus donos. Por que, então, a imagem de que os gatos não são bichos amigáveis permanece? Impacto da domesticação No Brasil, existem 22 milhões de gatos domésticos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 2013 pelo IBGE. Isso representa 17,5% dos domicílios. Mas os cachorros são bem mais populares. Estão em 44,3% dos lares brasileiros. No total, há 52,2 milhões de cães de estimação no Brasil. Uma pista sobre como a imagem dos gatos se consolidou entre nós vem da forma como foram domesticados. Foi um processo muito mais gradual que aquele dos cachorros. Os primeiros gatos domesticados começaram a aparecer nos vilarejos neolíticos do Oriente Médio cerca de 10 mil anos atrás. Eles não dependiam dos humanos para comida— eram encorajados a buscar alimentos por si próprios e a armazenar a comida em locais seguros de ratos e outros animais. Portanto, nosso relacionamento com gatos já começou com a imposição de um distanciamento maior que no caso dos cães. Em alguns casos, a fama de independente estimula humanos a ter gatos como animais de estimação em vez de cachorros Getty Images/BBC Desde o início da domesticação dos cachorros, eles foram usados para ajudar os humanos a caçar e compartilhavam os resultados da empreitada com seus "donos". Portanto, diferentemente dos gatos, os cães foram ensinados desde o princípio da domesticação a depender dos homens para comer e a participar de atividades conjuntas. O gato que está enrolado no seu sofá e olhando para você do topo da estante de livros compartilha muitos dos instintos de seu seus ancestrais pré-domésticos, como o desejo de caçar sozinho e de patrulhar o território, protegendo-o de outros gatos. O processo mais recente de domesticação de felinos, que implica em torná-los dependentes de nós para alimentação, não retirou deles todas as suas características selvagens. "Há uma desinformação dos humanos em relação à espécie", diz Karen Hiestand, veterinária integrante da ONG International Cat Care. "Cães e humanos são muito similares e convivem há muito tempo. De certa maneira, houve uma coevolução (quando há a evolução simultânea de duas ou mais espécies). Com gatos, (essa convivência) é mais recente. Eles vêm de um ancestral solitário que não era uma espécie social", explica. O gato selvagem africano Felis lybica, que adaptamos como gato doméstico, tende ter a uma vida solitária e a se relacionar com outro animal da mesma espécie apenas para procriar. "Gatos são um dos únicos animais antissociais que foram domesticados. Os outros animais que domesticamos formam laços sociais com outros membros da mesma espécie", ressalta Hiestand. O que torna um gato mais sociável? A velocidade da vida moderna, que deixa pouco tempo para que possamos cuidar de diferentes afazeres e de outros animais, tem favorecido a popularidade dos gatos como bichos domésticos. "Porque eles são tão autossuficientes e capazes de tomar conta de si mesmos, gatos estão se tornando cada vez mais populares. Ao mesmo tempo, porém, os humanos esperam que gatos ajam como nós e como cachorros em vários aspectos. Mas eles não são assim." Pesquisas sobre as emoções e a sociabilidade dos gatos estão muito menos desenvolvidas que aquelas que versam sobre cachorros, embora tenham ganhado espaço nos últimos tempos. Alguns estudos já mostram que a sociabilidade dos gatos em relação a humanos é um espectro complicado. Quando o gato olha para o dono com piscadas lentas, isso pode ser uma demonstração de afeto Getty Images/BBC "A sociabilidade varia muito conforme a genética e, em parte, advém da experiência de cada bicho nas suas primeiras seis ou oito semanas. Se tiverem experiências positivas no começo da vida, provavelmente vão gostar mais de humanos e viver perto de nós." Mesmo os gatos domesticados ou que convivem em centros urbanos e vilas povoadas integram um amplo espectro. Os gatos ariscos de rua costumam se esconder e fugir de humanos, se comportando mais como seus ancestrais selvagens. Mas, em locais como o Mediterrâneo e o Japão, colônias de "comunidades de gatos" povoam vilas de pescadores e socializam com qualquer pessoa que se interesse em alimentá-los. Em Istambul, capital da Turquia, gatos de rua são alimentados por locais e se tornaram parte da identidade da cidade, tornando-se inclusive personagens principais de um documentário. Há ainda os gatos que vivem nas casas, mas mesmo dentre este grupo há grandes variações. Alguns mantêm uma relativa distância, enquanto outros parecem gostar muito da companhia humana. Se quisermos um laço forte com nossos gatos, o que podemos fazer? Lendo o olhar do gato Assim como fazemos com cachorros, observar a linguagem corporal dos gatos pode nos ajudar a compreender melhor o animal. O corpo dos felinos fala mais do que os sons que eles emitem. "Mas costuma ser mais difícil para as pessoas ler a linguagem corporal dos gatos que a dos cães", diz Kristyn Vitale, que faz um doutorado na Universidade de Oregon State sobre comportamento felino. E a dificuldade não é, necessariamente, culpa do gato. Um aspecto vital pode ter permitido aos cachorros desbancar os gatos na conquista pela nossa afeição. Estudo da Universidade de Portsmouth revelou que cachorros aprenderam a mimetizar expressões de crianças, atraindo a atenção e a simpatia de seus donos. Essa mudança se revela na capacidade que os cachorros adquiriram de desenvolver um músculo na área da sobrancelha. E essa característica não existia nos ancestrais lobos dos cachorros. O "olhar de filhote" é um truque evolutivo que fortaleceu a conexão entre cães e humanos. A má notícia para os gatos é que eles não possuem esse músculo. Portanto, o olhar do gato pode parecer frio e não amigável. A forma como gatos foram domesticados há milhares de anos tem impacto até hoje no comportamento independente deles Getty Images/BBC Mas o olhar com piscadas lentas que o seu gato te lança de perto ou do lado oposto da sala é a forma que ele tem de expressar amor. Até o fato de virar a cabeça para o lado pode ser o oposto de desdém— é um sinal de que o animal está relaxado. Numa pesquisa conduzida por Vitale, gatos e cachorros são deixados sozinhos numa sala, com o dono retornando de repente algum tempo depois. "Uma coisa interessante é que a os gatos que se sentiam seguros com os donos o cumprimentavam e voltavam a explorar o ambiente. E, em intervalos curtos de tempo, voltavam para os donos. Os cães agiram de maneira similar", diz Vitale. "Se o cachorro corre pela sala, brinca com os brinquedos e, ocasionalmente, retorna ao dono, isso não costuma nos preocupar." Pesquisadores chamam isso de "conexão segura", ou seja, uma aparente calma diante do retorno do dono que sugere uma forte conexão emocional. Gatos relaxados tendem a querer fazer amigos "A expectativa dos humanos impacta no comportamento dos animais", diz Vitale. Ao tentar forçar gatos a se comportar mais como cachorros, inundando o animal de atenção, o humano o está pressionando a se afastar de seu comportamento natural. Hiestand diz que nossa inabilidade histórica de perceber o temperamento dos gatos como diferente do de cachorros é parte do problema. Mesmo especialistas com anos de treinamento não são imunes a esse erro. "Eu fui a uma conferência em 2007 e me senti uma completa idiota", diz ela. "Havia várias informações básicas sobre gatos que eu não conhecia, como o fato de que eles gostam que os recipientes de água e comida fiquem em locais diferentes. Todas essas pesquisas são bem recentes, mas quando você tem a humildade de assumir que o que você pensava saber sobre os gatos estava errado, você começa a aprender muita coisa interessante." Preste atenção na forma como gatos se esfregam nos donos. Isso costumava ser interpretado como uma maneira de marcar território, assim como gatos selvagens fazem em árvores e outros marcos naturais. Na realidade, quando os felinos domesticados fazem isso com pessoas, é um sinal de afiliação— o gato está transferindo seu cheiro para a sua pele, ao mesmo tempo em que atrai o seu cheiro para o pelo dele. Isso é o que felinos fazem com outros gatos que consideram aliados. É uma maneira de criar um "cheiro comum", que distingue amigos de rivais. E há uma questão chave, aponta Hiestand: gatos relaxados e tranquilos tendem a querer fazer amigos. "Eles querem sua comida, seu local de dormir e sua água nos lugares certos. Quando conseguem isso, abrem espaço para explorar laços sociais." Portanto, da próxima vez que você chegar em casa e encontrar o gato silenciosamente te olhando do sofá ou preguiçosamente bocejando enquanto caminha pelo corredor, não fique desapontado. Da sua maneira silenciosa, ele está demonstrando felicidade em te ver.
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16/11 - Praias Pedra do Sal e Peito de Moça ficam impróprias para banho no Litoral do Piauí
Ao total, três praias do Piauí estão impróprias para o banho, segundo a Semar. Sete praias e ilhas do Delta do Parnaíba foram atingidas pelas manchas de óleo. Placa fixada na Praia Peito de Moça, em Luís Correia (PI) Divulgação/Semar As praias Pedra do Sal, situada no município de Parnaíba e Peito de Moça, localizada em Luís Correia, estão imprópria para o banho após o aparecimento de manchas de óleo. A informação com confirmada pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) neste sábado (16). Em entrevista ao G1, a auditora fiscal ambiental da secretaria, Waneska Vasconcelos, informou que já foram colocadas as placas indicativas na Praia Peito de Moça e que na tarde deste sábado (16), será colocada na Pedro do Sal. “Nós estamos fazendo o trabalho de fixação das placas e emissão da nota. Até o momento, foi colocada a placa na Peito de Moça. Na Pedra do Sal, será colocada hoje a tarde. Mas elas estão nessa mesma situação, manchas de óleo pulverizadas, tornando o banho impróprio na praia”, explicou. Outras praias afetadas Novas manchas de óleo foram registradas na Praia de Atalaia no Piauí Divulgação/ Marinha Na quinta-feira (14), a Semar emitiu um comunicado informando que a Praia de Atalaia estaria imprópria para o banho. Mesmo após a orientação, os turistas continuaram indo à praia. Algumas pessoas chegaram a ficar com óleo grudado no corpo ao tomar banho ou até mesmo por caminhar pela Praia de Atalaia. Neste sábado (16), mais praias que compõem o Delta do Parnaíba foram atingidas pelas manchas de óleo. Das 73 praias e ilhas do Delta do Parnaíba, sete foram confirmadas presenças de óleo: Ilha das Canárias, Ilhas dos Poldros, Praia de Caiçaras, Ilha do Caju, Barra dos Melancieiras, Ilha do Passeio e Praia do Pontal. Manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube O delta é único em mar aberto das Américas e a preocupação das autoridades é que o óleo chegue também aos rios da região. Equipes da Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros, Secretaria de Meio Ambiente dos estados do Piauí e Maranhão iniciaram limpeza dos pontos afetados para evitar que os mangues sejam afetados.
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16/11 - Manchas de óleo atingem mais praias no Delta do Parnaíba; PI e MA iniciam limpeza dos pontos afetados
Aeronave do Icmbio irá fazer um sobrevoo na tarde deste sábado (16) para identificar os pontos mais graves. Manchas de óleo atingem mais praias do Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube Mais praias que compõem o Delta do Parnaíba foram atingidas com as manchas de óleo neste sábado (16). Equipes da Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros, Secretaria de Meio Ambiente dos estados do Piauí e Maranhão iniciaram limpeza dos pontos afetados para evitar que os fragmentos cheguem até os mangues. Manchas de óleo avançam pelas ilhas do Delta do Parnaíba Das 73 praias e ilhas do Delta do Parnaíba, sete foram confirmadas presenças de óleo: Ilha das Canárias, Ilhas dos Poldros, Praia de Caiçaras, Praia do Pontal, Ilha do Caju, Barra das Melancieiras e Ilha do Passeio. O delta é único em mar aberto das Américas e a preocupação das autoridades é que o óleo chegue também aos rios da região. Equipes iniciaram limpeza dos pontos afetados Reprodução/TV Clube "Foi feita uma fiscalização 15 dias atrás, na Barra do Meio, por trás da Ilha dos Poldros, e lá encontramos uma área de dois quilômetros de pequenos pontos de óleo. O material foi recolhido e entregue a Marinha. Agora fomos pegos de surpresa na madrugada de sexta com novas manchas em várias ilhas e praias do Delta", contou o técnico Robson Medeiros, da Secretaria de Turismo e Meio Ambiente de Araioses, no Maranhão. Manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube Para o técnico Robson Medeiros, a presença de óleo nos mangues causaria um prejuízo imensurável a natureza e aos povos ribeirinhos, que vivem da coleta do caranguejo. Ele destacou que as manchas de óleo no Delta do Parnaíba podem chegar aos rios. "Nada é descartado. Caso chegue aos rios prejudicaria o abastecimento de água em toda a região, além do turismo, porque a área teria que ser interditada", comentou. Pescadores preocupados Pescadores estão preocupados com manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube Preocupados, os pescadores temem que as manchas cheguem ao Rio Parnaíba e afete o abastecimento de água na região. Eles revelaram a falta de peixe após o surgimento do óleo no Delta do Parnaíba. "Foi um susto. É algo que a gente nunca viu por aqui. Vivemos disso, da pesca, e se o local for interditado não saberemos o que fazer", declarou o pescador Carlos Alberto Nascimento Sales, na Praia do Pontal. "A mudança principal tem sido a falta de peixe. Minha preocupação é que as manchas cheguem aos mangues e o rio, porque vai afetar a água que a gente bebe", lamentou o pescador Francisco Soares. Monitoramento Marinha e Icmbio reforçam monitoramento no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube Uma aeronave do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio) irá fazer um sobrevoo na tarde deste sábado (16) para identificar os pontos mais graves, que devem auxiliar as equipes de limpeza. A Marinha do Brasil informou que a estão sendo empregados meios navais, aeronavais e terrestres, além de militares, agentes de órgãos estaduais e municipais em ações de limpeza e coleta de vestígios de óleo nas praias da região. "Vamos trabalhar pesado em todo o fim de semana. Estamos trabalhando em conjunto com a Marinha do Maranhão. Hoje já teremos uma aeronave sobrevando o litoral piauiense, com foco no Delta do Parnaíba. Além disso, vamos contar com um navio patrulha a partir deste domingo para reforçar o monitoramento na região", destacou o comandante da Capitania dos Portos do Piauí (CPPI), capitão de fragata Dante Duarte. O reaparecimento de manchas de óleo no Delta do Parnaíba foi confirmado na sexta-feira (15) pela Marinha do Brasil, sendo a primeira vez na área que pertence ao estado do Piauí. Outras cinco praias piauienses voltaram a ser atingidas pelo material desde quinta-feira (14) e uma delas segue imprópria para o banho. Nota na íntegra Marinha do Brasil O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informa que, hoje (16), na região do Delta de Parnaíba-PI estão sendo empregados meios navais, aeronavais e terrestres, além de militares da MB, EB, agentes de órgãos estaduais e municipais em ações de limpeza e coleta de vestígios de óleo nas praias da região. A partir de amanhã (17), o Navio-Patrulha (NPa) "Guanabara" reforçará as ações de busca e recolhimento de resíduos oleosos no mar. Desde o reaparecimento do óleo no litoral do Piauí, observado na última quinta-feira (14), foram recolhidas cerca de uma tonelada de resíduos de óleo. Equipes do Ibama e ICMBio realizam ações de acompanhamento e avaliação dos danos causados na região.
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16/11 - Estudo aponta escassez das águas do Pantanal mato-grossense
A situação de pouca chuva e água foi o ponto de partida para que cientistas da Unemat e comunidade local se unissem na elaboração de um projeto de restauração ecológica Estudo da Unemat aponta escassez de água no Pantanal mato-grossense Marcos Vergueiro/Secom-MT Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em parceria com trabalhadores assentados no município de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, concluíram que as águas do Pantanal estão se tornando escassas para uso humano, de animais e plantas, principalmente na época de estiagem, entre maio e outubro. O Pantanal de Mato Grosso é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. A situação de pouca chuva e água foi o ponto de partida para que cientistas da Unemat e comunidade local se unissem na elaboração de um projeto de restauração ecológica, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente, sob coordenação da professora Solange Ikeda Castrillon, denominado “Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego do Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense”. O projeto desenvolvido foi um processo de articulação e mobilização social de diversos atores sociais atuantes no Assentamento Laranjeira I para a restauração ecológica, principalmente a vegetação dos entornos das nascentes e da mata ciliar e dos córregos. Por meio da experiência dos moradores locais, foi possível evidenciar que a água do Pantanal está diminuindo e começa a faltar. Isto estaria relacionado às atividades de intervenção humana na natureza, como desmatamento de encostas e matas ciliares de córregos, lagos e rios, retirando a vegetação na proximidade das nascentes e olhos d’água, que passam a ficar expostos ao pisoteio de animais e ao assoreamento pela erosão. A constatação dos moradores sobre as causas da escassez de águas é também observada por estudiosos. O desaparecimento da mata do Cerrado e do Pantanal modifica as condições climáticas, influenciando diretamente o regime das chuvas que regulamentam a unidade do ar e a temperatura. O desmatamento também expulsa a fauna nativa para substituí-la por animais de criação, como bovinos, porcos, ovelhas, cabritos, galinhas, patos, que impactam na superfície do solo pelo pisoteio, na hidrografia pelo uso excessivo da água ou sua poluição e contaminação com coliformes fecais pelos dejetos. Metodologia O projeto “Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego do Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense” foi realizado no período de 2012 a 2016. O Assentamento tem uma área territorial de quase 11 mil hectares, no município de Cáceres, inserido na Bacia do Alto Paraguai, onde afloram diversas nascentes e desaguam cursos d’água. No local, estão assentadas 126 famílias, oriundas de populações tradicionais no Cerrado e Pantanal cacerense e mato-grossense e de outros estados. O projeto, executado pela equipe multidisciplinar da Unemat em Cáceres, buscou estimular a participação da comunidade assentada, numa metodologia conhecida como pesquisa-ação, na qual pesquisadores e representantes da situação envolvem-se de modo cooperativo ou participativo para a solução de um problema coletivo.
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16/11 - Semar instala placas de proibição de banho após surgimento de novas manchas de óleo no Piauí
Na quinta-feira, o órgão decretou a água do local imprópria para banho, mas a recomendação não tem sido seguida pelos turistas nesse feriado prolongado. Semar instala placas de água imprópria para banho na Praia de Atalaia, em Luís Correia (PI) Divulgação/Semar A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) instalou neste sábado (16) placas de alerta sobre a proibição de banho na Praia de Atalaia, em Luís Correia, após o reaparecimento de manchas de óleo no Litoral do Piauí. Na quinta-feira, o órgão decretou a água do local imprópria para banho, mas a recomendação não tem sido seguida pelos turistas, que ficaram sujos de óleo. "Duas placas foram instaladas nos principais pontos da Praia de Atalaia, além disso, estamos usando as redes sociais para divulgar o alerta. Durante as ações em campo, os técnicos têm também orientado os banhistas do risco", explicou a Waneska Vasconcelos, auditora fiscal e ambiental e coordenadora da Semar em Parnaíba. Manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Roberto Equipes da Semar, Marinha e prefeituras de Luís Correia e Atalaia continuam com a força tarefa para limpeza das praias. Ao todo, seis praias do Piauí voltaram a ser atingidas com as manchas de óleo, sendo que uma delas fica no Delta do Parnaíba. De quinta até sexta-feira foram recolhidas cerca de uma tonelada das praias do litoral piauiense. "Temos equipes em Luís Correia para continuar a limpeza nas praias de Atalaia, Coqueiro e Peito de Moça, como também em Parnaíba na Pedra do Sal e outra se deslocando para Praia da Lama, em Cajueiro da Praia", informou. Força Tarefa faz limpeza nas praias do litoral piauiense após surgimento de novas manchas Divulgação/Marinha do Brasil De acordo com o comandante da Capitania dos Portos do Piauí (CPPI), capitão de fragata Dante Duarte, as manchas de óleo são diferentes das outras vezes, que tinham aspecto de massa. Desta vez, elas são pulverizadas, do tamanho de uma moeda que ficam na areia e na água. Tartaruga e peixe mortos Animais mortos e com manchas de óleo são encontrados na Praia Pedra do Sal Mais uma tartaruga e um peixe com manchas de óleo foram encontrados mortos na Praia Pedra do Sal, em Parnaíba. Vídeos registrados nesta sexta-feira (15) mostram as manchas no mar, na areia e nas pedras do ponto turístico. As imagens também aparecem uma tartaruga morta, mas sem causa da morte definida, e um peixe coberto de manchas de óleo. Óleo no Delta Manchas de óleo no Delta do Parnaíba Reprodução/TV Clube Na tarde dessa sexta-feira (15), a Marinha do Brasil confirmou reaparecimento de manchas de óleo também no Delta do Parnaíba, o maior das Américas. Desta vez, o material foi encontrado na Praia do Pontal, em Ilha Grande, parte pertencente ao Piauí. "Novas manchas apareceram no Delta do Parnaíba, segundo detectado pelo Ibama [Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais]. Tanto na parte do Piauí, na Praia do Portal, como na área pertencente ao Maranhão, na Ilha dos Poldros", informou o capitão de fragata Dante Duarte.
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16/11 - No Dia da Amazônia Azul, Marinha troca celebrações por combate ao óleo no litoral
Comemoração, realizada todos os anos no dia 16 de novembro, deu lugar à busca e contenção da substância que chegou a dez estados brasileiros. Marinha busca por óleo em estuários e no mar de Pernambuco Reprodução/TV Globo Em 2019, o Dia Nacional da Amazônia Azul é celebrado neste sábado (16). Anualmente, desde 2015, a Marinha do Brasil realiza uma comemoração para lembrar da importância do mar brasileiro. Neste ano, porém, diante do desastre ambiental causado pelas manchas de óleo no litoral, os esforços são concentrados no combate à substância, em uma ação chamada "Operação Amazônia Azul, Mar limpo é Vida!". No Dia da Amazônia Azul, Marinha combate desastre ambiental nas praias brasileiras A Amazônia Azul é uma zona econômica marítima exclusiva do Brasil. O país tem o direito de explorar cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados de oceano, o que equivale a, aproximadamente, metade da massa continental brasileira. Essa área passou a ser chamada de Amazônia Azul justamente para indicar à sociedade a importância dessa faixa do oceano, já que é dela que saem cerca de 85% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no país. A comemoração, desta vez, será feita de uma forma diferente, de acordo com o comandante-em-chefe de Esquadra, vice-almirante José Augusto Vieira da Cunha de Menezes. "É uma comemoração junto com a sociedade brasileira, outros órgãos, outras forças armadas e voluntários. Ao longo da costa Norte e Nordeste do país, do [município do] Oiapoque (AM) ao Norte do Espírito Santo, nós estamos irmanados com a população para nos contrapormos ao crime ambiental da poluição por óleo", disse ele. Cunha também destaca a relevância da Amazônia Azul. "É de onde tiramos praticamente todo o nosso petróleo, o gás natural, metade do nosso pescado vem desse mar e as indústrias de lazer e turismo provêm da Amazônia Azul. Nosso transporte marítimo, tudo o que importamos e exportamos vem de lá. São 95% de itens transportados por essa área", afirmou o vice-almirante em entrevista ao G1. As manchas de óleo, que já atingem o litoral de dez estados brasileiros, começaram a aparecer no final de agosto. Das 111 cidades afetadas, 107 estão nos nove estados nordestinos, e quatro no Espírito Santo. Segundo órgãos federais, a substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. De acordo com o balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na quarta-feira (13), chegou a 527 o número de locais afetados. Vice-almirante José Augusto Vieira da Cunha de Menezes coordena a operação 'Amazônia Azul' Reprodução/TV Globo Esforços A operação que combate os efeitos causados pelo óleo no litoral dos nove estados do Nordeste e do Espírito Santo, no Sudeste, conta com: Mais de 4,8 mil oficiais da Marinha, que estão nos locais afetados desde 4 de novembro; 5 mil militares e 140 viaturas do Exército; 140 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); 80 servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) 440 funcionários da Petrobras; 34 navios, sendo 30 da Marinha e quatro da Petrobras; 11 aeronaves da Marinha, seis da Força Aérea Brasileira, três do Ibama e duas da Petrobras. No dia 10 de novembro, chegaram a Pernambuco os dois maiores navios da Marinha, o Porta-Helicópteros Multipropósito Atlântico e o Navio Doca Multipropósito Bahia. Eles passaram a servir como bases de coordenação e distribuição do efetivo na costa dos estados afetados. Marinha mandou os maiores navios para atuar no combate às manchas de óleo em Pernambuco Reprodução/TV Globo O vice-almirante Cunha afirma que todo o efetivo de navios brasileiros está atuando no combate ao óleo no litoral. Ele lembrou que, neste ano, a Operação Dragão – a maior da Marinha e realizada anualmente no Espírito Santo – foi substituída pela ação de contenção das manchas de óleo. Cunha classificou a "Operação Amazônia Azul, Mar limpo é Vida!" como "de guerra". O navio Atlântico é o maior da esquadra da Marinha brasileira. Ele tem 203 metros de comprimento, 35 metros de largura e 38 metros de altura. Esta foi a primeira vez que ele atracou num porto no Nordeste, o que, segundo a Marinha, serviu para confirmar a prioridade da operação no litoral nordestino, como forma de proteção de parte da Amazônia Azul. Navio Atlântico é o maior da esquadra da Marinha brasileira Beatriz Castro/TV Globo Na sexta-feira (15), ele saiu de Pernambuco em direção a Fortaleza, no Ceará, onde deverá chegar no dia 22 de novembro. No local, ele ficará até o dia 25 do mesmo mês. O navio Bahia, por sua vez, ficará em Pernambuco até o dia 23 de novembro. "Toda a esquadra brasileira está reunida, mais de 30 navios entre Marinha e Petrobras estão na costa para combater esse crime ambiental. É muito simbólico isso, nós estamos aqui para mostrar a importância da Marinha e dos navios para o controle e proteção da nossa Amazônia Azul. Essa operação não tem hora para terminar. Enquanto for necessário, estaremos aqui para proteger, junto com o povo brasileiro, o mar que nos pertence", afirmou o vice-almirante. A criação do dia da Amazônia Azul O Dia da Amazônia Azul é celebrado no dia 16 de novembro em referência à data em que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) entrou em vigor, em 1994. O tratado foi assinado pelo Brasil e outros 118 países em 10 de dezembro de 1982, durante a terceira conferência sobre o assunto, em Montego Bay, na Jamaica. Entretanto, o Brasil só o ratificou em 1993. O Dia Nacional da Amazônia Azul foi instituído por lei em novembro de 2015. "A Marinha do Brasil, por meio de estudos geopolíticos voltados para o mar, a 'Oceanopolítica', tem por objetivo conscientizar os brasileiros sobre a importância do nosso território marítimo", diz o material de divulgação do programa. A importância dos voluntários Bárbara Lima é do movimento Pernambuco sem Lixo Reprodução/TV Globo A mobilização dos voluntários que atuaram desde a chegada das primeiras manchas de óleo ao litoral brasileiro foi fundamental para diminuir o impacto do desastre ambiental. Uma das primeiras a mobilizar a população para o caso foi a estudante de psicologia Bárbara Lima, de 22 anos. Ela, que faz parte do movimento Pernambuco Sem Lixo, praticamente paralisou a vida para ajudar na retirada do óleo. “Nos unimos a outros grupos para fazer o trabalho. Nós fornecemos equipamentos de proteção individual (EPIs), mobilizamos o pessoal para ir e conseguimos ônibus. Muitas organizações nos ajudaram com doações para conseguir esse material. A mobilização foi muito grande, a ponto de eu não conseguir mensurar a quantidade de pessoas”, afirmou a estudante. Raízes nos manguezais ficaram cobertas por óleo no Litoral de Pernambuco Reprodução/TV Globo Ainda segundo Bárbara, a mobilização dos voluntários foi movida pelo desespero de ver as praias tomadas pelo óleo e pela vontade de ajudar. Ela disse que o movimento Pernambuco Sem Lixo, por exemplo, atuava removendo resíduos jogados em praias, mas viu, de uma hora para outra, o foco da organização mudar. “É um trabalho muito difícil para um grupo de pessoas que não é capacitado para isso. Acredito que houve omissão do poder público, porque houve um alerta, semanas antes de o óleo chegar em maior quantidade em Pernambuco. Se os governos tivessem agido, o petróleo não teria sequer chegado às praias”, declarou. Sidney Marcelino Leite faz parte do movimento Salve Maracaípe Reprodução/Instagram O gestor ambiental Sidney Marcelino Leite, de 26 anos, que faz parte do movimento Salve Maracaípe, com ações ambientais na praia da cidade de Ipojuca, em Pernambuco, também foi um dos principais articuladores do trabalho de contenção do óleo nas praias. Segundo ele, a atuação da ONG foi voltada à coordenação dos voluntários e, agora, se debruça sobre a elaboração de soluções para os efeitos do crime ambiental. “Imagine você, pescador, ver sua praia invadida por óleo. Você ter que ficar sem trabalhar. Foi um cenário de guerra, com tendas e tudo. O maior volume passou, mas vivemos em estado de alerta, porque não sabemos se vai chegar mais óleo, quando vai chegar e o quanto”, afirmou Sidney. O gestor ambiental disse, ainda, que propôs, junto com outros membros do movimento, que os governos dos estados e prefeituras municipais afetados pelo óleo implementem medidas para sanar os efeitos para as pessoas. “É preciso haver um fundo para que assistir as pessoas atingidas, como pescadores, jangadeiros, marisqueiros e ambulantes. Essas pessoas precisam ter dignidade, elas querem trabalhar. Além disso, quem teve contato direto com o óleo precisa ter acompanhamento de saúde, porque a vida humana importa”, declarou. Mancha de petróleo no Litoral Sul de Pernambuco Reprodução/TV Globo Óleo no litoral Mais de 500 localidades foram afetadas pelas manchas de óleo, em dez estados, de acordo com o Ibama. Uma investigação da Polícia Federal aponta que o navio Bouboulina, de bandeira grega, é o principal suspeito pelo vazamento de óleo. A embarcação carregou 1 milhão de barris de petróleo Merey 16 cru no Porto José, na Venezuela, no dia 15 de julho e zarpou em direção à Malásia, passando pelo litoral da Paraíba no dia 28 de julho. Cerca de um mês depois as primeiras manchas foram registradas em praias do estado. A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio suspeito, diz ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A empresa foi notificada pela Marinha junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega. Dentre os cinco navios gregos notificados pela Marinha na investigação sobre o vazamento de óleo, dois não transportaram petróleo da Venezuela no período de julho até setembro. A Petrobras disse, no dia 25 de outubro, que o material encontrado nas praias nordestinas é petróleo bruto originário de três diferentes campos da Venezuela. Initial plugin text
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16/11 - Óleo volta a aparecer em praia do município de Prado, no extremo sul da Bahia
Fragmentos foram achadas na praia de Ponta de Corumbau, nesta sexta-feira (15). Dos primeiros registros até agora, foram retiradas pelo menos 3 toneladas de óleo da região. Equipes trabalham na limpeza de praias afetadas por manchas de óleo em Prado Novas manchas de óleo apareceram, nesta sexta-feira (15), em uma praia do distrito de Cumuruxatiba, que fica em Prado, no extremo sul da Bahia. As substâncias foram registradas na praia de Ponta de Corumbau, segundo informações da Divisão do Meio Ambiente do município. Pescador encontra tartaruga morta com manchas de óleo em Ilhéus, no sul da Bahia G1 lista locais atingidos pelas manchas de óleo na Bahia Galpões, imóvel abandonado, terrenos: Saiba qual é o destino do óleo recolhido em praias de Salvador e do interior da BA Desde quarta (13), foram recolhidos pelo menos 3 toneladas de óleo da Praia do Rio do Peixe. Na quinta (14), novas manchas apareceram na praia de Cumuruxatiba, e, com isso, o número subiu para 5 toneladas retiradas da substância. "Quando a gente avistou já foi em uma volta para casa. No caminho a gente viu pequenas pelotas de óleo, a gente fez a coleta com a luva, botamos no vidro e naquele momento só estava os pescadores local e a gente ficou muito triste. Apesar de ser apenas um fragmento, a gente sabia que poderia virar algo maior", disse o professor de capoeira, Leônidas Santana, que encontrou um dos fragmentos e ajudou na limpeza da praia. Na praia de Corumbau, cerca de 3 tonéis de óleo foram retirados ainda nesta sexta e serão levados para um galpão da prefeitura. Óleo volta a aparecer em praia do município de Prado, no extremo sul da Bahia Reprodução/TV Santa Cruz Cairu, Belmonte e Maraú Óleo encontrado em Belmonte, cidade do extremo sul da Bahia, neste terça-feira (12) Divulgação/Prefeitura de Belmonte Também nesta sexta, novos fragmentos de óleo chegaram a uma praia do distrito de Boipeba, que pertence ao município de Cairu, no baixo-sul do estado. De acordo com informações da prefeitura da cidade, o local atingido foi a Praia da Cueira. Na quarta-feira (13), novas manchas de óleo já haviam chegado na Praia da Enseada, no distrito de Garapuá, que também fica na cidade de Cairu. A praia, que é um dos destinos turísticos da região, foi limpa por equipes da prefeitura e de voluntários. Nesta quinta-feira, a prefeitura divulgou que cerca de uma tonelada foi retirada. No dia anterior, terça-feira (12), novos fragmentos de óleo também voltaram a aparecer em Belmonte, no sul da Bahia. Foram recolhidos cerca de 18 kg da substância na praia do Mar Moreno. Em Maraú, também no baixo sul da Bahia, já foram recolhidas mais de 50 toneladas de óleo do galpão onde estava sendo armazenado. Foram usados cerca de quatro caminhões no processo de coleta. A substância começou a aparecer na Bahia no começo de outubro. Ao menos 31 cidades baianas e o Parque Nacional de Abrolhos já foram atingidos. O Governo do Estado decretou situação de emergência. Veja mais notícias do estado no G1 Bahia.
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15/11 - A estranha criatura mexicana que se regenera sozinha e pode desvendar chave de imunidade ao câncer
Os axolotes têm atraído o interesse dos cientistas, mas estão ameçados de extinção em seu habitat natural. Aparência dos axolotes divide opiniões — para alguns, eles são adoráveis, para outros, criaturas bizarras Mindem Pictures/Alamy/BBC Frankie tinha perdido metade do rosto em decorrência de uma infecção fúngica. Mas, assim como outros axolotes, ele tinha um talento especial. A veterinária e pesquisadora de axolotes Erika Servín Zamora, que também era cuidadora de Frankie, disse que ficou impressionada ao ver a extraordinária capacidade de regeneração do animal que ela, até então, conhecia apenas dos livros. Em dois meses, Frankie ganhou um novo olho totalmente funcional, e a vida voltou ao normal em seu tanque no Zoológico de Chapultepec. 'Blob': o que é a misteriosa criatura com 720 sexos e sem cérebro 'Fungo zumbi' controlando besouro e outras fotos incríveis Mas não teve tanta sorte em seu habitat natural, a apenas 30 quilômetros ao sul do zoológico. O axolote, anfíbio nativo dos lagos da Cidade do México, apesar de ter ganhado força como símbolo da capital mexicana, e especificamente no bairro de Xochimilco, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, está quase extinto na natureza — sobretudo por causa da proliferação de espécies invasoras de peixes e da poluição da água nos agitados canais da cidade. Para piorar a situação, Frankie é um axolote albino, o que significa que ele é rosa claro com brânquias plumosas rosadas saindo da sua cabeça — uma presa fácil para as tilápias invasoras nas águas escuras e turvas de Xochimilco. Muitas espécies de axolotes estão seriamente ameaçadas de extinção Ullstein Bild/Getty Images/BBC Conhecidos localmente como "monstros da água", os axolotes têm uma aparência que divide opiniões. Para alguns, essas criaturas de pele macia e 20 cm de comprimento são consideradas adoráveis, com um sorriso permanente no rosto. Para outros, esses anfíbios de quatro dedos são simplesmente estranhos. Apesar da aparência um tanto polêmica, eles despertam um interesse particular nos cientistas, que acreditam que axolotes como Frankie possam ensinar um dia aos seres humanos o segredo da regeneração. "Os cientistas estão tentando tirar proveito das propriedades regenerativas dos axolotes e aplicá-las em pessoas feridas em acidentes, guerras ou vítimas de doenças — pessoas que perderam membros", explica Servín Zamora. "Outros estão procurando maneiras de como a regeneração do axolote pode ajudar a cicatrizar órgãos humanos, como coração ou fígado". Os axolotes também estão ajudando Servín Zamora e outros cientistas a entender a aparente resistência ao câncer que todos os anfíbios parecem ter. "Em 15 anos, não vi nenhum caso de tumor maligno em axolotes, o que é interessante", diz ela. "Suspeitamos que sua capacidade de regenerar células e partes do corpo ajude nesse aspecto." Os cientistas querem desvendar e aplicar em seres humanos as propriedades regenerativas dos axolotes Robert Michael/Getty Images/G1 E não para por aí. Os axolotes têm sido usados ​​tradicionalmente em todo o México como remédio para algumas condições associadas à gravidez, fraqueza e doenças respiratórias. Um grupo de freiras em Patzcuaro, no México, cria legalmente uma espécie de axolote, Ambystoma dumerilii, e usa os animais como ingrediente de um xarope para tosse, embora tradicionalmente eles fossem consumidos como parte de um caldo. Eternos adolescentes — e representação do divino Frankie é um Ambystoma mexicanum, uma das 17 espécies de axolote no México. Encontradas principalmente nos estados do México, Puebla e Michoacán, várias estão seriamente ameaçadas. Algumas espécies se transformam em salamandras que vivem na terra, perdendo as caudas semelhantes a girinos e as brânquias da cabeça. No entanto, isso também depende do ambiente. Frankie, por exemplo, vivendo em cativeiro e, portanto, a salvo de predadores, permanecerá um "eterno adolescente". Ou seja, axolotes como ele nunca vão se transformar em salamandras — vão manter a cauda que desenvolveram como larva e viverão sempre debaixo d'água. "Basicamente, eles decidem se vão completar a metamorfose, com base em fatores de pressão ambiental", diz Zamora. "Se eles decidirem que é melhor viver fora d'água, vão passar pela mutação em salamandras, mas pode ser uma empreitada estressante, pois eles param de comer completamente durante esse período." "A teoria atual é que, por razões evolutivas, o Ambystoma mexicanum permanecerá jovem (em algum estágio entre um girino e uma salamandra), uma vez que há muita comida na água (como pequenos peixes de água doce) e poucos predadores, ou seja, poucas razões para emergir." Algumas espécies de axolotes se transformam em salamandras que vivem na terra Patrick Guenette/Alamy/BBC Devido a essa tendência de mudar de forma, os axolotes têm uma presença forte na mitologia asteca. Eles costumam ser reconhecidos como uma representação de Xolotl, deus do submundo que é o irmão gêmeo do mal de Quetzalcoatl, frequentemente representado pelo Sol. Quando vários deuses foram convidados a fazer um sacrifício para criar o mundo, Xolotl fugiu para a água. Por sua covardia e relutância em ajudar, ele foi condenado a viver para sempre na água e a sofrer da eterna juventude. Para os astecas, a morte era transcendente — e não concluir esse ciclo significava ser impedido de alcançar uma esfera superior. Uma atração turística Apesar de o axolote estar ameaçado de extinção, imagens de Frankie e seus amigos estão espalhadas por toda a Cidade do México — seja na forma de grafite nos muros da capital ou de bichos de pelúcia em loja de souvenir. O novo ônibus de turismo oficial da Cidade do México exibe a imagem de um axolote albino Megan Frye/BBC Além disso, o Ambystoma mexicanum vai estampar a nota de 50 pesos que será lançada em 2022. E os novos ônibus de turismo da cidade apresentam a imagem de um axolote albino pintado na lateral. Anos atrás, se você quisesse encontrar um axolote, tudo o que você precisava fazer era procurar um canal. A Cidade do México foi construída sobre o leito do que outrora era um lago enorme, onde os astecas costumavam criar canais — além de chinampas, ilhas flutuantes feitas de árvores e lama que eram usadas para cultivar alimentos — para fins de navegação e transporte. Embora o lago e grande parte do sistema de canais tenham sido drenados ao longo dos anos para abrir espaço para uma população crescente, ainda há mais de 183 km de canais no bairro de Xochimilco — e 165 hectares de terra e água estão localizados na área protegida do Parque Ecológico de Xochimilco. Mas, em vez de axolotes, é mais provável que os visitantes encontrem hoje inúmeras espécies de aves migratórias e guias nos barcos nos canais. A área se tornou altamente turística, sendo mais conhecida como um lugar para dar um passeio nas icônicas traineiras coloridas, onde barcos menores passam repletos de mariachis ou vendendo cerveja. Ameaças ambientais Como as traineiras são barcos sem motor, não têm, a princípio, um impacto negativo nos axolotes. No entanto, as chinampas não estão conectadas ao sistema de esgoto da cidade; e os resíduos costumam acabar nos canais. Outras ameaças aos anfíbios incluem o rápido crescimento de plantas aquáticas ornamentais não nativas e a poluição de fertilizantes industriais, além de espécies invasoras, como carpas e tilápias, que foram introduzidas pelo governo na década de 1970 para fornecer alimento para a antiga área rural. A última iniciativa foi bem-intencionada, diz Servín Zamora, mas não tão bem planejada, uma vez que a carpa e a tilápia se deliciam com os jovens axolotes. "Os problemas que Xochimilco enfrenta não são apenas ambientais, mas também sociais", acrescenta. Nos canais de Xochimilco, uma das atrações é o passeio nas icônicas traineiras coloridas Megan Frye/BBC "As pessoas não obtêm renda suficiente com suas chinampas ou com o ecoturismo, então tendem a construir suas casas lá (no terreno das chinampas, o que é uma opção acessível, pois elas já são donas da propriedade) e, por esse motivo, a urbanização aumentou muito naquelas áreas. Infelizmente, todo o esgoto dessas casas vai diretamente para os canais, e isso causou uma tremenda poluição." Em 2017, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) fez um estudo monitorando os canais. Embora os resultados ainda estejam sendo analisados, foi demonstrado que a poluição da água é muito grave nas zonas urbanas de crescimento rápido de Xochimilco. Servín Zamora disse que há esperança de recuperar espaços ainda dedicados à agricultura e, portanto, menos propensos a serem contaminados pela poluição causada pela superpopulação. "Se trabalharmos duro com educação, pesquisa e trabalho diretamente na área, podemos resgatá-lo, mesmo que seja apenas uma parte." Ainda assim, o estudo encontrou apenas um axolote vivendo na natureza em Xochimilco. Salvando o axolote Hoje, a maioria dos axolotes vive em cativeiro. Yanin Carbajal é cofundadora da Casa del Axolotl, um museu e aquário dedicado a educar o público sobre os axolotes, localizado na cidade de Chignahuapan, em Puebla. O projeto dela começou anos atrás, com tanques de criação no rancho de sua família, nas colinas das montanhas da Sierra Madre Oriental. O espaço do museu localizado na cidade foi inaugurado no ano passado, exibindo de 15 a 20 axolotes de quatro espécies diferentes. Carbajal conta que se sentiu motivada a cuidar dos axolotes por causa do seu forte vínculo com a história pré-colombiana do México, seus importantes efeitos para a saúde humana e o objetivo de preservar as espécies e melhorar seus habitats. Ela adverte, no entanto, que criar axolotes não é uma tarefa fácil. Embora seja permitido em todo o mundo mantê-los como animais de estimação, no México só é autorizado obter axolotes de um viveiro credenciado pela Secretaria de Meio Ambiente (equivalente a um ministério no Brasil). "A ignorância é um grande problema, com pessoas tirando (os axolotes) da natureza, mantendo como animais de estimação ou, em alguns casos, vendendo", afirma Carbajal. "Se as pessoas conseguem fazer com que se reproduzam, é positivo. Mas, do contrário, não ajuda as espécies. Como eles vivem nas águas tranquilas de lagos e lagoas, as temperaturas tendem a não flutuar tão rápido quanto em cativeiro." A Cidade do México tem poucos lugares onde os axolotes podem ser vistos em cativeiro hoje — entre eles, o Zoológico de Chapultepec, o Zoológico Los Coyotes e a sede das operadoras de turismo Axolotitlán e Umbral Axochiatl, ambas em Xochimilco. Pamela Valencia é fundadora da Axolotitlán, operadora da Cidade do México que tem como objetivo educar moradores e turistas sobre o delicado ecossistema de Xochimilco e a necessidade de se apoiar a causa dos axolotes, por meio de passeios com uma cooperativa de chinamperos (agricultores das chinampas) no parque ecológico. "O axolote é um tema no México que tem a ver com política, sociedade, uso de recursos, educação ambiental e sistematizada", avalia Valencia. "É um tópico que perpassa todas as vertentes da sociedade, de uma maneira ou de outra. Acreditamos que o axolote é o segredo para salvar nossa cidade, nosso país e provavelmente o mundo. É um animal incrivelmente importante que pode inspirar as pessoas a parar de fazer coisas que estamos fazendo há muito tempo como sociedade (como poluir) e sermos melhores de várias maneiras." Dionisio Eslava, presidente da Umbral Axochiatl, que trabalha em parceria com a Axolotitlán organizando passeios em Xochimilco, para que os visitantes entendam melhor a natureza do bairro, acredita que diminuir a diferença geográfica, cultural e socioeconômica entre a população da Cidade do México e os agricultores do sul é uma maneira de ajudar a limpar a área e incentivar, assim, os axolotes a voltarem para a região. "Os ecossistemas são um tipo de segurança, não apenas para alimentos, mas também para água, oxigênio e um aliado para enfrentar as mudanças climáticas", afirmou. "As grandes cidades devem apoiar nossos ecossistemas nos visitando e nos acompanhando neste tesouro que é uma grande herança de toda a humanidade." Essa pequena criatura, muitas vezes esquecida, pode não só nos guiar na proteção do planeta, como também é potencialmente a chave para desvendar alguns mistérios científicos. Frankie viveu até os oito anos (embora os axolotes em cativeiro possam viver 12 anos ou mais), morrendo de causas naturais no Zoológico de Chapultepec em 2010. Ele ocupa até hoje um lugar cativo no coração Servín Zamora, já que foi um dos primeiros axolotes de quem ela cuidou e ela diz ter aprendido muito com ele — esperamos que o resto do mundo também aprenda.
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15/11 - Projeto é desenvolvido na UFV para preservação do sagui-da-serra-escuro, ameaçado de extinção
O animal voltou a ser flagrado em Viçosa após 25 anos. Centro se prepara formação de uma população em cativeiro. Após 25 anos sem ser visto pela região, registros do sagui-da-serra-escuro voltaram a ocorrer em Viçosa Orlando Vital/UFV O Projeto “Aurita” desenvolve em Viçosa uma série de ações em prol da preservação do sagui-da-serra-escuro, ameaçado de extinção. Um estudo passou a ser realizado pelo Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV) após o animal ser flagrado, após 25 anos sem ser visto na região. Natural da Mata Atlântica e com distribuição geográfica original na Zona da Mata mineira, incluindo o município de Viçosa, o sagui-da-serra-escuro, ou cientificamente conhecido como Callitrix aurita, é um primata raro e ameaçado de extinção segundo a IUCN Red List. O responsável pelo flagrante foi o estudante Orlando Vital que, em 2017, durante o trabalho de conclusão do Curso de Ciências Biológicas, reencontrou um pequeno grupo da espécie a cinco quilômetros de Viçosa. Desde então, ele e o professor Fabiano Rodrigues de Melo convidaram integrantes do Programa de Conservação dos Saguis-da-serra para auxiliá-los na pesquisa. Atualmente, Vital é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da UFV e desenvolve pesquisas sobre estes primatas. Em trabalhos de campo da pesquisa, foram visitados cerca de 70 fragmentos de Mata Atlântica na região e foram encontrados apenas dois grupos de C. aurita em contato direto com outras espécies. Segundo o projeto, isto representa uma ameaça, pois, ao se cruzarem, a genética da espécie vai se deteriorando. Para o professor Fabiano de Melo, com a diminuição da Mata Atlântica ocorre um aumento de espécies híbridas e disputa de espaço. “O país perdeu Mata Atlântica. O impacto foi severo e envolveu metade das espécies de macacos deste bioma, que inclui o sagui-da-serra-escuro”, explicou. Os estudos realizados pelo Projeto “Aurita” buscam novos grupos e entender quais são os fatores ambientais que favorecem a permanência deles onde estão localizados. Diante disso, Orlando Vital espera ajudar na conservação do C. aurita e entender a dinâmica dos invasores. Para encontrar e atrair os animais, os pesquisadores utilizada a técnica de playback, que consiste em emitir sons de saguis. Por se tratarem de animais com características territorialistas, ao ouvirem os barulhos, eles respondem e, muitas vezes, se aproximam para saber quem são os invasores. Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra O projeto começou a partir da monografia de Orlando Vital e se expandiu, chegando a contar, atualmente, com apoio de 28 integrantes, entre bolsistas e voluntários. São pesquisadores das áreas de Medicina Veterinária, engenharias Florestal e Ambiental, Ciências Biológicas, Zootecnia, Biologia Animal e Ciência Florestal. Com a identificação de grupos puros de C. aurita na microrregião de Viçosa, foi idealizada e realizada a criação do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS-UFV) para trabalhar efetivamente com a reprodução do primata visando à reintrodução futura na natureza. O espaço é um criadouro científico para fins de pesquisa, previsto em lei, licenciado pelo Instituto Estadual de Florestal (IEF) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O CCSS-UFV dedica se a cuidar de duas espécies: o Callitrix aurita, nativo de Viçosa, e o Callitrix flaviceps (sagui-da-serra), que também é natural da Mata Atlântica e tem uma distribuição bem menor no leste de Minas Gerais e na região montanhosa do Espírito Santo. Originalmente, o C. flaviceps não ocorre em Viçosa. Mas como já há registro desta espécie em cidades próximas, como Manhuaçu, Viçosa seria um centro de referência para a sua reprodução. Além da assistência institucional, o CCSS-UFV recebe apoio de organizações nacionais e internacionais. Em julho deste ano, as veterinárias e estudantes de pós-graduação Isabela Mascarenhas e Mayra Zerlotini, integrantes do Centro, realizaram treinamentos técnicos e práticos de manejo destes animais em cativeiro, priorizando o bem-estar deles. Para isso, foram concedidas bolsas pelo Apenheul Primate Park, zoológico especializado em primatas, situado em Apeldoorn (Holanda), e pelo Jersey Zoo, localizado no Reino Unido, que pertence à Durrell Wildlife Conservation Trust. O Centro tem uma sede no campus Viçosa, localizada próximo ao Departamento de Zootecnia e à Vila Dr. Secundino, que está sendo preparada para receber o primeiro indivíduo do C. aurita. Com isso, será iniciada a formação de uma população em cativeiro, cujo objetivo será assegurar a preservação do C. aurita e reproduzi-lo, para viabilizar seu retorno ao habitat no futuro.
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15/11 - Marinha confirma novas manchas de óleo no Delta do Parnaíba; outras 5 praias do PI voltam a ser atingidas
Até a última atualização desta reportagem, apenas a Praia de Atalaia foi decretada imprópria para banho. Força tarefa foi montada para limpeza dos pontos atingidos. Manchas de óleo voltam a aparecer nas praias do Piauí e da Bahia A Marinha do Brasil confirmou na tarde sexta-feira (15) reaparecimento de manchas de óleo no Delta do Parnaíba, o maior das Américas. Desta vez, o material foi encontrado na Praia do Pontal, em Ilha Grande, parte pertencente ao Piauí. Outras cinco praias piauienses voltaram a ser atingidas pelo material desde quinta-feira (14). A Praia de Atalaia foi decretada imprópria para banho. Manchas de óleo chegam a mais um paraíso do Nordeste brasileiro "Novas manchas apareceram no Delta do Parnaíba, segundo detectado pelo Ibama [Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais]. Tanto na parte do Piauí, na Praia do Portal, como na área pertencente ao Maranhão, na Ilha dos Poldros", informou o comandante da Capitania dos Portos do Piauí (CPPI), capitão de fragata Dante Duarte. Manchas de óleo voltam a atingir o Litoral do Piauí Darival Júnior Segundo o capitão, no Delta do Parnaíba será feito uma limpeza pela Capitania do Maranhão e Exército Brasileiro. Já nas praias piauienses, uma força tarefa foi montada para limpar os pontos atingidos com ajuda do Ibama, Corpo de Bombeiros, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Defesa Civil. Marinha recolheu 530 quilos de óleo da Praia da Atalaia no Piauí Divulgação/Marinha do Brasil Na manhã desta sexta-feira (15), mais de 450 quilos de óleo foram retirados somente da Praia de Atalaia. No dia anterior, outros 80 quilos foram recolhidos do local. "As manchas de óleo são diferentes das outras vezes, que tinham aspecto de massa. Desta vez, elas são pulverizadas, como se fossem moedas na areia e na água. Outras praias atingidas foram: Pedra do Sal, em Parnaíba, Peito de Moça e Coqueiro, em Luís Correia. Estamos com uma força tarefa para fazer a limpeza desses pontos", explicou o comandante Dante Duarte. Manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Arquivo Pessoal/Roberto Araújo A Marinha do Brasil monitora o litoral do Piauí desde o dia 2 de setembro deste ano. Desde 30 de setembro não havia presença de óleo nas praias piauienses. No entanto, novas manchas apareceram na Praia de Atalaia nessa quinta-feira (15) e a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) decretou a praia imprópria para o banho. Na noite desta sexta-feira, a Semar confirmou manchas em Cajueiro da Praia, a 384 km de Teresina, no Litoral do Piauí. A área é conhecida como santuário dos peixes-boi. Turistas sujos de óleo Turistas ficam sujos com manchas de óleo na Pedra do Sal, em Parnaíba Arquivo Pessoal/Darival Júnior Alguns turistas que estão na Praia do Coqueiro, situada no município de Luís Correia, e na Pedra do Sal, em Parnaíba, tiveram contato com as manchas de óleo que reapareceram no litoral piauiense. Apesar do registro, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) não confirmou a presença de manchas na Praia do Coqueiro e reforçou que apenas a Praia de Atalaia continua imprópria para banho. Já a Marinha confirmou as manchas de óleo no local nesta sexta-feira (15). De acordo com a Marinha, a análise de balneabilidade de uma praia é uma prerrogativa da Semar, que avalia tecnicamente os parâmetros com base em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Tartaruga e peixe mortos Animais mortos e com manchas de óleo são encontrados na Praia Pedra do Sal Mais uma tartaruga e um peixe com manchas de óleo foram encontrados mortos na Praia Pedra do Sal, em Parnaíba. Vídeos registrados nesta sexta-feira (15) mostram as manchas no mar, na areia e nas pedras do ponto turístico. As imagens também aparecem uma tartaruga morta, mas sem causa da morte definida, e um peixe coberto de manchas de óleo.
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